Portugal, Portugal ... não te governas, nem te deixas governar!

Enquanto José Sócrates anunciava mais umas quantas medidas para o bem do País e pensava nos três anos de mandato, lembrei-me que, a querermos ser justos e rectos, temos de admitir que nem tudo é péssimo ou mau.
Pois se até Pacheco Pereira concede nalguns domínios do “Simplex”

Li algures que quem resmunga e reclama o faz apenas porque não pode comprar um LCD hiper, antes um de média dimensão. Penso que quem tal escreveu deve ser um “pipi” urbano que nunca descobriu o que é viver nalguns sítios deste nosso Portugal ou sequer andou no meio do suor do povo em hora de ponta num autocarro dos STCP ou da Carris, por exemplo.

Sócrates tem-se esforçado, na recta final, por combater a ideia de arrogância que deixou que se lhe colasse. Se isso vai chegar para dissipar as nuvens que sobre si pairam em matéria de suspeições sobre o seu carácter só o tempo o dirá.

E desconfio que na hora certa o povo, magnânimo, lhe perdoará. Portugal gosta de quem surge com uma imagem de decisor e de mão firme.

Já assim era com Cavaco Silva que ganhava por maioria absoluta, embora o mais frequente era ouvirmos “eu nem votei nele…”!

O busílis da questão é que eu penso que os antigos de facto tinham razão quando afirmavam que somos uma nação que não se governa nem se deixa governar.

Ao correr da pena vou dar alguns exemplos concretos. Sucintos, pois não quero ser maçador.

Num hospital público (embora sob a dita gestão empresarial) uma paciente, por acaso minha filha, vai ao serviço de Ortopedia retirar o gesso a um pulso partido. Médico de banca imaculada, de poucas falas e ainda menor simpatia. Serviço feito, indicações fornecidas e o aviso: “Nas próximas duas a três semanas não pode fazer exercício físico”. Natural e evidente surge o pedido de uma declaração médica nesse sentido. Resposta: “Eu ainda tenho mais gente para ver e estava bem aviado se tinha de estar para aqui a tratar de preencher papelada!”

Na EN206, que atravessa a localidade onde resido, existem uns semáforos numa passadeira avariados há mais de dois meses. Reclamei junto das Estradas de Portugal. Dizem-me que é com a Câmara Municipal. Nesta que é com as Estradas de Portugal… e andamos nisto.

Desconfio, e até já perguntei, se alguém se apropriou do domínio público rodoviário?

Numa escola secundária, num processo de avaliação externa, a preocupação foi arregimentar pais e encarregados de Educação que enaltecessem as virtudes da escola denegrindo as de escolas vizinhas. Dá para acreditar?

Mas aos que nos lêem e já exultam pensando que me converti às virtudes do liberalismo, eu agora dou outros exemplos.

Tenho um vizinho que há mais de quinze dias espera que o picheleiro (que não é funcionário público) se digne ir lá a casa mudar-lhe uma torneira. Bem sei, bem sei… foi a outros e nalguns ladinamente disseram que “para mudar uma torneira, não compensa!”.

Ontem, a ASAE, em apenas duas sortidas, apanhou 9 toneladas de alimentos fora de prazo de validade e estragados. Alguns destinados a lojas ditas “gourmet”, ou seja, topo de gama onde lhe vendem zurrapa a preço de ouro!
E quatro toneladas eram delícias do mar que estavam a ser embaladas de novo para serem postas à venda!

Tenho para mim que Portugal é mesmo uma parceria público/privada na versão “piolheira” onde cada um trata é de se safar enquanto trama a vida ao vizinho.

Se é no sector público é porque são uns calaceiros; se é no privado andam a ganhar o deles?

Mas digam lá mesmo se na maior parte das situações o que mais campeia não é mesmo a mediocridade?

E sendo assim, quando Guterres e Barroso fugiram na primeira oportunidade, ainda querem que Sócrates não hesite em se candidatar?

44 comentarios:

António de Almeida disse...

