E nem os semáforos dão luz, nem o professor escapou à censura!

Estava ali sentado já há algum tempo.
Nos intervalos de erguer a chávena do chã, ia tamborilando com os dedos o tampo da mesa… sabia bem que era um barulho que podia ser irritante para quem o rodeava mas, quando estava mais impaciente, não havia como lhe escapar.
A cadência era certa, sincopada e lembrava a dos tamborileiros das garbosas fardas napoleónicas que, num verdadeiro espectáculo de cor, som e dor tinham varrido outrora terras do Atlântico quase até aos Urais.
Mais tarde outros haveriam de tentar e haveriam de sucumbir, enregelados nos seus uniformes “feldengrau” e com os rostos escurecidos pelo fumo dos “pänzer” …

Curiosamente, ambos soçobraram ...

Este pensamento desviou-o do rascunho que estava a elaborar em jeito de protesto cívico quanto ao facto de durante dois longos meses uns míseros semáforos numa estrada nacional se encontrarem avariados e sem que conseguisse descortinar uma resposta a contento das suas justas reclamações e cívicas angústias.

Desde que descobrira que as Estradas de Portugal tinham criado uma espécie de livro de reclamações electrónico que lhe dava bom uso.
O problema é que, embora sempre respondessem, neste caso particular insistiam que a conservação dos semáforos não eram responsabilidade sua, antes da autarquia local.

Nesta, enquanto um eleito local garantia que não senhor, não era nada com a senhora dona autarquia, um técnico da mesma garantia que sim senhor, era com a senhora dona mas que já tinha mandado reparar … mas a verdade é que daqueles semáforos não saía um único raio de luz!
Se este tinha sido o assunto que lhe prendera a atenção até ali, os pensamentos sobre campanhas militares e afins desviara-lhe o curso de pensamento e levara-o a pensar em como, por vezes, homens geniais se equivocam e acabam trucidados pelo porvir.

Não, não sequer falava de militares, antes de criadores, literatos e afins que, a dado momento, apostaram, como aqueles jogadores profissionais, tudo no 7 para a roleta, qual mulher caprichosa, ir languidamente entregar-se noutro número qualquer!

E, pensava ele, havia casos em que pagavam um preço demasiado alto por isso.
Louis Ferdinand Céline. Ezra Pound. Robert Brassilach … eis alguns dos que enfileiravam uma galeria de derrotados pela vida.
Não compreendia porque não se entendia, ou não se queria entender, que sendo génios (ao caso da Literatura) também eram homens.
Mas que as opções que fizeram como homens não deviam obscurecer a sua capacidade criativa.

Mais sorte teve Yukio Mishima, talvez por ter perpetuado a sua obra com o suicídio ritual que cometeu em 1970 em jeito de protesto contra a perda de valores e referências que descortinava na sociedade nipónica.
Azar contínuo tem tido, de igual modo, Mário Vargas Llosa, quiçá escritor ainda de maior grandeza que Gabriel Garcia Marquez, mas a quem persistentemente é negado o Nobel da Literatura (e cujo papel de reconhecimento da genialidade literária se pode cada vez mais questionar) por razões aparentemente políticas.

E através deste raciocínio chegou ao caso de um docente universitário contratado que terá sido “gentilmente” convidado (e nós sabemos bem como são feitos estes gentis convites) a cessar com a sua actividade nos blogues que mantinha por terem existido colegas que achavam que, só por si, a actividade desprestigiava a instituição (ver, a este propósito, a edição de ontem do jornal “Público”).
Consta que alguns acharam que o conteúdo também era passível de censura.

E, por amor de Deus, desta vez não me venham com as lérias que é por causa do Sócrates.
Isso é a mesma coisa que eu aqui ter invocado o nome do Senhor em vão, pois ambos têm mais que fazer…
Isso é mesmo provincianismo, mesquinhez, tacanhez e filha da ….!!!

32 comentarios:

António de Almeida disse...

-Existem pessoas para quem tudo tem um preço. Para mim a liberdade não tem, é evidente que vale o que vale, mas muitas vezes na vida fui prejudicado por atitudes que tomei, consciente ou inconscientemente, mas nunca me arrependo, assumo os meus actos e suporto as consequências, sejam elas quais forem. Quanto a Vargas Llosa, discordo frontalmente da atitude que tomou esta semana, mas quanto a não lhe terem dado lá aquela estatueta dos suecos, também não perdeu grande coisa, os maiores escritores de lingua portuguesa também não receberam aquela coisa, que de vez em quando até parece ser atribuida tipo rifa de feira. Quint, citou o PÚBLICo de ontem, mas deixou poucas pistas, que trabalheira para descobrir, poderia ter deixado a página, assim tive de ler quase meio jornal para chegar lá.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Quintarantino

É à falência do espírito da democracia que estamos a assistir. Como dizia Espinosa, o homem prefere a escravatura à liberdade, infelizmente. A igualdade metabólica é decadência. Daí os espectáculos diários de degradação mental. Está tudo a ficar islamizado! Triste mas é a realidade!

joshua disse...

