Lutar ao fresco

Tiago R Cardoso - 30.06.2008



Todos devemos estar gratos a Willis Carrier, quer dizer, quando digo todos falo obviamente daqueles que bem sentados no seu gabinete e com um belo ar condicionado, sentam-se na frente de um computador e escrevem num blogue.Eu até iria mais longe, alvitrando que a origem da blogosfera possa estar na invenção do Senhor Carrier...

Um belo dia, um indivíduo bem instalado no seu gabinete e sem nada para fazer, pensou: “Ora deixa ver... Aqui está-se bem, sim senhor... O expediente está todo tratado, está fresquinho, acho que seria giro criar um sítio para dizer mal do governo, quem diz do governo diz oposição...
... Ou melhor, dizer mal de tudo, vou portanto criar um... blogue, parece um bom nome aqui para a coisa ...”

Seguindo o exemplo, surgiram por aí milhares de blogues; alguns subiram tão alto que foram por ai considerados blogues de topo mas arriscando ser balões de S. João!Os seu autores, confortavelmente sentados nos seus gabinetes, são considerados os donos da verdade, o povo gosta e eleva-os ao estatuto de “estadistas”, agradece e bate palmas a tão grandes lutadores das liberdades que lutam por ele.

Também agradeço tudo aquilo que estas “elites” de pensadores fazem por mim. Aqui sentado no fundo da cadeia alimentar, bato palmas e humildemente faço a vénia aos abruptos deste país, aos cortas fitas e aos que são insurgentes, pois são eles que fazem com que eu me sinta melhor.

Não!!!! Isto não é dor de cotovelo, é agradecimento de um trabalhador de mãos estragadas, que sabe ver o tudo de bom que lhe fazem.Por isso vamos todos agradecer ao inventor do ar condicionado, senhor Willis Carrier; não fosse ele e eu queria ver quem é que se sentava no seu gabinete, com este calor, para ser armar em intelectual.
(Este texto foi cozinhado à temperatura de 35 graus, entre duas máquinas e o corte de três barras de aço.)

Porque é que a Espanha vai ganhar o Euro

Dalaila 30-06-2006

Em 8 de Junho de 2008 a meio do Euro 2008, o Jornalista Miguel Carvalho da Visão, escreveu esta crónica.... não posso deixar de a passar aqui, porque às vezes não há coincidências!

"A Espanha é a minha aposta para ganhar o Euro. Pode parecer anti-patriótico, mas é apenas um palpite. E os palpites, como se sabe, não têm pátria. Bem sei que o meu palpite, a acontecer, significará duas coisas: uma, não será Portugal a ganhar; duas, os espanhóis vão empanturrar-se de tal maneira com a vitória que até vai parecer que a Península é toda deles. Mas como os palpites têm vida própria, não me confundam com eles. Eu não me responsabilizo pela irresponsabilidade dos meus palpites.

Mas porquê a Espanha?, perguntarão.

Eu explico.

Ao contrário da Holanda, que parece uma equipa de apetite voraz, atlética e mágica, mas está de tal maneira inchada que vai rebentar ao primeiro alfinete bem espetado, a Espanha tem as costuras todas à mostra: uma defesa de susto, um tipo de jogo que por vezes só funciona aos repelões, a sorte dos postes e dos minutos finais. A honestidade é uma vantagem. A Espanha jogará nos limites em todos os jogos, nem que tenha de perder os calções pelo caminho. E isso é quase uma garantia de vitória. Depois, tem Torres, o mais prático e elegante avançado do futebol mundial. Tem Villa, que deve fazer treinos a desmarcar-se dos colegas em cabines telefónicas. E tem Senna, o Paulo Assunção deles. A Holanda joga bem, mas à Néné: se acontece borrar os calções, está tudo estragado.

Bem sei que os holandeses são agora os favoritos. Despacharam a França e a Itália, sem estragar sequer a pintura. É claro que os árbitros deram um jeitinho nos dois jogos. Jeitinho, faz favor! Jeitinho é linguagem de «Apito Dourado». No caso do «Euro», os árbitros têm dado um jeitaço. Não se perdia nada se a PJ pusesse alguns sob escuta. Podemos vir a precisar. A julgar pela «fruta» que se vê nas bancadas, os homens do apito não devem andar mal servidos.

Era suposto falar aqui da Suécia. Que perdeu com a Espanha no último minuto. Os suecos, a jogar à bola, são como Ingmar Bergman: abundam as questões existenciais. A dada altura, os jogadores parece mesmo que se perguntam: «O que estamos aqui fazer, de onde viemos, para onde vamos?». Ao contrário dos Abba, não deixarão saudades. A Espanha é, de facto, almodovariana: desespera e suplanta-se, ri e chora, transfigura-se, entra na farra e brinca com o seu próprio destino. O seu padrão é não ter um padrão. A Espanha é o elogio da loucura em campo. Dá para morrer ou para matar. Mas sempre em glória. Descalça, de saltos altos ou à beira de um ataque de nervos, a Espanha vai chegar à final e dizer: «Ata-me, a ver se eu deixo!». "


(Miguel Carvalho in Visão online)

Notas Emprestadas

Notas Soltas & Ideias Tontas - 29.06.2008

Mais uma vez o Notas Soltas, mantendo espírito de colaboração entre pessoas e blogues, avança com mais um convidado.
Também uma atenta espectadora da sociedade, num blogue que faz parte das leituras do Notas Soltas.

"Democracia portuguesa é das piores da Europa."

Segundo um estudo da Demos, uma ONG britânica, Portugal, dentro de um leque de 25 países europeus, está em 21º lugar no "index da democracia quotidiana" ("Everyday democracy index"-EDI). Para além de ser avaliada a democracia formal, na forma de eleições, também é avaliada a democracia informal, como a resolução dos problemas em sociedade ou dentro duma família.

E é este último critério que influencia negativamente a nossa posição na tabela. Começa logo pela participação. Já foi mais do que dito e debatido neste blog a quão baixa é a nossa participação na vida política...alheamos-nos do que se passa à nossa volta; as poucas associações cívicas que existem não confiamos nelas, ou porque pensamos que estão conotadas com determinado partido, ou porque pensamos que estão conotadas com os interesses duma classe profissional em particular. Os poucos movimentos de cidadãos que existem, surgem perante um contexto muito específico, debatendo um problema específico, e numa cidade específica, esgotando-se quando esse contexto já não existe (por exemplo, o Movimento em Defesa do Bolhão). Contudo é nestes pequenos movimentos movidos pela multidão anónima, que mais uma pessoa pode fazer a diferença...

E depois temos a democracia dentro da família, uma família ainda dominada pela religião, e pelos valores que a Igreja (e não Cristo) nos quer impingir. Uma família ainda dominada pela figura masculina. Afinal, basta desfolhar o Código Civil para encontrar em muitas páginas o critério do "Paters Família",o bom pai de família. E já agora, o que significa isso hoje em dia?

Autora : Mac - Tudo no nada (http://tudo-no-nada.blogspot.com)

Nice people, the Clinton's

António de Almeida 29/06/2008



-Every day is a nice day to defeat a Clinton. One reason why I hope, I wish Obama don't invite Mrs Clinton to V.P., it will be not a dream but a nightmare ticker.

Umas achegas sobre Mãos Limpas Platini!

Quinttarantino – 28.06.2008

Ontem a nossa DALAILA expressou aqui a sua opinião sobre o “vai, não vai” do Futebol Clube do Porto à Liga dos Campeões.
Esclareço já que sou portista e que, quanto a mim, sendo culpado, pune-se. Sem excepção.
É por isso que acho imensa piada àqueles que debitam sobre fruta e chocolatinhos, mas fazem como os que andam no Apito Dourado e fazem orelhas moucas às chamadas em que esse exemplo de verticalidade e honestidade chamado Luís Filipe Vieira é apanhado a escolher um árbitro, às declarações onde o mesmo diz que “estamos a tratar das coisas por outro lado”, aos jantares de José Veiga em Penafiel e afins…
Mas o mais curioso é termos um senhor chamado Platini a dizer que, com ele, a UEFA é implacável no combate à corrupção.

Ele lá deve saber do que fala.
Sabem porquê?

No Saint-Étienne, em 1981 e 82, o “senhor mãos limpas” recebeu salários por baixo da mesa. Os jogadores foram tocados pela mancha fiscal nas suas carteiras, mas não no currículo tendo o nosso homem rumado a Turim.
Chegou a campeão europeu numa final de resultado forjado, em Heysel, frente ao Liverpool mas isso a ele, o intocável Platini não o incomodou.
A sua Juventus ganhou campeonatos com a suspeita que em 2006 se confirmou, mas ele assobia para o lado.
Segundo consta, a sua sanha contra o Porto tem justificação que na época em que Milan, Juventus e amigos foram apanhados ele não era presidente da UEFA.

Mas Platini que não gosto de corruptos anda na companhia de um.
No seu Comité Executivo tem assento um senhor chamado Grigory Surkis, ucraniano, que esteve suspenso, mais o seu clube, o famoso Dínamo de Kiev em 1996 numa decisão tomada no Porto onde circunstancialmente a UEFA se reuniu.
Tudo por causa de uma oferta de um casaco de peles ao juiz espanhol Lopez Nieto, antes do Dínamo de Kiev-Panathinaikos.

No mais, convido alguns dos distraídos a irem ver quando foi eleito presidente da UEFA Platini e que clubes italianos castigados pela sua Justiça participaram nas competições da UEFA.
Não lhes deve ser difícil.

Como disse, quem é culpado deve ser punido e não tenho Pinto da Costa por nenhum anjo.
Aliás, tenho aquela SAD por uma corja, mas quando a Nação tem em Luís Filipe Vieira um exemplo de virtude então eu não sou português!

Rigorosos mas sem exageros

Tiago R Cardoso - 27.06.2008

Muito bem, vamos lá fazer os exames, vamos ser rigorosos mas sem exageros, corrigir muito bem, mas com calma.

