Deixem de desperdiçar tempo em questões menores.

Temos uma tendência quase inata para perder tempo e quase sempre olvidamos que se podia estar a fazer coisas mais produtivas … um belo passeio, uma "bisca lambida" com os amigos, ler um livro, apanhar sol… e no entanto gostamos de remoer ideias, ainda por cima se forem dadas por algum intelectual ou "paineleiro" (atenção nada de confusões pois estes senhores que falo são os chamados comentadores que fazem parte de um painel de opinadores profissionais).

Existem muitos por ai, estão na rádio, na televisão, nos jornais, nos blogues, em qualquer canto está um, desconfio que se for à praia e levantar uma pequena concha aparece-me logo um a dizer "boa qualidade, os caranguejos estão a portar-se bem, embora o lateral esquerdo esteja com algumas dificuldades de marcação, o gajo só anda para trás não sabe atacar"... safa, só falta aparecerem na sopa.

Isto vem a propósito de um exemplo do que é gastar tempo e notícias.

O tão debatido Acordo Ortográfico, tão falado, tão escrito, tão opinado, afinal, segundo o Senhor Ministro da Cultura José António Pinto Ribeiro, o Presidente da Republica não se referiu ao acordo, durante o seu discurso em Moçambique, "porque não é um processo particularmente relevante para que se falasse especificamente dele".

Viram, cambada de "estúpidos" jornalistas e comentadores profissionais?

Tanto tempo gasto a analisar as coisas, a escrever sobre elas e agora o senhor ministro explica que um acordo, que é o segundo maior de sempre da Língua Portuguesa, não é particularmente relevante.

Assim se prova e mais uma vez que por cá falamos sempre demais das coisas que não interessam, como é o exemplo, e falamos pouco de assuntos mais importantes tais como quem é titular indiscutível na Selecção, saber a opinião de Carlos Queiroz sobre as possibilidades de Portugal ser campeão europeu.

Quando é que será que aprendem que o importante é futebol, falar de José Sócrates, saber se Carolina está a mentir ou não, e que questões aborrecidas como acordos e tratados só devem aparecer quando delas se pode tirar algum proveito político?

18 comentarios:

António de Almeida disse...

-Ou será que não falaram no acordo ortográfico em Moçambique, porque este país está-se nas tintas para os interesses brasileiros e editoriais portugueses, preferindo apostar no reforço das suas ligações á commonwealth? O resto são fait-divers.

bluegift disse...

Cá para nós, também não me parece nada relevante... o melhor é que caia no esquecimento em relação a algumas modificações ridículas, isso sim.

O Guardião disse...

Os paineleiros deste burgo merecem bem o nome que ficou nos ouvidos de todos nós, pela relevância das suas análises e pela preocupação constante com assuntos cuja relevância vão bem além da língua.
Pineleiro, esclareça-se mais uma vez, é o gajo que manda umas bocas a propósito de tudo, embora na maior parte das vezes não pretenda dizer nada.
Cumps

Compadre Alentejano disse...

Também sou da opinião que o acordo ortográfico não passa de um simples acordo comercial. Os grandes beneficiados são os brasileiros, que impõem a "sua" lingua e as editoras portuguesas, que passam a entrar mais fácilmente no mercado livreiro do Brasil.
Para mim, vale zero.
Um abraço
Compadre Alentejano

Tiago R. Cardoso disse...

António de Almeida,
dai não ser particularmente relevante.

Se Moçambique rectifica-se passava a ser relevante.

Bluegift,
considero que tem de existir uma uniformização da língua, não cheia de amarras, permitindo a sua diversidade e riqueza, no entanto a aproximação deveria ser a Portugal e não ao contrário.

Tiago R. Cardoso disse...

Guardião,
não pretende dizer nada mas gosta de aparecer, onde estiver um jornalista, televisão está lá sempre um disponível.

Compadre Alentejano,
dai eu já ter escrito noutro comentário, a aproximação a Portugal e não ao contrário.

Blondewithaphd disse...

Bocês num me falem do desacordo ortográfico!!!!!!!!!!!!!!!!!

jo ra tone disse...

«...A comunicação inventa metade do que diz»
«...A comunicação não diz metade do que se passa»

Quando não têm nada para dizer aos consumidores,... inventam!
Basta um título, os temas são os mais diversos.
Alguns apresentados meses ou anos antes.
Limitam-se a vender qualquer coisa para consumirmos.
São as "Histórias de faca e alguidar"

C Valente disse...

O que falta para ai é papagaios falante , pois é uma profissão em crescimento, o blá blá blá eé que está a dar
Saudações amigasd

Sniqper ® disse...

