Orgulho de Portugal...

Nau portuguesa do século XVI em risco de ser submersa na Namíbia ... a nau quinhentista portuguesa descoberta em Abril ao largo de Oranjemud, no Sul da Namíbia, corre o risco de voltar a ficar submersa a partir de 10 de Outubro, último dia para manter a céu aberto o local da escavação garantido pelo consórcio Namdeb, formado pelo Governo namibiano e pelo grupo diamantífero sul-africano De Beers. Uma informação de que o Ministério da Cultura português não dispunha até ontem, reconheceu ao PÚBLICO o assessor de imprensa Rui Peças. "Vamos tentar perceber o que se passa", afirmou.


Um tesouro de 70 milhões em peças de valor inestimável ... Uma autêntica arca do tesouro. Logo em Abril … se soube que a nau quinhentista transportava uma quantidade incalculável de ouro, prata, cobre e marfim, além de objectos de valor histórico e cultural inestimável como astrolábios e instrumentos de navegação da época.
Entretanto foram encontradas mais de 2300 moedas em ouro do século XVI, muitas em prata, 13 toneladas de lingotes de cobre, dezenas de presas de elefante e cerca de 600 quilos de objectos como instrumentos de navegação e espadas. Uma descoberta cujo valor de mercado poderá ascender aos 70 milhões de euros mas cujo valor cultural é "inestimável".
Francisco Alves traça o perfil de uma descoberta que define como verdadeiramente extraordinária: "Este navio é o mais bem preservado da sua época fora de Portugal e há tantas moedas em ouro que talvez seja mesmo a mais importante descoberta africana à excepção do Egipto",
mencionava o jornal "Público"


Por vezes, são notícias como esta que me fazem sentir orgulho em ser Português!
Dum país de quase nada, saímos para o mundo todo, percorremos o mundo todo, deixamos no mundo todo as nossas “impressões digitais”, mesmo que algumas não tenham sido exemplos muito “exaltantes”.

Curiosamente, hoje em dia, alguns pseudo historiadores ditos portugueses até esta história querem colocar em causa, em nome não sei bem de quê.

Onde está hoje o orgulho desta raça portuguesa, (não me refiro a termos “rácicos”, mas a coragem, empenho, destemor, iniciativa, etc.), que tanto precisamos para sair da mediania, que já nem mediania é, mas perdoem-me o termo na comparação com o resto da Europa, é “baixania” ...

Depois a notícia lá reflecte o que acabo de dizer!
"Segundo uma notícia avançada ontem pela agência francesa AFP, o governo namibiano e a De Beers, um dos maiores produtores mundiais de diamantes - que ao longo dos últimos seis meses têm custeado juntos a preservação do achado -, não pretendem continuar a gastar os 1700 euros diários que a operação implica. Ao PÚBLICO, o arqueólogo Francisco Alves, da equipa que está a proceder à escavação e estudo da «mais importante descoberta de sempre da arqueologia náutica subsariana», confirmou o deadline, mas mostrou--se optimista quanto à possibilidade de se conseguir concluir o trabalho de recuperação nas próximas duas semanas".

Ou seja, há o perigo de se perder esta descoberta, mas não se lê na notícia a informação de que o Estado Português decidiu financiar os tais 1700 euros diários para se poder finalizar o levantamento da descoberta, talvez porque não a considerarem importante para o património histórico de Portugal!

Vamos vendo os nossos monumentos degradarem-se, os Castelos e as suas muralhas tantas vezes a caírem, os nossos museus fechados quando deviam estar abertos, ou seja, vamos hipotecando a história passada e depois ficamos sem nada, porque o presente e o futuro não auguram nada de bom.
Mas continuo a ser Português com orgulho, por isso mesmo assino Lusitano!

22 comentarios:

Ferreira-Pinto disse...

A gesta das Descobertas devia ser um dos nossos motivos de orgulho.
Não daquele orgulho patrioteiro em que outrora os manuais procuravam encher quem os lia, já que aquilo eram só proezas assinaláveis e nenhuma sacanice se havia praticado, mas antes de um orgulho de termos sido capazes de congregar vontades em torno de um desiderato.

