Notas Emprestadas

Notas Soltas & Ideias Tontas - 18.05.2008

Mantendo a tradição de cooperação e interacção entre o Notas Soltas e outros autores e blogues, avançamos com mais um autor.
É o segundo texto de autor que já lemos e acompanhamos há muito tempo, aqui num registo diferente mas tocando nas feridas e nos pontos certos, Nuno_R.


"Sem-Abrigo"

Sou mais um "sem-abrigo" na noite.

Um "sem-abrigo" que busca consolo e refúgio da mesquinhez humana andando sem poiso certo. Um dia aqui, outro dia acolá...

As vicissitudes da vida e alguns actos irreflectidos e imponderados à mistura, puseram-me nesta situação.

E agora tenho de viver as consequências desses actos irresponsáveis, da pior maneira possível, na mendicidade.

O ser humano quando quer, consegue ser maquiavélico e frio ao ponto de virar a cara ao seu "irmão" quando ele mais necessita de ajuda ou abrigo.

As pessoas passam e desviam-se, como se o ar que respiro lhes fizesse algum mal.

Tento sobreviver diariamente com o que consigo obter através de biscates ou da caridade amiga, mas mesmo assim isso é muito pouco. Mas antes isso que nada, não é?!

Tento arranjar trabalho, mas quem quererá no seu emprego um sem-abrigo?

Ninguém!

Para comer e vestir, o que me vão dando vai servindo, mas o que me custa mais não ter, é o que o dinheiro não consegue comprar. A felicidade.

E essa não se consegue sozinho e desamparado como estou.

Já procurei auxilio e o que obtive foram portas fechadas.

Vou vendo o tempo passar vagarosamente à minha frente e para me distrair um pouco, vou enchendo a mente com lembranças e memórias de outros tempos. Tempos idos, mas bons; onde uma mesa farta, boas roupas e uma cama decente para dormir me acompanhavam.

Mas o tempo não anda para trás e todos nós temos de viver com as consequências dos nossos actos, seja para o bom como para o mau.

Não sei o que será o meu amanhã ou para onde irei...

Deambulo sem caminho definido e vou para onde as minhas pernas me levarem até o cansaço me vencer.

Deito-me onde calha ou onde me deixam pernoitar e abrigar do frio.

Mas não é o rio da noite que me incomoda mais, é antes o "frio interno" que vai gelando as minhas emoções e sentimentos.

O que de certa forma atenua e anestesia a angústia que sinto em de viver nesta miséria ambulante em que (sobre)vivo.

E assim são os meus dias.

Dias de miséria e sofrimento que tardam em findar...

7 comentarios:

NuNo_R disse...

BoaS...

Agradeço a oportunidade de mais uma vez ver um texto meu publicado neste espaço.
Ao painel, um "grande" abraço profano. :)

missixty disse...

Já comentei este mesmo post no espaço do autor e volto a repetir aqui que muitas vezes, as pessoas tem aquilo que merecem! Metem-se na droga e no alcool de forma irre mediável e acabam na mendicidade! Aparentam tal estado de degradação que as pessoas além de nojo, até tem medo deles..custa ouvir mas é a verdade!
beijinhos a todos

quinttarantino disse...

Nem sempre, Miss, nem sempre ... há também aqueles que são pura e simplesmente deserdados da fortuna!

Tiago R Cardoso disse...

Muito bom, a tocar nas feridas certas e a dizer as coisas como elas são, mais um bom texto do Nuno.

NuNo_R disse...

OlÁ MISS...

Na generalidade é assim como dizes , mas existem casos em que não será assim tão linear.

Mas no geral a sociedade tb é "pouco amiga" desta gente, pois rapidamente se afastam do seu encalço e não lhes dão a minima importância, como se nem existissem.
Bjs

NuNo_R disse...

Boas quinttarantino...
é isso mesmo, uns são deserados, outros deserdam-se pelas atitudes tomadas ao longo da vida...

abr...prof...

NuNo_R disse...

Boas tiago...

este assunto por norma, raramente é tratado a não ser que alguma ONG o trate abertamente, de resto continuará a existir, pois o Estado se demarca cada vez mais com o auxilio a "esta" gente; tanto podemos ver o que a ASAE abda a fazer a algums instituições de carácter social...

abr...prof...