De Fafe a Lisboa, o povo está malcriado!

O que ontem se passou em Fafe é intolerável. Uma coisa é a discordância, outra a estupidez!
E mesmo os que consideram que Maria de Lurdes Rodrigues com aquele seu ar seráfico é que deu azo a isto, deviam pensar que a superioridade moral de quem está do lado de lá da barreira não se mede pela quantidade de ovos atirados. Ou pelos guinchos que se dá!

Mas os incidentes, digamos assim, dentro ou nas proximidades de escolas começam a ser recorrentes.
Pergunto-me onde encontrar justificação para o pai que, desagradado com o tom menos medroso com que o docente se dirigiu a um dos seus filhos, entra pela sala dentro, escoltado por um outro herdeiro com l7 anos de idade, e lhe parte a cana do nariz?

Ou para o aluno que prega um valente “enfesto” na professora, derrubando-a, só porque esta teve a infeliz ideia de se meter numa guerra entre colegas por causa de um telemóvel?
Ou aqueloutro ainda que, sabe-se lá bem porquê, resolveu a contenda com um colega, dando-lhe a provar o aço de uma navalha?

Pronto, já sei … uns vão dizer que a culpa é: a) da Maria de Lurdes Rodrigues; b) do José Sócrates; c) do Estatuto do Aluno; d) do Código de Processo Penal; e) do Código Penal e, f), de todas as hipóteses atrás referidas.

E se antes, e em primeira instância, estiver a má criação de uma certa geração?
Como? Não entenderam?
Eu repito … BASICAMENTE, OS PAIZINHOS DAQUELES MENINOS NÃO TÊM EDUCAÇÃO NENHUMA!
E como a não têm, não a podem dar!

Notem, por favor, que existiu uma evolução na sociedade portuguesa.
Nessa evolução, passamos do temor reverencial à autoridade ao mais absoluta desprezo pela mesma. Isto não esquecendo que, às vezes, a mesma não se dá ao respeito!

Onde antes homens e mulheres cuspiam para o chão (ambos), coçavam os ditos cujos em público (eles), e despejavam lixo em qualquer lado (outra vez ambos), evoluímos para uma versão de “despenteado mental” onde a par de sinais de aparente estatuto social, caminha a mais abjecta falta de noção de responsabilidade social e ridículo!

É o telemóvel último modelo que se atende aos berros, seja onde for; é o saco do lixo que deixamos ao lado do ecoponto, esteja ele vazio ou cheio porque lixo em nossa casa é que não; é a saca ou carteira forrada a alumínio para o “gamanço” no centro comercial porque se a pindérica do 5º esquerdo tem, eu também tenho de ter; é o passar um cheque careca como quem supostamente troca de meias todos os dias e ainda protestar aos berros “eu sou honesto, seu filho da …” quando o portador vem reclamar; é a ligação directa que se faz à TV Cabo e ainda gozar com quem a tem de forma honesta; é o idiota que não paga o condomínio mas reclama e protesta sobre tudo …

Podia aqui continuar o dia inteiro, mas quedo-me por aqui pois penso que um fedelho empertigado que cresceu a ver isto e a sentir que tem as costas quentes, se julga dono do mundo! E o triste é que quase sempre é!

Já agora, para casos como os que relato acima, e para não dizerem que eu é só “postas de pescada”, aqui ficam as minhas propostas: a) chumbo imediato do interveniente; b) trabalho comunitário a favor da comunidade mas ali onde todos vissem (tipo rapar as valetas e bermas à volta da escola e nas redondezas de casa) e, c), multa a pagar pelos ilustres pais (geralmente absentistas) e sem ser em suaves prestações (normalmente quando nos vão à carteira, tendemos a aprender mais depressa!) e sem recurso ou coisa que o valha.

43 comentarios:

joshua disse...

Foi feio. Não o aprovo, apesar do prazer que me dá ter o Manuel Alegre e alguns putos mais colhões que Cavacos e outros agentes amorfos na nossa democracia em diminutivo. Seraficamente to digo. Acho porém que as tuas sugestões finais já estão a ser aplicadas seriamente, podes não ter reparado, mas estão.

Mas um outro olhar e mais de perto sobre o crime hamletiano dos ovos omelete contra pobrezinha da indefesa ministra, meu filho, seraficamente te digo e repito novamente como quem pergunta se os que fizeram o Maio de 68 ou então esses empregados agora impertigados em vista de um despedimento maciço da Nissan em Barcelona não são ou terão sido esses grunhos que descreveste? Será? Mas afinal os grunhos e mal-educados são exclusivamente os outros? Mas afinal estas coisas excessivas e violentas, esse mau-aspecto-democrático dos ovos, não se instigam por exasperação superior e política relativamente a quantos estão no terreno a suportar as violências de todo o tipo que elencas? Mas afinal as avalanchas legislativas e os tsunamis de despachos não terão consequências no estado dos espíritos cilindrados de realidade todos os dias? Mas afinal não estamos de acordo que pressionar profissionais, de uma forma ou de outra, para simplificar o trânsito automático dos alunos, mas depois fazer impender sobre eles, os mesmos professores e profissionais, tonecaralhadas de papéis para absolutamente nada de relevante, embora moroso e absorvente, é imoral e é uma violência?

Os 'basta' de Sampaio e de Manuel Alegre na sua juventude alevantadiça e irreverente, as duras e corajosas manifs antigas, foram elas feitas por grunhos e mal educados, por arruaceiros e degradados dos bons costumes? Não terão representado um sinal de coragem numa terra de covardes e de anões?

Aburguesadamente parecerás pensar que sim?

joshua disse...

Porque Fafe poderá vir a estar na moda tendo em conta a degradante monstruosidade a montante do sistema:

[Esta é seguramente uma das melhores sínteses do caos que se instalou no sistema educativo em Portugal. Da autoria de Aires Almeida, professor titular de Filosofia da Escola Secundária Manuel Teixeira Gomes, de Portimão (que até nem participou nas duas últimas grandes manifestações de docentes), pode ser lida na íntegra aqui.