Tarantino, dá-me o linque ou ventila melhor o caso do professor universitário convidado a cessar a sua colaboração num blogue, coisa obscena e impensável, tal convite. Há por aí muita gentinha que me convidaria a mim ou a ti para cessarmos, tenho a certeza!, porque reflectir sobre a vida comum é 'desprestigiante'. Cambada de escravos e submissos do desconhecimento e da desautonomia de espírito!

Por semáforos e por não reconhecimento literário de génios da literatura somos todos responsáveis, caso a nossa leitura seja desambiciosa e desatenta. A Academia Sueca é sobrevalorizada nesta matéria e serve apenas para bussular um boost de impressão e compra sôfrega de uma sumidade mais ou menos obscura até aí.

Estava à espera que viesses comentar a entrevista do Luís Filipe Menezes e o estado actual do 'seu PSD', usando a tua veia cómico-satírica. Há por aí fogos de suspeição sobre um PSD que não era dele, mas de Barroso e de Santana. E anda muita gente entretida a dar-lhe pancada, ignorando a formiguinha trabalhadora todo-o-terreno que ele é, mais resistente que a volubilidade dos comentadores adversos e da esmagadora imprensa devassa que contamina de Merda e Compromisso Timorato com o Poder Estabelecido, a partir de Lisboa, todas as Notas de Soltura e Idiotias Entontecidas nacionais.

O prólogo de Menezes nessa entrevista acerca de uma certa esquerda lóbbi massacradora, há trinta anos, do que não for PS no Poder, esteve admirável. Essa esquerda intelectualóide que bafienta de Chupar Dependências e tal Imprensa é o que nos apodrece.

Talvez o Sócrates venha a ser desmascarado com coisas tipo Casino e quejandas (tão habituados - «Habituem-se!» segundo o Shorty-PS-KiWitorino - que estamos a ficar com os seus escândalos, tipo «licenciatura-engenhoca-independente-instantânea» e «projectos-urbanísticos-artísticos» que espalhou pela Beira-Baixa.

Ah, sim, não terá também ele um processo semelhante a esse do PSD ou ao do caso PORTUCALE/CDS
...ou não foi o Zé Socas que autorizou o Empreendimento Freeport numa área protegida lá na ponta das Salinas do Samouco?

...ou não foi precisamente por isso que resultou a inscrição do nome do Zé Socas nas listas negras da PêJota, mesmo pouco tempo antes de ir a 1ºMin ???

...ainda se chegou a falar (numa Focus do Verão de 2004) de fuga à SISA do prédio onde vive o Zé Socas na Bramcaamp, não foi?

GOSTAVA DE SABER O RESULTADO dessas BOCAS ou dessas VERDADES...
Assim sendo, temos de reconhecer que até é um acto de coragem o Menezes vir dizer: "essas baralhadas não são do meu PSD".

Acho mesmo bem que o diga, pois entendo que ao ser dito isso assim(dessa forma)só há que entender como um sério compromisso do Sr. Doutor/Médico a não entrar nos mesmos esquemas de trafulhice e corrupção partidária.

Claro que teremos de esperar pela prova dos "9": não basta dizer, tem de cumprir com a palavra dada.

E isso para mim ainda tem valor. Logo, Saúdo o Sr. Dr. Filipe Menezes por ter a coragem de dizer com toda a frontalidade aos seus militantes e antecessores que "essa irregularidade é dos outros e não minha!".

Com esta postura ele está a pautar-se pela DIFERENÇA!

Logo, essa atitude deve ser vista/entendida como uma lufada de ar fresco na Política de Merda que temos desde o 25 de Abril.

Por tudo isto, considero que não deverias embarcar no tom geral correcto e politimamente convicto em subestimá-lo.

PALAVROSSAVRVS REX

antonio disse...

O país é esse semáforo sem luz e que aparentemente ninguém tem a obrigação de cuidar...

