Flop, flop Obama?

Isto não é resposta a ISTO, pois já estava escrito antes da donzela me estragar a agenda!
Mas como continuo sem perceber se Obama é mais sorte que trabalho ou se o contrário, sendo inegável que junta as duas, decidi manter a coisa.

O homem do momento chega às portas do acto eleitoral com todas as sondagens a darem-lhe a vitória, embora haja que desconfiar das mesmas; com todos a dizerem que ganhou os debates, mas isso também John Kerry os ganhou ao W e depois foi o que se viu; imune a qualquer polémica; como uma máquina de fazer dinheiro ... e levado ao colo por tudo quanto alegadamente é fazedor de opinião!

Tudo a favor, e contudo …

Só os resultados nas urnas dirão se os americanos estavam mesmo a ser sinceros quando diziam votar Obama, esquecendo a questão da cor!
E eu faço notar que não falo apenas da América branca, mas também da América negra para quem Obama é demasiado leite e pouco café!

Só os Republicanos dirão, em caso de vitoria tangencial, se irão ficar calados ou se tentarão aproveitar pecados como os da ACORN: “Na últimas semanas foram levantadas em todo o país dúvidas legais na sua acção de registo de 700 mil novos votantes: votantes falsos em ruas que não existem, duplos registos, nomes como Mickey Mouse, Mary Poppins, etc...
Segundo o oficial dos registos da Pensilvânia, Fred Voigt, à CNN, há suspeitas reais de, pelo menos, 1500 registos feitos que estão a ser reconfirmados pelos empregados do estado.
Na semana passada foi detido Jemar Barksdale, um ex-empregado da Acorn, por ter feito 18 registos com assinaturas falsificadas. Está preso”
, relatava a imprensa.
Acho muito curioso que sobre isto, ninguém fale. Mais não digo, aliás.
Há quem diga que isto não serve como argumento para impugnar as eleições, mas elas que tenham um resultado tangencial e logo se verá.

Só o futuro nos dirá, caso Obama vença, o que realmente vale um homem que nunca apresentou um projecto lei, por exemplo, mas já editou duas biografias, e passou a vida a falar de “mudança, mudar, mudança, mudar …”. Ou então se manterá o estilo.

Aliás, Obama, um quase "snob" e intelectual, conta com uma máquina de publicidade e propaganda tal que consegue até abafar que o grosso da sua campanha está a ser paga pelos do costume … os poderosos!
E com isso tem feito crer que são os anónimos mais os seus 25 dólares quem lhe alimenta a campanha. Num mês, por exemplo, arrecadou 1.200 milhões de dólares ... e gasta milhões num anúncio.

Ou muito me engano, ou Obama vai ser … um fiasco face às expectativas que gerou ou deixou gerar quando tiver de fazer aquilo a que os americanos chamam “walk the walking” e deixar o “talk the talking” ...

Mesmo assim, ante a perspectiva duma Sara Palin na "big chair" ... nay!

O líder do mundo

Da próxima vez que eu aqui vier a América já terá um novo Presidente eleito (empossado só a 20 de Janeiro de 2009).
E não é preciso ser a Maga Patalógica para prever que Barack Obama será o próximo inquilino da 1600 Pennsylvania Avenue, Washington DC.

Se as previsões não falharem alegra-me que Obama seja eleito. Não porque eu esteja em particular sintonia com a sua agenda, mas porque é um Democrata e o Partido Democrata tem dado à América Presidentes com um certo carisma. Certo, que deu Lyndon Johnson que foi um excelente Presidente e aquele que mais fez progredir a causa dos direitos civis, contrariamente ao que as pessoas costumam pensar. Só que teve o azar histórico de ser o Presidente que sucedeu ao Kennedy, esse sim uma figura icónica de carisma (que, a nível governativo teve o sucesso que teve porque, lá está, tinha um Lyndon Johnson e tinha um irmão chamado Bobby - para mim a eminência política mais genial que os anos 60 produziram na América). E deu também um Bill Clinton, a quem a História há-de fazer muito jus. Obama tem tudo para ser o próximo Presidente carismático.

E, claro, é Afro-Americano. Logo aí tem vantagens desleais face a competidores brancos. Aliás, na América ser branco é que começa a ser pertencer a uma minoria étnica. Entre as imensas comunidades Latinas, Afro-Americanas e Asiáticas resta pouco espaço populacional aos Brancos. A coisa de que os meus alunos mais se admiram é quando percebem que, na América, não são Brancos mas "Hispanics" e "Hispanic" na América não é ser branco. P
or isso, mais que não seja por questões étnicas, aí vem um Presidente para a História.

Não acredito, porém, que à conta da etnicidade, as minorias norte-americanas encontrem finalmente a panaceia para as suas ancestrais reivindicações em termos de direitos civis. Aliás, desde Lyndon Johnson que conquistaram grandes direitos. Refiro-me às políticas de discriminação positiva, "positive discrimination" ou "affirmative action", mediante as quais têm acesso privilegiado às universidades e às quotas do mercado de trabalho.
Por conseguinte, pouco deverá mudar até porque não é um Presidente que muda a mentalidade colectiva de uma nação.
E a América é uma sociedade profundamente segregacionista e muito consciente das clivagens étnicas.

Obama agrada às classes intelectuais minoritárias (o mundo universitário que é tendencialmente Democrata), aos jovens, às minorias étnicas e aos poucos espíritos esclarecidos que lêem jornais e revistas como o "Washington Post" ou a "New Yorker" e que se concentram na área da New England que, coincidentemente, é a parte mais densamente povoada nos Estados Unidos.
E Obama agrada-nos a nós papalvos que não votamos nas eleições americanas mas que, com os nossos palpites, achamos que podemos intervir.

De certa forma até deveríamos se entendermos que a América é a metrópole de um império informal que nos coloniza hegemonicamente através do globalismo da cultura, do comércio e da diplomacia de guerra.
Venha aí, então, o Sr. Obama que, em rigor, terá sempre fortes probabilidades de superar o seu antecessor. (Pior é difícil).

Querido Pai, vou ganhar a vida ... no centrão!!!

Querido Pai:
Espero que quando esta te chegue às mãos, estejas de mão firme, apesar do Parkinson, para leres até ao fim estas pequenas linhas. Pequenas, mas sinceras na candura e franqueza.

Não, não te escrevo para te dizer que afinal, volvidos estes anos todos, aquele concurso para a minha progressão na carreira sempre avança. Isso seria coisa inaudita. Deixa lá, são sete anos a marcar passo!
Técnico superior jurista numa Câmara, na mesma autarquia onde já se foi adjunto do anterior Presidente, é coisa exigente…

Escrevo-te, sim, para dizer que tinhas razão quando me sentenciavas que devia ponderar ser gestor.
Imagina tu que, pela leitura do Manuel António Pina, soube que “se os portugueses (os que têm trabalho) ganham pouco mais de metade (55%) do que se ganha na zona euro, os nossos gestores recebem, em média, mais 32,1% que os americanos, mais 22,5% que os franceses, mais 53,5% que os finlandeses e mais 56,5% que os suecos”.

Lá está, faço parte da maioria. Dos asininos matemáticos e dos que ganham pouco!
Sempre é um consolo. Ser da maioria, já viste?
É assim coisa sólida. E dá-nos a certeza de termos ali ao lado milhares, milhões até de parceiros.
Sempre se evita a solidão!

Claro está que falando-te de maioria, te deves remoer.
Tu, que tens na massa do sangue o amor ao velho CDS do Adelino Amaro da Costa e do Senhor Professor, o Freitas do Amaral por quem fizeste campanha e por quem trabalhaste arduamente (e no fim tiveste aquela desilusão), com um filho socialista!

Fosse eu interesseiro, diria que de pouco me valeu! Adjunto e foi um pio.
E mesmo assim com o aparelho ali todos os dias, a lembrar que estávamos ao serviço do partido. E eu que pensava, e comigo o chefe, que era do interesse público!

"Um cargo para ti, tu a deputado, ó pá, a minha irmã precisava de um emprego" eis o óleo daqueles motores que ronceiros alimentam os partidos… olha, vê o Rui Rio. Tanta coisa ... e coitado, lá teve de empregar uma engenheira alimentar no Teatro Rivoli. Dizem que são 3.790,00€ por mês!

Sabes que mais? Estou quase tentado a juntar-me ao "centrão".
Aquele dos interesses.
Já viste que o Estado gastou 134.000.000,00€ em auditorias entre 2004 e 2006?
Eu por módicos 5.000,00€ mensais fazia uma auditoria a mim próprio ...
Um abraço,

"Autorizados" a acelerar...

O "Portugal Diário" avançava ontem com o que segue:
"Ambulância capota quando ia socorrer motociclista ferido
Acidente levou veículo do INEM a acelerar em socorro de um ferido. Acabou por capotar.
Um primeiro acidente, envolvendo um motociclista e um veículo ligeiro, na zona de Telheiras, levou a um segundo acidente quando uma ambulância do INEM capotou à entrada para o Eixo Norte-Sul.
Segundo fonte da PSP, o capotamento da ambulância estará relacionado com o excesso de velocidade a que seguia".