Há, em todo o caso, excertos que merecem bem o destaque. Por exemplo, o parágrafo sobre a sua actual ocupação do tempo: «Perguntar-se-á: o que ando então a fazer o tempo todo para deixar de preparar as minhas aulas como deve ser? A resposta poderia ser dada até pelo meu filho, apesar de ainda ser criança: além das aulas, passo os dias em reuniões intermináveis para entender o sentido do terrorismo legislativo com que se tolhem e intimidam os professores. Na verdade são muito mais as horas que tenho gasto a reunir por causa da avaliação do que com aulas. E o pior ainda nem sequer chegou. Como avaliador de oito colegas, terei de inventar mais 36 horas para assistir a aulas suas, além das reuniões preparatórias que tenho de fazer com cada um deles e dos quilos de papelada para preencher. De resto, na minha escola os professores irão passar o ano a assistir às aulas uns dos outros, pois somos 165 professores, o que dá cerca de 500 aulas assistidas por ano. Além disso, terei de preparar tudo para o meu avaliador – um colega de Economia que não tem culpa de nada e que fará certamente o seu melhor – poder assistir às minhas aulas de Filosofia».

Será este, então, o modelo ideal para que os resultados dos alunos melhorem, como anuncia a professora que, por estes dias, ocupa o cargo de ministra? Nem por sombras. Acompanhe­‑se o raciocínio: «Que o novo modelo de avaliação é inútil e ineficaz já o provou definitivamente, sem o querer, a senhora ministra. Diz ela repetidamente que esta avaliação é absolutamente necessária para a qualidade do ensino e para a melhoria dos resultados. Porém, anunciou com grande pompa ao país que os resultados melhoraram no último ano, o que acabou por ser reforçado com a divulgação dos resultados dos exames nacionais. Só que esta apregoada melhoria da qualidade e dos resultados verificou-se ainda antes de o modelo de avaliação produzir qualquer efeito. Logo, fica provado que a avaliação não é uma condição necessária para a melhoria da qualidade e dos resultados».

Aquilo com que as escolas se confrontam actualmente parece mais da ordem de um sistema totalitário, em que a vontade de controlar tudo e todos se dissemina por uma imensa parafernália de documentos legislativos, capaz de fazer corar de vergonha os membros do tribunal de Der Proceß: «Os responsáveis pelo actual ministério da educação parecem, talvez inconscientemente, querer pôr em prática o cenário tenebroso descrito por George Orwell em Mil Novecentos e Oitenta e Quatro, em que a catadupa de despachos, decretos regulamentares, documentos orientadores, ordens de serviço, instruções superiores, recomendações, etc., frequentemente incoerentes – vale a pena dizer que acumulo em casa mais de mil fotocópias sobre avaliação, que me foram entregues na escola –, são a tradução quase literal do ‘Big Brother is watching you’ da 5 de Outubro. A obsessão do ministério por controlar tudo e todos até ao mais pequeno detalhe está bem patente no modelo de fichas de avaliação que impõe às escolas e aos professores (parece que a ideia é a de que, entre tanta coisa pedagogicamente inane, sempre há-de haver uns quantos aspectos em que o avaliado vai falhar, de modo a não atrapalhar as escassas cotas disponíveis para progressão na carreira). E o mais irónico é que, quando se encontram incoerências e impasses nas instruções oriundas do ministério, a ministra deixa o problema para as próprias escolas com o argumento de que lhes quer dar autonomia na construção dos seus instrumentos de avaliação. Não é, pois, surpreendente que os professores se sintam desorientados, cansados, chantageados e até insultados. Isso acaba naturalmente por se reflectir na sua prática lectiva e os alunos notam bem a diferença quando o professor dá as aulas cansado».

Em consequência, Aires Almeida recorre a John Rawls, citado em epígrafe, para defender a única atitude civicamente correcta neste momento cuja gravidade convém não escamotear: «Por isso é arrepiante ver a senhora ministra insistir – contra tudo e contra todos os que, em Portugal, já alguma vez revelaram interesse pelas questões da educação – numa teimosia própria de mentes obstinadas e dogmáticas. E é também por isso um imperativo de justiça desobedecer a esta lei arbitrária e injusta, sobre uma questão de tão grande importância. Chama-se a isto desobediência civil e foi isso que fizeram em diferentes circunstâncias Gandhi, Luther King, Bertrand Russell e muitas das referências cívicas e culturais do nosso mundo. É ilegítimo não cumprir a lei, diz a senhora ministra sem se aperceber que está a ser redundante. Pois é, é ilegítimo não obedecer à senhora ministra, pois foi ela que fez a lei. Mas terá mesmo de ser»].

pedro oliveira disse...

Caro ferreira-pinto essa do saco com aluminio não conhecia,eheheh.
Faço parte da geração denonimnada rasca, devido à luta anti-propinas em que também participei activamente, procuro participar activamenet na escola dos meus filhos e realmente vejo que os pais se estão a borrifar par tudo,um exempplo: sou rerpresentante dos pais da turma do meu filho mais velho, fui à reunião de turma com os professores e delegado turma, enviei SMS para todos os pais(26), só 4 me ligaram para saber o que se tinha passado. Não admira portanto que os filhos se mostrem lisgados de tudo e sejam mal criados para com os professores e restante sociedade que os rodeia.
PO
vilaforte

Ferreira-Pinto disse...

JOSHUA eu, com o devido respeito que tenho, e ele é imenso caso não saibas, já sabia que tu, em vendo aqui o nome da Maria de Lurdes Rodrigues, ias quase trocar tudo e ias acabar por inevitavelmente me vir com a avaliação dos professores.

Eu, quanto a esse argumentário e cenário, vou lá daqui a pouco, mas irei, como ponto prévio, perguntar-te onde é que tu já viste um fedelho mal-educado a limpar valetas por ter "naifado" um colega, por exemplo?

É que eu, aqui na parvónia, nunca vi!
E também ainda não vi nenhum desses estupores a serem alvo de chumbo imediato. E eu, quando digo imediato, é sem aquelas coisas de Conselhos de Turma e afins ... olha, por falar nisso, eu, nos parcos tempos que andei no ensino recordo-me, isso sim, de ser pressionado por professores que eram colegas, enquanto eu era contratado (não sei se estás a ver a diferença) a não dar 9 a uma "senhoreca" que por acaso era filha da presidente do Conselho Directivo da escola ao lado (na altura ainda se chamava Conselho Directivo) e, mais tarde, por causa da insolência da dita cuja, a não propor nenhum processo disciplinar!

