A Crise da Crise

É a globalização, dirão. É o capitalismo americano no seu pior.
É Wall Street. É a ganância de uns poucos.
É tudo, afinal!

O certo é que anda todo o mundo (no sentido geográfico e populacional) preocupado com a crise financeira aberta pela falência de empórios bancários e grandes seguradoras norte-americanas. Depois chegam os profetas da desgraça e premonizam que é certo que seremos atingidos mais dia menos dia.
Do lado oposto, vêm os apaziguadores dizer que tanto a Europa, como Portugal em particular, têm um relativo grau imunitário no mundo financeiro que travará as ondas de choque vindas do colapso americano.
E, por fim, andamos todos com os olhos postos nos políticos americanos e nas suas Câmaras governativas para ver se as injecções de capital nas instituições críticas são aprovadas ou não.

Apesar de, como cidadã de um país cambaleante, me preocupar com os danos colaterais que a nossa economia possa sofrer (duvido que tenhamos anticorpos suficientes), parece-me que somos facilmente distraídos por problemas menos sérios do que aqueles com os quais nos debatemos entre portas.
Por causa da crise norte-americana, e convenhamos que é, sobretudo, norte-americana, esquecemo-nos que temos um país.

Um país onde a percentagem de trabalhadores com salários em atraso subiu face ao ano transacto.
E isto não tem cobertura mediática porque o grande assunto é..., exacto, a crise nos Estados Unidos!

17 comentarios:

João Castanhinha disse...

Permita-me discordar em absoluto, quando o Jean-Claude (o Triche, não o Van Damme) afirma (hoje)que é a crise mais grave que o mundo enfrenta depois da II Grande Guerra, eu levo muito a sério as palavras do menino, dito isto, os salários em atraso (apesar de nossos e que eu lamento) serão infelizmente a nossa menor preocupação e sinceramente não me parece (não é de facto) um problema apenas Americano.

joshua disse...

Nay to you and yea to Castanhinha.

PALAVROSSAVRVS REX

Táxi Pluvioso disse...

Desde que a Coca-Cola não aumente está tudo ok...

pedro oliveira disse...

Pois não posso concordar,quando diz que é sobretudi norte-ameriacana, é que se assim fosse a minha prestação da cas não iria subir o que vai subir desde ontem +/- 90 euros.

PO
vilaforte

DANTE disse...

Pois é , agora é que se lembram...
Quantas vezes é que já ouviram dizer que a bolsa caiu?? Muitas não é?
Mas nunca se soube em que hospital é que recebeu tratamento... :D

Carol disse...

Parece-me que esta crise norte-americana acaba por nos tocar a todos, mas é certo que em Portugal há um sem-número de problemas que deviam merecer toda a nossa atenção e não são, apenas, os salários em atraso.

Que dizer, por exemplo, do facto de uma pessoa com 41 anos, que tem 18 anos de experiência profissional na área das vendas, estar desempregada há mais de seis meses porque as empresas apenas pretendem contratar pessoas até aos 35 anos de idade?! E não me venham com a história do "Ah, o pessoal não quer é trabalhar!", porque estou a falar do meu namorado e vejo a luta diária que tem travado para se empregar!
Como ele próprio diz, "demasiado novo para a reforma, muito velho para trabalhar!".

Ferreira-Pinto disse...

A situação é grave, a CRISE é indisfarçável mas será grave?

A resposta a esta pergunta e determinação do grau de gravidade da CRISE varia conforme as escolas de pensamento económico e até o posicionamento que cada um tem em matéria de regulação e intervencionismo.

Já vi alguns proclamarem que depois da Grande Depressão esta é a crise mais grave que enfrentamos, outros a asseverarem que num espaço temporal relativamente curto esta é a segunda vez que nada será como antes (a primeira foi com o 11 de Setembro) e ainda ontem tive a oportunidade de ver Carlos Abreu Amorim e Soromenho Marques a divergirem.

Por isso, e para já, é certo e seguro que a CRISE, pelo menos, trouxe algo de novo: abalou as certezas e as convicções absolutas com que se movimentavam os arautos do liberalismo e da desregulamentação a todo o preço.

A CRISE, infelizmente, levanta uma preocupação para a qual não vislumbro resposta imediata. Eu, que ainda por cima, sou fracote a ECONOMIA.

O Estado Social, tal como o conhecíamos e no modelo que tem sido seguido, esgotou-se e, até ao momento, não foi possível reinventá-lo. Eis um dado seguro.

Paradoxalmente, em Portugal essa função plena do dito Estado Social nunca se cumpriu nem foi conhecida pelos cidadãos, especialmente pelos mais desvalidos e desprotegidos.
A questão é que, submergidos num individualismo atroz (a OUTRA CRISE, a dos VALORES) nunca se quis saber disso, e desses para nada.
As nossas reacções costumam ser, geralmente, corporativas (quando a coisa vai ao nosso bolso), cimentadas pela crónica inveja ou a toque da Comunicação Social.

Daí que, apesar de considerar que não devemos menosprezar a CRISE, também devíamos valorar (e muito) a nossa pequena crise dos salários em atraso …
É que já não basta os nossos salários serem parcos, estarem a divergir da média europeia como, ainda por cima, anda muita gente sem os receber!

É bem certo e é bem sabido que o que é crónico, já não é notícia mas, ao caso, importaria não desconsiderar nem desvalorizar excessivamente o facto dos salários em atraso em Portugal terem aumentado face à CRSIE que se vive em Wall Street e outras praças financeiras.

Aliás, a gravidade da CRISE reflecte-se nas manobras desesperadas da Casa Branca (embora o seu inquilino já tenha dado provas que com ele vale tudo para alcançar os seus objectivos, assim como muitas das vezes por detrás da agenda visível existe uma oculta) que, depois do chumbo do Plano Paulson no Congresso, o levou ao Senado e, aí tendo sido aprovado, agora o remeta ao Congresso com aquele SIM a servir de arma de pressão.