Ora bem, pode parecer notícia insignificante no meio de tantas sobre acidentes de trânsito, mas cá para mim tem uma importância acrescida.
Esta ambulância é do INEM, que sei serem “diferentes” das dos bombeiros e diversas associações que trabalham nesta área, mas não invalida a realidade do que está expresso na notícia.

Em Lisboa não sei, porque não vivo lá, mas na província e junto aos hospitais e seus acessos, os condutores devem ter um cuidado redobrado porque as estradas estão cheias de “Sebastiens Loeb” de “trazer por casa”, convencidos de que o facto de conduzirem uma ambulância lhes dá o direito de fazerem tábua rasa do Código da Estrada e dos limites de velocidade.

Falava há tempos com um médico amigo “treinado” nestas coisas dos acidentes, que me dizia que na esmagadora maioria das vezes os acidentados devem ser transportados ao hospital com o maior cuidado o que só se consegue a velocidades baixas e constantes, ou seja, a sirene deve servir para abrir caminho nos engarrafamentos ou congestionamentos mantendo uma velocidade constante, e não para fazer das estradas “pistas de corridas”.

Há uns anos tive um grave acidente perto de Vila Franca de Xira.
Fui tratado no hospital dessa localidade a várias e profundas feridas, embora estivesse perfeitamente consciente e livre de qualquer perigo.
Como o meu pai tinha tido um AVC muito profundo, estava internado no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, e assim a família decidiu que era melhor eu ir para lá também, para observação e recuperação.

A ambulância que me levou de Vila Franca a Lisboa, foi numa velocidade tal, com curvas e mais curvas feitas de tal modo que tive de me agarrar com toda a minha força à maca, o que deu origem à rotura da costura profunda que tinha num braço e que foi preciso refazer, com muita dificuldade no hospital onde fiquei internado.

Os horários apertados a que se sujeitam estes transportes de doentes que muitas vezes acorrem aos acidentes também, leva a esta prática, quanto a mim totalmente errada e perigosa, não só para os utilizadores, mas também para os outros que circulam nas estradas.

E, pergunto eu, quantas vezes é controlada a necessidade de circular a estas velocidades por parte das ambulâncias?
Desde uma “unha encravada” a um ataque cardíaco, dá-me a impressão que a velocidade praticada é a mesma na maior parte dos casos!!!

Ambulatório? Sim, obrigada!

Os jornais e canais nacionais têm dado algum destaque às cirurgias em ambulatório. Confesso que não prestei muita atenção às ditas notícias, pois é um procedimento que já conhecia e que, ao que parece, não sofreu alterações.

Há sensivelmente cinco anos (mais coisa, menos coisa que não sou rapariga de anotar as doenças na agenda) detectaram-me um nódulo na tiróide. O "bicho" tinha dimensões consideráveis e estava a provocar uma situação de hipertiroidismo (por outras palavras, eu comia como uma desalmada e não parava de perder peso) o que levou os médicos a decidir pela cirurgia.

Essa teria lugar no Hospital de S. João e, como tal, fui encaminhada para uma consulta de Cirurgia. O cirurgião em causa, com quem desenvolvi uma relação de enorme confiança, após algumas consultas decidiu aconselhar-me uma cirurgia de ambulatório pois, como ele próprio disse, " 15 dias de internamento, para si, vão ser uma autêntica tortura!".

Nunca tinha ouvido falar nessa modalidade e, como tal, pedi mais esclarecimentos. No dia da cirurgia, deveria dirigir-me ao serviço de ambulatório onde, após o procedimento cirúrgico, passaria a primeira noite. Depois da aprovação do cirurgião, poderia voltar para casa desde que residisse a menos de 1hora de distância e, nas primeiras 48h, tivesse o acompanhamento permanente de um familiar. Para além disso, teria um número de telemóvel que me possibilitaria o contacto directo com o próprio cirurgião e os serviços do hospital entrariam em contacto comigo após a primeira noite em casa.

A solução pareceu-me uma boa opção e, dessa forma, decidi aceitar a proposta do cirurgião. Uma hora antes da cirurgia, cheguei ao serviço de ambulatório do hospital onde fui muito bem recebido. Após a intervenção cirúrgica, recebi a visita dos familiares mais próximos e passei essa noite no serviço juntamente com outras pacientes que escolheram a mesma modalidade. No dia seguinte, recebi a visita do cirurgião que observou a zona intervencionada e me fez algumas perguntas. Antes da hora do almoço e depois de a minha mãe ter assinado um termo de responsabilidade onde assumia as 48 horas de vigilância permanente, estava a caminho da casa dos meus pais.

Na manhã do dia seguinte, uma enfermeira do serviço ambulatório ligou para o meu telemóvel, fez algumas perguntas e relembrou-me que à mínima dúvida ou situação anómala, deveria entrar em contacto imediato com o cirurgião responsável pelo meu caso.

Felizmente não precisei de o fazer, mas tenho conhecimento que uma das outras pacientes teve um pós-operatório complicado. Quando falei com o seu marido, ele realçou o facto de o médico ter atendido todas as suas chamadas de forma quase imediata.
Uma semana depois, regressei ao hospital para saber o resultado da análise feita aos nódulos extraídos e, 15 dias depois, fui a uma consulta onde me indicaram os cuidados a ter no futuro. Para além disso, entregaram-me toda a documentação necessária para o meu processo clínico do centro de saúde.

O que eu penso de cirurgias em ambulatório?
Que todos deveriam ter essa possibilidade.
Que os hospitais e o pessoal médico devem apostar neste tipo de serviço.
Aspectos negativos? Sinceramente, não me parece que existam.
Se eu recomendo? Sem hesitação!

O NOTAS foi trespassado por cinco DARDOS!

O projecto do NOTAS SOLTAS, IDEIAS TONTAS foi galardoado por cinco amigos da casa.
A saber,
Maria P.
Daniela Major
Dante
Carlos Barbosa de Oliveira e
António de Almeida.

As regras impõem que o prémio seja atribuído a quinze projectos
(sendo o nosso um projecto colectivo, decidiu-se não nomear blogues de nenhum dos autores,
nem tornar a nomear quem nos deu o prémio)
pelo que aqui fica a nossa lista:

Para além da amizade...

Este texto que hoje escrevo provavelmente poderá dizer pouco a muitos daqueles que visitam este espaço, não só porque a sua idade (julgo que mais nova do que a minha) os distancia dos factos que provocam esta escrita, como também por ser assunto que normalmente não ocorre ao pensamento das pessoas, por dele estarem afastadas, por não o terem vivido.

Hoje tenho um almoço que reúne cerca de 40 homens que juntos, integrados na mesma Companhia, partiram no dia 21 de Dezembro de 1971, a bordo do navio Niassa, para uma comissão militar na Guiné.

Irei, já sei, rever alguns que já não vejo há 36 anos e que no entanto estão indelevelmente marcados na minha memória, na minha vida.
Enquanto escrevo este texto, sinto uma emoção profunda, um quase sentimento de saudade inexplicável, que, julgo eu, vem daquilo que nos une e está muitas vezes para além da compreensão humana.

Nunca, em momento algum, atrevo-me a dizê-lo, se formam ligações tão profundas, tão enraizadas, que vão para além da amizade como normalmente a concebemos, como nos tempos de provação, de dificuldade, de medo, (sim de medo), por que passam aqueles que juntos fazem ou têm de fazer uma guerra.
Não é logicamente isso que faz da guerra uma coisa boa, porque a guerra é sempre um mal que deve ser evitado a todo o custo.

Mas a verdade é que aqueles que estão juntos numa guerra, longe de casa e dos seus, percebem que a sua ligação vai muito para além da normal camaradagem, da sã amizade, pois implica uma entrega constante da vida de cada um, nas mãos do outro, dos outros, que estão ao nosso lado e vivem connosco as dores, os sofrimentos, que “cheiram” em nós o suor do medo, que também a eles lhes sai dos poros e sabem que nós o “sentimos”.

E é assim que passados muitos anos, às vezes sem nos vermos, o abraço é sincero, forte, acolhedor de parte a parte, como se disséssemos uns aos outros: «Tu é que me percebes. Achega-te a mim que eu é que te entendo!»

Mas tem mais um sentimento ainda, pelo menos nesta guerra que vivemos em África.
É que aqueles que combateram dignamente contra nós, são agora também nossos camaradas de armas e não lhes guardamos qualquer rancor, mas pelo contrário, irmanamo-nos nos sentimentos e encontramos até em nós uma vontade de ajudar a construir os países por que lutaram e onde lutámos.

Mas há sempre um “amargo de boca”, para ser benigno na expressão!
E este “amargo de boca” vem do facto do nosso país não ter um comportamento digno para com aqueles que por ele combateram, com ou sem razão, obrigados ou não.

Não me refiro obviamente tanto àqueles que graças a Deus estão bem, mas a tantos que continuam a viver no dia a dia os reflexos da guerra, que não dormem como os outros, que não têm estabilidade emocional, que foram desestruturados pela guerra, e a quem ninguém acode a não ser os familiares e amigos.
E há bastantes, sabemo-lo bem, que vivem sem abrigo e o Estado nada faz.