-Falta uma cultura de premiar o mérito, felizmente ontem foi dado um passo para o fim das progressões automáticas, uma bizarria lusa, que vê promover um incompetente face a um mais capaz, apenas por antiguidade. Esta é a ASAE que quero ver actuar, cumprindo os objectivos para que foi criada, quanto aos produtos serem destinados a lojas gourmet (???) congelados gourmet(???) delícias do mar(???), nunca tal vi nessas lojas. Socrates beneficia da completa inércia da oposição, Luis Filipe Menezes apareceu 3 vezes na última semana, não acertou uma, assim é impossível. Enquanto o estado não se deixar de querer dar tudo a todos, o país não irá longe, a carga fiscal é asfixiante, essa é a origem do mal, a carga fiscal, não o cumprimento das obrigações, a excessiva carga fiscal, para cada 100 euros que a economia produz, quanto arrecada o estado?

Jorge A. disse...

"Enquanto o estado não se deixar de querer dar tudo a todos, o país não irá longe, a carga fiscal é asfixiante, essa é a origem do mal, a carga fiscal, não o cumprimento das obrigações, a excessiva carga fiscal, para cada 100 euros que a economia produz, quanto arrecada o estado?"

Certamente caro António de Almeida, mas a questão que eu coloco é: o estado quer dar tudo a todos, ou tudo e todos querem que o estado lhes dê alguma coisa? É que acho que funciona nos dois sentido, e isso é que é verdadeiramente preocupante. O Estado quer-nos dependente dele, e a maior parte das pessoas sentem-se dependentes do Estado. Sendo assim, entra-se num circulo vicioso.

lusitano disse...

Pode ser que eu esteja a ver mal a coisa, mas parece-me que apesar disto ser tudo bastante mau há sempre uns que se querem candidatar ao lugar.
O problema, acho eu, é que não são os mais competentes, porque esses pelos vistos andam pelo privado a ganhar o que desejam e não desejam.
Não é verdade que para colocar um pouco de ordem nas contribuições e impostos foram buscar um homem do BCP a ganhar o que ele lá ganhava?

Kalinka disse...

A liberdade permite-nos amar e odiar, ajudar e escapar, dar aos outros ou acumular para nós próprios. Talvez os jovens vivam com uma intensidade especial o mistério da liberdade. Quando somos meninos, a presença e o controlo dos pais evitam muitos caprichos e livram de muitos perigos. O adolescente, pelo contrário, sente que a vida está cada vez mais nas suas mãos. Os perigos são os mesmos, mas as pessoas mais velhas pressupõem que o jovem já está mais maduro para os enfrentar melhor. Contudo, há muitas armadilhas subtis, misteriosas, que o podem atrapalhar, que o podem destruir na sua própria liberdade.

Ando com muita necessidade de conversar, ando desanimada pois aqui no trabalho existe uma repressão enorme só para mim, eu aproveitava a m/hora de almoço para visitar os vossos blogs e, até isso...foi-me «proibido» ficar no gabinete...enfim, há gente tão má, eu pergunto:
Que andam a fazer pelo Mundo estas pessoas más? Pena é que as boas vão-se...infelizmente.

Beijinhos. Até sempre.

quintarantino disse...

ANTÓNIO DE ALMEIDA, falta uma cultura de premiar o mérito, mas é em todo o lado. Não é só no sector público ou quer-me dizer que os exemplos pouco edificantes dados pelas pensões vitalícias de Teixeira Pinto, por exemplo, resultaram única e exclusivamente do mérito e nada mais que isso?

Quanto à questão dos produtos apreendidos pela ASAE a sua rábula em torno das lojas "gourmet" só pode resultar de deficiente escrita minha!

Mas espere lá, eu primeiro falo no total e digo que desse total uma parcela é que era para as lojas "gourmet", certo?
E só depois é que digo que daquele total outra parte eram delícias do mar, correcto?
Onde foi buscar a ideia que eu disse que era tudo para lojas "gourmet"?

JORGE A eu diria, no seguimento do que faz, que existe uma ligação umbilical entre Estado e sociedade civil. Pelo menos entre nós.

quintarantino disse...

