Não apoio revoluções.

Não apoio a revolução, esta revolução hoje propagandeada e da moda, não apoio revoluções violentas, de armas contra o opressor, ainda mais se for aqui num país que se diz democrático e o é até prova em contrário.

Apoio revoluções de consciências, do despertar do pensamento, onde um individuo começa a pensar pela própria cabeça, onde mais que um número na multidão empregando um cartaz, o cidadão saiba pelo que protesta.

Não apoio o fazer número, o ir com a maré, o gritar de frase ocas e vazias, onde o cidadão é influenciado pela marcha num sentido, onde se protesta e não se sabe para onde vai, onde o rumo é dado por outros.

Apoio o ser dono de mim, dono das minhas acções, onde eu tomo consciência dos problemas, decido e tomo uma posição.

Não apoio o sentado, o imóvel, à espera que decidam por mim quando me devo levantar, não apoio o ausente da participação.

Apoio os que se revoltam contra os censores (sim, porque eles ainda andam aí), estejam eles onde estiverem, seja na Madeira, seja nos Açores, seja no Continente, eles estão em todo o lado, mudam é de cores.

Apoio todos aqueles que têm coragem de escrever o que pensam, que têm coragem de o dizer, não falo dos "graúdos", aqueles que têm dinheiro e prestigio para poderem dizer o que quiserem, aqueles que comentam nos jornais e na televisão, que mesmo aqui desceram à blogosfera e continuam a dizer o que querem, falo da "arraia miúda", daqueles que estão no fundo da cadeia alimentar, que mexem-se pouco para não serem comidos pelos "tubarões", mas que mesmo assim têm coragem de se mexer.

Não apoio aqueles que dizem que o perigo está no José Sócrates, no Luís Filipe Menezes, no Alberto João Jardim, quando o perigo está em tudo e em todo o lado.

Apoio os que dizem que o problema está na base, nos abusos escudados por interpretações de leis, que o problema está nas mentalidades, apoio os que dizem que o problema de muitos é não saberem aceitar a critica, não conviverem com o livre pensar, com serem contrariados.

Apoio e sou solidário para os que sofrem todos os dias um "tá calado ou lixo-te!", com o "mostra-me a cor do teu cartão", apoio os que só anonimamente se podem expressar e mesmo assim são investigados e procurados.

Não apoio e odeio todos esses f**** da p**** que se acham os melhores e vivem para calcar os outros, muitos deles estiveram cá em baixo, ao nível do trabalhador, hoje subiram e acham-se os melhores.

Não apoio e detesto todos os animais opressores que são pagos para manterem o trabalhador com "rédea curta" e o cidadão debaixo de olho, que sobem e estão lá em cima porque são familiares de alguém ou "amigalhaços" de tubarões.

Apoio o pensamento, a consciência cívica, o debater, a acção construtiva a favor de algo melhor, que definitivamente, não é isto que temos.

Apoio o dia em que a revolução de consciências, do pensamento, atire todos estes tubarões, censores, animais e afins, para fora do mar para morrerem!

28 comentarios:

António de Almeida disse...

-Mais um manifesto brilhante que o nosso amigo Tiago aqui apresenta, interpreto a morte que desejas como morte política, morte na capacidade de decidir a quem abusa desse poder decisório, e não obviamente de desejar a morte a quem quer que seja. Também eu defendo a liberdade como valor supremo, por isso não sou filiado em qualquer partido, nem nunca o fui, sempre pensei pela minha cabeça, ao longo da vida enfrentei poderes instituidos, uns chamaram-me louco, outros invejaram-me, paguei algumas vezes essa ousadia, mas ganhei sempre o respeito dos adversários. Adversários sim, porque não tenho inimigos, por isso não gosto de pequenos tiranetes, que usurpam e abusam dum poder que manifestamente não têm, ou pelo menos não deveriam ter. Mas concordo que apesar de abusos, vai por aí um grande exagero quando se fala em falta de liberdade, que falta de liberdade se ainda este sábado houve quem saísse á rua para protestar? E no próximo sairão mais alguns? E se ainda vamos protestando? Eu pelo menos não tenho sido meigo para com o governo, e como eu muitos mais, e que saiba ninguém foi incomodado. Para mim o limite do aceitável é ultrapassar a crítica para o insulto, lá porque não gostamos duma política ou dum governante, não temos o direito de insultar quem quer que seja, nunca o faço, é que nos faz perder a razão, embora exista quem teime em não compreender a diferença. Não esquecer também que existe um problema nos povos latinos, quem de nós nunca meteu uma cunha, mesmo que tenha sido apenas para fazer um papel andar mais depressa? A nossa sociedade também enferma de alguns vícios, depois é uma questão de escala.

