Só a ministra que dizeis sinistra é culpada?

Tendo lido ESTA DIATRIBE, deu-me para pensar se realmente a fonte de todos os males da nossa Educação se chama Maria de Lurdes Rodrigues?
A avaliar pelos “talking heads” da nossa Comunicação Social, aparentemente é.
A avaliar pelos ditos autores de referência na blogosfera, aparentemente é.
A avaliar pelas sempre ortodoxas e assertivas opiniões do Mário Nogueira, é!
Permito-me, discordar.

Concedo que algumas medidas têm sido disparatadas, que podia e devia ter-se rodeado de uma melhor equipa de colaboradores no Ministério e nas Direcções-Regionais, que nem sempre consegue passar a mensagem e acertar nas medidas, mas agora fazerem de Maria de Lurdes Rodrigues o Belzebu, o único Demo da Educação?

Eu bem sei que a memória do povo é curta e volátil, mas lembram-se a quem mostraram alguns estudantes as "nalgas" numa manifestação?
Vá, puxem pela memória … lembram-se ali dos rabinhos à mostra?

A verdade é que a Educação em Portugal não existe. De há largos anos a esta parte.
Tirando os sacrossantos direitos dos professores e os sacrossantos direitos dos alunos, não há mais nada.
Durante anos, os docentes conviveram bem com escaladas supersónicas na carreira de todo e qualquer gato-pingado ...
Durante anos, muitos eram docentes e explicadores dos seus alunos ...
Durante anos alguns vendiam aulas numa escola pública e numa privada ...
Durante anos alguns passaram anos requisitados sem se saber para quê ...
Durante anos, enquanto rolou o marfim, eles quiseram lá saber da escola, dos alunos, das disciplinas ... o que interessava era a progressão e a aposentação!

Havia protestos? Dos bons docentes?
Sim, mas em quase silêncio sob pena de lhes caírem em cima!

Os alunos, esses, desde que no fim do ano passem, tudo bem.
Têm-se ouvido coisas espantosas ao longo dos anos a propósito dos seus protestos … sendo certamente o mais original que ouvi quanto às aulas de substituição que isso impedia o convívio! Ah, pois …
Mexer-lhes nesse direito da passagem é garantia de cair o Carmo e a Trindade.
E no do convívio, então nem se fala!

Quando a esta mixórdia se juntaram ao longo dos anos uma escola inclusiva, as Escolas Básicas Integradas, as C+S, as E.B2,3, mais as experiências do cria curso, acaba curso, funde disciplina, cria disciplina, junta cursos profissionais e as NOVAS OPORTUNIDADES (aquelas onde a balda impera, embora reconheça que existem honrosas excepções), então, aí sim, temos o caldeirão.

O escrito da Daniela (uma autora que vale a pena espreitar!) corresponde ao exercício legítimo do direito de opinião. E é um contributo.
Mas apodar a avaliação dos professores de “paneleirice”? Qual delas? Esta ou todas?
E a ministra vê os alunos como “selvagens”? Nunca a ouvi dizer isso, mas já ouvi profesores a afirmarem-no!
E os horários mal feitos são só culpa da ministra?
E, por exemplo, porque nada disse quanto ao comportamento da FENPROF para quem o que ontem era verdade, hoje é mentira?

16 comentarios:

Pequito Romero disse...

O semanário SOL dava conta, na sua edição electrónica da passada segunda-feira, que “começou a circular, este fim-de-semana, uma mensagem que dá conta da possibilidade de juntar sindicatos e movimentos cívicos de docentes numa manifestação em Lisboa no dia 8 de Novembro, deixando a data de 15 – marcada inicialmente pelos movimentos – para protestos regionais.

Mas o movimento Promova garante que a mensagem é falsa e que não passa de um «truque desonesto».

No sms, que já chegou aos telemóveis de muitos professores, pode ler-se: «Atenção! Aos colegas que estão a contactar aluguer de autocarros para dia 15 deverão esperar, pois estão a decorrer contactos entre movimentos e Plataforma [sindical] no sentido de se fazer uma grande manifestação dia 8 em Lisboa e dia 15 por todas as capitais de distrito».

«Infelizmente para a desejável unidade dos professores, não é verdade que decorram quaisquer contactos entre os movimentos e a plataforma» , garante Octávio Gonçalves, dirigente do Promova.

Gonçalves garante mesmo que a manifestação agendada pelos movimentos cívicos para o dia 15 de Novembro, em Lisboa, está a registar «uma mobilização nunca vista», já que um pouco por todo o país há «situações em que o número de professores inscritos, em cada escola, já supera a lotação de um autocarro».

