Violência escolar: dizer NÃO é o nosso dever!

Em Outubro de 2007, o Procurador-Geral da República (PGR), Pinto Monteiro, declarava a violência escolar como uma das suas prioridades até 2009 no âmbito da nova Lei de Política Criminal ao afirmar que iria emitir uma directiva para que o Ministério Público fizesse o levantamento de dados de indisciplina e violência, começando pela participação de todas as ocorrências nas escolas portuguesas.

Um mês depois, o PGR dizia preocupar-se “com cada caso de um míudo que dê um pontapé num professor ou lhe risque o carro”. Tudo porque dizia não querer “um sentimento de impunidade, nem que esse míudo se torne um ídolo para os colegas”.

Aliás, Pinto Monteiro até entrou em rota de colisão com a actual ministra da Educação pois dizia que “há várias pessoas, até a senhora ministra da Educação, que minimizam a dimensão da violência nas escolas”, reforçando que “ela existe”. A ministra Maria de Lurdes Rodrigues afiançou, por outro lado, que ele estava a dramatizar e que esta forma de violência “é rara e não está impune”.

Em Fevereiro de 2008, após mais um caso de agressão em que um professor foi pontapeado por um aluno de catorze anos, o gabinete de Pinto Monteiro, quando contactado pelo "Diário de Notícias", adiantou que esse famoso levantamento ainda “não está feito”.

Sobre o caso em questão, referiu ainda, que aguardava a comunicação da ocorrência da Polícia de Segurança Pública ao Ministério Público.

Quase quatro meses depois das suas declarações, tão do agrado de quem vive do e para o ensino, Pinto Monteiro nada tem a dizer sobre o fenómeno de violência escolar no nosso país. O PGR não dispõe, ainda de dados concretos sobre a mesma, porque aquilo que afiançou fazer não foi feito...

A violência escolar existe e é direccionada a alunos mais frágeis, a professores e a pessoal de acção auxiliar. Essa é a realidade e todos nós conhecemos casos destes.

No entanto, esse facto parece não preocupar nenhuma das autoridades competentes.
E a nós, enquanto cidadãos, preocupa?
Estaremos nós a educar de forma correcta as crianças e jovens deste país?

Ontem recebi um e-mail com um vídeo que ilustrava situações corriqueiras do quotidiano:
a mulher que deixa cair uma série de sacos e que ninguém ajuda;
o marido que ameaça e agride verbalmente a mulher;
o condutor que insulta outro na estrada...

Em todas as situações havia uma criança que repetia, imitava os gestos e atitudes do adulto.

No fim, surgiam duas afirmações: "Children see. Children do"...
"As crianças vêem. As crianças fazem" ...
Não estará, pois, na altura de sermos educadores na verdadeira acepção da palavra?

27 comentarios:

quintarantino disse...

Sempre ouvi dizer que em Portugal, quando não se quer fazer nada ou apenas eternizar as questões, que se nomeia uma comissão.

Aqui, ao que parece, mandou-se recolher elementos...

Eu volto.

António de Almeida disse...

-Dizer NÃO á violência é o nosso dever, seja ela escolar ou não. Em qualquer caso defendo a criminalização a partir dos 14 anos, ainda que aplicando penas mais leves até aos 16, e tolerância zero para com este género de violência, bem como a qualquer tipo de marginalidade. E nem sempre é uma questão de educação, também de escolha, ou cultural, mas todos somos responsáveis pelas nossas escolhas.

joshua disse...

A violência nas Escolas, Carol, não é pontual, não é apenas física ou somente incidindo no aspecto corporal e na propriedade, é também psicológica, é uma tensão contínua, e tudo isso conjugado já determinou a decrepitude precoce um sem número de bons profissionais. As Almas também se desgastam e enquanto se é jovem e o sangue corre teso, parece que se devora o mundo e quem vier. Quando os anos pesam e as dores são sempre as mesmas, caso não se seja uma Coisa Impermeável e Militarescamente Cruel, não é possível resistir.

