A juventude, o 25 de Abril e a politica.

Tiago R Cardoso - 25.04.2008

Sinceramente gostei, sei que muitos não gostam dele, mas Cavaco Silva esteve bem, vou mais longe, esteve muito bem.

Avançar com um discurso onde a temática era o alheamento dos jovens em relação à politica, mostra que o PR sabe e tem visão sobre o assunto.

"Os mais novos, sobretudo, quando interrogados sobre o que sucedeu em 25 de Abril de 1974 produzem afirmações que surpreendem pela ignorância de quem foram os principais protagonistas, pelo total alheamento relativamente ao que era viver num regime autoritário."

A actual juventude está afastada do 25 de Abril, dá-lhe pouca importância, acha que a liberdade e todos estes direitos que tem caíram do céu, quando são fruto de anos de lutas, de acumular de frustrações e injustiça, que culminou na a revolta contra "o estado a que chegamos".

Conforme e muito bem disse Cavaco Silva, existe também um afastamento em relação à politica, onde os jovens pouco sabem e pouco se interessam, tudo isto resultado dos próprios políticos que não passam a melhor das imagens, nem atraem esses jovens para a participação politica.

Está na altura dos órgãos de decisão se aproximarem da juventude e do resto da sociedade, chega de ficar no mesmo sitio à espera, que seja a sociedade a ir ao encontro desses órgãos.

O que temos neste momento é o cidadão comum a protestar, a reclamar contra a politica e políticos, mas sem acção e sem saber onde protestar, nem a quem ir protestar, nem como participar.

Dai que se exige que a politica deixe de funcionar com um circulo privado, só de elites, para as elites.

Como é 25 de Abril, dia de aniversário da revolução, deixo uma frase marcante e muito bem dita:

"O 25 de Abril não é monopólio de uma geração nem de uma força política", quem me dera que muitos ouvissem e entendessem.

8 comentarios:

Daniela Major disse...

Os jovens que não sabem o que é 25 de Abril são sem duvida uma vergonha para a minha faixa etária.

No entanto, os que sabem (e nao sao poucos), não se reveem na luta anti-fascita.
E porquê? Não nos revemos porque não é a nossa luta. Nós nascemos em Liberdade. E ainda bem que nascemos em Liberdade e temos de agradecer aqueles que fizeram a Revolução. E prezamos a Liberdade, não pensem que não. Mas ninguem tem o direito de dizer que nós nos deviamos rever na luta-antifascista. Nós temos outras lutas para lutar.
O Ricardo Araujo Pereira diz que se sente orgulhoso em ter nascido 3dias depois da Revolução. Eu era uma criança quando vi 2 aviões bateram nas Torres Gémeas em Nova Iorque. Eu vi, dias depois um homenzinho ridiculo a dizer que nos queria matar a todos.
E eu sei que vou viver com isto, com o terrorismo, com o aquecimento global, com o desaparecimento do Petroleo, com o genocidio do Darfur, com a saga: Israel-Palestina, com o Irão e a bombinha, com a Guerra do Iraque, com a crise em Portugal que nao acaba, com a competitividade do resto da Europa, com o desemprego que aumenta etc...para o resto da vida.

É obvio que me sinto grata a todos aqueles que lutaram pela Liberdade.
É obvio que prezo a Liberdade, a Igualdade, a Solidariedade. Mas eu nasci com isto. A culpa não é minha, aliás não é nossa. A culpa disto é do povo portugues que como disse: são fruto de anos de lutas, de acumular de frustrações e injustiça, que culminou na a revolta contra "o estado a que chegamos".

Mas não nos vamos rever numa luta que não é nossa, e numa luta pela qual nunca lutamos. Isto não é bom nem mau. São as circustancias da vida.
Está na hora de nós nos a lutar contra o "Estado a que isto chegou", que nao sendo falta de Liberdade, pode ter tambem consequencias bastante graves. E tem-no.

quintarantino disse...

Depois da intervenção da Daniela não é preciso dizer mais nada.

quintarantino disse...