Sem se referir directamente aos sindicatos, o dirigente do Promova deixa um recado para quem procura «desenterrar métodos de actuação do passado, incorrendo na desinformação como forma de desmobilização», assegurando que os «professores não são ingénuos, estão bem informados e, como tal, não caem em truques desonestos que apenas desqualificam quem os concebe e os dissemina».

Em comunicado, o Promova diz, contudo, ser desejável que os sindicatos se associem à manifestação de dia 15 contra «a divisão arbitrária e injusta dos professores entre titulares e não titulares, e este modelo de avaliação do desempenho, na sua matriz burocrática, persecutória, inútil e absurda», mas acrescenta que «a opção é deles».

A tensão entre sindicatos e movimentos de professores tem vindo a crescer na última semana, com trocas de acusações entre os dirigentes destas associações. Enquanto Mário Nogueira, da Federação Nacional de Professores (Fenprof) acusa a manifestação de dia 15 de ser «anti-sindical» e de «servir os interesses do Ministério da Educação»; Mário Machaqueiro da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino (APEDE) lamenta que «os sindicatos tenham marcado depois uma manifestação para uma data anterior [dia 8 de Novembro]»”.


Deixo este nota porque também gostava de ver o que há a dizer da actuação dos sindicatos e das suas responsabilidades no estado actual da Educação.

E do branqueamento de muito que fazem. Desta luta e destas medidas dignas de um manual de terrorismo político não tenho visto em quase todos os blogues onde são todos muito ácidos e corrosivos com a ministra da Educação, nenhum pio!

pedro oliveira disse...

O ministro na altura dos "rabos" era o couto dos Santos e apartir ficámos conhecidos pela geração Rasca.
Quanto ao resto também faço a mesma pergunta, a culpa é toda da Ministra? Claro que não. E o caro amigo explica bem porque não.

PO
vilaforte

Peter disse...

São todos culpados. Eu excluo-me pois sempre frequentei, como os meus filhos e os meus netos, o Ensino Oficial. O meu neto mais novo, depois de uma experiência falhada no Particular, lá está no Oficial.

A minha filha, que é profª do Secundário, faz-me queixas e com razão, de toda uma burocracia que a sufoca e que lhe tira todo o tempo, dificultando a preparação das aulas e em prejuízo da assistência familiar. Aqui a ministra é culpada.

Continua a confundir-se liberdade com libertinagem. Os paizinhos continuam a entrar pelas salas a dentro e a agredir os profs. Os alunos que já lá estão dentro fazem o mesmo, perante a passividade forçada a que os profs são obrigados, sob pena de prejuízos na carreira docente.

Já andei pelo ensino, como "amador", nas horas extra. Hoje, nem que me pagassem o triplo, para lá voltava.

Possivelmente havia mais a dizer, mas fico por aqui.

lusitano disse...

«A verdade é que a Educação em Portugal não existe.»

Esta frase do texto resume tudo e como tal também responde à pergunta se a ministra é a única culpada.

Logicamente não é, e aqui é verdadeiramente real o discurso que os governos tanto gostam de fazer, ou seja, que a culpa vem do passado!

Vem sim senhora, mas também é culpa dos próprios que nada fazem para mudar as coisas, e apenas arranjam paliativos ocasionais em vez de "pegarem o boi pelos cornos".

Como diz o Peter, «liberdade não é libertinagem" e onde é que já se viu estudar-se e não ter exames, ou seja, viver-se para as estatisticas.

Pobres gerações que aí vêm e vão apanhar com esta coisa que de educação nada tem.

António de Almeida disse...

-Tal como afirmei no post da Daniela, repito-o aqui, a culpa dos males da educação está longe de ter um rosto único. Em 34 anos, se não tivemos já 30 ministros no sector, andou lá perto. Maria de Lurdes gerou expectativas ás quais também não correspondeu, porque o sistema de ensino em Portugal está à partida viciado. Do lado dos professores, um pouco à semelhança de toda a função pública, não se podem premiar os melhores, progride-se na carreira por antiguidade, os direitos adquiridos herdados da abrilada. (Para as mentes mais incomodadas, não sou um saudosista, a liberdade é para mim um valor supremo, jamais pactuaria com o tacanho que governou o rebanho cá no rectângulo) Do lado dos alunos, a treta da escola inclusiva, que obriga até atrasados mentais a passarem de ano. E coragem política para mudar? Aqui é que estou contra o actual governo, propagou-se uma vontade de mudança que recolheu a minha simpatia inicial, mas a educação, tal como tinha sucedido na saúde, ficou-se por um nim, uma avaliação que não é coisa alguma. Maria de Lurdes é tão culpada quanto todos os outros, nem mais, nem menos.

