E que tal dinamitar o sistema político?

“Perante os tempos extraordinários desta crise do capitalismo, a Esquerda tem a missão urgente de encontrar uma alternativa de poder, deixando de lado velhos dogmatismos” defenderam em uníssono Paulo Pedroso, Francisco Louçã e Paulo Fidalgo (ex-PCP e hoje no Movimento de Renovação Comunista) na cerimónia de apresentação do livro “A Nova Esquerda”, de Celso Cruzeiro.

Tenho nas estantes lá de casa escritos e contributos maduros de vários pensadores sobre a necessidade de a Esquerda encontrar um novo paradigma, embora a experiência nos ensine que tal está longe de ser uma realidade. Bem pregam eles, o problema é o resto!

Aliás, penso até que o paradigma deve ser procurado por todo o arco constitucional, pois não é desejável para Portugal, enquanto país e nação, que tudo se resuma a umas picardias entre PS e PSD (os dois únicos partidos com clara vocação e condições de poder) mas que, quando no Governo, pouco os distinga. Pegue-se no modelo de reforma da Administração Pública e no Código do Trabalho para rapidamente se perceber o que digo, conquanto se faça uma leitura despida de preconceitos.

É por isso que sou dos que defendem que Manuel Alegre (de quem não sou fervoroso adepto) devia abandonar o PS.
Não é por ele erguer a voz, qual bravata, contra o chefe ou levantar-se para votar contra quando quer (direito inalienável), porque atitudes sem consequência, antes porque se saísse arrastaria consigo uma parte do PS, agregaria quiçá parte do PCP e poderia refundir à Esquerda.

O mesmo deveria suceder à Direita onde em tempos se falou dum Partido Social Liberal que seria o espaço de Santana Lopes.
E, se isto viesse a ocorrer, e fossem grossas as fatias amputadas ao PSD e ao PS, não vejo porque é que estes não se haviam de fundir.
Aos arautos da honra e da imaculada virgindade de cada um dos partidos, peço que atentem que o outrora PPD quis aderir à Internacional Socialista, o que deve ser sinónimo de qualquer coisa.

Este dinamitar do sistema político tal como o conhecemos hoje poderia abrir portas a uma nova forma de estar e de fazer política, abrir espaço a novos intervenientes e contribuir, presumo, para abanar com o pântano em que nos movemos posto que acho que secá-lo é outra conversa!

Pântano que permite que um secretário de Estado diga que quem não estiver com a reforma da Administração Pública será trucidado e nem uma voz se ouça; que obriga um Presidente da República a dizer que nada tem a ver com o BPN embora se fique na dúvida porque o teve de dizer; que tem organismos e entidades reguladoras e fiscalizadoras que estão mais vendadas que a Justiça que se encontra à porta dos Tribunais; pântano onde uma obra como o Museu do Douro, porque acabou dentro dos prazos e sem derrapagens financeiras, é excepção e não regra; pântano onde a EB2,3 de Beiriz, porque concluiu e tem em marcha um processo que todos asseveram irrealizável, é agora apodada de “fura greves” … e por aí, e por aí …

19 comentarios:

joshua disse...

Se essas refundações e refundições não se fizerem racional e acordadamente à Direita e à Esquerda, se não se fizerem a bem, como um novo marcelismo não só com Primavera mas também com Verão, quer-me parecer, apalpando o pulso ao homem comum, não o homem da prosápia dos gabinetes, que essas refundações e refundições serão feitas a mal, com convulsões e com sangue, não o sangue dos camionistas que dobra Governos, mas o sangue de uma gente invisível e volumosa que os governos têm andado a dobrar até ap v invertido.

Não se tolerará indefinidamente que um secretário de Estado diga que quem não estiver com a reforma da Administração Pública será trucidado e nem uma voz se ouça; nem se tolerará indifinidamente que um Presidente da República se veja solitariamente obrigado a dizer que nada tem a ver com o BPN com isso reforçando todas as dúvidas porque o teve de dizer solitaria, fragilizada e debilmente; que haja organismos e entidades reguladoras e fiscalizadoras que estão mais vendadas, mudas e surdas que a Justiça que se encontra à porta dos Tribunais e está só vendada; pântano onde uma obra como o Museu do Douro, porque acabou dentro dos prazos e sem derrapagens financeiras, é excepção e não regra, pântano onde o poder central e concretamente o ME tem mais capacidade de persuação e de intimidação numas escolas, por exemplo numa apenas, a EB2,3 de Beiriz que noutras, concretamente a esmagadora maioria.

