Reflexão para um fim de semana prolongado

Estava aqui a pensar no que havia de escrever para este fim-de-semana e, dando voltas à cabeça, percebi que já estava um pouco farto de escrever sempre sobre os mesmos indivíduos que em vez de nos ajudarem a viver melhor, parece que apenas complicam cada vez mais as nossa vidas.
E decidi olhar para trás, para o passado, que com certeza tendo coisas que foi muito bom mudar, tem outras que nunca deviam ter sido mudadas.

Em todo o tempo sempre houve malandros e sempre houve gente a tentar enganar outra gente, mas faz-me impressão, muita impressão, que valores como a palavra de honra, a amizade, a preocupação com os outros, e tantos valores humanos mais, tenham sido postos de lado, ou pelo menos, já não sejam visíveis na maioria da sociedade.

É que me faz impressão ouvir constantemente as pessoas a dizerem, “eu cá só confio em mim e em mais ninguém”, e ainda me faz mais impressão quando por vezes sou levado a pensar assim também.

Antes, mesmo que se fosse enganado por outros, havia um valor seguro, um refúgio, uma fortaleza, que era a família, onde encontrávamos sempre alguém que nos acolhia, que nos ajudava, que nos amava, enfim!
Hoje uma grande parte das famílias estão desmembradas, desfeitas e as leis que se vão fazendo parecem ajudar cada vez mais a colocar um fim na família.

Hoje, por exemplo, a palavra amor é utilizada para milhentas coisas que afinal nada têm a ver verdadeiramente com o amor.
Hoje, até parece que se pode comprar o amor, mas temos que nos desenganar, porque se há coisa que não se compra de certeza, é o amor.

Não, não estou a dizer que estes tempos são maus e que o passado era melhor, estou apenas a constatar factos que tornam a vida mais difícil, mais cinzenta, menos dom e mais obrigação.
Sim já sei que alguns estarão a pensar que é a minha vivência cristã católica que me faz escrever estas coisas, mas reparem que elas não têm só a ver com a religião, têm a ver de facto com a vida, com a qualidade da vida.

Quem é que não quer ser amado?
Quem é que não quer confiar e que nele confiem?
Quem é que não quer o ombro onde reclinar a cabeça nos momentos difíceis e que se encontrava sempre na família, na verdadeira amizade?
Quem é que não gostava de ver os outros felizes e contribuindo para a sua felicidade, construirmos a nossa felicidade?
E reparem que quando falo em família, não me refiro forçosamente ao “constituir família”, mas sim à família que todos temos, casados e solteiros.

Talvez não seja um texto de intervenção politica mediática, mas são com certeza pensamentos que nos devem levar a pensar na sociedade em que vivemos.
Deixei que as palavras fossem sendo escritas, releio-as e caso com elas, pensando que é uma óptima reflexão para o fim de semana prolongado que aí vem.
Ah, e, já agora, abraço-vos com amizade!

Ser português lembra-me a Coca-Cola ...

Nem sei se deva deitar atenção às boas intenções da Comissão Europeia ou às conclusões do Inquérito Social Europeu.
Ou me anunciam um pacote tamanho XXL de medidas que, garantem-me, trarão a felicidade e bem-estar se o Governo as adoptar, ou me atiram que, como português, tenho um dos níveis mais baixos de bem-estar.
Assim não vale!

O nosso “cherne”, que tem feito pela vida para se manter em Bruxelas anuncia um plano de 200 mil milhões de euros, quer uma redução temporária do IVA, uma redução do IRS sobre os salários mais baixos, e um aumento do valor e duração dos subsídios de desemprego ou a carenciados.
Paralelamente, e generosa, a Comissão vai permitir uma derrapagem por um ano e de umas décimas do deficit.

Não sei se viram bem a coisa.
Redução temporária de IVA?
Redução do IRS sobre os salários mais baixos?
E deixam isso ao critério de cada Governo? Estamos tramados.
Mas é que nem ginjas … ou quem pensam que vai pagar a conta?

É por isso que considero espantoso que ainda consigamos estar à frente da Hungria, Rússia, Ucrânia e Bulgária no que toca à Felicidade e Satisfação com a Vida.
Num campeonato a 23 estaríamos ali acima da linha de água!
Os nossos convocados foram ouvidos ao nível subjectivo (felicidade e satisfação com a vida), psicológico (realização pessoal e controlo da vida) e social (sentimento de integração e ligação) e ficamos, respectivamente, em 19º, 16º e 15º lugar.

Mas, depois de pensar bem, ler os jornais do dia, recordar os tempos mais recentes e a nossa História, acho que acaba por ser uma performance aceitável.
Diria mesmo que com tanta desgraça, ainda assim é uma honrosa classificação.
Estamos habituados e, assim sendo, já nem estranhamos.

Ser português é mesmo triste sina de ter de arrostar com pesada cruz e ainda ter de alombar, qual mula ou burro, depende do género, com fartos e pesados proxenetas, caciques e senhores da política.
Nascemos e enquanto somos uns líricos, estranhamos!
Depois, passamos a cínicos ou cépticos e a coisa entranha-se!

Por isso, só mesmo o nosso Pessoa, que conhecia este Portugal como ninguém, que “primeiro estranha-se, depois entranha-se!”
Bem sei que era encomenda para a Coca-Cola, mas ninguém me tira da cabeça que o poeta, esse fingidor, pensava na condição de ser português!

1755 quando?

É um facto: Lisboa assenta sobre uma das mais instáveis e activas falhas tectónicas do planeta. Curiosamente, também uma das mais estudadas e uma das quais é possível antever, para precaver, um novo período de turbulência.
Periodicamente somos confrontados com os discursos alarmistas da praxe que, volvidos duzentos e tal anos sobre o terramoto de 1755, o tal cujo tsunami consequente ficou "rés-vés Campo de Ourique", numa indicação precisa de onde a onda gigante parou, está na altura de as placas se mexerem outra vez muito perceptivelmente.

E, face ao cenário, o que acontece?
Um simulacro de catástrofe.
Uma coisa quase semi-amadora que prova, nada mais, nada menos que... surpresa, surpresa... não estamos preparados para uma recriação de 1755 e, ainda por cima, não temos cá um Marquês de Pombal. Ou seja, oitocentos e tal de nós desapareceríamos debaixo dos escombros, igual número seria ferido e, pior, duzentos e oitenta e um de nós morreríamos soterrados. Estaríamos, pois, desgraçados.

As comunicações falhariam logo no imediato e não há sistemas alternativos, pelo que os hospitais não poderiam actuar num plano de interacção e intercooperação.
O INEM perderia a capacidade de resposta em 21 horas, isto é, ainda num período em que as réplicas sismícas ocorrem - e isto eu não li em lado nenhum porque acho que quem inventou o simulacro se deve ter esquecido desse pequeno detalhe: um sismo tem réplicas.

Outra coisa espantosa, a meu ver, obviamente, é que, no exercício simulado de sismo, procedeu-se à evacuação de pessoas no maior centro comercial do país, dezoito horas depois de o alegado sismo ter ocorrido.
É mais ou menos assim: o sismo tem o seu epicentro em Benavente e vem em câmara lenta para Lisboa, chegando à 2ª Circular dezoito horas depois. A Natureza é ou não genial?

A este respeito, concordo com as críticas da Associação Portuguesa de Técnicos de Segurança e Protecção Civil: de que vale um simulacro se toda a gente é antecipadamente avisada de quais as artérias a ser cortadas e quais os locais e localidades a serem atingidos?
Qualquer coisa como: pessoal, um sismo avisa que se prepara para dar umas sacudidelas valentes nuns sítios específicos, portanto cuidem-se!
Ah, e claro, um sismo manifesta-se, preferencialmente, ao fim-de-semana que é para não incomodar muita gente!

E, só mais uma coisinha, antes de terminar, das actividades inclusas no simulacro nenhuma contemplava a imininência de um tsunami.
Daquilo que eu sei, o de 1755 levou apenas meia hora a percorrer a distância entre o Algarve e Lisboa.
Se calhar ainda bem que este pseudo-sismo foi em Benavente.
Enfim, fico muitíssimo mais segura porque o comandante operacional nacional da Autoridade Nacional de Protecção Civil admitiu que o simulacro deu a conhecer "fragilidades" no sistema. Assim, de certeza que alguém irá trabalhar nessas "fragilidades" que é para elas não existirem na eventualidade de, quem sabe, haver realmente um sismo.
Se Santa Bárbara é para as trovoadas a quem pedimos socorro em caso de terramotos?

E que tal dinamitar o sistema político?

“Perante os tempos extraordinários desta crise do capitalismo, a Esquerda tem a missão urgente de encontrar uma alternativa de poder, deixando de lado velhos dogmatismos” defenderam em uníssono Paulo Pedroso, Francisco Louçã e Paulo Fidalgo (ex-PCP e hoje no Movimento de Renovação Comunista) na cerimónia de apresentação do livro “A Nova Esquerda”, de Celso Cruzeiro.

Tenho nas estantes lá de casa escritos e contributos maduros de vários pensadores sobre a necessidade de a Esquerda encontrar um novo paradigma, embora a experiência nos ensine que tal está longe de ser uma realidade. Bem pregam eles, o problema é o resto!

Aliás, penso até que o paradigma deve ser procurado por todo o arco constitucional, pois não é desejável para Portugal, enquanto país e nação, que tudo se resuma a umas picardias entre PS e PSD (os dois únicos partidos com clara vocação e condições de poder) mas que, quando no Governo, pouco os distinga. Pegue-se no modelo de reforma da Administração Pública e no Código do Trabalho para rapidamente se perceber o que digo, conquanto se faça uma leitura despida de preconceitos.

