Até sempre e desculpem se desiludi!

António de Almeida 11/09/2008



-Considero O Notas Soltas, Ideias Tontas, um excelente blogue, criado pelo Quintarantino, actualmente assinando como Ferreira-Pinto, desenvolveu este projecto, ao qual acrescentou o Tiago R. Cardoso, a que se seguiram outros colaboradores. Tive o prazer de os ler com regularidade, comentar com frequência, umas vezes convergindo, outras divergindo, como é próprio de pessoas que pensam por si, mas sempre com respeito mútuo e elevação no debate. Posteriormente tive a honra de ver publicados alguns textos que enviei para a excelente rubrica Notas Emprestadas, que também me possibilitaram, e certamente a outros leitores, conhecer pessoas que apenas tinha lido em caixas de comentários. Um dia sou surpreendido com o convite do Tiago R. Cardoso para colaborar no Notas, que após esclarecimento do projecto pretendido, que passava por divergência entre pontos de vista, e debater actualidade ou escrever sobre o que nos apetecesse, resolvendo aceitar, porque os autores deste espaço me merecem tal respeito, embora escreva sem condicionalismos, e permita comentários quase ao limite do insulto, a única barreira que efectivamente coloco, a partir da qual apago um comentário, a minha tolerância pela opinião e liberdade alheia é de facto grande, apenas não respondo a provocações, mas repito, foi sempre um prazer debater com os autores do Notas, razão pela qual só poderia aceitar passar o debate das caixas de comentários para os posts. Não tenho uma visão clara do que deve ser um blogue, aliás, não sei se alguém a terá, existem tantos e diferentes, vários de excelente qualidade, cada um com o estilo de quem o escreve, depois existem blogues colectivos, onde o limite a meu ver fica colocado no respeito mútuo entre os seus autores, e nas regras a existirem que tenham sido criadas e aceites por todos. Até hoje ninguém no Notas disse que o que poderia ou não escrever, não tive qualquer texto censurado ou editado, sempre escrevi com liberdade absoluta, quando, como e sobre os assuntos que entendi, não vim até aqui em busca de protagonismo, já escrevo há algum tempo o Direito de Opinião, e colaboro n' O Andarilho, vim sim procurar contribuir para um espaço que aprecio e respeito. Mesmo não sabendo exactamente o que será um blogue, sei que não é uma empresa, para se lançarem OPA's, nomearem administrações ou afastarem fundadores, quando li o post assinado pelo Ferreira Pinto, obriguei-me a reflectir, entretanto alguns colaboradores deste espaço começaram a sair, decidi aguardar mais uns dias em reflexão para tomar um decisão em absoluta consciência, mas que também não pudesse ser entendida como qualquer forma de seguidismo, acreditem que apesar de tudo não é uma decisão fácil, o post já vai longo, mas tenho de afirmar o óbvio, a partir daqui deixo de colaborar neste espaço, assumindo a minha quota parte de responsabilidade, se este projecto não conseguiu obter o sucesso pretendido. Quero no entanto fazer um apelo, ao Ferreira-Pinto, que não deixe morrer um projecto que em tão boa hora criou, que volte a assumir o controlo, e lute por conseguir transmitir a identidade ao projecto em que acredita, pela minha parte, porque não saio magoado com quem quer que seja, estarei sempre ávido por ler, e disponível para comentar. Uma última palavra de apreço para com pessoas que apenas conheci, depois de me ter tornado autor do Notas, a Dalaila, o Marcos, o Lusitano ou aquele que considero o melhor dos leitores, sem desprimor para qualquer outro, o Compadre Alentejano. Muitos mais poderia citar, mas já os visitava antes do Notas, continuaremos a encontrar-nos por aí. Até sempre, bem haja e obrigado por tudo!

8 comentarios:

Ferreira-Pinto disse...

Caríssimo, não há desilusão alguma nem que pedir desculpa.

O meu post foi simplesmente um sentido adeus pois digo-o, agora, não encontro nem o entusiasmom, nem a disponibilidade mental para um projecto tão exigente como este.

O meu dilecto amigo, permita-me o tratamento, foi e é pessoa com a qual posso não me identificar nalgumas questões de nautureza, digamos, ideológica, mas tem algo que admiro: coluna vertebral!

Não quero retomar o NOTAS, nem posso pois não estou no quadro das permissões.

Peço-lhe, por isso, que reconsidere e que, conjuntamente com o LUSITANO, o mantenham.

Compadre Alentejano disse...

Pela minha parte, fiquei muito grato pela referência que faz ao Compadre Alentejano. Na verdade, e já tive oportunidade de dizer mais que uma vez, sinto que existe uma familiaridade entre o Notas e o Papa Açordas.
O Notas faz falta na blogosfera, não pode acabar!
Um abraço
Compadre Alentejano

C Valente disse...

