11 de Setembro, o julgamento.

António de Almeida - 05.06.2008

-Há dias escrevi um texto que gerou alguma polémica, onde defendi o direito da civilização ocidental defender os valores da liberdade, algo que apenas os EUA parecem ter coragem para fazer ao encarcerar os nossos inimigos em Guantanamo.
Não sou pela pena de morte, nesta como noutras situações, pelo considero que não devem ser atendidas as pretensões do RÉU, repito do RÉU e não da acusação, embora não seja difícil colocarem-se de acordo face ás circunstâncias. É com esta gente que estamos a lidar.

7 comentarios:

João Castanhinha disse...

Não gosto de citar frases do texto original, mas como pode afirmar "...,onde defendi o direito da civilização ocidental defender os valores da liberdade,..." e ao mesmo tempo concordar com o aprisionamento, inquisitório e julgamento sumário de qualquer cidadão?
É esse o problema caro António, em Haia sentaram-se Europeus, Ocidentais responsáveis por valas comuns, massacres étnicos hediondos todos com direito aos recursos legais a que todos os cidadãos deveriam ter acesso, não vi nenhum General Sérvio a ser levado para Guantanamo, torturado, interrogado sem direito a defesa.
Quando defende os direitos humanos, defenda-os em igual medida, a lei não se modifica por se ser árabe, chinês, norueguês ou português, é essa a nossa grande ultima vitória civilizacional, e dessa não abdico.

Abraço

quinttarantino disse...

Aqui há um julgamento; não se pode é ter gente escondida como ratos em navios-prisão!

E se eles um dia vierem por nós, António?

Carol disse...

Afirmei-o no outro dia, afirmo-o novamente: a lei é igual para todos e deve ser respeitada por todos!

Não admito que façamos aos outros o que não queremos que nos façam a nós! Como posso ter moral para falar do 11 de Setembro, o holocausto, Tianamen, se, depois, tenho o mesmo tipo de atitude baixa, torpe e hedionda?!

Tiago R Cardoso disse...

mantenho o que disse da outra vez, se queremos que respeitem temos de dar o exemplo.

Compadre Alentejano disse...

Guantanamo tornou-se uma nebulosa muito esquisita. Não sou partidário dessa política do Bush, embora concorde que os verdadeiros terroristas sejam punidos.
Falta é saber quem são os terroristas: Bush, os americanos ou os presos?

António de Almeida disse...

-Caros amigos, julgo que os verdadeiros terroristas estão á vista, assassinaram perto de 3 mil pessoas inocentes, muitas delas nem sequer eram americanas, nenhuma dúvida a esse respeito. O que procurei ontem salientar foi o facto do próprio acusado pedir para si próprio a pena de morte, não demonstrando um pingo de arrependimento. Compará-los com os europeu é dose, em Haia, e até mesmo em Nuremberga os criminosos confrontados com os seus actos mostraram-se na sua maior parte arrependidos, eu sei que muitos apenas verteram lagrimas de crocodilo ou procuraram salvar a pele, mas nem todos, Rudolf Hess por exemplo mostrou dignidade, podemos respeitar um inimigo quando ele se assume como tal, mas digam-me sinceramente, conseguem ter respeito com KSM? conseguiriam ter respeito para com Bin Ladden? sinceramente eu não! mesmo na barbárie da I e II guerra mundial conseguiu existir respeito entre os militares, com muitos oficiais superiores alemães, Rommel por exemplo a manterem um tratamento civilizacional, os fundamentalistas islâmicos são gente(?) que decapita pessoas, Daniel Pearl por exemplo. É com isto que lidamos, fanáticos dispostos a morrer, a partir daí, cedemos? damos-lhe o que pretendem? ficamos quietos? bombardeamos as suas cidades? (aí sim iriamos provocar vítimas inocentes, estaria em desacordo). Não é possível outro tipo de solução para com o fanatismo.

Paulo Vilmar disse...

Antonio!
Não vamos confundir o humano direito de punição com vingança pura e simples! Evocas então, que existem pessoas, tão imaculadas, que podem decidir quem prender, manter estas pessoas presas por quanto tempo lhe aprover, sem acusação formal, sem direitos a defesa, sofrendo toda sorte de humilhações e torturas, castigados, punidos, vingados. E mesmo assim, estaremos certos?
Infelizmente as opiniões emitidas neste belo blog passaram da beleza da transigência, para o vociferância do nada! Saudades mesmo, dos belos textos de Tarantino e Tiago, que agora só escreve notas curtas!
Não deixo um abraço, porque meu abraço estende-se até onde o humanismo avista.