Quanto aos blogs, tens toda a razão, desde logo porque não me parece actividade para gente adulta e responsável, se tivessem ocupados como eu, nos respectivos empregos, não tinham tempo para estas porcarias! Tenho dito.

E isto não é nenhuma colher de chã... ;)

antonio disse...

Josh amigo, tens que ultrapassar esse teu caso com o Menezes...

quintarantino disse...

ANTÓNIO DE ALMEIDA, meu caro, na vida, como é evidente, tudo tem um preço e há que arcar com as consequências, mas o que eu pergunto é se o preço a pagar inclui que se quase risque do mundo dos vivos na Cultura o nome de quem, noutro plano, ousou apoiar quem não venceu ou estava errado?

Eu acho que não e discordo. Leni Riefensthal era ou não era um génio no domínio da Sétima Arte? Era, Ponto finaal. Digo eu por contraponto aos que usam a desculpa " ... mas era a cineasta de Hitler". Por essa ordem de ideias até Wagner se deixaria de ouvir.

Quanto à falha do jornal, é que eu quando escrevi não o tinha à mão de semear nem acesso à net. peço desculpa.

J. FRANCISCO SARAIVA DE SOUSA, eu não sei se nos estamos a islamizar ou se a coisa é mais grave ainda ... estamos, acho eu, a ficar uns trastes incapazes de um assomo de dignidade e outro de coragem.

quintarantino disse...

JOSHUA, olha o jornal hoje continua com a saga ...

Quanto às tuas infundadas esperanças sobre a minha escrita incidir sobre o Luís Filipe Menezes, vou-te confessar que anda mais noutras ondas.

Mais etéreas, talvez.
Quiçá fotográficas.

Ando a ficar farto disto, de termos uma Nação plantada à beira de uma cloaca e de não sermos capazes de um debate sério.

Muitos dos que se apregoam como arautos da liberdade e da imparcialidade são uns trastes que à primeira oportunidade, se a tivessem e ainda bem que nunca a terão, seriam piores que aquilo que criticam nos outros.

Noto que tiveste uma recaída e apregoas mais uma vez uma crença inabalável na "formiguinha trabalhadora todo-o-terreno que ele é, mais resistente que a volubilidade".

Não sei se te fica bem, mas noto que adoptas uma teoria que bem sabes partilho e defendo desde sempre.
Menezes é mais perigoso e letal do que muitos podem pensar. Aliás, no seu próprio partido se lhe querem fazer a cama por alguma coisa é!

No mais, meu dilecto e enorme amigo, bem sabes que não embarco em tentativas de conspurcar o nome das pessoas como algumas das que trazes à liça.

O caso "Freeport" foi convenientemente lançado à mesma Imprensa que agora vislumbras apenas ao serviço de um, mas que no fundo está ao serviço de todos, por pessoas convenientemente colocadas e algumas até identificadas.

Não, não é por aí ...
Pior que não ter ou ter licenciatura, e estou-me borrifando se um Primeiro-Ministro é ou não é engenheiro, é eventualmente ter-se recorrido ao expediente e ter-se mentido. Agora se o tipo é engenheiro, civil, técnico, de minas ou de coisa nenhuma eu quero lá saber.

Sabes, por aqui todos sabem (ou já deviam saber) e volto a dizê-lo para que não venha nenhuma aventsma dar-me conselhos que bem dispenso, que ajudei a eleger Sócrates (e eu assumo ao contrário de outras pérolas suínas que votaram em Santanas e Cavacos e nos seus tempos nunca o assumiam embora dali retirassem benesses fartas e generosas), mas não contava era com tanta bacorada junta. Não havia necessidade. E tanta incapacidade de gestão e articulação de factos e eventos da agenda reformista de que esta Nação precisa queiram ou não queiram.

ANTÓNIO, feliz a imagem que usas de comparar o país ao semáforo que me mói a cabeça ...

Blondewithaphd disse...

Ó Quinn, quem é que foi convidado a cessar o blogue? Manda aí o link (ou lá para o outro sítio que tu sabes).
As for great men, you know it's always like that. You see a great man when you lose a great man.

quintarantino disse...

BLONDEWITHAPhD, olha da edição de ontem consigo aqui deixar isto:

Críticas e sátiras à política, ao desporto e à Igreja protagonizadas pelo docente não agradaram à Universidade do Minho

O órgão que terá obrigado o professor de Braga a fechar dois blogues humorísticos, onde satirizava a Igreja e alguns políticos, tem uma reunião agendada para hoje à tarde.

