E tem mais ...

Blondewithaphd - 25.04.2008

Concordo com muito do que aqui consta infra. Deus, e nós, nos livrem de regressarmos à repressão das liberdades e garantias individuais do Estado Novo. Jamais me ouvirão pronunciar uma palavra de nostalgia por uma época que, se bem que não tenha conhecido, me é familiar enquanto Portuguesa (a 100% desde 1992) e enquanto pessoa pensante (ou, pelo menos, assim me considero).

Mas...

Reitero que o 25 de Abril me constrange em inúmeros aspectos. Que o celebremos como marco histórico inegável e, a todos os níveis, inolvidável das nossas memórias colectivas, isso nem está em questão. É, foi, um ponto de viragem e ruptura de regime. É, foi, a abertura de um capítulo novo, necessário e benvindo.

Mas...

Porque será que nunca se fala do pós 25 de Abril? Custa, não custa? Pois eu vou falar com exemplos (os meus exemplos).

Não estávamos cá no 25 de Abril de '74. Por razões profissionais, o Pai era um saltimbanco pelo mundo, a Mãe seguia-o, eu não nasci cá. A casa estava vazia. Adivinham o que terá acontecido, não? Pois, foi ocupada, vandalizada e... roubada dos objectos mais pessoais.

Em '75, o Pai estava em Portugal. Foi a Sines, também por razões profissionais. Levava um Morris preto com estofos claros em cabedal. Adivinham também o que aconteceu, não? Escreveram "Fascista" com o caco de um tijolo na pintura do carro.

Subitamente, no pós 25 de Abril, éramos todos fascistas. A posse material ou o sucesso profissional/económico eram um estigma social.

Sim, sou toda a favor do 25 de Abril. Não pronunciarei jamais palavras saudosistas de um regime que não o republicano e democrático. Mas...

10 comentarios:

bluegift disse...

Blonde,
O 25 de Abril devia ter acontecido mais cedo e pena que é que o Marcelo Caetano não tenha tido a coragem suficiente para introduzir um processo progressivo de independência das colónias. Lá e cá, ter-se-iam poupado muitas vidas, crises económicas e sociais, além de outros traumas que ainda hoje perduram.
É uma data importante por assinalar a queda de uma ditadura, mas a lamentar pelo ignomínia bacoca que se seguiu.
Enfim, a celebrar com o devido comedimento...

quintarantino disse...

... menina, eu quando disse que me abstinha de comentar tinha cá os meus motivos e nenhum deles se prendia com aquilo que certamente terás pensado!

Aqui está a prova daquilo que havia suposto.

De qualquer forma, ainda bem que esclareceste para quem porventura tivesse ficado atolado nalgum equívoco ou num pretendo "fight Blonde/Q ... fight, fight!".

Blondewithaphd disse...

Quinn dearest eu lá 'fight' contigo! Quem é que depois me assessorava quando eu chegasse à Presidência? Hum?

Tiago R Cardoso disse...

Nesse caso não vamos confundir os ideias da revolução, com o que se passou depois e com as forças que vieram a correr de Paris ou de Moscovo.

A maior questão foi quando esses senhores desceram lá do seu retiro e vieram "salvar" o país, estavam também sossegados.

Blondewithaphd disse...

?! Tiago, não percebi.

Tiago R Cardoso disse...

estava a explicar que para mim o 25 de Abril é uma coisa, gosto, mesmo dos símbolos, dos cantares, etc.

O que eu detesto foi toda aquela cambada que veio de Paris, Mário Soares, de Moscovo Álvaro Cunhal, que transformaram a revolução em algo caótico.

Onde se passou para o não temos nada para o queremos tudo.

Por exemplo o meu pai trabalhava numa das maiores fabricas de azeite do País, antes estava tudo bem, depois do 25, nos primeiros tempos andou mais ou menos, e com a chegada dos "estadistas", foi à falência, pelo facto de instigados os funcionários passarem a exigir este mundo e o outro, metendo greves à mistura.

Dai eu não confundir os ideais de Abril com o que se passou de seguida.

quintarantino disse...

Ó Tiago, de facto só mesmo tu e a esta hora do dia para quase me deixar a rir à gargalhada!

Então Mário Soares, que pelos vistos é "cambada", que andou a lutar contra o plano de subversão e assalto ao poder por parte do PCP e dos seus "compagnons de route" andou por aqui a armar a confusão?

Quem mais que o PS em 1975 saiu à rua, conjuntamente com a dita maioria silenciosa, para travar o que parecia inevitável?

Sinceramente!

Eu ouso mesmo depreender que, na tua visão das coisas, isto tinha-se feito o 25 de Abril, entregava-se o poder ao então PPD e não se falava mais no assunto.

Francamente!
Uma coisa é tu não gostares do Mario Soares.
Ponto.
Estás no teu direito.
Outra é aproximares-te perigosamente das teorias dos que têm por hábito fazer tábua rasa da História!

Tiago R Cardoso disse...

Fico satisfeito que tenhas gostado.

quintarantino disse...

TIAGO não gostei, nem deixei de gostar.
Só achei curioso ...

Já agora, as tais ideias perigosas e subversivas que levaram à falência da fábrica onde o teu pai trabalhava, já há muito corriam no seio da sociedade, mesmo antes da Revolução por força do papel do PCP.

Em segundo lugar, muita da bandalheira, se reparares bem, era provocada por agentes de segunda linha, agitadores locais!

De qualquer modo, na tua óptica, foi Mário Soares quem propôs a nacionalização das empresas e decretou a falência das que fecharam.

Vou reaprender a história mais recente do País, pois devia andar equivocado.

Olha, para ser mesmo demagógico, eu também podia dizer que se calhar a fábrica foi à falência porque já não era competitiva ou porque o patrão deixou de lá meter dinheiro!

Tiago R Cardoso disse...

Por acaso até não foi, simplesmente os funcionários de uma das maiores empresas do pais, resolveram exigir tudo e mais alguma coisa.

A empresa era competitiva, dava lucro, abriu ao que os trabalhadores queriam e quanto mais abria mais eles queriam.

Avançaram com greves, com manifestações, com um "morte aos patrões", pouco tempo depois, tivemos morte mas da empresa.