Parece ser esta a lógica da directora regional de Educação do Norte, Margarida Moreira, que pediu aos conselhos executivos das escolas para terem atenção na escolha dos docentes que vão corrigir os exames, e disse que “talvez fosse útil excluir de correctores aqueles professores que têm repetidamente classificações muito distantes da média.” Os “alunos têm direito a ter sucesso” e o que “honra o trabalho do professor é o sucesso dos alunos” terá dito imediatamente antes e depois.

Em termos leigos, não se quer professores demasiado rigorosos, quer professores com um espírito aberto e com mãos largas na atribuição das notas.

“Generosamente” a Senhora Margarida Moreira, considera que os alunos tem direito ao sucesso, tudo em prol do aluno, evidentemente que nada disto tem a ver com estatísticas, nada disto tem a ver com o apresentar de grandes resultados.

Aproveito a frase, os “alunos têm direito a ter sucesso” e já agora a não ter de aturar estes tão grandes iluminados, como é o caso da Senhora Moreira.

E continua a guerra, fora dos campos

Dalaila 26.06.2008

Benfica tenta deixar F. C. Porto fora das Champions League, assim é a manchete do Jn online.

O Benfica contesta para o Tribunal Arbitral do Desporto a participação do Porto, por mim acho que é um direito que lhes assiste, e pode ser que com a insistência consigam alguma coisa!!!!

Eu como portista que sou, acho que o FC Porto merece estar na Liga dos Campeões, mas se o Tribunal não concordar, tudo bem, achava mesmo giro era o Porto não ir, mas não abrirem mais vagas, essa é que era linda!

Con(S)ertação social

António de Almeida - 27.06.2008



Quando afirmamos que a CGTP é um braço sindical para utilização política do PCP, será desproporcionado afirmar que a UGT é o braço sindical para utilização política do PS?

Na Roménia 50% das notícias têm de ser "porreiras, pá!"

Quinttarantino - 26.06.2008

Na Roménia, o país do Conde Dracul, dois senadores (um do partido do poder e outro de uma formação de extrema-direita que se encontra na Oposição) uniram esforços e conseguiram fazer aprovar um diploma que visa obrigar os meios de Comunicação Social a terem 50% dos seus conteúdos de natureza "POSITIVA".

Concordo plenamente.
Em Portugal, por exemplo, era uma forma de despoluição dos pequenos ecrãs, especialmente para quem tem a teimosia de ver as notícias marteladas pela Manuela Moura Guesdes. E, ao mesmo tempo, podia reduzir para metade o tempo gasto com notícias de "lana caprina".

Por exemplo, à saída do Parlamento alinhavam um representante do Governo e um do PS, e elementos de cada partido da Oposição. Como estes são mais, e para respeitar a proporcionalidade, dava-se 1 minuto ao poder e 1 minuto à Oposição. Pelo poder o PS falava 30 segundos e o Governo idem. Os da Oposição dividiam a coisa entre eles ...
E naquela lógica de 50% de notícias positivas e 50% negativas, começava o Sócrates ou o Pinho mais o Alberto Martins, todos a esconjurarem a crise!
Seguiam-se os da oposição a dizer que estamos ainda mais rotos que a Alemanha no fim da Grande Guerra!
E estava feito ...

Novas oportunidades

António de Almeida - 26.06.2008




És jovem? Tens problemas na escola? A matéria não te interessa? Andas à procura do primeiro emprego, mas tens falta de qualificações profissionais? Descobre o Ronaldo que há em ti!

Bloco Central

Tiago R Cardoso - 25.08.2008

Muitos acusam este Governo do PS de estar ao centro; pois, se tinham dúvidas, elas estão agora desfeitas.

O PSD, pela voz do deputado Hugo Velosa, considerou positivo o acordo entre Governo e parceiros sociais para a revisão do Código do Trabalho (Publico).

Estamos realmente a caminho do Bloco Central, onde brevemente PS e PSD se tornarão num só, com as mesmas ideias, os mesmos objectivos, liberalizando de forma destruidora e sem olhar a meios.

Em breve este país será dominado pelo centro, sem alternância política. À Esquerda existe um vazio político, onde poucos apresentam algo de inovador, continuando a falar em nome dos trabalhadores, ou pelo menos é o que dizem mas eu que sou um não me lembro de passar procuração a ninguém; safa-se o Bloco de Esquerda com alguma capacidade de inovação.

À Direita temos um CDS com saudades dos poucos meses que esteve no Governo, agarrado a um líder que perdeu há muito a capacidade de dizer algo de novo.

A altura é, portanto, a de um enorme e cilindrador bloco central.

Entretanto, alguns irão assinar esta revisão do Código do Trabalho obedecendo à voz do dono, enquanto outros não assinam por ordem do dono.

Uns indicadores económicos para chatear!

Quinttarantino - 25.06.2008

A prestação média paga por quem tem empréstimo à habitação foi em Maio de 347 euros.
Este valor reflecte uma diminuição de um euro face a Abril e é explicada pelo desfasamento entre a taxa de juro implícita e as variações da Euribor.
Vale e Azevedo tinha a máxima de 1 escudo ser 1 escudo e, ao caso, até estamos a falar de 200 escudos, mas não convém que se abra já a garrafa de espumante!
Todas as previsões apontam no sentido de a curva continuar no sentido ascendente pelo que, a prazo, as dificuldades das famílias em cumprir os seus compromissos devem agravar ainda mais.

Sabe-se também que num ano, o crédito malparado disparou mais de 15%, totalizando já 4,45 mil milhões de euros, entre particulares e empresas.
Os dados relativos mostram que não são apenas as famílias, mas também as empresas que, de mês para mês, mostram maiores dificuldades em pagar os empréstimos. De acordo com o “Jornal de Notícias”, em Abril, o malparado das empresas ascendia a 1,93 mil milhões de euros e o dos particulares subia para 2,52 mil milhões de euros.

Nas empresas o grosso dos calotes sai do mercado da construção. Nos particulares o incumprimento é mais sentido no segmento da habitação (num um ano aumentou 161 milhões de euros, totalizando já 1,37 mil milhões de euros) e no consumo o incumprimento aumentou 57% em termos homólogos, mas registou uma ligeira melhoria (ao cair 3,05%) se a comparação for feita com o mês anterior.

Já Jorge Palma cantava "ai Portugal, Portugal" ...

A pergunta inocente e o autocarro queimado.

Quinttarantino - 24.06.2008

Alguma voz amiga me sabe dizer se já existe alguma investigação em curso quanto ao incidente que envolveu a destruição de um autocarro com adeptos do Futebol Clube do Porto que se deslocaram a Lisboa para ver a sua equipa conquistar mais um ceptro nacional de hóquei em patins?

As suspeitas e os indícios apontam para fogo posto, mas convenientemente nem a nossa Comunicação Social fez grande alarido sobre o assunto nem, ao que consta, se nomeou um magistrado da Procuradoria-Geral da República para investigar.
Critérios jornalísticos e de investigação, presumo.
E nada mais que isso!

Vale e Azevedo numa coisa tem razão!

Quinttarantino – 24.06.2008

Inicialmente opôs-me à existência de uma televisão na cozinha, mas as insistências da minha cara-metade levaram-me a condescender.
Normalmente à hora do jantar ou serve para ir tendo como música de fundo o MEZZO ou, a reclamação das herdeiras, o VH1 ou a agora inarrável MTV.
Ocasionalmente, notícias.

Hoje foi um desses dias e permitiu-me assistir a uma notável entrevista do Dr. Vale e Azevedo a quem a presidência do Sport Lisboa e Benfica desgraçou.
Não sei se é liquido que o homem se abarbatou com grossa maquia nem se fez tudo do que é acusado, mas, pelo menos, sei que ele numa coisa tem razão.

A Justiça que o quer ser não se pode prestar a indecorosas prestações como aquela a que tivemos direito de assistir em directo de “e agora o Dr. Vale e Azevedo abandona o calabouço, põe as suas coisas na mala do carro … e agora o Dr. Vale e Azevedo é novamente preso!”
Como disse, Justiça que quer ser Justiça não se pode prestar a estas cenas.
E também podia tratar das coisas duma vez só, sob pena de permitir que se ande anos em bolandas pelos corredores dos nossos tribunais.

Um barco

Tiago R Cardoso - 24.06.2008

Fotografia- Daniel Santos - comimagens.blogspot.com


O barco andava à deriva, estava perdido e não sabia, fazia apenas o mínimo para se ir mantendo, não precisava de mais.

O barco achava-se sólido, achava que dominava o mar, achava-se preparado para todas a tempestades.

Muitas vezes combatia contra pequenas brisas e vencia, achava que era o grande dominador dos sete mares.

Um dia a tempestade desceu sobre ele, caiu-lhe o céu em cima, nessa altura foi jogado pelos ares, virado do avesso, prostrado pelo chão.

Pobre barco, ali ficou arrasado, vendo tudo ruir à sua volta.

Pobre barco... estúpido barco, que naquela altura aprendeu que não passava de um barco feito de papel.

Mas aprendeu, aprendeu muito, agarrou-se ao porto que tinha ali ao lado e que nem sabia que existia, agarrou-se a outros portos, viu onde realmente tinha segurança, viu quem é que lhe era importante.

Sentiu-se melhor, conheceu outros barcos, barcos que lhe deram a conhecer novos mundos, construiu o seu lugar e sentiu-se bem...

Mais uma vez o barco acomodou-se, tão feliz estava com a sua vida que nem reparou que começava a ficar sozinho naquele porto.

“Acorda pequeno barquinho, sonha alto, navega em alto mar, selecciona bem os companheiros de viagem e principalmente vai ser feliz...”