O curioso é que o autor dos dois blogues vai participar nessa reunião, porque em Janeiro foi eleito em representação dos docentes não doutorados. Daniel Luís espera poder debater este caso nessa reunião.

Um professor da Universidade do Minho (UM) foi obrigado a encerrar o seu blogue e o seu canal de vídeos na Internet, sob o argumento de que o conteúdo era "desprestigiante" para a universidade.

Em causa está a actividade do docente Daniel Luís, autor dos blogues dissidências e dissidênciastv (DISSIDÊNCIAS), onde eram colocados os textos e vídeos com sátiras e críticas à política, ao desporto e à Igreja que o próprio docente protagonizava.

Mas um dos órgãos do Departamento de Sociologia da Educação e Administração Educacional (DSEAE) da UM, onde Daniel Luís é assistente, não gostou do conteúdo e, segundo o próprio afirma ao PÚBLICO, "deliberou que o blogue (dissidencias) e o canal na Net (dissidenciastv) deveriam ser retirados por colocarem em causa a imagem do Departamento".
A decisão foi tomada na reunião de Dezembro do conselho de departamento e foi-lhe comunicada "dois dias depois pelo director", que lhe terá comunicado ainda que "alguns elementos do referido conselho queriam levar este caso até às últimas consequências". "Inicialmente, fiquei perplexo", recorda o docente. "Era o meu hobby, adoro escrever."

A 21 de Dezembro de 2007, dois dias após a tomada de posição do departamento, o docente fechou os blogues e retirou todo o conteúdo.

Embora considere a decisão "injusta, infeliz e prematura", sublinha que "as pressões continuaram" e chegou mesmo a admitir que alguns colegas lhe moveram uma "vigilância pidesca" na Internet.

O PÚBLICO fez ontem diversas tentativas para ouvir o director do departamento, Carlos Estêvão, mas não teve sucesso. No entanto, o responsável, citado pelo jornal ComUM, que se publica dentro do campus, afirma que não houve censura, sublinhando que Daniel Luís encerrou os blogues de livre vontade depois de ser aconselhado "a rever alguns elementos que fossem considerados incorrectos para um educador". O mesmo responsável nega também a vigilância ao professor, embora admita que possa ter existido, por iniciativa própria de algum professor.

"Acusaram-me, por exemplo, de associar a universidade e o departamento ao blogue, coisa que nunca fiz, até porque nunca me identifiquei no blogue", defende-se o docente. "Fui ainda repreendido por fazer comentários satíricos aos nossos governantes e à Igreja", recorda. "De nada adiantou ter explicado que o blogue era apenas um boneco. Infelizmente, levaram tudo à letra, sem compreenderem que era uma mera manifestação artística."

Daniel conta que lhe foi pedido também "que não aparecesse mais em iniciativas ligadas ao humor", ou seja, que abdicasse dos espectáculos de stand up comedy, outro dos seus passatempos. Há cinco dias, o blogue reabriu mas a maioria do conteúdo original foi apagado. Daniel diz temer pelo emprego (tem contrato a prazo) e que tem de "pensar na família".

quintarantino disse...

TODOS e na edição de hoje vem lá isto:

Professor obrigado a encerrar projectos humorísticos na blogosfera remeteu-se ao silêncio

Um comunicado e um acordo que implicará cedências das duas partes. Terá sido este o resultado da reunião que ontem se realizou na Universidade do Minho, em Braga, para analisar o caso do professor que se queixa de ter sido pressionado pelo departamento a encerrar os seus projectos humorísticos na blogosfera.

Contactado pelo PÚBLICO, após esse encontro, o docente Daniel Luís recusou primeiro fazer declarações e remeteu para um comunicado que iria publicar à noite no blogue.

Mas à insistência do PÚBLICO acabou por responder com um curto comentário, dizendo que "a reunião correu bem". E garantiu que o blogue Dissidencias vai continuar. Vai passar a censurar-se?, perguntou o PÚBLICO. "Depende do que considera a censura", respondeu o docente, que na edição de ontem declarava ter sido "repreendido pelos colegas por fazer piadas com governantes e a Igreja".

O PUBLICO fez hoje diversas tentativas para ouvir o director do departamento, Carlos Estêvão, mas nunca foi atendido. Carlos Estêvão terá estado na reunião de hoje e na de 19 de Dezembro de 2007, quando foi deliberado que o conteúdo humorístico dos blogues - com textos e vídeos de sátiras à Justiça, à política, à religião ou ao desporto -, era desprestigiante para a instituição e que por não estarem à altura das qualidades de um educador, se justificava o encerramento das páginas. Uma posição que, face à garantia de continuidade do blogue, terá entretanto mudado. Mas também o docente terá cedido em alguma coisa, pois declarou ao PÚBLICO que tenciona "abdicar do canal de vídeos" e limitar a sua actividade humorística ao blogue.

