Vitorino & Fernandes: uma dupla "formidable"!

A forma calma e pachorrenta com que me preparava para encarar o resto do pretérito fim-de-semana foi abalada por dois relatos que tive a infelicidade de apanhar em simultâneo.
Esclareça-se que quando digo "forma calma e pachorrenta" é porque cá nas minhas filosofias até a um cínico se deve admitir o sacrossanto direito aos momentos de não fazer a ponta dum corno … de nada dizer, escrever ou que mais seja.

Feito este parêntesis, estava eu com meio cérebro posto na audição da televisão e a outra metade dedicada à leitura em passo de corrida a uma das revistas semanais quando, sem aviso prévio, levo com duas bem pregadas que, não fossem em sentido figurado, me tinham mandado para o banco da Urgência do hospital cá do burgo.

Topo eu na VISÃO que o seráfico e aparentemente beato António Vitorino é o “guru” de José Sócrates, e na SIC avança-se com uma sinopse de uma reportagem que a Al-Jazeera International dedicou a Portugal e ao José Sá Fernandes.

Eu prometo que regresso já ao baixinho, mas deixem que vos diga que nunca esperei que um canal informativo da qualidade que reconheço à Al-Jazeera International (e atenção, ó amigos de Bush que aqui nos vêm ler, que eu também sou dado a ver a CNN, a BBC World e um pouco menos a SKY NEWS) conseguisse fazer tão fraco trabalho sobre Portugal!

O terem mostrado as fachadas da baixa lisboeta a caírem de podres e terem dito, a propósito, que estas estavam como o País que outrora fora grande e hoje é um dos mais pobres da Europa, ou terem afirmado que a corrupção campeia e é generalizada de alto a baixo na nossa sociedade ainda é o menos … agora, terem apresentado o Sá Fernandes como o paladino da anti-corrupção, o herói dos pobres já é chato mas, ao que sei, mais ninguém teve direito a faladura!

O que nos vale é que o Cristiano Ronaldo marcou um “golaço” de calcanhar ao Aston Villa, senão a esta hora andavam os tipos no Médio Oriente com o Zé para aqui, o Zé para acolá e, pior que isso, todos a presumirem que as nossas fauces são como as do Zé … isto é, que aqui temos todos aquele ar de zangados com o mundo e de cruzados da moralidade ...

Se um qualquer mameluco me ler, fica o aviso que sou muito mais bonito que o Zé!

Quanto ao baixinho que logo à noite nos fará concorrência numa coisa chamada NOTAS SOLTAS, eu só vos digo uma coisa … estivesse eu como o Carlos e Ega no remate final de “Os Maias” e visse o Vitorino a passar na Rampa de Santos e pregava-lhe semelhante cachaporra que o tipo não se endireitava mais.

E nem é por ser lá o tal “guru” do Sócrates, antes por ser um gajo que está sempre pronto a ter penacho de importância razoável sem que, nas horas de aperto, esteja disponível para servir.

Quer dizer, Sua Excelência assim para uma coisa como comissário europeu está disponível, agora quando lhe pediram que regressasse a ministro … ai, coisa e tal … não me dá jeito … mas que bosta é esta?

Não lhe dá jeito e continua a querer ter acesso ao poder?
Passar bem, chefe …

Bélgica : Um país colado a cuspo!

Se andamos por aqui tão empenhados na denúncia de injustiças nacionais e algumas outras internacionais, mergulhando até em petições que sustentam a nossa indignação face ao que se passa a mais de 10.000 km de distância, porque não, já agora, olharmos bem debaixo dos nossos narizes para os atentados à Democracia no coração da nossa tão “democrata” Europa?

O que dizer de um país que deveria funcionar como modelo prodígio e exemplar de tolerância e solidariedade entre povos de língua diferente e que, na prática, estala completamente o verniz quando os interesses de dominância e segregação de uma das comunidades, maioritária, são colocados em causa?

É impossível ficar impassível quando o cinismo de um politicamente correcto que tresanda a hipocrisia rebenta pelas costuras bem diante dos nossos olhos. Vivemos constrangidos numa revolta calada que nos obriga a “comer e calar” sob o risco de infringirmos, com repercussões graves, o maior Tabu da Europa dos 27 : A discriminação linguística na Bélgica!

Ao mesmo tempo que da boca dos representantes governamentais belgas transbordam palavras de superioridade internacional no respeito pela liberdade e defesa dos direitos humanos, arrogando-se como país evoluído e civilizado, correm-lhes pelas mãos toda uma panóplia de medidas, leis e princípios que mais não visam que a imposição arrogante de uma língua como condição sine qua nom de aceitação de um cidadão como membro de pleno direito na comunidade nacional.

Na Bélgica, cerca de 40 % da população fala francês sendo que 30% ocupa a Valónia (a sul) e 10% Bruxelas; a norte concentram-se os flamengos que constituem cerca de 60 % do total; a população estrangeira, incluindo a europeia, utilisa o francês como língua principal e reside fundamentalmente em Bruxelas e nas freguesias limítrofes. A existência de discriminações linguísticas e o surgimento de um racismo entre as duas comunidades linguísticas são desde há muito um verdadeiro tabu nacional, sendo o recenseamento linguístico proibido POR LEI e realizando-se apenas por dados de registo não oficiais.

Não é por mero acaso que após conhecidos os resultados das eleições federais tenham sido necessários 9 meses de intensas guerras de bastiadores, para só agora ter sido formado um “protótipo” de governo federal. Este simulacro de governação pretende, acima de tudo, não agravar a imagem internacional de descrédito a que chegou a realidade política actual do país.

A situação chegou a tal ponto que o Comité das Nações Unidas para a Eliminação das Discriminações Raciais, habituado a receber queixas de discriminação de origem étnica ou racial pela parte de marroquinos, turcos e congoleses, começou a ser invadido por queixas da própria comunidade belga! Nomeadamente da valónica e da europeia, que escolheram o francês ou o inglês como língua de comunicação. Uma opção que se julgava lógica numa cidade que se apresenta como a mais internacional da Europa e, mais grave ainda, alberga as mais importantes instituições da Comunidade Europeia, os headquarters das Multinacionais e outras instituições de relevância internacional. Porém, face às medidas segregacionistas e impositivas da comunidade flamenga, tal paraíso multicultural tem-se revelado um verdadeiro quebra cabeças para Bruxelas e arredores.

Este mal estar entre as comunidades esconde uma estratégia dominadora activa da comunidade flamenga face ao resto do país, nomeadamente da região de Bruxelas que conta com 90 % de habitantes de língua francesa. Infelizmente uma “ilha” em região flamenga, a poucos km da zona francófona, ligação geográfica que os flamengos tentam evitar a todo o custo.

A Mafia Flamenga está de tal forma impregnada nos organismos privados em Bruxelas que praticamente todos os quadros superiores são ocupados por Flamengos.
Nos organismos estatais responsáveis pela gestão do desemprego (equivalente ao nosso IEFP) as ofertas de emprego, quando existem, são colocadas prioritariamente aos Flamengos deixando no desemprego milhares de francófonos. Mesmo os organismos responsáveis pela formação (paga pelos 27 países com o dinheiro do orçamento comunitário) dão clara prioridade aos Flamengos e falantes de flamengo*, lançando no desemprego todos os que não dominam esta língua. Imaginem o que se passa com praticamente todos os acompanhantes dos milhares de trabalhadores que se encontram nas instituições internacionais...

Frequentemente a informação recebida pelos habitantes encontra-se em flamengo, quando a inscrição é realizada em francês e na região bilingue que é Bruxelas. O propósito é evidente: viciar as estatísticas fazendo aumentar o número de habitantes que utilisam o flamengo.

Por lei, 50% dos lugares públicos de Bruxelas são para a minoria de 10 % dos flamengos, uma vez que a região de Bruxelas se pretende à viva força bilíngue flamengo/francês. Ou seja, a única comunidade que é verdadeiramente “protegida” é a flamenga logo que se encontra em regiões onde se encontra em minoria, a outra comunidade que se amanhe...

Como se não bastasse, os flamengos trabalham em Bruxelas e pagam os impostos na Flandres, onde residem. Ou seja, “roubam” o emprego aos bruxelenses e ainda mais os lucros indirectos da sua actividade. Tal situação revela-se economicamente desastrosa em termos de receitas uma vez que o país se gere por 3 regiões economicamente autónomas : Bruxelas, a Flandres e a Valónia.

Os habitantes de língua francesa ou inglesa que habitam a perifera de Bruxelas, apesar de constituirem uma maioria, sofrem constantemente a violência dos extremistas flamengos que os colocam ostensivamente em lugares secundários face aos restantes habitantes.
Os comerciantes e orgãos públicos são obrigados a falar flamengo com os clientes e utilisadores e a colocar toda a informação exclusivamente nessa língua.

Até as crianças que pretendem frequentar os parques infantis em região limítrofe são obrigadas a comunicar em flamengo, estando completamente proibidas de falar outra língua. O acesso encontra-se frequentemente bloqueado às que não falam flamengo. Situação que apesar e não ter sido aprovada por lei, devido a pressões superiores europeias, acaba por ser praticada no dia-a-dia.

Este ano, os presidentes da câmara de língua francesa que ganharam os eleições nestas zonas, não foram instituídos no cargo a que tinham direito por se terem “atrevido” a enviar informação em francês aos cidadaos inscritos nessa língua...

E que dizer de medidas LEGAIS mais recentes que obrigam a que um cidadão que queira residir numa região flamenga tenha que falar obrigatoriamente o flamengo?

Isto para não falar do facto de o cargo de primeiro-ministro em vez de ser rotativo calhar consecutivamente a um Flamengo. Como justificação é alegado o facto de o povo eleitor do país ser maioritariamente flamengo... Se assim se procedece na União Europeia, nem Portugal nem outro país com menor número de habitantes teria direito à presidência da União ou da Comissão...

O mais grave nesta situação é a não existência de organismos oficiais que recebam estas queixas e consigam auxiliar as vitimas. É um assunto demasiado sensível, demasiado sujeito a pressões de todo o género e, claro, não se pretende assumir publicamente o embaraço e a vergonha de uma situação destas. A única forma que as autoridades arranjaram para resolver o problema de forma “eficaz” é fingir que pura e simplesmente não existe! Mascarando toda e qualquer denúncia!

Entretando, e dando continuidade à palhaçada, os responsáveis flamengos, qual virgem despeitada, revoltam-se contra as Nações Unidas negando a existência de tal discriminação. Isto enquanto a população a vai vivendo na pele diariamente, com repercussões gravosas para a economia e bem estar das regiões não flamengas e das freguesias limítrofes de Bruxelas.

O Comité das Nações Unidas para a Eliminação das Discriminações Raciais chegou mesmo ao ponto de convidar a Belgica a assinar a Convenção internacional para a protecção das minorias, algo que até ao momento nunca se tinha revelado necessário num país da Europa Ocidental. Como é que que é possível que tal país tenha a autoridade de do alto do seu pedestal falar em Liberdade e Respeito pelas minorias?