Conheço deles que têm processos há dezenas de anos para obterem um qualquer subsídio que lhes permita fazer face à instabilidade emocional, que não lhes permite ter um emprego estável, e continuam a fazer-se perguntas burocráticas para que nada se resolva.

Outro “amargo de boca”, que me toca especialmente porque também os comandei, foi o abandono a que Portugal votou aqueles que, naturais desses novos países, pertenceram às Forças Armadas Portuguesas.
Abandonados à sua sorte, muitos foram fuzilados sem qualquer justificação, e outros vivem ao “Deus dará”.

Também os nossos mortos que por lá continuam, se exige ao nosso país que os traga de volta à terra que os viu partir, e às famílias que querem finalmente encerrar esse doloroso capítulo das suas vidas.

Perdoem-me o desabafo, mas hoje tinha de escrever sobre eles, cidadãos anónimos que deram parte das suas vidas por Portugal, e se sentem hoje e ainda tão desprezados e ostracizados.
Mas eu orgulho-me deles, e orgulho-me com eles, e hoje vamos abraçarmo-nos, vamos rir e cantar, vamos olharmo-nos nos olhos e dizermos uns aos outros: «Tu é que me percebes. Achega-te a mim que eu é que te entendo!»

Dava-me gozo se o PS perdesse as eleições?

Dava-me um gozo danado que em 2009, lá para meados do ano, o PS do Governo perdesse as eleições.
A sério.
E, imaginem, eu até sou socialista. Militante e tudo. Crítico, não acéfalo, muito desalinhado e a procurar ser justo nas análises que faço por aqui. E em qualquer lugar!
Pois, então, dirão os que se dão ao trabalho de me ler, se é socialista quer que o PS perca porquê?
Por ter esquecido que há vida e Orçamento para além do défice?
Pelo Código do Trabalho que deixa tudo e todos de cara à banda?
Por uma reforma da Administração Pública que abriu unicamente portas à arbitrariedade, ao medo e ao despedimento encapotado chamado “disponíveis”?

Pela aposta (boa, diga-se) nas novas tecnologias, mas deixar-se enredar em embrulhadas e ter estabelecido uma parceria com uma empresa alvo de processos de execução fiscal?
Pela avaliação dos professores com um sistema que é ainda pior que ler James Joyce por não ter fio condutor?

Por nomeações de gente sem sombra de competência para lugares fulcrais da Administração?
Por resmas e resmas de legislação, muitas das vezes tortuosa e incompreensível?
Por apostar sistematicamente em parcerias público-privadas que mais não correspondem que ao desmantelar do Estado e o abrir portas ao oportunismo económico mais vil e mais rasca?

Por manter a aposta no TGV em tempo de vacas mirradas, quando o resto da rede ferroviária se desmantela lenta e paulatinamente?
Por ser forte e inclemente com os fracos, mas tíbio e subserviente com os fortes?
Nada disso.
Por nenhuma dessas razões e elas são fartas. Fortes, Feias, até.

Dava-me um gozo pegado e rebolado que o PS perdesse as eleições em 2009, e que o PSD as ganhasse embora sem o meu voto, esclareço já.
Sempre queria ver depois os profissionais do "bate no Sócrates, bate no PS, todos os dias mesmo que digas mentiras" berrarem “aqui d’ El-Rei, que a Manuela nos está a tramar!”.
Sempre queria ver.
Se não for assim, muito blogue iluminado vai desaparecer, convenientemente!
Não vá alguém dar pela incoerência ...

Violência doméstica

Leio no "Diário de Notícias" (DN) na edição de 20 de Outubro um artigo de Carla Aguiar sobre violência doméstica, o que me deu o mote para este post. Acho que tudo o que se relaciona com a violência doméstica reduz-se sempre, ou na maior parte das vezes, ao eterno vitimizar feminino ante brutalidades masculinas.
Talvez porque a violência física seja mais facilmente objectivada e comprovada, talvez porque ao homem se atribui o papel social do bruto, do irascível e à mulher redunde o estereótipo da fragilidade, da passividade, da não-reacção. A Sociologia explica. O facto é que, lastimavelmente, o crime é encoberto entre portas, na intimidade da esfera privada a impunidade é regra.

Assusta-me qualquer forma de violência, sobretudo a violência e o abuso em seio familiar.
É que violência doméstica não se reduz ao chavão da mulher que “apanha”.
Também há a violência verbal, psicológica e económica.
No entanto, a verdade é que se fala muito na violência contra a mulher, ainda que me pareça que, apesar de todas as campanhas e APAVs e abrigos, a situação continue na mesma.
A mensagem não passa. A legislação criminaliza o agressor e a denúncia de maus-tratos é encorajada, só que as mentalidades não mudam, as vergonhas e receios também não e cá continuamos um país com estatísticas vexatórias no que toca à dita violência doméstica.

E que dizer das outras violências de que ninguém, fala?
Não me refiro aos abusos sobre crianças que esses, por razões muito infelizes, também têm a cobertura dos media.
Falo da brutalidade com que muitos filhos tratam os pais. Acho espantoso que os filhos chamem “defs” e “daah” aos progenitores e ninguém se incomode muito com isso.
Pior, acho escandaloso o modo como se deixa que aqueles manipulem os progenitores até àquilo que eu considero o ponto da extorsão. A escravização dos pais aos caprichos e desejos de aparência dos filhos é para mim uma forma de violência doméstica pouco diferente daquela em que filhos agridem fisicamente os pais.

Guardo para o fim a que eu considero uma das formas mais nojentas e perversas de violência doméstica.
O desrespeito por quem já contribuiu para a sociedade, já fez o seu quinhão e vive o fim dos dias empurrado ao desamparo por lares e macas de corredor de hospital, despejado nas Urgências durante os meses de Verão para os filhos irem a banhos para o Algarve.
Vivemos na civilização da juventude em que, cada vez mais cedo, as novas gerações reclamam o mundo e para o diabo quem já cá estava. Perdida sociedade esta em que a velhice é um empecilho.

E perdida sociedade esta em que de dentro do núcleo social primário vêm tão grandes ameaças ao ser humano e ao respeito pela sua integridade e dignidade física, psicológica e, sobretudo, emocional.

Só a ministra que dizeis sinistra é culpada?

Tendo lido ESTA DIATRIBE, deu-me para pensar se realmente a fonte de todos os males da nossa Educação se chama Maria de Lurdes Rodrigues?
A avaliar pelos “talking heads” da nossa Comunicação Social, aparentemente é.
A avaliar pelos ditos autores de referência na blogosfera, aparentemente é.
A avaliar pelas sempre ortodoxas e assertivas opiniões do Mário Nogueira, é!
Permito-me, discordar.

Concedo que algumas medidas têm sido disparatadas, que podia e devia ter-se rodeado de uma melhor equipa de colaboradores no Ministério e nas Direcções-Regionais, que nem sempre consegue passar a mensagem e acertar nas medidas, mas agora fazerem de Maria de Lurdes Rodrigues o Belzebu, o único Demo da Educação?

Eu bem sei que a memória do povo é curta e volátil, mas lembram-se a quem mostraram alguns estudantes as "nalgas" numa manifestação?
Vá, puxem pela memória … lembram-se ali dos rabinhos à mostra?

A verdade é que a Educação em Portugal não existe. De há largos anos a esta parte.
Tirando os sacrossantos direitos dos professores e os sacrossantos direitos dos alunos, não há mais nada.
Durante anos, os docentes conviveram bem com escaladas supersónicas na carreira de todo e qualquer gato-pingado ...
Durante anos, muitos eram docentes e explicadores dos seus alunos ...
Durante anos alguns vendiam aulas numa escola pública e numa privada ...
Durante anos alguns passaram anos requisitados sem se saber para quê ...
Durante anos, enquanto rolou o marfim, eles quiseram lá saber da escola, dos alunos, das disciplinas ... o que interessava era a progressão e a aposentação!

Havia protestos? Dos bons docentes?
Sim, mas em quase silêncio sob pena de lhes caírem em cima!

Os alunos, esses, desde que no fim do ano passem, tudo bem.
Têm-se ouvido coisas espantosas ao longo dos anos a propósito dos seus protestos … sendo certamente o mais original que ouvi quanto às aulas de substituição que isso impedia o convívio! Ah, pois …
Mexer-lhes nesse direito da passagem é garantia de cair o Carmo e a Trindade.
E no do convívio, então nem se fala!

Quando a esta mixórdia se juntaram ao longo dos anos uma escola inclusiva, as Escolas Básicas Integradas, as C+S, as E.B2,3, mais as experiências do cria curso, acaba curso, funde disciplina, cria disciplina, junta cursos profissionais e as NOVAS OPORTUNIDADES (aquelas onde a balda impera, embora reconheça que existem honrosas excepções), então, aí sim, temos o caldeirão.

O escrito da Daniela (uma autora que vale a pena espreitar!) corresponde ao exercício legítimo do direito de opinião. E é um contributo.
Mas apodar a avaliação dos professores de “paneleirice”? Qual delas? Esta ou todas?
E a ministra vê os alunos como “selvagens”? Nunca a ouvi dizer isso, mas já ouvi profesores a afirmarem-no!
E os horários mal feitos são só culpa da ministra?
E, por exemplo, porque nada disse quanto ao comportamento da FENPROF para quem o que ontem era verdade, hoje é mentira?

