Senhor, livrai-nos de haver petróleo no Beato ou em Torres Vedras!!!

“Aqui, não há petróleo e é bom que não haja. Quero ter paz!", replicava com veemência Maria Damas Santos, assim reagindo ao estudo geofísico do subsolo que pelos lados de Torres Vedras se vai fazendo.

Consta que, em Ponte do Rol, “os fios de cor laranja e preta não deixam ninguém indiferente. Atravessam ruas e estradas, sobem passeios e muros, entram nas propriedades e até nas habitações, desde que previamente autorizados”.

A nossa resistente, que não cedeu às pretensões da empresa norte-americana que anda por ali a esmiuçar o solo, garante que "foram pedir-me autorização, mas eu até tenho pouca fé com os americanos e não quero que estraguem os nossos solos".

Mulher de Deus, assim nos estragas as perspectivas de futuro!, vociferam entre dentes alguns dos seus vizinhos.
É que, alguns, já se imaginavam magnatas do petróleo a fazerem como os texanos que no auge do ouro negro mandavam encher as piscinas a águas “Perrier” ou como os sauditas a jogarem ao “Monopólio” com notas de euro verdadeiras.

Está na massa do sangue dos “tugas” esta aptidão para, em descortinando um nicho de mercado, uma oportunidade de negócio, conseguir folgar as costas e viver faustosamente.

Vinham as caravelas da Índia e iam directas à Flandres descarregar as especiarias que, rendendo grossa maquia, já estavam todas tomadas pois a Corte cedo se habituara a viver da conta corrente.
Tipo um deve e haver à moda das antigas mercearias.

“Devo 5000 moedas de ouro porque há 2 naus que vêm a caminho pejadas de sândalo, canela, pimenta e moscada! Faz favor, anote aí”, dizia lá o contabilista d’ El Rei e assim se fazia.

Depois veio o ouro do Brasil e tudo se gastou.
Grossos carcanhóis que se nos esfumaram das mãos.
Do Portugal de aquém e além-mar também nunca conseguimos tirar proveito que se visse.
E dos fundos comunitários que nos jorraram como água em bica aberta também se pode discutir alguns proveitos que por aí se fizeram.

Daí que esteja como a vizinha da nossa ajuizada Maria Santos que aos costumes e ao “pitrol” diz: "Somos pobrezinhos, mas temos terrenos ricos que nos dão batatas, trigo e vinho. Haja saúde para trabalhar que é a melhor felicidade que se pode ter. Não precisamos do petróleo".

Tenho para mim que seria o dia mais infeliz da nossa vida e existência colectiva.
Descobrir petróleo em Torres Vedras ou em qualquer lugar desta “piolheira” à beira mar plantada, seria um convite à balda institucionalizada.
Qual trabalho, qual caraças…

Viveríamos como nabados e marajás.
A gastar à tripa forra.
E já nem o Mundial 2018 os espanhóis veriam, pois seria coisa só da lusa nação.
E pontes sobre o Tejo?
E aeroportos?
E TGV’s?
Upa, upa … haja petróleo!

Claro está que tudo isto é do mais antipatriótico que existe.
De Cavaco Silva a Francisco Louça, passando pelos nossos José Sócrates e Luís Filipe Menezes, todos, em lendo isto, exclamariam: “Real besta! Cavalgadura asinina que estavas tão bem calada!”
Mas eu cá me mantenho na minha, petróleo nem no Beato nem em lado nenhum!

32 comentarios:

Carol disse...

Petróleo? Vá de retro, Satanás!!

Agora é que tu disseste tudo. Olha, a balda que não seria... A Assembleia da República passava a estar sempre vazia... Nem um lá punha os pés!!
Bem, sendo assim, se calhar até era boa ideia essa coisa do "pitrol"!!

Bruno Pinto disse...

Olá amigo Quintino. Após uma longa ausência minha, quer no meu blog, quer em comentários, motivada pela sempre desgastante época de exames, estou de volta a estas lides.
Sobre o post, e porque vi uma pequena referência ao Mundial'2018, quero manifestar a minha opinião: sou completamente a favor da candidatura de Portugal, conjunta com a Espanha ou não, à realização do Mundial de Futebol de 2018. Ao contrário dos defensores da desgraça, penso que poderia ser benéfico para o país.

lusitano disse...

Petróleo!!!
Nem pensar...
É tudo mau para o pessoal...
Então é coisa ... que nem se bebe!!!

Paulo Vilmar disse...

