PIN errado, tem até 2009 para acertar no código!

Todos temos um PIN, seja ele do que for.

Pode ser do telemóvel, do multibanco, do acesso à Internet, entre outros exemplo.

Dado assumido é que em algum momento somos obrigados a ter ou usar um PIN.

Para quem não saiba, até Portugal tem um e que condiciona muita gente, sendo que alguns estão activamente preocupados em conseguir a combinação certa.

Os Projectos de Interesse Nacional, conhecidos como PIN, criados pelo Sr. José Sócrates e pelo seu Governo, são projectos apoiados pelo Estado se trouxerem grande desenvolvimento para o País, em diferentes sectores, entre as quais a Saúde ou a Segurança Pública, consequências benéficas primordiais para o Ambiente, ou outras razões imperativas de reconhecido interesse público, mediante parecer prévio da Comissão Europeia.

Até aqui muito bem, mas imediatamente se coloca a dúvida sobre quem define o que é interesse público, a lei ou quem a interpreta?

A demonstração do que é interesse publico, é feita logo no primeiro projecto lançado, no âmbito dos PIN, segundo o estado a construção de um projecto turístico imobiliário denominado Costa Terra, no litoral alentejano, com as seguintes características:

"A Herdade da Costa Terra comporta 204 moradias, três aparthotéis com 560 camas, quatro aldeamentos turísticos com 775 camas, quatro conjuntos de apartamentos turísticos com 823 camas, uma estalagem com 40 camas e um campo de golfe de 18 buracos, além de equipamentos complementares, como supermercado, igreja, restaurantes, zona comercial, clube hípico, centro de talassoterapia e uma estação de serviço.”

Desculpem, mas tem mais ainda: "Herdade do Pinheirinho comporta 204 lotes para moradias, dois para hotéis e quatro para aparthotéis, três para aldeamentos/apartamentos turísticos e outros lotes para equipamentos complementares, num total de 2912 camas, bem como um campo de golfe de 27 buracos, com cerca de 90 hectares."

Para rematar este projecto é feito dentro da Reserva Natura 2000, o que significa que se transforma este massacre ambiental em interesse público.

Pergunta seguinte: consideram isto interesse nacional, ou existem outros sítios e sectores a serem apoiados?

Concordo que se vão criar novos postos de trabalho, que é um enorme investimento, mas a destruição da zona, mesmo correndo o ricos de ser chamado de exagerado pelo presidente da Câmara de Grândola, Carlos Beato, que não gosta de opiniões contrarias, é muito pior para o País do que o que se pretende criar.

O que parece neste caso e deverá voltar a acontecer, é que este sistema de PIN serve e servirá para se continuar a arrasar o ordenamento nacional, já bastante mal tratado e agora, caso se continue a interpretar a lei desta maneira, com tendência a piorar.

Entretanto, o Tribunal Administrativo de Lisboa suspendeu o loteamento e mandou parar a obra na sequência de uma providência cautelar interposta pela Quercus e pelo GEOTA. Prontamente o Governo irá recorrer, tentando mostrar que ele é que sabe o que é o interesse nacional.

A minha esperança é que estes senhores, mantendo este rumo e constantemente a introduzir de forma errada o código PIN, como têm vindo a fazer em diversos sectores, em 2009 o "multibanco" povo, lhes "coma" e bloquei o cartão.

37 comentarios:

António de Almeida disse...

-Porque desconheço o caso em concreto não me pronunciarei, mas desconfio de muitos membros da Querqus e do Geota, ainda que exista por lá gente com trabalho meritório. Mas em abstracto, todos sabemos que Portugal é um país com uma fauna específica, patos bravos e elefantes brancos encontram aqui terrenos férteis para se multiplicarem. Quanto ao PIN, um país que não se consegue ordenar territorialmente, como pode sequer falar em plano?