As eleições e a abstenção

Segundo as notícias conhecidas, a abstenção atingiu nos Açores a enorme cifra de 53,24%, a que se somarmos os votos brancos, (que poderão ter muitas razões, mas sobretudo expressam uma rejeição), e que terão rondado os 1,88%, atingimos uma cifra de 55,00%!!!

Retirando o facto muito falado (talvez a tentar justificar o injustificável) da actualização dos cadernos eleitorais, a verdade é que mais de metade dos eleitores não foram votar.

E faz-se festa, e fazem-se afirmações tais como o facto de se ter ficado com mais 20 pontos que o “adversário” directo, como se isso fosse bom para a democracia, como se perante a ausência de tantos eleitores, houvesse razão para festa e não para apreensão e análise dos factos, das realidades, que motivaram esta atitude da parte dos eleitores.

Posso estar enganado, mas a justificação de que os eleitores não votaram porque já sabiam quem ia ganhar parece-me fraca, muito fraca.
Se eu como eleitor me sinto envolvido na politica do meu país porque ela chega até mim, porque ela me envolve, porque eu sinto que faço parte dela, e se o partido da minha preferência fez um bom trabalho, prestou um serviço público notável ao meu país, à minha região, enfim ao povo em geral, eu vou votar, porque quero afirmar a meu agradecimento a quem trabalhou para me dar melhores condições de vida, independentemente de saber à partida que a vitória está assegurada.

Agora, se aqueles que estão no governo, são iguais aos que estão na oposição e vice-versa, se governaram a olharem para os seus umbigos, servindo-se das suas maiorias absolutas para não ouvirem ninguém, se os que estão na oposição não foram capazes de um rasgo de criatividade, de novidade, de mudança, de alternativa, se todos eles transmitem aos eleitores uma imagem de que falam uns com os outros, mas se estão “borrifando” para nós, então eu fico em casa, ou voto em branco, porque ao menos sempre aproveito um dia de descanso.

Eu sei que o assunto é polémico, que tem muitas “leituras” e justificações, mas também sei que a abstenção vai aumentando, que o desencanto vai crescendo, e que se os políticos continuarem a assobiar para o ar e a fazer análises que apenas servem os seus propósitos, poderemos chegar a um ponto em que a abstenção colocará em causa a “validade” dos actos eleitorais.

Pois, pois, já sabemos que o que interessa são os votos expressos nas urnas, mas se uma “maioria silenciosa”, (sem qualquer conotação com a assim apelidada anteriormente), começar a formar-se e a crescer, temos os ingredientes necessários para o aparecimento de um qualquer “salvador da pátria” que depois demorará não sei quantos anos a apear do poder.

Ah, pois, é exagero meu, isso nunca acontecerá porque o povo sabe bem o que o país já viveu!
Será?

Será justo desistir das "nossas" crianças?

Na sequência DISTO, lembrei-me de uma reportagem a que assisti na SIC há uns tempos atrás.
Na mesma falava-se de pessoas, portuguesas, que se sentiam combalidas pelo cenário de pobreza vigente em África e pela má-sorte de se nascer menina, em países como a China.
Como forma de não se sentirem impotentes, essas pessoas tinham decidido agir.
Como? Adoptando crianças oriundas desses países.

Na altura, compreendi o passo que deram e, evidentemente, achei de um enorme altruísmo alguém decidir dedicar a sua vida a um ser que nunca viu a não ser por fotografias ou que mal teve oportunidade de conhecer.
Na verdade, fiquei feliz por saber que havia menos uma criança a sentir na pele as atrocidades do Homem e as agruras da vida.

Apesar disso, não pude deixar de pensar nas inúmeras crianças que, dentro de portas, vivem tristes em instituições que, muitas vezes, não conseguem suprir todas as suas necessidades e que, muitas vezes, constituem elas próprias perigos escondidos (quantas Casas Pias não haverão por esse país fora?...)...

Lembrei-me dos milhares de cidadãos portugueses (porque, apesar de serem crianças, também são cidadãos) que esperam anos a fio por uma mão que se estenda, uma família que os acolha, um coração que se abra e lhes sirva de refúgio...
Há uns anos leccionei numa localidade que tinha (e tem) uma dessas instituições. Muitos dos meus alunos viviam ali. Uns tinham sido depositados por famílias disfuncionais (se é que se lhes pode chamar famílias) e outros tinham sido depositados por um Estado negligente, que os atirou para ali e nunca mais quis saber deles...

Não tinham um carinho, uma palavra amiga.
Tinham dentro do peito uma revolta enorme.
Hoje sei que alguns deram homens, outros perderam-se pelos caminhos árduos da vida.. Quantos não terminarão assim?...

Eu sei que não é fácil adoptar em Portugal, mas será justo desistirmos das nossas crianças?!
Será que, enquanto cidadãos, fazemos alguma coisa para modificar este cenário de injustiça?!

O "Futibol"!!!

Hoje deu-me para escrever sobre futebol!
Não, não tem nada a ver com a desgraça protagonizada pela Selecção Nacional frente à “poderosíssima” Albânia!
Tem a ver com uma conversa que há uns dias tive ao almoço com uns amigos.

Para nos situarmos devo dizer que gosto de futebol (apenas gosto, não sou “doido” por futebol), sou adepto do Futebol Clube do Porto (durmo tão bem quando ganha como quando perde), vejo os jogos internacionais e torço pelas equipas nacionais, sejam elas quais forem (até o Benfica e o Sporting!!!), e percebo pouco, muito pouco do dito jogo.
Mas a conversa versava sobre o jogo em si, e como muitas vezes é penoso ver um jogo de futebol!

Que eu saiba o futebol é o único jogo de bola e similar, que não tem verdadeiras regras anti-jogo.
Se os jogadores quiserem ficar a trocar a bola no seu meio campo e os adversários não chatearem, (até porque um empate, pode ser bom resultado), nada os impede de o fazer.
Ainda neste jogo de Portugal, vimos o Bruno Alves (julgo eu) atrasar a bola para o guarda-redes, mas como não foi com o pé, mas com o joelho, tudo bem!

E os fora de jogo?
Mas porque é que raio há-de haver foras de jogo?
Então são 11 que estão em campo ou não?
Se há uns que estão “à mama”, estejam lá outros ao pé deles a defender, e talvez o jogo seja mais fluído e movimentado!

E o tempo útil de jogo?
Às vezes dá vontade de rir! São 90 minutos reduzidos a menos de metade!
Diminua-se o tempo de jogo, mas pare-se o cronómetro cada vez que o jogo pára e talvez deixemos de assistir aos guarda-redes a brincarem com a bola antes de a colocarem em jogo, e às quedas dos jogadores agarrados às pernas e a olharem pelo canto do olho para verem se o árbitro manda parar a coisa!

Em todos os outros jogos, que eu me lembre, o “tempo” pára, quando pára o jogo, há um tempo limite para passar o meio campo, há passos e tempos contados, há até punições específicas para o anti-jogo, ou seja, aqueles que não atacam, o que em português corrente se diz, “nem … nem saem de cima”!

Será que o futebol não ganharia muito em vivacidade e emotividade?
Afinal, a finalidade do jogo é meter golos, e vejam lá bem a média de golos que é produzida por jogo?!

E, já agora, uma de sociedade, de política.
Insurgimo-nos tanto (e com razão muitas vezes) com os ordenados dos administradores e outros que tais, e não vejo o pessoal a indignar-se com os ordenados imorais de tantos jogadores!

E já agora também uma ou duas perguntas:
Os jogadores pagam impostos sobre o que efectivamente ganham?
E onde é que os clubes vão buscar o dinheiro para pagar tais ordenados?
E a Segurança Social dessa gente é sobre o que efectivamente ganham?
E ….?

Não sei se ainda está vigor, mas dantes havia benesses de impostos, etc., para estes jogadores, pois tinham uma “profissão de desgaste rápido”!
Ora gaita, os gajos têm mas é uma “profissão de ganhar rápido”, pois muitos deles num ano, ganham mais que muitas famílias portuguesas na sua vida toda!

Ganham muito?
Então saibam poupá-lo para o terem quando "se lhes acabarem as pernas"!
Tenho dito!

África, pobreza e ... racismo!

Como no último fim-de-semana estive de molho (como se costuma dizer), dei particular uso ao comando da televisão. E a dada altura, aterrei numa daquelas reportagens feitas de rigor, sobriedade e objectividade a que a BBC World (pronto, já sabem que sou adepto) nos habituou.
Era uma peça jornalística que partia de uma ficção chamada Somália.

A Somália é hoje um caldeirão onde a um exército fantasma, se juntam senhores da guerra, piratas, radicais islâmicos e uns quadriláteros mais ou menos fortificados onde tropas da União Africana se acantonam e donde raramente arriscam sair.
No dito país do faz de conta, cada um desenrasca-se conforme sabe e pode.
E vai pedindo a Alá que nenhuma bala tresmalhada lhe acerte!