LUSITANO, você não está a ver mal a coisa, não senhor...

Quanto ao Dr. Paulo Macedo teve e tem os seus méritos, isso é inquestionável.

Mas, veja bem o exemplo também muito oportuno dado por um dos dirigentes do COMPROMISSO PORTUGAL. Estado fora da economia, Estado fora daquilo, menos Estado mas, na primeira ocasião, mandem as facturas que nós pagamos. E, como assinala alguma imprensa, foi nesse tempo o período aúreo da empresa. Vocês sabem de quem estou a falar!

KALINKA, resistir, resistir é a solução. Eu compreendo do que falas. Compreendo e mais não posso dizer.

bluegift disse...

Kalinka,
Não sei qual é a situação e é evidente que tudo depende do contexto, mas quero lembrar-te que é para isso que os sindicatos servem, para defender os trabalhadores das situações de assédio psicológico. Recolhe todas as provas que possas ter e se possível de testemunhas e informa-te junto de um sindicato do procedimento que deves seguir para evitar abusos psicológicos e na carga e horário de trabalho. Não tenhas medo, mas sê discreta.

Quint boy,
Que queres que te diga? Que se ue tivesse no lugar do Sócrates íria governar para outra freguesia onde fosse mais reconhecido? Sim, não tenhas dúvida.
A corrupção e os desgovernos não são melhores em muitos outros países, corrupção fuga ao fisco, crimes, cheias, poluição, incêndios e outros. Nem imaginas o que se está a passar actualmente na Bélgica, um autêntico baril de pólvora pronto a explodir em qualquer momento. E tenta ver a RTBF, notas alguma coisa? Histerismos, má língua ou experts do bota-baixo em cada esquina? Certamente que não.
Portugal só é bom para os maus políticos, são os únicos que se estão a borrifar para as críticas, impossível sentirem-se injustiçados.

Blondewithaphd disse...

Francamente, nem sei que te responda! Fazes cada pergunta!! Eu não me interessa se está lá o Sócrates, o Guterres, o Santana (bem esse por acaso importei-me), o Cavaco ou lá quem seja, é sempre a mesma coisa, a mesma inépcia, a mesma inacapacidade de dar a volta a um país cronicamente asfixiado, vergado aos impostos e à corrupção. E como não acredito num D. Sebastião...

Zé Povinho disse...

Estes são maus, os anteriores idem, os candidatos às próximas eleições não são diferentes, digam-me lá se eu posso sequer equacionar a possibilidade de votar em alguém?
Abraço do Zé

quintarantino disse...

BLUEGIFT, minha querida tu diz-me o que quiseres ... bem sabes que vindo de ti é sempre bem recebido. É que tu ideias tolas, ao contrário de mim, poucas tens!

Adorei a tua conclusão de que "Portugal só é bom para os maus políticos, são os únicos que se estão a borrifar para as críticas, impossível sentirem-se injustiçados". Tens razão aí. Má sorte é nós termos de aqui aguentar com os tipos!

BLONDEWITHAPhD>, olha, olha ... e tu não sabes o que me dizer? Tu?

Quanto à tua descrença, aqui o assessor bem diz à menina ... bem diz. E mais não digo!

antonio disse...

Quint bom texto e gostei dos sabores regionalistas com que coloriste a escrita.

Calaceiros? Confesso a ignorância.

Realmente o Sócrates ou é um homem de coragem, ou não se importa de ganhar por falta de comparência dos adversários...

Quanto ao teu médico, procura-o no privado e vais ver que a má impressão é completamente infundada!

quintarantino disse...

ZÉ POVINHO "Digam-me lá se eu posso sequer equacionar a possibilidade de votar em alguém?" - pergunta o amigo.

É capaz de ter razão mas como lhe disse, em branco não, em branco não. Antes nulo! Vá por mim.

ANTÓNIO, vindo de ti, esse elogio é como uma pérola.

Calaceiros? Preguiçosos ...