Por quanto tempo ainda irá a comunidade internacional continuar a colaborar nesta farça e para quando medidas menos hipócritas e mais incisivas da União Europeia nesta inacreditável facada à Democracia em pleno coração da Europa?

Vícios privados, públicas virtudes?


* O flamengo é uma variante do holandês, ambos considerados uma língua neerlandesa. Apesar da obrigatoriedade e imposição se referir à língua neerlandesa, por uma questão prática, referirei apenas a flamenga.

Abençoado YouTube!

Por muito irónico que seja, ainda bem que houve um adolescente insensato que filmou uma insensatez ainda maior e a pôs a correr na internet. Agora, claro, o efeito bola de neve leva-nos a visualizar as cenas escandalosas e inadmissíveis que sabíamos, mas não dizíamos, existir no ensino público. Não é confrangedor, é a vida no pior “reality show” da aberração!

Como é que numa sociedade civilizada e superabundante como a dos nossos dias, a selvajaria galga os muros da escola? Isto é tenebroso! Não defendo a postura docente de há umas décadas atrás, jamais o poderia fazer. Reguadas, ofensas ao insucesso e a castrante culpabilização da falha são atitudes monstruosas, indefensáveis e ilícitas. Mas, alguma vez no meu tempo de aluna (nos recentes anos 80) alguém ousava contestar um professor? Sempre houve desestabilização das aulas, os ditos engraçadinhos (que muitas vezes são generosa e realmente engraçados) e aquela parte de testar limites. É saudável e faz parte do nosso processo de socialização. Agora tomar de assalto o poder docente? Que é isto?

Olho para estes vídeos do YouTube e só penso em turbas de selvagens! É isto que nos vai suceder geracionalmente? Estamos desgraçados quando, fracos nas nossas capacidades psicomotoras, estivermos entregues a esta gente sem pingo de sentimento humano ou capacidade relacional em sociedade. Estou a exagerar? Talvez. Mas o que oiço das pessoas que estudaram comigo e que enveredaram pela docência no secundário (eu sendo a que degenerou) é que as salas de aula são a arena dos alunos.

Não é necessário chegarmos aos extremos do pontapear, do injuriar. Basta que a perturbação seja suficiente para não se ouvir a voz do professor. E depois ali está o dito, coacto, sem poder fazer face aos meninos insurrectos. A autoridade docente, digam-me o que disserem e venham-me lá com as teorias psicológicas todas, está esboroada! É como o poder parental: quase desapareceu.

Um miúdo que grita com um professor é bem capaz de chamar “def” e “dah” aos pais e achar que isso é natural. Não percebo qual é o receio que a sociedade contemporânea tem da disciplina. Francamente que não entendo porque é que a imposição de regras de conduta se tornou politicamente incorrecta. Sim senhora, uma criatura de quinze verdes e arrogantes anos insurge-se contra o professor com o melhor da sua prepotência adolescente, leva dez dias de suspensão (se levar depois de ouvidas as partes). Depois elabora-se-lhe um plano de avaliação especial para não perder o ano devido às faltas impostas disciplinarmente. Acho bem! Acho até que está mesmo muito bem! Chamo a isto uma lição bem aprendida: faz-se o que se quer que as consequências são minimizadas pelo paternalismo condescendente de um sistema educativo leniente que se contenta com a mediocridade.

Também fico contente por ouvir as vozes esclarecidas dizer que este tipo de comportamento ocorre em 5% das turmas a nível nacional. Se acham que 5% é uma boa, vulgo, reduzida incidência de bullying ou outro qualquer termo da moda que queiram usar, então eu, de facto, sou uma pessoa muito retrógrada, pessimista e exigente. Nem 1% se admitiria! É intolerável o enxovalho dos professores no seu local de trabalho.

Defendo a restituição da autoridade docente, agora!

Mudam-se os ventos, mudam-se as criticas.

Mais uma tarde bem passada. Aquela tradição de ficarem ali sentados naquele banco era algo que eles já não dispensavam.

O movimento era muito, gente a correr de um lado para o outro, sempre com muita pressa, mas também eram muitos os que por ali ficavam sentados a ler o seu jornal, alguns dormitando, outros em conversa, outros ainda tentado mostra em tom mais alto o seu ponto de vista.

A posição dava-lhes uma visão privilegiada da zona, dali podiam observar tudo e todos e, claro, tecer as suas criticas e observações.

Fixavam uma criança que brincava alegremente, inocente e feliz. Trazia consigo a ternura de quem só há pouco tempo sabe o que é o ar da rua, o poder cantar, gritar, a liberdade.

Era também sempre observada por um indivíduo de ar austero, sentado a poucos metros e a comer umas bolachas de chocolate, tinha a preocupação de ser atencioso e simpático, mas como tutor da criança, mostrava sempre um estilo autoritário e dono da razão.

Os quatro homens detestavam o indivíduo, nunca tinham simpatizado com ele, achavam que "amarrava" demasiado a criança.

Era frequente ouvir-se um "vamos por ali que eu é que sei" ou "por este caminho é que chegamos lá" e, aqui e ali, um firme "eu é que sei, tu não sabes nada".

O desagrado dos homens era cada vez maior, queriam tomar uma atitude, estiveram muitas vezes para intervir perante algumas injustiças, mas o que tentavam era sempre à distancia, estavam demasiado amarrados àquele confortável lugar, tinham medo que se levantassem, alguém tomaria o seu lugar.

"O senhor dá-me uma bolacha, por favor?", perguntou a criança.

"Ande lá, dê uma bolacha à criança, deixe de ser assim!", gritaram todos em uníssono, vendo ali uma brecha para resmungarem.

Após algumas hesitações, o tutor deu uma bolacha à criança.

"Obrigado, o senhor é muito fixe" – respondeu a mesma.

Os homens, surpreendidos, olharam uns para os outros e avançaram logo: "Avarento! Invejoso! Com tantas bolachas só deu uma ao miúdo, isso não dá para nada"

Olha o IVA com desconto ... um por cento!

Embora alguns soem e pareçam ridículos, os ditados populares, nalguns casos, aportam uma grande carga de verdade.
Ontem, depois de me ter dedicado a exercitar o polegar nas teclas de um comando e assim ter concluído que ter não sei quantos canais de televisão não é nada de especial, fui surpreendido, já a tarde ia avançada, com a novidade da baixa de 1% na taxa mais elevada do IVA.

A honra de ter informado este aparentemente relapso cidadão coube à RTPN e, ao princípio, pensei que aquilo não era para ser levado a sério.
É que eu ainda me recordava de não há poucos dias o nosso Primeiro-Ministro, José Sócrates, ter dito que quem clamava por baixas de impostos era leviano e tonto (citação com recurso à memória, aviso).
E agora isto …
Logo pensei que metade da Nação devia ter pasmado e proferido o veredicto: “Mentiroso, aldrabão, néscio …”.

E nessa metade da Nação quem venho eu a descobrir que estava?
Os que há não poucos dias pediam precisamente que se baixasse os impostos.
Luís Filipe Menezes, ladeado por dois senhores de ar circunspecto, veio dizer de sua justiça e que, no fundo, para não vos maçar, se resume a “estou contra!”.
Paulo Portas, que depois da lavoura, descobriu os contribuintes, falou no nosso “sangue, suor e lágrimas” … notem, por favor, que usei a expressão “nosso” pois presumo que todos os que aqui escrevem, comentam e lêem são contribuintes cumpridores.
O PCP, pela voz de não sei quem, veio lesto dizer que “vamos pedir mais um abaixamento de impostos”.
E o Louça, o Chiquinho de Torquemada, até foi o que mais acertou quando disse que ao Zé da Estiva 1% a menos de IVA era … nada!

Vêem? Estes gajos são espectaculares.
Há quinze dias pediam que se diminuísse à carga fiscal e agora que ela baixa (um miserável 1% é certo, mas baixa), estão contra!
Do outro lado, os pipis que nos governam que não senhor, podia lá ser e, num ápice, pega lá uma esmola!
E depois querem quê?
Ser respeitados?
Que os levemos a sério?

A mim esta discussão estéril lembrou-me o dito “casa em que não há pão, todos ralham e ninguém tem razão!”.
Mas cuidado, pois alguns podem não ter razão, mas têm muito latão!

Outra acha para o lume … querem apostar que aqueles que permanentemente reivindicam menos Estado, vão ser dos primeiros a fazer de conta que nada se passou e, com um bocado de jeito, mantêm os preços na mesma?
Acham que não?
Ou que sim?

Não acharam também curioso que, sendo todos tão responsáveis, tenham optado por abordar 1%, olvidando ou fazendo de conta que o défice está abaixo dos 3% (na casa dos 2,6%, segundo o Governo)?

Deixem de desperdiçar tempo em questões menores.

Temos uma tendência quase inata para perder tempo e quase sempre olvidamos que se podia estar a fazer coisas mais produtivas … um belo passeio, uma "bisca lambida" com os amigos, ler um livro, apanhar sol… e no entanto gostamos de remoer ideias, ainda por cima se forem dadas por algum intelectual ou "paineleiro" (atenção nada de confusões pois estes senhores que falo são os chamados comentadores que fazem parte de um painel de opinadores profissionais).

Existem muitos por ai, estão na rádio, na televisão, nos jornais, nos blogues, em qualquer canto está um, desconfio que se for à praia e levantar uma pequena concha aparece-me logo um a dizer "boa qualidade, os caranguejos estão a portar-se bem, embora o lateral esquerdo esteja com algumas dificuldades de marcação, o gajo só anda para trás não sabe atacar"... safa, só falta aparecerem na sopa.

Isto vem a propósito de um exemplo do que é gastar tempo e notícias.

O tão debatido Acordo Ortográfico, tão falado, tão escrito, tão opinado, afinal, segundo o Senhor Ministro da Cultura José António Pinto Ribeiro, o Presidente da Republica não se referiu ao acordo, durante o seu discurso em Moçambique, "porque não é um processo particularmente relevante para que se falasse especificamente dele".

Viram, cambada de "estúpidos" jornalistas e comentadores profissionais?

Tanto tempo gasto a analisar as coisas, a escrever sobre elas e agora o senhor ministro explica que um acordo, que é o segundo maior de sempre da Língua Portuguesa, não é particularmente relevante.

Assim se prova e mais uma vez que por cá falamos sempre demais das coisas que não interessam, como é o exemplo, e falamos pouco de assuntos mais importantes tais como quem é titular indiscutível na Selecção, saber a opinião de Carlos Queiroz sobre as possibilidades de Portugal ser campeão europeu.

Quando é que será que aprendem que o importante é futebol, falar de José Sócrates, saber se Carolina está a mentir ou não, e que questões aborrecidas como acordos e tratados só devem aparecer quando delas se pode tirar algum proveito político?

Cozinha para estômagos fortes.

O que se diz depois da Páscoa ?

"Porra, doí-me o estômago !!!"

Já estão todos a pensar, "queres ver que este abusou na Páscoa".

Reconheço que abusei mas não foi na Pascoa, por acaso até foi na Quinta-feira, fiquei nesse dia a saber que comer uma francesinha picante às três da tarde e à noite uma feijoada, não me fazem nada bem, quer dizer não faziam até ali.

