Desculpem, mas já não tenho pachorra!

Não ouvi o Presidente da República no seu discurso do 5 de Outubro.
Desculpem, mas já não tenho pachorra!
Já não tenho pachorra para discursos de tantos interventores da política nacional, estejam eles no poder ou na oposição.
Já li, claro, aquilo que o Senhor Presidente disse, e veio confirmar o meu cansaço.

Todos avisam que a coisa está mal, que a crise é grande, que é preciso fazer isto e aquilo, que sabem todos o diagnóstico e todos se arrogam de saber a terapêutica, e eu parafraseando o outro, só posso dizer: "Falam, falam, mas não os vejo a fazer nada!"

O mais interessante é ver aqueles que estão no poder fazerem discursos inflamados sobre a situação de crise, apontando os problemas, avisando os portugueses, afirmando que temos de fazer isto ou aquilo, mas sempre colocando em cima dos ombros dos portugueses o ónus da situação, como se eles conseguissem resolver todos os problemas, mas somos nós, ingratos portugueses, que não deixamos!

E não conseguem (nem em tempo de crise!), colocar a ambição do poder de lado e unirem-se, para todos juntos encontrarem/encontrarmos soluções de compromisso que ajudem o país a sair da “cepa torta” onde o enfiaram.

Gaita, estou farto de avisos, de conselhos, de diagnósticos!
Comecem mas é fazer o que é preciso para nos precavermos, (se é que ainda é possível tomar algumas medidas de prevenção), para que não aconteça que daqui a uns dias venham com os seus ares seráficos, incomodados, ofendidos, dizer mais uma vez: "Nós avisámos, nós avisámos!", como se os governados é que tivessem a culpa de os políticos governantes e os políticos da oposição não terem encontrado e tomado as medidas necessárias para evitar o colapso.

Reúnam-se, concordem, unam-se, encontrem a “cura” para a “doença da crise”, ou pelo menos para amenizar as “dores” da falta de “saúde da economia”, porque se o fizerem de boa fé e com vontade de servir, os portugueses não deixarão de se empenhar, de apoiar e ajudar a construir um futuro melhor.

É que nós não temos as condições económicas de uma Alemanha, de uma França ou de uma América, e quando os portugueses, (o que espero bem não aconteça), virem as suas parcas poupanças delapidadas, gastas, irrecuperáveis, cuidem-se senhores políticos, porque o “pessoal” vai enchendo ... mas há um dia em que “salta o pipo”!
Já sei, já sei ... sou um "sonhador"!!!

15 comentarios:

Ferreira-Pinto disse...

Eu adoro ver os diagnósticos bem delineados e bem pensados dos tipos que alegremente de quatro em quatro anos vamos elegendo ... e adoraria ver como invariavelmente se espalham não fosse dar-se o caso de ser sempre com um enorme fardo a sobrar para nós, os simples "tugas"!

Alexandre Nunes disse...

Bastava ter escrito - "Falam, falam, mas não os vejo a fazer nada".
Eu também já estou cansado de os ouvir, de verificar o modo como escolhem as palavras, por forma a que possa ser interpretadas de várias formas, para que fique sempre no ar um outro significado... não acredito que eles pensem em nós, no nosso bem estar.

salvoconduto disse...

Falam tanto, tanto que eu quase fico sem pio...

DANTE disse...

Já li numa parede qualquer em lx que 'desta vez não vai haver cravos'
Ou seja , lá vão os 'cavalos' ficar descalços outra vez...

joshua disse...

Parece que estamos em perfeita sintonia no tema tratado e nas conclusões. Perfeita.

Agora não é matéria de sonho teu, Lusitano, que mais tarde ou mais cedo as pessoas se fartem de ser apascentadas como cordeiros sem dono.

É da lei da gravidade que quem geriu Portugal, progegendo os egoísmos de quem era forte, reforçando-os, exclusivificando-os, veja um dia um grande basta a rasgar de protesto e inconformismo as ruas e as avenidas. Não é de excluir que esses dias tremendos estejam próximos. Quando o meu emprego é assediado pelo Poder e fragilizado pelo Poder e vai e vem como as nádegas nuas em movimento laborioso dum Casanova, está na hora de estourar com isto porque a mente de um homem normal não resiste a tanto desgaste, tanta periclitância, tanta precaridade. Isto não é só precaridade, é ultraprecaridade e geral revolta e inconformismo mordazes.

