Notas Emprestadas - O Circo e o Pão

Notas Soltas & ideias Tontas - 22.06.2008

Mais uma vez o Notas Soltas, mantendo espírito de colaboração entre pessoas e blogues, avança com mais um convidado.
Desta vez o convidado é um nosso comentador e autor de um blogue recente, que neste pouco tempo mostrou um enorme e excelente sentido de leitura sobre a nossa sociedade.

Agora que acabou o circo, é tempo de tratar do pão.
Pois foi, o circo acabou!
Mais uma vez foi um sonho que morreu na praia.

A culpa?
A culpa é desta maneira de nós Portugueses encararmos as coisas difíceis.

A maior parte das vezes em vez de as enfrentarmos, olhamos para o lado, assobiamos para dar a ideia que estamos distraídos, na esperança de que a coisa se resolva por si própria.

É a sensação que me desperta o jogo de ontem da nossa selecção nacional.
Não, não estou a dizer mal da selecção, estou a constatar um facto, a meu ver.

Isto aliado a uma terrível confusão em que também nós Portugueses somos exímios, e que o nosso treinador tão bem assimilou, (ou é já coisa genética de antepassados portugueses, que não sei se tem), que é confundir autoridade com autoritarismo, com teimosia.

Mas não vale a pena falar mais do assunto!

Repito a primeira frase:
Agora que acabou o circo, é tempo de tratar do pão.

É que sabem, há gente neste país sem pão, e ao que parece o número vai aumentando.
E o pão neste caso vai desde a falta do propriamente dito, até à falta de emprego, de justiça, de paz, de dignidade.

Estivemos voltados para o circo, onde os artistas ganham milhões todos os dias.
É tempo de todos, governo e povo, nos voltarmos para o pão, ou melhor, para os que não têm pão, e nada ganham.

Podemos fazer como sempre fazemos e eu descrevo acima, (e onde também me incluo), que é esperarmos que algum milagre resolva o problema da falta de pão, mas o melhor mesmo será arregaçarmos as mangas e irmos ao trabalho, à procura de soluções.

Se o governo não serve, mude-se o governo.
Se os empresários só pensam neles e não olham para a função social das empresas, mostremos-lhes com a nossa indignação e atitudes, que têm de mudar a sua prática.
Se os trabalhadores arranjam todas as formas e maneiras para se baldarem ao trabalho, corrijam-se as leis e dê-se trabalho a quem quer trabalhar.

Se as crianças e os jovens não aprendem, (se calhar porque não lhes ensinam como deve ser), e as escolas são quase só ocupação de tempos livres, e a maior preocupação é a educação sexual e o politicamente correcto, tenhamos a coragem de pôr tudo em causa e mudarmos o sistema.
É que elas e eles são as mulheres e os homens de amanhã, por isso têm de estar preparados para fazerem bem melhor do que nós fizemos e fazemos.

O campo é tão vasto que fico por aqui nesta descrição de problemas da nação, deixando o resto à vossa imaginação.

Mas uma coisa é certa, não é só o estado, o governo, que têm culpa, somos todos nós Portugueses que desistimos da cidadania e só criticamos em vez de ajudarmos.

Porque não tenhamos dúvidas, não é verdade que há portugueses que nada têm, e a quem falta o pão, seja que tipo de pão for?

Então que cada um se pergunte o que pode fazer com o muito ou pouco que tem, quer em bem bens materiais, quer em capacidades e talentos, por esses que nada têm, e assim sendo, pelo nosso país, pela nossa sociedade, por Portugal, pelos Portugueses, não para ficarmos bem nas estatísticas internacionais, mas para nos sentirmos bem no nosso país uns com os outros.

É utópico ?
Talvez, mas é possível se todos quisermos.

Acabou o circo, é tempo de olharmos pelo pão.

Autor : Lusitano - Politiquices de trazer por casa (http://politiquicesdecasa.blogspot.com)

5 comentarios:

O Guardião disse...

Os portugueses são exímios em esquemas, isso não se pode negar, mas em vez de tornar as responsabilidades difusas, dizendo que a culpa é de todos, embora não deixe de o ser, talvez seja mais curial exigir que os que têm a obrigação de dar o exemplo, aqueles que estão no topo da pirâmide social, de facto sejam exemplares, o que não acontece.
Se quem manda usa esquemas manhosos, é inevitável que os que estão mais abaixo os imitem.
Quem não ouviu já a frase: O mundo é dos espertos? Podemos criticar, e com razão, mas esta é infelizmente uma realidade.
Cumps

Marcos Santos disse...

Duchas de água fria são uma boa maneira de voltarmos à realidade cotidiana, de deixarmos a utopia de lado e enfrentarmos a vida como ela é.
O drama brasileiro é maior que o português nessa questão, pois ao transformarmos a utopia em títulos, demoramos muito mais a enxergar a realidade.

Tiago R Cardoso disse...

Excelente, desde já obrigado pela tua participação.

O grande mal é que muitos acham tudo isto uma utopia, por isso nem se dão ao trabalho de tentar.

Acham que se tentarem mudar isto serão os únicos, por isso nem tentam, ficam a aguardar que outros tomem a iniciativa.

Está na hora deste país começar a tratar do pão, está na altura de levantar do sofá e começar a lutar por um bem comum, o próprio país.

Maf_ram disse...

Diz bem, Lusitano!
O pior é sair do nosso comodismo instalado e pensar um pouco que seja nos outros.

O mundo quer pão, está faminto, mas lá passar sem circo é que não!
Quanto mais circo melhor. Quando acaba um pensa-se logo em começar outro.

E quem tem pão, de qualquer espécie, com fartura, até sobejar... muitas das vezes o que é que faz?
Calca-o a pés para que o esfomeado não coma dele umas migalhinhas que seja!
(Hoje fala o meu lado pessimista)

Irei fazer referência, no meu blog, a este post, se não se importa...

quinttarantino disse...

Excelente!