Mas não é só por isso que me doí o estômago, doí-me também por causa desta caldeirada que nos é servida todos os dias.

Deixo a receita e quem quiser anotar, faça o favor.

Junta-se um "fisco" a perguntar aos noivos o que gastaram na cerimonia, num inquérito, que só falta perguntar a cor da "lingerie" da noiva, já que pergunta por tudo o resto. Mistura-se com umas perguntas sobre os presentes, quem deu, onde foram comprados e deixa-se repousar em cima de uma multa a quem não responder.

Pega-se numa fraude fiscal, junta-se 80 empresas, 215 arguidos, um milhão de euros e deixa-se a ferver nos bolsos dos contribuintes.

Junta-se tudo, mistura-se bem, acrescenta-se um assalto a um banco, violência nas escolas, mortes nas estradas, providências cautelares da FENPROF e recusas dos tribunais, corrupção, uma justiça lenta, falta de segurança, confusões na saúde e serve-se num belo de um noticiário televisivo.

Para estômagos fortes, juntar um pouco de notícias de José Sócrates, Filipe Menezes, Paulo Portas, Jerónimo de Sousa e outros.

Quem quiser pode provar, quem for aventureiro pode comer, depois não digam que não avisei.

Para mim não obrigado, já estou enjoado.

Estou em dieta, ando a cortar na estupidez e procuro novos sabores, já que este não prestam para nada e fazem-me mal.

Tempo de recolhimento



Estes são dias de reflexão e de contemplação.
Os cronistas do NOTAS SOLTAS, IDEIAS TONTAS associam-se à época e desejam a todos uma Santa Páscoa.
Voltamos dia 25 de Março pela mão do Tiago R. Cardoso.

Mistério da Fé...

Anunciamos Senhor a Vossa Morte,
Proclamamos a Vossa Ressurreição…

A Páscoa sempre me fascinou. Muito mais até do que o Natal. Nunca percebi, contudo, porque é que lhe damos menos importância do que ao Natal. Talvez porque não haja troca de presentes. Talvez porque os dias antes do Domingo de Páscoa são austeros e penitenciais (embora ninguém se ande por aí a penitenciar, como é óbvio). Talvez porque o Natal mete nascimento e nestes dias se fale mais em morte. Talvez porque no Natal todos os abusos consumistas são permitidos. Não sei. Só sei que na Páscoa sempre me reencontrei com a fé, mesmo quando dela tenha andado mais arredada (é difícil manter a constância da fé e eu não me auto-excluo, estilo iluminada, de fases mais insípidas do meu contacto com a Religião).

Mais do que qualquer espírito celebrativo, fascina-me como é que uma Religião, em que o sofrimento se tornou na pedra angular de um intrincado sistema de crença, se manteve e persiste ao cabo de tantos séculos. Adoramos uma cruz, símbolo de tortura. Ajoelhamo-nos diante de um Homem morto em tormento, escorrendo sangue, arrepiante na Sua lividez. Bebemos-Lhe o Sangue e comemos-Lhe o Corpo. Recriamos a Sua Via Dolorosa até ao martírio final. Tudo isto é dor. Tudo isto é horrível. E tudo isto nos é natural.

Muitas vezes penso como será, para quem olha de fora, observar esta Religião. Que pensarão, por exemplo, os muçulmanos que nem admitem a representação da vida animada? Ou os judeus, dos quais nos fraccionámos tão violentamente? Ou os budistas que crêem, antes, num percurso espiritual que os encaminha para a apreensão contemplativa da realidade? Não nos acharão macabros no nosso gosto pela mortificação? E nós, o que pensamos nós desta Religião que, na maior parte das vezes recebemos em herança sem questionar?

Sim, acho que, em face deste lado pesado e expiativo da nossa Religião, não paramos para pensar no horrendo porque nos lembramos sempre que há um outro lado salvífico, redentor. Vivemos a Religião no paradoxo, no binómio opositivo dor/salvação, horror/beleza, trevas/luz.

Hoje é aquele dia intermédio e, para mim o mais fascinante. Que terá feito o Cristo neste dia? Terá descido aos Infernos? Terá ido ao Pai? O que se passou ali naquela tumba para que amanhã Dele só reste uma mortalha abandonada? O que é que está entre a Morte e a Ressurreição?

Mistério da Fé!

Cremos no impossível, porque há o impossível.

A todos uma excelente Páscoa!

Evasões portuguesas e invasões espanholas.

E subitamente fez-se silêncio.

"Isto está vazio, onde foi o pessoal todo?"

Pois é, estamos na Páscoa, época sagrada para muitos.

Seria natural que, nesta altura, os cristãos se dedicassem ao pensamento, a repensar a vida, abrir os olhos e reflectir se o caminho que seguem é o mais correcto, se tem de ser reajustado ou mesmo mudar totalmente de direcção.

Claro está que esta época para muitos tem outro significado; é sagrada sendo profana porque dá para tirar uma semana de férias, tudo quanto é destino turístico rapidamente fica esgotado, tendo até a TAP de reforçar a situação com mais 50 voos... no entanto, todos continuam por aí a gritar que estamos em crise.

Enquanto uns vão reflectir e repensar a vida para destinos tropicais, é sabido que o calor e uns refrescos ajudam a pensar melhor, ainda por cima a olhar para uma praia branca e um sol maravilhoso, outros, mais propriamente os nossos vizinhos espanhóis, visitam em grandes multidões o nosso País.

Quem não acreditar é fazer o favor de ir ali até ao Porto, passe na zona ribeirinha e no cais de Gaia e vê a coisa com os próprios olhos.

Raramente se vê um português, tirando claro os que lá estão para trabalhar.

Como sempre, para o português lá fora é que é bom, quem fica por cá é um desgraçado, sem gosto; basta ter um dinheiro e toca a andar para dar-se ares de ser gente fina...

Senti-me deslocado, estava ali pelas ruas de câmara fotográfica na mão (este Porto é mesmo bom para se fotografar !), a passear e onde andam os portugueses ?

Tenho de dizer, em abono da verdade, que umas ruas mais acima um centro comercial estava cheio; aqui sim, só portugueses, tanto sol lá fora e tudo aqui enfiado...

Quer dizer dá o Sr. José Sócrates tolerância de ponto ao pessoal e o que é que eles fazem ?

Vão para o estrangeiro passear ou enfiam-se num centro comercial.

Deixem-se disso, vão mas é para a rua mas cá dentro, não é preciso ir par o estrangeiro para se ver locais espectaculares, basta ir ali fora e ver todas as maravilhas que temos.

Visitem o Norte, visitem o Interior, o Alentejo, o Minho, tentem visitar o que puderem, porque mesmo que o façam constantemente, nunca conseguirão conhecer todo o Portugal ...

... existe sempre um recanto escondido para visitar.

Se consideram que ficar cá a visitar o país é "foleiro" e ir para fora é que é chique, nesse caso eu não me importo de ficar cá.

Entretanto uma Santa Páscoa, que seja mais do que um cabrito ao almoço no domingo, que seja mais que umas mini-férias, mais que um momento marcado no calendário da igreja, que seja um momento para reflectir e celebrar a vida.

Todos precisamos de amigos.... e de amigas!!!!

Todos necessitamos de amigos. E de amigas, diga-se!
Alguns, mais audaciosos e menos dados à parcimónia, precisam delas e deles num duplo sentido mas isso já são contas de outro rosário… no qual não me posso alongar sob pena das accionistas que representam 60% do capital do “NOTAS SOLTAS IDEIAS TONTAS, S.A” me caírem em cima!

Certo é que todos precisamos de amigos. Ou de amigas.
Para dar dois dedos de prosa sentados à mesa do café.
Para escalpelizar a jornada do fim-de-semana, as pernas da vizinha ou os bíceps do vizinho (vá meninas, comecem a salivar), os problemas no trabalho, para pedir que desencrave a engrenagem numa qualquer “burocratite” … enfim, para muita coisa …

E, tal como nós, também as pessoas colectivas precisam de amigos.
Para objectivos menos nobres, é certo mas precisam deles …
Não? Acham? Ou têm a certeza?
Querem ver como precisam?

O FED (banco central americano) ajudou o “JPMorgan” a comprar o “Bear Sterns”, o quinto maior banco americano.
Nada de anormal, dirão os mais liberais.
O problema é que nunca antes o FED emprestara dinheiro a um banco de investimento ou garantias como as que deu ao adquirente.
Foram 30 milhões sobre activos que analistas e o mercado classificam de duvidosos ou mais que duvidosos.

Segundo li ontem, EJ Dionne Junior, na edição do “Washington Post” punha as coisas nestes termos: "Os titãs de Wall Street tornaram-se num grupo de clientes da Segurança Social (…)
Perderam confiança uns nos outros, porque nenhum destes tão inteligentes capitães do universo sabe que tipo de créditos desvalorizados estão nos seus porta-fólios. (…) se este quase derreter do capitalismo não leva muitas pessoas a questionarem-se sobre o que defenderam nos últimos 30 anos, nada levará".

E acaba a citar um republicano: "Nós dizemos há tanto tempo que o Governo é o inimigo. É, o Governo é o inimigo até precisarmos de um amigo."

Nem mais …
Agora vejam se entre nós não é assim com toda a gente.
Desde as empresas e os “Compromissos Portugal” que ao primeiro espirro correm para os braços do Governo às associações e outras pessoas colectivas de direito privado que muito gostam de se pendurar na mama do erário público municipal …
O que é preciso é ladrar enquanto da mama não escorre nada, porque depois, já se sabe, mamam e ladram!

Mas como estamos em época de paz e concórdia, cala-te boca!
Cala-te não, finalizo, isso sim, desejando a todos os leitores, comentadores e parceiros uma Santa Páscoa.
Com ou sem compasso …

Todos diferentes, todos iguais...

“ Elsa caiu no chão como se de uma flor arrancada se tratasse.

Os murros, os pontapés e as bofetadas caíram ininterruptamente sobre o seu corpo, o seu rosto. Aos ouvidos chegaram, mais uma vez, palavras de ódio e de raiva. Palavras que cortavam como uma faca, palavras que a feriam de morte. De repente, Elsa deixou de sentir e de ouvir.

O seu corpo, a sua alma entraram num estado de dormência imensamente calma e tranquila. Sentia-se tão bem. Sentia-se flutuar...

- E, então, está morta?
- Sim, os ferimentos foram fatais. “

A Elsa não existe, nunca existiu. A Elsa foi alguém que criei e a quem dei vida através das minhas palavras. Uma vida de sofrimento, tristeza e dor como a de milhares de pessoas, neste país, que vivem sob o signo da violência doméstica.

Vocês sabiam que :

- Desde 2001, os números de casos registados de violência doméstica, em Portugal, quase que duplicaram?

- Em 2006 foram contabilizados 20.595 casos?

- 87% das vítimas são mulheres?

- A maior parte destes casos se registam no contexto conjugal?

- Se estima que dois terços dos casos não são denunciados?

Afinal, o que nos diferencia daqueles que matam, violam, lapidam e mutilam genitalmente?!
O que nos distingue daqueles que se escondem atrás da capa da religião e da honra familiar?!