PALAVROSSAVRVS REX

Carol disse...

Ora nem mais!

António de Almeida disse...

-Não sei se a crise actual terá solução. Basta olhar para a rica Islândia, paí socialmente justo segundo muitos padrões, energeticamente auto-suficiente, com um PIB per cápita a rondar os 13 mil Euros, corre o rispo de colapsar, porque alguns dos seus bancos, empresas dinâmicas, são maiores que o próprio país. Ao contrário do que muitos julgam, a nós tem-nos valido o EURO, se saíssemos amanhã da moeda única, iriamos sofrer uma desvalorização imediata a rondar os 20%, com tendência para crescer, a inflação estaria nos 2 dígitos no espaço de um mês, porque Portugal está hipervalorizado e endividado. Razões? As nossas casas, os nossos carros, as roupas de marca, as férias que já gozámos mas ainda não pagámos, os plasmas, as playstation, os telemoveis topo de gama, os computadores, as mobílias, mais algum saldo no cartão de crédito. Aliás, há 20 anos atrás não era qualquer pessoa que tinha um cartão de crédito, hoje são oferecidos nos hipermercados. Votariam no político que nos dissesse que chegou a hora de pagar o que já gastámos, e não podemos contrair novas dívidas? E julgam que França, Alemanha, Itália, Inglaterra ou Espanha estão diferentes? O que alguns países diferem de outros é nos custos do funcionamento do estado, do estado social ao funcionamento da administração, sem levar em conta questões ideológicas, em Portugal existe desde logo uma tendência para derrapagens orçamentais, e custos mais elevados para assegurar o mesmo objectivo, pelo que a falência será mais rápida. Os políticos podem fazer muito pouco, e quanto mais fizerem pior, a solução a existir será global, mas julgo que muito dificilmente poderá ser aceitavel, ninguém quer prescindir de nada, culpam-se os especuladores, é verdade que alguns aproveitaram, mas a origem está no facto de termos (particulares, empresas e até países) vivido acima das nossas possibilidades.

Ferreira-Pinto disse...

NUM BREVE RELANCE PELA COMUNICAÇÃO SOCIAL, CONSEGUI APANHAR ISTO:

“Depois da França, a Espanha entra em recessão. O primeiro-ministro espanhol, José Luiz Zapatero, reuniu de emergência as entidades financeiras. O Governo espanhol decidiu aumentar imediatamente o fundo de garantia dos depósitos e prometeu injectar liquidez nos mercados.

O objectivo é reforçar a confiança dos espanhóis e dos empresários no sistema financeiro de Espanha, depois do «ataque de pânico» que se verificou nas bolsas europeias.

O Reino Unido e a Irlanda também já tomaram medidas neste sentido. O Governo português espera pela decisão da Comissão Europeia, mas Teixeira dos Santos já garantiu que os depósitos dos portugueses não estão em risco.

Os países da União Europeia (UE) discutem, esta terça-feira, a possibilidade de aumentar de 20 mil para 100 mil euros por pessoa o mínimo de garantia dos depósitos em caso de falência dos bancos.

A Islândia anunciou garantias ilimitadas para os depósitos. O país está a braços com graves dificuldades e suspendeu ontem os negócios na bolsa.
A crise financeira internacional deixou a Islândia a um passo de entrar na bancarrota. O primeiro-ministro do país avisou os islandeses para se prepararem para o pior.

Na segunda-feira viveu-se negro nas bolsas mundiais. Os mercados encerraram em forte baixa, com Lisboa a registar mesmo a maior descida de sempre num só dia.”


COMO ALERTA, E BEM, O ANTÓNIO DE ALMEIDA, SE A ISLÂNDIA ESTÁ ASSIM IMAGINEM COMO ESTARÁ PORTUGAL!