Myths and facts about the Irish referendum

António de Almeida - 24.06.2008

(Também publicado em Direito de Opinião)

-On 12 June, voters in Ireland rejected the EU Lisbon Treaty by 46.6% to 53.4% in a national referendum. Turnout was relatively high, at 53%. However, despite the resounding no vote, EU leaders meeting in Brussels last week decided to press ahead regardless, agreeing that ratification of the Treaty should continue in other countries. They also agreed that Irish voters should eventually be asked to vote again, until they say 'yes'. Despite claiming that they want to "respect" the Irish no vote, EU leaders across the whole of Europe have no intention of doing so. They are determined to press ahead with the Lisbon Treaty. Here are just some of the extraordinary reactions to the Irish vote from Europe's leaders:

-"They [the Irish] are bloody fools. They have been stuffing their faces at Europe's expense for years and now they dump us in the s***."

Nicolas Sarkozy, French President (Times, 20 June)

-"The Lisbon Treaty is not dead... It is imperative that they vote again."

Valery Giscard d'Estaing, former French President and author of the EU Constitution (RTL, 19 June)

-"I don't think you can say the treaty of Lisbon is dead even if the ratification process will be delayed."

Frank-Walter Steinmeier, German Foreign Minister (Reuters, 14 June)

-"Of course we have to take the Irish referendum seriously. But a few million Irish cannot decide on behalf of 495 million Europeans."

Wolfgang Schaeuble, German Interior Minister (Deutsche Welle, 15 June)

-"We think it is a real cheek that the country that has benefited most from the EU should do this. There is no other Europe than this treaty. With all respect for the Irish vote, we cannot allow the huge majority of Europe to be duped by a minority of a minority of a minority."

Axel Schäfer, SPD leader in the German Bundestag (Irish Times, 14 June)

-The Treaty "will be applied, albeit a few months late."

Lopez Garrido, Spanish Europe Minister (Forbes, 15 June)

-"The Treaty is not dead. The Treaty is alive, and we will try to work to find a solution."

Jose Barroso, European Commission President (Press Conference, 14 June)

-To see more click here.

A Directiva de Retorno

António de Almeida - 22.06.2008

-Vai por aí uma crispação generalizada sobre a Directiva aprovada esta semana no Parlamento Europeu, levando inclusive a extrema-esquerda a apelidá-la de "Directiva da Vergonha", mas procurando desviar a atenção do que é verdadeiramente essencial, discutir o problema.
A U.E. tem problemas económicos, todos o sabemos, por razões Humanitárias e sempre que tal se justifica presta auxílio a vítimas, no local ou acolhendo-os dentro das nossas fronteiras, todos concordamos certamente, e ainda deveremos também ter presentes os inúmeros refugiados pelos acontecimentos nos Balcãs no início da década de 90, entretanto resolvidos com a maioria da população em fuga entretanto a regressar a casa. Penso que até aqui estaremos todos de acordo.
Também é um facto que a U.E. necessita de imigrantes, todos o sabemos, mas também existem regras para se ser imigrante, pedir autorização de entrada, visto de residência entre outros procedimentos que não irei aqui explicar, depois existem focos de problemas, no Norte de África por exemplo, redes mafiosas que procuram desembarcar pessoas sem um mínimo de condições nas Canárias ou no Sul de Espanha, na Sicília em Itália, que fazer?
Qual a resposta a dar ao problema?
Aceitar a entrada dessas pessoas estará a meu ver fora de questão, seria tolerar práticas mafiosas, fomentando a sua continuidade, pelo que naturalmente essas pessoas devem ser devolvidas ao ponto de partida. Coloca-se a questão, mas se não trazem documentação, recusam falar, não sabemos qual o país de origem, ficam longos períodos em centros de acolhimento, os tais 18 meses, ora o que a Directiva prevê é deportar os ilegais para o ponto de partida independentemente da origem, estou completamente a favor de tal procedimento. Não me custa acreditar que as autoridades de Marrocos ou Senegal comecem imediatamente a ter uma maior vigilância em lugar da permissividade e total tolerância com que as redes operam nos seus territórios.
De África temos um problema de grande escala, da Ásia ou América Latina o problema apesar de consideravelmente menor também existe, por vezes até associado a terrorismo ou narcotráfico. Outra falácia que por aí circula é que alguém pode ser preso por se encontrar por cá há já vários anos, tal não é verdade, existiram em Portugal e na U.E. vários períodos de legalização extraordinária, apenas ficam detidas as pessoas que desobedeceram à ordem de expulsão, ou estando inibidas por determinado período de voltar a entrar na U.E. fazem-no de forma ilegal, este fenómeno está maioritariamente ligado à prostituição.
Fala-se também na questão dos menores, pergunto, pois mas se os pais tiveram utilizam os filhos como "escudo", vamos legalizar os pais?
Separá-los dos filhos?
Que eu saiba nenhuma criança se encontra detida em prisões em qualquer país da U.E., mas em centros de acolhimento, o que é substancialmente diferente. Aprovada a Directiva podem os governos melhorar a lei?
Certamente que sim, até porque a Directiva não passa disso mesmo, indicações a serem transpostas para o Direito de cada Estado membro, e julgo que ninguém estará interessado em violar Direitos Humanos, mas pretende-se manter a soberania e o direito dos estados a receberem imigrantes dentro das suas fronteiras na medida das suas necessidades, e não duma forma descontrolada, provocada por redes clandestinas, que se toleradas iriam certamente causar miséria nas grandes cidades europeias.
A extrema-esquerda (mesmo a do PS como Ana Gomes) está mais interessada em misturar questões para nada debater, esta directiva foi em grande medida proposta por Zapatero, político de quem não gosto mas que está longe de ser considerado um perigoso fascista, reaccionário ou xenófobo, e votada favoravelmente por Sérgio Sousa Pinto do PS, o qual também é, julgo eu, insuspeito de poder ser considerado alguém com simpatias políticas de Direita.

Notas Emprestadas - O Circo e o Pão

Notas Soltas & ideias Tontas - 22.06.2008

Mais uma vez o Notas Soltas, mantendo espírito de colaboração entre pessoas e blogues, avança com mais um convidado.
Desta vez o convidado é um nosso comentador e autor de um blogue recente, que neste pouco tempo mostrou um enorme e excelente sentido de leitura sobre a nossa sociedade.

Agora que acabou o circo, é tempo de tratar do pão.
Pois foi, o circo acabou!
Mais uma vez foi um sonho que morreu na praia.

A culpa?
A culpa é desta maneira de nós Portugueses encararmos as coisas difíceis.

A maior parte das vezes em vez de as enfrentarmos, olhamos para o lado, assobiamos para dar a ideia que estamos distraídos, na esperança de que a coisa se resolva por si própria.

É a sensação que me desperta o jogo de ontem da nossa selecção nacional.
Não, não estou a dizer mal da selecção, estou a constatar um facto, a meu ver.

Isto aliado a uma terrível confusão em que também nós Portugueses somos exímios, e que o nosso treinador tão bem assimilou, (ou é já coisa genética de antepassados portugueses, que não sei se tem), que é confundir autoridade com autoritarismo, com teimosia.

Mas não vale a pena falar mais do assunto!

Repito a primeira frase:
Agora que acabou o circo, é tempo de tratar do pão.

É que sabem, há gente neste país sem pão, e ao que parece o número vai aumentando.
E o pão neste caso vai desde a falta do propriamente dito, até à falta de emprego, de justiça, de paz, de dignidade.

Estivemos voltados para o circo, onde os artistas ganham milhões todos os dias.
É tempo de todos, governo e povo, nos voltarmos para o pão, ou melhor, para os que não têm pão, e nada ganham.

Podemos fazer como sempre fazemos e eu descrevo acima, (e onde também me incluo), que é esperarmos que algum milagre resolva o problema da falta de pão, mas o melhor mesmo será arregaçarmos as mangas e irmos ao trabalho, à procura de soluções.

Se o governo não serve, mude-se o governo.
Se os empresários só pensam neles e não olham para a função social das empresas, mostremos-lhes com a nossa indignação e atitudes, que têm de mudar a sua prática.
Se os trabalhadores arranjam todas as formas e maneiras para se baldarem ao trabalho, corrijam-se as leis e dê-se trabalho a quem quer trabalhar.

Se as crianças e os jovens não aprendem, (se calhar porque não lhes ensinam como deve ser), e as escolas são quase só ocupação de tempos livres, e a maior preocupação é a educação sexual e o politicamente correcto, tenhamos a coragem de pôr tudo em causa e mudarmos o sistema.
É que elas e eles são as mulheres e os homens de amanhã, por isso têm de estar preparados para fazerem bem melhor do que nós fizemos e fazemos.

O campo é tão vasto que fico por aqui nesta descrição de problemas da nação, deixando o resto à vossa imaginação.

Mas uma coisa é certa, não é só o estado, o governo, que têm culpa, somos todos nós Portugueses que desistimos da cidadania e só criticamos em vez de ajudarmos.

Porque não tenhamos dúvidas, não é verdade que há portugueses que nada têm, e a quem falta o pão, seja que tipo de pão for?

Então que cada um se pergunte o que pode fazer com o muito ou pouco que tem, quer em bem bens materiais, quer em capacidades e talentos, por esses que nada têm, e assim sendo, pelo nosso país, pela nossa sociedade, por Portugal, pelos Portugueses, não para ficarmos bem nas estatísticas internacionais, mas para nos sentirmos bem no nosso país uns com os outros.

É utópico ?
Talvez, mas é possível se todos quisermos.

Acabou o circo, é tempo de olharmos pelo pão.

Autor : Lusitano - Politiquices de trazer por casa (http://politiquicesdecasa.blogspot.com)

Praia Boa

Marcos Santos - 21.06.2008


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Cronica de Férias - Pequeno- almoço no Burgo

Tiago R Cardoso - 21.06.2008

Durante todo o ano acordar ás sete da manhã, faz com que mesmo de férias também acorde a esta hora, não tem hipótese, sete horas acordo.

Para muitos isso seria uma chatice mas para mim, estando onde estou, aqui no meio do campo, é uma maravilha.

Levanto-me e sento-me aqui na varanda, sente-se um ar puro, a agua do rio ali continua a passar, as ovelhas já ali estão naquele campo, mais ali ao lado as vacas e ao fundo um cavalo.