Hoje não creio que tal fosse possível, a não ser que o Infante D. Henrique (rosto mais visível de uma vasta constelação de cientistas) fosse o Cristiano Ronaldo. E mesmo assim ...

Quanto aos tais 1.700 euros diários presumo que não fosse dinheiro que não se arranjasse, até numa parceria de mecenato, mas interrogo-me é se antes de chegar aos jornais se chegou aos corredores do poder.

Marcos Santos disse...

Talvez, amigo Lusitano, pelo fato de aí, como aqui, os governantes darem mais valor a gastar nosso dinheiro levando seus cães ao petshop, ou quem sabe, suas amantes ao cabeleireiro.

Peter disse...

Muito possivelmente o Governo (dito)português desinteressar-se-á.
Criou-se em Portugal um síndroma de "esquerda", como se ser de esquerda implicasse a negação do nosso passado histórico.

São notícias como estas que me apaixonam e mantém viva a minha portugalidade.

Blondewithaphd disse...

Se nós nem pelo presente somos capazes de fazer seja o que for, como vamos olhar para o passado?

Carol disse...

Não nasci em Portugal, mas fui aqui criada e educada. Gosto de Portugal, da sua história, da sua cultura.
Tenho orgulho em ser Portuguesa e custa-me sobremaneira ver a facilidade com que se renega a nossa história, o desprezo a que são votados os nossos monumentos e os nomes grandes da nossa cultura.
Espero que esta situação se resolva quiçá numa parceria entre o Estado e mecenas nacionais, como sugeriu o Ferreira-Pinto.

António de Almeida disse...

Não comento o que desconheço, mas em abstracto, se de facto tal for relevante para a cultura portuguesa, o estado não se pode demitir das responsabilidades. Nem falo em mecenato cultural, que por cá tal não passa de ficção.

Compadre Alentejano disse...

Como nasci no Alentejo, local mais que ostracizado pelos políticos portugueses, desde Salazar ao novo Salazar Sócrates, vejo com muita preocupação a continuação da gesta lusitana.
O miserabilismo impera em todo o lado.Até na preservação dos nossos monumentos há um desinteresse total.
Porque é que o governo não faz uma OPA sobre o país? Há pessoas que compram tanta merda, talvez comprassem esta...

MS disse...

Se fosse para pagar a alguns berardos ou coisa parecida tenho a certeza que havia dinheiro, agora para utilizarmos no conhecimento do nosso pais não, não há nada.
O senhor Sócrates só quer é vender magalhães.

João Castanhinha disse...

Se estas parcerias internacionais fossem tão simples como relatado por certo já se teria encontrado uma solução, é em águas territoriais da Namíbia, executada por concórcio com consultoria portuguesa e espanhola (requisitada), não é uma questão de "olha, lá está o Sócrates a lixar-nos", de resto a problabilidade nestes casos de os achados reverterem para a nação de bandeira do navio é diminuta, como se pode observar em tantos outros achados (lembro aqui apenas o do navio no estreito de Ormuz, que acabou com os arqueologos presos pelo governo indonésio apesar de seguirem todas as regras) pelo contrário normalmente acabam em leilóes na Southebys como os recentes casos da Portuguesa Arqueonautas na Ilha de Moçambique por forma a financiar as expediçoes, têm é acima de tudo que dar lucro, e bom.
Vale aqui apenas o significado histórico, aponta-se que poderá ser a nau do Bartolomeu Dias, e isso era bonito de se saber visto o homem ter dado sumiço sem se saber muito bem para onde.
Quanto ás moedinhas e dentes de elefante,mecenato e sócrates, são o que menos importa para o significado histórico do achado.

lusitano disse...

Caro João Castanhinha

É verdade que as parcerias não são fáceis, mas repare que descoberta foi feita em Abril, há 5 meses portanto.

É de reparar também que o Ministério da Cultura não tinha conhecimento de quê? Da descoberta ou do prazo de 10 de Outubro?