Portanto, paradisiacamente de acordo, Tarantino!

Peter disse...

Não sei se comente, terei de o fazer "com pinças", sempre receoso de ser considerado agressivo e truculento.
Li o texto e li o comentário, até porque andava afastado de qualquer dos autores e vou escrever sobre o primeiro, pois parece-me que o segundo é o seguimento natural do primeiro.
Será uma política de gabinete que levaria à consolidação do que, na realidade já se verifica. Todavia o dinamatar do BPN, facto de desfecho inopinado e do qual todos se esforçam para não ouvir o estrondo, nem ver os resultados, veio destruir o que restava do velho PSD e não sei se será possível juntar os cacos.
É tempo dos novos do PS e do PSD, se tiverem força para tanto, assumirem o poder, relegando para as "pantufas" a velharia que por aí ainda anda.
Como oposição teríamos o seu chefe natural, Francisco Louçã, talvez o político mais inteligente que se senta na AR, até porque muitos dos "notáveis" nem sequer ali se sentam. Nela caberiam os jovens do PCP, PS e BE.
Deixemos os "notáveis" de todos os partidos gozar o merecido (?) descanso.

Aliás é o que vou fazer agora, só com a excepção de que, depois dum renhido diálogo com o vbm, o meu descanso é mesmo merecido.

Ferreira-Pinto disse...

PETER sinceramente não compreendo bem o receio de ser considerado agressivo e truculento ... tanto quanto sei aqui nunca ninguém se queixou!

Todo e qualquer comentário merece-nos consderação, salvo quando as considerações se começam a fazer no plano da vida pessoal (não sei se é a essas truculências que te referes ...)

António de Almeida disse...

Concordo com a orientação genérica do texto, espero que não seja obviamente Santana Lopes a liderar um espaço político liberal, o CDS/PP também necessita voltar a ser um partido conservador, terá primeiro de deixar de ser um partido unipessoal, uma boa parte do PS e do PSD podem claramente conviver num partido social democrata, socialismo 3ª via ou algo do género, fará falta um partido à esquerda que não poderá ser trotskista nem saudoso da ex-URSS. A refundação acabaria duma vez por todas com governos de maioria, mas seria interessante, existem vários países europeus onde tal acontece e não foi por aí que não se desenvolveram.

pedro oliveira disse...

Também concordo que este centrão que nos (des)governa há mais de 30 anos não nos tem trazido sucesso como país e tem trazido muita promiscuidade e troca de favores politicos que têm minado a saúde da nossa democracia, não sei se seria com os protagonistas que fala(PSL e MA), mas que é necessário que o espectro politico se defina de uma forma mais clara,também não tenho a menor dúvida.Nada pior para uma democracia do que alternar o poder na mesma base politica.Nem a crescente abstenção está a preocupar os nossos politicos, até quando?

Po
Vilaforte

joshua disse...

Tarantino, lá com essa insistência na 'vida pessoal' já começas a parecer o Octávio Machado que invocas só nos outros. Arrebita, pá!

Lamentavelmente, a política plural e diversificada afinal está murcha, perdida no ressentimento e nesses egos descomunais e ditatoriais, que não apreciam lá muito o contraditório na cegueira exclusivista e solitária das suas próprias razões e provocações.

korrosiva disse...

Eu até acho que se deva dar a vez ao proximo, renovar e limpar as poeiras, fisicas e mentais que tanto espaço ocupam na politica do nosso país...

Só não queria ficar a braços com jovens pedantes que se tiverem de assumir algo não sabem se hão-de cagar, se dar corda ao relógio.

DANTE disse...

Eu acho que não há volta a dar , o sistema já está por demais viciado.
E as reformas da função publica são e rir , principalmente quando é na função publica que os cargos mais altos se reformam e continuam a usufruir dos direitos que sempre tiveram aquando no activo.
È giro vê-los a usar recursos publicos em prol das suas empresas privadas e está tudo bem...
Não estou a atacar os fp's , eu proprio sou um , mas que isto já agonia já.
Num país onde alguém adquire materiais para uso particular , com o dinheiro do estado , so porque a sua assinatura assim o permite , que há-de ser feito??
Não sei porquê mas concordo com o titulo deste post literalmente...