É curioso, não é?
Se calhar, algum desses são dos que hoje protestam que não há condições, que se está no laxismo ... desculpa lá, eu não é ser populista, é só gostar de ver as coisas por todos os prismas.

Agora lá a coisa de Fafe e o Maio de 68, os trabalhadores da Nissan e afins ... sim, há uma diferença e substancial ... é que metade daquela maralha estava ali, como podia estar no café. Ou tu vais-me querer convencer que dos 300, todos sabem ou conhecem o Estatuto do Aluno? Estão com os professores por causa da avaliação? Estavam ali, garanto-te, porque é "chique" estar contra a ministra. Calhou a esta, como pode amanhã calhar a outro qualquer!

E depois, quando entras pelo enredo do "mas afinal ...", sempre gostaria de te recordar que quando dizemos que os nossos argumentos são de tal forma superiores que nem precisam de demonstração, caímos no ridículo; não é preciso é que a outra parte ainda baixe mais de nível!

E eu, que começo a estar farto que me vilipendies chamando-me burguês, no recurso a um jargão marxista que já nem o Alegre ousa, só porque aparentemente me posiciono de um dos lados da barricada, sempre te direi, meu caro, que entendo que não há razão de parte a parte quando se quer impor, quando se negoceia e depois se diz que não vale e por aí fora!

Por isso, quando seraficamente e sibilinamente me queres apodar a mim de grunho só porque hoje digo que o que sucedeu em Fafe não pode suceder, eu devolvo o epíteto ... e sabes porquê? Porque grunhos são todos aqueles que se recusam a ver os vários ângulos do problema, grunhos são todos aqueles que atiram ovos porque "sim, porque é fixe, porque o estatuto prevê poucas faltas", mas são incapazes de levantar o cu por uma causa mais nobre que passe além disso ... experimenta tu ir a Fafe pedir àqueles que ontem atiraram ovos à ministra esfíngica que te elaborem propostas alternativas e logo verás; experimenta ir a Lisboa dialogar com os teus colegas professores requisitados no Ministério da Educação que estão a elaborar as propostas que tanto criticas e logo verás ... olha, lembrei-me desta agora ... já pensaste bem nisto, Joshua?

Que para além da azelhice da ministra que eu já te disse por inúmeras vezes que teve entradas de leão e saída de sendeiro (mas tu pareces persistir em esquecer, só te faltando dizer que eu sou avençado dela), da enormidade daqueles secretários de Estado, se calhar, tens pelas DRENS e pelos corredores do Ministério colegas teus, requisitados, a actuarem em roda livre e a fazerem bosta?

Pois, se calhar não, se calhar é só mais cómodo dizer que a senhora não vale um tostaão furado, que eu sou uma besta de um grunho burguês e que tudo o resto está bem!

Ferreira-Pinto disse...

PEDRO OLIVEIRA fazer-se parte da geração que alguém num momento de autismo denominou de rasca é uma coisa, ser-se um pai absolutamente relapso é outra diametralmente oposta!

Sei do que fala pois já estive na escola como aluno, depois como docente e agora apenas como pai. E, por norma, os que põe os pés nas reuniões é para procurarem transferir responsabilidades para os docentes ou assobiarem para o lado quando lhes toca a eles!

Carol disse...

Pronto, lá vou eu dizer que estou totalmente de acordo contigo, para depois ouvir que ando sempre a passar-te a mão no pelo, porque sou tua irmã e gosto muito de ti... Como se não fosse capaz de pensar pela minha cabeça...

E, já que a conversa descambou para o processo de avaliação, eu sempre gostava de saber de que é que os professores têm medo. Na última manifestação ouvi argumentos do género «Ai, porque estou colocado a 200kms de casa» (mas isso não aconteceu sempre?! Quem escolhe esta profissão sabe que corre esse risco e isso não é de agora!), « Eu saio de casa às 7:45h para estar na escola às 9h e só chego a casa às 21h» (Ora, meus amigos, há muito boa gente que tem essa vida e nem por isso é professor.Aliás, até há quem saia mais cedo e chegue mais tarde!), «Temos reuniões intermináveis!» (Mais um facto que de novo não tem nada... Eu, quando dava aulas, tinha reuniões todas as quartas-feiras e nunca saía da escola antes das 19h. Convenhamos que 5h de reuniões é um exagero, mas os professores são capazes de perder tempo com as mais diversas futilidades e achar isso essencial à vida. Tenho para mim que é culpa de haver tanta mulher a leccionar, mas isso é só uma teoria minha...).

Santa paciência, a avaliação é mais do que necessária! Pode não ser nestes moldes, mas, então, que apresentem alternativas porque eu, sinceramente, ainda não vi nenhuma e acho que não ando assim tão distraída...

Ferreira-Pinto disse...

Eu gostava apenas de replicar que este texto não é sobre a avaliação.

Dos professores, note-se. Que quanto ao SIADAP, por exemplo, ninguém pia!

Alexandre Nunes disse...

Se os paizinhos se preocupassem em educar os filhos, aquela má criação não teria tido lugar. SEnti-me envergonhado pelo terceiro mundismo e pela banalidade com que a situação foi retratada pelos media. Cada vez me revejo menos neste país.

António de Almeida disse...

-Subscrevo o que afirma, podemos discordar, lutar contra uma proposta, fazer manifestações, greves tudo o que julguemos conseguir fazer prevalecer os nossos argumentos, mas no estrito respeito do cumprimento da Lei e Ordem. Esta gente não aprende que partindo para a ignorância utilizando comportamentos animalescos se descredibilizam. Maria de Lurdes Rodrigues á desde ontem uma personagem que acolhe mais simpatia dos portugueses, graças à estupidez duns quantos alunos e professores. Quanto ao resto do post também estamos de acordo, mas a realidade é que se alguém for condenado por um crime "menor" logo surjem os guardiões do regime democrático a bradar que o problema reside na exclusão social, como se fosse um direito natural possuir o telemóvel de última geração, o computador, plasma e playstation em casa, de preferência sem grande esforço trabalhando para obtê-los. Falta autoridade ao estado e às autoridades, mas recordo que um ex-Presidente da República chegou ao ponto de ordenar a um agente da GNR em frente às câmaras de televisão que desaparecesse, estava farto de polícias. Foram precisamente esse tipo de políticos irresponsáveis e demagogos que muito contribuiram para o descrédito que vivemos, mais até do que a maioria dos incompetentes.

