Ainda o assalto ao banco...

Lusitano - 11.08.2008

Como antes se dizia nas cerimónias ou festas no momento de “botar” discurso, faço minhas as palavras dos oradores anteriores sobre este assunto, e reforço as palavras do orador Tiago, para afirmar que há muita mania de criticar o que não se leu, ou não se leu na totalidade.


Mas em todo este caso o que me impressiona, para além obviamente e acima de tudo da morte de uma pessoa, (criminoso ou não é uma pessoa), e dos terríveis momentos por que passaram outras inocentes e que os poderão marcar para o resto das suas vidas, (sei do que falo porque estive na guerra), é a exploração exaustiva, descabida, violadora da privacidade, inconsequente na sua utilidade, etc, que as televisões fizeram de todo o assunto.

É certo que uma grande parte dos cidadãos se “pelam” por aparecer na televisão, mas também é certo que as televisões se sabem servir muito bem desse "desejo" de cada um.

Ao que me lembro o comandante da Polícia não quis revelar de início a nacionalidade dos assaltantes, por razões óbvias como se veio a verificar, mas logo os média “cavaram e voltaram a cavar” até encontrarem tudo o que era necessário para continuarem o "drama", para terem mais tempo de antena, para ganharem no fundo mais uns “cobres” com a publicidade dos “directos” em cima do acontecimento!

Não sou especialista em informação, mas este assunto tem sido debatido por muitos, no sentido de se saber até que ponto se pode ir na cobertura noticiosa, ou seja, o que é notícia e o que é “voyerismo”.

A mim incomoda-me que por uma qualquer suposta intenção de informar, se acabe por “violar” a privacidade, a intimidade de cada um, (como por exemplo as famílias daqueles reféns que assistiram a tudo em directo), e sobretudo que, ao lançar informações que nada interessam à noticia em si, se provoque reacções de exclusão, de irritação, que podem levar até à violência contra quem nada tem a ver com o acontecido, mas “integra” apenas um “grupo” ou “classe”, (que raio de palavra), de cidadãos.

Mas posso estar enganado, claro!

3 comentarios:

Tiago R Cardoso disse...

Ontem os telejornais andaram ainda em outros patamares, foram ao ponto de entrevistar os familiares dos assaltantes no Brasil.

Abrir um telejornal esticando a desgraça de tudo e de todos é no mínimo um insulto ao cidadão, é uma tentativa de vender a desgraça, um entrar mo intimo das pessoas.

Aconteceu o assalto, resolvido, dadas as noticias, porquê o continuar do assunto ?

Começa a valer tudo, seria a altura do cidadão perante tal "voyerismo" mudar de canal e ver os JO ou então desligar a televisão.

António de Almeida disse...

-A partir de determinado ponto há que separar informação do telelixo.

Marcos Santos disse...

Lusitano

Não se apoquente. A imprensa é mais imbecil, na medida em que o fato se aproxima de nós. O maior dos perigos é justamente este, pois a imbecilidade dela é tão grande que deveria ser tratada como ciência.