"Autorizados" a acelerar...

O "Portugal Diário" avançava ontem com o que segue:
"Ambulância capota quando ia socorrer motociclista ferido
Acidente levou veículo do INEM a acelerar em socorro de um ferido. Acabou por capotar.
Um primeiro acidente, envolvendo um motociclista e um veículo ligeiro, na zona de Telheiras, levou a um segundo acidente quando uma ambulância do INEM capotou à entrada para o Eixo Norte-Sul.
Segundo fonte da PSP, o capotamento da ambulância estará relacionado com o excesso de velocidade a que seguia".


Ora bem, pode parecer notícia insignificante no meio de tantas sobre acidentes de trânsito, mas cá para mim tem uma importância acrescida.
Esta ambulância é do INEM, que sei serem “diferentes” das dos bombeiros e diversas associações que trabalham nesta área, mas não invalida a realidade do que está expresso na notícia.

Em Lisboa não sei, porque não vivo lá, mas na província e junto aos hospitais e seus acessos, os condutores devem ter um cuidado redobrado porque as estradas estão cheias de “Sebastiens Loeb” de “trazer por casa”, convencidos de que o facto de conduzirem uma ambulância lhes dá o direito de fazerem tábua rasa do Código da Estrada e dos limites de velocidade.

Falava há tempos com um médico amigo “treinado” nestas coisas dos acidentes, que me dizia que na esmagadora maioria das vezes os acidentados devem ser transportados ao hospital com o maior cuidado o que só se consegue a velocidades baixas e constantes, ou seja, a sirene deve servir para abrir caminho nos engarrafamentos ou congestionamentos mantendo uma velocidade constante, e não para fazer das estradas “pistas de corridas”.

Há uns anos tive um grave acidente perto de Vila Franca de Xira.
Fui tratado no hospital dessa localidade a várias e profundas feridas, embora estivesse perfeitamente consciente e livre de qualquer perigo.
Como o meu pai tinha tido um AVC muito profundo, estava internado no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, e assim a família decidiu que era melhor eu ir para lá também, para observação e recuperação.

A ambulância que me levou de Vila Franca a Lisboa, foi numa velocidade tal, com curvas e mais curvas feitas de tal modo que tive de me agarrar com toda a minha força à maca, o que deu origem à rotura da costura profunda que tinha num braço e que foi preciso refazer, com muita dificuldade no hospital onde fiquei internado.

Os horários apertados a que se sujeitam estes transportes de doentes que muitas vezes acorrem aos acidentes também, leva a esta prática, quanto a mim totalmente errada e perigosa, não só para os utilizadores, mas também para os outros que circulam nas estradas.

E, pergunto eu, quantas vezes é controlada a necessidade de circular a estas velocidades por parte das ambulâncias?
Desde uma “unha encravada” a um ataque cardíaco, dá-me a impressão que a velocidade praticada é a mesma na maior parte dos casos!!!

22 comentarios:

Peter disse...

Abordas um assunto oportuno e eu questiono-me sobre se esses condutores, especialmente os do INEM, mas extensível aos dos BVs, teriam tido uma formação adequada, já que não basta a carta de condução.
Como mais uma coisa no nosso Portugalzinho, é tudo "à balda".

João Castanhinha disse...

Julgo que não é à balda,os condutores/médicos/paramédicos do INEM têm cursos de formação que julgo não serem assim tão faceis para estarem habilitados a conduzir ambulâncias.
Normalmente estes acidentes acontecem sim com as ambulâncias dos bombeiros v.

Ferreira-Pinto disse...

Dos parcos conhecimentos que tenho neste domínio penso que o acidente referido inicialmente no texto será mais uma excepção, do que a regra.

Digo isto porque, e insisto, tanto quanto é do meu conhecimento, a condução de veículos do INEM não é entregue ou confiada a qualquer Fangio do volante.

Precisamente para obviar àquilo que descreves.
E também para permitir que quando as circunstâncias o exigem, o veículo adopte uma velocidade mais eleveada sem colocar em perigo o paciente.

Já com as viaturas de serviço dos bombeiros a coisa poderá ser diferente.

A única vez que um familiar meu (uma das minhas filhas) teve de ser transportado numa, a velocidade foi a adequada ao caso: um pulso "estalado" numa aula de Educação Física.