Quintarantino!
Quanta lucidez nos dizeres da vizinha da Maria Santos."Haja saúde para trabalhar que é a melhor felicidade que se pode ter. Não precisamos do petróleo".
Um tapa na cara dos políticos que imaginam somente situações faraônicas e nunca pensam na política dos pequenos! Deixem a vizinha e a Dona maria cultivarem suas batatas, trigo e vinho! Daqui a cinqüenta anos, no máximo, todos vão agradecer a este apelo...
Belíssimo post!
Abraços.

Zé Povinho disse...

Se mesmo com esta penúria que temos, isto é um festim para uns quantos nababos, imagine-se como sería com uns barris de pitrol...
Abraço do Zé

António de Almeida disse...

-Petróleo só no Beato, e deixe lá o Raul Solnado em paz, que aquele pitroil não nos causou qualquer dano, a não ser ao estômago de tanto rir...
-Claro que aparecer petróleo em Portugal está-se mesmo a ver, era já vender aos americanos ou chineses o direito ás receitas da exploração futura, e começar já a gastar por conta. Portugal não é mais que o espelho dos portugueses, em relação ao tempo dos descobrimentos, agora só faltariam os escravos, mas julgo que perante a existência de dinheiro na sociedade, não se importariam com o aumento do número de imigrantes, principalmente os menos qualificados, e muitos arranjariam logo quem trabalhasse para eles a baixo custo. De resto, é só verificar o que se passa na Arábia Saudita, e quantos cidadãos de países muçulmanos pobres andam por lá explorados, têm é de ser muçulmanos, nós não somos melhores, com a diferença que para explorar aceitamos qualquer um, assim tivessemos possibilidades.

quintarantino disse...

CAROL, petróleo em Portugal seria uma desgraça. Pela certa.

BRUNO PINTO se até 2018 construírem o aeroporto novo, o TGV e as auto-estradas que por aí falam e o défice estiver controlado, penso que podia ser um caso a pensar. MAs, meu caro, vamos ter de esperar dez anos para animar a nação? Safa ...

quintarantino disse...

LUSITANO ai não que não se bebe... andam por aí uns carritos que bebem daquilo!

PAULO VILMAR sou dos que defendem que se deve procurar conciliar o progresso com o respeito pelo Homem e pela Natureza. No caso, se tivesse de optar entre uma horta e um poço de petróleo, escolhia a horta.

quintarantino disse...

ZÉ POVINHO, meu amigo, seria como regressar aos tempos da Babilónia!

ANTÓNIO DE ALMEIDA vejo que ainda recorda essa revista, salvo erro com o Raul Solnado. Tenho uma vaga ideia de a ter visto na RTP e sempre achei giro o título.
No mais, sábias palavras e exemplo feliz que o amigo aqui nos traz.

Tiago R. Cardoso disse...

tens que ver a coisa pelo lado estético, então não seria bonito poços de extracção, ao lado uns postes da REN, mais ao lado uns eólicas, atrás umas chaminés...

Mais sério, espero bem que não, o necessário será um avançar para energias alternativas, limpas e que não sejam finitas.

O aparecimento de petróleo, embora traduzi-se uma certa independência perante outros, criaria no país uma maior dependência sobre o produto, o que significaria também um desinvestimento em fontes limpas de energia, como tem sido feito ultimamente, uma dependência que a longo prazo seria muito prejudicial para o país, quando falo a longo prazo falo em futuras gerações quando estivessem perante o esgotamento dos poços.

joshua disse...

Tarantino, vai-te conformando!

Quando ele jorrar, haverá um regresso em massa dos Portugueses da Diáspora a um Portugal de vinte milhões acotovelando-se de inércia.

Pensa o que quiseres da horta, é muito romântico, ecológico e tudo. Mas esse Petróleo pode ser a nossa salvação demográfica e a ultrapassagem da Espanha pela direita nos melhores salários da Península.

(É bom sonhar!)

PALAVROSSAVRVS REX

quintarantino disse...

TIAGO R. CARDOSO, eu o que mais temia nem era o desinvestimento em eólicas e afins e que tanto crescem por aí), era a preguiça nacional a entrar em pleno novamente!

JOSHUA, homem de dEUS, nós a eles (aos espanhóis, bem lido) só mesmo ultrapassando pela direita ... pela esquerda, cai-se ao mar!

lusitano disse...

«LUSITANO ai não que não se bebe... andam por aí uns carritos que bebem daquilo!»

Agora é que eu percebi a coisa...
Então aquilo também deve embebedar e por isso é que os carritos batem tanto uns nos outros...eheheh
Não é que seja coisa para rir esta calamidade nacional...mas enfim...