Bons tempos

Belos tempos, estes que vivemos... festa atrás de festa!

Andavam por aí a dizer que estamos em depressão (forma eufemista de dizer que eu próprio passo a vida a dizê-lo) e agora temos de reconhecer que estamos num bom ciclo, alegria e boa disposição.

Tivemos as comemorações dos três anos do governo do PS, perdão... do Governo de José Sócrates, que foi, diga-se, festa bonita com 10.000 pessoas, segundo os dados do nosso primeiro.

Dez mil pessoas naquele espaço é muito bom, a acreditar no Senhor Marcelo Rebelo de Sousa que, puxando dos galões, afirma que para meter tanta gente lá naquele espaço estariam uns em cima dos outros!

Um caso nítido de inveja, ou de falta de conhecimentos. O Sr. Marcelo é que não entende a capacidade de encaixe do PS, já que quem encaixa cem mil numa manifestação sem tirar dali nenhuma conclusão, também consegue encaixar perfeitamente dez mil naquele pavilhão. Dizem que o grande problema foi mais o cheiro ao mofo já que tinha gente que não tirava a bandeira do armário há anos.

Depois o aniversário do PCP, coisa bonita, todos ali juntos a cantar os parabéns ao partido, com o Sr. Jerónimo de Sousa todo sorrisos e de peito inchado. Aliás, tem motivos para se orgulhar pois não é qualquer um que consegue avançar, com a dimensão que tem como partido, que o PCP é um partido de Governo.

Tudo festas de pequena dimensão se comparadas com o maior aniversário do dia… exactamente o de Alberto João Jardim no Governo da Madeira. E que data, meus amigos… 30 anos!

Ontem o País falou dele, quer dizer mais do que costuma falar e o Sr. Jardim ainda falou mais do que costuma, coisa considerada impossível por muitos mas que ele conseguiu.

Para muitos, populista, demagogo, trauliteiro, ditador, manias de dono da razão; para outros um "estadista", um líder, alguém que dinamizou a Madeira e a transformou num jardim ou no Jardim, conforme a opinião.

A frase do dia veio do próprio: "Sinto-me o Astérix, cercado por romanos rectangulares, resisto e ainda arranjo forma de os chatear!"

Então não gosta antes do Obélix ?

Que pena, é que o Obélix tem outro estilo, mais do que resistir aos romanos rectangulares, Obélix gosta é de uma boa zaragata, dar umas chapadas nuns e só depois perguntar o que se passa, não interessa a intenção, se vier vestido de romano leva, está nos seus genes o ser brigão, gostar de porrada.

Sente-se triste quando não é atacado, precisa sempre de acção, alem disso carrega sempre uma madeira... perdão, menir como fosse seu dono e usa-o para vários fins.

Goste-se ou não de Alberto João Jardim, é uma figura incontornável do nosso País; é impossível ser-se indiferente ao homem, mesmo aqueles que dizem que lhes é indiferente, conhecem a personagem.

Gostei particularmente de ver o Sr. Berardo de garrafa e copo na mão, virar-se para a televisão e dizer "Ao meu amigo pessoal Alberto João, parabéns e que venham mais 30 anos de vida politica."

Deste lado do ecrã uns riram-se, outros bateram palmas e outros avançaram com um simples e representativo "Cruz credo!"

Je vous salut, Madame Alda!

Ocasionalmente o País recorda-se dos seus filhos que um dia pegaram nas trouxas e abalaram daqui para fora.
Tradicionalmente, a altura mais propícia é quando chega o longo verão lusitano e é vê-los a inundarem-nos as estradas com máquinas de matrículas estrangeiras. Sobretudo, francesas, suíças, luxemburguesas, alemãs e belgas.

Alguns, mal um dos pneus da frente calca a imaginária linha de fronteira libertam o “automobilistus parvus rex” que há dentro de si. Devo confessar que a inversa também é verdadeira pois os poucos portugueses que se aventuram por essa Europa fora de carro também passam num ápice a conduzir como nórdicos!

Umbilicalmente ligada a esta epopeia rodoviária surgem-nas as notícias aparentemente bombásticas que na “route” qualquer coisa, um despiste matou uma família de emigrantes.
Curioso que normalmente só se fala dos despistes na já épica e enormíssima recta que assegura o percurso até Bordéus e em Espanha. Das duas uma, ou o raio de acção dos nossos meios de Comunicação Social não passa desse meridiano ou é essa a parte do percurso em que o cansaço derrota inevitavelmente muito desses condutores estivais!

Há uns tempos atrás também se abriam “telejornais” com a sensacional notícia que no Soweto ou em qualquer outro bairro de Joanesburgo mais um português tinha sido derrubado à força de balázio num assalto perpetrado por um grupo de meliantes.
Ultimamente, porém, ou os meliantes passaram a matar membros de outras comunidades emigrantes ou acabaram-se os assaltos em Joanesburgo!

Por estes dias, embora sem os crónicos exageros a que os nossos jornais e televisões são habitualmente dados, fala-se por cá da comunidade lusa radicada em França muito por culpa de Alda Lemaitre, uma portuguesa de 43 anos, nascida num lugarejo perdido nas faldas da Serra da Estrela.

Candidata pelo PSF a Noisy-le-Sec, pequena localidade próxima de Paris que, acreditem, nada tem de especial, esta emigrante contou mesmo com a presença de Segolène Royal na sua campanha.
As probabilidades estão a favor da nossa candidata e espero bem que este exemplo de intervenção e participação tenha êxito.

Isto porque sou adepto do velho ditado “em Roma, sê romano”, coisa que muitos dos nossos emigrantes têm uma especial dificuldade em alcançar.
Por culpa das sociedades que os recebem, mas também por culpa própria. Não há que iludi-lo.
Quando não se participa civicamente, não se é reconhecido.
Ou quando se está num País a pensar no dia em que se regressa às berças, objectivo que ainda hoje é o farol da vida de muitos dos nossos emigrantes.

Claro está que para os nossos emigrantes de luxo, de que Maria de Medeiros (que ontem dava uma entrevista na “Pública”) é um exemplo acabado, tudo se torna mais fácil.
Pelo prestígio e pelo domínio da língua, factor que escapava aos nossos emigrantes de primeira geração.

Interrogo-me também o que raio fazem os nossos Governos pelas nossas comunidades dispersas por esse mundo fora ... Sócrates fala dos emigrantes? Menezes fala dos emigrantes? Barroso fala dos emigrantes? Louçã, esse então ... e o Mário Nogueira fala dos emigrantes?

Mas isto que aqui se escreve serve para quê? - perguntam, entre vós, os mais exigentes.
Para nada, para coisa alguma, para coisa pouca ...
ou apenas para saudar Alda Lemaitre, exemplo de persistência e de integração!

Sentença: Prisão Perpétua
Crime: Nascer Mulher

Este é um artigo escrito a duas mãos.
A pauta é partilhada pela Tagarelas e pela Bluegift.

Esta "sinfonia trágico-passional" aborda um tema que há muito pretendia aqui trazer. Vadiando ao acaso pela blogolândia encontrei a propósito uma passagem extremamente bem tocada por esta nossa vizinha de blogue. Daí não ter hesitado pedir permissão para a utilizar na introdução do tema de hoje.
Agradeço, desde já, a sua preciosa colaboração e a de todos os que queiram contribuir para a discussão de um tema controverso, com o qual o mundo da imigração nos irá confrontar de forma cada vez mais alarmante.

Deixo agora a palavra a Tagarelas-Miamendes:

Sentença: Prisão perpétua
Crime: Nascer mulher. O pecado original.

Esta é uma das formas mais extremistas do machismo. Não se enganem, não tem nada a ver com Religião. Não é uma prática corrente do Islamismo. Mas um abuso, machista, fundamentado na Religião.
Ao longo dos tempos, a História deu-nos grandes testemunhos de práticas machistas, que tiveram cobertura por hábitos provenientes de diferentes religiões. Nunca o poder do homem é tão grande como quando se alia a Deus. Mas esta é a forma machista mais cruel! O apogeu máximo!

A mulher deve cobrir todo o corpo para que nenhum homem a veja para além do seu marido. Mostrar a sua beleza, ou partes do seu corpo, significa provocar os "desejos incontroláveis" do "desgraçado" do homem. Porque ele é a vitíma das “pecadoras”, que o tentam, exibindo os seus corpos femininos.

A única forma que estes “fracos” e “desprotegidos” seres (homens) têm de não cair na tentação, à qual não conseguem fugir ou evitar, é cobrirem-nas por completo e criarem uma série de regras de comportamento que proibam qualquer manifestação pública deste perigoso ser que é a mulher.

Só há uma classificação: Escravatura sexual.

A mulher é reduzida à condição de fêmea. Se não se cobrir e agir de acordo com as respeitáveis leis do seu amo e senhor, a pecadora só existe para provocar os instintos sexuais dos machos. Se não se lhes impôe as regras e se lhes dita a conduta, as mulheres saltariam de homem para homem, num desaforro total e sem limites.

Porém o homem, a vitíma do pecado original, sabe do que ela é capaz. E sabe que a sua missão altruísta é de a orientar, por isso cria as regras que a afastarão do mau caminho a que está predestinada e a transformam no que o homem precisa: a Esposa e a Reprodutora.

Arábia Saudita
As mulheres não podem conduzir.
Podem ser presas se forem encontradas na rua sozinhas ou acompanhadas por um estranho, ou seja, sem ser na companhia de um membro familiar masculino, por suspeita de prostituição.
Obrigadas a casar por decisão da família.
Recentemente, uma mulher foi condenada a 200 chicotadas, após ter sido violada por 6 homens, só porque, no momento em que os violadores a atacaram, estava num carro com um homem estranho. Entenda-se por estranho, um não familiar.

Afeganistão
Só recentemente a lei permite que as mulheres possam frequentar escolas. Porém é prática corrente que os populares destruam esses edifícios ou agridam aquelas que se deslocam à escola.
Não é permitido conduzir.
Podem ser condenadas a apedrejamento até á morte se tiverem condutas imorais.

(escrito por Tagarelas-miamendes)

Ontário
Em Outubro de 2007 um pai de 57 anos, marroquino, assassina a filha de 16 anos que recusava usar o “hijab” (véu muçulmano). A família, desde que a filha era menstruada, insistia nesta prática muçulmana que, outrora em desuso, tende a ressurgir em força.

Porém, Aqsa Parvez preferia vestir-se à ocidental como as suas amigas canadianas. A pressão familiar chegou a tal ponto que Aqsa decidiu sair de casa e ir viver com outra família, ocidental. O assassinato ocorreu quando regressou para recolher algumas roupas.

Este fenómeno, em franco crescimento em todo o mundo ocidental, levou no Canadá à criação de associações de protecção à mulher muçulmana e a sites de denúncia tal como o Point de Bascule.