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Coloca a questão primordial: O interesse público e o interesse nacional, aliás diferentes! Rousseau tinha a sua visão de interesse geral, mas, em Portugal, não impera um regime racional mas um regime corrupto. A luta anticorrupção é uma causa nacional que pode abrir caminho ao interesse público.
Geralmente, desconfio de todas as posições, porque "cheiro" a corrupção! Neste sistema de favores e de roubo dos bens públicos, não é possível dialogar! A nossa democracia é cleptocrática! E, neste particular, o governo actual herdou a corrupção e, paradoxalmente (sic), não a combate! Porquê? Talvez tenham todos o rabo entalado! Os partidos são mafias; a democracia lusa é mafiosa, mas com o apoio da Lei! É isso que precisa ser mudado... :)

NuNo_R disse...

Espero é que alguém lhes dê umas palmadas por tantos abusos em vilipendiarem as nossas riquezas naturais e financeiras...


abr...prof...

joshua disse...

O BES é um Banco com imenso interesse no sector público e o Governo zás, porque vê bondade, empregos e oportunidades aí, zás.

É o que é. O Governo, Zás! O BES, Zás!

Se quisermos que a interjeição zás valha por um movimento de sabre japonês, fossem piças, e não árvores e fauna, o que se corte! O PIN são Pinças Grandes para os privilegiados do costume.

Já não se investe nas pessoas!

PALAVROSSAVRVS REX

lusitano disse...

«A minha esperança é que estes senhores, mantendo este rumo e constantemente a introduzir de forma errada o código PIN, como têm vindo a fazer em diversos sectores, em 2009 o "multibanco" povo, lhes "coma" e bloquei o cartão.»

Tiago, tenho para mim que infelizmente o "multibanco" povo irá proceder como o "multibanco" banco, ou seja, renova o cartão e até pode manter o mesmo PIN se quiser.

Tiago R. Cardoso disse...

António de Almeida,
Como todo o lado existem bons e naus, eu acredito que muito do que fazem as associações ambientalistas é meritório e de se apoiar, claro que os exageros também são prejudiciais.
No caso e até prova em contrário, continuarei a achar que estamos perante mais um caso de arranjar lugar na reserva ecológica para a fauna que fala, não esquecendo também os tubarões.

J Francisco Saraiva de Sousa,
Para alem do problema especifico do constante massacre à reserva ecológica, também pretendi ir por esse caminho, o que é realmente o interesse nacional ?
Em que medida o interesse de alguns se sobrepõe ao interesse do país nem que isso prejudique o futuro do país ?
Se a criação de certas leis, não são mais do que atalhos para o objectivo final, o lucro ?

Tiago R. Cardoso disse...

NuNo_R,
no caso quem podia fazer isso é o povo, mas será que este povo vai fazer isso, ou simplesmente irá esquecer na hora da decisão ?

Joshua,
concordo contigo, interessante são leis feitas à medida de alguns.

Concordo que vai criar emprego, claro que dinamiza a região.

O que se pergunta é para quem vão os lucros do investimento, para mim, para ti, que apoiamos estes investimentos, involuntariamente, através do nossos impostos ?
Pois tá bem..

SILÊNCIO CULPADO disse...

Tiago
Não conheço os dossiers dos casos que apontas mas não assumo cegamente tudo o que vem da Quercus e da Geota. Portugal tem que apostar no Turismo. Até Cuba o faz, e nós precisamos destas receitas como de pão para a boca.
Quanto ao PIN, não será por isto que o bloquearia. Tenho consciência que nenhum governo fará tudo a meu jeito e que todos serão alvo de críticas.
O que justifica bloquear o PIN são as políticas de saúde, de emprego e de desenvolvimento do interior do País.
Um abraço

Tiago R. Cardoso disse...

Lusitano,
Principalmente quando o povo procura ver outros cartões da concorrência a este e eles lhes aprecem em muito pior estado, alguns tão diluidos que nem se conseguem ler.

Lídia,
Também não assumo como sendo tudo verdade o que bem das associações ambientalistas, mas que fazem algo de positivo, não tenho duvidas.

Portugal precisa de apostar no turismo, concordo, no entanto uma aposta o turismo não significa implantar projectos desta envergadura dentro da rede natura 2000, por muito que isso dinamize o país, está simplesmente a prejudicar o seu futuro.

Como eu escrevi no final, por esta e por outras como esta que lhe deviam bloquear o cartão, mas começo seriamente a duvidar.

Eduardo P.L. disse...