O Mal, todo o Mal agora, e é bom que se diga isto, é a forma Chalada e Bolschevique como esta Ministra a tem promovido, à multímoda violencia anti-professores. Como qualquer técnico excepcional, sem alma e sem humanidade, ela tem-se esmerado no apoucamento e Zeroização da Docência. E a nossa sociedade no seu aspecto mais grunho, ela que é já tão douta e sabedora, segue no mesmo timbre alheado porque vive alheada de tudo e de um verdadeira participação cívica convenientemente alienada.

Os melhores técnicos dão óptimos exterminadores implacáveis. Os melhores técnicos dirigiam Campos de Extermínio e foram eficientes a semear a degradação e a morte aceleradas. São nisso e muito mais inventivos e testam, como em Treblinka, o que for preciso, ante o desespero da derrota militar, para esconder os próprios crimes, formas sucessivamente mais aperfeiçoadas de incinerar velozmente cadáveres segundo princípio de empilhamento estrutural tendo em conta a massa adiposa deles, enquanto potenciador ígnio.

Em suma, dêem tréguas a Pinto Monteiro! Batam palmas à Ministra Punitiva!

PALAVROSSAVRVS REX

antonio disse...

Asssutei-me quando li o início desta crónica! Quere ver que agora é a sério?

Afinal, não. Uf! Que alívio... afinal somos um país de brandos costumes e língua fácil!

lusitano disse...

Em primeiro lugar, e que o PGR me perdoe se sou injusto, mas o senhor já me parece um pouco como diz o outro: " falam, falam, mas não os vejo a fazer nada...", porque até agora, concretamente de tanta coisa de que já falou...nicles...
Em segundo lugar a violência não é só exercida sobre os professores e não só pelos alunos. Alguns pais "bem formados" também "ajudam" à coisa.
A violência é também exercida sobre os alunos mais frágeis, àsvezes até com roubos de quantias, que acabam por não ser consideradas "roubos" mas qualquer outra coisa que não sei definir.
E estas situações repetem-se com as mesmas vitimas e os mesmos "agressores" ao longo de muito tempo.
Os alunos que são vitimas, (não sou psicólogo), podem e ficam com certeza marcados psicologicamente durante muito tempo.
Instalou-se uma "cultura" de que roubar um blusão, ou umas moedas a quem é mais fraco, não é roubo, é esperteza...
Mas vamos assobiando para o ar, como aliás fazemos em muitas coisas neste nosso país, sobretudo na educação.

O Guardião disse...

Não sei, não vi, não estava lá!
Posição cómoda comparável à da criação de comissões, grupos de trabalho e inquéritos internos, que visam apenas iludir as questões.
O exemplo? O que é isso? Veja-se apenas as trocas de galhardetes entre os políticos da nossa praça e tire conclusões quem quiser.
Cumps

Manuel Rocha disse...

Carol,

A violência entre miúdos ou para com professores não é nada de novo. E quem pensar que ela irá acabar pelas medidas que o PGR possa vir a tomar sobre o caso, é porque já não tem memória do que é ser criança e adolescente. A proclamada "inocência" da miudagem deve ser uma forma de alguns branquearem as suas próprias memórias. A grande diferença entre os incidentes violentos e os de há trinta anos é que hoje, cinco minutos depois, está uma cãmara de televisão à porta e a reportagem faz a abertura do Telejornal.

As crianças vêm e fazem ? Sim! Mas onde está a novidade ? Será que os professores ou os papás se lembram disso quando mandam certos "desabafos" a figuras públicas e a instituições ? E entre andar à chapada e a arte da mistificação ou da sacanice refinadamente elaborada para lixar o próximo, qual é a pior ?

ANNA-LYS disse...

Thank You very much for Your visit in Sweden by Cyber ;-) Unfortunately, I do not understand the content here. But, the layout in this blog, gives me vibrations of seriously and future.