Carol disse...

Não há dúvidas e, como alguns saberão, sou professora: a culpa não é só da Ministra!

Como dizes, e muito bem, não há educação em Portugal. Não há, porque o seu primeiro alicerce é construido em casa e, cada vez mais, os pais demitem-se dessa função. E, como os pais, toda a sociedade!

Não há, também, porque os professores são culpados. Querem eles uma avaliação para os alunos, mas para si nem esta nem nenhuma!

E dizem, agora, que se enveredou pela via do facilitismo com o intuito de fazer figura nas estatísticas. E, eu pergunto, isso vem de agora? Não, meus amigos. Caiu-se no facilitismo há uns anos valentes e nunca ninguém (professores, sindicatos, movimentos cívicos) se importou com isso!

Li o post da Daniela. Ela queixava-se da existência de disciplinas que não têm razão de ser. Não foi a dita Ministra que as criou.
Queixava-se que os horários são desajustados. São as escolas que os fazem e, muitas vezes, obedecendo às vontades dos professores efectivos.
Dizia que a Ministra chamava selvagens aos alunos. Nunca tal lhe ouvi! A minha geração foi apelidada de geração rasca e ainda aqui andamos!
Dizia ela que a avaliação dos professores é uma paneleirice. Mas gosta de ter bons professores e queixa-se quando eles não ensinam nada, certo?

Sejamos justos. Sejamos sérios. Sejamos correctos e não facciosos. A Ministra desiludiu? Talvez. Ela é a única responsável ou a maior responsável que se vive no ensino? De maneira nenhuma!

Ferreira-Pinto disse...

É sintomático que se centrem as acusações e os vitupérios num rosto, passando-se olimpicamente ao lado de questões que não tão laterais quanto isso.

E passa-se ao lado de algumas interrogações.

Por exemplo, qual é o receio das pessoas em discutirem abertamente o verdadeiro papel da FENPROF, especialmente desta, no estado calamitoso da Educação?

Ou o dos pais que comodamente despejam os filhos na Escola e depois deixam andar?
Já agora, as agressões dos pais aos professores sºao tratadas no foro criminal e por quem de direito. Penso eu, pois até tiveram anúncio de prioridade por parte da Procuradoria-Geral da República.

Mas, pergunto eu, sabem que a célebre rábula do telemóvel deu direito a baixa prolongada (que às tantas ainda se mantem) da docente?
Mas aquilo fragiliza assim tanto um docente?

Maria de Lurdes Rodrigues teve entradas de leão e ameaça ter saídas de sendeiro, mas há que ser honesto nalgumas coisas.

Estou a gostar dos comentários, mas aguardo pelo final do dia. Depois farei umas contas e se calhar chegarei à conclusão que, como o escrito não seguia a corrente, não era "mainstream", não motivou!

Carol disse...

Pois é, FERREIRA, sabes que dar a mão à palmatória, reconhecer que se está errado ou procurar contra-argumentar com base em dados concretos dá um bocadinho de trabalho...

Carol disse...

E, mais uma acha para a fogueira, porque é que os sindicatos só se dignam a representar os professores que estão colocados?

Blondewithaphd disse...

Hihihi por onde te foste meter...

Adoa disse...

Já reparaste que selvagens somos todos um pouco?
Todos nós em certo ponto dasnossas vidas seguimos por caminhos fáceis... a copiar... a deixar os estudos delado porque tínhamos outras coisas para fazer... a faltar aos testes porque nao estudamos... e termos mais tempo para fazer o teste mais tarde porque contamos uma "pequena" mentira aos profs... conheco essas artimanhas todas (atencao que nao estou a dizer queas usei!!!)

Mas tive uma colega que antes dos teste perguntava aos profs como íam ser os ditos teste... perguntava quantas perguntas íam ter... sobre o que era a primeira pergunta... a segunda pergunta...

Ela "estudava muito"... Uma das profs uma vez disse na aula que era impressionante como ela decorava os textosdos livros... era tudo tal qual...

Ela formou-se em arquitectura e dá aulas numa universidade...

Os meus colegas da altura formaram-se em arquitectura com ela e num jantar há uns anos atrás estavam a comentar queuma vezela apresentou um trabalho na faculdade que era de outra pessoa de outro ano...

Todos sabiam de tudo.
Nao achas chocante?

Eu fiquei parva quando soube de tudo!

Aculpa nao é só dos ministros e dos profs... é em grande parte dos alunos e dos seus pais que os ensinam a fazer este tipo de falcatruas.