Na Somália também existem crianças e sobre essas poucos falam.
Nem o Bono, nem o Geldof.
Nem eu, quando aqui escrevi sobre pobreza infantil na Europa.
Mas devia ter falado?

Se calhar podia e devia. Mas não me lembrei, nem me apeteceu.
Só me apeteceu falar das crianças pobres da Europa.
Porque ainda hoje se sabe que só em Portugal temos cerca de 1.800.000 indivíduos pobres!

Mas, como isto também é espaço para ideias tontas, porque não podemos pedir responsabilidades às centenas de ONG’s que pululam por aí e que delapidam muitas vezes o que lhes é dado em coisa nenhuma em vez de ajudarem mesmo quem precisa? Por exemplo, lá em África?

Ou porque não podemos pedir responsabilidades aos José Eduardos dos Santos de África que fomentam ou permitem a cleptomania, o nepotismo e o negócio de ocasião?
Aliás, quem estiver atento e obviamente puder, que veja quantos clientes africanos têm o restaurante “Fouquet”, a loja da Louis Vuitton ou o hotel George V em Paris?

E porque não podemos exigir que os povos africanos se ergam e rebelem contra este estado de coisas em vez de muitos se lamuriarem com a história do colonialismo?
Aliás, hoje, colonizados estamos todos.
Pelos chineses, pelas máfias, pelas multinacionais e pelos índices da Bolsa.
A tudo isto convenientemente muitos fecham os olhos e mandam-nos falar baixo, sob pena de sermos acusados de racismo!
Aliás, e por vezes, mesmo quando ajudamos, somos acusados de racismo!
Ou não é assim?

Triste sina a da língua portuguesa

Já não sei se é uma sorte se é um azar não ter nascido nesta língua. De uma coisa, porém, tenho a certeza: ainda bem que não estou a aprender Português no ano de 2008!
Imagino bem a confusão que vai na cabeça de miúdos e graúdos, alunos, pais e professores de Português à conta da nova terminologia gramatical, vulgo a Terminologia Linguística do Ensino Básico e Secundário ou, num acrónimo claríssimo como a água, a infame TLEBS.

Nesta vaga de espanejar a Língua Portuguesa com acordos ortográficos e quejandos lá se tentou reinventar as denominações gramaticais das palavras. Se antes já era um emaranhamento que só Deus sabe (Deus e todos nós desgraçados que temos ou tivemos de aprender Português à força de empinar regras linguísticas permeadas de excepções que nunca mais acabam), agora temos um nó górdio que atrofia qualquer falante (nativo e não nativo).

Pois as sapiências ministeriais, naturalmente tendo consciência de que deram com os burrinhos na água, lá suspenderam a TLEBS até 2010 que é quando deverão ter encontrado novo atrofiamento linguístico para substituir o vigente. Acontece, no entanto, que, entre avanços e recuos, a TLEBS era a nova terminologia que educadores e educandos deveriam ensinar e aprender; as editoras, em consonância, fizeram o seu papel meritório e toca de lançar gramáticas e manuais que reflectissem a dita; depois vieram as sapiências e recolheram a TLEBS pois, afinal, já não era bem aquela terminologia que deveria ser adoptada.
No entrementes, circulam ainda no mercado os novos livros com a já enunciada TLEBS quando, eureka, as gramáticas e livros na versão pré-TLEBS é que são válidos. E, por conseguinte, há alunos que têm livros com o suposto último grito gramatical da Língua Portuguesa e outros que os têm na forma mais arcaica, ao fim e ao cabo, a melhor até à data.

Baralhados? Pois o caso ainda fica mais confuso quando no ensino secundário a TLEBS está em vigor e no básico não.

Mas que língua é esta que falamos, afinal? E será que um advérbio agora é outra coisa diferente? E os substantivos? Sim, que esses parece que levaram uma grande volta em questões terminológicas. Eu que já achava uma seca extraordinária ter de saber as conjunções adversativas, imagino o desprazer que será aprender Português agora. Depois queixam-se que os alunos não se interessam por nada e admiram-se que escrevam sms num jargão incompreensível. Pudera! Com as questiúnculas de lana caprina com que lhes enchem a cabeça de nulidades linguísticas.

E assim vai andando aos trambolhões a sexta língua mais falada no planeta, a língua franca que deu mundos ao mundo e facilitou a comunicação e o progresso humano, nobre herdeira do Latim e hoje tripudiada até por quem dela deveria cuidar.
Lamentável.

A verdade curta e seca por Medina & Zbignew

Ontem, quem teve a felicidade de navegar directamente da SIC Notícias para a BBC World (exigindo-se aqui que saiba um pouco mais de Inglês que Sócrates!) teve a oportunidade de ouvir opiniões francas, honestas e em línguagem de gente.
Num caso por parte de Medina Carreira, no outro por Zbigniew Brzezinski.

Medina Carreira, que tem por hábito dizer coisas desagradáveis porque verdades sem anestesia, explicou preto no branco porque estamos assim nas lonas e carentes de um safanão.
Por exemplo, na Educação garantiu, e desde que os pais não encarassem a escola como um armazém onde deixam os filhos, mas como um centro de virtude e de excelência, já teriam armado uma zaragata maior que na Saúde com Correia de Campos.

Por causa da escola inclusiva que obriga a conviver calaceiros com alunos aplicados ...
Por causa de uma escola que entrega um "diplomazito em semi-analfabetismo" no fim do 12º ano ...
Por causa das Novas Oportunidades que não valem nada, são uma fraude ...
Por causa de se entregar computadores sem que os contemplados saibam Português, Matemática e História!

De passagem, não deixou de criticar o papel da Comunicação Social que, na sua opinião, devia informar formando. E não informar desinformando com muito ruído só para a plateia apaludir.
Nem sempre concordo com Medina, mas ao menos fala linguagem de gente.

Quanto ao ex-governante americano, que mostrou claramente o que é um entrevistado preparado, seguro e sem receio de rebater um entrevistador mal-intencionado (corrigiu firme e seguramente quase todas as citações pífias e retiradas do contexto), admitiu que a crise e regulamentação exigem medidas mais firmes e menos condescendentes com a Finança.

Alertou ainda que todos quantos celebram o anunciado fim da era americana e o deslizar do centro de influência mundial para Beijing, Dubai e Moscovo que seria bom que ponderassem bem que o descalabro americano arrastará consigo aqueles novos centros de poder.

Finalizou assumindo que, em sua opinião, a tarefa magna do próximo presidente norte-americano seria a de conseguir o milagre de convencer cada cidadão que é necessário recuperar o espírito comunitário, de ajuda ao próximo, de se sacrificar pela família, pela Nação como forças essenciais.

Já por aqui temos aflorado algumas destas ideias, e alguns dos nossos comentadores habituais o têm feito nos seus espaços, mas garanto-vos que foi um prazer ouvir o mesmo dito quase ao mesmo tempo por Medina e Zbignew.
Especialmente porque disseram verdades e não o que o politicamente correcto impõe!

E agora, o que fazer?

O texto DE ONTEM e a realidade que descreve, vêm no sentido e ao encontro do que várias vezes aqui vem sendo dito: estamos a construir uma sociedade egoísta, individualista em que o individuo se fecha em si próprio e o que se passa ao lado não lhe interessa a não ser que seja ocasião para aumentar mais o seu pecúlio ou a sua influência.

O Estado preocupa-se com a tal macro-economia, ou lá o que isso é, e as famílias, os cidadãos mais desprotegidos, mais frágeis, as crianças, vão sendo engolidas nesta voragem de um monstro (se calhar o tal de que falava Cavaco Silva e pelos vistos se esqueceu), e as vidas, e a dignidade das vidas, que afinal são os bens mais preciosos da humanidade, são postas de lado como coisas dispensáveis.
Aqueles que estão no poder, afastados da realidade dos que labutam todos os dias para angariar sustento honesto para os seus, vivem num limbo de irrealidade convencidos até que os “súbditos” lhes deviam estar eternamente gratos e submissos.

E aqui, quando me refiro aos que estão no poder, não me refiro apenas aos governantes das nações, mas também aos que detêm o poder económico, muitas vezes construído com as poupanças dos outros, com o esforço dos outros, com as vidas dos outros.
Nunca, julgo eu, o mundo das ditas sociedades mais “desenvolvidas” assistiu a tão grandes fortunas nas mãos de uns quantos, e nunca, julgo eu também, fora de períodos de catástrofe ou peste, o mundo todo assistiu a tanta pobreza, a tanta desgraça, a tanta falta de valores da sociedade humana, que vive de costas voltadas uns para os outros caminhando para um “qualquer império romano”, que como se sabe “teve os dias contados”.

E claro, perante a falta de resolução dos problemas primários, perante um “túnel sem luz alguma no fim”, há gente, há pessoas, pessoas como nós, que optam por caminhos ínvios, como a prostituição, como os assaltos, como uma vida à margem da sociedade que afinal não responde aos seus pedidos de socorro, aos seus pedidos de ajuda.
Sim, é verdade que muitas e muitos que passam essas mesmas dificuldades não se entregam a tais práticas, mas a verdade também é que não somos todos iguais, e há uns que têm mais força para enfrentar as provações do que outros.