É por isso que sou dos que defendem que Manuel Alegre (de quem não sou fervoroso adepto) devia abandonar o PS.
Não é por ele erguer a voz, qual bravata, contra o chefe ou levantar-se para votar contra quando quer (direito inalienável), porque atitudes sem consequência, antes porque se saísse arrastaria consigo uma parte do PS, agregaria quiçá parte do PCP e poderia refundir à Esquerda.

O mesmo deveria suceder à Direita onde em tempos se falou dum Partido Social Liberal que seria o espaço de Santana Lopes.
E, se isto viesse a ocorrer, e fossem grossas as fatias amputadas ao PSD e ao PS, não vejo porque é que estes não se haviam de fundir.
Aos arautos da honra e da imaculada virgindade de cada um dos partidos, peço que atentem que o outrora PPD quis aderir à Internacional Socialista, o que deve ser sinónimo de qualquer coisa.

Este dinamitar do sistema político tal como o conhecemos hoje poderia abrir portas a uma nova forma de estar e de fazer política, abrir espaço a novos intervenientes e contribuir, presumo, para abanar com o pântano em que nos movemos posto que acho que secá-lo é outra conversa!

Pântano que permite que um secretário de Estado diga que quem não estiver com a reforma da Administração Pública será trucidado e nem uma voz se ouça; que obriga um Presidente da República a dizer que nada tem a ver com o BPN embora se fique na dúvida porque o teve de dizer; que tem organismos e entidades reguladoras e fiscalizadoras que estão mais vendadas que a Justiça que se encontra à porta dos Tribunais; pântano onde uma obra como o Museu do Douro, porque acabou dentro dos prazos e sem derrapagens financeiras, é excepção e não regra; pântano onde a EB2,3 de Beiriz, porque concluiu e tem em marcha um processo que todos asseveram irrealizável, é agora apodada de “fura greves” … e por aí, e por aí …

Marco da Justiça???

"A prisão de Oliveira e Costa é um marco para a Justiça. E isso deve-se ao Ministério Público, neste caso personalizado em Cândida Almeida e Rosário Teixeira, mas também a um homem cuja coragem merece a nossa homenagem: o juiz Carlos Alexandre", assim escrevia o jornalista Eduardo Dâmaso, na edição dominical (23 de Novembro) do “Correio da Manhã”.

Acho fantásticas estas frases bombásticas!
Como é que raio a prisão (preventiva, convém acrescentar) de Oliveira e Costa pode ser um marco para a Justiça?
Como é que se pode personalizar um caso de justiça em três pessoas que servem o Ministério Público e afirmar até que um deles teve “coragem”?

Então assim de uma penada, limpam-se os outros terríveis “marcos” da justiça, tais como, por exemplo, a morte de Sá Carneiro, a Maddie, as “Fátimas Felgueiras”, e por aí fora.
Então e o juiz que mandou prender o Carlos Cruz, o Paulo Pedroso, etc., também teve coragem, ou esse caso não interessa?

Marco para a Justiça seria Oliveira e Costa ser julgado em tempo útil, com provas decisivas para a sua inocência ou condenação e, em caso de condenação, cumprir a pena que lhe for sentenciada e não uma qualquer “inocentação” em virtude de um qualquer subterfúgio legal como temos visto em tantos casos que envolvem figuras mediáticas.

Já o escrevi uma vez e volto a escrevê-lo agora.
Há qualquer coisa na administração da Justiça portuguesa que vai muito mal, sobretudo ao nível dos valores utilizados ou expressos nas leis.

Invariavelmente se assiste ao facto de que aqueles que são apresentados perante um juiz por fraudes, por burlas, por desvios de dinheiro, de bens, são invariavelmente presos preventivamente, se os indícios para tanto chegarem, e muito bem presos digo eu.

Já aqueles que dão tiros nos outros (mesmo nas barbas da policia), que violam, que maltratam publicamente ou domesticamente, mesmo com indícios sólidos, são enviados para casa com “termo de identidade e residência”.
Que raio de sociedade é esta que considera, pelos vistos, mais graves os crimes contra a propriedade, contra o “ter”, do que os crimes contra a pessoa, contra o “ser”?

Já sei que não percebo nada de Direito, e que isto é um problema da Lei, mas o que é verdade é que se a Lei transmite esta atitude da sociedade perante os crimes da sociedade, vai mal a Lei e vai mal a sociedade que faz tal Lei.
Claro que quem rouba deve ir preso, mas quem fere, magoa, destrói muitas vezes uma vida para sempre, deve ficar em liberdade a aguardar julgamento?

Talvez por isso os crimes de violação se repitam, os crimes de violência doméstica se repitam, os tiros e a violência sobre pessoas comecem a ser o dia a dia da nossa sociedade.
Por “dá cá aquela palha”, dá-se um tiro noutra pessoa por causa de uma discussão de trânsito, de uma palavra insultuosa, de uma qualquer extrema de propriedade.

Estou de acordo que com indícios fortes e suficientes, quem atenta contra a propriedade de outrem, seja de que modo for, seja preso preventivamente, mas também que, aqueles que atentam contra a vida, contra a dignidade da vida, contra o equilíbrio psíquico da vida, sofram por maioria de razão a coacção da prisão preventiva.

E que todos, mas mesmo todos, tenham acesso a uma justiça célere, digna e com direitos de defesa iguais para todos e não só para aqueles que mais possuem, quer em bens, quer em imagem social.
I rest my case!

Ceder à pressão da sociedade ou fazer escolhas conscientes?

Sou uma mulher de 33 anos e vivo sozinha.
Aos fins de semana, volto à terra que me viu crescer. Aí, procuro esquecer os problemas do quotidiano passeando junto à praia.
Nesses passeios acabo sempre por encontrar os pais dos amigos de infância e alguns amigos dos meus pais.A catadupa de perguntas é inevitável e, quando são mulheres, há duas que são completamente previsíveis. A saber: "Então, quando é que te casas?" e "E filhos, não achas que está mais do que na altura de pensares nisso?".

Confesso que detesto ter que falar da minha vida pessoal e, como tal, sou o mais sintética possível e, a essas perguntas em particular, costumo responder com um vago "um dia destes....". Isto porque, realmente, não estou para explicar a essas senhoras que nem todas as mulheres nasceram para casar e dar à luz. Que nem sempre as mulheres sonham com a igreja toda iluminada e o vestido de noiva, com as fraldas para mudar e a enorme responsabilidade de trazer uma criança ao mundo!

Não entendo esta ideia de que, nascendo mulher, automaticamente tem que se casar e ter filhos como se, só assim, pudéssemos ou merecêssemos ser felizes! Mas porque carga d'água é que não posso viver com a minha Dona Gata e ser feliz?! O que tem assim de tão estranho eu preferir chegar a casa e não ter ninguém à espera?! A possibilidade de cozinhar o que e se me apetecer, de não fazer a cama de manhã e não sentir remorsos quando chego às 22h a casa, porque me apeteceu ir ao shopping ou dar duas de conversa com uma amiga no café?!

Há quem me considere egoísta, mas sinceramente não concordo. Esta foi uma escolha que eu fiz e que, um dia, poderei repensar mas não agora. Eu trabalho todo o dia com os filhos dos outros e vejo como muitos são negligenciados pelos tais pais que os amam muito e tudo fizeram para os ter. Eu vejo como os compram com telemóveis e outros gadgets de última geração, para compensar o facto de não os conhecerem minimamente, de não saberem os seus gostos, os seus anseios...

Na verdade, penso que há muito quem tenha filhos porque é isso que a sociedade espera deles, porque se casaram e isso é parte fulcral de um bom casamento. E, sinceramente, acho que só essa pressão social pode justificar o caso de algumas pessoas que decidem ter filhos independentemente de não terem a mínima estabilidade emocional ou as condições económicas necessárias para isso.

Há quem me critique e censure pela minha opção, há quem diga que revelo egoísmo mas, para mim, egoístas são aqueles que, apesar de estarem em situação de desemprego prolongado ou sistemático decidem aumentar a sua prole, aqueles que, apesar de não estarem dispostos a dedicar-lhes tempo e a oferecer-lhes carinho, atenção e amor, teimam em ser pais...

A reunião política!

Sentados à volta da grande mesa redonda, os ministros viam o Primeiro, irritado, preocupado, andar em passo apressado, atravessando a sala de parede a parede num movimento sem parar, vociferando palavras, algumas delas completamente incompreensíveis.

Não ousavam dizer nada, pois conheciam bem o chefe e as suas fúrias.
Quando assim estava era melhor sair de perto dele!
Olharam todos para o adjunto, aquele que lhes parecia estar assim mais perto do chefe, mais na sua simpatia, e fizeram-lhe sinal para ele dizer alguma coisa.

Um bocado receoso, apesar de tudo, o adjunto arriscou:
- Ó Primeiro, acalme-se, vamos pensar juntos e tudo se vai resolver.

O Primeiro parou a sua caminhada, olhou para eles com um olhar que cortava como facas e disse: - Acalme-se, acalme-se! Acalmo-me uma “porra”! Cambada de incompetentes que só me arranjam “chatisses” e depois sou eu que tenho de as resolver!

- Mas ó Primeiro, retorquiu o outro, essa coisa da educação acaba por cair no esquecimento e depois o povo vota outra vez na gente.

