A saga dos olímpicos portugueses...

Lusitano - 22.08.2008


Há dois dias atrás, Vicente Moura, Presidente do Comité Olímpico Português, disse que era necessário assumir as responsabilidades do “fracasso” da representação olímpica portuguesa em Pequim, e que por isso mesmo não se iria recandidatar a um novo mandato.

Entretanto Nelson Évora, brilhantemente, ganhou uma medalha de ouro no Triplo Salto.

Vicente Moura achou então que o que tinha dito dois dias antes já não tinha razão de ser e por isso mesmo ponderava afinal recandidatar-se a novo mandato.

Ou seja, primeiro, no contrato assinado com o Governo, promete 5 medalhas, o que é um erro pois não é possível aferir se os atletas as vão ganhar, pois são tantos os factores a considerar que é impossível ter um grau de certeza nessas vitórias.
Já lá diz o outro: «Prognósticos só no fim!»

Depois, deixando-se levar pela “emoção”, provocada pela indignação perante tantas declarações infelizes dos atletas, torna a apreciar mal os possíveis resultados e decide dizer que não se recandidata.
Pelos vistos já não tinha confiança em Nelson Évora!

Seguidamente à brilhante vitória de Nelson Évora, já considera os resultados óptimos, (ver acima a promessa feita), e decide que afinal deve recandidatar-se a novo mandato e para tal recorre à “figura” já conhecida dos portugueses de pedir uma “vaga de fundo” de apoio por parte das Federações Desportivas.

Vicente Moura está à frente do Comité Olímpico Português “só” há quase trinta anos!

Tenho para mim que trinta anos à frente de qualquer “coisa pública” nunca dá grande resultado, mas pode ser que eu esteja enganado.

Tenho para mim, também, que a culpa dos desaires olímpicos tem a mais a ver com a organização da representação olímpica do que com os atletas.

Tenho para mim, ainda, que perante tudo isto, manda o bom senso que se dê lugar a outrem para que possa fazer melhor, ou então provar que o caminho percorrido estava certo.

Sem isso fica a dúvida!

Mas estes lugares são apetecíveis e é muito difícil deixá-los!!!

6 comentarios:

Peter disse...

Concordo inteiramente: "a culpa dos desaires olímpicos tem mais a ver com a organização da representação olímpica do que com os atletas."
30 (TRINTA!)anos a desempenhar as funções, não se pode aceitar, é muito tempo e é preciso mostrar mais trabalho.

JOY disse...

Concordo com o que aqui foi dito, se é assim em quase tudo porque haveria de ser diferente aqui ?
Fala-se muito ,promete-se mundos e fundos ,criam-se espectativas que não se sabe ser possivel concretizar, e depois é a velha história ,a culpa é dos árbitros do tempo é as condições a falta de sorte, enfim o triste fado de sempre. Penso que depois do que disse o Sr. Vicente Moura por uma questão de coerência devia abandonar a presidência do COP, se é que a têm !

Joy

Compadre Alentejano disse...

O sr. Vicente Moura está a chupar na têta. Possívelmente é reformado de qualquer "coisa" e está ali a mamar o seu. É tempo de haver mudanças, e o sr.Moura devia ter vergonha...

sefosseprimeiroministro disse...

Grande post. O sr. Moura devia ouvir o "capitao Moura": "sao uma cambada de lamboes"

Tiago R Cardoso disse...

muito bem dito e escrito.

"Tenho para mim que trinta anos à frente de qualquer “coisa pública” nunca dá grande resultado..."

Nesta frase disseste tudo, agora como quem não quer a cisa volta atrás, tivesse vergonha e fica-se calado.

Vicente Moura que se dedique ao surf, já que gosta tanto de ir na onda.

O Guardião disse...

Um dos grandes males em Portugal está na (des)organização, isso é uma evidência. Custa reconhecer isso, porque os responsáveis máximos dos desaires, nunca o admitem nem são nunca responsabilizados.
Cumps