Manuel Rocha disse...

Licença para assinar por baixo ?

Licença para uma nota de rodapé sobre o sentido civico dos professores ( mesma geração dos paisinhos ) que "lideravam" despudoradamente a manifestação avícola ?

Ferreira-Pinto disse...

MANUEL ROCHA aqui, contrariamente a outros locais, não é necessária licença!
Especialmente para o amigo.

Manuel Rocha disse...

Óbviamente, os pedidos de "licenciamento" anteriores dirigem-se ao F Pinto !

;)

DANTE disse...

Se os pais são mal educados amigo ferreira...filho de peixe nadar sabe.
O problema é que estamos a afundar-nos neste oceano de má educação , e deixo-lhe já aqui o mérito pelo facto de ter referido que a culpa são dos pais , neste caso os mais velhos, contrariamente ao que se diz desta nova geração.Culpa-se sempre oa mais 'tenrinhos' mas esquece-se que estes , apenas pôem os olhos nos nossos actos.
A idade mais avançada não concede a ninguém , o direito de ser mal educado.

Um abraço

Joaninha disse...

Olha, eu sei que a tua posta não tem relação alguma com a avaliação dos professores que eu acho no minimo ridicula, pelo menos nos moldes em que é feita.

Quanto aos paizinhos aí estamos total e absolutamente de acordo. Alias, essa má educação assiste-se todos os dias na rua, nos cafés, no cinema, pequenas coisas que para nós ainda eram impensaveis e que hoje em dia são normais. Afinal de contas quantos de nós achavamos sequer possível com 14 anos mandar a mãe à merda, como eu já assisti da parte de uma pirralha daquelas benzocas, cá em Lisboa...

Ou enão sou eu...Já naõ sei :)

beijos grande chefe.

Manuel Rocha disse...

Alguém me dá conta se houve da parte das organizações de professores alguma tomada de posição pública contra o que sucedeu em Fafe ? Não houve ? Estou esclarecido ! E cumprimento a classe pelo excelente sentido cívico de serviço público que está a revelar ao contribuir para fulanizar a politica, cultivar o desrespeito pelas instituições do poder democrático, reduzir o debate de ideias a invectivas ad hominem, e recuperar o valor argumentativo do insulto e da agressão. Basicamente, não se distingue liberdade de livre arbítrio, e confunde-se tudo com libertinagem. É essa a nossa cultura, e é isso que estamos a transmitir de forma exemplar, pais ou professores. Para os jovens que acompanham os acontecimentos recentes, ficam duas lições: a primeira é a de que os fins justificam os meios, e a segunda é que a razão é uma função numérica – a melhor versão só pode ser a maioritária. Excelente trabalho! Vinte valores na avaliação !

Carol disse...

Ó MANUEL ROCHA, agora sou eu que peço licença para assinar por baixo! Posso, posso, posso?

Carol disse...

Quanto às medidas que sugeres para combater esta desgraceira, estou plenamente de acordo!
Aliás, há países, como a Alemanha, em que isso jáacontece. Infelizmente, por aqui só se procura imitar determinadas políticas. Outras há que parece não agradarem tanto...

Manuel Rocha disse...

Está licenciada, Carol !

;)

Concordo quanto ao estranho critério usado para importar medidas: selecionam-se as que se referem a direitos e refugam-se ( que conveniente ! ) os deveres que lhes correspondem !

joshua disse...

Vamos lá a ver: se eu, o Tarantino, a Carol e o Manuel Rocha nos podemos pôr de acordo e fazer um lóbi em cima do joelho contra o recurso a modelos grunhos de protesto com ovos, com insultos com o tal ad hominem ou ad feminam que o Manuel Rocha não larga [por ele, contestar por escrito nunca poderá ter o sal da expressividade, mas somente a estrita lingerie da objectividade argumentária], não compreendo é como se justifica para a Carol, para o Manuel Rocha e para o Tarantino, mas não para mim, que a falta de um modelo alternativo àquele em decurso legitime este tout court e mais nada, nem sentido crítico sobre ele, nem conhecimento de causa sobre o que ele implica, nada? Não vos parece isto muito sádico e insensível? Pode pactuar-se com procedimentos que osbstaculizam tudo o resto? A Lei é boa porque é Lei?

Também aceito mal que o lóbi em cima do joelho Carol, Manuel Rocha e Tarantino, neste ponto, ignore completamente que os memoranduns de acordo foram assinados por sindicatos que representam um minoria de professores, que permitiram uma trégua que salvou um ano lectivo e os interesses imediatos dos alunos, e que tendo os sindicatos tão escassos sindicalizados, sabe-se que, neste momento, quem dita a desobediência à Lei e quem arrasta os próprios sindicatos são movimentos livres, espontâneos, concordes, encontráveis nas plataformas blogosféricas e nos milhares de endereços de e-mail de cidadãos professores [sem ovos, só com o ad hominem e o ad feminam jocoso e irreverente, ou também querereis amordaçar o pitoresco?] a contestar ESTE modelo de avaliação.

Em suma, para o lóbi ocasional Mamuel Rocha, Carol e Tarantino, isto é mais comer e calar, obedecer e não tergiversar. Desculpem, mas ver todos os ângulos do problema é ver todos os ângulos do problema, mas não revestir de cínico e de indiferente o que se está a passar com as vidas quotidianas de estas pessoas.

joshua disse...

Vamos lá a ver: se eu, o Tarantino, a Carol e o Manuel Rocha nos podemos pôr de acordo e fazer um lóbi em cima do joelho contra o recurso a modelos grunhos de protesto com ovos, com insultos com o tal ad hominem ou ad feminam que o Manuel Rocha não larga [por ele, contestar por escrito nunca poderá ter o sal da expressividade, mas somente a estrita lingerie da objectividade argumentária], não compreendo é como se justifica para a Carol, para o Manuel Rocha e para o Tarantino, mas não para mim, que a falta de um modelo alternativo àquele em decurso legitime este tout court e mais nada, nem sentido crítico sobre ele, nem conhecimento de causa sobre o que ele implica, nada? Não vos parece isto muito sádico e insensível? Pode pactuar-se com procedimentos que osbstaculizam tudo o resto? A Lei é boa porque é Lei?