Bélgica
No dia 6 de Março deste ano a polícia levou a tribunal por violência conjugal, um marroquino de nacionalidade belga casado em Marrocos em 2006. O indivíduo foi constituido arguido por queixa da esposa.
A jovem, de 21 anos, recusara-se repetidamente a usar o véu preferindo vestir-se "à ocidental". A última cena de agressão ocorreu quando a mulher comunicou que pretendia procurar um emprego...
Furioso, o marido agrediu-a ao pontapé e aos murros. Ficou “surpreso” quando a polícia interviu, afirmando que em Marrocos era normal o marido bater na mulher quando ela lhe desobedecia...

Realço que na Bélgica é frequente os muçulmanos deslocarem-se expressamente a Marrocos para casarem com uma muçulmana que depois os acompanha no regresso.

Acham que desta forma a mulher terá menos probabilidades de se deixar influenciar pelas ocidentais e lhes obedecerá mais facilmente... (neste caso, pelos vistos, não resultou...)

Os crimes em defesa da « Honra » muçulmana

Nas comunidades tipicamente muçulmanas, as pessoas devem agir em acordo com a lei dos homens, superior à do país de acolhimento.
Se não se assassinar uma rapariga que ”desonrou” a família, as pessoas da comunidade rejeitam essa família, que é obrigada a partir.

No último ano, em França, Jacqueline foi condenada à morte pelos próprios pais por se ter deixado seduzir por um homem que lhe tinha prometido casamento. Queimada viva pelo seu cunhado, que se tinha encarregue de “se ocupar dela”, a jovem sobreviveu por milagre.

No Reino Unido, só nos últimos 5 anos, registaram-se cerca de 20 assassinatos ligados aos crimes de “Honra”.
Rukhsana Naz, com dois filhos, foi assassinada pela mãe e irmão por ser suspeita de uma ligação extra-conjugal. O irmão estrangulou-a ao mesmo tempo que a mãe a impedia de se defender...
O casal Jack et Zena Briggs, de Bradford andou fugido durante meses. Os pais de Zena contrataram detectives e assassinos a soldo para os localizar e abater, pela simples razão de a filha estar prometida a outro homem no Paquistão e recusar-se a casar. Finalmente, o casal cansou-se e resolveu contar o caso à polícia.

Na Bélgica, em Outubro do ano passado, Sadia Sheikh , muçulmana paquistanesa, foi assassinada a tiro pelo pai e irmão por se recusar a casar com um homem que lhe estava prometido no Paquistão. Estudante de Direito, Sadia teria saído de casa para conseguir namorar um belga e se livrar da intervenção dos pais.

Eu pergunto:

E no nosso país, o que é que se está a passar relativamente a estes casos?

Ou são abafados para “não causar problemas” tal como tantos outros por essa Europa fora?

Que medidas estão a ser tomadas para evitar que o extremismo muçulmano chegue à situação alarmante dos últimos anos, nomeadamente na Europa?

Para quando o fim da hipocrisia, tantas vezes utilisada nestes casos, ao se recorrer ao argumento altamente faccioso do "respeito pela multiculturalidade"?

Multiculturalidade uma ova ! Isto é puro homicídio, chantagem e escravidão sob ameaça de morte !

No Country for Small Children

Todos os dias, a umas muito pouco cristãs sete da manhã, ouço, na Rádio Comercial, uma rubrica inspirada nas ansiedades do nosso Exmo. Sr. Presidente da República, o “Minuto pela Natalidade” que, a brincar a brincar, até tem muito de verdade com que nos deveríamos preocupar.

Sabemos, à exaustão, que o país está a envelhecer irremediavelmente. E também sabemos que países com taxas de natalidade pobríssimas têm vindo, com muito bons resultados, aliás, a reverter a sua situação. E não, não vou dizer que a imigração poderá ser a solução para este mal que nos aflige. Importa, primeiramente, encontrar soluções intramuros com a matéria-prima nacional.

No entanto, por muito inspirador que seja o “Minuto pela Natalidade, não é com música que vamos rejuvenescer a população. Se há país que maltrata a natalidade é este, infelizmente, daí a apropriação al revés do título do filme dos Coen.

Nos desvairados anos 70, a licença de maternidade do país em que nasci era já de cinco meses. Aqui, os cinco meses só chegaram no novo milénio e, mesmo assim, quem escolher ficar em casa com um bebé pequenino no quinto mês só recebe 80% do vencimento. Agora inventaram um tal de subsídio pré-maternidade, uma fortuna incalculável capaz de convencer qualquer alérgico a fraldas a procriar alegremente. Ademais, o tal de complemento à maternidade exclui parte da população que, já de si, incrivelmente abonada se chama classe-média. Acho visionário que se criem complementos precisamente para o segmento populacional que mais contribui para o incremento populacional e que se continue sem atacar um problema premente das classes médias, as que mais produzem para o PIB e que, por conseguinte, mais absorvidas pela incomplacência laboral, menos se dedicam à natalidade.

No tal país em que nasci cada bebé vale hoje 25.000 euros. Está bem, dir-me-ão que é um país rico e nós somos pobres (a lengalenga costumeira). Por cá, o abono de família também é só para certos segmentos populacionais. Mais uma vez, as divisórias sociais. A discriminação à nascença que também tanto me aflige. E, claro, o abono de família é mais do que incentivo à natalidade!

Parece, entretanto, que o Estado vai criar mais uns quantos jardins-de-infância. Acho bem. Tal como me parece ainda melhor que:
a). As escolinhas dos meninos e meninas tenham férias como na escolinha dos meninos e meninas grandes que é para os pais matarem a cabeça de stress e preocupação sem saberem onde deixar os miúdos;
b). As escolinhas tenham horários desfasados dos horários dos pais e muitas cobrem à hora (e até à meia hora) extra após o período normal de funcionamento, o que lá deixa os pais no stress de irem buscar os miúdos a correr;
c). As escolinhas diferenciem as propinas entre os paizinhos mais pobres e mais ricos e os ditos tenham de andar a mostrar o IRS, que eu considero documentação privada, diga-se de permeio.

E depois, imaginando, que a malta lá se inspira pelo “Minuto pela Natalidade” e até se reproduz, é também animador constatar o rigoroso limite de faltas que um profissional pode dar para assistência à família. Do mesmo modo que é surpreendente que o progenitor que não fica com a licença de mater(pater)nidade tenha direito a “gozar” aqueles cinco dias depois do nascimento. A munificência estatal é, de facto, de louvar!

Só para finalizar, também considero encorajador verificar que, em caso de divórcio (cruzes canhoto!), o desgraçado que perde a custódia (triste sina ser pai) possa “ver” (adoro a expressão!) a prole a espaços temporais mais ou menos alargados! Que tal “ver” os filhos um fim-de-semana de quinze em quinze dias?

Bem, já vi que não me safo nem que me toquem o “Careless Whisper” às sete da matina!

Em avaliações e percentagens, estamos garantidos.

"Olha-me este, queres ver que estou lixado?", pensou ele a olhar para o fulano que tinha à frente.

"Estou ver que isto está andar bem, sim senhor, boa progressão, menos queixas, tem feito tudo o que lhe mandam, realmente está no bom caminho", dizia o outro...

Por breves momentos, ficou ali a olhar e a pensar que se calhar o fulano era meio surdo. Ele tinha estado a queixar-se, que não conseguia fazer tudo aquilo que queria, que não se sentia bem com a situação, que olhava e reparava que estava desalinhado, sentia ali uma dormência, uma falta de sensibilidade, estava a ser honesto, mas desta vez não acreditavam nele, se calhar questões de simpatia.

"Sabe como é, as directrizes que me deram é para o mandar trabalhar, não interessa se está bem ou não. Vergar a mola, depois se não conseguir, então nós fazemos nova avaliação", replicou o outro.

Realmente ao que chegamos, um gajo f***** da vida, totalmente lixado com esta fraca progressão e um fulano ali a mandar andar, toca a trabalhar, mesmo sem progredires, tens de andar, mesmo que tenhas de te arrastar para o serviço, não interessa como o fazes, os chefes mandaram e querem resultados.

"Não se preocupes, no final vai levar um bom prémio", garantiu-lhe em jeito de consolo.

"Que se f*** o prémio, que se f**** todos, é que no final quem se lixa sou eu", pensou enquanto sentia uma raiva a subir-lhe à cabeça.

Quer dizer um gajo é destruído, arrasado, esmigalhado, fica ali a olhar para o tecto perante aquela injustiça, agora leva uma palmadinha nas costas, um prémio e siga… andor…

Que de lixem todos aqueles que acham que tudo pode ser compensado com dinheiro, que depois de se ser trucidado, se no final levar um cheque para casa é a felicidade.

Pobre almas que resumem tudo a dinheiro, que tudo pode ser quantificado; tudo não passa de meros valores materiais, que a dignidade, o bem-estar, o "Eu" na realidade são meros euros.

Estúpida sociedade materialista, estúpido mundo de "plástico" que caminha para a ruína, que não repara que se está a destruir a si próprio, esquecendo-se que no final também vale pouco, que não passa de um grão de areia numa engrenagem infinitamente maior.

"Vou marcar aqui um dia para fazer a avaliação definitiva", avançou o de branco.

"Tipo a avaliação agora na moda do José Sócrates?"– disse, tentando aligeirar a coisa com um pouco de humor.

"Então fica assim, o amigo vai agora a 50 %, daqui a um mês leva uma avaliação definitiva de incapacidade, um cheque e siga...", sentenciou o de branco.

"Então e as dores? A recuperação? O facto de se calhar um dia ter de me reformar mais cedo, por não poder exercer as minhas funções? ", inquietou-se.

"Não se preocupe, isso tudo dá mais uns zeros ao número escrito no cheque", indeferiu o outro o seu mísero recurso.

Querido, já não me apetece!

Nunca tive especial “fetiche” pelas comemorações aniversariantes.
Pronto, tudo bem, eu sei que se recebe umas prendas, os amigos de ocasião telefonam, os familiares (mesmo aqueles que um tipo gostaria de ver a léguas e nisto não há como ser franco) fazem o mesmo e alguns até se lembram de aparecer mesmo que ninguém os convide mas, mesmo assim, é assim uma coisa meia água sem sal!

Quer dizer, um gajo passa bem com uma comemoração no remanso da família.

Não é preciso ir para nenhum pavilhão gastar uma pipa de massa e arriscar-se a passar uma vergonha porque a vizinha do lado fez uma festa maior e num pavilhão maior …

Vem esta historieta a propósito da maralha que nos (des)governa se ter lembrado de comemorar três anos de governação socialista.
Está bem, está! Um Governo e um partido a comemorar três anos ...

A festa, legítima, diga-se, decorrerá no Pavilhão do Académico do Porto e eu juro-vos que aquilo, atentas as proporções do recinto e as disponibilidades financeiras do PS e aqui do cronista, é o mesmo que eu fazer a festa de aniversário na sala de jantar do tugúrio onde vivo!