O Primeiro nem queria acreditar no que ouvira:
- É pá, mas vocês não aprenderam nada nestes anos todos que estão na política?
Vocês não percebem que agora são os professores, mas se os outros percebem que a coisa dá, vêm logo a toque de caixa os funcionários públicos, os enfermeiros, os camionistas e tudo quanto é classe profissional neste país?
“Possara”, a Lurdinhas com a mania das firmezas levou a coisa longe de mais e agora deixou-me aqui neste imbróglio que me está a custar votos.
Se cedo aos gajos, é porque cedi, se não cedo vai ser um arraial de manifestações de tal ordem que ainda me arrisco a vir o de Belém dar algum conselho que depois tenho que seguir.
Gaita pá, vocês tem de pensar nas coisas antes de avançar por aí como um elefante numa loja de cristais.
E escusam de estar a olhar para a Lurdinhas, porque todos vocês já meteram a pata na poça.

Novamente o silêncio tomou conta da sala e os ministros todos de cabeça baixa nem olhavam uns para os outros, quanto mais para o Primeiro.
- Bem, diz o Primeiro, a única coisa que vos safa, ou melhor, que nos safa, é que o pessoal da oposição ainda é pior do que vocês!
A Nela só diz bacoradas, o Paulinho quer é vir para o governo, o Jerónimo ninguém lhe liga que já tem a cassete gasta, e o Xico já ninguém o pode aturar com aquele discurso de ex-seminarista frustrado.

Aí o adjunto teve uma ideia luminosa que logo tratou de expor ao Primeiro com um sorriso orgulhoso.
- Ora bem, disse ele, o Paulinho das feiras afirmou que até ao fim do ano iam apresentar uma nova formar de avaliação dos professores.
A gente espera, aguenta a coisa até lá, e aproveita a ideia dos gajos do CDS e aplica-a!

Ficaram, a olhar para ele, para ver quando é que o Primeiro lhe atirava com um cinzeiro às ventas!
Espantosamente o Primeiro disse:
- Ó pá, explica lá isso.

O adjunto, sentindo-se encorajado, aclarou a voz e falou com um ar de superioridade em relação aos outros.
- Então é assim: Os gajos querem vir para o governo se a gente não tiver maioria nas próximas eleições.
Ora bem, então damos-lhe agora um sinal de que até nos damos com eles e passamos a imagem de que até aceitamos as coisas vindas da oposição.
Os gajos não têm hipótese no governo connosco, pois basta dar-lhes umas coisitas e eles ficam todos satisfeitos.
Se a coisa da avaliação der, fomos nós que fomos democratas e aceitamos as ideias da oposição que aliás só teve sucesso porque fomos nós que a implementámos.
Se a coisa der para o torto, a culpa é dos gajos, porque nós numa tentativa de resolver as coisas até aceitámos as ideias deles, mas como se vê pelo exemplo, não nos resta outra solução senão pedir uma nova maioria absoluta ao povo, porque não se pode governar sem ela, como fica demonstrado.

O Primeiro olhou para ele com alguma empatia e pela primeira vez sentou-se.
Depois fitando os outros com um sorriso de desdém, disse:
- E vocês, não dizem nada?

Depois de um longo silêncio, aquele que já é conhecido também pelo nome de “JAMÉ” disse como se tivesse encontrado a pólvora:
- Então e se avaliássemos a Lurdinhas?

Escusado será dizer que a reunião acabou ali em grande tumulto, porque o Primeiro saltou sobre a mesa direito às goelas do “JAMÉ”.

Desculpem, mas hoje deu-me para o humor!

Ontem, Maria de Lurdes imolou-se!

Ontem, vendo Maria de Lurdes Rodrigues, senti que estava ante uma debandada.
O seu recuo, que deve ser lido como uma clamorosa derrota, poderia ser, se sabiamente aproveitado, uma eficiente tenaz.
Podia, mas não será.
E, assim sendo, ontem foi o dia em a ministra da Educação se imolou. E já não renascerá das cinzas como a Fénix.

Se ela tivesse lido Marçal Grilo, no seu “Difícil é sentá-los”, saberia que o “ministro é, para alguma camada da população, uma figura mítica que tudo pode e que tudo resolve. Ora, a prática mostra que os condicionalismos políticos, financeiros e mesmo burocrático-administrativos são, muitas vezes, factores que impedem o ministro de pôr em execução algumas medidas que imaginou e que pensa poderem resolver algum problema. O ministro tem muito menos poder do que aquilo que toda a gente julga”.

E, tendo percebido isto, teria escolhido cuidadosamente a estratégia a seguir, os aliados que iria escolher e o modelo que supostamente deveria avaliar uma parte da comunidade escolar.
Ontem avançou com mais um remendo!
Que não colheu a aprovação daqueles que têm apostado em não deixar pedra sobre pedra das medidas do seu consulado e, agora, possivelmente, tentarão aproveitar para fazerem recuar ainda mais quem escolheram como inimigo.

Maria de Lurdes Rodrigues não respondeu às insistentes perguntas sobre se achava que tinha condições para continuar. Nem precisava.
A resposta, é óbvia e parva a pergunta.

Enquanto ouvia Maria de Lurdes Rodrigues pensava numa pessoa como o JOSHUA que já à tarde espumava raiva e exigia (pela enésima vez) a demissão.
Interrogo-me no que é que a demissão da ministra resolve os problemas, por exemplo, de desemprego como ele.

Não seria mais profícuo que um emérito e esclarecido cidadão como ele se batesse contra as acumulações?
São umas escassas horas, mas juntas podiam traduzir-se em mais umas colocações.

Pergunto-me porque é que se aceita um argumento tão falacioso e redutor como o que diz que todos os docentes que estão a abandonar o ensino representam, cada um deles, uma perda irreparável, sem um espirro? Então, entre os novos docentes não os há com capacidade, imaginação, estratégias inovadoras?
E como é que outros dizem que essas tais perdas irreparáveis seriam, ao mesmo tempo, os algozes dos inocentes?

Ou, e já agora, se é aceitável e admissível que o sistema permita que os especímenes da raça asinina que pululam pelo modelo cheguem ao topo em vez de lhes ser mostrada a porta do olho da rua?
Isto, são as dúvidas que tenho e a que tu, Torquemada Joshua, nunca me respondeste!
E nunca o fizeste porque, cego na tua obsessão, só persistias em ver uma parte do problema.

G-20 ou um novo ciclo

Primeiro era o G-7, depois passou a G-8 (o G-7 mais a Rússia), agora temos o G-20 (bem, na verdade, o G-20 já cá anda desde 1999).
E como é simpático ver por lá o José Luiz Zapatero, enquanto nós por cá continuamos do lado de fora destes clubes privados que se proclamam líderes e epítomes do mundo desenvolvido e próspero.
Também é sempre grato ver na foto de família uma Angela Merkl a dar o tom feminino (bem podia ter escolhido outra cor mais feminina do que aquele cinzento cor de nada, mas enfim, as alemãs não são conhecidas pelo seu fashion sense).
Conclusão apriorística: continuamos num mundo de clivagens económicas e sexistas.
Deixa-me só ver se me estou a situar bem temporalmente; estamos em 20 de Novembro de 2008, correcto?
Pois...

Então se é para ser G-20 que seja G-20 (lá vou ter de explicar aos alunos o que é este G que agora ganha contornos mediáticos e gastar mais tempo de aula, enfim...).
Ao que parece o G-8 que, supostamente, deveria ter sido ofuscado, para não dizer deposto, por este G que se reuniu em Washington no Sábado passado, continuará existindo como um grupo de países amigos, eu diria mesmo um clube restrito daqueles à inglesa com exclusivos direitos de admissão. Perverso, no mínimo.
A novidade dos 20 é que as economias ditas emergentes (e como vamos longe dos anos 80/90 e das denominações de países em vias de desenvolvimento) passam a ter assento neste clube mais alargado que tem honras de site oficial (VEJA AQUI, POR FAVOR) e que é actualmente presidido pelo Brazil, nada mais, nada menos.

A mim irritam-me particularmente as divisórias mundiais entre "uns" e os "outros".
Se bem que, na verdade, essa seja uma classificação confortável para entendermos o nosso posicionamento no planisfério global.
Já com Heródoto o mundo se dividia entre o nós helénico e o bárbaro e quem melhor que o Tzvetan Todorov para explicar o porquê e o como das divisões entre nós e eles?
Por isso, em 20 de Novembro de 2008, o mundo continua tão bipolar como sempre (e volta Said que estás perdoado).

Porém, para nós portugueses o desagradável disto tudo é que, querendo fazer parte do "nós" desenvolvido, continuamos do lado de fora a olhar pela janela. Certo que somos apenas um país de 10 milhões, mas então e a Austrália que é um deserto de 19 milhões, um país que nunca terá sustentabilidade para uma população superior a 25 milhões na melhor das expectativas? E que tal vermos lá a Turquia? A mim choca-me, no mínimo dos eufemismos.

Mas voltando à reunião de Washington. Bush fez o papel do defensor do capitalismo à americana e assegurou ao mundo que a equipa do novo Presidente-Eleito não se desviará desse padrão. No final dos trabalhos nada mais ficou acordado do que uma série de intenções para debelar a crise.

Quais em concreto não sabemos.
São intenções. São boas, como todas as intenções. Falta saber como se materializarão.
É preciso aumentar a transparência das grandes operações financeiras.
É necessário regular o sistema. Pede-se uma maior coordenação entre os supervisores bancários de cada país. Pois muito bem, até aí nada de novo.
Como é que isso se vai processar e efectivar? E depois vem um dos grandes pontos de discussão: dar mais poder decisório aos países das economias emergentes no seio do FMI e do Banco Mundial. E como?