Digo isto porque, coincidentemente, cruzei-me com a dita viatura quando ela ia a caminho do hospital e eu a caminho de casa!
O facto de não irmos os dois no mesmo sentido já é outra história e um bocado mais longa ...

Tiago R Cardoso disse...

Eu tive a oportunidade, se isso se pode chamar oportunidade de "viajar" numa ambulância do INEM.

Diga-se que a viajem foi feita moderadamente e sem grandes saltos, aliás dado o estado da minha perna não poderia ser de outra forma.

No entanto tenho visto por ai muitos aceleras que tornam o transporte de doentes no minimo arriscado.

pedro oliveira disse...

O post é muito interessante se tens muita/toda a razão.A velocidade demasaidas vezes exagerada e enão nas lombas...Coitados dos acidentados e dos doentes devem dar cada salto.
PO
Vilaforte

@me@@@ disse...

Venho agradecer e retribuir a visita!!!

:-)

Carol disse...

Ao que julgo saber, os veículos do INEM são conduzidos por pessoal com a formação necessária e adequada.

As ambulâncias dos bombeiros, isso sim, já é outra conversa. Aí qualquer um pode conduzir, basta para isso que tenha carta de condução.

António de Almeida disse...

-Julgo que os condutores de ambulâncias do INEM estão treinados para conduzir também a alta velocidade, que requer técnica, o que não implica que a prática da mesma seja automática, uma coisa é estar preparado e saber conduzir a grandes velocidades, outra bem diferente é fazer disso prática corrente. Quanto aos B.V. não recebem tal instrução, é pena, porque numa emergência se for necessário atingir uma velocidade elevada os riscos aumentam exponencialmente. Como aqui foi muito bem escrito o transporte de feridos não implica velocidade elevada, mas chegar rapidamente a um sinistro pode obrigar a uma condução potencialmente perigosa, para a qual o condutor deve estar habilitado, não é qualquer um. Deixe-me que lhe diga que viaturas policiais incorrem frequentemente nas mesmas práticas e que existem abusos em todas as áreas. O povo português é terrivel, basta sentir algum poder ou impunidade para vir à tona o pior de nós mesmos.

Compadre Alentejano disse...

A forma como o doente é transportado para a unidade de urgência, é muito importante para o tratamento e recuperação do mesmo.
Já o meu avô dizia: DEVAGAR QUE TENHO PRESSA!
Compadre Alentejano

DANTE disse...

Acho piada aos dísticos que se vêem em certos veiculos de empresas , onde se lê que , o condutor do veículo é um profissional , seguido de um contacto telefónico em caso de reclamação.
Acho que seria uma boa medida a tomar em relação ás ambulâncias , talvez diminuisse a taxa de acidentes.

Um abraço

Ferreira-Pinto disse...

DANTE a ideia é louvável, mas ia causar outro problema ... a maior parte do povo desconhece que os telemóveis têm alta-voz ou "bluetooth", logo é vê-los ali agarrados ao dito cujo a falar, a falar, a falar ... enquanto conduzem!

JOY disse...

Penso que o Pessoal do INEM tem formação especifica para conduzir a alta velocidade e que têm a noção de quando a devem aplicar, já aos bombeiros e a muitos dos condutores de carros da policia por exemplo tenho as minhas dúvidas, tenho conhecimento de situações de condução em excesso de volocidadee em manobras perigosas sem que a situação a isso obrigasse.

Joy

Adoa disse...

Gostei do teu comentário... mas gostei mais ainda do texto do jornalista... É de uma literatura fantástica. Diz a mesma coisa váriasvezes... será que ele/a recebe por letra publicada?

João Castanhinha disse...

Que diga-se de uma dificuldade extrema em dois parágrafos escrever o mesmo assunto de forma tão subtil, ou de forma subtil escrever com dificuldade extrema o mesmo em dois parágrafos...lá estou eu a escrever com uma dificuldade extrema apenas em dois parágrafos, que com este faz três...:)

lusitano disse...