E, mesmo sendo como encher a sala de jantar, aqui o jovem recebeu três “sms” (a tal coisa miraculosa que agora serve para convocar comícios e marchas da indignação sempre sob a capa da desorganização) …

Eles estão mesmo à rasca e cheios de receio que metade mais uns quantos dos convivas não apareçam!
E ninguém me venha dizer que não tenho legitimidade para estar aqui a dissertar de cátedra sobre esta coisa, pois até já o Senhor de Matosinhos, vulgo Narciso Miranda, entre outros, veio dizer que era asneirola. Eu só cito o Narcisinho, pois é o mais populista dos renitentes.
Mais a mais, fazer um “comíciozito” numa altura em que se recua nalgumas frentes é quase como colocar-se naquela sábia posição em que se costuma dizer que “foi assim que a Alemanha perdeu a guerra”.

Vitalino Canas, o porta-voz da criatura, até assevera que "se há flexibilidade fala-se em recuos, se não há, então é arrogante e autoritário. Devemos ultrapassar essa esquizofrenia".

Eu sou fraco estratega mas penso que retirada já há, falta é debandar. Isso é que ainda não há!

Quanto ao local, escolher uma "coisita" daquele tamanho para fazer a festa é aceitar que naquela relação de amor, e como dizia a Bluegift há dias a propósito da vida sexual, já existe "ai, hoje coisa e tal dói-me a cabeça", "... enxaqueca, filho..." e "... não sei que se passa, mas olha hoje ... nicles, népia!" .

E como o Vitalino, amante garboso, garante que não se perde tempo com o que correu mal, isso só significa que com estes gajos preliminares e afins nada, aquilo é tumba pega lá e põe-te no c ...! Ora, se é para isto, mais vale nem sair de casa!

Quando a cabeça não tem juízo, o corpo é que paga!

Lembram-se desta música do António Variações? Aposto que sim, mais que não seja pela irreverência da figura. Sempre que a ouço dou comigo a pensar sobre como este refrão se pode adequar a um sem-número de situações...

Hoje ele serve de título a este post porque me lembrei de falar sobre o corpo e a forma como dele tratamos. Não, não vamos falar de sexo, por isso escusam de dar asas às vossas facetas libidinosas!

Na verdade, vou-me debruçar sobre uma realidade que começa a revelar-se preocupante e que não nos pode deixar indiferentes. De facto, de acordo com indicadores recentes, 30% das crianças do 1º ciclo e 25% das do ensino pré-escolar são obesas! Pois é, meus amigos, já não bastava o índice de natalidade teimar em não aumentar, como ainda por cima as criancinhas arriscam-se a sofrer de mais maleitas do que nós, os chamados “cotas” ! Ele é o colesterol elevado, a diabetes à espreita, o risco de doenças cardíacas...

No entanto, segundo João Breda, coordenador da Plataforma Contra a Obesidade (P.C.O.), não existem ainda estudos que forneçam dados rigorosos sobre esta questão, mas há a convicção de que, também nisto, estaremos no pelotão da frente da Europa. Para que se conheça em maior profundidade esta temática, bem como a forma como ela incide na população infanto-juvenil do país, a Direcção-Geral de Saúde (D.G.S.) promoveu, em Outubro último, a concretização de três estudos sendo que “ um incide sobre as crianças entre os três e cinco anos, outro sobre os alunos em idade escolar e o terceiro sobre adolescentes”. Aguardemos, assim, os resultados...

Enquanto isso, convém reflectir sobre algumas questões muito concretas. Como alguns saberão, lido todos os dias com míudos com idades compreendidas entre os oito e os dezoito anos. A meio da manhã e a meio da tarde vejo-os comer bolachas de chocolate, pacotes de batatas fritas, pizzas pequenas, folhados recheados com chocolate e outros cremes... Enfim, tudo com alto teor em hidratos de carbono e com muitas, muitas calorias! Na escola comem umas quantas vezes ao dia e a ementa mantém-se. Aliás, muitos substituem o tradicional almoço na cantina por estas “refeições” improvisadas.

Mas, o problema não se encontra só em casa, na educação alimentar que lhes é incutida, nem nas escolas. Já repararam o que é que os centros de saúde, hospitais e outras instituições médicas têm à disposição dos utentes? Ah, pois é, toma lá uma maquineta que, por uns trocos, te dá refrigerantes, chocolates, bolachas de chocolate, etc. Fruta? Nem vê-la! Sandes tradicionais? Oh, isso dá muito trabalho e corre-se sempre o risco de não vender e estragar! Leite? Isso não tem piada nenhum!

Porque é que a D.G.S., a P.C.O. e os Ministérios da Educação e da Saúde não tomam medidas mais severas e proíbem a venda deste tipo de produtos nos estabelecimentos de ensino e de saúde? Tanta preocupação com a saúde e a qualidade de vida numas coisas e noutras é isto que se vê!

E vocês, o que acham? Que medidas tomariam? Não acham que está na altura de evitar males maiores?

Gosto de modas, são fixes !!!

Não sei porquê mas gosto de modas, são fixes.

Um gajo ali todo bem "vestidinho", cheio de boa aparência, algo confortável, mas sem o espartilho do correcto para a ocasião, onde sem se realçar na multidão se dê um ar de "estou aqui, sinto-me bem."

Estar na moda é "porreiro" (viram? uma expressão da moda), uma pessoa mostra que sabe do que fala, muitos aliás juntam-se à moda para mostrarem que sabem, embora a maioria vai porque viu na televisão ou achou que ficava bem noutro e resolveu também ir por ali.

Esta divagação (isto hoje está bom, está na moda divagar sobre os assuntos), serve para nos levar à sociedade de modas e respectivas perguntas existenciais.

Alguns exemplos da moda e de modas.

Está na moda dizer mal do politico e Primeiro-Ministro José Sócrates, cai bem, faz-se um "brilharete", ele é isto, ele é aquilo, então se for numa roda de amigos ou ai numa manifestação, estamos na moda e temos um espírito reivindicativo, que não se cala, não dobra… muito bem!

E então surge a pergunta: porque será que se todos dizem mal, se todos o acusam de tudo, as sondagens dizem que ele venceria outra vez as eleições? Com ou sem maioria, mas que ganharia?

Está na moda dizer mal do Governo, muitos só pelo dizer mal, mas não será este governo apenas a imagem do PM? (Questão que nos leva à pergunta anterior)

Está na moda dizer mal do político Luís Filipe Menezes... quer dizer, estaria se existisse politicamente. Assim, é uma pena que não se possa dizer mal do que não existe ainda pareceríamos tolinhos a falar do "vazio"

Gosto particularmente do exemplo "moda verde"... alto, alto, alto... eu falo de ecologia (é que não sei porquê mas desde domingo a noite, depois do jogo do Benfica, não gosto de falar de futebol).

Subitamente todos são ecologistas, pelo menos dizem-se a favor da protecção do ambiente, fica bem, dá assim um ar de moderno, de preocupado, alguns esperam até transmitir um certo charme.

Um parênteses, atenção que para discussão sobre charme de indivíduos já chegou ontem e o Quintarantino viu-se aflito para as segurar, mas se algum jovem quiser deixar umas referencias femininas, esteja à vontade.

Voltando ao ecológico, o interesse seria saber exactamente quem sabe o que é ecologia e o que é realmente a protecção da natureza?

Saber exactamente todas as coisas erradas que fazemos e que contradizem aquilo que apregoamos, que somos a favor da protecção da natureza.

A lâmpada acesa, a água a correr enquanto lavamos as mãos, os dentes ou nos ensaboamos no duche, o "papelito" para o chão, o ar condicionado de janelas e portas abertas, a folha de papel só usada de um lado, a compra de bebidas em garrafas de plástico ou em tara perdida, o uso de sacos de plástico para tudo (que saudades do saco de pano com que eu ia buscar pão), a "beatazita" a voar pela janela do automóvel, aos quais poderia juntar milhares de outros, tudo pequenas coisas, que nós, ecologistas e defensores do ambiente fazemos, acredito que não de propósito, mas por hábito, acredito eu que a maioria seja assim…

A pergunta final seria generalista, somos realmente uma sociedade de modas ou sabemos exactamente do que falamos e acreditamos ?

Será que no sexo à direita está-se melhor?

Ando confuso, pronto!
Ando confuso e não é por causa das guerras larvares na Educação, nem por causa da patetice do Partido Socialista ir realizar um comício para assinalar três anos de governação (embora, ao que eu saiba, sem lanche conforme aqui insinuou o nosso amigo Tiago) e muito menos por ver que as putativas alternativas a Sócrates são o que são. Para não dizer que são uma bosta!

Nada disso. Desde que Fukayama anunciou o fim da História e outros pensadores do mesmo escol ditaram o fim das ideologias, fiquei sem azimute.
Eu nado e criado num país onde todos os alunos iam de uniforme para a escola (e o da minha Hercules Primary School era bem giro sinal), onde antes de se entrar na sala de aula o director da escola se dirigia todos os dias aos alunos (é verdade, pasmem, tínhamos um director de escola), onde diariamente alguns dos alunos eram escalados para tarefas complementares como auxiliar na biblioteca ou para servirem a refeição do meio da manhã, onde a polícia era respeitada, enfim… quase tudo bem oleado! Digo quase tudo porque a coisa também dependia da cor da pele…

Pois bem, com uns alicerces daqueles dei, na visão muito peculiar de alguns, num perigosíssimo meliante socialista! Vejam só.
Mas peculiar e é aí que começa a minha confusão.

Sou dos que defendem um modelo de autoridade na escola (pública ou privada), com liberdade de escolha na contratação do corpo docente, com estabilidade nos programas, com autonomia financeira e administrativa.
Sou dos que defendem que o Estado deve ser inclemente com qualquer vigarista que roube um cêntimo que seja de impostos!
Sou dos que defendem que quem vem para o nosso País adapta-se à nossa realidade e respeita os nossos valores em vez de nos querer impor os seus!
Sou dos que defendem que programas como o Rendimento Social de Inserção são louváveis e justos, mas que quem é apoiado deve fazer trabalho comunitário (há por aí muita mata e valeta a precisar de limpeza)!

Sou dos que defendem que certo tipo de criminalidade não merece contemplações. Homicida, pedófilos, abusadores sexuais e traficantes de droga é prisão por muitos e bons anos!
Sou dos que defendem que sim senhor a autoridade do Estado tem de ser exercida e respeitada …

… pois, já vêem porque se calhar ando confuso, não? É que tradicionalmente qualquer um diria logo “você é um tipo de direita daqueles à séria!”.

Mas, no entanto, não sou.

Se calhar porque a nossa direita é trauliteira, caceteira e populista.

Basta ver os nossos amigos do PP que estiveram no poder o tempo que estiveram e as embrulhadas que por aí andam!

Agora, e quando estava refastelado no sofá topo com uns números que me deixaram perplexo (são espanhóis os números, mas mesmo assim …).
Então não é que 0% (zero, pasme-se) das votantes no PSOE referem usar afrodisíacos no sexo, enquanto que nas bandas do PP 7,9% das suas votantes dizem que os usam?
E 33% das espanholas que votam PP afirmam ter muito prazer no sexo, enquanto que pelo PSOE a coisa baixa para os 28%?

Quer dizer, levado à letra e extrapolando a coisa, até em sexo as mulheres de direita são mais atrevidas e andam mais satisfeitas?
Decididamente, o mundo anda tolo.
Eu que sempre que pensei que o pessoal de esquerda é que era libidinoso. lascivo e dado à coisa … soube-se eu isto nos meus tempos de solteiro e tinha apostado era na direita.