Bem, lá teremos de esperar até 30 de Abril de 2009 pela nova reunião dos 20 Magníficos.
Até lá o mundo que vogue ao sabor da crise.

PSD aposta na tripla ou na ditadura?!

Afinal, já se sabe qual a razão dos prolongados silêncios de Manuela Ferreira Leite. Melhor, não é a razão, antes a natureza. É o silêncio dos conspiradores.
E, tal como um bom conjurado, a líder do PSD, de vez em quando, manda umas graçolas para que o povo, depois do espanto, pense, lá com os seus botões, “nã, ela está só na reinação!”.

Já antes fora a historieta de em cada redacção haver lugar cativo para um diligente militante do PSD determinar o rigor e a objectividade em versão “laranja” das notícias.
Que só teria explicação em nome da isenção, imparcialidade e independência de jornais, televisões e rádios, pois está tudo infestado de perigosos socialistas e pelo vírus "Sócrates2009".

Depois, mas aqui a fazer lembrar aquelas bruxas más, com uma verruga na cara e tudo, escandalizou-se a Dra. Manuela com um aumento miserável do salário mínimo nacional. Irresponsável, disse ela!

Temos agora, e eu ouvi ali claramente ouvido, que a Dra. Manuela Ferreira Leite é acérrima defensora da teoria da “chuva no nabal, sol na eira”!
Nem mais …
Avaliação de professores?
Ora bem, quando “era o Dr. Luís Filipe Menezes eu, Manuela Ferreira Leite, até pedi encarecidamente ao Senhor Primeiro-Ministro que não recuasse, mas agora é outra loiça porque 120.000 professores … ora, isto vezes dois são 240.000, se estes influenciarem mais 2 isto são 480.000 … quer dizer, é muito voto!
E mais, garanto-vos, isto é um Governo autoritário, são os malefícios da maioria absoluta!”

Reformas? Justiça?
Bem, isso em democracia é muito difícil.
E não me lembrem que o PSD roeu a corda no pacto da Justiça, isso são águas passadas.
Às tantas, o melhor era meio ano de ditadura, reformava-se tudo e depois, prontos, já podia haver democracia.
Quer dizer, repunha a democracia se não fosse o PSD que estivesse no poleiro, acho eu, que ela não deve ser assim tola!

Estava eu a jantar e ouço aquilo … garanto-vos que não levei a coisa muito a sério pois, ao contrário doutros estouvados, não vejo que o PS esteja a ser mais tiranete que o PSD de Cavaco quando teve maiorias absolutas.
Para quem tem memória curta, releiam “O Independente” e logo verão.

Ou então, aquilo foi tudo fora do contexto como já alguns avançam, era com ironia, a brincar, a malta tem a mania de se meter com a senhora, e eu é que sou o burro ... ou então é o PSD que parece aqueles tipos que, antigamente, quando no Totobola calhava um Dínamo Ferreirev - Spartak Socratonov se punham ali a coçar a cabeça e ... olha, "bota aí uma tripla! Pode ser que acerte".

Nova Lei da Rádio e TV?!

Passou-me despercebida e, muito provavelmente a alguns dos leitores deste espaço, a aprovação na generalidade de um nova lei sobre a rádio e a televisão, na Assembleia da República, com os votos a favor do PS e os votos contra de toda a oposição, ao que sei.

Fui à procura da “bendita” da lei, mas confesso que não a encontrei e também não me dei a muito trabalho para o conseguir, por falta de tempo e paciência.
Por isso peço desde já desculpa se este texto não corresponde inteiramente à realidade dos factos.

Sirvo-me assim de noticias da comunicação social, mormente esta do "Diário de Notícias" (DN), da qual apenas transcrevo partes, podendo cada um procurá-la aqui.

"Parlamento.
O caso da Renascença será analisado na especialidade
Questão dominou o debate de ontem no Parlamento

O Governo está disponível para alargar o universo de rádios sujeitas a contabilização de audiências para controlo da concentração dos media, admitiu ontem o ministro dos Assuntos Parlamentares durante um debate sobre a questão na Assembleia da República.
«Estou inteiramente disponível para correcções» apresentadas na comissão da especialidade, disse o ministro Augusto Santos Silva, respondendo a perguntas do CDS/PP.


A questão, levantada pelo deputado Pedro Mota Soares, mas que dominou todo o debate, faz eco das críticas apresentadas pela Rádio Renascença, que referiu quinta-feira à Lusa sentir-se directamente atacada pela proposta de lei do pluralismo e não concentração dos meios de comunicação social.

Em causa está uma regra incluída no diploma que determina que a Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) inicie um procedimento administrativo de averiguação, quando uma empresa de rádio ou de televisão detenha 50% ou mais das audiências.

O documento não prevê, no entanto, que todas as rádios sejam contabilizadas, mas apenas as generalistas nacionais e as temáticas de informação, o que significa que as audiências do grupo Renascença "saltam" de 22% a 25% (no total) para 55% a 56% no universo contabilizado".

Pelo que li noutros meios de Comunicação Social coloca-se em causa sobretudo que uma rádio, televisão, ou um grupo que detenha esses meios, possa ter mais de 50% de audiência.
E esta eu não percebo!
Então uma pessoa não pode ouvir a rádio que quer, ou ver a televisão que mais lhe agrada?
Então o acesso dos cidadãos aos meios de comunicação social, não é livre e ditado pelo conteúdo de cada um desses meios e da forma como agrada aos seus utentes?
Então o que deverão fazer esses meios de comunicação social?
Deverão pedir aos seus ouvintes, ou telespectadores que não os ouçam ou vejam, como forma de impedir o ficarem sobre a alçada da lei?
Será, pergunto eu ingenuamente, que a razão reside no facto de apenas o Grupo Renascença estar dentro dos parâmetros definidos?
Ou será que eu não percebi a coisa e a minha visão está completamente errada?

Por favor esclareça-me quem sabe ou pode, porque a minha impressão é que a tão famosa liberdade de expressão começa a estar em causa, muito subtilmente, claro!
Mas posso estar errado...

Memórias que se devem evitar

No terceiro Domingo do mês de Novembro comemora-se o Dia da Memória ou, como a ONU o baptizou, Dia Mundial em Memória das Vítimas da Estrada.
Portugal, como é sabido, tem travado uma dura luta contra os acidentes de viação que constituem uma das mais preponderantes causas de morte no nosso país. Quem não teve um familiar, um amigo vítima de um acidente de viação? Eu, pelo menos, já perdi alguns e, como tal, não pude deixar passar em branco esta data.
No entanto, não pensem que vou aqui analisar as razões para um tão elevado número de acidentes de viação e de vítimas... Afinal, elas são mais do que conhecidas e evidentes: uma aposta insuficiente na educação rodoviária, falta de civismo, maus traçados rodoviários e deficiências em muitos deles. Tudo somado só pode dar em números de mortos e feridos inacreditáveis, em enormes gastos na saúde e imensas famílias enlutadas.
Apesar disso, parece que essa luta começa a dar frutos: este ano, até ao dia 7 deste mês, morreram menos 93 mortos (um decréscimo de 12% relativamente a igual período no ano de 2007), apesar de terem morrido 642 pessoas e houve uma diminuição de 19% de feridos graves, segundo dados fornecidos pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária.
Esperemos que estes números continuem a diminuir...

P.S.: Lamento se estavam à espera de um post mais polémico e interessante, mas hoje tinha mesmo que abordar este tema. Claro que o poderia ter feito de outra forma, mas quando um vírus decide passar umas férias no nosso corpo e provoca 38 de febre, não se pode exigir muito...

Carta a El Rei, D. Afomso Henriques, Rei de Portugal pela graça de Deus.

Mui Senhor nosso, e nosso Rei, pela graça de Deus, D. Afomso Henriques
Majestade.


Perdoar-me-á Vossa Majestade a ousadia de a Si me dirigir nesta missiva que agora escrevo.
Compreenderá, Sereníssimo Senhor D. Afomso, que ao ler ESTE ARRAZOADO, aqui escrevinhado pelo seu súbdito Ferreira Pinto, logo me veio à ideia a Nação que Vossa Majestade com tanto denodo e empenho fundou.

Ao reflectir sobre a razão de tais desmandos naquele texto descritos, logo me surgiu no pensamento, como num repente, algo da História de Portugal, que justificasse tais actos e atitudes.

Desde já, e antes de avançar mais na escrita desta missiva, quero invocar o beneplácito de Vossa Alteza Real para a minha humilde pessoa, no sentido de não ser confrontado com os vossos beleguins, de modo a não acabar os meus tristes dias, numa qualquer masmorra, de uma qualquer fortaleza deste reino.

É que já houve um tempo recente, em que nós, o povo, se podia dirigir aos governantes, com perguntas incómodas e pedidos de explicações sobre a governação, mas recentemente as coisas parecem estar a mudar e esse tipo de atitudes já não são muito bem vistas.

Mas adiante.
Dizia eu, humilde servo da gleba, que ao meditar nas razões de tais desmandos violentos por parte dos vossos súbditos, (e perdoai-me desde já também pelo acto de pensar), cheguei à conclusão que a culpa de tais atitudes reside em Vossa Majestade.

Com efeito, reza a história, que o Reino de Portugal foi fundado sobre uma violenta querela entre Vossa Alteza e Vossa Augusta Mãe, que segundo alguns cronistas, terá mesmo chegado a vias de facto.
Assim sendo, como poderia o povo deste reino não proceder de igual modo perante os problemas que no dia a dia lhe surgem pela frente?