Mas nada melhor que um pequeno-almoço caseiro, daqueles que não temos tempo durante os dias de trabalho. Um belo de um bolo, compotas, marmelada, leite, sumo de laranja, pão, tudo feito aqui no Burgo.

Bem, vão me desculpar mas vou tratar disso, estou com fome.

Crónica de férias- Gerês

Tiago R Cardoso - 20.06.2008

“Então? Vamos para cima ?”

“Bem vamos arriscar e ver no que dá.”

Deu, pois deu, uns quilómetros a subir, sempre a subir e em alguns locais só o espaço para uma viatura numa estrada de dois sentidos.

Aquele serpentear pela serra acima, aqueles enormes declives ... diga-se que cheguei a meio arrependido de me ter lançado naquela aventura.

Finalmente o topo. Sair do automóvel, subir mais uns estranhos e difíceis degraus e, a 826 metros de altura, abrir a boca de espanto perante impressionante e esmagadora paisagem.

Meio tremido, em cima da pedra, apenas com um pequeno varão como referência, levantar a máquina fotográfica e tentar absorver o máximo daquela visão.
Valeu a pena subir tanto, avançar na subida aquela pedra, respirar aquele ar puro e constatar perante aquilo tudo que vale a pena ficar cá em Portugal!

Não é (ainda) o melhor do mundo

António de Almeida - 20.06.2006



-Este jogador, inegavelmente possuidor dum enorme talento, não pode ainda ser considerado o melhor jogador do mundo, já o afirmei no dia da final da Champions, repito-o hoje, ok sei que gostam de ver os seus dribles, o prazer com que encara uma partida, a facilidade de remate, a confiança com que aterroriza as defesas adversárias, mas nada disso acontece nos momentos decisivos, não foi o melhor jogador na final da Champions, não brilhou a grande altura no EURO 2008, não foi sequer o melhor jogador português na competição, esse papel coube a Deco, mas aqueles que discordarem de mim podem sempre considerá-lo o Vosso melhor do mundo, mas não brilhou no torneio, entretido com uma transferência que revela um comportamento deveras lamentável a par duma falta de caracter cuja dimensão pode ser equiparada ao seu talento, mas essas são contas a que voltarei em breve, por agora digo apenas que gostaria que ontem ele tivesse decidido, mas não decidiu, que tivesse sido o melhor, mas não foi...

Palavras para quê!

António de Almeida - 19.06.2008



-Estes senhores venceram e convenceram, frente a uma equipa que tem um treinador que demonstrou mais uma vez não saber ler um jogo no banco, foi claramente surpreendido pela organização do meio-campo germânico, um guarda-redes que mereceu o post anterior, um defesa-esquerdo (Paulo Ferreira) que poderia aproveitar os treinos do Chelsea para apreciar Ballack, escusava hoje de ter ficado parado a admirar o jogo do adversário, e um jogador que pode ter as namoradas que quiser, mas ainda NÃO é o melhor jogador do mundo, mais vez nos momentos decisivos foram outros a brilhar.

Um ícone

António de Almeida - 19.06.2008



-Precisávamos dum guarda-redes, tivemos apenas um tipo a fazer figura de corpo presente. Sem o padrinho no banco, talvez Scolari não tenha sido o único a dizer adeus à selecção.

Não interessa, somos grandes.

Tiago R Cardoso - 19.06.2008

Está na hora, vão descer a terreno os críticos das horas más, os que festejam sempre que Portugal perde, os que acham os outros sempre melhores.

Pois perderam, pois foram eliminados, pois foram acusados de vedetismos, pois foram mas não por mim.

Sairão por cima, fizeram um grande jogo e um bom Campeonato da Europa, foram sem duvida uma grande equipe.

Façam a festa os detractores, sejam felizes por dizer mal, podem criticar, podem desfazer a selecção, mas não desfazem o orgulho de uma enorme selecção.

Eu poderia dizer aqui que o arbitro se esqueceu da falta para grande penalidade sobre o Nuno Gomes, poderia dizer que não marcou o empurram sobre o Paulo Ferreira, mas não, eu falo da luta final, da carga sobre os alemães, falo de os alemães meterem-se todos atrás a defender, colocar em campo defesa atrás de defesa, de sairmos com força.

Falhamos nos pormenores mas somos grandes e seremos sempre grandes.

A resposta sigilosa de Scolari ao António de Almeida

Quinttarantino - 19.06.2006

Aqui este vosso criado tomou conhecimento deste extraordinário documento que o seu autor, depois de lido e assinado, hesitava em remeter ao destinatário.
Face ao evidente interesse da coisa, fica aqui a revelação em primeira mão:

Meu caro António de Almeida,

Estava eu sossegado aqui no hotel quando a Nossa Senhora do Caravaggio me deu indicação que tinha um cara que me estava xingando num dos blogues que eu leio todos os dias.
Claro que eu vim logo ler.
Vai mi desculpar, mas você está completamente enganado no que escreveu.
Os panos fomos mesmo nós que mandamos colocar mas foi só para defender os “mininos”.
É que o tempo aqui é danado e tanto tem sol, como chuva e isso distrai os “mininos”.


Minha transferência para o Chelsea, se você vir bem, é até um incentivo para a moçada.
Todo mundo fala que este é o “time” do Scolari, ora se o Scolari vai para Londres é lógico que os “mininos” vão querer jogar ainda mais para ver se consigo convencer meu novo patrão que o Ricardo é melhor que o Cech, que o Deco é melhor que o Lampard e assim.
Não precisa xingar dizendo que sou canalha quando quero enfraquecer adversários, pois Real Madrid, Barcelona e Inter também jogam na Champions, não é aí como um clube de vocês que me quis contratar e nem na secretaria vai à Champions.

Ora, todo o mundo sabe, que o Chelsea joga também na Champions logo essa acusação de que eu quero enfraquecer todo o mundo é falsa. Eu só estou animando o mercado de transferências, lógicamente sem olhar a quem.
Só estou mesmo é cuidando da família e dizendo aos “mininos” qual o melhor clube para cada um deles. Mais nada.

E fala mal não do Ricardo, que eu acerto um tapa em você, viu?
Ricardo é o melhor guarda-redes do mundo e só não sai debaixo dos postes porque tem ascendência gaulesa e receia que um pedaço do céu lhe caia na cabeça.
Não é por ser frangueiro, não.
O Ballack não vai tentar nada que eu já lhi liguei e disse: «Ballack, mine son, here spika Felipão, new mister. Tonight, no kick in the ball very strong. You no goal, me no punch in the face. Ok?»

Cordialmente, com um grande abraço

De seu Felipão.


A feira de Neuchatel

António de Almeida - 19.06.2008



-Foram colocados panos pretos no hotel que serviu de quartel-general á selecção portuguesa no EURO 2008, julgava eu para proteger a equipa dos olhares indiscretos e de eventuais distrações do exterior, mas não, afinal era para encobrir a pouca vergonha em que o local se transformara, um antro de transações comerciais só que á porta fechada. Os maus exemplos começaram logo de cima, Scolari tratando da sua vidinha logo se transferindo para o Chelsea, nada a opôr, após cumprir contrato é livre de ir para onde bem entender, mas desafiar Cristiano Ronaldo a ir para Madrid, afirmando que há oportunidades que apenas acontecem uma vez na vida, parece-me vindo de Scolari, que estaria mais interessado em enfraquecer um rival directo de forma canalha, aliás a mesma forma que permitiu a Deco ir a Barcelona desvincular-se do clube catalão para ir para o Chelsea, entretanto foi tratando de aliciar João Moutinho e procurar garantir a permanência de Ricardo Carvalho no emblema londrino, já que também é pretendido pelo Inter de Milão. João Moutinho (Chelsea ou Barcelona?), Miguel Veloso quer sair mas não chegam propostas (pelo menos que se saibam), e Quaresma na mesma situação, são outros jogadores com preocupações no momento além do seu desempenho no EURO, já nem falando em Cristiano Ronaldo, cujo comportamento público sobre uma hipotética transferência para Madrid é reveladora duma falta de caracter comparavel ao seu talento enquanto jogador, deve ser um problema da formação do Sporting, todos os grandes jogadores que aquele clube formou nos últimos 20 a 30 anos, não tiveram qualquer estatura moral ou caracter, basta ver como exemplo Luis Figo (el pesetero). Por todas estas razões estou pessimista para o jogo de logo á noite, oxalá me engane, mas Scolari ainda vai a tempo de gozar uns diazinhos de férias antes de começar o trabalho em Stamford Bridge, com os alemães a relembrarem Ricardo os golos que tem sofrido de meia distância, será previsivel que Ballack e cª não parem de disparar misseis na direção da nossa baliza, Cristiano Ronaldo nestes momentos costuma pura e simplesmente desaparecer. Em qualquer caso repito, oxalá me engane, força Portugal, mas que querem, não sou pessoa de fé!

Exames barulhentos

Tiago R Cardoso - 18.06.2008

Tudo em Portugal tem de ser feito com grande alarido, mesmo que não seja nada de relevante, presumo pelas noticias(Publico) que os erros são questões de pormenor, mas deixo isso para quem sabe.

Refiro-me só à parte do barulho, do ataque e contra-ataque.

Depois dos erros do ano passado, que levaram à repetição de algumas provas, mais uma vez alguns grupos fazem questão de vasculhar as provas, letra a letra à procura de erros.

Se essa procura for para ajudar os mais prejudicados com esse erros, que são os alunos, muito bem, temos de aplaudir, agora se essa procura tiver unicamente a intenção de usar isso como arma de arremesso contra a ministério, ai já deixa a desejar...

A grande maioria, presumo eu, não gosta desta ministra, considera que já à muito tempo deveria ter saído do lugar, procura todas as brechas para demonstrar o autismo e cegueira, que se instalou no Ministério da Educação.

Agora as perguntas que se fazem são...

Se existem erros de quem é a culpa ?

Da Ministra da Educação ?

Do grupo de professores que redige estes exames ?

De não existir uma melhor colaboração entre Ministério e as associações de professores ?