Médico no privado? Naquele caso tinha de ser público pois a lesão da herdeira resultou de um acidente escolar. E depois, à boa maneira portuguesa, eu no público também me desenrasco ... o meu cunhado é lá médico!

Tiago R. Cardoso disse...

Mediocridade ?

Não, o que reina é o “chico- esperto”, o deixa-me safar antes que o outro chegue primeiro, passa-se por cima dos outros para ver que chega primeiro ao lucro, aos holofotes da fama, ao protagonismo.

Entretanto se der “barraca”, rapidamente muda-se de posição, procura-se outro abrigo e passa-se as culpas ao outro.

Privado ou no publico, como em todo o lado existe coisas más como coisas boas, infelizmente o preconceito contra certos sectores da sociedade, faz parte da cultura tradicional, diga-se que na maior parte dos casos é por inveja de não estar lá também.

Tenho também quase a certeza que este povo que se queixa, que grita por ai as injustiças, que se diz oprimido, explorado, escravizado, em 2009 irá facilmente esquecer.

Possivelmente irá esquecer porque neste tempo que falta lhes será distribuídas umas guloseimas, para quando chegar a altura e de boca doce, o povo irá esquecer o amargo porque passou, mas também pelo facto da alternativa não existir, pelo menos não se consegue ver no meio da confusão em que está envolvida.

quintarantino disse...

O post de hoje foi colocado sob a égide do título "Portugal, Portugal".

São ali apontados pequenas notas de uma realidade que nos entristece e esmaga.

Mas há mais. Hoje, por exemplo, a agência LUSA está a noticiar o que segue:


Uma invenção portuguesa premiada no estrangeiro para protecção de imóveis contra inundações continua na gaveta do inventor, Fernando Gonçalves, no Fundão, por falta de investidores.

Para Fernando Gonçalves - que mostra o Aquastop ou sistema "anti-cheias" lado a lado com a medalha de prata atribuída pelo júri do Salão Internacional de Invenções de Genebra (Suíça) em 2002 e uma medalha de ouro do Salão Imaginária em Vigo (Galiza) em 2007 - a invenção "é capaz de evitar prejuízos causados por inundações, como os dos últimos dias nos distritos de Lisboa e Setúbal".

"O protótipo recebeu nota positiva num parecer do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC)", disse à Agência Lusa, ao mesmo tempo que lamentou que a falta de capitais próprios e de investidores o impedem de passar de um protótipo para um modelo com aplicação prática.

"Se me dedicasse a produzi-lo por medida, acho que ia ter procura. Mas era preciso capacidade financeira para montar o negócio e arrancar", disse o desenhador projectista, actualmente desempregado.

Para já, a sua principal preocupação é encontrar um emprego e só depois pensar no projecto Aquastop. "Não podemos viver só das invenções. É um mundo de incertezas, sobretudo em Portugal", acrescentou.

A invenção em si "é muito simples", disse Fernando Gonçalves, explicando que é constituída por duas placas de PVC, que se aplicam, por exemplo, nas portas das habitações, com a altura que o cliente quiser para o proteger do nível das águas.

As placas são vedadas com borracha, que as tornam estanques. São articuladas com dobradiças e um extensor que lhes aplica força contra a soleira e caixa das portas ou montras, vedando a passagem de água.

"Nem vale a pena comparar isto com areia ou outros materiais. Para além de ser um absurdo e incómodo pensar em ter sacos de areia em quantidade para proteger cada casa, não dão tanta segurança face ao avanço das águas como esta invenção", sublinhou Fernando Gonçalves.

O sistema "anti-cheias" nasceu em 2001, "depois das inundações que afectaram todo o país. Pensei que poderia fazer algo simples para evitar os prejuízos", afirmou.

Chegou a receber contactos de "indústrias de moldes de plático, interessadas em produzir o sistema em série, mas isto é um produto que tem que ser feito por medida para cada porta". "Não pode ser fabricado em série", o que inviabilizou que os contactos avançassem.

O inventor está certo de que o Aquastop seria "certamente mais barato que os prejuízos que as pessoas têm com as inundações", apontando um valor entre 300 a 400 euros como ponto de partida para a instalação.