Na direita, meninos!

Notas Emprestadas - Filhos do Nada

Dando sequência à divulgação e cooperação com outros autores e projectos, o NOTAS SOLTAS avança com mais umas Notas Emprestadas.
Este é o segundo autor brasileiro que temos o prazer de receber, também um amigo, Luiz Santilli Junior...

A violência no Brasil tem sido tratada pela mídia e por muitos de nós apenas como um caso de polícia.

Porém, o fato gerador da violência não é de origem policial, e muito menos vai ser resolvido com mais policiais nas ruas, ou mesmo o exército. Com seguranças particulares às nossas portas estamos apenas aumentando a extensão da guerra entre dois mundos.

Vivemos há anos em uma Nação profundamente dividida em dois mundos, em lados opostos de uma vala social: a sociedade organizada de um lado, em que vivemos e criamos nossas famílias, e os miseráveis do outro.

Os miseráveis, que vivem em guetos, onde os direitos sociais mínimos, como saúde, educação, emprego, propriedade e dignidade nunca passaram por perto.

Que valor tem a vida humana para uma criança que nasceu com um revolver na mão, sem pai e sem mãe, educado por adultos que tiveram a mesma infância, em que a vida é um acaso e a morte o destino provável de qualquer instante...

Que valores estes meninos podem dar às coisas que nunca tiveram, que nem sabem que existe, pois o Estado lhes sonegou tudo, os ignorou ?

O caco de vidro nas mãos das crianças pedintes é seu instrumento de trabalho, pois lhe faltou primeiro o leite, depois a cartilha e por fim o amor.

Elas não sabem o que representa a vida em sociedade porque esta nunca as acolheu. Vivem em bandos, não em comunidades. Vivem na fronteira da barbárie.

A polícia pode, quando muito, conter temporariamente a criminalidade, mas a fábrica de criminosos continuará aberta e produzindo milhares deles por dia.

E nós nos fechamos em moradias com grades até o tecto, esquecendo que temos que ir à arena todos os dias para ganhar o nosso pão, a mesma arena em que os miseráveis vão buscar os recursos para a sua sobrevivência.

É nessa arena, cada vez mais perto de nós, a cada dia mais trágica, que a luta vai se acirrando.

Quem irá aplicar as medidas que resolveria a questão ?

Uma classe política, que em todos os níveis abriga muitos e muitos corruptos ?

Boa parte dos homens que detêm o poder em diversos níveis está envolvida até o pescoço com o narcotráfico: que esperar dessa casta ?

E seria hipocrisia nossa culpar apenas os políticos porque, em primeiro lugar fomos nós que os elegemos com nosso voto e depois porque nós também contribuímos com pequenos delitos cotidianos, como burlar o IR, pagar propinas, comprar drogas na clandestinidade, comprar CD’s e DVD’s pirata, não emitir notas fiscais, curtir nosso “personal” muambeiro, o caixa dois, contas fora do país e tantos mais.

Quem comete crime deve ser punido, sim. Porém, enquanto a fabrica de assassinos não for fechada, vamos ficar como cachorro correndo atrás do rabo.

Os miseráveis continuarão lá, do outro lado da trincheira, até o dia em que tivermos vergonha na cara, e nos tornarmos uma Nação com uma única sociedade.

Autor - Luiz Santilli Junior - Brasil - Blogues Boa Leitura e Cronicas

Benvindos ao Far West!

Costuma atribuir-se à II Amendment da sacrossanta Constituição dos Estados Unidos a justificação para os elevados índices de criminalidade no país. Para quem não sabe, a II Amendment (1791) confere aos cidadãos o direito de possuírem armas. Bem, esta é pelo menos a interpretação comum porque o facto é que lá no texto está escrito “milícia”. Enfim, seja como for, os americanos podem ter direito de posse de armas aos 18 anitos (mas só devem beber uma cervejita aos 21!) e vai daí é um ver se te avias e ele é de chacinar gente nas escolas e andar em batalhas campais nas ruas e por onde calha.

Da última vez que verifiquei, os portugueses são um povo pacífico, amantes, como salientam repetidamente, dos brandos costumes e detentores de uma legislação intolerante com o porte de armas individual. Parece-me, todavia, que ou ando vesga ou ando ao engano ou as coisas mudaram ou então emburreci de vez (probabilidade nada descartável). É que a chacina chegou à rua. Oiço que se compara este “surto” de criminalidade homicida com o que se passa no Brasil. Confesso que esse paralelismo não me interessa nada! Eu não vivo no Brasil, vivo em Portugal. E chamar “surto” a acções que violam o direito à vida de outrem é o eufemismo mais insultuoso que tenho tido o desprazer de ouvir ultimamente.

Também, e mais surpreendentemente, oiço que o que está a suceder não é nada de especial que vá contrariar quaisquer estatísticas existentes (a não ser aquelas do suicídio por auto-apunhalamento). Então a malta anda a cair que nem tordos e, como se diz em Inglês, “it’s all in a day’s business”? Desculpem lá, está tudo doido, ou quê?

Não quero saber de opiniões avalizadas, não me interessam debates televisivos, prescindo de comparações com cenários longínquos (nem Brasis, nem “downtown Bagdad”, nem faroeste ou cascos de rolha). Quero soluções para este “surto” de crimes e para o avolumar da criminalidade neste país. Sinto que temos uma legislação demasiado leniente que permite a bandidagem (muitos bandidos?!) andar aí impunemente à solta. Mas eu, nós, o cidadão comum, sobretaxado de impostos, que anda a dar o litro coitadinho, está desgraçado com o fisco, com as brigadas de trânsito, com os tipos dos parquímetros, mas os meliantes… oh, na boa!

Aqui há dias parei numa operação stop. Estúpida, ignorante e loura burra levava os dois auriculares do telemóvel (então se aquilo traz dois auriculares deve ser para usar, não?). Desconhecia que era só permitido um.

- Bem, o Sr. Agente vai ter de me multar que nem invoco o desconhecimento da lei.
- São 120 euros minha senhora, está aqui no artigo raio que o parta! Se não pagar agora temos de lhe ficar com a carta e a Sra. tem de ir buscá-la à esquadra da sua residência.
- Aceita cheque Sr. Guarda?

A satisfação da autoridade a acenar com o papelucho! A coima! E depois, como eu tenho, de facto, toda a embalagem da loura mononeuronial, foi buscar a bíblia das multas para me mostrar, com o rigor, do preto no branco, o artigo miserável sobre o uso de auriculares.

Levei pois, e bem feita, com o peso da autoridade. Mata-se gente e shiu, pá, nada de levantar a lebre. Não se passa nada. Pois, isto é normal. Há não sei quantos homicídios por dia em Portugal. Pá, isto é só um “surto”. Meu, isto é a comunicação social. É pá, um dos tipos esfaqueou-se a ele próprio, e foi só umas quantas vezes até acertar no sítio. Mau é mesmo em Joanesburgo ou em Medellín. Shiu, toca a calar que o povo quer-se sereno!

Não estou serena. Estou indignada. Sinto-me aviltada. Nem é revoltada, é enxovalhada na minha dignidade de cidadã. Confio na lei, pelo menos quero confiar na lei, mas a lei está a tornar-se demasiado branda para os criminosos, aqueles a sério, os perigosos, os recorrentes, os que deviam estar dentro, mas estão cá fora logo a seguir. Não está na hora de deixar de ter medo e enfrentar o problema?

Post Scriptum: A Blondewithaphd não empreende a lourofobia. Como loura desmistifica o estereótipo rindo dele. Ridendo castigat mores.

Dia 15 - Visita ao Porto com viagem e lanche de graça.

O local era sossegado e ele tinha tido sorte.

Tinha ido para um com excelentes instalações, bom pessoal, muito campo e ar puro, não era um daqueles onde as pessoas eram colocadas em "prateleiras", todas em cima uma das outras, era realmente um excelente local.

Já não se lembrava há quanto tempo estava ali, lembrava-se de tudo com perfeição, mas aquele dia-a-dia tinha-o colocado fora do tempo, apenas reparava que todos os dias de manhã, via no espelho um indivíduo que aos poucos lhe ia parecendo cada vez mais velho.

Nesse dia sentiu uma estranha animação no ar, um movimento fora do vulgar, olhou com desconfiança para alguns sorrisos que nunca tinha visto antes, pessoas que nunca vira sorrir e que hoje lhe pareciam mais leves.

Sentado, como habitual a olhar para a beleza que saia pela sua janela preferida, ouviu atrás de si, duas funcionárias a falar.

- Porreiro, vamos ao Porto, vai ser bom passear um pouco.

- Já soube, parece que é no dia 15, segundo me disse a chefe, vêm vários autocarros buscar os utentes aqui do centro.

- E eles sabem para o que vão?

- O que é que isso interessa? Para eles é um passeio, raramente saem daqui e depois segurar uma bandeira para alguns não é muito difícil!

Ficou realmente contente, ia passear ao Porto, ver as vistas, sentir aquele cheiro especial da cidade, nem se importava de carregar uma bandeira, se no final do passeio houvesse um belo do lanche, com certeza que faria o sacrifício.

Tinha a esperança que o regime não lhe metesse o olho em cima, é que o senhor Salazar não gostava assim muito de manifestações, só se autorizadas por ele e então se envolvem-se a Mocidade Portuguesa, aí sim é que era bonito.

Ele gostava, tudo ali a marchar, de calção, braço esticado, com orgulho no país, o "orgulhosamente sós", esperava que desta vez anda-se lá perto, levantar orgulhosamente os cartazes, explicar aos incultos e estúpidos tudo o de bom que era o regime, tudo os sacrifícios que eram feitos por eles.

Mas principalmente o lanche, isso é que era bom, o belo do rojão, a sandes de coirato, agora já não o garrafão do maduro, a idade não ajuda, mas um refrigerante assim para quebrar a dieta.

- Sabes que o pessoal vai usar aquelas bandeiras lá do, raios... aquelas dos gajos que estão no poder, sabes do José Sócrates.

Quem seria o fulano?

Não se conseguiu lembrar, tinha visto um chamado Filipe Menezes a falar sobre o a teoria do "vazio", mas este não sabia, se calhar é algum comunista, mas também não interessa, no fundo o que interessa é viajar e arejar um pouco, ele gostava era festa, quer dizer ele e o povo!

Olha, estamos quase nos 20.000 ...

Quando o projecto do NOTAS SOLTAS IDEIAS TONTAS se prepara para atingir as 20.000 visitas, penso que é de assinalar tal facto pois quando iniciei esta caminhada estava longe de imaginar a repercussão da mesma.

É um mero facto que, com algum orgulho, quero assinalar, mesmo que por antecipação (presumo que a marca se atingirá amanhã) dado caber-me o modestíssimo papel de fundador da coisa.

Hoje, quando somos cinco, escrevemos pelo gozo da escrita, pela liberdade de pensamento e sem obedecer a uma qualquer agenda oculta. Gosto sempre de frisar esta vertente pois só assim se concebe que sejamos lidos por pessoas com formações diversas e opiniões tão díspares em vários domínios.