Num reconhecimento humilde que as atitudes do Rei são para imitar, o povo não deixa os seus créditos por mãos alheias e assim, vá dos pais arrearem nos filhos, nos professores e até nas forças da ordem, e vá também dos filhos arrearem nos pais, nos professores e nas forças da ordem, e vá ainda dos professores arrearem nos filhos, nos pais, nas forças da ordem e porque não, num “modernismo em tudo salutar”, atirarem uns ovos à governante do reino de Vossa Majestade.

E a explicação perdoar-me-á Vossa Alteza, Sereníssimo Senhor D. Afomso, serve às mil maravilhas o desiderato desde a primeira República perseguido, ou seja, que a culpa dos problemas da primeira República foi da Monarquia, que a culpa da existência do Estado Novo foi da primeira República e mais recentemente, que a culpa de todos os problemas de cada governo da Nação após um tal 25 de Abril, é sempre do governo que o antecedeu.

E assim fica a Nação, lambendo as feridas, vivendo no passado, e por isso mesmo em vez de avançar … recua!

Queira Vossa Alteza, Senhor D. Afomso, explicar a estes seus súbditos, que apesar de ter batido na Vossa Augusta Mãe, não se deixou ficar em lamentações e recriminações, mas pegando na espada e no cavalo encetou caminho para correr com aqueles que nada tinham a ver com o Reino de Portugal e para ele não contribuíam em serviço público, mas antes dele se serviam para pessoalmente enriquecerem, fundando assim o Reino que o poeta cantou empolgado: "As armas e os barões assinalados Que, da Ocidental praia Lusitana, Por mares nunca de antes navegados, Passaram ainda além da Taprobana, E em perigos e guerras esforçados, Mais do que prometia a força humana, E entre gente remota edificaram Novo Reino, que tanto sublimaram".

Queira Vossa Alteza Real, explicar a estes seus súbditos, que devem nestes tempos pegar nos seus cavalos, (agora revestidos de lata e com rodas), nas suas pernas, ou seja como for, e utilizarem as espadas que lhes foram dadas, que agora, saberá Vossa Majestade, se chamam votos, e correrem também com aqueles que nada têm a ver com o Reino de Portugal e para ele não contribuem em serviço público, mas antes dele se servem para pessoalmente enriquecerem.

Vossa Majestade, com o seu douto conhecimento, explicará ainda a este povo indigente de cultura política, que devem introduzir os seus votos nas urnas, de modo a que apurado o resultado da guerra, (por meios hoje em dia muito sofisticados que em princípio não contemplam o derramamento de sangue), sejam corridos da governação aqueles que não contribuem para o desenvolvimento e bem estar do Reino de Portugal.

Permitir-me-á ainda, Sereníssimo Senhor D. Afomso, que abra um parênteses para dar a conhecer este meu pensamento.
Nunca tinha reparado neste nome dado ao objecto onde são introduzidos os tais votos, as urnas.
Realmente e nestes últimos tempos no Vosso Reino, o nome destes objectos está perfeitamente bem dado, porque cada vez que travamos uma guerra de votos, parece que morremos mais um pouco, perdoe-me Vossa Alteza.

Esta já vai longa, e com certeza os muitos afazeres de Vossa Alteza Real são bem mais importantes do que estar a ler as palavras desalinhadas deste seu servo irreverente.

Humildemente curvo-me perante a Augusta e Real figura de Vossa Majestade, Sereníssimo Senhor D. Afomso e peço indulgência para o meu atrevimento.

Aos quinze dias do mês de Novembro do Ano da Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e oito.
Um
Lusitano

Tanta notícia "boa", ainda mata o artista!

É impressionante como o Mundo parece conspirar para nos tramar.
Do lado de lá do Atlântico, onde mora o Salvador do Mundo, anda tudo atarantado.
Não há nicho de mercado, nem classe profissional que não ande com o credo na boca.

A cadeia de livrarias “Barnes & Noble” não vê Natal nenhum no que aí vem.
A”Starbucks” leva um rombo de 97% nos lucros.
O “Circuit City, uma espécie de Worten lá do sítio, fecha 155 das 700 lojas.
A “General Motors” agoniza e armazena carros aos montes e despede aos milhares.

Aqui ao lado, por terras de “nuestros hermanos” a economia bateu contra o muro e os espanhóis descobrem agora, atarantados, que afinal a “fiesta” tinha um preço!
Mais para riba, é a outrora ufana Alemanha que entra em recessão.
As Bolsas mundiais, todos os dias em queda, em baixa, em depressão …

A OPEP vai tornar a baixar a produção porque, coisa inaudita, o petróleo anda pelas ruas da amargura.
Não é que ontem ele andou ali pelos 50,6 dólares no mercado londrino?
Ora, isto é apenas o nível mais baixo nos últimos três anos e meio e coisa que xeques e sheiks não podem tolerar.

O que acho curioso é que o petróleo anda nos preços que anda, mas por cá os preços da gasolina continuam ali acima do “eurito” da praxe!
Castiço, é há dias ter ouvido um marreta dizer que não podiam baixar por causa do ISP!
Mses antes garantia que era por causa dos preços no mercado internacional … isto se não é má fé, roça a imbecilidade!

Francisco Van Zeller, um dos patrões dos patrões, antecipa um ano de 2009 terrível em matéria de desemprego. E critica investimentos públicos, embora peça aposta na mão-de-obra lusa!

No estado em que as coisas estão, não há volta a dar.
É uma pandemia.
Onde acabaremos?
Ninguém sabe …

Entretanto, os ovos voadores ameaçam virar moda, na Madeira o Alberto João continua a disparatar e não há Cavaco que lhe lance sonoro “porque não te calas”, o PSD ziguezagueia entre o que Ferreira Leite disse no consulado do outro sobre a avaliação e agora defende, o Constâncio vê mas não vê, o Portas acusa mas esquece que a auditoria de 2003 ao BPN foi entregue a uma certa ministra de um Governo de que ele fazia parte, o Paulo Bento continua zangado com os árbitros … por isso, e como se vê, não falta folclore, nem animação!

E este texto está fraquito, mas foi o que se arranjou …

Em busca do fim

Mais um caso triste de suicídio entre elementos da GNR esta semana. De repente, ou quase, somos confrontados, em jornais e noticiários, com o facto de as forças de segurança pública se verem a braços com elevadíssimas taxas de suicídio entre os seus operacionais. Porque é que eu não estranho o panorama? Deveria estranhar, não?

Pois é, mas não estranho. Não que seja defensora de soluções terminais (bem, até sou em certos contextos), mas não acho surpreendente que no clima actual as pessoas considerem cada vez que sair da vida é uma solução para algo. Olho para as classes da polícia e encontro-as desmotivadas, "overworked", mal-remuneradas e socialmente desprezadas. Mas, igualmente, olho para as classes docentes e encontro-as desmotivadas, "overworked", mal-remuneradas e socialmente desprezadas.

Li recentemente algures que as dependências de ansiolíticos e anti-depressivos têm aumentado de forma galopante. As baixas psiquiátricas são cada vez mais utilizadas. E quantas pessoas não sonham com a reforma antecipada, negligenciando até penalizações e cortes remunerativos em nome de um bem, maior: deixar, finalmente, o trabalho, o raio do emprego que as atormenta?

Num dos textos que costumo debater com os meus alunos há uma frase basilar: "Ask a man who he is and he will tell you what he does. His identity lies in his work". Crescemos a ser treinados para o desempenho de uma carreira. Doutrinam-nos para gostarmos de trabalhar e porque será do trabalho que conseguiremos o nosso sustento e, melhor, o nosso nível de vida de civilização desenvolvida. Incentivam-nos não a ter um emprego mas a seguir uma carreira.

Chegamos à vida real e o que acontece? Raros somos os privilegiados que têm uma carreira, menos, ainda, os que podem escolher a que têm. O nosso trabalho dificilmente nos dá um sentido de identidade (a agente da GNR que se suicidou esta semana estudou Artes e acabou onde? Num estágio para guarda-republicana).
E, no fim, o pior de tudo, talvez, o tal do trabalho não proporciona vida nenhuma de confortos: nem os materiais nem os outros.

Não há tempo para a família, os filhos crescem por si, não há espaços livres para o "Eu", um hobby, um projecto, uma breve ausência do mundo quotidiano, um mimo.
O trabalho torna-se no aspecto mais absorvente e castrante da vida, ironicamente o que menos dá e o que mais tira.
Não era suposto ser o contrário?
Acho que é tempo de legisladores e estudiosos se debruçarem sobre o que, de facto, está a ocorrer, em termos sociológicos no mundo laboral.
Tem de haver espaço para o indivíduo porque se o não há, já se sabe o que o indivíduo pode fazer...
E isso é o que a sociedade não pode permitir.

De Fafe a Lisboa, o povo está malcriado!

O que ontem se passou em Fafe é intolerável. Uma coisa é a discordância, outra a estupidez!
E mesmo os que consideram que Maria de Lurdes Rodrigues com aquele seu ar seráfico é que deu azo a isto, deviam pensar que a superioridade moral de quem está do lado de lá da barreira não se mede pela quantidade de ovos atirados. Ou pelos guinchos que se dá!

Mas os incidentes, digamos assim, dentro ou nas proximidades de escolas começam a ser recorrentes.
Pergunto-me onde encontrar justificação para o pai que, desagradado com o tom menos medroso com que o docente se dirigiu a um dos seus filhos, entra pela sala dentro, escoltado por um outro herdeiro com l7 anos de idade, e lhe parte a cana do nariz?