A ideia está associada a uma outra: uma rede de sensores instalada em pontos estratégicos do solo, em ruas ou bairros, e que emita uma aviso quando determinado nível de pluviosidade acumulada foi atingida.

"Esse alerta de inundação iminente serviria para as pessoas colocarem as suas protecções. Mas isso não passa de uma ideia", acrescentou.

É triste, não é?

Tiago R. Cardoso disse...

Mais um a dizer que Sócrates é bom :

Luís Campos e Cunha, ex-ministro das finanças
"Sócrates é o melhor primeiro-ministro... dos últimos 5 anos"


No entanto entre Sócrates e o "vazio" Santana, prefiro uma picanha e um verde fresco.

Fa menor disse...

Há sempre por aí alguma mediocridade à solta que nos persegue!...
Ou vamos na onda, ou remamos contra a maré!
A escolha é nossa!

Muito bom o texto, Quint!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Estou de acordo com várias teses que defende:

1) Os portugueses gostam de autoridade e de lideres "fortes".
2) De certo modo, são ingovernáveis e não gostam de mudança.
3) São mauzinhos: safam-se tramando o "vizinho".

Quanto ao liberalismo, devo confessar que o que falta em Portugal é "espírito liberal". O liberalismo não é aquele pensamento político mau. Há um liberalismo de Esquerda. :)
José Sócrates sempre é melhor que os anteriores! :)

SILÊNCIO CULPADO disse...

QUINT
Há todo um caminho a percorrer em termos de cultura e comportamentos. E, assim, talvez seja de questionar a quem caberá essa revolução de mentalidades.
Relativamente ao nosso PM José Sócrates, é prematuro especular sobre possíveis resultados. Outros cenários, que não os actualmente projectados, poderão surgir. A grosso modo, e com base apenas no senso comum, vejo pessoas que votaram e/ou militam PS, integrarem manifestações anti-Sócrates. Poderá ser um indicador de que algo está a mudar.
E já agora: porquê voto nulo em vez de branco? O voto branco é um voto validamente expresso e o nulo não!
Abraço

quintarantino disse...

TIAGO R CARDOSO, também não deixa de ser verdade que o que reina é o dito "chico- esperto” e daí às restantes barbáries é um pequeno passo.

Gosto dessa visão que existem coisas boas e más, assim como pessoas, tanto no público como no privado. Houvesse mais quem...

FÁ MENOR devemos sempre exercer esse direito inalienável de fazer com que a escolha seja nossa.

E nunca esquecer que esse direito se conjuga com um dever que passa pelo respeito pelos outros.

bluegift disse...

E porque é que ele não o vai vender no Reino Unido ou na Alemanha? (na Bélgica não aconselho, tratavam logo de fazer cópias rascas e roubar-lhe a patente...).
De certeza que haverá forma de adaptar o pvc às portas in loco durante a instalação. Entendidos do assunto não devem faltar lá por aqueles lados.
E depois a gente compra aos outros! O costume...

quintarantino disse...

J. FRANCISCO SARAIVA DE SOUSA, também posso concordar consigo quando diz que há que discernir entre "liberalismo" e "espírito liberal".

É que aquele é normalmente utilizado num sentido político-económico e surge associado a uma prática capitalista da pior espécie.

LÍDIA Eu, grosso modo, insisto que também no tempo de Cavaco Silva hava contestação generalizada, havia "O Independente" e chegava-se às eleições e o PSD tinha maioria absoluta. No dia seguinte ninguém tinha votado no PSD outra vez.

Lídia, eu aconselho o voto nulo porque já vi o que alguns fazem aos votos brancos. Para bom entendedor ...

Carol disse...

Vão-me perdoar todos os que já comentaram mas, para já, apenas li o post do Quin e será só sobre ele que me vou debruçar (a falta de tempo a isso obriga).

Para já, está excelentemente bem escrito e, mais importante, vê-se que foi escrito de forma sentida.