"Os americanos esperam e a nossa economia exige que a Câmara adopte esta semana esta boa lei e a reenvie ao meu gabinete", comentou Bush após a aprovação no Senado, por 74 votos contra 25, do plano de injecção de 700 mil milhões de dólares (501 mil milhões de euros) no mercado monetário.

O texto aprovado no Senado introduz um aumento da garantia pelo Estados dos depósitos dos clientes dos bancos, subindo o limiar garantido de 100.000 para 250.000 dólares (de 71.500 a 179.000 euros).
Foram também introduzidos créditos de impostos sobre a classe média e empresas.

Entretanto, e dando provas que a CRISE é real e gera preocupação em todo o lado, o presidente do Eurogrupo e Primeiro-Ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker, afirmou-se "muito aliviado" com a decisão do Senado

Na opinião do presidente do Eurogrupo, a aprovação do plano de salvamento do sistema financeiro norte-americano iria "certamente contribuir para acalmar os mercados".

Por outro lado, garantiu que na Europa não será necessário adoptar um plano semelhante, uma vez que o sistema financeiro europeu, disse, é "mais estável".

Será?

lusitano disse...

A verdade, quer a gente queira quer não, é que quando treme a América a Europa treme também, apesar de estarmos convencidos que somos alguém no mundo.

A América, mal ou bem, toma decisões.

A Europa "unida" em geral toma indecisões.

Claro que a crise, que é real, mas também vai sendo empolada pelos nossos "jornalistas" de serviço, vai servindo também para não se tratarem outros problemas como muito bem dizes.

Repare-se que aquele senhor com ar inteligente, o das Obras Públicas, já veio dizer que as obras não podem parar.

Nos meus mais de 50 anos de vida, já ouvi muitas vezes essas afirmações bombásticas:
A partir de agora o mundo nunca mais vai ser igual!!!

De qualquer maneira, a verdade é que muita coisa tem de mudar, para não se repetir este descalabro.

Passam a vida em reuniões e a fazerem previsões e afinal nunca acertam em nada e somos apanhados com "as calças nas mãos" como se costuma dizer.

Peter disse...

Desculpa mas estou em desacordo. Salários em atraso implicam falta de liquidez nas empresas. Estas têm de recorrer ao crédito bancário que se debate com o mesmo problema e este não se resolve com imjecções de capital, pois é também e talvez principalmente, um problema de falta de confiança.

Ferreira-Pinto disse...

PETER não resisto a pegar na parte em que escreve " ... salários em atraso implicam falta de liquidez nas empresas ..." para acrescentar uma outra ideia:

" ... a falta de liquidez na rúbrica de SALÁRIOS leva ao seu atraso, mas nem sempre é acompanhada da falta de liquidez na rúbrica MERCEDES novo último modelo ...

António de Almeida disse...

-Vou começar pelo mais fácil, os salários em atraso. Existe em Portugal uma corja de FdP que gasta o que não tem, vive acima do que pode, não paga a quem deve, fornecedores ou trabalhadores. Seria um caso de polícia, se a Justiça funcionasse em Portugal. Depois existem outros que querem mas não conseguem honrar os compromissos, porque não lhes pagam a tempo e horas, quando o fornecedor é o Estado então é quase certo, depois derrapa-se para utilizar tais verbas como juros de mora, até porque se tem de pagar IVA sobre verbas não recebidas, um escândalo, uma vergonha, que nos acaba prejudicando a todos, ficaria tudo mais barato, e mais transparente, se o Estado cumprisse e fosse rigoroso.
-Quanto à crise financeira internacional, espero que o congresso rejeite novamente o plano Paulson, espero principalmente que Merkel não embarque na ideia dum tal José Barreoso, presidente da Comissão Europeia, que ontem, certamente a mando de Sarkozy, veio defender a criação dum fundo europeu, para atender à irresponsabilidade dos bancos e banqueiros europeus. Em matéria de rigor financeiro, confio mais num operário alemão do que numa dúzia de economistas franceses. Por último, relembro um chavão que o economista Cavaco Silva utilizou sobre outro assunto, "na economia existe uma teoria, a boa moeda, acaba sempre por expulsar a má moeda". O lixo tóxico-financeiro não deve ser salvo.

O Guardião disse...

Os salários em atraso são uma preocupação de sempre, como o desemprego, os cortes nas reformas futuras, os baixos salários e os contratos a prazo, para nomear alguns problemas que já cá estavam antes desta crise. Nós vamos pagar a crise financeira, os que contribuímos claro, mas quando as empresas financeiras voltarem aos lucros escandalosos como acontecia até ao ano passado, tudo voltará a ser como dantes - ELES VÃO CONTINUAR A COMER TUDO...
Cumps

Compadre Alentejano disse...

Crise? Qual crise? Existe mesmo crise? Os snrs. Sócrates e Pinho já há muito que decretaram o fim da crise...
Enquanto durante a crise americano, não se fala na crise provocada pelo sócrates...

Compadre Alentejano disse...

Substituir o "durante" por "durar".

Tiago R Cardoso disse...

Pois, o problema é que a constipação americana põe o mundo doente de cama.

Tiago disse...

Afirmar que Portugal é imune à Crise Americana é não ter noção da situação socio-econímica nacional. Diria mais, é puro bluff. Um país que importa tudo, que é tudo menos auto-suficiente, como quer desenvencilhar-se da crise dos outros?

Adoa disse...

Mas existe alguma crise em Portugal???
lololol

Os candidatos americanos já foram a Portugal pedir o nosso apoio nas suas políticas? Se nao... nao quero saber...