Ou para o aluno que prega um valente “enfesto” na professora, derrubando-a, só porque esta teve a infeliz ideia de se meter numa guerra entre colegas por causa de um telemóvel?
Ou aqueloutro ainda que, sabe-se lá bem porquê, resolveu a contenda com um colega, dando-lhe a provar o aço de uma navalha?

Pronto, já sei … uns vão dizer que a culpa é: a) da Maria de Lurdes Rodrigues; b) do José Sócrates; c) do Estatuto do Aluno; d) do Código de Processo Penal; e) do Código Penal e, f), de todas as hipóteses atrás referidas.

E se antes, e em primeira instância, estiver a má criação de uma certa geração?
Como? Não entenderam?
Eu repito … BASICAMENTE, OS PAIZINHOS DAQUELES MENINOS NÃO TÊM EDUCAÇÃO NENHUMA!
E como a não têm, não a podem dar!

Notem, por favor, que existiu uma evolução na sociedade portuguesa.
Nessa evolução, passamos do temor reverencial à autoridade ao mais absoluta desprezo pela mesma. Isto não esquecendo que, às vezes, a mesma não se dá ao respeito!

Onde antes homens e mulheres cuspiam para o chão (ambos), coçavam os ditos cujos em público (eles), e despejavam lixo em qualquer lado (outra vez ambos), evoluímos para uma versão de “despenteado mental” onde a par de sinais de aparente estatuto social, caminha a mais abjecta falta de noção de responsabilidade social e ridículo!

É o telemóvel último modelo que se atende aos berros, seja onde for; é o saco do lixo que deixamos ao lado do ecoponto, esteja ele vazio ou cheio porque lixo em nossa casa é que não; é a saca ou carteira forrada a alumínio para o “gamanço” no centro comercial porque se a pindérica do 5º esquerdo tem, eu também tenho de ter; é o passar um cheque careca como quem supostamente troca de meias todos os dias e ainda protestar aos berros “eu sou honesto, seu filho da …” quando o portador vem reclamar; é a ligação directa que se faz à TV Cabo e ainda gozar com quem a tem de forma honesta; é o idiota que não paga o condomínio mas reclama e protesta sobre tudo …

Podia aqui continuar o dia inteiro, mas quedo-me por aqui pois penso que um fedelho empertigado que cresceu a ver isto e a sentir que tem as costas quentes, se julga dono do mundo! E o triste é que quase sempre é!

Já agora, para casos como os que relato acima, e para não dizerem que eu é só “postas de pescada”, aqui ficam as minhas propostas: a) chumbo imediato do interveniente; b) trabalho comunitário a favor da comunidade mas ali onde todos vissem (tipo rapar as valetas e bermas à volta da escola e nas redondezas de casa) e, c), multa a pagar pelos ilustres pais (geralmente absentistas) e sem ser em suaves prestações (normalmente quando nos vão à carteira, tendemos a aprender mais depressa!) e sem recurso ou coisa que o valha.

Ainda é tempo ... de correr com a corja!!!

Na passada Quinta-feira assistimos ao bater no fundo de toda a ética jornalística neste País, à continuação da descredibilização da justiça em Portugal, à continuação da degradação dos valores que devem reger uma sociedade e entre os quais estão a honestidade, a integridade e o bom senso.

Fátima Felgueiras foi condenada, repito, foi condenada a três anos e três meses de prisão com pena suspensa, (beneficiando do novo Código mais benevolente que o anterior), ou seja, o Tribunal deu como provado que praticou determinados crimes de que vinha acusada. Foi ainda condenada à perda de mandato, que pelos vistos não se torna efectivo por um recurso, (mais um), que vai ser feito e impede que essa decisão judicial se torne efectiva.

Não discutindo a sentença (até porque não tenho competência para isso), que segundo ouço de pessoas ligadas à Justiça é mais um exemplo da pobre justiça deste País que nunca condena na totalidade os poderosos, os mediáticos, indigno-me, no entanto, com todo o circo que se lhe seguiu.

Fátima Felgueiras esteve em todas, julgo eu, televisões deste país, com a desfaçatez de um sorriso e um discurso duma pessoa que parecia ter sido ilibada de todas as acusações, tendo-lhe sido permitido tempo de antena para continuar o seu discurso palavroso, como se fosse uma cidadã impoluta, e ninguém foi capaz de lhe dizer na cara que ela tinha sido condenada por crimes que cometeu.

Que imagem passamos nós aos jovens que estão em formação nas escolas, nas universidades?
Que a honestidade é manipulável?
Que se podem cometer uns “crimezitos”, mas tendo o cuidado de não deixar grandes provas?
Que mesmo que sejamos condenados temos sempre o circo mediático a nosso favor que nos deixa apresentarmo-nos como vítimas e não como criminosos?

Onde vai chegar este país?

Temos um Primeiro-Ministro que vai dizendo umas “inverdades” e ninguém lhe toca, nem mesmo a Comunicação Social sempre tão rápida a crucificar uns e absolvendo de uma penada outros como ele, por manipulação ou pura omissão.
Temos uma Assembleia da República cheia de deputados faltosos, atrasados sistematicamente, que nada fazem, nada produzem e apenas se pavoneiam nos corredores do poder.
Temos uma Oposição que apenas quer o poder pelo poder, pois nada mostra que tenha para oferecer de melhor aos portugueses.
Temos inspecções para tudo e para nada, mas que apenas servem para cair em cima dos fracos, pois os poderosos estão protegidos pelo poder.
Temos uma ministra que, seguindo a prática do governo exercida pelo primeiro, perante a segunda manifestação de uma centena de milhares de professores continua irredutível, confundindo firmeza com teimosia.
Temos um jornalismo onde só se entra por cunha ou laços familiares, ou ainda outras coisas que me coíbo de escrever, como recentemente se lia já não sei bem onde, dito por uma jovem jornalista.
Temos um Presidente da República esfíngico, que vai assistindo a tudo isto (que é muito mais do que aqui digo, mas que para tal não chegaria o espaço do blogue inteiro), e não tem uma palavra de direcção, uma palavra verdadeiramente interventora que dê alguma esperança aos portugueses, a não ser, quando beliscam os seus “direitos”, como no caso dos Açores.

Pois é jovens, estudem, estudem muito a melhor maneira de manipular a verdade, de utilizar a política e os cargos públicos, de enganar a lei, de passar por cima dos outros, de serem “chico-espertos”, porque por este caminho que o país vai seguindo, só quem assim aprender, só quem por essas “regras” se reger, é que terá futuro.

Alegremente caminhamos cada vez mais para o fundo da Europa, de tal modo que um dia destes muito provavelmente um forte abalo telúrico nos separará mesmo do continente europeu e ficaremos à deriva no Atlântico.

Pela primeira vez em quase sessenta anos de existência, e vividas tantas e tantas situações complicadas e difíceis para Portugal, começa a despontar em mim uma quase vergonha de ser português.
E isso dói-me!!!
Mas ainda é tempo ... ainda é tempo de correr com eles!

Kristallnacht ... nunca mais!

A Alemanha recordou ontem um acontecimento que se afirmou como o prelúdio do Holocausto, esse acontecimento infame que marcou o século XX - a Kristallnacht ou, em português, a Noite de Cristal.

Há 70 anos atrás, nessa mesma data, as sinagogas e cerca de 7.500 estabelecimentos comerciais de judeus alemães e austríacos sofreram a ira, a intolerância e o preconceito dos nazis e foram totalmente destruídos. Cerca de 91 pessoas (número oficial, mas muito discutido) foram mortas e 30.000 detidas e enviadas para campos de concentração. Tudo porque um diplomata alemão de seu nome Ernst von Rath foi assassinado por um estudante polaco judeu, como vingança pela expulsão da sua família e de outros 15.000 judeus.

A cerimónia evocativa decorreu na sinagoga de Rykestrasse, em Berlim e contou com a presença de vários líderes da comunidade judaica, a presidente do Concelho Central de Judeus da Alemanha, vítima e testemunha viva deste acontecimento e de Angela Merkel. As palavras da chanceler alemã foram, aliás, bem claras e não deixam margem para dúvidas quanto ao posicionamente assumido relativamente à comunidade judaica e aos fenómenos contemporâneos de anti-semitismo, destacando que "a complacência" coloca em risco os "valores essenciais da democracia". Efectivamente, a líder alemã afirmou que "não podemos ficar indiferentes quando extremistas de direita marcham através das portas de Brandenburgo, ou conquistam lugares nos órgãos legislativos. Não podemos ficar em silêncio quando os rabinos são perseguidos nas ruas, quando os cemitérios judaicos são profanados ou quando são cometidos crimes anti-semitas" e salientou que atitudes como as do Irão e da Palestina não podem ser toleradas.

No Vaticano, por seu turno, o Papa Bento XVI, no final da oração do Angelus, também recordou o evento afirmando que "até hoje eu sinto a dor pelo que aconteceu naquelas trágicas circunstâncias, e cuja lembrança deve servir para que horrores como estes não se reproduzam mais" . Por outro lado, apelou a que as gerações jovens actuais e vindouras sejam educadas com base na ideia de "respeito recíproco".

Como é óbvio, há, no entanto, quem não perceba que datas como esta devem ser recordadas pelas piores razões e, apenas, para que as vítimas não caiam no esquecimento, para que irracionalidades deste género não se repitam. De facto, há quem ontem tenha festejado este acontecimento como se de um acto louvável se tratasse.

Na cidade de Praga, na República Checa, algumas centenas de neonazis tentaram ontem à tarde dirigir-se para o bairro judeu da cidade, na intenção de ali celebrarem este aniversário. No entanto, depois da convocatória por parte do movimento de extrema-direita dos Jovens Democratas (?!) Nacionalistas, deu-se a organização de contramanifestações, que juntaram pessoas de várias origens políticas, as quais desfilaram pacificamente, muitas ostentando estrelas judaicas amarelas e bandeiras vermelhas.