Concordo em absoluto com tudo o que disseste e acrewscento, ainda, que o problema de Portugal não são sómente os políticos. Somos todos nós que alinhamos no dicurso do facilitismo e do deixa andar.

Portugal necessita urgentemente de uma mudança de mentalidades, de educação feita com base em critérios de excelência e não de mediocridade. Só assim, só assim poderemos renovar o país e melhorá-lo no seu todo.

indomável disse...

Quinty,

O problema do pais está nas mentalidades e é por ai que temos de começar. Recordo-me de quando estava a crescer a minha mãe me mostrar o certo por contraposto ao errado. A honestidade do meu pai era já na altura como uma coisa rara que hoje é de facto algo praticamente extinto. Ao meu pai chamavam um homem fora do seu tempo, por não aceitar um suborno, por não contornar os livros da contabilidade, por não apresentar facturas falsas...
Hoje ensino os meus filhos que se alguem chegou primeiro é atrás desse alguém que devemos ficar. Ensino-lhes que não se leva para casa nada que não seja nosso e também lhes ensino que se deve dizer obrigado, se faz favor e com licença...
A propósito desta coisa tão despropositada como as mentalidades tenho a dizer-te tão somente isto: ao atravessar uma estrada, eu e os pequenos parámos na passadeira, o trânsito não estava para brincadeiras e se os condutores têm obrigações também as têm os peões.
Ao nosso lado uma senhora idosa fez-se à estrada sem sequer olhar para o trânsito. Quem vinha ao voltante deveria adivinhar que ela lá estava e parar. O carro que não a tinha visto sair detrás de um carro estacionado travou a fundo e guinchou no pavimento. A senhora acabou de atravessar e enquanto esbracejava e barafustava com o condutor do carro, olhava para mim e os miudos, aguardando que acabássemos de atravessar. Enquanto atravessávamos os pequenos iam observando a cena, absorvendo todos os pormenores. Chegados ao lado de lá, a senhora dirigiu-se-me nestes termos - já viu estes cabrões? mete-se-lhes um voltante nas mãos e parece que são uns lordes e podem fazer tudo!
Ao que respondi - pois é, é como aqueles que só porque têm pés pensam que podem atravessar onde querem, como querem e sem pensar. Todos temos responsabilidade pelo que fazemos e todos temos obrigações!
A senhora percebeu, meteu a bola no saco e lá foi andando sem sequer olhar para trás.

As mentalidades, meu amigo, é isso que temos de mudar. Formar mentalidades era o que as sociedades deveriam ter em conta em primeiro lugar. Os cidadãos querem que se lhes dê tudo sem contrapartidas, sem obrigações, apenas direitos.

quintarantino disse...

CAROL, obrigado pelos elogios e pelo complemento que fazes ao texto.

Quando puderes, lê os comentários pois por aqui é tudo gente que contribui com ideias válidas. E, como sabes, considero (e sei que tu também) que é daí que nasce a luz.

INDOMÁVEL , cara Indy, toda a razão, toda a razão.

Exemplos como os que eu apresento podem e devem ser complementados com exemplos como os que nos apresentas.

Ultimamente as gentes do nosso País têm uma noção algo esquisita da convivência em grupo pois tendem a só conhecer os seus direitos e a olvidar os inerentes deveres.

mac disse...

Sim, o Zé Tuga é lixado...Ainda agora a lei anti-tabaco saiu, e já os restaurantes e discotecas andam a ver as lacunas da lei de modo a puxar a brasa à sua sardinha. Somos 1 país de xicos-espertos que tentam sempre safar-se, e muitas vezes fazem-no à custa dos outros; onde se tem a mania de olhar para o vizinho do lado, falar mal dele e invejá-lo; tentar desresponzabilizar e atirar as culpas para cima dos outros.
E os que deviam dar o exemplo, os que representam a Republica são os primeiros a cometer todas estas falhas. Se calhar, temos o 1ºMinistro que merecemos...

SILÊNCIO CULPADO disse...