AnnA

Compadre Alentejano disse...

Este PGR já mostrou que trabalha mais para a comunicação social do que para a comunidade. É a Lili Caneças dos media...
Fará uma passagem pela PGR, trabalha para uma boa reforma e pouco mais.

bluegift disse...

É uma situação que tem de acabar. Aqui por estes lados quem bate mais nos professores e nos outros são os marroquinos porque na cultura deles as mães não têm muita autoridade sobre os filhos machos e os pais têm mais com que se preocupar excepto quando o abono de família falta no fim do mês. Em Portugal eu pergunto o que é que se passa? Não tenho qualquer dúvida que a culpa é dos pais e mães mais do que de qualquer outra entidade.
Entretanto acho que a Escola devia implementar medidas mais duras do seu lado recorrendo à expulsão pura e simples do aluno. O caso mudava logo de figura. Se vai esperar pela justiça do PGR, o melhor é começar a ampliar o centro médico e enviar os professores para formação militar nos centros de treino da ASAE ;)

quintarantino disse...

Disciplinar a escola: eis o que é preciso!
E educar os pais (alguns).

Zé Povinho disse...

Quando aos jovens não são estabelecidos limites para além dos quais não podem passar sem por isso serem penalizados, algo vai tremendamente mal na nossa sociedade. Atirar as culpas só aos pais, ou aos professores é absolutamente errado. A complementaridade das responsabilidades e o reconhecimento da autoridade é um princípio absolutamente essencial para haver ordem e respeito. Sem isso não vamos lá. É mais cómodo atirar com as culpas para alguém, mas também não é a solução.
Abraço do Zé

Sniqper ® disse...

Nem mais Carol, está mais que na altura de escolher o caminho correcto e educar, mas...
Vamos ter de começar pela nossa casa, corrigir os erros que cometemos, e de nada vale a pena dizer que assim não é, porque cometer erros é inerente a viver, reconhecer os mesmos isso já é outra conversa.
Claro que depois, vamos dar continuidade a esse trabalho, analisar quem deve e/ou possui condições para educar e então poderemos dizer...
Estamos no caminho certo. Bom texto, como sempre.

Carol disse...

Quin, a polícia, quando se quer descartar, também diz que ainda está a recolher elementos...

António, toda a aviolência é condenável. No entanto, quando ela se inicia nas escolas e nada é feito, não é essa a mensagem que passa.

Joshua, infelizmente sei bem o que é a violência escolar, pois já fui alvo dela. Fui insultada, humilhada e perseguida e nem os meus colegas se preocuparam, portanto Pinto Monteiro também não tem essa obrigação. No entanto, se prometeu, que cumpra! Não o aplaudo, como me recuso a apoiar e aplaudir todos os que prometem e não cumprem!

Carol disse...

Oh, António, está tudo na mesma... como a lesma!

Lusitano, a violência não é esquisita e, como tal ,toca a todos. Há, até, professores que a exercem. Independentemente das vítimas, há que combatê-la de forma eficaz e determinada.
Por acaso, "falam, falam e não fazem nada" era para ser o título deste post.

Guardião, é isso tudo, meu caro, é isso tudo!

Manuel Rocha, vai-me desculpar mas eu nunca insultei um professor ou agredi e olhe que nunca fui um anjinho! A minha turma de secundário sempre foi a pior em comportamento, mas o pior que fazíamos era jogar às cartas em plena aula.
Como professora, fui perseguida, seguida até casa, recebi telefonemas ameaçadores a meio da noite e fui insultada do piorio na segunda aula. A turma em questão era do oitavo ano...
Na verdade, a violência escolar é cada vez mais grave. As vítimas que o digam!

Carol disse...

Blue, eu cá não me importava de fazer uns treininhos com a ASAE! E é isso mesmo que tu dizes: disciplina precisa-se!

Quin: Ora nem mais!