Num dos poucos vídeos (de qualidade caseira) que o PÚBLICO conseguiu encontrar depois de uma pesquisa na Internet, o autor brinca com os jornais televisivos, apresentando um repórter na casa de banho, sentado na sanita e com um portátil em cima dos joelhos.

Entre anúncios cujo sentido subvertido e comentários satíricos a propósito de diversos temas que ocupam a esfera pública (caso da Casa Pia, a tentativa de agressão protagonizada por Luiz Felipe Scolari num jogo de apuramento para o Euro 2008, a demissão de José Mourinho do Chelsea e os peregrinos de Fátima), o pseudo-repórter é ainda visto na companhia de uma garrafa de uísque (em http://videos.sapo.pt/pjivLNM0Z13wB6Brn5U8).

O professor admite que pode ser um vídeo da sua autoria, mas declina responsabilidades por ele ainda se encontrar on-line. "Alguém poderá ter copiado e partilhado, porque eu apaguei-os todos e não tenciono continuar com o vídeo", justificou o docente, quando questionado pelo PÚBLICO sobre esse vídeo datado de Outubro de 2007.

Num dos trechos desse vídeo - que transforma gravações dos noticiários das televisões em noticiários falsos e que dura pouco mais de oito minutos -, o "repórter" introduz o tema do "turismo sexual de Fátima". Em seguida vêem-se gravações de noticiários reais, mas com as vozes dobradas. Um peregrino, já de idade, aparece a declarar que sexo em Fátima "é abençoado". Uma carrinha de peregrinos é apresentada como sendo usada por aqueles que vão a Fátima "à procura das senhoras que estão de joelhos". E a estátua de João Paulo II em Fátima é comparada ao corcunda de Notre-Dame.

Tiago R. Cardoso disse...

No desenvolvimento da acção de censura, agora os que o convidaram a fechar o blogue avançam com uma nota de repudio, alegando que nunca o ameaçaram com nada.

Como todos sabemos por cá nunca ninguém é ameaçado nem corrompido, apenas é lhes dados uns concelhos e uns incentivos na direcção certa.

Continua o ataque à liberdade, ainda mais considerando que no caso se trata de humor sobre as situações, não acusar nem difamar ninguém.

O problema é que o nome é Daniel Luís e não Marinho Pinto.

Aos interessados : Dissidencias

joshua disse...

Tarantino, quanto a Menezes, estou em sintonia contigo e não estou propriamente a recair, como sugeres e também o António. Simplesmente o caracterizo conforme o caracterizei: é um erro pensar-se que o errático Menezes, o avulso Menezes, o desprogramático e inconsistente Menezes encha de nulo a possibilidade de Vitória Eleitoral. É só por isso que não estou é em sintonia com quem já lhe vai fazendo o enterro com Requiem e tudo. O Pacheco, aliás, na sofreguidão com que lhe vai fazendo a folha começa a passar por mais que ridículo porque o elenco de erros de liderança é cansativamente reiterado. E o que já sabemos custa-nos a re-ouvir.

Aquilo, Menezes, é um animal político com garra, chamam-lhe o Tiranete de Gaia porque é democraticamente absoluto, tão absoluto como Sócrates com a vantagem de não ser tão antipático e aversivo ao povo rente ao chão, pelo contrário. Se conquista eleitorado e no trabalho de sapa. Tu sabes como é.

Nunca vi uma Só C(r)a(r)tada tão avessa a Povo como Sócrates: Correia de Campos e Maria de Lurdes Rodrigues, podendo ter todo o Sistema com eles, corroeram de malícia e bruteza a sua obstinação 'razoável' em Reformar. E da sujeira e do erro temos reflectido sobejamente e é só o começo.

Meu Querido Amigo Tarantino, não é em Menezes que ponho a minha confiança. Ponho a minha confiança na Bloga enquanto Cérebro-Comum-Alargado que verifica e criva todas estas realidades, intervindo e pressionando.

