Mais perguntas a propósito de camionistas ...

Quinttarantino - 11.06.2008

De acordo com a edição de hoje do “Jornal de Notícias”, durante a madrugada, 12 camiões terão sido incendiados, presumivelmente, quando tentavam passar pelos vários bloqueios que marcam muitas estradas do país. Acrescem os apedrejamentos.
A tudo isto acresce a morte, ainda não se sabe se intencional ou acidental, de um grevista.

Tenho visto as imagens e tenho lido os jornais.
E interrogo-me sobre algumas questões.

As forças da ordem só existem, nestes casos, para fazer de conta que a circulação rodoviária decorre com normalidade?
Os vários tipos de crime a que assistem ao vivo e em directo não são passíveis de actuação imediata?


O Governo vai negociar incentivos á renovação das frotas, baixa de IVA e mais o quê com o sector?
E o gasóleo profissional vai avançar?


E se for assim que justificação vai ser encontrada para, mais uma vez, colocar o colectivo a pagar por todos? Já sucedeu, aliás, com os passes sociais que só em Lisboa e Porto não aumentam!

E se forem os automobilistas de ligeiros a fazer o mesmo a complacência vai ser a mesma?

E onde andam os críticos ferozes de Sócrates que criticam por tudo e nada quando agora se vê manifestações em Espanha, França e Bélgica? Ou quando é noticiado que em Inglaterra existem conflitos entre a Igreja e o Estado por causa do aumento da pobreza?
E o que me dizem os liberais acérrimos ante mais um exemplo de que, à primeira contrariedade, os nossos empresários correm logo para debaixo da saias do Estado?

6 comentarios:

lusitano disse...

Tens razão Quintarantino em muito do que dizes, mas também não vejo o Dr. Mário Soares tão lesto quando foi da ponte sobre o Tejo, vir agora dizer que as pessoas têm direito "à indignação".
A história "repete-se" e aqueles que a apadrinharam na altura estão agora a perceber que bom senso e cabeça fria são muito importantes nestes casos e não "deitar gasolina na fogueira" como então fizeram.

antonio disse...

São os custos de acompanharmos o comboio da europa, quanto às criticas, reconheço que o Sócrates nos consegue manter demasiado ocupados...

Daniela Major disse...

Eu fiquei muito impressionada quando soube que os camiões eram apedrajados, fiquei um bocado chocada.
Quando alguém quer protestar que proteste, mas aqueles que não querem não fazem. Se há liberdade para umas coisas também devia haver para outras.
Isto fez-me lembrar a história da manif dos professores quando na minha escola houve um professor que criticou outra professora por não ter ido.
Não lhe bateu, mas esteve lá perto.

mac disse...

No inicio desta greve torci pelos camionistas, pois pensei que seríamos todos beneficiados com uma baixa do ISP. No entanto, ao ver os métodos utilizados por estes, fiquei escandalizada. Tudo bem que deveriam todos a fazer greve, mas quem não quer aderir tem o direito de o fazer. E estas represálias a que se assiste: camiões apredejados, uma morte estúpida que já ocorreu...E a polícia ali, de braços cruzados...De certeza que alguém ordenou aos agentes para nada fazerem, a lembrança dos acontecimentos da ponte 25 de Abril ainda está fresca, bem como a queda do cavaquismo.

Os camionistas já estão a interverir no bem público. Ontem ao ver o telejornal, onde se falava de postos de gasolina secos, e onde se falava de stocks dos supermercados em baixa, e de leite deitado para a sargeta, pensei: "Será que estão a falar de Portugal? Não estão a falar de um qualquer país 3ºmundista?". Mas afinal era mesmo de Portugal.

E já se está mesmo a ver que o Governo vai ceder à pressão dos camionistas à custa de todos nós. Vamos todos pagar a factura. É como o Quintarantino diz: queria ver se os automóveis ligeiros fizessem o mesmo, qual seria a reacção.
É nestas alturas que acho que deveria ser imposta a lei marcial e descascar nesses gajos.

António de Almeida disse...

-Não conheço muito bem o sector da camionagem, mas alguém me explica porque razão estes srs não aumentam pura e simplesmente o preço do frete? Ao contrário dos taxistas, que esses sim á primeira vista parecem ter razões para protestar, pois o serviço que prestam é de preço tabelado. Mas com razão ou sem ela, o importante é que o Estado está sem autoridade, o ministro Rui Pereira no Brasil, enquanto actos de vandalismo são praticados sem uma única, UMA, detenção, percebe-se que um partido que colocou na P.R. alguém que mandou um guarda "desaparecer" porque não precisava de polícias, e que nomeou como ministro alguém que ostensivamente passou numa portagem sem pagar e buzinando, repito, percebo que um tal partido tenha dificuldade em repôr a autoridade do estado, como pede e bem o prof Vital Moreira (haja uma vez que concordamos).

O Guardião disse...

Hoje abordei este tema, e para mim o problema está mesmo do lado dos governos, porque não conseguiram prever que estes aumentos em catadupa dos combustíveis teríam que ter respostas imediatas e flexíveis do lado dos impostos, sem deixar de arrecadar as verbas previstas (o aumento do preço base aumenta as receitas do imposto), e do lado da supervisão das autoridades económicas mundiais procurando travar a especulação, que é o outro lado do problema.
Depois dos protestos caírem na rua, as coisas são muito mais complicadas, e agora as propostas que se ouvem, são benefícios para uns quantos, que todos temos que pagar, que era precisamente o que Sócrates dizia quando foi aconselhado a baixar o ISP.
Sabemos que as eleições são em 2009, e que Sócrates encarou o ISP como a única almofada que lhe restava para dar uns bónus em ano de eleições, mas esticou demais a corda.
Cumps