Também aceito mal que o lóbi em cima do joelho Carol, Manuel Rocha e Tarantino, neste ponto, ignore completamente que os memoranduns de acordo foram assinados por sindicatos que representam um minoria de professores, que permitiram uma trégua que salvou um ano lectivo e os interesses imediatos dos alunos, e que tendo os sindicatos tão escassos sindicalizados, sabe-se que, neste momento, quem dita a desobediência à Lei e quem arrasta os próprios sindicatos são movimentos livres, espontâneos, concordes, encontráveis nas plataformas blogosféricas e nos milhares de endereços de e-mail de cidadãos professores [sem ovos, só com o ad hominem e o ad feminam jocoso e irreverente, ou também querereis amordaçar o pitoresco?] a contestar ESTE modelo de avaliação.

Em suma, para o lóbi ocasional Mamuel Rocha, Carol e Tarantino, isto é mais comer e calar, obedecer e não tergiversar. Desculpem, mas ver todos os ângulos do problema é ver todos os ângulos do problema, mas não revestir de cínico e de indiferente o que se está a passar com as vidas quotidianas de estas pessoas.

Peter disse...

Concordo inteiramente com as propostas.
Agora venham chamar-me, "fascista" ou "reaccionário" e respondo-lhe como fez o 1º Ministro Pinheiro de Azevedo à multidão,da janela do Terreiro do Paço:

- FASCISTA, UMA MERDA!

lusitano disse...

Eu estou de acordo com o texto!

Obviamente que não concordo com o "método" utilizado para o "protesto", mas obviamente também não concordo com a teimosia que se apelidar de firmeza.

Que raio, será que é tão dificil os governantes e não só reconhecerem que erraram nalguma coisa?

Gaita, neste país se uma pessoa muda de opinião é "vira casacas", é fraco e por aí fora.

Se a oposição depois de alguma discussão concorda com o governo é porque não presta e não tem alternativas, se o governo concorda com a oposição de pois de alguma discussão é poruqe é fraco e teve de recuar!

Mas que raio de coisa é esta?

Estamos a lidar com adultos, ou com putos que não querem perder ao berlinde!

Volto a repetir o que já disse algures:
É a história do juramento de bandeira em que os pais do soldado achavam que ele era o único que ia com o passo certo!!!

Se a educação não começa em casa, não há educação que resista!!!

Abraço

Manuel Rocha disse...

O Joshua no seu melhor ! Pena que a paixão posta na escrita brilhante dilua os argumentos em retóricas demagógicas.:)
Sem agenda para reunir com os meus parceiros de lobby, respondo-te por mim, caro Joshua.
Aqui na casa cultivo um certo cuidado em manter os conceitos claros e arrumados para não me baralhar mais do que é costume e ficar à deriva e à mercê das correntes dominantes. Diz-me a história que não é raro que elas nos arrastem para caminhos sem regresso e de má memória, e por isso nunca as uso sem as fazer passar pelo crivo do sentido crítico de que sou capaz. Para tal tento manter a necessária distinção entre o que é da irreverência e da assertividade, do que é da grunhice e da má educação, como entre o que é do humor e da caricatura e o que pertence ao mau gosto e ao achincalhamento gratuitos. Na realidade, Joshua, quando na maioridade optei por manter a cidadania de um país que resolveu instituir a ordem democrática na sua matriz politica, assinei um contrato social implícito que me obriga a participação cívica e a oposição com regras às maiorias que legitimamente se constituam. Esse exercício pratico-o em casa, no local de trabalho, nas comunidades a que pertenço. Ainda assim estou sujeito a ser confrontado com maiorias que me violentam. Mas, mesmo nesse limite, o sistema permite-me uma considerável amplitude de opções. Posso mudar de vizinhança, de emprego, de país e até de família. O meu direito à indignação não legitima é que use o meu interesse particular como moldura e argumento para impor um comportamento e discurso sociais; nem me tolera que pactue com unanimismos assentes nos menores dominadores comuns ao pior do corporativismo.
No caso da novela mexicana em que se deixou enredar a tua nobre classe, sobra em emotividade e demissão (como nos ovos de Fafe ) o que escasseia de argumentos. Repito-me ao dizer que gostava de ver apresentadas alternativas fundamentadas e de consenso semelhante ao que regista a recusa das existentes. Isto, meu caro, não tem nada que ver com qualquer leitura da Lei como Mandamento ou com defesa da Lei existente! Tem sim a ver com a feitura da Lei! Repara que qualquer proposta legislativa subscrita por 5000 pessoas obriga à sua discussão na AR! Haveria como contornar uma subscrita por 120.000 se ela existisse ? Ou ela não existe e o consenso instalado é afinal cavalo de Tróia para outras agendas ?

Blondewithaphd disse...

Subscrevo, concordo, apoio! 100%

joshua disse...

Desgraçadamente, Manuel Rocha, o poder político não te ouve nem segue o teu nobre código de conduta cívica. O poder político, porque se amoralizou e se converteu ao dogma da gestão, caminha numa direcção que provavelmente o tornará em breve desligado e irreconhecível ao comum dos cidadãos, como quando o Povo deixou de se rever na Coroa porque a Coroa perdera o vínculo de mediador imediato com o Povo para se distanciar no seu mundo, no seu lazer e nos seus interesses de alcova, diplomacia e pouco mais.

De novo, estratifica-se a sociedade, aristocratiza-se o ganho, extinguem-se direitos sociais, perseguem-se classes inteiras aprisionadas numa boa malha legal de constrangimentos, agrada-se à populaça que julga, em se alegrando com o sangue alheio, poder escapar à mesma fúria contabilística que só poupa a malha larga da alta finança e quejandos.

Desgraçadamente, enquanto se persistir em olhar a questão dos sindicatos, dos professores, com a má fé habitual que subtilmente tão bem demonstras, ma fé com que muitos simplificam este debate ou adressá-la com a atitude despreziva que está na moda deverem merecer todas as corporações, e pura e simplesmente se ignora, sem ponta de crítica, o modus operandi do ME nesta como noutras questões de liminar falsificação de resultados, parece-me que à retórica colorida do joshua se juntará somente a outra retórica engordada a racionalidade do Manuel Rocha e nada mais.