Tu ainda não estás em condições de abdicar e ceder os pontos, apesar do muito que sabes e sofres com o que se passa em Portugal: é preciso resistir, corroer aquilo que nos assalta inautêntico e profundamente injusto na Oligocracia Portuguesa. Talvez com uma Bloga como tu promoves e praticas cada vez se torne mais intolerável o Estado de Abusividade Vigente, levado a requintes de malvadez, há que dizê-lo com frontalidade, por esta Socratagem Cretina no plano da vida concreta das pessoas comuns esmagadas com baixos e rebaixos rendimentos.

Alguma coisa de muito podre apodrece ao sol, como diz Vasco Pulido Valente a propósito do relatório SEDES, em Portugal. Não me resigno se puder criar toneladas de atrito nesta merda que fazem de Portugal, farei.

Vens comigo?
É por aqui, acho que é por aqui.

(Prezo-te de mais para te sugerir, a não ser por brincadeira, qualquer agenda postativa.)

AQUELE ABRAÇO!!!

PALAVROSSAVRVS REX

joshua disse...

Enfim, o Daniel Luís deveria ser deixado em paz com as suas piadas para quem quiser rir delas, já se sabe.

Assim, graças à censura, à auto-censura, ao crivo, ao peneiramento de postas e de vídeos ridículo, à suposta vigilância pidesca de si-blogger. temos que o Daniel Luís passou a ser gente, conhecido e reconhecido.

O fenómeno é velho! Ou há-de ser o Hitler em nós que aflora ou o velho inquisidor ou o velho jacobino. Já não se pode ser subversivo e criativo neste mundo e muito menos neste país, por muita ambiguidade que se sirva nesse cocktail.

PALAVROSSAVRVS REX

Carol disse...

Admiro quem não tem receio de expressar as suas opiniões, sejam elas divergentes ou não.
A genialidade de alguém deve estar acima de politiquices e religiosidades.
Quanto aos semáforos, maninho, há tradições que ainda são o que eram: atira-se a água do capote, porque a responsabilidade nunca é de ninguém!

quintarantino disse...

TIAGO R. CARDOSO, como vês a questão não é entre nomes nem pesos, pois este também conseguiu que o seu caso chegasse à opinião pública.

Se calhar devíamos era fazer por aí uma pesquisa a ver se os/as que andam sempre na blogosfera a insinuar e apregoar a sua solidariedade e luta contra uma putativa ditadura, se dignaram pegar neste caso ou se continuam a bater sempre no mesmo, na mesma tecla.

Obrigado pela ajuda lá nas questões de informáticas.

JOSHUA eu bem sei que tu não estás a recair. E melhor sabes que volta e meia gosto de mandar assim umas brincadeiras em jeito de provocação, mas que sempre respeitei a forma como te bates por aquilo em que crês.

O Menezes é o que dizes e, se fizéssemos fé em todos os que, quais arautos da desgraça, protestam generosamente e rasgando as vestes que em Sócrates nunca mais e no PS muito dificilmente, então arrisca mesmo a colher a maçã assim sem mais, nem menos.

Vislumbro é ali, debaixo dos olhos dele, muita lama, choldra e piolheira.

Eu, se queres que te diga, foi uma das facetas que me surpreendeu desagradavelmente no nosso Primeiro.

A arrogância, o autismo e o distanciamento ...

Citas Correia de Campos e Maria de Lurdes Rodrigues e citas bem pois são dois casos em que, à falta de capacidade de diálogo e de gestão, se perdeu a razão quando se a tem!

Não em tudo, mas nalguma coisa e que não era tão pouca quanto isso.

Tivesse Maria de Lurdes Rodrigues sabido, em conjunto com a comunidade educativa, explicar que a avaliação dos professores é imperiosa e necessárias mas se calhar não pode ser apenas entregue nas mãos dos relapsos que chegaram num ápice ao topo da carreira sem saberem ler, nem escrever; tivesse ela gizado um Estatuto da Carreira Docente que premiasse efectivamente o mérito e um do Aluno que lhe garantisse ferozmente tantos direitos como deveres (mas sem as tretas da escola inclusiva); tivesse ela explicado que a figura do director da escola não é nenhum torcionário e que qualquer um dos eleitos ou nomeados seria responsabilizado disciplinar e civilmente até às últimas consequências pelos seus actos e se calhar hoje não era nada disto ...

Blondewithaphd disse...

Gracias guapo! Muito esclarecida!

quintarantino disse...

CAROL tu bem sabes que ouvimos muito por aí que a tradição já não é o que era, mas afinal parece ser.

Tens razão no que dizes, mas o homem deixa lá uma frase lapidar quando refere que tem família ... para bom entendedor!

JOSHUA, eu não sei se são jacobinos, inquisidores, adolfos ou estalines os fantasmas, mas que cada um de nós tem os seus ...