Francisco Castelo Branco disse...

Estou a ver que és um Manifestante activo e com olho para os problemas da sociedade

Fazes bem....
Se ninguém lutar, até onde vamos parar?

Manuel Rocha disse...

APOIADO !!!

Fa menor disse...

Sabes, Tiago, que concordo inteiramente contigo?
Por isso às vezes me dá uns assomos de revolta...
quando senti que me lixaram profissionalmente por eu defender uma causa... quando me encostaram à parede e me disseram "escolhe, ou estás comigo eu estás com eles"...
quando me disseram "essa direcção não me merece confiança política"...
e mais não digo... se não... ainda me lixam mais!

lusitano disse...

E eu apoio contigo e repudio contigo as mesmissimas coisas!
Sobretudo porque a culpa não é só de uns, mas sim tem muito a ver com todos!
Cá por mim devem é "morrer" mesmo no mar, porque segundo diz uma das muitas teorias da evolução, houve uns que sairam do mar e aprenderam a andar cá fora e assim não nos livramos deles.

Tiago R. Cardoso disse...

António de Almeida,
evidentemente que falo de morte em termos políticos de quem abusa do poder, não tem capacidade de encaixar criticas, não aprende nada e principalmente não sabe viver em democracia.
O que se pretende é uma alteração de mentalidades, como dissestes isto de povos latinos e a mentalidade que temos é complicado.
Dai muitos andarem pelo protesto só pelo protesto, apenas gostam de contestar, mesmo sem saber exactamente o que se passa.

Francisco Castelo Branco,
diga-se que à pouco tempo é que avancei nestes campos, à cerca de um ano, antes andava por ai como uma peça do sistema, sem opinião própria apenas a viver para o dia a dia.
Hoje acredito na luta, mas uma luta construtiva, com bases solidas, em que se saiba porque lutamos.

Manuel Rocha disse...

Dizia eu antes do meu problema informático:

APOIADO !!!

Mas...Tiago, não é a revolução das consciências a suprema revolução ?

Tiago R. Cardoso disse...

Manuel Rocha,
nesse caso agradeço o apoio.

Fa menor,
mas sempre que quiseres está a vontade de aqui dares a opinião que entenderes.
Eu também sei o que é isso, acredita que já lá andei e eu estava bem no fundo da "cadeia alimentar".

Tiago R. Cardoso disse...

Lusitano,
é disso que eu falo, discordo do atribuir as culpas a uma só pessoa, todos são e somos culpados.
No actual sistema, quem sai é substituido por outros iguais, mudam as caras mantem-se as mentalidades, o que se devia procurar é a mudança das bases de tudo, uma começar de novo, uma nova mentalidade positiva e de construção de algo melhor.

Manuel Rocha,
é dessa que eu apoio, conseguir que se abram os olhos do cidadão, a construção de um movimento positivo a partir do despertar do "Eu", não um egoísta, mas um "Eu" sei pensar com a minha cabeça, "Eu" interesso-me no presente e quero deixar um futuro positivo, "Eu" quero uma sociedade melhor, como "eu" pertenço a ela, isso significa que quanto melhor ela estiver melhor eu estarei.

Poesia Portuguesa disse...

"...Apoio o dia em que a revolução de consciências, do pensamento, atire todos estes tubarões, censores, animais e afins, para fora do mar para morrerem!"

Estou 100% de acordo!

Infelizmente continuamos num ambiente, em que quem se manifesta contra o poder instituído, é logo colocado na prateleira e assim a tão falada liberdade de expressão é só para alguns... desde que não "mexa" com os "outros"...

Um abraço solidário ;)

Carol disse...

Pois eu apoio revoluções. Especialmente aquelas que mudam a mentalidade e a consciência cívica de um povo!
Infelizmente, os tubarões existem porque nós, todos nós, o permitimos e esta revolução de que falo, por que anseio não está para breve.

quintarantino disse...