Pois, caro amigo, toda esta história enferma de um vício originário: demagogia com demagogia se paga. Do pecado original da demagogia nem governo nem classe docente escapam, sendo que não cabe ao governo ser o sherife que vem agora punir com uma avaliação-mil-folhas impraticável uma classe só porque esse tipo de coça tem amplo acolhimento social. Não arranjas outro tipo de cristãos, de pães e de circo, para a arena romana agora na moda?

Qualquer dia, vais ver um governo como este a armadilhar o olhar da populaça contra os vendilhões dos técnicos de contas ou contra os especialistas na treta do ambiente e da energia por terem quadros de raciocínio, de propaganda e de negócio ao serviço apenas de uma nova economia da qual convirá então sacar responsabilidades pelo estabelecimento de um paradigma de consumos e de comportamentos lesivo dos interesses da vantajosa taxação sobre combustíveis fósseis. Por absurdo, verás.

A mim, filtrando tudo o que enuncias, parece-me ver-te ancorado a uma posição irredutivelmente simpática do governo [mesmo que este, neste processo, se revista de um modo de actuação desproporcional, descabida e autoritária]. Não é de agora, mas qualquer teu brilhante excurso nem se lhe refere de raspão, o que me faz pressupor que não formulas um juízo moral ou ético dos seus limites de actuação e por isso mesmo te cinges à corporação docente.

joshua disse...

Quanto ao lóbi-nada-a-dizer-do-ME em cima do joelho de que jocosamente te falei, Manuel Rocha, porque capto um lado onde, dentro do socialismo moderno, preferem divertir-se, gostaria de saber a opinião que têm sobre o facto de as críticas à ministra parecem crescer de forma insustentável, em diversos sectores da sociedade, inclusive de dentro do próprio PS". A frase é da insuspeita Ops!, ecoando o sentimento de muitos socialistas fortemente preocupados com o rumo dos acontecimentos. O Partido socialista está aterrado com os estragos da troika Lurdinhas-Valter-pedreira (que está a concorrer com a dupla Pinho-Lino no prémio de maior stand-up comedy). Quem não está a achar nenhuma piada à brincadeira é a facção sensata do PS, a qual olha para esta gente como se fossem elefantes numa loja de cristais e intui o perigo a aumentar todos os dias. A declaração agastada de Alegre de que não é possível sustentar mais a lógica do "governar para as estatísticas" e do "quero-posso-mando" é um aviso sérioà navegação, não só a estes três irresponsáveis que repetem a voz do dono e imitam o seu estilo, mas e sobretudo, ao querido líder do governo

Só o primeiro-vendedor Sócrates, com a sua habitual arrogância e cegueira política, não vê que a sua tropa da educação está a arrasta-lo para o abismo onde se vão afundando em queda livre. Este vendedor da Intel, mais o grupo de indivíduos pouco recomendáveis que o aconselha, acreditam que os cães ladram e a caravana passa. Que interessa mais ovo ou menos ovo, porque os assessores ou a LPM fazem umas quantas chamadas para as televisões do governo SIC-RTP e para os jornais "amigos" como o JN (que chama hoje aos alunos de Fafe mal educados) e tudo se resolve. Para o governo, para todos os efeitos a mais grave crise na educação em Portugal é como não existisse. É particularmente demonstrativo do grau de condicionamento da opinião pública e controlo governamental dos meios de informação que não tivesse havido hoje uma única pergunta ao PR sobre a luta dos professores. Não fosse o PR dar alguma resposta inconveniente. E a seguir publica-se uma sondagem onde o PM sobe em flecha na popularidade, enquanto a lider da oposição cai a pique para desmoralizar o inimigo e convencer os descrentes que este é o caminho e de que o povo está connosco, com uma campanha de publicidade (às fantásticas possibilidades das novas oportunidades) pelo meio.

O governo acredita que a luta dos professores para não se deixarem humilhar ainda mais por um processo de avaliação ignóbil não os irá deter. Porque o inglês na primária (que não existe), o (inconsequente) Magalhães, os estatutos de facilitismo total para os meninos ou mesmo os certificados carnavalescos das "novas oportunidades", o babysitting nas escolas com o soduku, foram algumas das "medidas" que o governo tem sucessivamente tirado da cartola para enganar tolos e garantir o voto dos portugueses na hora da verdade.
Só que a matilha do primeiro ministro deveria já saber que o povo não é tão estúpido como o querem fazer. Na altura certa a malta lhes dará a resposta adequada.

Carol disse...

JOSHUA, como muito bem sabes sou professora, não colocada e a trabalhar com explicadora por conta própria. Passo recibos, pago os meus impostos e, sim, como e calo muitas vezes porque nem sempre as leis do meu país são as que mais me agradam, mas representam a vontade de uma maioria e, como tal, acato-as.

Sinceramente, tenho vergonha de pertencer a uma classe que se refugia em argumentos bacocos como os do «Chego tarde a casa!», «Tenho que levar trabalho para casa.» e coisas afins!

Tenho vergonha de pertencer a uma classe profissional que nunca se mexeu enquanto não mexeram com os efectivos e que se esteve, sempre, a borrifar para os contratados (como ainda estão!).

Tenho vergonha de pertencer a uma classe que, se hoje não é respeitada, a ela se pode culpar porque houve (e há) muito boa gente no ensino que só lá está porque o ordenado é fixe e não se tinha que dar contas a ninguém!

Tenho vergonha de pertencer a uma classe que defende progressões automáticas na carreira em vez de defender a valorização dos bons profissionais e a penalização dos péssiomos porque, sim, Joshua, há muita trampa no ensino e tu sabes isso muito bem!

Sou loira, mas não sou grunha, não sou estúpida e não me deixo ir em lobbies porque, meu amigo, tenho princípios e guio-me por eles. Nunca fui para onde os outros quiseram, fui sempre por onde achei que devia ir!

Não acho que a actual Ministra seja uma Madre Teresa de Calcutá, mas não a considero como a mãe de todos os males no ensino. Muitos dos males do ensino foram causados por nós. Nós, os professores; nós, os cidadãos; nós, os pais; nós, os alunos!

E, se queres saber sinceramente, acho que muita gente no PS está com medo de perder os tachos, acho que há muita gente que se quer colar ao descontentamento de uma classe para ganhar votos e cair nas boas graças de quantos querem a demissão da Ministra. Está na moda falar mal da Ministra, do Governo, independentemente de tudo o que esteja subjacente às suas políticas.