Muito interessante. Não vou palpitar, mas aprendi alguma coisa a respeito do PIN de Portugal.

quintarantino disse...

Ora, vamos por partes ...

Cabe em primeira linha à actividade política, enquanto actividade pública do Estado, definir o interesse geral da colectividade, cabendo, por seu turno, à Administração Pública a satisfação regular e contínua das necessidades colectivas definidas por Lei sendo esta, conforme Freitas do Amaral na sua obra «Curso de Direito Administrativo», volume I da editora Almedina, «o fundamento, o critério e o limite de toda a actividade administrativa».

As pessoas colectivas públicas que constituem e dão forma ao conceito de Estado enquadram-se dentro da organização democrática do Estado e respondem à necessidade de assegurar a prossecução dos interesses próprios das populações respectivas, desenvolvendo uma actividade administrativa própria regulada por Lei.

Como bem refere Sérvulo Correia na sua obra «Noções de Direito Administrativo», a volume II, o juízo de graduação ou intensidade do interesse público que se exige à Administração dificilmente assentará em parâmetros estritamente legais.

Na verdade, sendo uma avaliação materialmente discricionária, «o interesse público funciona como um limite interno da actividade administrativa» na possibilidade de escolha dos bens susceptíveis de satisfazerem as necessidades públicas (Rogério Soares na obra «Interesse Público, Legalidade e Mérito»).

Frise-se, no entanto, que a escolha dos bens susceptíveis de satisfazerem as necessidades públicas não pode estar ao arbítrio da Administração, tem de encontrar um mínimo de correspondência com a ideia de interesse público, prefigurada legislativamente, ou seja, tem que ser uma eleição essencialmente teleológica.

O conceito de interesse público afere-se, pois, através da individualização casuística desse mesmo interesse por referência a um conceito abstracto de bem público, interesse geral da colectividade local. Cabe, pois, à Administração avaliar a idoneidade deste interesse público, sempre com referência à ideia de interesse público prefigurado quer na Lei Fundamental, quer na restante legislação em geral referida.

À Administração cabe, então, avaliar a situação em concreto se essa finalidade é idónea para a satisfação do bem comum, no sentido de interesse público municipal, devendo esta igualmente actuar a fim de facultar, por modo regular e contínuo, a quantos deles careçam, os meios idóneos para satisfação de uma necessidade colectiva individualmente sentida.

Podemos, pois, dizer que estamos na presença de um interesse público quando «se esteja na presença de um interesse indivisível duma pluralidade de pessoas em relação a bens de satisfazerem , não necessidades individuais, mas sim necessidades comuns de todas essas pessoas» (Rogério Soares na obra citada).


Na mesma linha doutrinal, Freitas do Amaral, na obra já citada, que afirma que interesse público «é o interesse colectivo, é o interesse geral de uma determinada comunidade, é o bem comum», sendo o mesmo também visto como «aquilo que é necessário para que os homens não apenas vivam, mas vivam bem» (S. Tomás de Aquino).

Serve isto para dizer que quando se permite ou se quer avaliar a questão apenas por um dos lados do prisma não se conseguem grandes resultados.

Todo e qualquer plano de ordenamento permite e prevê excepções.

Paralelamente, e como diz a Lídia, o Turismo é ou não é uma aposta estratégica da nossa economia? E se o é faz-se de forma ordenada e sistematizada ou à pato bravo como se permitiu em muitas zonas do nosso litoral?

quintarantino disse...

E para um maior esclarecimento da questão, cumpre ainda assinalar que no âmbito de uma providência cautelar assiste sempre o direito à parte contra quem ela é intentada o direito de recurso alegando, nomeadamente, que o prejuízo para o interesse público é maior com a adopção da providência cautelar do que sem ela.

E se assim for, tudo se discute na acção principal que tem obrigatoriamente de existir.

Por isso, nada de confusões em sede de conceitos.

Bloquear ou desbloquera cartões e PIN's é matéria para mais tarde se ver.

No caso, se calhar mais valia bloqueá-lo a todos.
Então lá com os "caramelos" do PSD que ora assinam, ora rasgam ...

quintarantino disse...

