Uma homenagem a Newman

Desculpem-me aqueles que hoje aqui chegam à espera de uma opinião acicatada sobre os negócios de Sócrates e Chavez, o caso das casas da autarquia lisboeta ou a crise financeira nos EUA e no mundo, mas hoje não me apetece falar sobre nada disso.

Hoje quero recordar uma estrela, um homem de beleza inigualável, um filantropo generoso, um activista social e político, alguém que, para além de actor, foi realizador e que nunca se deixou limitar a um belo par de olhos azuis. Falo, como já devem ter percebido, de Paul Newman.

Nascido em Cleveland, em 1925, Newman cedo se deixou guiar para as artes dramáticas pela mãe, uma apaixonada pelo teatro. Isso levou-o a experimentar a arte da representação no liceu e na Universidade, pelo que quando chegou ao Actor's Studio, em Nova Iorque já se tinha estreado na televisão e na Broadway.
A estreia no cinema deu-se com o papel de um escravo grego, no filme O Cálice de Prata. Mais tarde, diria que este foi "o pior filme jamais feito" e colocou um anúncio de página inteira na revista Variety a pedir desculpa a todos quantos assistiram ao mesmo.
Nessa altura, considerou a hipótese de abandonar o cinema e refugiou-se na televisão e no teatro. Voltou às telas em 1956, em Marcado Pelo Ódio, num papel que seria de James Dean, caso este não tivesse morrido.

A partir dessa altura, os bons papéis começaram a suceder-se e trabalhou com nomes como Alfred Hitchcock, Richard Brooks, Martin Ritt, Otto Preminger, entre outros. Em 1968, realizou o seu primeiro filme - Raquel, Raquel, onde teve oportunidade de dirigir a sua mulher.
Após nove nomeações para o Óscar, só o viu ser-lhe atribuído em 1997 com A Cor do Dinheiro, de Martin Scorcese. Dez anos mais tarde encerrou esse capítulo na sua vida, dizendo numa entrevista:" Já não consigo trabalhar ao nível que queria. Começa a ir-se a memória, a confiança, a inventividade.".

A 26 de Setembro de 2008, um cancro de pulmão encerrou o ciclo da sua vida. O azul do seu olhar, a amargura e turbulência dos papéis que encarnou ao longo da sua carreira ficarão para sempre.

22 comentarios:

salvoconduto disse...

Até na retirada foi grande. Raros são aqueles que reconhecem que já não conseguem trabalhar ao nível a que nos habituaram.

joshua disse...

Um homem, realmente.

PALAVROSSAVRVS REX

lusitano disse...

Bela homenagem e bem merecida!

Paul Newman descatou-se largamente de forma muito positiva, da "vida irreal e falsa" que muitas e muitos actores de cinema vivem.

Como a maior parte dos grandes homens que não abdicam dos seus principios foi muito pouco reconhecido pelos seus pares em relação a prémios, mas isso nunca lhe retirou a admiração do grande público.

Ferreira-Pinto disse...

A propósito de Paul Newnam, e nesta HORA, respigo aqui duas citações suas a propósito da longevidade (não só para os padrões de Hollywood, mas dos próprios tempos que correm) do seu casamento e do Óscar que teimou em chegar.

Assim, e a propósito do primeiro, uma evz saiu-se com esta: "Se tenho bife em casa, porquê andar a comer hamburguer fora de casa?" ...

Quanto ao Óscar: "Isto é como ter andado atrás de uma mulher durante 30 longos anos. Agora, ela cedeu mas já não me apetece!".

pedro oliveira disse...

Ferreira-Pinto hoje na antena 1 no pano para mangas,o João Gobern também referiu isso e uma que eu também desconhecia; ele criou um molho qualquer para saladas e todo o dinheiro que ganhava era para instituições, pois parecia mal ele ganhar mais com um molho do que como actor.
Paz à sua alma.
PO
vilaforte

Ferreira-Pinto disse...

Pedro Oliveira, o nosso Newman teve, de facto, os seus momentos brilhantes e de refinado humor.
Nem sempre perceptível, diga-se.

E era um homem que, além de tudo, tinha um coração do tamanho do mundo.
Ao que julgo saber, terá mesmo anunciado ser sua vontade legar uma generosa quantia a causas ditas nobres.

António de Almeida disse...

-Apenas uma rectificação, A Cor do Dinheiro é de 1986, tendo-lhe valido o óscar em Março de 1987 (referente a melhor actor de 1986). Merecia ter recebido tal distinção anteriormente, mas a academia cometeu mais algumas da sua já longa história de injustiças. Habituei-me também a vê-lo nos circuitos americanos, dirigindo a equipa Newman/Haas racing, da qual era co-proprietário, tendo obtido também aí inumeras vitórias, como piloto já não é do meu tempo. Uma vida cheia, que descanse em paz!

Peter disse...

Morreu um dos meus actores preferido. O cancro no pulmão continua a "ceifar". Ainda bem que saí a tempo, mas ficam sempre vestígios. Enfim ...

Votos de uma boa semana.

bluegift disse...

Bela homenagem Carol. Para mim é um dos actores mais belos de todos os tempos, e em múltiplos domínios.

Carol disse...

Essas citações que indicaste,FERREIRA eram-me desconhecidas, mas só revelam a grandeza e beleza do seu íntimo.

Obrigada, ANTÓNIO, por me alertar para a gralha contida no texto.

De facto, BLUE, este é um homem de uma beleza enorme. Curiosamente, essa beleza também era exterior.

DANTE disse...

Deixou-nos com Mater and the Ghostlight , filme onde , apesar de apenas emprestar a voz a um personagem animado , deixa bem demarcado a diferença que existe entre os actores de hoje , e os da oldschool.

Rest in Peace

Maria disse...

Acho muito bem a homenagem em detrimento do comentar o Socrates e o Chavez. Ainda bem que te callas, sobre essas noticias, para dar voz ao Newman ! bravo :)

Joaninha disse...

Ora deixa ver...

Socrates e Chavez de um lado...

Homem lindo, bom como o milho, sensivel, correcto, engracado, espirituoso, lindo morrer (não sei se já disse mas convem salientar) grande actor...

Ora, sobre quem é que eu quero ler? mmmmm...

Fizeste bem :)

Daniela Major disse...

Bonito, bom actor, talentoso, carismático...realmente há homens que não deviam morrer

Tiago R Cardoso disse...

estivestes muito bem, recordar uma enorme actor, uma pena, fica a obra e o mito.

Carol disse...

Então, estamos de acordo, certo, MAria?

Ó JOANINHA, acho que ainda ninguém frisou o facto do homem ser podre de bom e lindo de morrer, pois não?

Tiago disse...

Uma bibliografia que contém uma opinião pessoal bem marcada. Por vezes vale a pena desligar um pouco das notícias que a TV nos bombardeia e parar um pouco o tempo para contemplar certas relíquias...

Antitudo

Compadre Alentejano disse...

É um artista que merece ser recordado...

Zé Povinho disse...

Um grande actor, que deixa a sua marca na história do cinema.
Abraço do Zé

Joaninha disse...

Carol,

Tens razão, vamos dizer outra vez que o homem era lindo de morrer e bom como o milhlo só para garantir que toda a gente fica a saber.

Mal, mal acho que juntes no mesmo post o nome desta grande senhor (e liindo) e o nome dessas criaturas grotescas Socrates e Chavez.

Beiiijos

Carol disse...

Indeed, my friend JOANINHA!

Dalaila disse...

marcado na tela sempre