A Vermelhinha

Marcos Santos - 21.08.2008


Estava passeando pelo parquinho, com minha mulher Denise e meu filho Pedro. Na verdade estávamos fotografando flores, quando me deparei com essas vermelhinhas.


No mesmo instante e de impulso, arranquei uma das flores ainda fechadas, tirei seu pedúnculo, coloquei seu cálice em minha boca e chupei. Neste momento viajei para muitos anos atrás. Anos em que essa plantinha fazia parte de nosso dia a dia. Que essa flor era passagem obrigatória para nós quatro. Eu, Carlos, Paulita e João.

Não havia dia em que não nos juntássemos no entorno daquela planta, que vivia emaranhada com uma roseira. Todo cuidado era pouco. Afinal, uma criança não é páreo para uma roseira adulta, e a vermelhinha ficava ali, misturada com sua protetora espinhosa.

Vermelhinha..., era assim que nós a chamávamos e é assim que eu a conheço. Ela ficava na entrada da casa da Paulita, próxima ao portão, paralela a calçada que levava à varanda.


Se bem me recordo, nós lembrávamos dessas flores quando já havíamos esgotado todas as brincadeiras. Acho que batia uma fome e nós corríamos para provar daquele néctar.

E chupávamos tantas flores quanto pudéssemos, até restarem algumas poucas, que sabiamente, deixávamos para nossos "lanches" futuros.

Engraçado... Agora não as sinto assim, tão doces como naqueles tempos. Talvez, nós as achássemos doces, pelo fato de usarmos nossa imaginação. De no fundo, querermos que elas fossem doces.

Afinal, esses foram os néctares mais doces de que me recordo,...e se os beija-flores gostavam, porque haveríamos de não gostar?


Marcos Santos

Rio de Janeiro

1 comentarios:

Tiago R Cardoso disse...

boa recordação.

E como é diferente a perspectiva das coisas depois que crescemos, o nosso "adulto" desfaz a beleza das coisas.

Felizes que nós éramos quando a inocência ainda era maior que a analise.

Hoje tudo é analisado, tudo é medido e remedido, somos demasiado analíticos e pouco espontâneos.