Ideias tontas sobre violência doméstica!

Recordo-me que nos meus tempos de gandulo tínhamos sempre um alfobre generoso de anedotas. Pícaras algumas, poucas de truz e a generalidade abaixo de cão.
Recordo ainda o colega com mais jeito tinha para embelezar qualquer uma, fazendo-as parecer melhores que uma prédica do Padre António Vieira.

Um dos ditos que recordei, enquanto lia os títulos dos jornais, prendia-se com a historieta que o então adolescente apresentava sobre os perigos de um tipo se casar com uma agente da autoridade.
Segundo ele, o meu colega, note-se, um matrimónio desses era jejum garantido pois é certo e sabido que fornicar (dispenso o vernáculo) a autoridade traz más consequências!

Eu não sei se este colega, hoje um magistrado certamente vestido com um ar grave, ainda conta destas historietas parvas, mas acabo de descobrir que nos tais matrimónios envolvendo agentes da autoridade há uma carga de perigosidade que pensava impossível existir.

Esta semana, que tenha tido conhecimento, houve, pelo menos, dois homicídios perpetrados por agentes da autoridade e onde a vítima era o cônjuge.
Num foi o marido que despachou a mulher, no outro foi a inversa. Em ambos, eram agentes da PSP e as desavenças resolveram-se a tiro!

Já basta haver por aí não sei quantos casamentos em que, entre sapatadas e bolachadas, há sempre um que ou vai parar ao hospital ou à porta do vizinho a gritar por socorro... não é preciso que os agentes da autoridade despachem assuntos matrimoniais de forma lesta … dois tiros e já está!

Obviamente que a profissão nada tem a ver, mas de um polícia exige-se calma e ponderação, não? Redobrada, de preferência!
Melhor mesmo, era que a violência doméstica não existisse. Fosse ela física ou psicológica, e fosse quem fosse a vítima. Quanto aos agressores já se sabe que alguns nunca conseguiram passar do estado de calhau ...

Mas como não vos quero maçar, aconselho redobrada cautela no caso inaudito de lá em casa surgir discussão.
Já sabem … o melhor local é debaixo da cama.
E ante as investidas da contraparte furiosa que ordenando “sai imediatamente daí”, apenas pode haver como reacção um sonoro e rotundo: “Não saio, que aqui quem manda sou eu!”.

Post Scriptum – já depois disto escrito, tomei conhecimento que em Inglaterra dois polícias foram apanhados a furtar vinho!!!
Ó meus amigos, furtar vinho num supermercado? E apanhados? Mas que raio de polícia é esta?

16 comentarios:

joshua disse...

Amvam-se, com toda a certeza. Já não se suportavam, o que é natural, matar foi tiro e queda: entre ir preso e ficar vivo a pagar dívidas de cão, um polícia português e cada vez mais cidadãos portugueses não têm dúvidas.

Pior que estas mortes é essa, sim, essa, indiferença conjugal em que muitos vivem, refugiando-se em omnipresentes e omniscientes flirts ridículos na Internet, de preferência com ao mesmo tempo almas gémeas e pérolas da elite Mundial. Isso, sim, é traição da grossa e nem um ou dois tiros resolveriam.

Beware and be wise ou será difícil até tu, que és um santo de um homem, escapares risível das consequências cómicas de teres hilariantemente fodido a/com a autoridade ridícula na brincadeira risonha.

Bom texto.

PALAVROSSAVRVS REX

Zé Povinho disse...

A profissão em nada altera a situação do mau relacionamento dentro do casamento e o repúdio vai por igual para todos os que não sabem ou não conseguem resolver as desavenças de forma cordata.
Abraço do Zé

lusitano disse...

Este assunto, problema da violência doméstica sempre me incomodou e continua a incomodar.

É cruzado por uma panóplia de "sentimentos" por vezes dificeis de explicar, mas que apesar de tudo deve ser radicalmente erradicado.

Um dia em Lisboa, há já uns anos, na rua um "gajo", (porque não era homem logicamente), batia desalmadamente na mulher, que gritava por socorro.
Aproximei-me e agarrei-o e perante a sua reacção tive que lhe acertar uma chapada.
Qual não é o meu espanto quando sou atacado pela mulher, porque eu não tinha nada que me meter no "assunto" do casal.

A verdade é que infelizmente mesmo estas novas leis do divórcio e outras como tais não estão a resolver o problema e a crise ainda vai ajudar muito menos.

É velho ditado: "Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão"!

Abraço

Carol disse...