Criou-se o tal Estado Providência e afinal o Estado não providencia nada e quando o faz, fá-lo sem sentido, sem controlo, sem justiça.
Há muitas/muitos que vivem à conta do estado e que tinham todas as possibilidades para trabalharem e fazerem algo de útil pela sociedade e há outras/outros que por tantas razões fidedignas se encontram desesperadas/os e, tarde ou cedo, se encontram na encruzilhada de terem que optar pela chamada “vida fácil”, (a prostituição, o crime), e que realmente para muitas/muitos deles não será nada fácil, porque o Estado não responde aos seus pedidos de auxílio.

“Colapsou” o comunismo e está a “colapsar” o capitalismo porque, tenho para mim, que tanto um como o outro se afastaram daquilo para que deviam ter sido criados, ou seja, a humanidade no seu todo.
Tanto um como o outro, afinal apenas se destinaram a alguns, poucos, e assim a sociedade, a humanidade, afastaram-se dessas “soluções”, como se de uma doença se tratasse, pois vieram a revelar-se ambos, bem piores do que a doença.

Tudo o que não envolver a humanidade no seu todo, repito no seu todo, terá sempre, a meu ver, tendência para fracassar e as experiências ao longo da história da humanidade comprovam-no.

E agora?
Agora não sei o que dizer, não sei o que fazer, só sei que estou pronto para abraçar causas que nos levem a sair deste poço sem fundo em que nos metemos, em que nos meteram.
Eu tenho a minha certeza, que reside na fé cristã católica que vivo, e me faz viver a esperança aqui, neste mundo, para se completar na plenitude da vida depois.
Mas é aqui, neste mundo, agora neste tempo que vivemos, que é preciso construir a sociedade de todos e para todos.
E para isso, contem comigo!

Vender o corpo à crise...

A crise quando chega, toca a todos e há quem tenha de recorrer a métodos menos próprios para fazer face à mesma.
De acordo com o Diário de Notícias, há mulheres entre os 35 e os 50 anos de idade, da classe média-baixa, sem marido e com filhos que se prostituem para conseguir cumprir com todas as suas obrigações e enfrentar as dificuldades financeiras com que se deparam.
Segundo as Irmãs Oblatas, de há um ano e meio a esta parte, o número de mulheres que se prostituem esporadicamente terá aumentado cerca de 15%. Por exemplo, há uma mulher que "trabalha em part-time numa empresa de limpezas (...) Tem um filho adolescente a estudar, está separada e o marido não paga a pensão de alimentos.".

Por outro lado, Inês Fontinha, directora d' O Ninho - uma associação que se dedica à recuperação e acolhimento de mulheres que se prostituem, acrescenta que "muitas mulheres acumulam também um trabalho normal com a prostituição à noite, para ajudar nas despesas", mas que correm o risco de se fixarem nesta actividade já que "não é fácil estar a noite toda acordada e ir trabalhar às 08:00h. Isso é possível durante algum tempo, mas depois a maioria acaba por ceder.".
Outro risco é o de serem aliciadas para redes de prostituição ou por proxenetas, já que se encontram mais fragilizadas e vulneráveis.

Num país em crise e onde pessoas com mais de 35 anos são consideradas inaptas para o mercado de trabalho, não me admira que esta situação se verifique!

Não condeno, nem enalteço quem opta por esta via mas, de uma coisa estou certa, não será fácil para uma mulher tomar este tipo de decisão e nem imagino como será viver no medo de ser vista ou reconhecida por alguém.

A triste "política" nacional!

volto eu ao mesmo assunto da política nacional!
Não assisti, nem ouvi, pelas razões apontadas no meu último “escrito”, ao debate par(a)lamentar desta semana, na Assembleia da República.

Mas ao ver as notícias na televisão foram-me “oferecidos” dois momentos desse mesmo debate, que ilustram bem o que já afirmei, e volto a afirmar, (claro, sob o meu ponto de vista), de que assim não vamos lá, seja o que for o “lá”!

Num primeiro momento assistia-se aos aplausos prestados ao anúncio por parte do Primeiro- Ministro, das medidas para resolver ou amenizar a crise.
Apenas o partido do Governo aplaudia!

Ora bem, ou as medidas não prestavam e então a maioria impôs as mesmas, ou prestavam e a oposição teve dor de cotovelo.

Quer numa, quer noutra circunstância, significa que não se entendem nem fazem um esforço para se entender, num momento em que o país precisa do consenso de todos para vencer a crise.
Pode dar-se o caso também, do Governo e o Partido do Governo, terem estudado as referidas medidas sozinhos, sem dar “cavaco”, (não tem a ver com o Presidente), à oposição, e assim, lá estamos nós na mesma, orgulhosamente sós, não querendo ouvir e aproveitar as ideias dos outros, num momento que precisa de unidade, mas ao qual também, a oposição responde com desdém por não ter sido ouvida.

Num segundo momento, vi o líder do grupo parlamentar do PSD, (podia ser outro qualquer), propor uma série de medidas, (julgo que sobre o IVA, etc), a que o Primeiro Ministro respondeu da seguinte forma, com aquele jeito arrogante que lhe é peculiar: -" Ó Senhor Deputado, se essas medidas são tão boas, porque é que os senhores não as aplicaram quando estiveram no governo!"
E olhou sobranceiramente, com um sorriso trocista à espera dos aplausos do seu partido.

Em primeiro lugar fiquei sem saber se as medidas eram boas ou não, porque foram liminarmente rejeitadas, pois quem sabe tudo não admite que outros possam saber alguma coisa!
Em segundo lugar percebi que se está ali num confronto que envolve a vida dos portugueses, mas que se leva na chicana e no gozo, tentado desfeitear os outros, trocando mimos e graçolas, a ver quem leva mais aplausos e gargalhadas, a ver quem venceu o debate, como se fosse isso que nos tirasse do atoleiro onde nos meteram, onde nos metemos.

E se fossem gozar com o…raio que os parta (para não descer ao mesmo nível)?
Uma coisa deu para decidir, que é a minha participação política futura quando chegarmos às eleições:
Se não mudarem os “artistas”, e a “peça de teatro”, irei votar “sim senhora”, mas é em branco, para de alguma forma os mandar a todos àquela parte!

Já sei, já sei que assim não se resolve nada ... mas o que querem estou farto!

E vai daí, se a maioria dos portugueses votasse em branco, poderia ser que alguma coisa mudasse nesta forma de fazer política em Portugal.

Pobreza infantil cobre-nos de opróbrio!

Ocasionalmente, os nossos ministros deslizam, caiem em contradição e ninguém parece reparar.
Contenham-se, por favor, que não vou zurzir na dupla Pinho e Lino ou, como diria Chavéz, num momento único, “Lino e Pinho, Pinho e Lino”!
Não, desta feita vou pegar no que disse Vieira da Silva, o cavalheiro que nos saiu na rifa do Trabalho e da Solidariedade Social.

Numa alocução no Fórum Europeu sobre Crianças de Rua, o governante admitiu que a pobreza infantil está a crescer na Europa e que "a dimensão social tem sido menosprezada nas políticas europeias".
Por seu turno, Anthony Simpson, da direcção da Federação Europeia de Crianças de Rua, estima que existam entre 150 mil e 200 mil crianças a viverem sem tecto.

Leio e penso como é possível que se admita, tenha permitido sequer que as coisas tivessem chegado a este estado.
Se fosse necessária uma prova cabal sobre o mais absoluto primado do individualismo e do egoísmo social, ela aí está.
Se fosse necessária uma prova cabal sobre a mais absoluta irresponsabilidade dos nossos políticos, ela está nas palavras de Vieira da Silva.

Conseguiu vislumbrar que as políticas europeias têm menosprezado este problema, mas nem por isso assumiu que as políticas têm protagonistas.
E que ele é um deles. Isso, senhor ministro, seria pedir-lhe de mais, não?
E logo a si que bem pregava, mas mal pratica agora!

Em Portugal, e a provar que o dito Estado Providência ou Social é coisa para estar na Constituição mas não para levar a cabo, as estimativas apontam que 1 em cada 5 crianças se encontre em risco de pobreza.
Os dados constam do relatório da Comissão Europeia sobre a protecção social e inclusão, adoptado em Fevereiro pelos ministros do Emprego da União.
Portugal surge no grupo dos oito países da União com os níveis mais elevados de pobreza na infância, apenas ultrapassado pela Polónia.

É um ultraje, uma vergonha.
Um país que não consegue ou não quer cuidar das gerações vindouras, merece existir?
Notem, por favor, que eu escrevo País e não Nação, coisas que são bem diversas.

Portugal Reconhece a Independência do Kosovo

Questão difícil esta de se reconhecer, ou não, a independência de um país. Se, por um lado, é verdade que, por razões de índole humanitária, todos os povos, enquanto entidades étnicas ou culturais diferentes, têm direito à sua auto-determinação e ao completo governo do seu destino, também não é menos verdade que é extraordinariamente difícil e complexo delimitar uma entidade (e menos ainda uma identidade) nacional.