Como eu hoje estou para aqui virado, fiquem com estas palavras de uma música de JORGE PALMA que sempre servem para reflectir (a música também é bonita):

Tiveste gente de muita coragem,
E acreditaste na tua mensagem
Foste ganhando terreno
E foste perdendo a memória

Já tinhas meio mundo na mão
Quiseste impôr a tua religião
E acabaste por perder a liberdade
A caminho da glória

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar

Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Tiveste muita carta para bater
Quem joga deve aprender a perder
Que a sorte nunca vem só
Quando bate à nossa porta

Esbanjaste muita vida nas apostas
E agora trazes o desgosto às costas
Não se pode estar direito
Quando se tem a espinha torta

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar

Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Fizeste cegos de quem olhos tinha
Quiseste pôr toda a gente na linha
Trocaste a alma e o coração
Pela ponta das tuas lanças

Difamaste quem verdades dizia
Confundiste amor com pornografia
E depois perdeste o gosto
De brincar com as tuas crianças

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar

Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar

Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar

Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar.

bluegift disse...

Tiago,
Seria bom ver qual a extensão do plano previsto, provavelmente seria desejável refazer o plano original torná-lo mais restrito e esteticamente mais em acordo com a natureza envolvente, que é o que quase sempre acontece nestes casos de ganância comercial sem respeito pelo ambiente.
Teria que ter mais dados. Prefiro que Portugal invista no turismo que em indústrias poluentes e destruidoras da paisagem. Há poucos dados, nem sequer consegui descobrir o plano e situação geográfica face ao litoral e à dita reserva.

bluegift disse...

Quint,
Tudo bem, já fiquei tonta com tanto enquadramento jurídico. E o mais importante? O que é que está realmente em jogo? Como é que vamos fazer uma ideia do que está previsto? Provavelmente basta limitar o número de edifícios previsto e subtrair a altura dos prédios ou por completo, será? Dar opiniões no escuro é complicado.

Fa menor disse...

Cada vez andamos mais à deriva, é o que é!

bluegift disse...

Espera, já descobri o plano concreto previsto:
http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=455274

quintarantino disse...

Bluegift, menina, então?
O enquadramento jurídico era só para alguns perceberem, nomeadamente o autor do texto, o que é isso do "interesse público", conceito relativamente vago e indeterminado.

Não tomei posição concreta sobre o tal empreendimento global pois não o conheço, mas já agora, e para animar a discussão, o interesse público quantas vezes já foi torpedeado pelo recurso insano às agora celebérrimas providências cautelares?

bluegift disse...

Quint,
Deixa ver se eu entendi. Resumindo: se o Governo com a aprovação da Comissão entenderem que é do interesse público, o projecto avança ultrapassando toda a qualquer lei que proteja o ambiente, certo? Falta ainda o Tribunal Europeu (Cour de Justice) para o qual de pode ainda recorrer e que tem o poder superior de decisão.
No que vi até agora dá-me a impressão que a área abrangida é um bocado extensa mas o resto parece-me bem. Agora, se o Governo se serve do PIN para assassinar ainda mais a Natureza, bom, é preciso ver a situação caso a caso. Antes o Governo que as autarquias que são mil vezes mais corruptas.
Mas qual é a alternativa? Deixar a decisão nas mãos da Quercus ou esta deverá ficar pelo seu papel consultativo? Se neste caso tiverem razão a Cour de Justice no Luxemburgo decidirá em favor da Quercus e contra a Comissão e Governo do país; normalmente... Não seria a primeira vez que tal aconteceria.
Agora o resto my dearest Quint, não percebi nada, é mais do teu domínio. Felizmente ;)

Dalaila disse...

Eu acho que mais são mais vias verdes.... aquelas que ninguém trava... porque têm um pin que nunca bloqueia...

Tiago R. Cardoso disse...

quintarantino,
Bom esclarecimento, mas até que fui eu que perguntei no texto, difícil mas entendi o jurídico.

Mas é no "conceito relativamente vago e indeterminado", eu pretendia pegar, quantas e quantas vezes, tu também já vistes do sitio onde estás, o interesse publico é na realidade o interesse de alguns, onde se fazem autênticos atentados em nome de interesses que na realidade são mais privados do que públicos.