Porque não posso agradecer pessoalmente a cada um dos nossos leitores e comentadores, faço-o aqui e agora. Publicamente.
E com um pedido de desculpas públicas... é que mesmo quando por razões de natureza profissional e/ou pessoal não consigo fazer o meu périplo diário (que é o que me sucede actualmente), creiam me sinto sinceramente agradecido pelo vosso apoio diário.
E a alguns devo mais que isso.

Poucos saberão que, a par deste projecto, mantenho por aí uma coisa mais pessoal (de natureza fotográfica) e que me tem permitido arribar a portos mais longínquos. A iniciativa, que começou em Dezembro e vai num número de visitantes que me enche o peito de orgulho, tem-me permitido contactar com realidades dos cinco continentes.

Uma delas é a americana.
Uma das coisas que se evidencia, mesmo por mera consulta a muitos blogues, é o fervor patriótico e religioso com que as pessoas vivem o dia-a-dia.
A história da “star and stripes” pendurada à porta de casa, da Bíblia surgir como um dos livros de leitura preferida, a forma descomplexada como afirmam viver a vida de acordo com os mandamentos do Senhor e o fervor que, nalguns casos, exibem são especialmente evidentes em pessoas dos estados do dito Midwest ou mais a sul.
Já nos centos urbanos de maior dimensão se nota uma maior similitude com algumas formas de estar, sentir e pensar que os europeus têm.

É um exercício interessante o contactar com aquelas gentes. Nalguns casos já para lá do comentário.
Na questão política, então, a coisa nalguns casos chega a ser por demais.
Tenho uma amiga, posso chamar-lhe assim, que diz “aguardar ansiosamente pelo dia da libertação”; outros, republicanos, asseveram que Bush filho foi o pior que lhes aconteceu; para outros, ainda, McCain não é suficientemente republicano; vi quem estivesse de Bíblia na mão em eventos de Huckabee …
É um exercício interessantíssimo, garanto-vos, conhecer a política local pelas bases.

Tão interessante que tendo eu já dito a alguns aqui na blogosfera que Hillary Clinton já lá não ia das pernas, digo agora e publicamente que retiro o que disse.

Tinha-me esquecido que a senhora é casada com o “Comeback Kid” e que garra, tenacidade e capacidade de dar a volta por cima é com os Clinton!

Por isso, e até ver, depois do Texas e do Ohio, retiro o que disse.
Antes, espero que ela ganhe ...

Foi você que pediu uma fraude?

Depois do escândalo brasileiro dos cartões de crédito, veio a lume a história de uns quantos casos de fraude por uso ilícito de dinheiro no Parlamento Europeu.

Ao que parece, uma auditoria interna descobriu quatro a seis casos de eurodeputados que usaram indevidamente os dezassete mil euros mensais de que cada um dispõe para remunerar os seus assistentes. Ao todo, a coisa ronda os 140 milhões de euros em operações indevidas, que vão desde gratificações ( um assistente recebeu o equivalente a dezanove salários como bónus), pagamentos fictícios, fugas à segurança social até à transferência para partidos políticos.

De acordo com o eurodeputado que denunciou publicamente o assunto – Chris Davies, os casos descrits são “situações chocantes” e “deveriam resultar na prisão de alguns eurodeputados”. Ele chega mesmo ao ponto de afirmar que é lamentável que o sistema do Parlamento Europeu permita que “alguns parlamentares consigam contornar as regras e pôr dinheiro ao bolso”.

A questão que se levanta, agora, é a do secretismo que envolve este relatório da Comissão de Controlo Orçamental. Na opinião de Davies, “não há nada no relatório que deva ser mantido em segredo” e defende que os europeus devem ter conhecimento de todos os factos. Paulo Casaca, membro da comissão que levou a cabo a auditoria e deputado socialista, por seu turno, considera que o relatório deve ser mantido em segredo “para que os envolvidos não sejam crucificados na praça pública” sem que se analisem todo os factos. Carlos Coelho, eurodeputado pelo PSD, defende que os nomes só devem vir a público quando as averiguações chegarem ao fim. Ilda Figueiredo, do PCP, adianta que “ninguém sabe do que se trata ao certo” e que “se há suspeitas, elas têm de vir a público”.

A comissão anunciou, para já, que todas as averiguações serão feitas, pelo que só daqui a cerca de dois meses haverá mais dados concretos.

Eu, como cidadã europeia, defendo que temos o direito de saber o que fazem na Europa aqueles que elegemos e que é um dever identificar e punir severamente todos os que prevaricaram.

E vocês, o que acham?

Não apoio revoluções.

Não apoio a revolução, esta revolução hoje propagandeada e da moda, não apoio revoluções violentas, de armas contra o opressor, ainda mais se for aqui num país que se diz democrático e o é até prova em contrário.

Apoio revoluções de consciências, do despertar do pensamento, onde um individuo começa a pensar pela própria cabeça, onde mais que um número na multidão empregando um cartaz, o cidadão saiba pelo que protesta.

Não apoio o fazer número, o ir com a maré, o gritar de frase ocas e vazias, onde o cidadão é influenciado pela marcha num sentido, onde se protesta e não se sabe para onde vai, onde o rumo é dado por outros.

Apoio o ser dono de mim, dono das minhas acções, onde eu tomo consciência dos problemas, decido e tomo uma posição.

Não apoio o sentado, o imóvel, à espera que decidam por mim quando me devo levantar, não apoio o ausente da participação.

Apoio os que se revoltam contra os censores (sim, porque eles ainda andam aí), estejam eles onde estiverem, seja na Madeira, seja nos Açores, seja no Continente, eles estão em todo o lado, mudam é de cores.

Apoio todos aqueles que têm coragem de escrever o que pensam, que têm coragem de o dizer, não falo dos "graúdos", aqueles que têm dinheiro e prestigio para poderem dizer o que quiserem, aqueles que comentam nos jornais e na televisão, que mesmo aqui desceram à blogosfera e continuam a dizer o que querem, falo da "arraia miúda", daqueles que estão no fundo da cadeia alimentar, que mexem-se pouco para não serem comidos pelos "tubarões", mas que mesmo assim têm coragem de se mexer.

Não apoio aqueles que dizem que o perigo está no José Sócrates, no Luís Filipe Menezes, no Alberto João Jardim, quando o perigo está em tudo e em todo o lado.

Apoio os que dizem que o problema está na base, nos abusos escudados por interpretações de leis, que o problema está nas mentalidades, apoio os que dizem que o problema de muitos é não saberem aceitar a critica, não conviverem com o livre pensar, com serem contrariados.

Apoio e sou solidário para os que sofrem todos os dias um "tá calado ou lixo-te!", com o "mostra-me a cor do teu cartão", apoio os que só anonimamente se podem expressar e mesmo assim são investigados e procurados.

Não apoio e odeio todos esses f**** da p**** que se acham os melhores e vivem para calcar os outros, muitos deles estiveram cá em baixo, ao nível do trabalhador, hoje subiram e acham-se os melhores.

Não apoio e detesto todos os animais opressores que são pagos para manterem o trabalhador com "rédea curta" e o cidadão debaixo de olho, que sobem e estão lá em cima porque são familiares de alguém ou "amigalhaços" de tubarões.

Apoio o pensamento, a consciência cívica, o debater, a acção construtiva a favor de algo melhor, que definitivamente, não é isto que temos.

Apoio o dia em que a revolução de consciências, do pensamento, atire todos estes tubarões, censores, animais e afins, para fora do mar para morrerem!

O segredo, afinal, está nos sapatos!

Era uma mulher com um ar sempre sério e que ganhara fama de áspera e de não tolerar grandes familiaridades.
Entrava na sala sempre serena, mas com um ar ríspido.
Passava horas a fio no seu gabinete embrenhada em leituras múltiplas e, apesar do seu reconhecido mau génio, nunca recusara acompanhar e aconselhar qualquer trabalho, tese ou o que fosse…

Ele sempre fora um homem com um ar patético que nem os seus fatos habitualmente oscilantes entre o cinzento, preto e azul conseguiam disfarçar.
Aliás, como muitos seus compatriotas, aderira relutantemente à moda dos sapatos de risca.
O convívio com eminências pardas da finança da alta-roda, da banca, do patronato mais recheado na carteira cedo o fizera perder a mania de calçar peúga branca, essa praga que muitos, em cruzando a perna, ostentavam num contraste feérico com o sapato preto.

Nunca lhes havia passado sequer pela cabeça que um dia seriam conhecidos muito para além das suas redomas. E, no entanto, hoje eram-no.

E ele, numa viagem que fez a Itália, sem querer, deu um valioso contributo para que todos os que a conheciam a ela ficassem desconfiados quanto às reais razões daquele seu ar severo e ao mesmo tempo sofredor.

O nosso homem, já mais cosmopolita mas ainda assim com ar enfadonho e parolo, deu-se ares de piadista imitador do Seinfeld e esclareceu que tinha ido a Milão com a ideia de comprar sapatos italianos, mas afinal até era capaz de comprar um par de portugueses.

Ante a insistência, e sem que se vislumbrasse qualquer resquício de compra, ainda asseverou que o sapato lusitano é bom, pelo menos o que vai para Itália, porque sai daqui a 200,00€ e depois vende-se a 600,00€. No mínimo.

E o homem disse tudo isto sem pestanejar e assim com o ar mais sério do mundo.
Até estaria tudo bem não se desse o caso do nosso homem com ar pateta se chamar Manuel Pinho, ser ministro da Economia num país onde esta anda pelas ruas da amargura.
E onde cerca de 90% dos indígenas no dia em que dessem 600,00€ por um par de sapatos eram de imediato internados num hospital psiquiátrico … se os houvesse!

Mas não, para o nosso Pinho dizer coisas destas era do mais normal que há. Aliás, ao homem nem lhe passou pela cabeça que, como ministro, dizer que fora a Itália com a ideia de comprar sapatos italianos quando por lá andava o calçado português a ver se aumentava as exportações, era digno de se lhe pregar uma marretada!

Enquanto isso, e vendo como a nossa mulher acossada por todos os lados, a legislar que é uma coisa sem par e sem cabeça, tronco e membros, e a há muito ter deixado de conseguir mostrar que, por muita errada que esteja nos procedimentos, estava certa na substância, um dos seus antigos alunos lembrou-se …

“Olha, a professora anda sempre mal disposta porque não usa nem calçado português de 600,00€ o par, nem sequer tem uns italianos na sapateira”, pensou!

E concluiu o seu raciocínio: “Pobre dela, ali com os calos apertados nuns sapatitos de terceira água. Fosse eu e também havia de andar sempre com um ar furibundo e a não conseguir encaixar as peças”.

E assim se descobriu a razão para aquele ar de zangada com o mundo da nossa ministra da Educação, a Senhora Dona e Professora Doutora Maria de Lurdes Rodrigues!

Andasse ela atenta e saberia que o segredo está nos sapatos.
Experimentem andar com uns “Prada” ...
Ficam logo uns optimistas como o nosso Primeiro Sócrates!

Olarila ...