Por mim, basta!

Lusitano - 18.08.2008


Tenho andado ultimamente, (num período de semi-férias), ocupado a dar-me conta desta coisa óptima e terrível ao mesmo tempo, que são os espaços de notícias, que são os espaços de divulgação de informações e tantas coisas mais, e como a ética destes espaços é tão frágil, tão precária, tão inexistente.

Ora reparem nesta notícia do Portugal Diário:


Jovem mata-se depois de ver fotos publicadas na net
Suicídio estaria relacionado com a divulgação de imagens em situações íntimas


Mais de duas mil pessoas participaram, em Itália, no funeral de uma jovem de 16 anos que se matou com o revólver do pai depois de ver as fotos íntimas divulgadas na Internet, explica a ANSA.
No dia 9 de Agosto, a jovem natural de Adria desejou boa-noite à mãe, mas em vez de ir para a cama, pegou na arma do pai e deu um tiro no peito acabando por morrer instantaneamente.
De acordo com a família, o suicídio estaria relacionado com a divulgação na Internet, há dois anos, de fotos da menina em situações íntimas. Naquela ocasião, tentou cortar os pulsos, mas foi socorrida a tempo pela mãe. Desde então tinha feito tratamento psicológico.
Na época, sete pessoas foram investigadas pela Justiça na procura de um responsável pelas publicações, mas ninguém foi incriminado. Um ex-namorado, suspeito de ter publicado as imagens depois de o casal se separar, mudou de cidade para fugir aos boatos. A polícia confiscou o diário, o telemóvel e o computador da jovem para investigar o caso.


Pode até dizer-se que uma coisa não tem a ver com a outra, mas a verdade é que o acesso aos espaços de divulgação, seja do que for, a falta de regras de protecção dos inocentes atingidos na sua intimidade e honra, a permanente falta de ética da maior parte dos média, (que não hesitam em explorar ao máximo os dramas humanos e íntimos), a falta de dignidade de uma parte considerável de “figuras públicas”, que se expõe ao voyerismo dos leitores e utentes dos diversos espaços de divulgação, leva a que alguns, porque mais frágeis na sua estrutura psíquica, acabem por não resistir à exposição pública e tomem decisões extremas contra si próprios ou contra outros, como parece ser este caso.

E agora?

Há ou não responsáveis por terem feito algo que levou a que uma jovem de apenas 16 anos pusesse termo à sua vida ainda tão curta?

Ou não seremos todos nós um pouco responsáveis, por permitirmos estes excessos na utilização de espaços noticiosos, ou de divulgação seja do que for, “contribuindo” com a nossa indiferença e às vezes até com a nossa colaboração activa ou passiva?

Por mim, confesso que é assunto que muito me incomoda e que vou rever seriamente a minha utilização destes espaços, não permitindo que alterem a minha concepção de vida em sociedade, que quero digna, responsável, respeitadora dos outros e solidária com os inocentes que tantas vezes acabam por serem manipulados, por práticas sem escrúpulos.

3 comentarios:

António de Almeida disse...

-Já sou indiferente e julgo que imune a esses espaços. Não consumo informação cor de rosa nem formatos tabloides, ou programas que explorem a miséria humana.

lusitano disse...

Também não costumo "consumir", mas entram-nos pela casa adentro, confrontam os nossos olhos, aparecem onde menos e se espera e muitas vezes travestidos de "coisas sérias"...

Daniela Major disse...

É o lado negro da internet.