Carol disse...

Grande verdade, ADOA!

Tiago R Cardoso disse...

Não gosto da Ministra, não gosto de sindicatos.

Este sistema precisa de um inimigo e esse já este governo decidiu, são os professores.

Assim vão mantendo o povo ocupado e avançando com ataques atrás de ataques ao sistema de ensino.

Nuns locais cortam-se professores, noutros locais fazem-se manifestações de alunos porque não existem.

Um sistema triste, carregado de bodes expiatórios.

Zé Povinho disse...

Os problemas com a Educação começaram à muito, ainda no tempo do Veiga Simão (se é que ainda há memória), e prolongaram-se até aos nosso dias. Eu que até gosto de mudanças, sempre me admirei com as reformas educativas que se sucedem sem nunca se fazer um balanço do que correu mal nas anteriores. Sobre isto pouco se fala, menos ainda se reflecte como se isto significasse evolução, o que é errado. Bons e maus professores, sempre houve, hoje talvez seja mais notório porque há mais e a rotação, especialmente no ensino obrigatório, é estupidamente enorme com mais desvantagens do que vantagens.
A falta de estabilidade no trabalho e nos programas não me parece que seja o melhor caminho para melhorar o ensino, e isto é uma opção política.
Sobre as avaliações não me pronuncio aqui, porque dá pano para mangas, como a acção sindical e outras lutas políticas que encontram algum eco na classe dos professores, e que eles conhecerão melhor do que eu, que estou muito longe do sector.
Abraço do Zé

joshua disse...

Caro Ferreira-Pinto Tarantino, compreendo que tenhas uma visão que busca um certo equilíbrio de juízos sobre a actuação da Ministra, ao justamente arrolar para o terreiro das responsabilidades um conjunto de imoralidades e traições ao rigor e ao mérito puros, por muitos anos praticados, por elementos da classe docente, para além do papel em quantas coisas conivente com o caos e perturbador que os pais, estruturados ou não em associações, vêm patrocinando dado o seu perfil por vezes de contrapoder e dissolução dos valores fundamentais da cidadania, entre os quais o respeito, o comedimento, a capacidade de ouvir e aceitar opiniões divergentes das suas.

Mas é como te digo. Num momento em que desdemonizas a Ministra, ápice de toda uma política penalizadoramente revolucionária, compreessiva do múnus originário do docente, para lhe dares a ela o estatuto de par inter pares e não de prima inter pares, a realidade mostra que o desequilíbro já está no terreno, isto é, as lógicas de força actuais provam à saciedade que é o Ministério quem dá todas as cartas e que por isso mesmo tem maiores responsabilidades que os demais agentes.

Atomista e disperso, o movimento de professores parte tarde de mais para uma reacção concertada e orgânica porque só o faz já depois de bem dividido no seu cerne.

Serve isto para dizer que se o poder serve para alguma coisa não deveria servir para o ajuste de contas brutal com a classe que esta legislatura tem patrocinado com a máxima celeridade e ferocidade. O argumento da força serviu apenas, como me reforçou uma amiga militante do PS mas muito crítica de este Ministério, para destruir [e indirectamente destituir] do Ensino gente calaceira e desviada do escopo essencial da educação, mas para destruir e destituir também e perigosamente gente de trabalho e saber, de qualidades humanas transmissíveis e exemplificáveis, que tinha consolidadas todas as experiências benéficas que permitem O Futuro e que simplesmente não são maquiavélicas nem desalmadas o suficiente para tolerarem este regime de vigilância opressiva e grosseira instaurado em qualquer quadrante do sistema educativo, passível de operar quantas mal-feitorias há.

A história do professor pífio que narras lá na outra caixa é exemplar na sem-vergonha e dizes bem que nada disto foi afrontado por quem de direito, o que não se admite. Agora pensa que, aliado à não resolução e punição de esse tipo de despudor temos o encorajamento da debandada prematura do Ensino de seres humanos demasiado valiosos na mediação dos saberes e dos afectos para se deixarem reduzir ao estatuto de burocratas arredados dos seus alunos e enredados na mais ridícula burocracia.

É aí que falha todo este processo. Provavelmente, se dentro de tanta força para mudar e revolucionar culturalmente a Escola os professores fossem ouvidos e levados em conta em vez de comprimidos por factos consumados, iniciativas legais sem discussão e enriquecimento de contributos, talvez se progredisse lentamente, mas certamente com solidez e sem uma contestação tão massiva e por isso mesmo justificada pois não é possível estar tanta gente completamente errada ao mesmo tempo.