Quint
Desculpa lá: estive várias vezes em mesas de voto e nunca vi fazer nada aos votos brancos mas se visse chamava a polícia e fazia um escarcéu que se sabia de Norte a Sul.
Relativamente à comparação com os tempos de Cavaco Silva, e sou absolutamente imparcial no que digo,agora não tem nada a ver.
Antes eram casos pontuais, agora não. Isto é senso comum mas o tempo o dirá.
Um abraço

quintarantino disse...

BLUEGIFT sempre atenta, sempre atenta!

A pergunta que fazes sobre a não ida do inventor ao Reino Unido ou à Alemanha serve para ilustrar às mil maravilhas aquilo que eu quis deixar antever e que se prende com o ficarmos a ver e à espera que D. Sebastião nos bata à porta.

MAC se calhar temos mesmo ... e os autarcas e muitos outros exemplos. Questões importantes as que aqui nos deixas.

Tiago R. Cardoso disse...

Lídia,
desculpa estar a meter, mas gosto de conversar e trocar ideias.

Eu nasci num terreola, onde todos se conhecem e são muito amigos.

Embora não estando lá na mesa de voto, conheço muita gente que lá esteve, acredita que as historias que me contaram são de por os cabelos em pé.

Acontecem coisas realmente muito estranhas, infelizmente provas não existem, não querendo passar por Marinho Pinto, mas que é cada uma podes ter a certeza que é

SILÊNCIO CULPADO disse...

Tiago
Desculpa lá. As mesas de voto têm representantes dos partidos e fiscais também de diferentes partidos.Olha o do PCP nunca falha e nunca deixa passar nada. Está sempre a pedir certidões de tudo. O que acho muito bem.Os votos são conferidos na presença de todos, como é que isso acontece? E se acontece deve ser denunciado no momento certo. As irregularidades devem ser corrigidas e punidas.Ou não será?
A solução é anular o voto do eleitor?

quintarantino disse...

LÍDIA, estou plenamente convencido que o Tiago se queria referir à utilização dos votos em branco para acertos de contabilidade entre votos entregues à secção de voto, efectivamente usados, inutilizados e depositados na urna.

Também já estive em secções de voto e, aqui e ali, tive de providenciar para que se evitassem algumas coisas menos certas.

E já presidi a secções de voto e bem sei que é preciso olhos mil!

Quanto ao cavaquismo, cada um tem a sua opinião.
Mas eu só estava a dar um exemplo...

TIAGO conforme o meio e a assembleia de voto... há um caso que entrou quase para o anedotário nacional.

Numa assembleia de voto, chegados à hora de almoço, os membros da Mesa decidiram ir todos almoçar. Fechando até a secção. Para não haver problemas com a urna, membros da Mesa e delegados dos partidos presentes, deliberaram que o mais honesto levava a urna para casa. Assim se fez. conclusão ... eleição anulada!

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Os portugueses já foram aqui bem adjectivados: uns trapaceiros e invejosos. Contudo, somos portugueses e devíamos fazer alguma coisa para mudar. Mas parece que não fazemos nada. Logo, também somos "trapaceiros". Ou estarei enganado? Pessoalmente, acho que o tuga típico é inseguro, pouco criativo, baixa auto-estima e daí que não deseje a mudança, talvez por não confiar em si mesmo. É uma criatura umbilical. Fala muito mas não faz nada pela comunidade! :)))

SILÊNCIO CULPADO disse...

QUINT/TIAGO
Como um debate de ideias deve ser claro, eu explico a minha perspectiva do voto branco.
O voto branco é o voto de alguém que não se enganou a votar. É o voto de alguém que participa activamente mas que não se revê em nenhum partido. E é um voto que na contagem, se esta cumprir as regras, tem um forte significado político caso a votação seja expressiva.
Em meu entender, e já o disse antes, a alternativa a Sócrates não será o Menezes. Isto quer em termos do desejável quer em termos de análise, também a grosso modo, do sentir das pessoas actualmente.
Penso que Sócrates se candidatará e que é tudo jogo fino para levar a água ao moinho. Ele é um homem indiscutivelmente inteligente e que tem um sexto sentido que sabe utilizar.