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querido amigo, como sempre li o teu texto, beíssimo ... Raramente comento!
Hoje desejo-te um dia especial, de S. Valentim.
Se tiveres tempo vai ao Fernanda e Poemas, tenho lá uma prendinha para ti.
Beijinhos de carinho e amizade.
Fernandinha

quintarantino disse...

LUSITANO, há que ter sentido de humor e de ... oportunidade. Gostei deste remate. Mas essa calamidade é uma desgraça a pedir reflexão séria.

FERNANDA & POEMAS não sabes o quanto gosto e aprecio as tuas visitas e as tuas palavras.

antonio disse...

Hum... não gostei. Oh, Quint nós com o petróleo do Brasil, somos o quê?

1- americanos
2- caraveleiros (mais uma vez)
3- exploradores de riquezas naturais alheias

Agradeço o teu esclarecimento.

Dalaila disse...

É bom mesmo que não haja... mas se houvesse mais uma vez não saberiamos o que lhe fazer, e destruiriamos qualquer coisa....

quintarantino disse...

ANTÓNIO, tu desde que me deste em escritor, andas muito exigente em matéria de escrita... mas eu faço de conta. És um contra, é o que é.

Quanto ao petróleo que dizem que temos no Brasil é a mesma coisa ... que proveito tiras tu daquilo? Ou és accionista da GALP? Ou assessor da Administração?

DALAILA parca em palavras, mas sábia no conteúdo.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Quint
Entendo e até concordo. O problema não está apenas em termos recursos que sirvam como moeda nas trocas comerciais. O problema está, essencialmente, na forma como gerimos esses recursos. Tudo o que gera riqueza é bom que venha e, inclusivé, o petróleo. Mas com um adequado modelo de desenvolvimento que permita obviar os inconvenientes que apontas.
Sobre os fundos comunitários, ocorre-me fazer-te uma pergunta: não continuam a chegar? Que destino levam? Quem os fiscaliza?
Um abraço

sol poente disse...

Notas Soltas
O Sol Poente congratula-se com a adesão do Notas Soltas à causa da pedofilia e dos maus tratos sobre crianças, sem dúvida uma das causas mais emblemáticas e que mais mexe com qualquer humano bem formado. Pode parecer pouco mas, lembrar que as situações continuam a existir e a proliferar sob olhar desentendido do poder em vários países, é dar um enorme contributo.
De igual forma é importante questionar outras áreas que interferem directamente na qualidade de vida e onde a solidariedade também é precisa porque o mal é sempre empurrado para cima dos mais fracos.
É o caso, por exemplo, dos problemas ambientais,em que o Notas Soltas, tal como noutros temas, tem dado excelente contributo nas diferentes abordagens que apresenta.
A equipa do Sol Poente agradece

quintarantino disse...

LÍDIA, minha cara amiga, aí está o busílis da questão: modelo de desenvolvimento adequado e umas legítimas inquietações e interrogações que podemos e devemos ter sobre a boa aplicabilidade de fundos comunitários.
É por isso que quase apetece dizer que "petróleo, não obrigado!"

SOL POENTE, agradecemos e registamos os votos que endereçam à equipa do NOTAS SOLTAS. Podem sempre contar com a nossa ajuda. Parabéns ao notável trabalho que têm efectuado.

O Guardião disse...

Ó amigo, anda muito mal informado! Já descobriram por cá o tal petróleo, ali para as bandas de S. Bento. Afinla ainda não deu pela abastança em que se movem aqueles que têm cotas naquele poço?
Cumps

bluegift disse...

Boa crónica, dear Quint.
Estamos num beco sem saída: por um lado necessitamos de dinheiro e por outro quando o temos toca de esbanjar ou fazê-lo cair nas mãos de uma minoria. E no meio disto passamos a vida a exigir uma melhor qualidade de vida, leia-se, a possibilidade de gastar mais e mais e de usufruir de mais e melhores serviços. Qual será a saída deste imbróglio?

quintarantino disse...

O GUARDIÃO, caríssimo e então ninguém avisou os americanos que as jazidas que procuram estão ali em S. Bento? Andam eles por Torres Vedras...

BLUEGIFT, obrigado pelo elogio. Sempre bem recebidos, especialmente vindos de leitora/colaboradora tão exigente.
Quanto à dúvida, pois ... um meio termo, não se arranjaria?

Compadre Alentejano disse...

