A verdade curta e seca por Medina & Zbignew

Ontem, quem teve a felicidade de navegar directamente da SIC Notícias para a BBC World (exigindo-se aqui que saiba um pouco mais de Inglês que Sócrates!) teve a oportunidade de ouvir opiniões francas, honestas e em línguagem de gente.
Num caso por parte de Medina Carreira, no outro por Zbigniew Brzezinski.

Medina Carreira, que tem por hábito dizer coisas desagradáveis porque verdades sem anestesia, explicou preto no branco porque estamos assim nas lonas e carentes de um safanão.
Por exemplo, na Educação garantiu, e desde que os pais não encarassem a escola como um armazém onde deixam os filhos, mas como um centro de virtude e de excelência, já teriam armado uma zaragata maior que na Saúde com Correia de Campos.

Por causa da escola inclusiva que obriga a conviver calaceiros com alunos aplicados ...
Por causa de uma escola que entrega um "diplomazito em semi-analfabetismo" no fim do 12º ano ...
Por causa das Novas Oportunidades que não valem nada, são uma fraude ...
Por causa de se entregar computadores sem que os contemplados saibam Português, Matemática e História!

De passagem, não deixou de criticar o papel da Comunicação Social que, na sua opinião, devia informar formando. E não informar desinformando com muito ruído só para a plateia apaludir.
Nem sempre concordo com Medina, mas ao menos fala linguagem de gente.

Quanto ao ex-governante americano, que mostrou claramente o que é um entrevistado preparado, seguro e sem receio de rebater um entrevistador mal-intencionado (corrigiu firme e seguramente quase todas as citações pífias e retiradas do contexto), admitiu que a crise e regulamentação exigem medidas mais firmes e menos condescendentes com a Finança.

Alertou ainda que todos quantos celebram o anunciado fim da era americana e o deslizar do centro de influência mundial para Beijing, Dubai e Moscovo que seria bom que ponderassem bem que o descalabro americano arrastará consigo aqueles novos centros de poder.

Finalizou assumindo que, em sua opinião, a tarefa magna do próximo presidente norte-americano seria a de conseguir o milagre de convencer cada cidadão que é necessário recuperar o espírito comunitário, de ajuda ao próximo, de se sacrificar pela família, pela Nação como forças essenciais.

Já por aqui temos aflorado algumas destas ideias, e alguns dos nossos comentadores habituais o têm feito nos seus espaços, mas garanto-vos que foi um prazer ouvir o mesmo dito quase ao mesmo tempo por Medina e Zbignew.
Especialmente porque disseram verdades e não o que o politicamente correcto impõe!

18 comentarios:

joshua disse...

Não sei o que falta ainda acontecer de demonstrativo, tipo final argument, para que nós, Medina, Zbignew, joshua, Tarantino and Friends, que andamos a clamar a mesma coisa há tanto tempo, possamos ver respeitado o tecido inconsútil social como centro sério das políticas, só ele desenvolvimentista, só ele capaz do verdadeiro crescimento económico porque também social.

Em vez disso, sobreleva o patético das soluções fáceis e vistosas de duvidoso efeito, mas de impacto lustroso, e o regime de favorecimento perpétuo dos G10, os dez por cento mais ricos, modelo que não leva a nada de bom.

pedro oliveira disse...

"recuperar o espírito comunitário, de ajuda ao próximo, de se sacrificar pela família, pela Nação como forças essenciais."

Esta devia ser a visão de quem governa qualquer país.
Infelizmente estamos em sentido contrário.

PO
vilaforte

António de Almeida disse...

Não tive oportunidade de ver Zbigniew Brzezinski, mas retardei a saída porque estava deliciado a ouvir Medina Carreira, pessoa cujo diagnóstico respeito sempre, até por concordar com ele. A questão será a terapia, também eu discordo da aposta no TGV, no novo aeroporto, investimentos que não trazem desenvolvimento nem aumento de produtividade, apenas aumentam mesmo a despesa pública. Outra grande verdade do professor é que um dia teremos de encarar o facto do modelo social ser insustentável, não é mais possível aumentar impostos, embora o problema tenha de ser enfrentado como um todo, saúde, educação, afirmando o que queremos prosseguir e o que pretendemos alterar. Outra grande verdade é a necessidade de alterar o sistema político, como tenho afirmado inumeras vezes, a solução passaria por criar circulos uninominais procurando conferir maior legitimidade e autonomia ao político, e menos carreirismo partidário, no actual modelo impera o seguidismo para se ser incluido nas listas da próxima eleição. Brilhante Medina Carreira.

joshua disse...

Estou em acordo completo aqui com o António.

Peter disse...