Ora bem minhas amigas e amigos, eu digo isso mesmo que alguns afirmam, ou seja, que há uma diferença entre ambulâncias do INEM e as outras, que verdadeiramente nem são ambulâncias, mas transportes de "doentes".
Sei por esse médico amigo, que também o fez, que há cursos especificos de condução, o que não quer dizer que não cometam exageros e erros graves, sobretudo porque têm de ter em conta os outros condutores que circulam, alguns deles com idades que não lhes permitem reflexos já tão rápidos para se desviarem.
Mas o maior problema está nas viaturas de bombeiros e similares, sem qualquer menosprezo pelos bombeiros que tão relevantes serviços prestam ao país.
Depois o que é importante também é acabar com os abusos.
Ao que sei, há condutores com uma "folha" de acidentes notável.
Abraço

Ferreira-Pinto disse...

Aqueles maganos vêm para aqui gozar com o esforço do jornalista que em claro esforço escreveu dois parágrados redundantes!
Meninos, mas vós em que mundo andais?
Não vêem todos os dias na televisão aquelas notícias fabulosas em que é tudo "pensamos que ...", "ouvimos ...", "não temos a certeza, mas ...", condicionais para aqui e para ali e no fim o remate poderoso a fazer lembrar o Jardel a voar entre os centrais: "não nos foi possível, até à hora Z, falar com ..."!

Blondewithaphd disse...

Eu até percebo a pressa em chegar para prestar socorro. Só que, lá diz o ditado, a pressa é inimiga da perfeição. E, muitas vezes, a pressa só dá disparates como foi o caso, mas, enfim, salva-se a boa intenção de quem conduz viaturas de socorro.

Baidauei disse...

Uma vez vi um anúncio de emprego para condutor de ambulâncias onde o ordenado oferecido rondava os 600 euros... Pode explicar alguma coisa. Além disso, note-se, o uso dos "pirilampos" serve para qualquer coisa, desde a urgência de levar o paciente, à urgência de chegar a horas ao almoço, à urgência de ir ver a bola... "Liga a sirene e bora lá!"...

PS - Nada como a crítica fácil ao jornalismo para se aliviar o tema em questão.

Ferreira-Pinto disse...

BAIDAUEI obrigado pela participação.
Quanto à crítica fácil ao jornalismo, olhe isto por aqui é assim ... por acaso, aqueles dois parágrafos estão um bocado redundantes, mas se vir bem quase todos os nossos tópicos permitem que se parta para várias abordagens.
Manias ...

o que me vier à real gana disse...

Olá, boa tarde!
Pertinência absoluta deste seu post. Bom senso por parte dos condutores das ambulâncias, exige-se. Perfil psicológico analisado de quando em quando, tb!

joshua disse...

Caríssimo amigo, entregar-se à alta velocidade é uma coisa ridícula, se o suporte vital pode ser proporcionado nas ambulâncias. Está tudo errado. O bom senso está ausente de alto a baixo na nossa sociedade.

Aquele Abraço

André Couto disse...

Velocidade, não velocidade.
A questão está em adequar a velocidade às necessidades do paciente/sinistrado.

Os senhores condutores de ambulâncias sabem fazer a destrinça? Muitos dir-me-ão que sim. E terão a sua razão.

Mesmo assim arrisco partilhar connvosco uma história verídica.

Quando era estudante do secundário estava no recreio quando, ao longe, começou a ser audível o inconfundível som de uma ambulãncia em "missão urgente de socorro".
Á medida que o tempo passava o som era cada vez mais intenso. A diabrada viatura estava a aproximar-se! Instantes depois estabelecemos contacto visual com a sonora ambulância que se dirigiu à escola e nela entrou.
"- Será que alguém se sentiu mal?"
"- Será que alguém se magoou?"

Nesta preocupação, que espero sentida por vós, enquanto pendurados nas minhas palavras pelo desfecho desta possivelmente trágica história, os ocupantes da viatura apeam-se e dirigem-se para a traseira da viatura.
- Vão buscar a maca! - pensei aflito e, ao mesmo tempo, curioso.

As portas foram abertas e de lá saiu não uma, mas duas. Não macas, mas cadeiras, para entregar aos serviços administrativos escolares.

Isto passou-se na cidade onde vivo e foi por mim visto.
Só posso imaginar (ou não..) o que por esse país fora vai acontecendo.
Abraço.