Peguei na historia da providencia cautelar para isso mesmo, até que ponto estas lutas jurídicas ajudam ou prejudicam o país ?

Alem disso as afirmações do PM sobre a providencia cautelar, rondaram arrogância, olhou para aquilo do alto, mostrando a sua sobranceria sobre questões menores.
menores.

Bluegift,
Se quiseres ver a amplitude da coisa e as implicações :AQUI

Concordo no investimento no turismo, mas num turismo sustentado e não não que massacre o pouco de bom que temos.

O teu ultimo comentarão dirigido ao nosso cineasta é mesmo aquilo que eu pretendia, como o Quintino disse, se a definição do interesse publico é tão frágil, as leis de protecção ambiental pode ser ultrapassadas, vasta para isso um acordo das diversas entidades.

Um dos argumentos muito usados pelos autarcas é isso mesmo, nós vamos arrasar esta porque é de interesse publico, enfim...

Tiago R. Cardoso disse...

Fa menor,
uns mais à deriva que os outros, tem por ai muito tubarão que nada muito bem.

Dalaila,
tem gente por ai que só anda em "auto-estradas", enquanto o povo anda num empedrado cheio de buracos.

Tiago R. Cardoso disse...

Eduardo P.L.,
Esteja à vontade de palpitar, é sempre muito bem vindo.
Um a braço transatlântico.

bluegift disse...

Tiago,
Também não concordo com o massacre. Falta saber se é na realidade um massacre ou se o massacre pode sofrer uma reformulação e tornar-se numa beleza consentânea com o espaço verde.
Esta é a imagem que obti da Herdade do Pinheirinho.
É certo que há por aí muito assassinato urbanístico, falta saber se este é o caso porque senão acabamos por ficar paranóicos.

Manuel Rocha disse...

Magnifica a analogia, Tiago !

Estou consigo na necessidade de preservar as áreas protegidas das investidas imobiliárias, independentemente da sua dimensão.

Mas não gostaria de estar na pele de quem governa nestas matérias.

É que á pressão global para a criação de emprego e para o crescimento económico, junta-se a complicadissima tarefa de reduzir as assimetrias regionais.

Ou seja, parques naturais e outras àreas protegidas têm que ser algo mais que "reservas de indios" onde os urbanos resolvem ir curtir umas actividades radicais de tempos a tempos.

Conviria que elaborassemos sobre alternativas consistentes nesse sentido.

Quem começa ?

Compadre Alentejano disse...

Atenção que para o (des)governo é mais importante o interesse privado (do Espírito Santo e não só) que o interesse público. Para estes senhores não há reservas nacionais ou ecológicas nenhumas...
Os governantes que autorizam estes abortos, vão depois para seus empregados...
É a vida!
Um abraço
ompadre Alentejano

Zé Povinho disse...

O PIN de que fala, é o PINO que isso permite fazer no desrespeito pelas leis, naturalmente com a benção do governo.
Caramba, então o amigo não vê que depois vem o merecido prémio pelo desempenho dado a quem sabe fazer (autorizar) o PINo? Não seja injusto, os homens até fazem o sacrifício de estar no governo com salários miseráveis, é natural que procurem compensações...
Abraço do Zé

Tiago R. Cardoso disse...

Bluegift,
já te deixei a lá atrás um link para a noticia, diga-se que os números do empreendimento são realmente assustadores.
Mesmo que tudo seja feito conforme a lei, a pressão urbanista na zona será enorme, convem lembrar que atrás deste logo apareceram mais e mais projectos que vão aparecer logo ao lado, na tentativa de apanharem um pouco do lucro.

Manuel Rocha,
"Parques naturais e outras áreas protegidas têm que ser algo mais que "reservas de índios" onde os urbanos resolvem ir curtir umas actividades radicais de tempos a tempos."

Totalmente de acordo, mas essa adaptação algo mais deveria consistir em adaptar as pessoas, turistas, visitantes ao espaço natural e não adaptar o espaço às pessoas.

