Não há derrotas, só recuos tácticos!

Quinttarantino - 15.07.2008

O camarada Tiago caiu, sente-se derrotado e escreveu um texto pungente!
Deixou meio mundo perplexo e alguns a interrogaram-se sobre o que de tão grave sucedeu que dê origem a um escrito assim.
Com o devido respeito, e que muito é, lendo-o quase se imagina um pobre mortal a carregar a cruz até ao Calvário …
E, no entanto, assim não é, pois por muito que pensemos que estamos mal há sempre quem ainda esteja pior.

Meu avô, que já se finou, costumava afiançar que mais que olhar para quem está acima, devemos procurar olhar para quem está mais abaixo.
E que, ao assim actuar, encontraremos conforto na nossa própria existência.

Que pode não ser fácil.
E certamente que o não é no plano geral quando a crise assola o mundo, ceifando a esperança que ainda restava nas planícies e secando as fontes do nosso refrescamento!

Já nos idos de setenta, quando em Londres se fizeram escutar em altos berros os SEX PISTOLS se proclamou que NO FUTURE e vislumbra-se agora que, podendo haver futuro, o mesmo não será certamente o doce remanso que muitos julgavam ser um direito adquirido.
Não vai, não!

Não sei bem o que será, mas não será nem o mundo que hoje conhecemos nem a sociedade que antecipávamos. Será uma coisa diferente, quiçá para pior.
Por isso, prostrados no chão nada resolvemos.
Nem na nossa vida, nem na de ninguém.
E assim sendo só há um remédio … e cada um sabe ou deve procurar o seu.

6 comentarios:

Carol disse...

Pois, presumo que fales do avô paterno, de quem não tenho lembranças...
Mas olha que, nos momentos de desânimo, a mom costuma dizer-me para eu não me ir abaixo e pensar naqueles, que são muitos, que estão pior do que eu. E tem toda a razão!
Apesar das dificuldades, há muito quem esteja pior do que nós e é nisso que devemos pensar sempre porque o desânimo não leva a nada.

joshua disse...

Consolo de merda, olhar para baixo! Basta olhar para o lado que é sempre a obliquar!

Se o Tiago está fodido, eu estou fodido. Não estou é com homilias de padre nenhum, mesmo sem ser padre, nem com paleios inócuos de chocas nenhumas nos seus acantonamentos de civismo desinfecto de crise e todo composto, como numa CARAS-blogue.

PALAVROSSAVRVS REX

Marcos Santos disse...

Já eu acho que o Tiago estava apenas inspirado. Com certeza, muito inspirado.

quinttarantino disse...

Anda por aqui um comentador muito ácido ... e, no entanto, da sua acidez discorre e escorre o quê?

joshua disse...

Existência! É preciso existir. Todos querem existir para si e para os outros. Mas muitos pensam que só eles existem. Muitos desistem da existência dos outros e masturbam-se até à morte com a própria existência. Está errado e nunca lhes bastará um mililitro do meu ácido, daquele que mata mil ratos, por que existam de outra maneira.

O que em mim acidifica está pensando! O Poeta é um Fingidor, finge tão completamente que chega a fingir que é ácido o ácido que deveras lhe escorre. Discorro existência! Decorre que existo!

Por isso não darei palmadinhas nas costas do Tiago. Não embandeirarei em arco comigo mesmo nem lerei inocuidades poéticas na poesia inspirada do Tiago e, acima de tudo, não pregarei! Nada pregarei!

Pregar invalidará e dissolverá a existência mesma do Tiago!

Boas, Tarantinóide! Um muito bom dia!

PALAVROSSAVRVS REX

quinttarantino disse...

Joshua, meu caro e enorme J ... esta é a sociedade da existência una, indivisível e onde o primado do EU é um dogma incontestável.

Serão poucos porventura os que não o vêem e ainda menos os que por esse diapasão não se regem ...

Não sendo nem profeta, nem Messias não sei se são aqueles ou outros quem desistiu da existência ou se alguém porventura, seja por que padrão se rege, algum dia desistiu de viver.

Noto que hesitas entre Pessoa e Descartes, entre um fingimento que o não é e uma existência feita reflexão e dúvida ... fazes bem, digo eu.
Assim memso é que é, e sem concessões nem moralismos.

Quanto à prédica, escrevendo o que escreves e mandando flechadas nem sempre certeiras não só pregas, como poderás dar a sensação que não querendo entrar pela poética de uns, bem poderás entrar pela seara de outros. Não sei se me entendes, nem sequer sei se me faço entender!

Seja como for, deve ser mesmo do Estio que não entendo nem um, nem outro.
Quiçá seja esse o fado, mas nada de piedade pelo próprio ser nem gongorismos sobre coisa nenhuma ...
Especialmente porque eu sempre vos disse que ninguém tem de ter vergonha daquilo que é, nem sentir-se menos perante seja quem for.

Aqui, pelo menos, nunca ninguém arvorou galões ou puxou o lustro a medalhas.

E faz-me um favor, não me respondas que ou é do calor ou de mim ... estou capaz de sair fora dos trilhos!