Isto tudo, estes processos sornas do Ministério, podem no fundo resumir-se e ilustrar-se com a tentativa de inclusão no presente OGE de um articulado novo, habilidoso e omisso sobre o financiamento dos partidos que permitiria a circulação de dinheiro vivo e a transformação de património doado e vendido em financiamento partidário. Se a coisa passasse, passava sem ser notada. Se não passasse sem ser notada, recuar-se-ia e corrigir-se-ia o 'erro'. Por outras palavras, roça-se por demais o mafioso e o habilidoso em coisas muito sérias o que nos merece um repúdio profundo. Isto não são formas de proceder dentro de uma democracia moderna. Uma democracia moderna acolhe contributos venham eles de onde vierem porque são racionais, benéficos. O modo de os partidos políticos se digladiarem em Portugal é profundamente reles e anacrónico, nada construtivo, nada recomendável e representou atraso após atraso.

Enfim, ao contrário de ti e de quem, como tu, possa ter o dom de elencar o rosário de responsabilidades e erros em todas as partes na Educação em Portugal, atribuo ao voluntarismo unilateralista da política de este Governo, incorporado por Maria de Lurdes Rodrigues, o grosso das responsabilidades pelo facto de este processo não se ter transformado em algo de transversal, consensual, trabalhado, querido e negociado amplamente, mas não passar de um arrazoado de mudanças trapalhonas, atabalhoadas, trucidatórias das pessoas concretas no terreno, desperdiçadoras da água suja do banho, do sabão do banho, do menino do banho, e da banheira de plástico do menino do banho. Foi tudo para o caralho, infelizmente. Eu também fui para o caralho porque há doze, como outros há vinte e cinco anos no sistema da precaridade, sem qualquer necessidade somos colocados por um mês a substituir colegas grávidos e em escolas, e isto é que é absurdo e naturalmenet maquiavélico, que disponibilizam posteriormente horários reduzidos após horários reduzidos a sucessivos professores provisórios sucessivamente ali colocados no mesmo Grupo e que vão igualmente ali padecer a mesma humilhação provisória de apascentarem horários de doze, quinze horas. Com isto logra este inépto ministério de humilhar de uma só cajadada três professores que desaparecem das ementas restritivas do Institutos do Emprego e da Segurança Social, em vez de promoverem estabilidade e trabalho a um ser humano. Este paradigma é inteligente para os números, mas estúpido para a gestão dos activos humanos.

Só para te dar dois exemplos vividos de perto: tenho, além das mortes noticiadas nos Media durante o passado ano lectivo devido a zelo excessivo das Juntas Médicas, a notícia de muitos problemas equivalentes e de outras mortes em docentes que acomodaram um estresse incomportável ao perceberem o agudizar de uma pressão multilateral na Escola. Chocou-me a narrativa de um docente que teve um AVC e morreu a caminho do trabalho.

Tarantino, a Escola social, humana e laboralmente nunca foi tão inóspita e tão estupidificada. Vale a liberdade espiritual e cultural e a liderança decente que muitos professores imprimem nas suas aulas.

Não sei o que ganha o Ministério em trazer em terror e em sofrimento moral gente tão humana e passível de erro como todos os demais e que se sente injustiçada por grosso.

Ferreira-Pinto disse...

JOSHUA, meu caro, da maneira que colocas as coisas, tens razão em muita delas.

E trazes à colação outras bem importantes.
Se reparares, eu não desresponsabilizo Maria de Lurdes Rodrigues, apenas quis perguntar (e pelos vistos com fracos resultados tal a parcimónia de comentários que isto motivou, especialmente daqueles que, contrariamente a ti, são profissionais de deitar abaixo por deitar abaixo) se não havia mais quem?

Obviamente que as responsabilidades maiores cabem, por inteiro, a quem manda, mas que diabo ...
Lamento verdadeiramente que a ousadia dela tenha sido completamente obtusa e estupidificada pela massificação, aliás coisa em que este Governo é pródigo!

Toma a árvore pela floresta e quem quiser que se desunhe!
Tivessem eles mandado para fora do sistema as nulidades e os parasitas e, quem sabe, tu não estarias na rua.
Mas não. Optaram por bater a torto e a eito. Parecem os tipos da polícia de choque.

Cmo bem sabes, não gosto é de ver moralistas armados em paladinos dos fracos mas que no fundo só andam ou a armar a confusão ou a zelar pelos próprios interesses!

Venham daí esses ossos, meu caro ... pois entre nós não há Mria de Lurdes Rodrigues que se interponha. Uma "Eugénio de Almeida" vá que não vá ...