Um barco

Tiago R Cardoso - 24.06.2008

Fotografia- Daniel Santos - comimagens.blogspot.com


O barco andava à deriva, estava perdido e não sabia, fazia apenas o mínimo para se ir mantendo, não precisava de mais.

O barco achava-se sólido, achava que dominava o mar, achava-se preparado para todas a tempestades.

Muitas vezes combatia contra pequenas brisas e vencia, achava que era o grande dominador dos sete mares.

Um dia a tempestade desceu sobre ele, caiu-lhe o céu em cima, nessa altura foi jogado pelos ares, virado do avesso, prostrado pelo chão.

Pobre barco, ali ficou arrasado, vendo tudo ruir à sua volta.

Pobre barco... estúpido barco, que naquela altura aprendeu que não passava de um barco feito de papel.

Mas aprendeu, aprendeu muito, agarrou-se ao porto que tinha ali ao lado e que nem sabia que existia, agarrou-se a outros portos, viu onde realmente tinha segurança, viu quem é que lhe era importante.

Sentiu-se melhor, conheceu outros barcos, barcos que lhe deram a conhecer novos mundos, construiu o seu lugar e sentiu-se bem...

Mais uma vez o barco acomodou-se, tão feliz estava com a sua vida que nem reparou que começava a ficar sozinho naquele porto.

“Acorda pequeno barquinho, sonha alto, navega em alto mar, selecciona bem os companheiros de viagem e principalmente vai ser feliz...”

9 comentarios:

quinttarantino disse...

Tenho para mim que este barco é português!
Sonha muito ...

Tiago R Cardoso disse...

Há pois é português, eu adoro sonhar e sonho muito.

Marcos Santos disse...

De qualquer forma, Tiago está fotografando e "poetando". Temos mais um artista no proletariado.
Que bom!

antonio disse...

Barquinho de papel com que sonhos foste dobrado?

joshua disse...

Mesmo um barco há muitos séculos afundado tem a sua glória, os seus dobrões e baixelas.

Nada depende exclusivamente de ti. Nada te pese. Nada exijas.

PALAVROSSAVRVS REX

quinttarantino disse...

Mas és tu o barco, TIAGO?

Tiago R Cardoso disse...

O barco somos todos nós, acho que todos os dias nos colocamos no lugar dele, acho que este barco é a nossa sociedade.

quinttarantino disse...

Vá lá, estavas a deixar-me preocupado!

anónimo disse...

isto não é um barco...
é um moliceiro!