Mas a verdade é que na mesma noticia diz:
«Francisco Alves, que viajou para a Namíbia a convite do consulado português na África do Sul e numa missão coordenada entre o Igespar e o Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Francisco Alves, director da divisão de Arqueologia Náutica e Subaquática do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (Igespar).»

Diz que este senhor faz parte da equipa que está a proceder às escavações, e dá a entender que não foi agora que ele para lá viajou!

De qualquer modo o "achado" faz parte da história de Portugal, e das duas uma, ou é vendido e devemos comprá-lo, ou fica na Namibia e devemos ajudar a preservá-lo, em meu entender, claro.

Quanto à hipótese de ser a caravela de Bartolomeu Dias, parece que já está descartada, o que não retira valor à descoberta.

E também aqui não é uma questão "socrática", é infelizmente uma prática a que os governos da nação desde há uns tempos para cá nos vem habituando.

Um abraço

Tiago disse...

Deixam-se morrer as memórias desses tempos em que fomos grandes e perdem-se os exemplos para encararmos a vida com outra confiança no futuro. 1700 diários parece ser exorbitante para um governo custear, mas os prémios para os jogadores de futebol apenas por participar no Euro superam em larga escala este valor... Definir prioridades, conhecem senhores governantes?

Tiago R Cardoso disse...

muito bem, ser português, acreditar em nós e amar Portugal.

estivemos por todo o lado, fomos grandes e continuamos a ser, e uma pena, como dissestes, alguns façam questão de denegrir o próprio país.

João Castanhinha disse...

ja supervisionei alguns trabalhos arqueologicos com preco diario semelhante, n e esse valor que define a conclusao de um trabalho da dimensao herculeana como o da namibia. estamos la como convidados e em tempo nenhum nos pudemos substituir ao pais do achado
e assim, custe ou nao, e crer passar a ideia k a culpa e do igespar,do mc ou governo e digamos assim k para o tendencioso,mas do Publico ja se sabe... ps. pk raio e k o estado tem de comprar o achsfo? n seria um orgulho ter os achados expostos nos melhores museus do mundo a relatar os feitos desse povo portugues? enquanto formos possessivos em relacao a nossa historia ela nunca passara fronteiras,o nosso triste fado

Ferreira-Pinto disse...

JOÃO CASTANHINHA, desculpe a ignorância mas levantou uma questão que, apesar de jurista, não domino muito bem, embora presuma que no Direito Internacional vigore o mesmo princípio do nosso direito interno: quem descobre um Tesouro fica com uma parte e partilha a outra com o proprietário da coisa móvel ou imóvel onde o mesmo estava?

João Castanhinha disse...

Nestes casos normalmente (e aqui tb eu falo com total ignorância ) o que se observa é a divisão do bem achado entre o pais onde a descoberta se encontra e a entidade promotora da acção em partes por eles a decidir por forma a financiar os custos da expedição, elevadíssimos nestes casos.
Se se têm procedido de outra forma desconheço em absoluto, este parece-me ser o normalmente aplicado.
Aliás, aqui mesmo em Portugal apenas temos direito a uma parte dos achados caso a descoberta em águas territorias seja feita por empresas estranhas ao estado português, certo caro Doutor?
A fronteira entre empresas que se regem por critérios cientificos que usam estratégias arqueológicas de inventariação, contextualização, datação etc.. é tão ténue com aquelas de carácter meramente económico, mais conhecidas por pirataria subaquática que fico contente por saber que existe essa preocupação neste caso da Namíbia.

Abraço

João Castanhinha disse...

http://allafrica.com/stories/200809240592.html

(a noticia que efectivamente interessa)

lusitano disse...

Caro João Castanhinha

Pode ser muito bem que o Publico nos induza numa determinada conclusão.
Não tenho conhecimento suficiente do assunto para rebater a informação do jornal.

Também não se disse que deveriamos substituir o país do achado, mas sim que poderiamos com certeza concorrer para os custos da operação dando azo a que a mesma fosse levada a bom fim.