Faz-se muita coisa por ai, em nome do ambiente, alegando que são empreendimentos ambientais, ter 04 moradias, três aparthotéis com 560 camas, quatro aldeamentos turísticos com 775 camas, quatro conjuntos de apartamentos turísticos com 823 camas, uma estalagem com 40 camas e um campo de golfe de 18 buracos, além de equipamentos complementares, como supermercado, igreja, restaurantes, zona comercial, clube hípico, centro de talassoterapia e uma estação de serviço”, ´´e um empreendimento ambiental, só se vierem alegar que um campo de golfe, como é verde e tem relva, é um local de natureza.

Alternativas ?
Como disse atrás empreendimentos fora da reserva ecológica, em ultimo caso que se adaptem e respeitem a zona, não querendo adaptar a zona a eles.

Eu pessoalmente prefiro um belo de um turismo rural, zona onde se preservem os valores e a zona.

E se não tiver televisão melhor...

Manuel Rocha disse...

Pois é, Tiago, e como você sabe estamos muitooooo de acordo...mas esses não criam os postos de trabalho que se exigem e as multinacionais que os podem trazer não obedecem a governos. E acabamos por andar todos um bocado perdidos no meio desta economia diabólica. Haja quem diga que quem honestamente aceite ser poder só pode ser ingénuo, porque o mais que pode é gerir danos de desgoverno geral.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

A notícia agora é o relatório da SEDES contra a corrupção! O PS deve ser mais radical no combate contra os burricos corruptos que negam o futuro a Portugal. Caso contrário, torna-se suspeito! :(

Tiago R. Cardoso disse...

Compadre Alentejano,
Toda a razão, autorizam as coisas, negoceiam os contratos com os privado e depois vão para administradores das empresa, mesmo que seja dentro da lei, essa transição, eticamente é no mínimo deplorável.

Zé Povinho,
Se leu o comentário do nosso distinto cineasta Tarantino, vê como estamos perante lei frágeis,vagas e que originam diferentes interpretações, muitos só tem que aproveitar a coisa, depois é esperar pelo lucro.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

As leis não são eleáticas: podem e devem ser mudadas, juntamente com os seus interpretes tugas, muitos dos quais fazem regressar os vampiros! :))

Tiago R. Cardoso disse...

Manuel Rocha,
multinacionais que aparecem, dão postos de trabalho recebem subsídios e todos ficam contentes, esquecem-se que mais dia menos dia irão embora.

Porque não apostar , sem querer parecer nacionalista, no nacional, em pequenas empresas, apostando na qualidade do que apostar nos grandes que um dia vão se embora e deixam o pessoal pior do que estava antes delas chegarem ?

J Francisco Saraiva de Sousa,
O PS, o PSD, e todos os outros, ainda não percebi qual é o problema de se ouvir os antigos tubarões do BCP ?
Audição inviabilizada pelo PSD, neste caso chama-se a isso defender o interesse nacional, pois...

O problema não sei se será do interprete da lei, se calhar ele puxa para o seu lado, possivelmente o problema estará no legislador.

Cadinho RoCo disse...

Enquanto estrangeiro estimo que invistam mais no entendimento do que na cobiça.
Cadinho RoCo

Osvaldo Lucas disse...

Já existem umas construções e um parque de campismo (?) junto, junto ao mar.
http://maps.google.com.br/maps/ms?ie=UTF8&hl=pt-PT&msa=0&msid=104568347132063832318.0004464d7ebcc90b3da13&ll=38.194819,-8.759708&spn=0.028938,0.05785&t=h&z=14

Resumo Não Técnico - EIA
http://www.dotecome.com/gale/Domentos-artigos/RNT1326.pdf

Declaração de Interesse Público(Fev 2006)
http://www.costaterra.pt/images/uploaded/ficheiro52.pdf

Publicidade
http://www.costaterra.pt/

Data da providência cautelar da Quercus/Geota: Maio de 2006
Decisão do Tribunal Fev 2008
http://noticias.sapo.pt/lusa/artigo/33289979ce042eeb83a2f4.html

antonio disse...

Meu caro Tiago, julgo que não percebeste bem a situação: neste caso é o cartão quem desbloqueia o PIN.

Percebes?

Tiago R. Cardoso disse...

Antonio,
visto por essa perspectiva...