Se fores perguntar a pais e alunos o que diz o novo Estatuto do Aluno ou como se processa a avaliação de professores, duvido que haja quem te saiba responder! É o protesto pelo protesto, pela vontade de ser cool, de aparecer!

Não sou mulher de lobbies. Sou alguém que tem opinião própria e que a exprime independentemente do que possam pensar.

Carol disse...

JOSHUA, o Inglês na primária não existe?! Curioso, tenho várias amigas a dar aulas de Inglês em escolas primárias...

joshua disse...

Pois muito bem, Carol, a tua opinião livre e própria revela uma integridade que só posso respeitar e eleger como exemplar. Lamento que não estejas no cerne da profissão, exercendo-a conforme os valores em que acreditas.

Creio que aqui no fórum em muitas circunstãncias temos sido elevadores uns dos outros, permitindo que mais bem espelhemos o que somos e mais bem manifestemos em que valores acreditamos, sem que se fique nas primeiras frívolas e erróneas impressões. Toda a gente deveria poder ser devidamente amada e entendida enquanto blogger.

PreDatado disse...

Pois é caro Ferreira, independentemente de meu acordo ou não com toda a sua análise (subscrevo uma parte importante) o busilis está exactamente nas suas propostas nomeadamente na alínea a) Chumbo dos intervenientes. É isto mesmo que a srª ministra não deixa. Porque se o meu caro for professor e chumbar os seus alunos isso conta para a sua avaliação "NEGATIVA" pois não consegue atingir os objectivos de sucesso escolar que dão jeito ao Governo. E oq ue é vai fazer depois se for mal avaliado e o seu contarto não for renovado? Vai andar com saca de alumínio ou a curto-circuitar a TV Cabo? Não vai não é?
A alínea b) tem todo o meu apoio e simpatia.
A alínea c) só serve para aumentar o grau de endividamento dos pais e talvez também aumentar o número de cheques carecas.
Eu por mim ficava pelo trabalho comunitário. Quem as faz que as pague.

Ferreira-Pinto disse...

É com catano ... anda aqui o jurista numa formação sobre gestão de Recursos Humanos e Organização de Comportamentos (não me perguntem o que é esta parte final que eu ainda não atinei), é isto por aqui vai-me uma daquelas lavras como eu gosto!

Eu, JOSHUA, enquanto tu insistires que eu sou um grunho burguês e não te retratares disso, assim como persistires em entender que eu não faço lobi nenhum pela Maria de Lurdes Rodrigues, queres que te diga o quê?

E agora, já me vens com o lado sensato do PS? Mas que raio ... só porque um "pipi" dum enfatuado que anda à cata de votos se põe a rabiscar umas coisas, já é o PS sensato?

Olha lá, e quanto aos sindicatos minoritários, afinal a FENPROF assinou ou não assinou aquela porra?

E, já agora, também gostava de saber que raio de alternativa apregoas, tu que tanto malhas aqui num alegado grupo de conjuradores?

Olha, eu para que não me atires pedras advogo este: envelope financeiro a cada escola e então seria assim ... cada uma que contratasse quem quisesses, fizesse o que lhe apetecesse ... no fim, veríamos pelos resultados alcançados!

Manuel Rocha disse...

Joshua, Carissímo:

Em regime democrático, quando a cidadania não se realiza em prol do interesse colectivo, não me parece que seja na crítica da governança que se consegue a mudança qualitativa que defendemos. Por isso me tens lido na crítica aos sistemas e às lógicas e politicas que lhes estão associadas e não aos seus representantes transitórios. Aceito o sistema partidário mas sofro de “apartidarite” crónica, se é que essa informação tem alguma utilidade para esta polémica.
Má-fé minha em relação aos professores ? Não, Joshua ! Antipatia pelo corporativismo metabólicamente reduzido, sim ! Venha ele dos professores, dos governantes ou de onde vier. Antipatia também pelos oportunismos e pelos automatismos que viajam sempre e só a favor dos ventos dominantes, bem como pela vacuidade argumentativa com que ideologicamente há quem tente justificar o injustificável: seja o silêncio cúmplice perante o inaceitável (Fafe) , seja a manipulação sem escrúpulos de quem se tem a obrigação de educar ( Fafe, outra vez ),seja a histeria colectiva que grita um impossibilidade antes de a pôr em prática para dessa prática retirar consequências que a informem, reformem, melhorem, anulem, reformulem ou o que quer que seja.

Aquele abraço !

Ferreira-Pinto disse...

Meu caro PREDATADO permita que lhe dê as boas vindas aqui ao burgo. É um prazer e, ao que julgo saber, uma estreia aqui nesta modesta caixa.

Eu bem sei que o busílis poderá estar na questão dos chumbos, mas, se reparar, não concordo com essa política. Aliás, sou dos que defendem que quem não sabe, não passa. E ponto final.

Quanto aos contratados, tem razão; mas não quanto aos do quadro, pois não?

Quanto aos cheques sem cobertura, digo-lhe, enquanto jurista, que usar disso ante a Justiça é uma péssima ideia!

Ferreira-Pinto disse...

Caríssimo MANUEL ROCHA, tem toda a razão na análise e faz uma defesa notável e até melhor que eu de um vasto conjunto de argumentos.

Mas, temo eu, há domínios onde não vale a pena ... as pessoas teimam em não querer ver as coisas e, pior que isso, em nos acontonarem dum dos lados da barricada!

O nosso REX é um tipo impecável e decente, mas às vezes dá-lhe para ficar com a visão toldada tal é o apego que coloca na defesa das suas posições.

E, agora, com a devida licença dos meus amigos, vou jantar conspirar com uns amigos ... é que eu acho que aqui onde moro se pode dizer que englobo a tal parte sensata que o Josh diz que há no PS!

Daniela Major disse...

É óbvio que não é assim que ser resolvem as coisas, nem é assim que se protesta, apesar de me ter dado um certo gozo.
Mas o que para mim é essencial para além dos ovos, nos últimos dias eu tenho vindo a reparar, por coisas que oiço, por coisas que vejo, por aquela manif dos alunos que a ministra desacreditou em directo na RTP que há movimentações por parte dos alunos. Que os alunos começam a acordar para o que se passa à volta deles e apesar dos tipos de fafe terem protestado de uma forma lamentável, foi uma forma de protesto nonetheless.