Ora bem, vamos lá então falar dos tais comentadores, talvez seja melhor chamar assim aos senhores, não vá o futuro acordo ortográfico retirar alguma letra e lá estão eles a fazer panelas, aliás muito melhor para eles e para todos os outros que vivem de encher os seus tachos com o que tiram da boca dos portugueses.
Quanto a essa cena da bisca lambida, jogo que desconhecia, deve ser alguma consequência de tanta lambidela de botas que por ai muitos fazem para mascarar o que chamam de trabalhar.
No restante, para mim José Sócrates, Carolina, Carlos Queiroz e afins ou similares são meros figurantes de uma enorme mascarada, porque na realidade quem continua a enterrar dia a dia este país são mesmo os portugueses, com a sua inércia e a imensa conversa que ganha de mil aos tais comentadores.
Quando um dia acordarem tarde vai ser, a boquinha essa que fala nos cafés passa a servir para engolir e as mãos que tanto escrevem contra os tais passam a servir para aplaudir e dar aqueles abraços que fazem parte da hipocrisia do chico esperto do tuga, que fala, fala, mas está mortinho por se apanhar no lugar de quem critica, ou estarei enganado!?

quintarantino disse...

Mas � mesmo relevante ou n�s � que lhe estamos a dar uma import�ncia desmedida?

Tenho para mim que quando j� muitos escrevem como bem lhes apetece (basta ver os SMS, por exemplo) ou nem sequer sabem escrever, que andar a discutir um Acordo Ortogr�fico ser� de facto, irrelevante ... eu, por exemplo, tanto escreverei facto como fato ... vai ser conforme me apetecer.

antonio disse...

A ideia de que este acordo abre uma competetividade aos livreiros portugueses è ridicula.

Os livros dos autores portugueses editados no Brasil, são-no na ortografia brasileira.

Com o acordo, o Brasil ganha uma forte penetração em África, que até aqui seguia a ortografia portuguesa. Ficam a ganhar pois vão passar a ter acesso a livros muito mais baratos.

Só por isso vale a pena! Talvez comecem a ler mais, e autores portugueses nas edições brasileiras!

Carol disse...

Ó Tiago, claro que é irrelevante! Já viste como muito boa gente escreve?!
E, agora, com esta coisa dos sms's e do msn, ainda pior!

lusitano disse...

Ó Tiago, já não é Selecção...é seleção...
para os outros que para mim não.
Em vez de adaptarem as "línguas" que sairam do Português, querem adaptar o Português às outras "línguas"!

Vão lá dizer isso aos ingleses!!!

Tiago R. Cardoso disse...

Blondewithaphd,
e não falo mais pronto, era só um exemplo.

C Valente,
e de que maneira, alguns são mesmo profissionais da opinião.

Tiago R. Cardoso disse...

Sniqper,
Sim senhor, o que eu pretendi falar, dos comentadores, como reparou ao acordo serve de exemplo do falar e voltar a falar, mas só se falar das coisas quando se pode tirar proveitos delas.

Reconheço que esta da bisca lambida só alguns é que sabem, na realidade não passa do vulgar jogo da sueca , mas chamam-lhe assim nas terriolas perdidas do nosso país, pelo costume que os mais velhos tinha de salivar os dedos para melhor manusearem as cartas.

Reparei que tem acentuado a acção, o deixar de jogar conversa fora e tomar um atitude, partir para a acção.

Concordo em grande parte, pena é todos aqueles que estão amarrados e só podem dar opinião ou dizer algo escondidos, em família ou com os amigos.

O que é de se esperar é que todos os que tem possibilidades de fazer algo, sem terem de pensar que tem uma família para manter pelo facto de não estarem dependentes de ninguém, possam com a sua acção ajudar todos os outros.

Quintarantino,
não pretendia discutir o acordo propriamente dito, apenas pretendi analisar o que é relevante hoje não não é relevante amanhã, depende da ocasião.
Mas acredito num uniformização da língua, sem que com isso sejam quebrada a diversidade cultural dentro dela.

Tiago R. Cardoso disse...

Antonio,
vistes o texto pelo parte do acordo, está bem...

Nem é uma questão de vendas, vamos seguir o que dissestes, o Brasil ofereceu a um país de expressão portuguesa milhares de livros escolares, tudo muito bem.

Quantos livros foram usados ?

Nenhum, pela simples razão que estavam escritos no "português do Brasil", resultado, tudo ficou encostado por não estar de acordo com o português adoptado lá.

Jo ra tone,
todos os dias somos atacados por noticias, atrás dela, temos direito sempre a uma analise, comentador especializado, reanalise, novo comentador e por ai fora.
O importante é vender e comentar, nem que seja a mais pequena e insignificante noticia.

Tiago R. Cardoso disse...

Carol,
é irrelevante ao nível do povo que continuará a escrever na sua, ou será que chegaremos ao ponto que cada um irá ainda mais escrever à sua maneira?

O irrelevante aqui apenas significou ver e analisar o que é ou não importante para alguns, vai depender de onde estão e quem está por perto.

No caso como Moçambique mandou o acordo ás favas, deixou de ser relevante.

Lusitano,
depois do jogo de ontem, aquilo nem é uma coisa nem outra, apenas um grupo de amigos que se juntam para trocar uns chutos na bola.

Exactamente o que eu acredito, que seja uma aproximação a Portugal e não ao contrário.