Se calhar é mesmo defeito genético do país, gostamos de complicar o que é fácil, Portugal gosta de contestar, pena que não goste de colaborar.

Os menos culpados são os alunos, que servem, junto com os seus estudos, de bolas em jogos de ténis de elites.

É mesmo só para chatear!

Quinttarantino - 18.06.2008

Na Europa dos nossos dias insiste-se, e muito, na preservação das liberdades, garantias e direitos individuais.
Mas ultimamente tenho dado por mim a pensar que a insistência é feita de forma perfeitamente casuística, ao sabor das vozes de uma Comunicação Social cada vez menos incisiva, cada vez menos praticante do jornalismo de investigação e muito dada a oscilações de humor perfeitamente nítidas nas suas relações com o poder.

Pense-se que por questões por vezes de “lana caprina” arma-se um escarcéu digno de figurar numa qualquer produção teatral daquelas que estão em cena nos palcos londrinos durante anos.
Por exemplo, aquando da última exibição pública de força ordenada pelo patronato no sector dos transportes, ergueram-se bastas vozes entre nós a clamar que o Governo havia adoptado uma postura demasiado permissiva ante tão evidente e flagrantes violações da Lei.

Contudo, também aposto milhares de sestércios em como se as polícias tivessem recebido ordem para repor a ordem, recorrendo às medidas que se revelassem pertinentes, muitos dos que pediam forças de segurança na rua iriam bradar contra a ameaça totalitária que o Governo da Nação representa!

E assim andamos.

Cronica de férias - No burgo/Amares.

Tiago R Cardoso - 17.06.2008

Continuação das cronicas de férias...

A meio da semana os hospedes são poucos, diga-se que ainda bem, o sossego ainda é maior.

Sossego quase total, porque o “barulho” não para, ouve-se o rio, ouve-se os pássaros e agora um pequeno grilo canta aqui ao lado...

Estou a pensar em todos aqueles que tiram férias e depois vão-se enfiar numa praia sobrelotada, daquelas onde para se esticar as pernas tem de se pedir ao vizinho para se arrumar.

Ou então aqueles que vivem no campo e vão de férias para a cidade, conheço muitos que fazem isso.

Já sentiram aquelas chuvas de verão?

Sabem aquelas que caem, levantam aquela poeira e fazem sentir no ar um cheiro a terra?

Pois é isto que eu estou sentir agora, calor com uma chuvinha quente, que não me impede de sair agora daqui e ir ali para fora jogar à bola.

Existem locais assim, um rio, terrenos agrícolas, ovelhas, vacas, um cavalo, tudo por ali espalhado, onde não se ouve mais nada senão a natureza.

Melhor, agora até falhou a electricidade, mas quem precisa dela aqui?

Bem, vou lá para fora...

Erro de Obama

António de Almeida - 16.06.2008

Contratar Patti Solis Doyle, antiga responsável da campanha de Hillary Clinton e uma das grandes obreiras da estratégia desastrosa da ex-Primeira Dama, nomeadamente no período imediatamente seguinte à Super Terça-Feira (que permitiu o chamado "momentum" de Obama, que lhe deu uma enorme vantagem em número de delegados, bastando-lhe depois gerir a vantagem até final) traz o quê?
Adivinho a estratégia de reunir todo o Partido Democrata, mas existiam pessoas mais próximas de Hillary Clinton para o efeito e mais eficazes pois, actualmente, Patti e Hillary nem se falam!

Firefox 3

Marcos Santos - 16.06.2008

Download Day

Amanhã é o dia de baixarmos o melhor navegador já desenvolvido para uma internet mais rápida e democrática. 17 de junho de 2008 será o "Download Day" da última versão do Mozilla Firefox, o Firefox 3.
Entrem no site dos desenvolvedores e obtenham mais informações a respeito. Eu, como blogueiro cansado do IE, já me inscrevi nessa.

Marcos Santos
Rio de Janeiro

... POOORRRTTTOOOOOO!!!!!

Quinttarantino - 16.06.2008

E se?
E se, afinal, o Porto pudesse ir à Liga dos Campeões na presente edição?
O que diriam os putativos defensores da verdade desportiva que, ao que consta, andaram a escolher árbitros para a Taça de Portugal e a jantar com árbitros para os lados de Penafiel?

Ah, já sei, vão dizer que até a UEFA é corrupta!
Lembrem-se que a semana passada não era!

Crónica de Férias - A caminho de Amares

Tiago R Cardoso - 16.06.2008

Pequenas crónicas de quem está de férias e com pouco contacto com estes lados, mais uma semana e depois voltarei à rotina do dia-a-dia.


Sair de Braga em direcção a Amares para quem, como eu, é viajante de pouca rodagem chega a ser algo de meio complicado.

Seguir em direcção à ponte do Porto de Ave, apanhar uma estrada de curva e contra curva é no mínimo pouco apelativo para quem pretende descansar em férias ... mas toca a ir em frente.

“Será que já passamos o caminho de entrada ?”
“Não me parece, segundo o que disseram está bem assinalado, mas um ruela em pedra é fácil de falhar... olha, é ali !”

Nada como um quelho para acabar a viagem, principalmente se tiver dois sentidos!
Só passa um automóvel, se vier alguém de frente alguém vai ter de recuar uns 200 metros ...

“Olha para isto !”

Realmente muito bonito, sossegado, escondido no meio do nada, mas também os mais pequenos e belos tesouros estão escondidos só temos é que os procurar bem!

O Batizado da Pedra - Final

Marcos Santos - 16.06.2008

Vamos recomeçar a semana e encerrar o "quiz" geológico.

Nosso amigo Lusitano acertou na mosca.

O nome da formação é "Dedo de Deus". Tem 1.692 metros de altitude e fica localizado no município de Guapimirim. Faz parte do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, no Estado do Rio de Janeiro.

Curiosamente, o Município de Teresópolis é quem utiliza o local como atração turística, pois é de lá que se tem essa vista. Essa foto por exemplo, foi tirada exatamente da região onde fica o portal da cidade.

Obrigado amigos, pela participação e tenham uma ótima semana.

Marcos Santos
Rio de Janeiro

O Batizado da Pedra

Marcos Santos - 15.06.2008


Antes que eu poste estas fotos em um Sky Watch, gostaria de fazer uma brincadeira com meus amigos portugueses.
Imaginem que estamos no Século XVI e vocês estão chegando nas Terras de Vera Cruz para conquistá-la...


...partindo para o interior, vocês deparariam-se com essa pequena cordilheira. Um dos cumes chama atenção, devido ao seu formato óbvio...


...sendo assim vai uma dica e a pergunta:

Considerando a tradição religiosa Lusa, que nome vocês dariam a esse cume da foto-detalhe?

Consequências da irracionalidade

António de Almeida - 15.06.2008

-Muito já escrevi sobre o protesto dos camionistas que quase conseguiu paralisar o país, o acordo alcançado, cedências governamentais, precedentes abertos, volto hoje ao tema após ter lido este artigo no DN, que penso merecer a melhor atenção por parte de todos nós. Um cidadão José Ventura, empresário camionista, lutando pela sobrevivência da sua pequena empresa, saiu da casa para participar no bloqueio na zona de Torres Novas, e já não regressou, terá valido a pena? Para ele e família, certamente que não. O motorista do camião que o atropelou mortalmente terá cometido algum crime premeditado? Certamente que não! Poderá não ter tido a conduta mais correcta, ao que parece abrandando e acelarando em seguida, mas convém relembrar que vários piquetes de Norte a Sul vandalizaram camiões, apedrejaram, havia gritos e ameaças, pelo que o cenário á frente deste motorista, também ele de certa forma vítima dos acontecimentos, era tudo menos cor de rosa, principalmente caso procurasse apenas seguir viagem trabalhando. Toda esta irracionalidade resultou numa vítima mortal, sem qualquer necessidade.

Cronica de Férias - Braga

Tiago R Cardoso - 14.06.2008

Pequenas crónicas de quem está de férias e com pouco contacto com estes lados, mais uma semana e depois voltarei à rotina do dia-a-dia.

Saberão os portugueses as terras que têm ?

Saberão que têm lugares maravilhosos, que nunca visitaram e vão para fora destes país procurando lugares históricos ?

Se percorrem o mundo há procura desses lugares, porque não ficarem por cá e verem tudo o de bom que temos, como é Braga ?

Caminhar, a palavra de ordem é caminhar, por entre ruas e ruelas, por entre capelas e igrejas, descobrir em cada canto um novo sitio para ver.

Para muitos andar por ruas pedonais, cercados por comercio, será tudo menos atractivo, mas se se por de trás disso se poder descobrir novas coisas, então a coisa muda de figura.

Descobrir em cada edifício uma arquitectura “limpa”, enquadrada no ambiente, ver o o particular e ver o conjunto, tudo o que dá a esta cidade uma aura especial, é muito bom.

Já não é a primeira vez que visito Braga, mas sinto que em cada visita descubro um lugar novo, mesmo que seja um local que já tenha visitado, vejo sempre esse local com uns novos olhos, reparo em pormenores que não tinha visto antes.

Desta vez uma cidade em festa, enfeitada, com marchas nas ruas, barracas e comércio, em enorme agitação, uma cidade cheia de vida e aberta.

Vou avançar, temos de ir, mas vou voltar, com toda a certeza que aqui voltarei muitas mais vezes.

Miroslav Zavodzk - O Carioca da Gema

Marcos Santos - 14.06.2008

Bem, amigos de além mar, que tal uma crônica carioca para relaxar o fim de semana?
Então vamos nessa e leiam sobre um Carioca da "Gema".


A brasilidade é um fenômeno interessante, e mais interessante ainda é verificar que ela pega, contagia, irradia.

Miroslav, Miro como nós o chamávamos, era um Tcheco fugido dos tentáculos do regime totalitário Soviético.

Tendo passado por uma jornada impressionante durante sua fuga, Miro somente chegou ao Brasil uns cinco anos depois, aqui se estabelecendo. Inicialmente na Urca, onde tomou gosto pela pescaria e posteriormente no Méier, Rio de Janeiro.
Ali, Miro mais do que aprender e assimilar os costumes brasileiros, passou a ser, apesar de seu forte sotaque, um autêntico carioca, e é nesse ponto que quero chegar.