Zé, os pais deveriam ser os primeiros a incutir a ideia de autoridade nos filhos. Se eles não o fazem, dificilmente haverá alguém que o consiga. Como tal, é preciso que haja uma política de disciplina, de rigor que lhes incuta determinados valores como o respeito e a obediência.


Sniqper: Exactamente, é em casa que tudo começa!

Dalaila disse...

Educação é urgente, em casa, na escola, situações básicas de educação não existem, educação cívica não há nem se a vê. Vivemos no vale tudo.

Tiago R. Cardoso disse...

Muitos continuam a achar que o problema está na escola, pode ser que em parte esteja.

As condições que o sistema fornece são muito más, seja para os professores, alunos, funcionários, as instalações muitas vezes inapropriadas, tudo factores que provocam um mau ambiente escolar.

No entanto o ambiente que se vive é um reflexo da sociedade lá fora, onde a criança transpõe para aquele mini universo, aquilo que vêem e aprendem no dia a dia.

O investimento maior tem de ser feito pelos país, embora actual sociedade não muitas vezes não dê tempo aos país para uma maior dedicação dos país aos filhos, tanto na educação das crianças, como na própria formação deles proprios.

bluegift disse...

A grande diferença, é que quando um aluno trata mal um professor este chega a ter medo de falar no caso aos colegas ou aos pais. A situação está de tal maneira viciada que a culpa acaba por cair-lhe em cima porque ninguém está para se chatear. Os pais porque lhes convém mais dar razão aos filhos e mais uma vez descartarem-se do papel de educadores evitando conflitos, e os colegas porque, a menos que seja lutar por um aumento de salário ou de regalias, não têm qualquer espírito de classe. É triste mas é verdade.

Carol disse...

Dalaila, há uma disciplina que se chama Formação Cívica. O problema é que de cívica só tem o nome...

Tiago, sinceramente acho que a falta de tempo não é justificação plausível. Tenho duas sobrinhas gémeas e os pais sempre trabalharam. Houve sempre tempo para elas e para lhes dar educação.

Carol disse...

Grandessíssima verdade, Blue. A classe docente não é solidária. Os pais, salvo raras excepções, estão-se nas tintas e ninguém se preocu+pa com estas questões.

Erotic Spirit disse...

Think u got it... it starts in the home, it is the parents duty to be an example to their kids. Educating a child is more than teaching math and reading... it is also to teach them to be socially responsible citizens and that is a parents' job not school nor teachers.

school violence should be punished, specially against teachers!! I did a good part of my schooling in portugal - Alenquer, and never witness any violence against teachers nor other school personnel
just between students. Any issues and parents were called in, that usually would imply physical punishment whatever the age

Carol disse...

That´s right, Erotic Spirit! Education is more than teaching/ Learning subjects. Education is much more than that!

Maria P. disse...

Esta semana no final de uma reunião escolar, o comentário final foi: durante 4 anos os pais (alguns, claro) nada aprenderam, não ouviram nada do que lhes foi dito sobre os problemas dos filhos, sempre desculparam as atitudes mais impróprias dos meninos...resultado ao fim de 4 anos, foi nos pais que mais se notou a falta de interesse, capacidade, em fazer algo para mudar o comportamento de uma turma com alguns problemas. O comportamento dos filhos...

Excelente post.
Obrigada.

Carol disse...

Maria, não tem que agradecer. Estamos aqui para isto mesmo. Muitos dos problemas existentes nas escolas derivam da falta de interesse dos pais pelos próprios filhos. Essa é uma verdade que não podemos escamotear.

Blondewithaphd disse...

Bullying, violence in schools against staff is shameful and neglected by the authorities and the governments not only here but a bit throughout the world. I think that students are at the center of all the educational system, but give me a break discipline is also a fundamental issue. I think you get my drift.

Carol disse...

Blondie: Sure I do! Discipline is needed in every fields, but in education is crucial!