Não ouvi. O meu inglês não me permitiria, pois é mais de compreender o escrito do que o falado.
Quanto à escola como creche, ou depósito de meninos e menos meninos, é um facto que se agravou depois do 25/04/94. O porquê? Ainda não meditei sobre o assunto.
Por outro lado o meu dia é demasiado curto e não tenho tempo de ver TV.
No que respeita ao Zbignew, de quem nunca gostei, talvez por ser de ascendência alemã, o remédio para os EUA tem perfeita aplicação em Portugal.
"Não é apenas a política de rapina sobre o petróleo que está na base desta crise. Esta é a ideologia produzida por uma cultura que elegeu o consumismo e o prazer como a fonte essencial da felicidade, cultura que as políticas financeiras dos Estados Unidos agravaram."

Ferreira-Pinto disse...

JOSHUA acho que todos estamos de acordo, podemos é ter divergências pontuais ou sobre vias a percorrer para chegar aos mesmos objectivos.

Por isso é que TU, EU, o ANTÓNIO, o Zbignew, o Medina e outros devemos falar, falar, falar ... pode ser que o clamor um dia acorde outros!

ANTÓNIO DE ALMEIDA, Zbigniew foi notável na objectividade, assertividade e na minúcia da velha raposa!

Em matéria de obras públicas, penso que o novo aeroporto se pode justifcar de "per si". Obviamente que é um investimento avultado, mas não é por ali que o gato vai às filhoses como se costuma dizer.

Será sempre mais pelo TGV, pela rede rodoviária em que se insiste nas grandes vias e se desmantela paulatinamente a rede secundária, nas concessões e por aí.

O modelo social é insustentável tal como está, mas exige, como diz, que se encare tudo como um todo.
Não se pode desmantelar o modelo sem se saber para onde se caminha. E, na minha humilde opinião, é o que presentemente se está a fazer.

No resto, de acordo.

Carol disse...

Admiro Medina Carreira pelo facto de ser frontal e dizer grandes verdades sem anestesias. Não tive oportunidade de ver o dito programa, mas vi-o há uns meses na SIC e ouvi-o num programa de rádio. Não me desiludiu e, sinceramente, lamento que não haja mais gente assim no nosso país e no mundo.

Joaninha disse...

O Medina Carreira não tem medo nem agenda (e tem um cerebro funcional, coisa que muitos politicos não têm)por isso fala a verdade crua e dura, tal como os Antónios, os Ferreiras Pintos e os Joshuas. Concorde-se ou não vale sempre a pena ouvi-lo.

beijos

Manuel Rocha disse...

Peço liceça ao Pedro Oliveira para comentar a partir da sua intervenção porque ela me parece paradigmática da propensão reinante para inverter o ónus da iniciativa.
Ora as mudanças qualitativas que o texto bem refere passam por uma capacidade de envolvimento da sociedade civil que no contexto constitucional em que vivemos não dependem de governos. Claro que estes as podem enquadrar e potenciar. Mas a realidade é que não as proibem, ao contrário do que, por exemplo, acontecia no antigo regime quando a liberdade de associação estava fortemente condicionada.

o que me vier à real gana disse...

Caro ferreira pinto, tive a sorte de ainda apanhar um pouquinho da entrevista a Medina Carreira. Só ouvi a parte em que disparou em todas as direcções do espectro comunicacional por antena, cabo ou papel: desinformam e criam espectáculo, é verdade. Foi, ao seu estilo, um tanto "arrogante"... sim meti aspas, pq aquele tipo de arrogância, por imenso saber e trabalho sustentado, já será um sub-tipo... menos grave, relacionalmente. Assim o saibamos entender!
Quanto à entrevista na BBC, pois não vi.
Se aquilo k aqui refere quanto à Educação são citações do sr.Medina, os meus parabéns a ele, e a si k o veicula. Estou por dentro do assunto, pois dou (ok., vendo) aulas. É, na maioria td treta, o que a d. Lurdes tem andado a fazer. Se a escolaridade obrigatória passar mesmo a ser até ao 12º, então... é o descalabro. Notem: os professores são mesmo obrigados a passar os alunos dentro da escolaridade obrigatória. Ninguém nos aponta uma pistola, mas... Estatísticas, estes desgovernos têm trabalhado para essa bela ferramenta!
Ferreira Pinto, infelizmente muitos pais ainda vêem a Escola como depósito para crianças e jovens, sim!
P.S. tenho para mim que a "coisa" ganharia se em vez do ministério em causa ser designado "... da Educação", fosse designado "... do Ensino". As designação encerram valores e substância,logo são importantes. A Educação deve partir de cas, os professores, quando muito, podem coadjuvar nessa tarefa. A sua missão é emsinar competências científicas da sua área.

Abraço

Se tiver um bocadito, gostaria k comentasse o novo post. Trata-se de algo para desanuviar.

lusitano disse...

Medina Carreira é um homem "desassombrado" e que nada deve ao poder, sobretudo a este poder.

É um homem honesto, frontal que roça quase a emoção tão tipica dos portugueses.

Indigna-se, mas não cala a indignação e denuncia sem medo e com competência reconhecida o atoleiro em que vamos caindo.

Tenho para mim, que não percebo nada de economia, que os gastos nas obras mencionadas são uma espécie de "fuga para a frente" e muito provavelmente compromissos assumidos com "outros poderes", como o económico.