Noites de Cristal, como a que aconteceu em 1938, deviam ser proibidas. No entanto, o nosso mundo, o dos seres supostamente racionais, continua a ter noites e dias de cristal. Um cristal negro de ódio e intolerância, um cristal vermelho tingido de sangue...

Tenham vergonha, senhores deputados!

Ontem, titulava o "Portugal Diário", a propósito da Assembleia da República " (...) menos de 50 deputados ouviram Cavaco. Dos 230 parlamentares, só 20 por cento estavam presentes 20 minutos depois de a sessão ter começado".

E prosseguia informando que "menos de 50 deputados estavam na Sala do Senado, no Parlamento, no início do debate sobre a mensagem do Presidente da República sobre a promulgação da mudança do regime jurídico do divórcio.


A sessão da passada quinta-feira, em que estava em debate o Orçamento do Estado de 2009, foi antecipada meia hora (dass 10:00 para as 09:30 horas) para, antes, poderem discutir-se as mensagens de Cavaco Silva sobre a Lei do Divórcio e o Estatuto Político-Administrativo dos Açores, vetado pelo Presidente.
Pelas 09:40 horas, estavam na sala 32 deputados e, quando o presidente da Assembleia da República, Jaime Gama, começou a ler a mensagem presidencial sobre o Regime Jurídico do Divórcio (às 09:50 horas), eram menos de 50 os parlamentares presentes.

A Assembleia da República tem 230 deputados!

As duas maiores bancadas, PS e PSD, eram aquelas que tinham maiores clareiras".

Uma notícia destas não precisava de qualquer comentário, a não serem uns palavrões alinhados, chamando nomes a estes gajos!
Isto é gozar com o povo que paga os ordenados a esta “malta”!

O Regulamento da Assembleia devia ter previsto uma diminuição de vencimento para aqueles que sistematicamente se atrasassem sem justificação, chegando mesmo à expulsão do Parlamento, ou melhor dizendo, para ser mais benigno, à perda de mandato.
Julgo que isso está previsto para o excesso de faltas, mas não para os atrasos “sistemáticos”, acho eu.

Esta gente, que não tem qualquer consideração por aqueles que neles votaram, tratam o serviço público como uma prostituta qualquer de que eles são os “chulos”.

Claro que se votássemos em cada deputado, ou seja em círculos uninominais, ou lá como é que isso se chama, outro “galo cantaria”, porque estes “políticos” saberiam que na próxima já não seriam eleitos.

Mas vêm assim, aos magotes, misturados nas listas dos partidos, a maior parte deles, muito provavelmente, como paga de algum “servicinho” ou como adiantamento para um “trabalhinho” a fazer!

E os partidos são igualmente culpados, porque deveriam ter regras internas que obrigassem os não cumpridores a darem lugar a outros, e se por acaso têm essas regras, então são cobardes porque não as fazerem valer.
Por isso mesmo e por outras razões é que há muito defendo uma diminuição drástica do número de deputados da Assembleia da República.

Já sei que me vão dizer que o rácio deputado/habitante é segundo dizem um dos mais baixos da Europa, mas isso para mim não é justificação a não ser chegar à conclusão que muito provavelmente os outros também estão errados.
Há deputados, sou capaz de apostar, que passam uma legislatura sem darem uma “ar da sua graça” no Parlamento.

Mas cheira-me que os partidos precisam de tantos lugares ... para poderem distribuir as suas benesses.
Continuando na senda do que aqui já foi tantas vezes escrito, acho que é tempo de dizer chega … vão gozar com o raio que os parta!
Neste momento não estou indignado, estou furioso e irritado!!!

PS quer dois boletins nas Legislativas!

O Partid(it)o Socialista encomendou um estudo que, a avançar, fará cair mais uma promessa eleitoral.
Mas, garanto-vos, desta vez quero lá saber que a promessa vá à vida.
Quero lá saber dos círculos uninominais …

O estudo está em livro (“Para uma melhoria da representação política - A reforma do sistema eleitoral”, Sextante Editora, é da autoria de André Freire, Manuel Meirinho e Diogo Moreira) e propõe uma pequena revolução.

Se a ideia avançar os portugueses, nas Legislativas, passam a receber dois boletins de voto.
Num escolheriam um deputado para os representar no seu círculo eleitoral; noutro votariam num círculo nacional, votando aqui, exclusivamente, na lista partidária.

No primeiro círculo, o dito regional ou distrital, entre os vários candidatos a deputados por cada formação partidária, os eleitores poderiam votar num, independentemente de ser o primeiro ou o último da lista.

Eu sugiro, desde já, que se pudesse riscar os nomes dos “caramelos” que não queremos que é para a coisa, assim, dar mais “pica”!
Um tipo ali a olhar para as fauces dos gajos e a mandar-lhes com um valente risco … pega, pega, andor violeta!

Os autores apontam para que pelo círculo nacional se elejam 99 deputados e os restantes fossem distribuídos pelos círculos regionais ou distritais.
Esta medida, que desconfio vá encontrar resistências, teria, pelo menos teoricamente, o mérito de obrigar os senhores eleitos a darem mais a cara nos círculos por onde se candidatam e não a aparecerem por lá na condição de “paraquedistas” ou de enjoados durante três anos e absolutamente “sorriso pepsodent” em 11 meses!

Outra “nuance” com interesse passa pela redução do número de parlamentares para 229, de forma a impedir situações como a que ocorreu em 1999 com António Guterres em que Governo e Oposição se encontravam empatados no hemiciclo.

E, dito isto, "rien ne va plus, faites vous jeux!".
Que é como quem diz, aceitam-se apostas se é em 2023 ou em 2045 que os partidos aceitam discutir estas coisas; a não ser que dê uma ideia assim ao Sócrates e o nosso homem mande avançar em jeito de rolo compressor!

O dia depois...

Agora que é oficial, podemos dizer que se fez História na América 145 anos depois de a "Emancipation Proclamation", assinada pelo Presidente Lincoln, ter posto um fim ao regime da escravatura. Nessa altura, como hoje, os Estados Unidos eram uma nação fracturada pela discriminação racial, pelas clivagens sociais que demarcam brancos e outras minorias étnicas, das quais a comunidade afro-americana é a mais visível e a mais historicamente segregada.

Finalmente, os destinos dos Estados Unidos serão controlados por alguém vindo das hostes afro-americanas.
Já era tempo de um Barack Obama.
Resta saber, o que o mesmo fará do momento histórico que ora lhe é dado.

Pessoalmente acho que se trata mais de uma questão simbólica do que de outra coisa. O que me interessa mais, realmente, é que com o Partido Democrata na presidência, a diplomacia voltará à agenda do dia.
Longe vão os tempos do "Road Map" para a paz que o Presidente Clinton arbitrava e negociava entre Israel e a Palestina.
Esperemos que os dias desta super-musculada diplomacia da era Bush entrem em recessão. Mas, a meu ver, esperemos que haja a lucidez para perceber que não se pode abandonar o conflito no Iraque só porque o Irão e o Afeganistão são os próximos alvos e porque se chegou, brilhantemente, à conclusão óbvia para quem queria ver, que a invasão do Iraque não teve justificações cabais e consolidadas em provas verificáveis.

Ademais, com o Partido Democrata na Casa Branca, esperam-se medidas governativas que sejam mais actuantes a nível federal. Certo que os americanos olham para o governo como "a necessary evil", ao inverso de uma visão europeizada de "public good", mas o Partido Democrata concentra-se em questões fulcrais a nível federal como a saúde e a educação.

E, nesta época crítica de crises financeiras e imobiliárias, talvez o enfoque mais centralista dos democratas seja a melhor via para fazer a nação dar o passo de saída da crise.
Mas, enfim, aqui deste outro lado do oceano Atlântico, importa-nos mesmo é que a economia norte-americana recupere a saúde e interessa-nos o novo posicionamento que a presidência eleita certamente terá a nível de política externa, os assuntos que, de mais perto, nos interessam porque nos afectam.

Seja como for, finalmente escreve-se um novo e inaudito capítulo na História norte-americana e, dado a hegemonia globalizante dos Estados Unidos, também na História universal.
Sobre Obama o grande peso do simbolismo, dos momentos de charneira, da História.
Hopefully he can!

Nem nacionalizar um banco sabeis, morcões?

Estava aqui o jovem posto em sossego quando, acabado um Conselho de Ministros dominical, levou com uns senhores engravatados a dizer que iam meter dinheiro num banco para ajudar o mercado, e os comentadores em nacionalização.
Tenho de vos confessar que aquilo para mim foi um abalo telúrico!

Estava habituado a pensar assim, um bocadito como o Paulo Bento … “nacionalização? Barbudos!”; “barbudos? Comunistas!”; “comunistas? Revolução!” e assim por aí fora.
Mas não, naquele dia nem umas barbas, nem um camuflado ou um charuto.
Nada!
Fato e gravata, respeitáveis cabelos brancos, isso sim.

Nos tempos do camarada Vasco quando se nacionalizou, foi uma coisa a sério.
Naqueles tempos, o Estado quando entrava por uma empresa dentro era para mandar.
Agora … é assim uma coisa pífia.
Aliás, eu nem sei se aquilo foi uma nacionalização, um empréstimo e, sendo-o, se com juros ou a fundo perdido.