Já estávamos prontos para irmos à casa do Dutra. Naquela época apenas Miro tinha carro, um Chevette 74 todo enferrujado, e era comum sairmos juntos às sextas feiras após o expediente, para tomarmos uma cervejinha. Faltava apenas o “Botão”, um "crioulo" enorme e com uma careca lustrosa, redonda como um botão de paletó. Daí o apelido.

Botão era o encarregado de toda a usinagem, um homem extremamente educado e gentil. Dificilmente ele perdia as estribeiras, apesar de sua grande responsabilidade e do grande número de pessoas sobre seu comando. Mas sempre há uma primeira vez.

Observando que eu, Pedro Paulo e Genésio havíamos chegado cedo ao estacionamento, Miro pediu que fôssemos nos acomodando no banco de traz do Chevette.
Alguns minutos depois foi a vez do “Botão” chegar. E chegou tão arrumado e cheiroso que ninguém poderia supor que iríamos ao Morro do Jacarezinho, comer o sarapatel da mulher do Dutra, uma nordestina de mão cheia na arte da cozinha.

Dutra era um fresador português, que nas horas vagas fazia agiotagem para a peonada e nos fins de semana vendia um ou outro porco de seu criatório. O sarapatel, especialidade de sua esposa, era apenas um chamariz para atrair fregueses ao morro, de modo a comprarem os despojos do pobre suíno.

Voltando ao Chevette, lembro-me que minhas pernas estavam apertadas pelo banco do carona. “Botão”, que era um sujeito da minha estatura, aproximadamente 1,82m, gostava de espaço, o que explica o meu aperto. Mas tudo bem, estávamos prontos para uma bela seção de sarapatel com chouriço e muita cerveja gelada.

Miro não chegou a dar a partida no carro. Olhou fixamente para o “Botão”, que já estava sentado no banco do carona, pensou durante alguns instantes e finalmente fulminou:
- Meu caro “BOTON”, passa para banco de “trax”.
“Botão” amarrou a cara, franziu o cenho, não deu um pio, levantou-se e inclinou o banco para que eu pudesse trocar de lugar com ele. Assim o fiz.
Dali para frente o clima foi péssimo. “Botão com a cara fechada e o Miro, "mudo", fingindo que não era com ele.

Dei graças, quando saímos daquele carro e pudemos finalmente nos deleitar com as gostosuras gastronômicas da mulher do Dutra. E foi bom enquanto durou.

Infelizmente, como tudo o que é bom dura pouco, já era chegada a hora da tortura do Chevette. Como Miro e Botão não se falaram durante o “Happy Hour Suíno”, era lógico imaginar o clima da volta. E foi o que aconteceu. Para cada palavra pronunciada por Miro, uma “alfinetada” cortante era desferida pelo “Botão”. Realmente um “saco” ruim de aturar. Cheguei a pensar na possibilidade de terminar a descida do Morro do Jacarezinho a pé.

Quando finalmente estávamos para nos separar e cada um seguir seu rumo, aconteceu um fato curiosíssimo e que objetiva toda essa ladainha. A brasilidade aflorada. Melhor ainda, a carioquice na sua principal característica, que reside fundamentalmente no estado de espírito, no jeito de ser e nas "alternativas estratégicas", independente da naturalidade ou nacionalidade do cidadão.

“Botão”, engasgado com a atitude do Miro, magoado por sentir o peso do preconceito de cor demonstrado pelo amigo Tcheco, finalmente botou suas angústias para fora e “fuzilou”:
- Miro, seu filho da puta. Você tem preconceito com “preto”, você não gosta de “preto”. Vocês vêm para o Brasil, fazem a vida e ainda se acham no direito de botar banca com os negros. Seu branco de merda.

Miro não se abalou. O que deixou o “Botão” mais irado.
- Responde seu safado! Responde, vamos!

Miro estacionou calmamente o Chevette, desligou a ignição e com sua singeleza Tcheca soltou a seguinte pérola carioca:
- Bom meu caro, problema "seguintch". Eu gosto de “negon”. Meu mulher é “paraibinha”. Eu "non" ligo. Gosto muito de “BOTON”. “BOTON” é meu chapa. Problema é polícia.

“Botão” retrucou, impaciente. – O que tem a polícia?

-Bom meu caro, problema "seguintch" (continuou Miro). Esqueci todos os documentos no meu casa, meu e do carro. Quando vi tremendo “negon” do meu lado pensei, “Polícia não vai perdoar “negon” no banco da frente, subindo morro.” Foi só isso, nada contra “negon”.

Agora todos, inclusive eu, ficamos impacientes e gritamos com ele – E porque você não falou antes com a gente ?

- Bom meus caros, problema "seguintch" (concluiu o Tcheco). Meu mulher queria sarapatel com chouriço e eu "non" tinha "colhon" de subir morro sozinho e sem documento. Se conto, ninguém ia comigo.

Sinceramente, acredito que essa resposta não tenha deixado o “Botão” satisfeito. Mas quando recordo dela, sinto saudades do tempo em que eu compartilhava da companhia de Miroslav Zavodzk, um brasileiro que nasceu na Tchecoslováquia. Um tomador de cerveja com chouriço e sarapatel. Um autêntico Carioca da “gema”.


Marcos Santos
Rio de Janeiro


foto do ovo, retirada da internet, sem autor.

Porreiro pá!

António de Almeida - 13.06.2008

É apenas o que me apetece dizer por agora, a hora é de celebrar a vitória da Europa dos povos sobre os cinzentos burocratas de Bruxelas. Obrigado Irlanda!

Em dia de St. António

Dalaila - 13.06.2008


Imagem retirada de uk.eurosport.yahoo.com

O Comité de Apelo da UEFA anulou esta sexta-feira a decisão da Comissão Disciplinar do organismo de não admitir o F.C. Porto na Liga dos Campeões.

Assim, volta tudo à estaca zero!
Para já os azuis lá estão, vamos ver o que vem a seguir.

Há 120 anos nasceu o poeta da natureza

Dalaila - 13.06.2008

Continua vivo e a bombear-nos todos os dias!


Imagem: Fernando António

Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples
Tem só duas datas — a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra cousa todos os dias são meus.
Sou fácil de definir.
Vi como um danado.
Amei as cousas sem sentimentalidade nenhuma.
Nunca tive um desejo que não pudesse realizar, porque nunca ceguei.
Mesmo ouvir nunca foi para mim senão um acompanhamento de ver.
Compreendi que as cousas são reais e todas diferentes umas das outras;
Compreendi isto com os olhos, nunca com o pensamento.
Compreender isto corri o pensamento seria achá-las todas iguais.

Um dia deu-me o sono como a qualquer criança.
Fechei os olhos e dormi.
Além disso, fui o único poeta da Natureza.


(Alberto Caeiro)

Nasceu há 120 anos

António de Almeida - 13.06.2008



Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus

Lisbon revisited (1926)

Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja -
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.

Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta - até essa vida...

Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.
Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me naufrago;
ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.

Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.

Outra vez te revejo,
Cidade da minha infãncia pavorosamente perdida...
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui...

Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?

Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...

Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir...

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...

Álvaro de Campos

Em minha opinião Fernando Pessoa, o maior poeta português de sempre, aqui num dos seus heterónimos.

Quem está a seguir faça o favor de se apresentar - II

António de Almeida - 12.06.2008


Na sequência do post anterior, onde manifesto com ironia a minha indignação pela vergonhosa cedência do Governo a uma corporação que foi capaz de gritar alto, causar distúrbios e perturbação da ordem pública, não quero deixar passar em claro o silêncio cumplice da Oposição.
CDS/PP: para lá de pedir a baixa do ISP, pouco mais ouvimos ao partido do Paulinho, ele que até espera angariar uns votos fruto da campanha eleitoral que faz nas bombas de gasolina.

PCP: Tudo o que são reinvidicações e lutas podem contar com o apoio e a mobilização do PCP. Como desta vez são os patrões a lutar, e apesar de uma luta ser uma luta e contra o Governo, o PCP não se vai colocar de braço dado com o patronato, pelo que se cala.
BE: Folclore, bardinagem, insurreição, desconfio que uns quantos verde-eufémios irão brevemente tirar a carta de pesados, para se poderem infiltrar em próximos protestos, em qualquer caso é válida a mesma lógica que serve para o PCP, todos os pretextos para atacar o Governo servem, até mesmo pactuar com o pior do patronato nacional.
PSD: Se Luis Filipe Menezes ainda fosse lider, poderiamos esperar vê-lo da parte da manhã manifestando-se com os camionistas, e de tarde fazendo um discurso de estado exigindo do governo a reposição da ordem pública, mas a Manuela Ferreira Leite do alto da sua credibilidade terá passado despercebida a situação que o país viveu nos últimos 3 dias?

Ou terá apenas ido a Londres mudar as fraldas ao neto?

Dos restantes partidos nada esperava, mas de si Manuela Ferreira Leite?

Com o seu silêncio tornou-se cumplice, ficando refém quer de novas corporações que venham para a rua protestar com o actual Governo, quer em tempos futuros contra si se vier a ocupar o cargo de Primeiro-Ministro. Para ganhar o quê? Mais meia dúzia de votos?

Quem está a seguir faça o favor de se apresentar

António de Almeida - 12.06.2008

Galp decidiu aumentar novamente o preço dos combustíveis.

A classe profissional que se sentir mais prejudicada faça o favor de vir para a rua gritar, bloquear estradas, que o governo dispõe de medidas de compensação financeira para distribuir.
Requisitos básicos: aguentar dois ou três dias os protestos na rua, saber arremessar pedras e partir qualquer coisa.
É levado em consideração dar entrevistas aos media, mesmo que não se saiba dizer patavina. Têm preferência agricultores ou taxistas!

Tenho esperança

António de Almeida - 12.06.2008


Que o bom povo da República da Irlanda dê uma lição aos eurocratas de Bruxelas!