QUER DIZER, NÃO SE ESFORCEM POIS FICA AQUI UM EXEMPLO (embora não decorra só da crise, pois já se sabe como é muito patrão)


“Cerca de um terço das Pequenas e Médias Empresas (PME) não pagaram o subsídio de férias aos trabalhadores e temem que a mesma situação venha a acontecer com o de Natal, deixando milhares de famílias em dificuldades, alertou o presidente da Associação Nacional das PME, Augusto Morais.

O inspector-geral do Trabalho, Paulo Morgado Carvalho, adianta que não conhece estes dados, mas confirma que no decorrer deste ano tem aumentado o número de trabalhadores com salários em atraso.

«Em muitas situações os empregadores não pagam o salário relativamente quer aos meses que deviam ser pagos quer em relação aos subsídios de férias ou natal que estão em atraso», salienta Paulo Morgado.

O responsável salienta também que em muitos casos os pagamentos feitos pelos empregadores não respeitam a lei nem os acordos de contratação colectiva.

Segundo os dados da Autoridade para as Condições de Trabalho, no primeiro semestre deste ano foram detectados 7.281 trabalhadores sem os ordenados em dia, mais 871 do que em todo o ano de 2007”.


MAS COMO ESTAMOS NO PAÍS DA TANGA, OS NOSSOS INTELIGENTES ENTRETÊM-SE COM ISTO

“Na segunda-feira à noite, na RTP, Daniel Bessa considerou que Manuela Ferreira Leite tem razão e disse que o país não tem dinheiro para avançar com estes projectos.

«Acho que tudo o que exige dinheiro está um pouco comprometido e quanto mais dinheiro exige, mais comprometido está. Vai ser difícil concretizar o programa, quero eu dizer o calendário», adiantou.

A opinião de Daniel Bessa neste debate na RTP foi subscrita pelo presidente da CIP. Francisco van Zeller defendeu que o Governo devia repensar as grandes obras públicas.

«Elas têm que ser revistas, as empresas que concorrem agora já reconheceram e já falaram com o Governo, porque não têm capacidade para se endividar», adiantou o presidente da Confederação da Indústria portuguesa.

O Executivo não concorda e adianta mesmo que estas podem ser uma forma de se ultrapassar a crise.

«Os projectos em curso são estruturantes e portanto vão eles próprios aumentar a capacidade do país, reagir a crises e ajudar ao desenvolvimento sustentável. Por isso estas obras vão para a frente, porque são necessárias ao futuro do país», salientou a secretária de Estado, Ana Paula Vitorino.

O Governo não cede aos conselhos para repensar os grandes investimentos projectados para os próximos anos.”


SERÁ QUE ESTES TIPOS NÃO TÊM MESMO VERGONHA NENHUMA?

Carol disse...

Isso era uma pergunta retórica, não era, ó FERREIRA?

lusitano disse...

Oh Ferreira-Pinto, então e a obra do consulado "socratiano"?

Então o homem arriscava-se a ir-se embora sem deixar uma obra "emblemática" da sua maioria absoluta?

Não, o engenhêro não quer ficar atrás dos outros "estadistas"!

E quem vier atrás que feche a porta e a luz, que este país já está na penumbra, mas continuando assim fica mesmo à escuras!

Tiago R Cardoso disse...

"Gaita, estou farto de avisos, de conselhos, de diagnósticos! "

acho que dissestes tudo sobre aquilo que todos pensamos.

Um abraço.

Zé Povinho disse...

Um dia a casa vai abaixo, e isso não é sonho nenhum, porque pior do que já está é difícil de engolir.
Abraço do Zé

Carlos Barbosa de Oliveira disse...

As coisas vão mudar. É preciso que algo mude, para que tudo fique na mesma. É o costume há tantos anos!

Adoa disse...

As condicoes económicas da Alemanha nao estao por aí além... Nao cries ilusoes!!
Toda a gente que pode foge ao fisco... Aqui paga-se bem para ter as estradas arranjadas...

Compadre Alentejano disse...

Não esquecer que, antes de aparecer a crise internacional, já cá tinhamos a nossa, ao contrário do que Sócrates quer fazer crer.
Agora, o rapaz, põe a ênfase que a culpa dos nossos males é da crise internacional...Deixa-me rir...
Compadre Alentejano