E alguns, quando deixados à solta, são tenebrosos!

BLONDEWITHAPhD, bem sabes que, contigo, estou sempre adc!

Compadre Alentejano disse...

Pode não ser por causa do Sócrates, mas de uma coisa tenho a certeza: é por causa da cultura que o Sócrates propagou entre os seus fiéis seguidores.
Basta ver o caso da DREN, querem um melhor buldogue que a Margarida Moreira? E esta política vai alastrando e chamando outros "cães" menores...
O mal disto tudo, é o professor ter um contrato a termo..
Um abraço
Compadre Alentejano

Dalaila disse...

A liberdade de escrita de expressão, é algo que achamos todos que temos, até existirem bufos, até existirem pessoas mediocres, até existeirem pessoas que só estão bem a perceber o que podem fazer de mal aos outros.
Todos achamos que somos livres até tropeçarmos com estas coisas, depois verificamos que a nossa liberdade é imposta....

quintarantino disse...

COMPADRE ALENTEJANO Neste caso não pode ... alguns dos intervenientes são fiéis seguidores doutras paróquias e, quando muito, estão apenas a aproveitar a boleia.

O mal disto tudo é o professor ter um contrato a termo? É capaz.

Mas também o facto de as nossas faculdades e universidades serem verdadeiros ninhos de víboras. Para não dizer bordéis!

DALAILA tens muita razão no que dizes. Tudo o que hoje somos, o que ontem fomos e amanhã seremos está sempre limitado pelas regras da convivência, do grupo, da sociedade e dos direitos dos outros.

O probema é quando os direitos de uns e outros entram em confronto.

JOY disse...

Aquilo que muitos de nós temiamos ,timidadmente vai dando sinais de poder acontecer , Controle e censura da blogosfera, Mentes mesquinhas tentam calar quem com eles não concorda.

JOY

bluegift disse...

O meio universitário é muito especial e quanto mais antigo o elenco catedrático, pior! As ideias efervescentes e a sua pretensa liberdade é muito limitada aos alunos e a um ou outro professor que consiga ter as costas quentes e lugar bem assegurado. O resto não é mais que a duplicação acéfala do que já está convencionado no Saber e nas Ideias instituidas. Não há lugar para a criatividade e rebeldia a menos que resulte numa visão complementar do que já existe. Nunca me senti intelectualmente tão limitada como nos tempos em que trabalhei para projectos na faculdade. Por isso entendo muito bem esse professor. Foi muito naive quando se identificou e deu a cara ao manifesto. Uma pessoa com aquela responsabilidade não se pode desviar àquele ponto da norma convencional que impera na instituição, ainda por cima em Braga! Foi burrice ou vaidade, das duas uma.

quinTarantino disse...

JOY, como dizia ali o Josh dentro de muitos, para não dizer de todos, espreita um censor.

E em determinados meios, então nem se fala!

BLUEGIFT, estou um pouco como tu ... o homem de Deus não sabia onde se estava a meter? Ainda por cima em Braga que, neste caso, não fez jus ao epíteto da cidade dos três pês!

Manuel Rocha disse...

Gostei muito da fluência deste texto, extremamente bem ligado, como é timbre do autor.

O tema central tenho alguma dificuldade em comentar porque abri o blog indicado e nada lá encontrei de especial.

Mas gostava de deixar duas notas soltas.

A primeira é uma citação de A. Soljenitzin cuja experiência de vida julgo bastante para lhe conferir autoridade nesta matéria, quando diz ( cito de memória ) que " a auto-limitação é a essência do exercicio do direito à liberdade".

A segunda, para referir que no legitimo exercicio do direito à sátira e à caricatura das figuras públicas ou das instituições, existem fronteiras onde o livre exercicio da auto-limitação se impõe e que é onde se separa o bom senso do insulto pessoal e gratuito.

Termino com uma "provocação" à Blue.
"Naive" o senhor ?! Não ! Se deu a cara foi homem ! A censura e a indole do bufo anónimo que não tem tomates para dar a cara pelas suas posições são para mim desgraças do mesmo calibre...

:)))

joshua disse...

Lendo a Blue, lembrei-me da minha última experiência com o peso mastodôntico da Faculdade sobre as pobres das pessoas sob si! Eu, sempre piadístico, sempre corrosivo, sempre imprevisível nas minhas intervenções, apesar de deleitado com os conteúdos do meu mestrado, comprei uma certa rejeição só abertamente rejectiva de mim quando me rebelei contra uma das docentes. Resisti-lhe porque me resistiu também no processo de lhe desvelar a minha maneira de ser, a minha fome de liberdade e de ruptura. Os meus colegas riam de prazer com o que de descompressor e engraçado eu dizia. Mas o sorriso das docentes era Amarelo.