Claro que a juventude anda a ficar malcriada, e isso deve-se muitas vezes aos exemplos dos paizinhos...mas cuidado com a generalizações!

Tiago R Cardoso disse...

concordo com o direito ao protesto, com o direito de qualquer parte defender as suas causas.

Discordo do protesto arruaça.

Compadre Alentejano disse...

A sinistra ministra andou a semear ventos, é lógico que esteja agora a colher tempestades...
Compadre Alentejano

joshua disse...

Meu caro Amigo Manuel Rocha,

Acolho a tua declaração de neutralidade sobre os transitórios titulares de governança e a confissão da tua apartidarite equidistante. Somos aí semelhantes e naturalmente por isso mesmo atractivos, confesso, mas a minha apartidarite passa por um discurso de envolvimento passional que leva em linha de conta condutas concretas e não apenas políticas abstractas. Depreciar ministros é exactamente igual a depreciar sindicatos, coisa que vemos abundante nos consabidos tiques absolutistas de Lurdes Rodrigues: se uns terão o bafio vicioso de algum parasitismo cúmplice do sistema público, a verdade é que os titulares das pastas ministeriais têm de olhar à vertente humana e humanizadora das suas medidas sob pena de se esvaziar de sentido aquilo por que se legisla. Neste ponto, a minha curta experiência de 38 anos de vida nunca viu uma sanha tão volumosa e atabalhoada de despachos e leis contraditórias para os quais nem o Fio de Ariadne traria salvação.

Se as políticas de o Marquês de Pombal eram em quase todos os casos avançadas e bem intencionadas nem por isso deixou ele de tiranizar e de perseguir, de ele mesmo obscurantizar por isso mesmo em nome das Luzes que defendia. Que Tirano útil tivemos então! Mas que falta fez um discurso de contraposição de métodos e de valores que se lhe igualasse em vigor e provocação! Estou do lado emocional da razão porque é ela que enche de sal a literatura e a vida.

Só para dizer que a sensibilidade humanística dos engenheiros de bombas atómicas pode ser excepcional, mas eles constróem bombas. A Lei, a razão, a ordem e decorrente exigência de obediência aos cidadãos e aos sectores tutelados podem estar do lado do Governo, mas como respeitá-lo e obedecer-lhe se constróem a bomba da discórdia e da sobrecarga esmagadora?

Estou certo que há margem para uma solução de compromisso que justamente não comprometa a continuidade da avaliação, mas abandone aspectos kafkianos nela insertos, o caciquismo e a lógica bufarinhenta que perpassa negadora e negativamente este modelo.

Aquele Abraço

Manuel Rocha disse...

Joshua:

"Definitivamente agradas-me, pequeno!"

:)))

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Começo por dizer que subscrevo este post na íntegra.
Os profs têm as suas razões, a Mnistra é teimosa,mas há profs que, como diz a Carol estiveram na manif por razões qu nada têm a ver com a avaliação. Muitos estão a ser instrumentalizados por partidos ( e não é apenas pelo PC).
Dito isto:
-é inadmissível ver professores a a"apoiar a justa causa de putos de 12 anos"
-os pais das criancinhas, fedelhos, adolescentes, ou o raio que os parta, deveriam ser responsabilizados. Quem não sabe educar os catraios em casa, também não deve ter direito a frequentar a escola pública, paga por todos nós.
-Há muitas maneiras civilizadas de protestar contra as medidas da Ministra. Quando era estudante, fi-lomuitas vezes, mas nunca andei a atirar ovos nem a mostrar o rabo aos ministros. Esta geração vai pagar pelos seus erros, mas a culpa não lhes pode ser totalmente assacada. Um dia mais tarde vão culpar os pais e é muito bem feito.

Zé Povinho disse...

Desde os tempos do Veiga Simão que eu vejo ministros que querem mudar tudo, como se antes deles nada fosse bem feito, e nesse afã tornam-se autistas, deixando saber ouvir qualquer argumento. Protestos de estudantes também vivi bastantes, e sofri no lombo o atrevimento dessas participações.
Ouvi aqui falar em professores instrumentalizados, e fiquei sem perceber bem, é que afinal entre uma centena de milhar de profissionais do ensino, talvez um terço terão votado PS, por isso pergunto-me: instrumentalizados por quem? E será que a maioria dos professores não tem razões para protestar e a senhora ministra e ajudantes é que têm toda a razão?
Por falar em avaliação, e porque já aludiram aqui ao SIADAP, alguém acha que o que se quer é valorizar o mérito dos funcionários públicos? Olhem que estão enganados, redondamente enganados, e nem vou perder tempo em explicar-vos.
Abraço do Zé

Si disse...

A minha modesta contribuição para este assunto, revelei-a na passada 6ª feira e revelo-a hoje também, numa reflexão muito pessoal e apartidária que ando a fazer sobre a educação dos nossos filhos.
Se as quiser ler e até comentar, muito me honraria: de-si-para-si.blogspot.com
Obrigado

Vekiki disse...

Vou aqui deixar o mesmo comentário que deixei nas Crónicas do Rochedo...
Ontem, quando viu as imagens que passaram no telejornal sobre a reunião na Escola D. Dinis, a minha filha perguntou:
-Mãe, está tudo rico para andar a comprar ovos para atirar a alguém? Não sabem que a comida não é para brincar, que os ovos estão caros e há gente a morrer à fome?
Hoje, quando chegou ao Liceu, havia Professores e Alunos fora do Liceu, Polícia de Intervenção e alunos a tentar fechar o portão. A meio da manhã liguei-lhe para saber novidades.
- Mãe eu estou em aulas desde que entrei às 08:30.
- Mas a Mãe da X diz que ela telefonou a dizer que não tinha aulas.
- Houve muita gente que se baldou...
A minha Filha NÃO é uma Santa, mas é o resultado de uma "política educacional familiar" que teima em não ir atrás de modas e de pseudo-traumatismo das criancinhas...
É bom olhar para ela, com 17 anos, e para os 3 rapazes que vieram a seguir, e ver que o meu trabalho diário - Mãe a tempo inteiro - não é em vão.
Tenho dito :-)