Meu querido, tu bem sabes que nestas coisas da violência doméstica não há classes sociais, profissões ou raças imunes à coisa. Infelizmente, quando a alguém lhe dá para resolver os problemas ou impor a sua vontade à força, não há , muitas vezes, nada que o impeça.

Não há nada que justifique a escolha dessa via, mas digo-te com muita sinceridade: abençoada a senhora agente, que farta de levar pancada e ser maltratada, resolveu o caso de uma vez por todas dando um ou dois tiros no animal que era o seu marido!

Não saberia ela, melhor do que ninguém, que apresentar queixa contra a besta com quem casara nada resolveria? Pois, se calhar sabia.

P.S.: Com que então, os senhores agentes ingleses andam a gamar sumo de uva nos supermercados?!... Pensava que as autoridades com tendências alcoólicas só existiam em Portugal, mais concretamente na equipa da PJ que investigou o caso Maddie...

Ferreira-Pinto disse...

CAROL essa das autoridades com tendências alcoólicas só estarem concentradas no Allgarve foi coisa reles que os senhores jornalistas ingleses lançaram, esquecendo convenientemente o triste espectáculo que os seus próprios compatriotas (e nem todos são trolhas) dão pelas ruas e bares de Albufeira, por exemplo!

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

Este post fez-me regressar ao tempo em que vivi em Inglaterra, quando um Bobby era extremamente respeitado.
Quanto à violência doméstica, dava pano para mangas... lembra-se de na semana passada, um juiz ter mandado para casa um fulano que tinha espancado a mulher? Quem teve de sair de casa, tolhida de medo, foi ela...

Maria disse...

e na mesma linha de aberração o que dizer desta noticia de ontem: "STJ suspende pena de prisão para militar que violou criança"
O problema da violência domestica, assedio sexual no trabalho e outros “mimos” que afectam quase exclusivamente as mulheres, é que quem recebe a queixa e julga o processo, normalmente é homem (com h muito pequenino, porque graças a Deus estão em minoria – acho eu) .

António de Almeida disse...

-Ora estão a esquecer-se dum pormenor, sendo polícias apostam que as facilidades do novo CPP também os deixa cá fora, pelo menos enquanto a Lei das Armas não for promulgada, e para estes nunca o será. Claro que a violência doméstica é uma praga que deveria ser erradicada, mas tal será dificil enquanto não for um crime socialmente condenado, e ainda não é, pelo menos totalmente.

Compadre Alentejano disse...

Excluindo o facto de serem polícias, o principal é serem casos de violência doméstica.
É de realçar que a violência doméstica impera mais nas camadas socias da alta e média alta.
Quanto ao facto de serem polícias, foi um acaso.

DANTE disse...

Isto é o que se chama 'resolver as coisas de uma forma civilizada com violência' que infelizmente é o que mais se vê hoje em dia , velhos tempos em que se resolviam querelas á 'batatada'. Um olho negro e siga pa casa , hoje segue-se logo p´ro caixão.

Um abraço

DANTE disse...

Ah e não tava a falar de violência doméstica , dispersei.
Isso condeno , um homem bater numa mulher CONDENO!!!

Daniela Major disse...

Policias a roubar? Deviam ser irlandeses de certeza!

Quanto ao post, itself, como é que um gandulo conhece as prédicas do Padre A. Vieira? Deixo a pergunta :D

Quanto a este assunto, tenho uma vizinha que é casada com um policia, e ele bate-lhe. Portanto, já nada me espanta.

Tiago R Cardoso disse...

desesperado ele avançava pela rua, sem reparar aos poucos entro por um beco, caminhou e caminhou ainda mais...

O caminho apertava-se à sua volta, a estrada piorava, tropeçava cada vez mais nos buracos.

A escuridão abateu-se sobre ele, o desespero curto-lhe a alma...

Tudo à sua volta era inimigo, era vilão, era ameaça.

Todo o peso do mundo, que ele julgava carregar, cegou a consciência.

Avançou, destruiu e ao mesmo tempo morreu.

pedro oliveira disse...

Como bem diz um companheiro,esta questão é transversal á sociedade.
Já nem sei se é da educação,da pobreza,do raio que o parta...
o que fazer?
Denunciar já mostrou que pelo menos se fala mais no assunto,mas as estatisticas não param de subir.
PO
vilaforte.blogs.sapo.pt
p.s.obrigado pelas felicitações,que são para todos nós.

Ferreira-Pinto disse...

TIAGO, Padre António Vieira não é certamente, nem Santo Agostinho será ... anda o meu amigo muito falador por parábolas, mas eu, pecador, confesso que aqui e ali as não entendo!

Adoa disse...

Onde vamos parar todos...?
Será que um dia vamos mesmo parar???