Continuemos a falar, porque um dia talvez sejamos mais do que aqueles que se calam.


O resto sobre a sociedade que estamos a "construir" já aqui se disse muito e espero que se continue a dizer.

Abraço.

O Guardião disse...

Espírito comunitário e participação cívica não têm sido os valores que a sociedade tem estimulado e premiado, muito pelo contrário, até porque são incómodos que qualquer político medíocre e enfeudado por poderes económicos não deseja enfrentar. Por norma tem-se estimulado o individualismo e a ganância, mantendo-se assim uma massa acéfala de cidadãos que se guerreiam entre si por ninharias e não se debruçam sobre os problemas que a todos afectam. Dividir para reinar, este tem sido o mote, que apesar de velhinho tem resultado.
Cumps

Tiago R Cardoso disse...

o que faz um inculto com a televisão avariada e sem querer outra nova ?

portanto não vi nenhum dos dois, por isso destaco :

"é necessário recuperar o espírito comunitário, de ajuda ao próximo, de se sacrificar pela família, pela Nação como forças essenciais."

Muito bem, chega do "eu" egoísta e comecemos o "eu" para o mundo.

(vou pedalar um pouco, de volta de uma feijoada.)

João Castanhinha disse...

O meu unico problema com Medina Carreira é que depois de ouvi-lo apetece-me sempre enfiar um tiro na cabeça, é demais para mim tanto negativismo, a escorrência em catadupa dos problemas bons e maus do paìs, do mundo, do universo, já dei para aí, não aguento ouvi-lo e aqui OBVIAMENTE não ponho em questão a sua classe intelectual.

Lamento.

Infelizmente não ouvi a entrevista na BBC, o que tambem lamento, tive no entanto o prazer de ver o Clinton (O Grande)no Daily Show, e como é bom saber que alguem existe neste mundo com soluções concretas para os problemas...sem lamurias!

(isto de estar sempre do contra qualquer dia "lixam-me":)

Aquele Abraço

Daniela Major disse...

Só vi o primeiro e gostei. Medina é polémico e controverso. Mas tal como disse: fala linguagem de gente. E isso está a faltar cada vez mais hoje em dia!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Não vi o Medina Carreira e devo confessar que considero que a maioria das vezes diz disparates e fala para a plateia.
Ele já esteve no Governo e a sua actuaçõ não deixou saudades.
Quanto às Novas Oportunidades,confesso que tinha a mesma opinião. Acontece, porém, que por dever de ofício tive que fazr várias reportagens em CNO's e CFP's e fiquei extremamente agradado com o que vi, mudando a minha opinião inicial. Principalmente quando comparados com os antigos cursos de Educação de Adultos, cuja experiência acompanhei muito de perto, registo que as Novas Oportunidades representam um salto qualitativo a vários níveis.
Abraço

André Couto disse...

Medina Carreira encontra-se entre os poucos cuja opinião bebo afoitamente. É um homem de convicções que as transmite com uma crueza que só lhe fica bem. Faz sempre falta quem diga a verdade sem rodeios e sem receios.
Faz afirmações graves, daquelas consideradas bombásticas e polémicas, mas nunca o vi desmentido ou com processos por difamação. Por alguma razão será.
Lamentavelmente não assisti ao programa que refere mas tenho pena.
Relativamente às grandes obras públicas tenho a opinião de que são, nesta altura, perfeitamente escusadas.
Não precisamos de nenhum novo aeroporto. Precisamos que o que temos na capital funcione convenientemente. Não tenho dúvidas que isso se consegue com uma pequena fracção do dinheiro que à rua querem atirar.
Não precisamos de TGV nenhum. Não temos tamanho, carteira nem necessidade de alta velocidade. É um custo demasiado elevado para o número esperado de passageiros. Um investimento que nunca se irá pagar a si mesmo. Precisamos de voltar a apostar em modernizar o sistema ferroviário nacional. Resolve o problema e, não tenho dúvidas também só custa uma fracção do dinheiro que querem atirar pela janela.
Dispender do montante que todos vamos ouvindo falar para obras que não são necessárias só pode ser da iniciativa de lobotomizados. Ou então, à portuguesa, porventura gente com interesses obscuros.
Mais uma vez quem se lixa somos nós.
Saudações.

Adoa disse...

Lembro-me de ouvir uma professora (de um curso profissional que fiz) dizer que se tivesse de mandar um aluno para a rua, tinha de justificar o porque... Nao era o aluno que tinha de dar explicacoes... E se um aluno reprovasse por faltas, estas seriam retiradas passado pouco porque a outra escola em que ela leccionava precisava dos alunos para poder continuar a receber os fundos europeus...

POr outro lado, mais tarde fiz um curso de novas oportunidades... oportunidades só para os "profs." que leccionavam lá (embora alguns (poucos) fossem legítimos)... aquilo nao serve para absloutamente nada... só para constatarmos que precisamos de saber muito mais do que aquilo e que é uma autentica palhacada...