Se me disserem que os Kosovares estão justamente cansados do jugo da Sérvia e reclamam a sua completa autonomia (não a autonomia de que gozavam enquanto província sérvia), direi que lhes assiste toda a razão. Porém, se me disserem que o Kosovo reúne todos os requisitos para se tornar numa nação independente, já não serei capaz de ser tão assertiva. Aliás, no que toca a Europa Central e os Balcãs as questões nacionalistas nunca são inequívocas, pelo que o Kosovo, no emaranhado convulsivo daquela região, não é excepção.

Em primeiro lugar, o que é, afinal, o povo Kosovar?
Etnicamente são albaneses na sua esmagadora maioria. Linguisticamente não existe um idioma Kosovar. Há, formas dialectais autóctones certo, mas os idiomas mais falados são o albanês e o servo e fala-se turco a atestar a presença secular do Império Otomano.
Em segundo lugar, historicamente, nunca houve um período de independência genuíno.
O Kosovo não é um Tibete europeu. Esteve sempre agregado às potências balcânicas: ora foi uma região búlgara, ora sérvia, ora turca e, num passado ainda muito recente, fez parte de uma manta de retalhos artificial denominada Jugoslávia.

Se a própria ONU não se decide a reconhecer cabalmente a declaração unilateral de independência Kosovar, Portugal reconhece-a? Quais foram, então os pressupostos sobre os quais governo e PSD assentaram a sua decisão? Não terá sido precipitação? Assim, parece-me que o País Basco, ainda de modo mais irrefutável do que o Kosovo, se possa lembrar de declarar independência unilateral face à Espanha (não creio que os bascos franceses estejam tão interessados nisso). E que dizer, então, dos barris de pólvora chamados Ossétia do Sul e Abcásia?
Não estaremos a empossar outro Estado-fantoche, permanentemente dependente de auxílio internacional, subsídio-dependente, permeado por lutas intestinas e em conflito insanável com os vizinhos? Veremos…

Histórias da (IN)justiça portuguesa

Muito se tem falado do tsunami (sim, que aquilo já não é uma vulgar onda!) da insegurança em Portugal. Discutiu-se e discute-se a falta de meios das autoridades policiais, o novo (que começa a ficar velho) Código Penal, a actuação do ministro da Administração Interna , o silêncio da Manuela e o mundo utópico em que Sócrates se refugiou.
Nas últimas semanas, contudo, três casos tornaram por demais evidente que algo vai mal na própria Justiça. Ora veja-se ...

A 4 de Janeiro deste ano, Cornellius Otto, um belga de 39 anos, decidiu viajar para Portugal com as suas três filhas. Deambulou de terra em terra e viveu da mendicidade a que sujeitou as três crianças. Em Agosto as autoridades do seu país de origem emitiram um mandado de captura e, em Setembro, o homem é detido, após denúncia de um popular, e as crianças entregues ao lar de Stª Teresinha, em Viseu.
Ao fim de cinco dias (?!), a mãe, que entretanto havia viajado para Portugal, aguardava que o ex-marido autorizasse o regresso das filhas à sua terra natal, apesar de ter a custódia legal das crianças. O senhor Cornellius (vá lá) autorizou e as suas três filhas puderam voltar a casa. Porreiro, pá!

No dia 2 de Outubro, uma jovem de 26 anos foi surpreendida no seu local de trabalho por um grupo de jovens, Depois de ter sido ameaçada e de ver o estabelecimento ser assaltado, foi levada para a casa de banho por dois deles. Enquanto um (16 anos) lhe apontava uma arma, outro (15 anos) violou-a! Por fim, trancaram-na e abandonaram o local.
Apesar de terem sido detidos por uma patrulha da PSP pouco depois, ainda em posse dos bens roubados e da jovem ter apresentado queixa, o violador e o seu comparsa foram considerados inimputáveis (?!) e foram entregues às famílias...

No Domingo passado, a GNR de Arganil deteve um homem que se dirigiu a casa da ex-mulher e agrediu-a violentamente. No carro tinha deixado uma caçadeira ilegal, que acabou por ser apreendida. Apesar de ser reincidente, foi libertado com termo de identidade e residência.
Ao que parece, "não há indícios que vá arranjar outra arma.".
Por essas e por outras é que, se calhar, aquela agente da polícia matou o marido...

Não era suposto as vítimas serem protegidas e justiçadas pelas autoridades policiais e jurídicas?! Não era suposto o sistema fazer-nos acreditar que "o crime não compensa"?!
Agora, expliquem-me o porquê deste tipo de situações, se é que alguém é capaz de o fazer porque eu, sinceramente, não entendo!

Desculpem, mas já não tenho pachorra!

Não ouvi o Presidente da República no seu discurso do 5 de Outubro.
Desculpem, mas já não tenho pachorra!
Já não tenho pachorra para discursos de tantos interventores da política nacional, estejam eles no poder ou na oposição.
Já li, claro, aquilo que o Senhor Presidente disse, e veio confirmar o meu cansaço.

Todos avisam que a coisa está mal, que a crise é grande, que é preciso fazer isto e aquilo, que sabem todos o diagnóstico e todos se arrogam de saber a terapêutica, e eu parafraseando o outro, só posso dizer: "Falam, falam, mas não os vejo a fazer nada!"

O mais interessante é ver aqueles que estão no poder fazerem discursos inflamados sobre a situação de crise, apontando os problemas, avisando os portugueses, afirmando que temos de fazer isto ou aquilo, mas sempre colocando em cima dos ombros dos portugueses o ónus da situação, como se eles conseguissem resolver todos os problemas, mas somos nós, ingratos portugueses, que não deixamos!

E não conseguem (nem em tempo de crise!), colocar a ambição do poder de lado e unirem-se, para todos juntos encontrarem/encontrarmos soluções de compromisso que ajudem o país a sair da “cepa torta” onde o enfiaram.

Gaita, estou farto de avisos, de conselhos, de diagnósticos!
Comecem mas é fazer o que é preciso para nos precavermos, (se é que ainda é possível tomar algumas medidas de prevenção), para que não aconteça que daqui a uns dias venham com os seus ares seráficos, incomodados, ofendidos, dizer mais uma vez: "Nós avisámos, nós avisámos!", como se os governados é que tivessem a culpa de os políticos governantes e os políticos da oposição não terem encontrado e tomado as medidas necessárias para evitar o colapso.

Reúnam-se, concordem, unam-se, encontrem a “cura” para a “doença da crise”, ou pelo menos para amenizar as “dores” da falta de “saúde da economia”, porque se o fizerem de boa fé e com vontade de servir, os portugueses não deixarão de se empenhar, de apoiar e ajudar a construir um futuro melhor.

É que nós não temos as condições económicas de uma Alemanha, de uma França ou de uma América, e quando os portugueses, (o que espero bem não aconteça), virem as suas parcas poupanças delapidadas, gastas, irrecuperáveis, cuidem-se senhores políticos, porque o “pessoal” vai enchendo ... mas há um dia em que “salta o pipo”!
Já sei, já sei ... sou um "sonhador"!!!

O autarca pensa, delibera ... e os impostos sobem!

Os defensores da descentralização e do reforço da autonomia local costumam aduzir fartos argumentos em prol da sua posição, mas normalmente calam sempre os dislates dos eleitos locais.
Os próprios eleitores, precisamente por serem quem tem o poder soberano da “cruzinha” no boletim de voto, também deviam ser mais rigorosos, exigentes e exercerem um escrutínio maior sobre os actos dos autarcas.

Áurea Sampaio, nas suas “Cartas na Mesa”, titulava “Malvadas autarquias” a propósito do sub-reptício aumento da carga fiscal autárquica.
Dizia a mesma que a “ (…) cobrança fiscal das autarquias sobre os munícipes, em 2007, subiu quase 26% face ao ano anterior! Não, não é engano. O aumento atingiu precisamente 25,9%, o que significa que se, em 2006, cada português pagou, em média, 186,81€ em impostos municipais, no ano seguinte esse montante atingiu 235,12€. É um escândalo.”

Pois é, fosse isto com o Governo e já aqui teríamos tido os maiores protestos. Espantoso como conseguimos ver, ou pensamos conseguir, o que se passa no Terreiro do Paço e ficamos com um conveniente cisco quando a coisa é ao pé de casa!

Uma das atitudes mais reles de que tenho memória, e que foi convenientemente secundada por uns quantos institutos em que Portugal é pródigo, são as chamadas tarifas de disponibilidade. De água e de saneamento. A justificação legal é que tais tarifas se destinam a suportar o vasto esforço que é feito na conservação, manutenção e alargamento das redes públicas.
Pois, a mim parece-me que servem é para outras coisas.

A escandaleira que por aí vai por causa das “casinhas portuguesas” em Lisboa é um dos fios da meada.
Quanto vão custar as famigeradas parcerias público-privadas, fórmula mágica que permite fazer hoje obras com o dinheiro de amanhã?
E as empresas municipais que, nalguns locais, proliferam como cogumelos?
E quanto gastam as autarquias portuguesas em comunicações móveis e quantas dessas são mesmo ligadas a razões municipais?