Eu pessoalmente não tenho nada contra a permanência de achados da história portuguesa em museus estrangeiros, desde que devidamente identificados e preservados.

Outra coisa é a possibilidade de poderem ser vendidos a outrém que não museus e para já nem sei se isso é possivel.

O que quis afirmar é que se o Igespar já estava no terreno a convite do consul português, é lógico que o Estado português já estaria informado da descoberta.

A não ser que como tantas vezes acontece no nosso país se tenham feito as "panelinhas" do costume e uns não tenham informado os outros.

Um abraço

João Castanhinha disse...

Podem e são efectivamente vendidos em leilões por esse mundo fora, neste caso da Namíbia, já tive oportunidade de confirmar de facto todos os achados são propriedade do estado Namíbiano (conforme li a lei internacional dita nestes casos) e encontram-se a ser guardados no banco nacional lá da terra:), pensam futuramente em criar uma exposição permanente para o mostrar, quanto à falsa questão levantada pelo publico, não é por haver interesse ou não do estado portugues que a escavação vai ser interrompida, é uma questão fisica, de água vs areia com a primeira a ganhar no inicio deste mês.
O custo diário da expedição é como aliás suspeitava bem mais alto, por volta dos 8500 euros diários, mais uma vez não se percebe o valor aqui supra-enunciado.
De resto os meus sinceros cumprimentos por este post, que me deu tanto prazer em comentar,

Abraço Arqueológico

lusitano disse...

Para completar um pouco a informação sobre o caso.

No Forum Arqueologia.com

http://arqueologia.informe.com/arquenilogo-cauteloso-sobre-descoberta-de-navio-dt1172.html

Encontrei para além de outras a seguinte noticia da Rádio Ranascença em 1 de Maio de 2008.

http://www.rr.pt/InformacaoDetalhe.aspx?ContentId=245533&AreaId=23&SubAreaId=39&SubSubAreaId=79

que diz:
«“Uma janela que se abre sobre o passado” - é assim que o arqueólogo Francisco Alves vê o anúncio da descoberta de um navio com cerca de 500 anos feita pela companhia de diamantes da Namíbia.

As primeiras investigações indicam que poderá ser a caravela de Bartolomeu Dias.

O director da divisão de Arqueologia Náutica e Subaquática do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico é cauteloso sobre este ponto, mas considera que Portugal deve acompanhar de perto esta descoberta.

“É muito difícil poder crismar logo à partida e qualquer arqueólogo que se preze é cauteloso antes da observação e muitas vezes são mais as perguntas que ficam do que as respostas que dão estes achados. Acho que é um caso a acompanhar muito perto”, disse Francisco Alves.

Segundo o porta-voz da companhia de diamantes de Namíbia, o Governo português já foi contactado no sentido de enviar uma equipa de peritos para mais investigações sobre este navio.

A Renascença já contactou, esta noite, vários gabinetes do Executivo de José Sócrates mas, até agora, não foi possível obter qualquer esclarecimento sobre a forma como estará a ser acompanhado este caso»

Então pelos vistos já em Maio a empresa de diamantes tinha contactado o Governo Português e a própria Renascença tinha solicitado ao Executivo informações sobre o assunto.

João Castanhinha disse...

Sim, e o Doutor Francisco Alves foi enviado para acompanhar a 2ª fase da escavação, qual é mesmo o problema?

"A realidade é aquilo que nós quisermos."
Dalai Lama

lusitano disse...

Não tem problema nenhum a não ser esta frase da noticia do Publico que eu julgo eles não iriam inventar, e da qual não se percebe o alcance.

«Uma informação de que o Ministério da Cultura português não dispunha até ontem, reconheceu ao PÚBLICO o assessor de imprensa Rui Peças.»

De resto tudo bem, o que importa é salvaguardar, proteger e apresentar o achado e se assim é óptimo, fico satisfeito!

joshua disse...

Tenho orgulho também em todas as nossas desgraças gloriosas e efémeras. Pela rapina e pelos naufrágios da sabedoria: somos um bom de um povo perdulário.

PALAVROSSAVRVS REX