Não resisto, pois estive a ler o que escreveste mais abaixo ... olha lá, ó Tiago, o Cavaco (na onda do raciocínio que mandaste cá para fora a propósito do Soares) não é político?

Espera aí ... quem era aquele tipo que foi ministro de Sá Carneiro?
E que depois foi Primeiro-Ministro?

E ele descobriu isso agora?
Isso é lá a coisa da juventude?
De facto, esteve muito bem.
Mas não foi pelo tema, foi porque no meio daquela pobreza franciscana qualquer coisa brilha!

mac disse...

Como é que os jovens (ou qualquer outra pessoa) podem acreditar nos políticos, quando o próprio PR vai à Madeira, encontra-se fora do programa oficial com os deputados da oposição, como se isso fosse um crime, como se a PIDE estivesse na esquina pronta a prendê-lo, e toda a gente acha isto tudo muito normal? Quando a esposa do PR faz um comentário muito infeliz sobre um relatório sobre a pobreza nesta ilha? É esta a imagem de seriedade que se quer transmitir?

Política de elites? Claro que sim...nestes últimos anos, os únicoss partido que se renovaram em termos de imagem foram o BE, graças a um discurso jovem e descomplexado, e o PS, que conseguiu afastar os Pais Fundadores e lá apareceu o Sócrates. O PCP continua com a sua cassete, o CDS foi repescar o Portas, e agora o PSD, que teria hipótese de se renovar com o Passos Coelho, vai apostar na sua elite pantanosa e mal cheirosa.

Fragmentos Culturais disse...

Suponho que a culpa não é só dos jovens!

Seus pais, avós evitam, muitos deles, passar o testemunho!
Há como que um 'complexo' em relação a isso, nuns!
Em outros, há graves feridas por 'cicatrizar!

Mas há sobretudo uma forte componente de 'não educação' para a cidadania...

Sensibilizada pelo olhar afectuoso poisado em 'fragmentos'!

Um beijo

... lamento andar tão atrasada no que concerne o acompanhamento dos meus 'comentadores'! Meu trabalho não me tem permitido ser mais 'presente'!

O 'layout' do blogue está diferente! Mais apelativo! E mais 'cultural' :)

Tiago disse...

Sim é vergonhoso uma geração "rebelde " não saber o significado do 25 de Abril, desconhecer quem foi Salazar e ser profundamente ignorante em relação ao que foi o nosso estado autoritário. O Cavaco falou bem, mas será que a culpa, para além de ser dos jovens, não será também dos políticos? Interessa muito à nossa democracia que os jovens participem e sejam activos, mas, será que interessa assim tanto aos políticos...

Antitudo volta à carga... Visita!

O Guardião disse...

Meu caro Tiago
O 25 de Abril não é monopólio de ninguém, e não era preciso vir Cavaco Silva dizê-lo. Da esquerda até à direita há quem da Liberdade se tente apropriar, ou de pelo menos a querer tutelar, o que não é aceitável. Os ideais de Liberdade são universais, e é pena que por vezes quem o invoca nesta data, o esqueça durante o resto do ano, em questões como a do Darfur, do Tibete, da Somália e até da Madeira. Isto é apenas um desabafo, porque a coerência não tem data marcada.
Cumps

Pata Negra disse...

Os jovens não valorizam o 25 de Abril provavelmente porque os mais velhos não o valorizam perante eles. Preocupante é o facto dos mais velhos votarem e apoiarem os políticos e as políticas que têm levado Abril! Preocupante é o descaramento com que certas figuras falam bem de Abril e nos bastidores trabalham contra as conquistas que Abril trouxe!
Os jovens não sabem o nome dos protagonistas desse tempo nem dos de hoje!?
É isso que preocupa os Cavacos deste país, que as gerações do futuro não os considerem na história!?
Reparem que em cada discurso do Sócrates há sempre a frase "hoje foi um dia histórico".
Que a história os despreze e os esqueça e invente um caminho sem eles, só assim poderemos falar de Abril com todas as letras.
Um abraço (não há abril enquanto houver sócrates e cavacos)