É preciso ser muito grunho!

Carol 15.05.08

Ontem houve muito boa gente preocupada com os cigarros que Sócrates fumou na ida para a Venezuela. Também houve quem perdesse tempo a perceber se Jardim se candidatava à liderança do PSD e, caso não o fizesse, quem seria a vítima do seu apoio.

A mim, valha a verdade, nenhum destes dois assuntos me preocupou sobremaneira. Na verdade, fiquei mais indignada e preocupada com as declarações de Marinho Pinto durante uma audição na Comissão de Assuntos Constitucionais, no Parlamento. Não sabem? Então, eu explico!

O bastonário da Ordem dos Advogados defendeu que o crime de violência doméstica não devia ser um crime público, ou seja, não devia poder ser denunciado por um qualquer cidadão consciencioso mas, apenas, pelas próprias vítimas. Aliás, Marinho Pinto afirmou mesmo que “há um certo fundamentalismo na violência doméstica como crime público” e justificou o seu ponto de vista afirmando que a desistência de um processo deste tipo não podia ser viabilizada mesmo a pedido da própria vítima. Para além disso, apontou um "feminismo entranhado" nas leis portuguesas.

Como seria de esperar e, apesar do pouco eco que tiveram, já houve reacções a esta tomada de posição, nomeadamente pela União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR). Este movimento manifestou hoje, em comunicado, o seu repúdio por afirmações que “primam pelo absurdo e constituem um retrocesso na luta pelos direitos humanos e na evolução das mentalidades”.

A UMAR acrescentou, ainda, que o bastonário se baseou num pressuposto erróneo, pois o Código do Processo Penal actualmente já prevê que a vítima possa desistir do processo, mesmo que a situação tenha sido denunciada por outrem.

Enfim, o sr. Marinho Pinto parece que anda distraído... Anda tão distraído que parece não saber que, só em 2008, já morreram dezassete (17!) mulheres vítimas de violência doméstica e que já foram registados 11 casos de tentativa de homicídio.

Num mundo que conhece casos como os de Natasha Kampusch ou o do “Monstro” austríaco, como é possível que alguém defenda que a violência doméstica só possa ser denunciada pelas próprias vítimas?!

6 comentarios:

quinttarantino disse...

O Dr. Marinho Pinto, às vezes, parece perdido no seu remoínho!

Fa menor disse...

Já só falta defenderem a violência doméstica! Assim como assim é tudo para ir ao ar mesmo!

antonio disse...

E eu l� pelo meu s�tio a denunciar o que aconteceu com a Rand e a denunciar as nossas omiss�es e afinal estava s� a ser fundamentalista...

N�o voltar� a acontecer! (como disse o S�crates.)

Tiago R Cardoso disse...

O senhor bastonário andará nos copos?

lusitano disse...

Devia acontecer-lhe com em certos filmes que por aí passam, ou seja, acordava de manhã transformado em mulher, casada com um energúmeno que lhe batia e talvez depois já compreendesse o "feminismo" nestes casos.

Quem muito fala pouco acerta!

Dalaila disse...

este é mais um dos filmes da nossa política, mas a grande preocupação mesmo é se o fumo saiu ou não, se o primeiro ministro já pediu desculpas... olha mais uma vez portugal dos pequeninos