Tropa de Elite - Chancela da Realidade

Marcos Santos - 17.07.2008



“Olha aí freguês, Tropa de Elite, o Filme do BOPE. Paga dez na minha mão, e leva dois.”

Quem passasse nas proximidades da Central do Brasil, o principal terminal ferroviário da cidade do Rio de Janeiro, topava com vendedores ambulantes, os camelôs, anunciando o produto inédito.

Mas o ineditismo era peculiar.
Diferente de filmes que estréiam no circuito mundial e são distribuídos por máfias chinesas de falsificadores de DVDs, Tropa de Elite teve sua versão pirata, comercializada antes do lançamento nos cinemas. Aliás, dois meses antes do lançamento.

Claro que os produtores do filme passaram por momentos de tensão, pois a cópia pirata espalhou-se como praga. O resultado financeiro da produção poderia estar comprometido. Para se ter uma noção do problema, segundo a Folha de São Paulo, 19% dos paulistanos (cerca de 1,5 milhões), já haviam assistido ao DVD pirata até as vésperas da estréia, que acabou sendo antecipada.

Curiosamente, esses mesmos produtores já haviam passado por momentos de tensão. A obra teimava em viver de maneira perigosa e errante, misturando e fundindo sua ficção, com a realidade da cidade.
Em novembro de 2006, parte da equipe de filmagem foi seqüestrada por traficantes do morro Chapéu Mangueira, onde o filme foi rodado. No episódio, um total de 90 armas cenográficas foram roubadas, entre réplicas e originais adaptadas para festim, o que paralisou as filmagens por duas semanas.

Mas o filme saiu, seus números acabaram impressionando (2,5 milhões de espectadores nos cinemas, em dois meses) e seus prêmios também. Os principais foram o Urso de Ouro no Festival de Berlim e o de melhor filme no Festival Hola Lisboa, ambos em 2008.

Polêmicas a parte, pois chegou a ser taxado de obra fascista, o filme segue seu destino, chegando finalmente ao circuito português, local onde recebeu um de seus importantes prêmios.

Reconheço que não gosto de filmes violentos, mas a violência vivida em Tropa de Elite não me agride. E não agride pelo simples fato de estar muito próxima da realidade das comunidades carentes do Rio de Janeiro.
Lá, nessas comunidades, se correr o bicho pega, e se ficar...o bicho come.
Enfim, a realidade acabou por chancelá-lo.

Entrem no sítio oficial e comecem a entrar no clima.


Foto: Wallpaper Sítio Oficial

Referências:
Adoro Cinema
Folha Online
Sítio Tropa de Elite

5 comentarios:

António de Almeida disse...

-Já vi o filme (versão não autorizada), penso voltar a vê-lo em versão autorizada porque gostei, escrevi 2 posts sobre o mesmo, e subscrevo o que diz. Segundo informações que me chegaram a este lado, após a estreia do filme no Brasil, aumentou o carinho das pessoas comuns pelo BOPE, chegando até a acontecer parar um jipe num semáforo e pessoas baterem palmas aos policias. Não sei se foi assim, se a história chegou cá aumentada, mas a meu ver o cidadão comum está farto de marginais, e bandido tem escolha, não me venham com as mentiras do costume da falta de integração e condições sociais, as quais existem não nego, são um problema, mas não impedem que muitas pessoas que vivem nesses lugares sejam honestas e trabalhadoras. Mas existe sempre quem queira ter tudo pela via mais fácil, sem trabalhar, dizer isso é fascismo? Penso que não! Lugar de criminoso é na prisão, se resistir á polícia, pior para ele, gosto de sentir autoridade de estado, não confundir com estado autoritário, porque nada tem a ver. Recomendo.

Zé Povinho disse...

A ficção e a realidade são muito próximas e idênticas, e essa é a maior virtude do filme, ou defeito para os que não gostam de ver exposta de uma forma crua a realidade do terreno.
Abraço do Zé

quinttarantino disse...

Onde acaba a ficção e começa a realidade numa sociedade crescentemente violenta?

Sérgio Pontes disse...

É um filme muito bom! Adorei.

Tiago R Cardoso disse...

E demorou para chegar, eu que espero pela estreia já há muito tempo.

Vou ver brevemente, terei de o ver do ponto de vista de um Brasil no seu todo e não só pela violência do filme.

Tenho quase a certeza que não terei nenhuma decepção.

Excelente Marcos, muito bem.