E agora, Deco serve ou não?

Quinttarantino - 12.06-2008

Quando um país concede a nacionalidade a filhos de outras pátrias é porque os mesmos reúnem os requisitos que a lei lhes exige, não?.
Se os EUA se fizeram grandes aproveitando o que de melhor há pelo mundo fora, porque temos nós, minúsculo recanto, de nos arvorar em esquisitos e rejeitar uma política selectiva neste domínio?

Serve isto para interrogar alguns dos nefelibatas que por aqui pululam se já pararam para pensar bem no que seria a nossa equipa sem Pepe e Deco? Ou sem Quaresma, meio cigano que nos apertados critérios dos defensores da raça não deve ser português por inteiro? Ou de José Bosingwa?
Viram como ontem, mais uma vez, a mestria de Deco destroçou meia armada checa?

Quando pensará o Governo repôr o Estado de Direito?

António de Almeida - 11.06.2008

Gasóleo e gasolina começam a escassear na região Centro e Algarve

É inacreditável ver nas televisões portuguesas declarações absurdas e ameaças proferidas por arruaceiros, que beneficiam por agora dos seus 15 minutos de fama, enquanto os abastecimentos alimentares, combustíveis e outros são colocados em causa com camiões forçados a parar em parques contra vontade dos motoristas; a meu ver tal situação pode ser classificada como vandalismo, sequestro, e impedimento do direito ao trabalho.
E isto tudo perante o olhar complacente das autoridades, certamente obedecendo a ordens superiores.
O que espera José Socrates para conduzir pessoalmente este assunto, afastando o incapaz Rui Pereira?
Só conheço uma resposta possível, a mesma que Dias Loureiro utilizou na ponte 25 de Abril ... reboquem camiões, multem, prendam, enviem a tropa de choque, os GOI, chamem se necessário as Forças Armadas, mas acabem com a "bardinagem" insurrecta que instalou o caos e a bandalheira.

Mais perguntas a propósito de camionistas ...

Quinttarantino - 11.06.2008

De acordo com a edição de hoje do “Jornal de Notícias”, durante a madrugada, 12 camiões terão sido incendiados, presumivelmente, quando tentavam passar pelos vários bloqueios que marcam muitas estradas do país. Acrescem os apedrejamentos.
A tudo isto acresce a morte, ainda não se sabe se intencional ou acidental, de um grevista.

Tenho visto as imagens e tenho lido os jornais.
E interrogo-me sobre algumas questões.

As forças da ordem só existem, nestes casos, para fazer de conta que a circulação rodoviária decorre com normalidade?
Os vários tipos de crime a que assistem ao vivo e em directo não são passíveis de actuação imediata?


O Governo vai negociar incentivos á renovação das frotas, baixa de IVA e mais o quê com o sector?
E o gasóleo profissional vai avançar?


E se for assim que justificação vai ser encontrada para, mais uma vez, colocar o colectivo a pagar por todos? Já sucedeu, aliás, com os passes sociais que só em Lisboa e Porto não aumentam!

E se forem os automobilistas de ligeiros a fazer o mesmo a complacência vai ser a mesma?

E onde andam os críticos ferozes de Sócrates que criticam por tudo e nada quando agora se vê manifestações em Espanha, França e Bélgica? Ou quando é noticiado que em Inglaterra existem conflitos entre a Igreja e o Estado por causa do aumento da pobreza?
E o que me dizem os liberais acérrimos ante mais um exemplo de que, à primeira contrariedade, os nossos empresários correm logo para debaixo da saias do Estado?

Uma pérola destas e ninguém diz nada?

António de Almeida - 10.06.2008

Quinze virgens pelo fim da guerra entre dois clãs

Estranhamente não encontrei na minha ronda diária pelos blogues cá do burgo, nomeadamente aqueles que se entregam ás causas e acreditam nos amanhãs que cantam, qualquer referência á notícia acima que retirei do "Diário de Notícias".
Estão todos entretidos com a história do dia da Raça, à procura duma polémica sem que ninguém lhes passe cartucho.
Por muito que não gostem mantenho-me coerente, mais uma vez fica demonstrado que os países islâmicos não representam valores de decência e civilização.

Um peso no governo, outro na oposição

António de Almeida 9/06/2008

Quando um grupo profissional ou sindical decidir paralisar à força a entrada numa cidade ou a circulação numa auto-estrada, que vai fazer o Governo?

-Concordo com as palavras acima proferidas pelo prof. Vital Moreira, mas não posso deixar de recordar o célebre bloqueio á ponte 25 de Abril em 1994, estávamos no último governo do prof. Cavaco Silva, e Mário Soares, então Presidente da República afirmou que as pessoas tinham direito á indignação. Não me recordo do prof. Vital Moreira ter escrito nada semelhante, convém sermos coerentes, e não assumir uma postura no governo, outra na oposição, a não ser que as pessoas apenas tenham direito a indignarem-se com os governos do PSD. Aliás em matéria de Código do Trabalho já vimos algo parecido pelas bandas do largo do Rato, um ataque fortíssimo quando o documento foi publicado no governo PSD/CDS-PP, passou a ter qualidades merecendo um aperfeiçoamento agora que o PS é governo. Coerências...

Santana e Telmo mudaram lei a pedido?

Quinttarantino - 08.06.2008

O parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o processo de Casino de Lisboa conclui que as alterações à Lei do Jogo, no final de 2004, foram feitas expressamente para atender aos pedidos da Estoril Sol.

Contudo, e à boa maneira lusitana, também se assevera que se foi para cumprir uma promessa do Governo de Durão Barroso, está tudo bem!

De acordo com o “Diário de Notícias”, o “parecer diz que a atribuição do casino à empresa não é «desconforme»" com o Estado de Direito - se essa tiver sido a promessa do Governo de Durão Barroso, como argumenta a Estoril Sol”.

Curioso é que a mim quando fui nomeado para o quadro também me disseram que era nomeado em determinadas circunstâncias e com certas regras que, agora, este Governo, sem me perguntar nada, mudou!

Lá está, há promessas e promessas.

Notas Emprestadas - A Faca de ponta

Notas Soltas, Ideias Tontas - 08.06.2008

Mantendo a tradição de cooperação e interacção entre o Notas Soltas e outros autores e blogues, avançamos com mais um autor.

Desta vez, um autor com muitas historias para contar, alguém que fascina com a sua forma de escrever contos e historias de vida, que nos transmite sempre uma moral de vida e se extrai sempre um ensinamento.

Dias antes levara uma surra do pai, porque tinha deixado assaltar a taberna.

Naquele dia, António ausentara-se do local de trabalho para ir ver uma rede que montara nessa manhã na Vala do Sequeiro, junto à linha do comboio, na expectativa de apanhar alguma enguia ou papa-cavalo. Uma das suas freguesas do mata-bicho, que estava a banhos, aproveitou a sua ausência, e, tendo espreitado onde ele tinha guardado a chave da taberna, foi-lhe à gaveta do dinheiro.

Pelas festas dos Santos Populares e durante toda a época balnear, o ti Joaquim mantinha em funcionamento uma das suas tabernas sazonais nas termas, aquela que lhe dava mais lucro.

O António, o seu filho mais novo fora o escolhido para a sua exploração, encargo que gostava muito de ter porque passava grande parte do tempo a ouvir no rádio aquilo que mais gostava – as canções daquele tempo. Ouvia e cantava em simultâneo as cantigas. Depois passava toda a letra para folhas de papel pardo.

Devido à sua voz bem timbrada, até aspirou um dia a ser cantor profissional. Tony chegou mesmo a ser vocalista do Sol Dourado e foi a uma audição à Emissora Nacional.

Naquele dia, tinha-se esquecido de um papel em cima da mesa da cozinha da residência familiar. A ti Maria, curiosa, pegou no papel, abriu-o e leu:

“Eu hei-de morrer de um tiro,

Ou duma faca de ponta.

Morro hoje ou amanhã,

Com isso já faço conta”…

Ai!...

Ia desmaiando após lidas aquelas palavras.

Com as forças quebradas, aflita, correu a chamar pelo homem que, nesse dia andava a cultivar o serrado atrás da casa. E entregando-lhe o papel exclamou:

- Olha o que tu fizeste ao nosso Tóino! Vai lá depressa ver o que é que se passa com ele! A esta hora atirou-se para debaixo do comboio ou para dentro de alguma vala!

O ti Joaquim pegou na sua bicicleta e foi a toda a pressa até à taberna.

O Tóino dormia a sesta bem descansado na sua improvisada cama de bunho seco, porque nessa tarde não havia muito que fazer.

Afinal, era apenas o refrão duma cantiga!

Os tempos mudaram, mas hoje a cantiga é a mesma:

“Eu hei-de morrer de um tiro,

Ou duma faca de ponta.

Morro hoje ou amanhã,

Com isso já faço conta”…

Estamos tramados!

Temos a faca encostada à barriga…

Eu, pelo menos, tenho-a sempre apontada a mim, vinda de várias direcções.

Estou sujeito a assaltos, mas o maior assalto vem daqueles que me deviam proteger! E então digo:

Eu hei-de morrer um dia

Porque imortal não sou

Portanto ficai sabendo

Ao lerem o meu testamento

Que foi o governo que me matou!


Se puder comente em forma de poema/refrão, que comece por:

“Eu hei-de morrer…”

Obrigado ao Notas pela oportunidade

E aos comentadores pela atenção!
O Cabo das Tormentas (http://j-cabodastormentas.blogspot.com)

Contrariando muitas vozes, ganhamos!!!

Tiago R Cardoso - 07.06.2008

Hoje já escrevi por aqui a minha posição relativa ao futebol e a selecção nacional.

Sendo assim, também eu chego a barriga ao balcão, peço um copo de três e discuto o resultado da selecção nacional.

Hoje vencemos, Portugal venceu, contrariando vozes de mau agoiro, a selecção para já provou que é uma grande equipe.