É com prazer e satisfação que entramos nos blogues que nos recebem tão bem, que estimamos e consideramos AMIGOS, aos amigos não dizemos para desistir, como não dizemos Adeus, mas sim até sempre com amizade
Saudações amigas

Peter disse...

E assim se assiste à morte de um blog que eu me habituara a visitar.
Será com tristeza que o irei apagar dos n/links.

Carol disse...

Não gostaria de ver o Notas morrer, apesar de ter sido a primeira a abandonar o projecto.

Sinceramente, espero que o António e o Lusitano, juntamente com os restantes membros deste blog, consigam ultrapassar este momento difícil.

Blondewithaphd disse...

?!?!
Então é nisto que se tornou o Notas?! Lamento. Mas, desculpem a dureza, sabemos muito bem o que se passou, sabemos muito bem a descaracterização que se processou e mais, lamento, mas sabemos onde há culpas porque nada acontece de germinação espontânea, antes de sementeiras feitas. Pois bem, é tempo de colher. Espero que a lição não caia em saco roto.

E já agora, é conhecido que o Ferreira-Pinto é-me uma referência e que tenho por ele grande partidarismo, por isso me aborrece o estado caótico e moribundo do Notas, mas se há também quem eu admire no opinativo dos seus posts é o António de Almeida que considero uma espécie de coluna vertebral do actual Notas. Gostei que aqui entrasse. Lamento, igualmente, que saia.

Dalaila disse...

excelente texto, por isso só poderá ser uma saída para outro lado e nunca uma despedida.

Eu andei por cá pouco a escrever, de facto acho que este blog precisa de um refresh e que as pessoas acreditem nele, eu vou continuar no farol, acho que este canto é para discutir situações, a única coisa que me parece, é que são tantas pessoas a escrever bem, que de repente eu não consigo ler os textos todos.

joshua disse...

Que seja uma crise de crescimento, embora seja nítida uma clivagem interior de tendências e de perfis que não mostra sinais de ser sanável.

Um blogue como o Notas, naturalmente, se assumido de um modo apaixonado, torna-se uma tarefa muito exigente. Por ser colectivo, a relevância individual esbate-se, exige empenhamento, constância e não depende o sucesso comentado de cada um da posição que ocupem na página quotidiana: os valores e o valor das pessoas ombreiam entre si e são o que são em alguns casos com grande margem de progressão e afirmação, salvo para quem não quiser correr riscos, não estiver para refregas, polémicas, discordâncias, conflitos posicionais, levantamento de fragilidades argumentárias e por aí.

A entrega deve ser grande. O risco de não ser lido é altíssimo, mas a luta está precisamente aí e, se calhar, por muito que saltemos de projecto em projecto, há em todos os casos apenas um projecto. O pessoal, dentro de um colectivo. E mesmo se não houver, se houver antes um projecto colectivo que marginalize o lado pessoal nele, na verdade ele continua a ser pessoal. A competição interna não tem de ser demonizada, a dialéctica interna, o contraste dos caracteres não têm de ser em todos os casos conducente a finais rasgados ou a esfriamentos amorosos, como aquele a que agora se assiste e nem todos conseguem compreender inteiramente porque cientificamente não muito fácil de explicar o ciúme, o preconceito pela simplicidade, a nudez da inteligência apesar do erro ortográfico e da falta de citações clássicas, literárias ou outras. Enfim, simplesmente tenho saudade do tempo quando esses óbices, que porventura se avolumaram até ao desfecho presente, não se colocavam de modo absolutamente nenhum. Havia sinergia e a promessa de vitalidade estava no ar.

O Tiago trabalhou muito. O António de Almeida trabalhou muito, realmente imperturbável, sem nunca desalinhar na correcção urbana (não é pessoa para se descabelar e simular excessos com um verbo a doer como eu faço, mas antes para seguir sereno num registo, passe a piada bem intencionada, de Pantera Cor-de-Rosa muito determinada e sempre em cima do acontecimento), mas sempre de uma limpeza relacional absoluta. Todos fizeram o seu quinhão, mesmo o Tarantino, quando a sua alegria pontificava e sobrelevava entre as demais, mas a verdade é que o Notas desbotou.

Elencar culpados e motivos é uma tarefa inglória porque fará vítimas e responsáveis injustamente responsabilizáveis e vitimáveis. O que é preciso é trabalhar, habitar o tempo e comentá-lo com um sentido construtivo e subversivo o maior possível. E aí, ressuscitar o Notas é possível.

A blogosfera é uma arena muito ampla para relações, afinidades, brilhos de espécie diversa, e triunfos variados. Há que ir à luta dispostos a sangrar.

Eu vou, por mais que me digam subtil e tacitamente: «Morre! Desaparece! Não te suporto! Muda! Não vais lá! Foste derrotado!»

Eu continuo, como desde o princípio. E digo, muito sinceramente a todos esses que tacitamente ou explicitamente tal mo tornam implícito ou explícito.

NÃO!

PALAVROSSAVRVS REX