Ainda a descida do IVA

António de Almeida - 02.07.2008


Manuel Pinho foi ontem o inspector de serviço do Executivo procurando fiscalizar os efeitos da descida no IVA junto dos consumidores. Para tal tarefa, escolheu um hipermercado, local onde muitos artigos são comercializados à taxa reduzida de 5%, mas nada disso incomodou o ministro. A administração da SONAE terá certamente apreciado a publicidade gratuita proporcionada pelo tempo de antena.

O CDS/PP, esse, costumava ser um partido que respeitava a liberdade dos agentes económicos. O Governo baixou a taxa de IVA de 21 para 20 por cento, mas as empresas são livres de descer, manter ou até subir os preços. Depois, a oferta e a procura regulam o consumo, ganhos e perdas. Ao convocar uma conferência de imprensa para pedir ao Governo uma fiscalização dos preços, Paulo Portas não se limitou a cair em populismo demagógico, cedeu também à velha cartilha socialista da intervenção do Estado na economia.

Quando vi aquela conferência de imprensa nem consegui perceber à primeira qual dos irmãos Portas usava da palavra, tive de abrir e fechar os olhos não acreditando na reabilitação das teorias marxistas.

4 comentarios:

quinttarantino disse...

Eu sempre disse que o Pinho é o ... Pinho e o Portas é o ... Portas!
Só discordo quando diz que a oferta e a procura regulam o consumo, os ganhos e as perdas.
Isso é no plano ideal, mas nós vivemos na realidade.
E as teorias intervencionistas do Estado, nomeadamente a própria ideia do Estado Social ou do Estado Providência, não são fruto ou aplicação de teóricos socialistas ou marxistas apenas.

António de Almeida disse...

-Quint eu nem sequer falei no estado providencia, referia-me mesmo ao tabelar dos preços, próprios de regimes socialistas, o cubano por exemplo, que conduzem a prazo ao desaparecimento dos produtos da prateleira. Paulo Portas, o tal do partido sexy, com charme, contribuir para tal peditório? Gostaria de ouvir por exemplo a opinião de Pires de Lima, seu companheiro de partido.

quinttarantino disse...

Meu caro ANTÓNIO DE ALMEIDA quando referi o Estado Providência fi-lo no intuito de tentar abrir porta a uma nova vertente de diálogo, coisa que ultimamente tem andado arredada deste espaço.

Obviamente que não só entendi a sua linha de raciocínio, mas também percebi o que escreveu.

Portas, ao pedir que o Governo fiscalizasse os preços, tentou, por um lado, cavalhar a onda de defensor dos menos poderosos em termos económicos sempre sensíveis a estas atoardas e, por outro, demonstrou que também ele conhece a nossa realidade.

A tal que, apesar do que você apregoa, entregue a si própria consegue distorcer todoas as regras da dita economia de mercado.

António de Almeida disse...

-Continuo a afirmar que em Portugal não há, e provavelmente nunca houve uma verdadeira cultura de mercado. O liberalismo por cá não passa duma miragem, se olhar atentamente para o PSI 20, diga-me onde está o empreendedorismo, a livre iniciativa, o mercado?