Nosso Oxigênio?

Marcos Santos - 20.05.2008


Outro dia postei fotos de uma plantação de bananeiras, infiltrada na Mata Atlântica. Mais especificamente no Maciço da Pedra Branca, Zona Oeste do Rio de Janeiro.
Curiosamente um dos comentários veio da Virginia, Estados Unidos e ele dizia mais ou menos assim: “É muito triste, temos essa grande floresta para sobreviver. Ela é nosso oxigênio.”

Esse comentário me fez refletir sobre o que vem ocorrendo no mundo, nos últimos séculos.

É do conhecimento de todos que o Brasil detém a maior reserva vegetal do mundo. Enquanto vivíamos como aborígines, o mundo queimava todo o seu estoque de madeira, incluindo a Mata Atlântica Brasileira, que se estendia de norte a sul do país, serpenteando o Oceano Atlântico. Os portugueses retiraram daqui, até a beira da extinção, a madeira que deu nome à minha terra, o pau-brasil.
Obviamente também somos responsáveis por boa parte do que foi devastado, mas em número insignificante, se comparado ao que foi feito no hemisfério norte.

Agora, voltando ao Maciço da Pedra Branca, vou fazer algumas considerações que gostaria de dividir com os amigos.

O Rio de Janeiro é uma metrópole com seis milhões de habitantes, sendo que na zona metropolitana (inclui as cidades dormitórios) vivem perto de dez milhões. É muita gente, não acham? Conseguem imaginar uma cidade com tamanha concentração populacional na Europa?
Difícil imaginar.
Ma agora pensem na quantidade de mata existente nas cidades Européias, ou Norte-americanas, principalmente nas metrópoles. O resultado é de uma aridez de impressionar.

O Maciço da Pedra Branca, Maciço da Tijuca e Maciço do Mendanha, estão encravados no coração da cidade do Rio de Janeiro. Eles são as cadeias montanhosas, que formam a bela geografia dessa cidade. Neles encontramos a maior floresta urbana de todo o mundo.
Se estão lá, é porque preservamos, pois como morador de uma metrópole, sei dos grandes desafios que encontramos para morar, trabalhar e ainda conviver com a mata, sem destruí-la.

Não nos enganemos em achar que sabemos mais da grama do jardim do vizinho do que da nossa própria grama.

A amiga da Virgínia, se está preocupada com seu ar, pode começar cuidando do próprio jardim e deixar que cuidemos do nosso, pois isso nós sabemos fazer muito bem.

Marcos Santos
Rio de Janeiro

foto marcos santos

9 comentarios:

Peter disse...

Vivo num subúrbio relativamente tranquilo, no que respeita a trânsito, da cidade de Lisboa. É normal parar no passeio e olhar o céu azul e as pequenas nuvens, flocos de algodão que se vão juntando. E também as árvores e a variedade de plantas, uma diversidade de cores e de formas.

Mas um elemrento estranho deforma a beleza do momento: os blocos de cimento das habitaçõeds.

Peter - http://o blogdopeter.blogspot.com

quinttarantino disse...

Pensar global, agir local - eis o que poderia resultar da simbiose entre o que escreveu o Marcos Santos e a proposta da cidadã estado-unidense não identificada.

Por outro lado, o texto e remate final do Marcos abrem portas a uma pergunta: até que ponto é legítima a ingerência em questões atinentes a um Estado soberano mas quando as mesmos questões interessam a toda a Humanidade?
Falo, claro está, do caso da Amazónia; a sua desflorestação, promovida em larga escala por empresas multinacionais e muitas das vezes à revelia da vontade das autoridade brasileiras, tem ou não de ser impedida?
Assim como quando são as próprias autoridades que a promovem pode-se propor que contra pagamento, se mantenha a floresta?

Ficam as interrogações.

Marcos Santos disse...

A Amazônia é um caso clássico e de vital importância para o mundo. É o que nos resta para protegermos. A questão está em "quanto" ela vale para o resto da humanidade. Ao devastar suas reservas naturais, as nações do primeiro mundo estavam sentenciando o futuro do clima no planeta, enquanto engordavam seus cofres. Logo, O Brasil tem o direito de cobrar pela preservação da Amazônia, coisa que os ricos arrepiam-se só de pensar. Para eles, fica mais fácil patrocinar ONGs "Ambientais", no intuito de espalhar a propaganda da necessidade de internacionalização da floresta.
O novo Ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, meu conterrâneo, defende a necessidade de colocar as Forças Armadas como fiscais das atividades do local. Acho que ele tem razão, pois já há muito índio falando alemão.
Nesse caso, tudo bem para a bio-pirataria.

Manuel Rocha disse...

Bem...se a tal cidadã preocupada com o O2 prescindir de o usar condicionado, bem como do soalho exótico e do pópó a barris de etanol de cana ou a biodiesel de soja, já dava uma bela ajuda, não ?

Concordo pois com o Marcos e discordo do Quint no seu remate. Os excessos de regulamentação não substituem a consciência das coisas. Os problemas que estão aqui em causa residem na procura no destino e não na oferta na origem. Se alguém do lado de cá acha mesmo que daí virá mal ao mundo, basta que recuse esses consumos. E claro que há muito por onde plantar couves, seja nos "estates" ou nas europas. A fotossintese não é esquisita.Mas como é óbvio manda mais pinta mandar umas bocas sobre a Amazónia do que sobre um couval da Malveira. Isto, claro, nos intervalos do tema do semestre: o cigarrada do PM !

;)

Dalaila disse...

às vezes perdemos tanto tempo a discutir assuntos globais e não olhamos para dentro da nossa porta. é mesmo pertinente este texto e muito bem conseguido

Osvaldo Lucas disse...

O Manuel levanta-me uma interrogação a que nunca consegui vislumbrar resposta:
Porque é que quanto mais raro mais interessante/caro/procurado? Alguns exemplos
- Papagaios/outras aves em risco de extinção
- Diamantes / ouro, etc
- Madeiras exóticas
- Tudo o que tenha design exclusivo de um qq nome sonante
- Top-models
- Jogadores de futebol
(estas duas últimas opções mais no sentido de que não valerão mais dois muito bons/boas jogadores/modelos do que um(a) super?)

Tiago R Cardoso disse...

Gostei, se não sabemos cuidar do nosso jardim como é que ainda temos a ideia de ir opinar sobre o jardim do outro, excelente.

Samara disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Samara disse...

Tudo bem discutir sobre a questão da posse que o mundo faz sobre a Amazônia, agora que devastaram todas "suas" florestas; essa discussão é pertinente e concordo com muito do que foi apresentado aqui, mas por favor, não vamos esquecer que a Amazônia necessita de preservação por muitos aspéctos importantes, mas não por produzir oxigênio, pois isso ela faz, mas consome grande parte! Não esqueçam que plantas respiram 24h por dia.
A Amazônia não é o pulmão do mundo!
Por esse aspecto a Sra.Virginia não precisa se preocupar com a Amazônia, mas se oxigênio é o problema, ela tem que se preocupar com a temperatura e salinidade dos mares.