Por momentos este país esqueceu que Pepe era brasileiro, por momento tudo era Portugal, independente de onde nasceram...

É apenas o primeiro, é apenas o inicio, pode ser que as coisas se alterem, acredito que não, acredito que possamos chegar longe.

Hoje todos os críticos juntam-se aos outros, hoje todos gostam, hoje todos discutem futebol, amanhã será feito o rescaldo do rescaldo, mas segunda voltaremos à vida real...

Mas vamos esquecer tristezas, vamos por uma vez esquecer Sócrates, esquecer protestos e greves, vamos por breves momentos também consumir o “opio do povo”, vamos por momentos chegar todos a barriga ao balcão...

Sempre a ASAE

António de Almeida - 07.06.2008

-Existem sinais que são inequívocos, o afastamento de Fátima Araújo, Directora Regional do Norte na ASAE, que vinha mostrando alguma discordância face aos métodos mediáticos sempre em busca de protagonismo de António Nunes, mostra bem quem manda na instituição. Manuel Pinho lá saberá as razões porque mantém este sr no cargo, o qual ainda ontem reconheceu existirem inspectores fundamentalistas, num encontro com empresários da restauração nas Caldas da Rainha, desarmando assim as críticas que estes se preparavam para atirar. Resta saber se António Nunes foi sincero nesta afirmação, se assim é enquanto responsável máximo da ASAE não poderá deixar de retirar consequências, colocando os seus homens no devido lugar, ou se foram apenas mais umas declarações avulsas que periodicamente permitem ao sr António Nunes ser notícia satisfazendo a sua vaidade pessoal, enquanto Manuel Pinho o permitir obviamente.

Eu amo Portugal !!!

Tiago R Cardoso - 07.06.2008

Nos últimos dias a tendência tem sido a de escrever e falar-se sobre futebol, tendo mesmo passado todos os limites, chegando ao exagero e ridículo.
Tivemos direito a Futebol Clube do Porto, Selecção, mais Porto e agora vamos outra vez a caminho da Selecção.

Pensando bem nesta questão, tenho de dar razão a quem aponta que o futebol não interessa, que temos coisas mais importantes para pensar e que tudo isto serve para afastar o povo do que interessa.

E que dizer do argumento fundamental, aquele que se reduz a um “eles ganham muito e nós não ganhamos nada” ?

Estava nisto, quando ouço na rádio uma reportagem sobre os imigrantes na Suíça.
Falaram com várias pessoas, tendo-se destacado uma senhora que trabalhou quinze dias sem folga, só indo a casa cinco horas por dia de modo a que agora pudesse assistir ao Europeu.

Seguidamente ouvi várias declarações dispersas de imigrantes; todos unânimes em que o que mais queriam era que Portugal ganhasse à Suíça, outros gritavam o nome de Portugal, outros, segundo a descrição do repórter, andavam vestidos com as cores nacionais da cabeça aos pés!

Destacou-se também na reportagem o facto de os jornais de referência suíços falarem deste entusiasmo dos imigrantes portugueses e deste clima de alegria.
Fiquei convicto que, afinal, nem tudo se resumia a uma questão futebolística, antes a um gosto por Portugal, por tudo o que é português e uma questão de afirmação nacional.

Noutros países a Selecção não tem classes sociais, todos se unem em torno de algo comum e de bom!

Noutros países, os símbolos nacionais são amados, vestem-se as cores, anda-se com a bandeira em jeito de afirmação, pelo amar o País, pelo orgulho no País, por gostarem das suas raízes. Mas isso, cá pelo nosso Portugal, para alguma elite e alguns sectores da sociedade é considerado rasca, considerado acções de "povinho" sem cultura.

Esses fazem-me lembrar o encarregado da minha empresa: "Andar com a bandeira, vestir as cores nacionais, é XF" para quem não sabe, XF significa "rasco", "foleiro", "azeiteiro".
Nesse caso, não só pela Selecção, mas por gostar do meu país e de tudo o que dele vem, eu e mais uns milhões de portugueses, incluindo os imigrantes, somos XF's …

Gostamos de Portugal, futebol e da Selecção.

Não me importo de discutir futebol, de ver, de gritar, de estar entre o "povo", que nas tascas vê um jogo e bebe um copo de três, afinal não sou nem pretendo ser superior aos outros, não sou nem pretendo esconder o que sou, um português, um trabalhador de mãos estragadas, um comum e normal cidadão que gosta de estar onde está e sente-se bem.

Coisa nenhuma é 1 ANO de NOTAS esparsas!

Quinttarantino - 06.06.2008

Andava eu embrenhado numas peças processuais e no novo Código da Contratação Pública, quando um dos assessores aqui do NOTAS me alertou para uma questão magna …
A um “não te esqueças de sexta-feira”, saiu um intrigado “sexta-feira quê?”
É que consta nos anais que terá sido neste mesmo dia, mas há um ano atrás, que foi registada na blogosfera a primeira pegada do NOTAS.

E assim sendo, parece que se impõe nota laudatória …
Mesmo que aqui o autor não quisesse, os accionistas exigem-no.
Não todos, não todos … apenas a velha guarda, que esta rapaziada nova…!
Pois aqui vai …

O NOTAS começou por ser um projecto a solo, onde pontificava um escriba que procurava aqui um escape para certas mordaças que as circunstâncias lhe impunham em meios mais tradicionais de comunicação; digo-vos que andei ali a penar uns tempos … escrevia e tinha a sensação que ninguém lia.

Até que começaram a chegar.
Cada um no seu jeito, com as suas palavras e silêncios, mas sempre relativamente participativos, e nem sempre com encómios.
Pode não parecer, mas prefiro uma boa bravata com troca de argumentos a uma ladainha insana de aplausos!
Há por aí muito quem se julgue a Madre Teresa de Calcutá dos blogues, se reveja na mirra e incenso que é despejada a seus pés … juro-vos que assim é!
Bom, não topo os discordantes armados em moralistas ou que discordam por discordar, mas quando me apresentam contra-argumentação … temos conversa.

Sempre quis e sempre vi o NOTAS como um espaço interventivo, de reflexão, opinativo, combativo, equidistante mas sem que cada um tivesse de prescindir da sua identidade. Literária e opinativa.
Bastas vezes se queixaram que os textos eram longos, que aquilo era uma monotonia porque não havia surpresa, que o NOTAS era muito político … e nunca transigimos.

A prova que o NOTAS tinha o seu espaço, e isto já depois de aqui se terem associado outras vozes, outras escritas, é que a determinada altura tivemos direito a cisão, a críticos furiosos, a ataques dissimulados … paradoxalmente, foi também quando mais o NOTAS motivava as pessoas a regressarem para verem o que se passava.

A coisa andou e, a certa altura, o projecto avançou para um outro estádio, quiçá demasiado ambicioso.
No passado mês de Abril abriu-se um novo capítulo na existência deste projecto.
Hoje, volvido este tempo, não posso dizer que me arrependi, mas asseguro-vos que não me enche as medidas.
Tenho não só o direito de o pensar, mas sobretudo de o dizer.

O compasso está demasiado prolongado, há uma indefinição de rumo e, aqui e ali, nem sempre escapamos à lógica suicidária do comentário na hora a qualquer coisa que sucedeu.
O NOTAS hoje é proletário, ontem era mais elitista.
E penso que perdeu identidade.

Seja como for, neste percurso conheci gente extraordinária; fiz amigos verdadeiros, contactei com pessoas que me surpreendem porque mesmo que não tenha a amabilidade de lhes dedicar uma mísera linha ainda persistem em ler-me, e encontrei alguns trastes!
A única diferença para a vida real é que aqui, a coberto do pseudónimo ou do anonimato, aos trastes é possível serem mais vermes e abjectos. Mais nada.

Aproveito ainda para agradecer o empenho e a abnegação do Tiago, da Blonde, da Bluegift, e, a determinada altura (porque não reescrevo a História), da Carol e da Lídia no projecto.
Digo-vos que era um elenco de se lhe tirar o chapéu.

Aos novos, e sem desprimor para qualquer um, saúdo a confiança que depositaram no projecto para se quererem associar.
Temos por aí gente que, se quiser, pode dar muito.
Arte e engenho têm, tenham agora vontade.
Falta-nos talvez encontrar a consistência e a solidariedade que fez do NOTAS uma argamassa formidável.

De qualquer modo, e porque são 365 dias na blogosfera, fica a certeza que o rumo nos levará a qualquer lado.
O porto será sempre bom, falta é saber a dimensão da grandeza!

E com palavras cantadas …

“Yes, there were times,
I'm sure you knew
When I bit off more
than I could chew.
But through it all,
when there was doubt,
I ate it up and spit it out.
I faced it all and I stood tall;
And did it my way.

For what is a man,
what has he got?
If not himself, then he has naught.
To say the things he truly feels;
And not the words of one who kneels.
The record shows I took the blows
And did it my way!”

… vos digo que tanto fico, como vou ou volto ao antanho!

(post scriptum - obviamente que aquelas palavras cantadas são de A VOZ, Frank Sinatra)

Quantos são, quantos são ?

Tiago R Cardoso - 05.06.2008

“Quantos são ?”

“Venham eles, eu não tenho medo de ninguém!”

“O quê, 200 mil?”

"Lamento, mas discordo."(Público)

As primeiras são de minha autoria, a ultima de José Sócrates quando confrontado com a manifestação da CGTP.

Devia era ter ido mais longe...

“Quantos são ?”

“Dez milhões ? Lamento, mas discordo.”

11 de Setembro, o julgamento.

António de Almeida - 05.06.2008

-Há dias escrevi um texto que gerou alguma polémica, onde defendi o direito da civilização ocidental defender os valores da liberdade, algo que apenas os EUA parecem ter coragem para fazer ao encarcerar os nossos inimigos em Guantanamo.
Não sou pela pena de morte, nesta como noutras situações, pelo considero que não devem ser atendidas as pretensões do RÉU, repito do RÉU e não da acusação, embora não seja difícil colocarem-se de acordo face ás circunstâncias. É com esta gente que estamos a lidar.