Isto, meus caros, desde que se acabaram os barbudos e os comedores de criancinhas ao pequeno-almoço, mais o muro de Berlim, anda tudo em bolandas!
Quando se vê tipos pretensamente liberais e capitalistas a nacionalizarem e comunistas chineses a capitalizarem-se, garanto-vos que é o Apocalipse!
Soubesse João disto e lá falaria da Besta de não sei quantas cabeças.

Mas quando vieram dizer que ainda vão abrir uma linha de crédito até 400.000.000,00€ para os bancos, aí tive a certeza que estes tipos de barba e numa selva qualquer não se safavam!
Levavam, isso sim, um arraial de porrada em dois tempos de qualquer exército de opereta.

Por isso, é que nem revolução, nem nacionalização.
Falta-lhes aquilo que os espanhóis chamam de "cojones" (perdoem-me as senhoras).
Então os tipos vão-me dar crédito aos bancos e os senhores bancários, se lá forem rapar a pia, entregam umas acções que nem direito a voto dão?
Isto nem naquele filme do Woody Allen sobre um país de opereta da América Latina!

E ali no BPN, uns tipos deixam 700 milhões de euros de perdas detectadas e nada?
Nem umas chibatadas em público, nem nada?
Assim não brinco!
Caramba, já nem digo que se fizesse como nos tempos do Tio Estaline ou do Fidel, em que por menos se encostava um tipo à parede e pega lá disto.
Mas assim?
Nadinha de nadinha?
Nem um "tatau" no rabinho?
Porra, eu como avalista havia de ter direito a qualquer coisinha dessas!

As Forças Armadas

Como sabem aqueles que aqui já leram as coisas que vou escrevendo, e gabo-vos a paciência por isso, em certo tempo da minha vida fui militar.
Foi no tempo em que toda a gente “ia à tropa”, como se dizia, e passei lá três anos da minha vida, um em Portugal e dois numa comissão militar na Guiné durante a chamada Guerra do Ultramar.

Conheci portanto muito razoavelmente a “sociedade castrense” e se, por um lado, encontrei incompetentes e acomodados a roçar a mediocridade, também encontrei na sua maioria, homens dignos, competentes, empenhados, inteligentes, empreendedores e verdadeiramente devotados à causa da defesa nacional.

Com toda a mudança politica surgida em Portugal, a formação dos militares mudou muito e hoje temos um nível muitíssimo bom de homens e mulheres que servem as Forças Armadas de Portugal e que como em todas as profissões merecem o nosso respeito.

Ao que sei, as “benesses” de antigamente foram sendo gradualmente retiradas e o Estado foi tentando normalizar, equiparar os vencimentos dos militares aos outros servidores do Estado.
Acontece que agora, desde há uns dias para cá, se começou a falar de um incómodo, de uma instabilidade, de uma “revolta surda” no meio das Forças Armadas.

Passando de lado as razões salariais da mesma e que, ao que leio e ouço, terão alguma razão de ser, há outras razões mais ponderosas, que tocam a dignidade das pessoas e que poderão ser o fogo que acende o rastilho de uma, quase diria apesar de tudo improvável, explosão.

Tirando raríssimas excepções, e passado o período do MFA e estabilização do regime, os militares foram sempre tratados como gente dispensável, como um incómodo, como gente “sem valor”, e sobretudo deixou-se passar a imagem de que não serviam para nada.
Da observação que fui fazendo ao longo dos anos, das coisas que vou lendo e das conversas que vou tendo, (até com antigos camaradas de armas), os maiores “especialistas” nessa forma de tratamento foram os socialistas, o que não quer dizer que os outros que estiveram nos sucessivos governos não tenham a sua quota parte da culpa.

Com efeito a sobranceria, a arrogância com que os governos ditos socialistas, trataram a instituição militar sempre causou mal-estar no seu meio.
Servem-se deles para as operações de “prestígio” no estrangeiro, ou seja onde for, mas depois tratam-nos como gente sem interesse, como gente descartável, como gente que deve estar calada e não levantar ondas.

E as coisas vão andando, a revolta vai surgindo, o descontentamento vai aumentando e nunca, que eu me lembre, vimos e ouvimos um “recado” tão directo dado ao poder, como este a que assistimos na semana passada.

Claro que muitos colocarão em causa a existência das Forças Armadas Portuguesas.
Eu não.
Acho que são necessárias, imprescindíveis, mas também acho que devem ser reestruturadas, redimensionadas, de acordo com o que o país necessita.
Ou seja, tenho para mim, numa análise muito simplista, que deveremos ter umas Forças Armadas altamente profissionalizadas e adaptadas ao que delas de exige.

Uma Força Aérea com os meios aéreos mais adequados à vigilância e defesa do espaço nacional e que coloco em causa se serão estes que possuímos.
Uma Marinha com meios navais mais adequados à vigilância, fiscalização e defesa da nossa zona marítima, incluindo as ilhas, e que não me parecem ser de todo estes que possuímos e muito menos os tão falados submarinos, mas sim e talvez, vedetas e lanchas de intervenção rápida como Israel, por exemplo.
E um Exército profissionalizado com uma verdadeira Brigada Mista sempre pronta a intervir e com o armamento necessário a todos os níveis, tais como carros de combate modernos adaptados ao nosso tipo de terreno e as tropas especiais, tão prestigiadas lá fora, como os Comandos, Pára-quedistas, Fuzileiros e Operações Especiais, (vulgo Ranger´s, aos quais pertenci como “voluntário à força”).

Precisam as Forças Armadas com certeza e sem dúvida nenhuma, de serem tratadas com a dignidade que merecem, que as promoções tenham a ver com a competência e dedicação e sobretudo de não serem consideradas um “parente pobre” e incómodo, que deve estar sempre muito “caladinho”, mas também sempre disponível para tudo o que se lhe pede sem perguntas e sem reservas.
Porque senão fica o aviso … aligeirado, como dizem os nossos amigos brasileiros: «Não se deve cutucar a onça com vara curta!»

A sociedade da indiferença

No passado dia 1 acordei a meio da manhã e preparei o saco para ir até casa dos meus pais. Aproveitei a boleia para a estação e dirigi-me para um café com o intuito de ler o jornal e tomar qualquer coisa. Aí chegada, dei comigo a observar um grupo de míudos cujas idades deviam rondar os 12 e 15 anos. As roupas tornavam por demais evidente que tinham andado a festejar o Halloween.

Nunca percebi como é que acabámos a celebrar uma festividade que não faz parte das nossas tradições e que, ainda por cima, conseguimos adulterar por completo, mas isso é outra conversa...

Tomei o café e peguei no jornal. Sinceramente, não consegui ler grande coisa, porque o jornal, diário e local, não tem muito que ler (um dia, ainda hei-de falar aqui da falta de qualidade de muita imprensa escrita nacional) e porque o grupo que descrevi inicialmente decidira agir como se não houvesse mais ninguém à volta.

O facto de estarem todos, sem excepção, alcoolizados era bem visível. Entretanto, chegaram mais dois rapazes que, pelo que pude perceber, não eram propriamente bem-vindos. Os insultos começaram de imediato e, acreditem, ouvi coisas que nunca tinha ouvido na vida. Daí às agressões foi um passo. Felizmente, tiveram o bom senso de sair do café e resolver as coisas no exterior.

Ninguém agiu. Ninguém tentou separá-los e acalmá-los. As pessoas reagiram como se nada se passasse. Disse ao dono do café que chamasse a polícia, pois sabia-se lá como é aquilo podia acabar! O senhor, com toda a sua delicadeza, disse que não estava para se meter em chatices...
A hora do meu comboio aproximava-se. Paguei a conta, saí e telefonei para a PSP. Expliquei o sucedido. A resposta foi pronta: «Ó menina, devem estar bêbados, não ligue. De qualquer das formas, mando um carro para aí assim que puder.».

Onde estavam os pais destes míudos? Como é possível que os deixem andar até às 11h da manhã a festejar o Halloween?!

Como é que ninguém se incomodou ao vê-los esmurrarem-se e pontapearem-se como autênticos selvagens?!

A indiferença desta sociedade choca-me...

"Gardecimento à sôtora menistra"...

Celentissima sôtora menistra da inducação

Venho escreverlhe esta crata para agradecerlhe a grande ideia que te-ve dacabar com os ezames.
À praí alguns que dizem quisso é mau e nós fiquemos sem saber nada mas isso é mentira como podever por estaminha crata.

Eu tenho sempre muito cuidado com o pretuguês e a sôtora Eremelinda até diz queu sou o mais bom da sala.
O meu pai tem uma merçearia e tambem diz que eu sou muita bom com os numaros.

Estou acabar o insino obrigatoiro e assim sem ezames já sei que tenho o di-ploma sem mais plobremas.

Tenho tido dificuldades a história mas já sei tudo do 25 dabril.
Sei que foi um sinhor chamado salazar quera o rei e depois vieram uns capitões e deramlhe uma tunda de porrada e quem ficou a rei foi um sinhor chamado liberdade.

No resto das diz-ciplinas tambem vou andando e a sôtora Eremelinda diz que passo de certeza.
Olha, olha, coméque não havia depassar? Já não à ezames!

O zeca e o toni mai-la brigeda e a banessa tambem querem sinar a crata porque também estão muita contentes com esta coisa de nã haver mais ezames.
Olhe, sôtora menistra nã se esquessa de gradecer ao sinhor primeiro que tambem quis que nã ouvessem mais ezames.
É pá e tambem esta-mos muita contentes por ser-mos acumparados aos filândicos aqueles lá da Filândica.

Nã tenho tempo pra escrever mais e já me doi a mão porisso comprimentos e brigado tábem?
Quiné