Afinal, há ou não há revolução?
E apoia-se ou não se apoia?

É que para se fazer o que pedes tem de haver uma revolução ... na escola, pelo menos, pois é aí que as consciências e a cidadania se começam a formar.

Digo propositadamente na escola porque em casa, com a actual geração de pais que em muitos casos se demitiram das suas reais responsabilidades e que passam por dar e ministra valores e não apenas jogos de "playstation", poucas esperanças podemos ter.

Daí que a escolha do responsável político pela pasta da Educação seja uma enorme responsabilidade.

E era aí que devia existir um pacto que fosse integralmente respeitado e cumprido.

Manuela Ferreira Leite veio hoje, por exemplo, defender as reformas que se querem implementar na escola. Tenham o PS e o PSD, mais os que se lhes queiram juntar, a coragem de se sentar a uma mesa e, demorar um ano que seja, mas a definirem que, seja quem for o Governo, as linhas de acção serão aquelas. E avance-se.

bluegift disse...

Contra o espírito de manada, marchar, marchar! Proponho já uma alteração do hino nacional!

Blondewithaphd disse...

Afinal, parece-me que apoias a revolução e que, também tu, és um revolucionário, não será?

Tiago R. Cardoso disse...

Poesia Portuguesa,
e pelo caminho que estamos não é só colocado na prateleira é linchado e nem sabe como.

Carol,
nem está para breve, tenho a esperança de um dia, mas vai ser difícil, enquanto os poderes estiverem instalados e muitos à sombra deles, vai ser difícil.

Tiago R. Cardoso disse...

Quintarantino,
não há, será difícil de existir,mas apoia-se.
Concordo inteiramente contigo, bom acrescento.

Bluegift,
um pouco radical a mudança do «hino, mas gostei do refrão.

Francisco Castelo Branco disse...

E os blogues são uma forma de luta.....

DS disse...

Belo texto! A revolução das consciências é o alcance de uma nova era. Até lá estaremos a brincar ao faz de conta.

Bjos!

Tiago R. Cardoso disse...

Blondewithaphd,
revolucionário recente, diga-se que por acaso, ou não, ando mesmo como espírito ainda em revolução.

Francisco Castelo Branco,
está no texto :

Apoio os que só anonimamente se podem expressar e mesmo assim são investigados e procurados.

NuNo_R disse...

Também Apoio!!!!

Muito em postada esta revolta que sentes...

abr...prof...

Compadre Alentejano disse...

Isto é quase o manifesto do Dantas, mas mesmo assim, um bom texto. Parabéns.
Nós sabemos porque é que nos manifestamos e somos contra, o mal está diagnosticado, e se não agirmos concertadamente, nunca mais nos livramos desses tubarões, censores, animais e afins.
Um abraço
Compadre Alentejano

O Guardião disse...

Não me apetece acrescentar nada, apenas um assino por baixo.
Cumps

Paulo Vilmar disse...

Tiago!
Que belo desabafo! Parece-me, aqui do outro lado do Atlântico, que o exercício diário de escrever(e antes de escrever, observar) acabou despertando em tí a importância das palavras. Acabas um Bolchevique das letras! Parabéns, o observar diário da política, em quase todos os canais, realmente nos leva a indignação.
Abraços.

Tiago R. Cardoso disse...

DS,
o problema é ter de esperar.

NuNo_R,
Agradeço o apoio.

Tiago R. Cardoso disse...

Compadre Alentejano,
concordo, é preciso no entanto realçar que tem muita gente por ai, que nem sabe porque protesta, apenas anda na maré.

O Guardião,
esteja sempre a vontade de assinar ou contrariar.

Tiago R. Cardoso disse...

Paulo Vilmar,
o importante é isso mesmo, observar, compreender e tomar uma posição pessoal, não condicionada por conceitos já predefinidos.

Dalaila disse...

concordo plenamente contigo, uma revolução nas consciências, uma revolução de mentalidades, uma revolução em cada um de nós todos os dias, para que nos questionemos o que estamos cá a fazer e o que queremos

Tiago R. Cardoso disse...

Dalaila,
fundamental é isso, saber o que estamos cá fazer e participar, ajudar e construir, +e isso que importa.