Mudei de operador de Internet, daí a minha ausência da Blogosfera durante cerca de 2 dias. Mas estou de volta, e só espero que a Netcabo seja melhor que a Sapo.
Há muito que se faz prospecção de petróleo em Portugal. Encontraram já algumas áreas positivas, mas sem interesse comercial. São quantidades exíguas sem interesse e a uma profundidade de mais de três mil metros.
Mas é melhor assim. Quanto mais tarde, melhor.
Um abraço
Compadre Alentejano

Blondewithaphd disse...

Well... Oil still rules the world Quinn! I could picture myself with one or two oil drills... I mean... if the others can, why couldn't we? Perrier in the swimming pool? But that does wonders for your skin my dear!
Fora de brincadeiras, o petróleo tem os dias contados, é melhor olharmos para outras fontes de riqueza. Or else... tu pões-te como o Antero e vais escrever o segundo volume das "Causas da Decadência dos Povos Peninsulares"!

NÓMADA disse...

Não resisto ao Guardião e ao Compadre Alentejano.
Para o Guardião quero dizer que deverá registar a patente da descoberta de petróleo em S.Bento.Há muitos interessados nessa jazida. Sei que não é o seu caso mas, por aquilo que escreve, bem gostaria que fosse.

Compadre Alentejano, meu amigo, mudou do Sapo para a Netcabo? Pois eu mudei da Net Cabo para o Sapo. Sabe porquê? Por cortes frequentes na net. A última vez foi de 3,5 dias. Gastei perto de 100 euros em chamadas telefónicas até que fui ao Shopping de Cascais dar baixa do serviço. Paguei até ao fim do mês e nem sequer tiveram a correcção de me descontarem, na factura, os dias que estive sem net. Desejo-lhe mais sorte que a que eu tive.

Quint
Dá vontade que não haja petróleo, realmente. Mas eu ainda prefiro que haja. Não nas mãos que o vão explorar nem nem sob a égide destes desgovernos.

Um abraço

quintarantino disse...

COMPADRE ALENTEJANO Espero que a mudança lhe corra de feição.

Quanto à tal prospecção que já se faz, podemos ver a coisa por duas perspectivas: é melhor não aparecer petróleo enquanto não se tenha descoberto a fórmula que nos permita mudar a mentalidade reinante ou, a outra, ... raio de "piolheira" que até nisto temos azar!

BlondewithapHd e eu não sei? Depois das prédicas que a menina me deu, eu não havia de saber?
Lá quanto ao banhar-se em "Perrier" ...
Quanto ao livro, eu alinho ... o pior era quando me viessem fazer perguntas. Ah, já sei ... era só dizer: "Olhe, fale ali com a loura da minha secretária!"

NINHO DE CUCO disse...

QUINT

Quanto à tal prospecção que já se faz, podemos ver a coisa por duas perspectivas: é melhor não aparecer petróleo enquanto não se tenha descoberto a fórmula que nos permita mudar a mentalidade reinante ou, a outra, ... raio de "piolheira" que até nisto temos azar!

Nenhuma frase diz melhor do que esta aquilo que sinto. Temos que procurar fora da piolheira.
Um abraço

Peter disse...

O meu cunhado pretendeu contratar pessoal desempregado para lhe apanhar azeitonas numas oliveiras centenárias que tem lá para o Alentejo.

- Apanhar azeitonas, era o que me faltava, o subsídio de desemprego chega-me bem.

É "reaccionário"?

Pois ...

Passem lá pelo Alentejo e vejam extensos olivais espanhóis.
Explorações agrícolas holandesas e alemãs.
Vinhas espanholas.

Ah! E pequenas antigas herdades, vendidas à média burguesia lisboeta, com as suas piscinas cheias utilizando "electricidade verde".
E, principalmente, os "green" dos grandes empreendimentos, idem, idem,aspas.

E os antigos lavradores alentejanos?

Vivem dos subsídios da UE: planta, arranca, planta, arranca ... e vão vendo toda a temporada tauromáquica em Espanha.

E, por favor, não me venham com tretas. Conheço bem os locais e as pessoas.

Com o petróleo seria "o fim da macacada".

quintarantino disse...

NÓMADA, minha querida amiga, proponho-te uma "joint venture": exploramos a coisa a meias. Deve dar para ambos, não?

NINHO DE CUCO, perfeitamente de acordo. Temo é que também aqui sucedesse como aquela passagem de Garrett e do cão ... "Foge cão que te fazem barão ... para onde se me fazem visconde?". Isto do petróleo é coisa do arco da velha.

PETER um retrato actual de Portugal no seu pior!

jo ra tone disse...

Se o petróleo fosse apenas usado para fins medicinais, como no inicio da sua descoberta em Israel, o nosso mundo não era este!