Um abraço

joshua disse...

Eu sou contra o voto preto. É preciso votar colorido. Sou contra o voto branco também.

O País é difícil e de fugir, sim, senhor, Tarantino. Anda tudo a lixar o vizinho.

E não te admires que, acabado o tabu e candidatando-se o homem, eu vote em Sócrates, só para meter nojo!

Porque tudo me passa pela cabeça. Se o declinar gradual da Mania, da Arrogância vier para níveis de humildade stripteaseana das próprias fraquezas, eu votava nele:

«É verdade, portugueses, a minha licenciatura só uma ASAE das Licenciaturas para a dar como fora de prazo!»

«Sim, portugueses, eu desenhei aqueles monstros a que se dá o nome de casas! E, sim, ultrapassei o Fisco no processo.»

Um homem capaz disto mereceria o meu voto. Ou não aprendemos que se deve perdoar aos arrependidos? Quero ter mil anos de perdão e não sou ladrão!

De resto, gosto de bater nele. E nada mais estimulante que outros quatro anos para lhe dar coça grossa, como até aqui.

(Penso exactamente como a Indómita quanto ao atrevimento autoritário de certos Peões Irracionais que se portam com os Pés-nas-Passadeiras como os outros à Louca com o Volante).

PALAVROSSAVRVS REX

quintarantino disse...

J. FRANCISCO SARAIVA DE SOUSA, homem de Deus, que mauzinho! Mas gostei da imagem umbilical.

LÍDIA eu percebi e sei que também percebeste o que eu queria dizer. Até no momento magno da democracia há os espertos que tentam armar a barraca ...

JOSHUA, ah homem ... tivesses tu podido chegar aqui a tempo e horas e eu tinha visto desabar-te o céu em cima da cabeça. Tu bem sabes, olha-me o António que me sabendo socialista e votante do nosso Primeiro me gosta de alfinetar constantemente. E tu a reinar mandas aqui uma dessas ... é de homem!

Peter disse...

É a nossa realidade quotidiana. Toda a minha vida tem sido feita utilizando os transportes colectivos em Lisboa e consegui sobreviver.

Os antigos marinheiros diziam que quando os ratos abandonam o navio nada mais havia para ser feito.

Claro que Sócrates irá candidatar-se e irá ganhar, pois não há ninguém que lhe faça frente. Não irá ter a maioria, o Povo ficou escaldado e não é estúpido.

Não tem opositor. Um "pastor evangélico"? Um "morto-vivo"? Um "dinossauro"?

C Valente disse...

A falta denivel, a mediocridade instalada,e onde se dizia, o povvo � sereno,devemos acrescentar � carneiro, e muitas vezes s� l� vai � porrada, quer se queira quer. Muito do dito povo � mesquinho s� v~e o seus interesses e n�o o bem comum. Os governantes ora governam ou se governam , e assim vai este pa�s
Sauda�es amigas

quintarantino disse...

PETER, calma ... pode ser que lá para os lados da S. Caetano à Lapa alguém resolva fazer um reviralho ...

C VALENTE quantas palavras acertadas meu amigo, quantas palavras quais flechas!

SILÊNCIO CULPADO disse...

QUINT
Chamo a atenção para o relatório SERES publicado no Público desta 6ª.feira. Um abraço

quintarantino disse...

LÍDIA, irei ler.

Obrigado pela tua constante participação e companheirismo.

quintarantino disse...

Tiveste gente de muita coragem,
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impôr a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar

Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar

Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças

Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar

Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar

Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar.

Fa menor disse...

Ah, Poeta!!!
Olha lá, esse fado já está musicado?
É que para mim, é música!

Muito bom!

Fa menor disse...

Ops...
enganaste-me!...
afinal é do Jorge Palma?!

Não faz mal... eu gosto na mesma! :)

quintarantino disse...

FÁ MENOR o meu fado e as minhas musas chegavam lá para tão distinta e "fermosa" poesia?

Dalaila disse...

ainda bem que tens alguma ideia do País, eu já acho que a perdi a algum tempo....