Um abraço Ferreira

Ferreira-Pinto disse...

JOSHUA eu arrebitado ando, mas fiquei congestionado nos poucos neurónios que me restam com a tua refinada e expressa concordância com quase tudo o que hoje debitei!

Tenho em ti um coreáceo oponente argumentativo, mas desta vez colhi a simpatia e bondade dos teus argumentos confluírem com os meus.
É bom, sinal que, afinal, é mais o que nos une que aquilo que aparentemente nos separa.

Quanto ao só invocar nos "outros", estás equivocado. A sério.
Mas a coisa extravasa o âmbito cínico da blogosfera.
Deixei aquela nota de rodapé porque não percebi o entrar a medo do autor do segundo comentário do dia.
Quanto a outros a que eventualmente tenha respondido, uma "amabilidade" merece sempre outra "amabilidade".

Blondewithaphd disse...

Homem de Deus, se é para dinamitar bute lá!!!! Tu hoje estás acre, criatura!

Anni Dória disse...

Vejo que partilhamos a mesma linha partidária. Serei ainda bastante inexperiente nestas " andanças " mas mais e melhores posts virão. Até breve!

Carol disse...

Dinamitemos, pois então!

O comentário era maior, mas já tentei publicá-lo n vezes e perdi a pachorra!

Tiago R Cardoso disse...

pelo fim:

porque teve o PR de o dizer?

Porque foi informado que andava a ser investigado por vários jornalistas.

Manuel Alegre a refundar a esquerda?
Enfim, se essa é a salvação estamos bem arranjados.

Santana Lopes?
Não obrigado.

JOY disse...

Duma coisa penso que podemos ter a certeza, não será com estas criaturas que já aqui andam á 20 ou 30 e com os resultados que temos á vista que iremos a lado nenhum , por isso compro algumas das ideias aqui deixadas.

Joy

mac disse...

Há alguns anos atrás, surgiu o PSR e pensávamos que fosse uma lufada de ar fresco. Não conseguiu sobreviver, e surgiu depois o BE e nova esperança. Alguns anos depois, e apesar de agitarem o Parlamento, está-se a tornar igual aos partidos do Centralão. Ainda tinha esperanças que Bernardino Soares fosse a nova face do PCP, que daqui a alguns anos fosse o responsável por algumas mudanças dentro desse partido, mas a cassete já se faz ouvir.
Gostava que estes movimentos que surgem, significassem de facto mudanças, mas será que não cederiam um dia mais tarde aos discursos oficiais?

PreDatado disse...

meu caro ferreira-pinto eu ia deixar-lhe um comentário, mas como o texto já estava enorme, ao bom estilo joshuano, acabei por transformá-lo em post e coloquei-o no meu blog. é só mais um clique ok?
um abraço.

lusitano disse...

Bem, rezam as lendas, que a seguir ao 25.4 quando a TAP estava pelas ruas da amargura, foi chamada uma equipa de peritos norteamericanos para tentar encontrar uma solução para a coisa.

Para encurtar razões a solução mais viável, seria fechar aquela gaita, despedir toda a gente e reabrir apenas com o pessoal competente e necessário!

Tudo isto para dizer que acho, sonhando, que esta seria a solução para Portugal.

Fechar o governo, órgãos politicos, administração pública, pôr tudo na rua e depois reabrir apenas com o pessoal competente e necessário.

Infelizmente a coisa é inviável, por isso não tenho grandes esperanças...

Francisco Castelo Branco disse...

será que ha espaço para estes novos partidos?

com o afunilamento PS-PSD cada vez maior , será que os ditos novos partidos teriam espaço?condiçoes? politicas?

diferentes dos actuais partidos parlamentares?

Demorava a ser implementado.....

Se fosse para preencher um espaço que ainda nao o está, talvez desse...
mas os espaços politicos estão todos lotados

Francisco Castelo Branco disse...

Só para completar que á esquerda do PS, onde Manuel Alegre quer estar, ja está mesmo preenchido

agora a Direita está vazia....

PSL pode ir por ai