Porque é que a Espanha vai ganhar o Euro

Dalaila 30-06-2006

Em 8 de Junho de 2008 a meio do Euro 2008, o Jornalista Miguel Carvalho da Visão, escreveu esta crónica.... não posso deixar de a passar aqui, porque às vezes não há coincidências!

"A Espanha é a minha aposta para ganhar o Euro. Pode parecer anti-patriótico, mas é apenas um palpite. E os palpites, como se sabe, não têm pátria. Bem sei que o meu palpite, a acontecer, significará duas coisas: uma, não será Portugal a ganhar; duas, os espanhóis vão empanturrar-se de tal maneira com a vitória que até vai parecer que a Península é toda deles. Mas como os palpites têm vida própria, não me confundam com eles. Eu não me responsabilizo pela irresponsabilidade dos meus palpites.

Mas porquê a Espanha?, perguntarão.

Eu explico.

Ao contrário da Holanda, que parece uma equipa de apetite voraz, atlética e mágica, mas está de tal maneira inchada que vai rebentar ao primeiro alfinete bem espetado, a Espanha tem as costuras todas à mostra: uma defesa de susto, um tipo de jogo que por vezes só funciona aos repelões, a sorte dos postes e dos minutos finais. A honestidade é uma vantagem. A Espanha jogará nos limites em todos os jogos, nem que tenha de perder os calções pelo caminho. E isso é quase uma garantia de vitória. Depois, tem Torres, o mais prático e elegante avançado do futebol mundial. Tem Villa, que deve fazer treinos a desmarcar-se dos colegas em cabines telefónicas. E tem Senna, o Paulo Assunção deles. A Holanda joga bem, mas à Néné: se acontece borrar os calções, está tudo estragado.

Bem sei que os holandeses são agora os favoritos. Despacharam a França e a Itália, sem estragar sequer a pintura. É claro que os árbitros deram um jeitinho nos dois jogos. Jeitinho, faz favor! Jeitinho é linguagem de «Apito Dourado». No caso do «Euro», os árbitros têm dado um jeitaço. Não se perdia nada se a PJ pusesse alguns sob escuta. Podemos vir a precisar. A julgar pela «fruta» que se vê nas bancadas, os homens do apito não devem andar mal servidos.

Era suposto falar aqui da Suécia. Que perdeu com a Espanha no último minuto. Os suecos, a jogar à bola, são como Ingmar Bergman: abundam as questões existenciais. A dada altura, os jogadores parece mesmo que se perguntam: «O que estamos aqui fazer, de onde viemos, para onde vamos?». Ao contrário dos Abba, não deixarão saudades. A Espanha é, de facto, almodovariana: desespera e suplanta-se, ri e chora, transfigura-se, entra na farra e brinca com o seu próprio destino. O seu padrão é não ter um padrão. A Espanha é o elogio da loucura em campo. Dá para morrer ou para matar. Mas sempre em glória. Descalça, de saltos altos ou à beira de um ataque de nervos, a Espanha vai chegar à final e dizer: «Ata-me, a ver se eu deixo!». "


(Miguel Carvalho in Visão online)

5 comentarios:

Zé Povinho disse...

E não é que acertou no palpite, e na garra que os espanhóis demonstraram em campo?
Abraço do Zé

quinttarantino disse...

DALAILA eu qualquer dia desafio-te a sentar-mo-nos numa cadeira aí na esplanada da Medieval para uma análise futebolística!

Na escolha deste texto e na celebração da vitória espanhola revelaste a fineza de passe de um Iniesta!

Dalaila disse...

Quando quiseres quittarantino, teremos de certeza horas de conversa. beijinho

Carol disse...

E não é que acertou?!
Eu, por acaso, preferia que a Alemanha tivesse ganho, mas não se pode ter tudo.
Agora, resta-nos aturar o ego de pavão dos espanhois...

Adoa disse...

Os espanhóis ainda não arranjaram outro assunto para falar...

Já enjoavam antes, então agora, nem imaginam.

Eles até foram perguntar a alemães que vivem aqui em Espanha para eles dizerem qual os melhores. É muita prepotência...