Memórias que se devem evitar

No terceiro Domingo do mês de Novembro comemora-se o Dia da Memória ou, como a ONU o baptizou, Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada.
Portugal, como é sabido, tem travado uma dura luta contra os acidentes de viação que constituem uma das mais preponderantes causas de morte no nosso país. Quem não teve um familiar, um amigo vítima de um acidente de viação? Eu, pelo menos, já perdi alguns e, como tal, não pude deixar passar em branco esta data.
No entanto, não pensem que vou aqui analisar as razões para um tão elevado número de acidentes de viação e de vítimas... Afinal, elas são mais do que conhecidas e evidentes: uma aposta insuficiente na educação rodoviária, falta de civismo, maus traçados rodoviários e deficiências em muitos deles. Tudo somado só pode dar em números de mortos e feridos inacreditáveis, em enormes gastos na saúde e imensas famílias enlutadas.
Apesar disso, parece que essa luta começa a dar frutos: este ano, até ao dia 7 deste mês, morreram menos 93 mortos (um decréscimo de 12% relativamente a igual período no ano de 2007), apesar de terem morrido 642 pessoas e houve uma diminuição de 19% de feridos graves, segundo dados fornecidos pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.
Esperemos que estes números continuem a diminuir...

P.S.: Lamento se estavam à espera de um post mais polémico e interessante, mas hoje tinha mesmo que abordar este tema. Claro que o poderia ter feito de outra forma, mas quando um vírus decide passar umas férias no nosso corpo e provoca 38 de febre, não se pode exigir muito...

10 comentarios:

salvoconduto disse...

Em cima dele com o antibiótico! Já provei desse amargo de boca. Não, não me estou a referir à virose, já fui atropelado e se há santos, algum deles esteve do meu lado neese dia. Álcool a mais na mona daquele assassino, que conduzia uma carrinha cheia de crianças.

PreDatado disse...

... mau parque automóvel, deficiente sinalização, deficiencia dos pisos, condutores inabilitados, entre outros... dava para um debate.

pedro oliveira disse...

Os números para o ano que vem vão aumentar, porque,e bem, vão também ser contabilizados as vitimas de acidente que falecerem até 30 dias após a ocorrência.
O traçado das estradas em alguns casos é um atentado ás nossas vidas.Quem são os responsaveis? quem os corrige,os traçados?


As melhoras Carol.
PO
vilaforte

Ferreira-Pinto disse...

Sendo sucinto, embora neste domínio muito se poderia aduzir, penso que a coligação entre traçados com planeamento deficiente aliado a uma exarcebada ausência de civismo na estrada são os dois factores principais nesta verdadeira guerra civil que se trava em Portugal.

Costumo apontar o IP4 como um dos exemplos desta aliança, embora admita que conheço outros troços e alguns bem melhor que este.

Por exemplo, a EN206 que, atravessando mesmo a meio a localidade onde resido, dispõe no local de passadeiras e de semáforos redutores de velocidade.

Os mesmos costumam estar quase sempre ou avariados, ou com lâmpadas fundidas (sendo que aqui o mais perigoso é quando para os peões as luzes estão todas a funcionar e ligam o verde, mas para os carros um dos semáforos não funciona), mas mesmo quando funcionam correctamente não bastas vezes há indivíduos (alguns alegadamente condutores profissionais) que fazem de conta e o peão que ande da perna!

Paralelamente, entre a ex-JAE e a Câmara Municipal é um jogo de empurra quanto à responsabilidade sobre os semáforos à custa de um alegado protocolo ... vou-lhes inundando as caixas de correio na secreta esperança que aquilo um dia passe tudo a funcionar como deve ser.

Outra prática recorrente é a sinalização que ora é inexistente, ora é vandalizada ou roubada ...

Peter disse...

Lamento os teus mortos na estrada, eles não são mais do que a falta de civismo do nosso povo, no qual me integro. Não me excluo.
É a falta de civismo na estrada, como o é na escola com pais e alunos a continuarem a agredir impunemente os professores, como o é o indivíduo que se senta nos lugares reservados a grávidas e a diminuidos fisicamente, a olhar pela janela, para fingir que não vê ...

Morreu-me um amigo. Não estou com paciência para aturar este povo, no qual me integro, mas não me revejo.

Desculpa não concordar contigo, mas a diminuição de mortos na estrada, tem mais a ver com o aumento do preço dos combustíveis.

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Os números da mortalidade nas esradas estão viciados. Portugal, seguindo uma estatística pecular, só contabiliza os mortos que sucumbiram no prazo de 24 horas após o acidente. No próximo ano vamos passar aseguir as regras dos outros países e pesumo, por isso, que o número de mortes aumente.
As causas da sinistralidade estão todas enunciadas no seu post, mas em minha opinião a falta de civismo é a que mais contribui.
As suas melhoras. Com 38 de febre, eu não conseguiria escrever uma linha, de certeza!

Compadre Alentejano disse...

É uma autêntica guerra civil o que se passa nas estradas. Para chegarem 5 minutos antes, os automobilistas não se importam de carregar no acelerador e, depois...
Estes números vão aumentar, quando se fizer a contagem pelos métodos que usam na europa: contam as mortes ocorridas até trinta dias, após o acidente. Actualmente só contam as que morrem no local do acidente e no caminho para o hospital.
Compadre Alentejano

Carol disse...

Obrigada pelos votos de melhoras!

De facto, é uma estupidez que não se contabilizem os mortos que ocorrem após o internamento. Tenho a sensação que os números, como vocês disseram, vão aumentar. Mas, lá no fundo, a esperança de queas coisas mudem para melhor, subsiste.

DANTE disse...

A solução passa pelos carris , sim se tudo andasse como os electricos decerto que seriam menos os acidentes rodoviarios.
Adeus ó ultrapassagens e manobras perigosas :D

Desejo as tuas rápidas melhoras carol
Jokas :)

lusitano disse...

Em primeiro lugar, as melhoras rápidas e totais.

Depois sobre o assunto está tudo dito!

Eu que estive numa guerra faz-me sempre impressão que se morra mais em Portugal nas estradas que em muitas guerras por esse mundo fora.

Abraço.