Muitas mais interrogações se podem colocar.
E, como dizia Áurea Sampaio, “mais do que nunca, é preciso distinguir o trigo do joio. E saber punir quem se anda a aproveitar dos cidadãos e quem pelo contrário, só pensa em servi-los”.
Não se esqueçam … impostos municipais? De 2006 para 2007?
Upa, upa … 26% mais!

A Regionalização

Nestes últimos tempos voltou-se a falar muito da regionalização.

Tenho para mim, que a regionalização até poderia ser uma coisa boa, num País que tem os seus centros políticos organizados de tal forma, que os assuntos, as reivindicações do interior ou de todo o resto do País, à excepção de praticamente as duas maiores cidades, não se fazem ouvir nos centros de decisão política

Com efeito, a Assembleia da República debate quase exclusivamente as leis a fazer (e tantas vezes mal feitas) e a política no seu geral (muitas vezes num triste espectáculo); os problemas que afectam uma grande parte dos Portugueses que vivem fora de Lisboa ou do Porto, acabam por nem sequer ser aflorados, até porque os deputados que neles queiram falar, rapidamente perdem a “voz” nos seus grupos par(a)lamentares, servindo-me da imagem do amigo Ferreira-Pinto.

Assim a análise, condução e resolução desses problemas fica no Executivo, que a maior parte das vezes tem um conhecimento enviesado dessas realidades.

Aí sim, (e noutras coisas também), a regionalização poderia ser um passo importante no progresso e desenvolvimento de todo o nosso País.

Mas há, para mim, o reverso da medalha!
Num país em que uma percentagem esmagadora de cidadãos já trabalha para o Estado, esse número iria aumentar assustadoramente!
Com efeito, embora não conheça o que se propõe para essa regionalização, a verdade é que é muito fácil conceber que para além do resto, haveria com certeza uma espécie de “governo regional”, com a indispensável “assembleia regional”.

Só por estes dois “órgãos de governo” já se pode ver o número de lugares a preencher e as respectivas e consequentes “mordomias”.
Depois, num país habituado a “homens providenciais” normalmente autoritários, temo muito que isso se reflectiria nessa regionalização, e os “clones” dos diversos “chefes” se repetissem por todo o país.

Teríamos não sei quantos “Sócrates”, “Albertos Joões”, e por aí fora…e muito provavelmente durante muitos anos, até porque ao nível regional, como todos sabemos, é bastante mais fácil angariar votos. Basta ver o que se passa em tantas autarquias do nosso Portugal!

Estarei a ver mal a coisa?
Admito que sim, pelo que peço aos visitantes leitores e comentadores deste espaço que digam de sua justiça!

Ideias tontas sobre violência doméstica!

Recordo-me que nos meus tempos de gandulo tínhamos sempre um alfobre generoso de anedotas. Pícaras algumas, poucas de truz e a generalidade abaixo de cão.
Recordo ainda o colega com mais jeito tinha para embelezar qualquer uma, fazendo-as parecer melhores que uma prédica do Padre António Vieira.

Um dos ditos que recordei, enquanto lia os títulos dos jornais, prendia-se com a historieta que o então adolescente apresentava sobre os perigos de um tipo se casar com uma agente da autoridade.
Segundo ele, o meu colega, note-se, um matrimónio desses era jejum garantido pois é certo e sabido que fornicar (dispenso o vernáculo) a autoridade traz más consequências!

Eu não sei se este colega, hoje um magistrado certamente vestido com um ar grave, ainda conta destas historietas parvas, mas acabo de descobrir que nos tais matrimónios envolvendo agentes da autoridade há uma carga de perigosidade que pensava impossível existir.

Esta semana, que tenha tido conhecimento, houve, pelo menos, dois homicídios perpetrados por agentes da autoridade e onde a vítima era o cônjuge.
Num foi o marido que despachou a mulher, no outro foi a inversa. Em ambos, eram agentes da PSP e as desavenças resolveram-se a tiro!

Já basta haver por aí não sei quantos casamentos em que, entre sapatadas e bolachadas, há sempre um que ou vai parar ao hospital ou à porta do vizinho a gritar por socorro... não é preciso que os agentes da autoridade despachem assuntos matrimoniais de forma lesta … dois tiros e já está!

Obviamente que a profissão nada tem a ver, mas de um polícia exige-se calma e ponderação, não? Redobrada, de preferência!
Melhor mesmo, era que a violência doméstica não existisse. Fosse ela física ou psicológica, e fosse quem fosse a vítima. Quanto aos agressores já se sabe que alguns nunca conseguiram passar do estado de calhau ...

Mas como não vos quero maçar, aconselho redobrada cautela no caso inaudito de lá em casa surgir discussão.
Já sabem … o melhor local é debaixo da cama.
E ante as investidas da contraparte furiosa que ordenando “sai imediatamente daí”, apenas pode haver como reacção um sonoro e rotundo: “Não saio, que aqui quem manda sou eu!”.

Post Scriptum – já depois disto escrito, tomei conhecimento que em Inglaterra dois polícias foram apanhados a furtar vinho!!!
Ó meus amigos, furtar vinho num supermercado? E apanhados? Mas que raio de polícia é esta?

A Crise da Crise

É a globalização, dirão. É o capitalismo americano no seu pior.
É Wall Street. É a ganância de uns poucos.
É tudo, afinal!

O certo é que anda todo o mundo (no sentido geográfico e populacional) preocupado com a crise financeira aberta pela falência de empórios bancários e grandes seguradoras norte-americanas. Depois chegam os profetas da desgraça e premonizam que é certo que seremos atingidos mais dia menos dia.
Do lado oposto, vêm os apaziguadores dizer que tanto a Europa, como Portugal em particular, têm um relativo grau imunitário no mundo financeiro que travará as ondas de choque vindas do colapso americano.
E, por fim, andamos todos com os olhos postos nos políticos americanos e nas suas Câmaras governativas para ver se as injecções de capital nas instituições críticas são aprovadas ou não.

Apesar de, como cidadã de um país cambaleante, me preocupar com os danos colaterais que a nossa economia possa sofrer (duvido que tenhamos anticorpos suficientes), parece-me que somos facilmente distraídos por problemas menos sérios do que aqueles com os quais nos debatemos entre portas.
Por causa da crise norte-americana, e convenhamos que é, sobretudo, norte-americana, esquecemo-nos que temos um país.

Um país onde a percentagem de trabalhadores com salários em atraso subiu face ao ano transacto.
E isto não tem cobertura mediática porque o grande assunto é..., exacto, a crise nos Estados Unidos!

Mas Eanes agora é santo ou quê?

Anda por aí uma campanha de incenso e mirra por Ramalho Eanes alegadamente ter recusado retroactivos de uma reforma a que teria direito como general de quatro estrelas.
Ainda segundo os cronistas, a cifra atingiria a generosa maquia de 1 milhão de euros.

Nessa leitura enviesada e devidamente conveniente a uma das partes, em 1984 o Governo, do qual Mário Soares era Primeiro-Ministro, aprovou uma norma legal que impedia que o vencimento de um Presidente da República fosse acumulado com quaisquer pensões de reforma ou de sobrevivência que aufiram do Estado.
Tal diploma legal foi promulgado por Ramalho Eanes, sem qualquer objecção.
Contudo, as carpideiras de serviço afirmam que a lei era “ad hominem” pois visava apenas o então inquilino de Belém como se ele lá fosse ficar "ad eternum".

Em 1986, como se sabe, Ramalho Eanes saiu de Belém e passou a receber 80% do vencimento como Presidente da República.
Em Junho de 2008 o Governo de José Sócrates, por pressões admitidas e nunca negadas de Cavaco Silva, e após recomendação do Provedor de Justiça, revogou aquele diploma legal permitindo-se agora que o visado tenha direito a acumular a pensão de 36 anos de militar com a subvenção de ex-Chefe de Estado.

Notem, por favor, que o que veio a lume não foi que a lei tivesse efeitos retroactivos, apenas que permitia a acumulação de pensões e mesmo assim os tais arautos da verdade logo vieram com a pia versão que Ramalho Eanes recusava … 1.000.000,00€!!!!
Depois, e num cotejo de comentadores profissionais e do palpite, quase que se alçou o visado à categoria de santo não se cuidando de saber se 80% do vencimento do inquilino de Belém é muito ou é pouco …

Para que saibam o vencimento do Presidente da República em 2008 está fixado em 7.415,29€; façam agora as contas e vejam quanto é 80%!
É muito?
É pouco?
Isso já é outra questão, bem diversa aliás.
E porque é que uns podem ter acumulação de pensões e subvenções e outros não?

Ramalho Eanes teve um papel de relevo no 25 de Novembro de 1975? Teve, mas outros também lá estiveram.
Ramalho Eanes foi Presidente da República Portuguesa e merece ser respeitado como tal? Foi e deve, mas também Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva foram e o merecem. E outros que os antecederam.

Mas, por exemplo, já alguém se esqueceu que Ramalho Eanes teve um projecto político pessoal chamado PRD que, digam o que disseram, visava apenas manter a sua influência na vida política nacional?
É assim tão diferente em quê?