Isto sou eu, com um email de fim de festa, nas minhas queixas de dores Facultativas a uma amiga de Mestrado!

«Caríssima P. fiz os três trabalhos, o último dos quais com as marcas daquilo a que a professora R. chamou 'uma birra' e obtive dois bons e um suficiente, precisamente ao dela.

Nessa reunião individualizada de avaliação, mestrando a mestrando, do dia 11 de Setembro de 2006, com a Dra. A. P., a Dra. R. e, silentíssima, a Dra. O., pude ouvir uma avaliação muito dura do meu desempenho geral: nos seminários eu era «voluntarista» e tinha intervenções «desajustadas»;

mas dura sobretudo no que se referiu à parte escrita, que a professora A. classificou de «expressionista», «não planificada» e a mim como alguém que tem «algum jeito para a escrita», expressão condescendente e excessiva que depois retirou perante os meus mansos mas inconformados argumentos, já que considero que tenho com a palavra uma relação íntima que não se limita a usá-la e a dobrá-la para efeitos frios de tese, análise, síntese.

O meu coito com a palavra é um coito antes de mais artístico e ando embrulhado com ela em todas as posições kamasutrianas possíveis todo o santo dia porque sou um tarado da poesia, um fervoroso amante da palavra densa e imprevisível.

Estava à espera de ouvir delas alguma referência pela positiva à minha especificidade aí. Mas isso seria uma inflexão ao propósito incial que as movia.

Enfim, inicalmente a Dra. A. P. fez as despesas do ataque, pegando muito pela falta do quarto trabalho com sorrisos de algum compreensível(?) sarcasmo, cuja falta obstaculizaria a pós-graduação, pois a próxima fase para elas é algo já de putativo, mas que eu gostava de ir fazendo, minimizando-me inesperadamente a arte da palavra que tanto acarinho, com asserções exageradas que me parece terem sido assim injustas devido ao meu posicionamento conflitual com a Dra. R. em final de semestre, algo que perante elas, olhos nos olhos, admiti como da minha parte suicidário, mas só explicável tendo em conta um determinado plano de fundo pessoal, que me desgastou e exasperou mais para o fim.

Claro que essa entrada de leoa quer da Dra. A. P. quer da Dra. R., sobretudo da primeira, inicialmente implacável, diga-se, abrandou, meia-hora de colóquio depois, porque se aperceberam que a energia contundente e justiceira com que se haviam armado não tinha em mim oposição equivalente, retaliante, mas um posicionamente arabemente fatalista, com mansas justificações e serena auto-defesa, dentro de um espírito muito descompressor gonçaliano-vilas-boas de não atribuir às sacrais vozes institucionais da Faculdade aquele peso indiscutível, aquela capacidade inesgotável de vergar o indivíduo a uma lei inquestionável, até porque, como tu e eu sabemos, querida P., uma classificação qualitativa, em última análise, premia e sempre permiará talvez os que merecem, mas sobretudo os inócuos e apáticos que, por juventude e estratégica inexperiência, não confrontam jamais o poder instituído.

A Paulinha deu-me muito ânimo na altura, 'tadinha, tão boa para mim!

Aliás, quando ambas as professoras surgiram na sala da reunião, vinham com as marcas da ansiedade, tinham um nervoso miudinho, uma tensão determinada no propósito geral e específico com que estavam ali, armadas do poder e da legitimidade, tensão que eu, numa breve troca de olhares, li perfeitamente como antecipação desse ajuste de contas comigo e só comigo porque todos os nossos colegas entraram e sairam com a rapidez e a placidez das boas notas, antes e depois cordatos e mansos como eu não soube ser, sobretudo na parte final deste primeiro ano de mestrado.

Confesso (não é novidade para ti) que a minha situação financeira e profissional, lugares vazios durante todo o ano, me foram acabrunhando e desmoralizando, assim como a concomitante redução a uma certa servilidade necessária na confeitaria por amor da minha mulher, coisas que me tornaram bravio, orgulhoso e vaidoso compensatoriamente nos meus enunciados escritos, tendo por fim, nesse espírito, perdido o ânimo para concretizar o quarto trabalho que só agora estou a ultimar, graças à benevolência do Dr. G..»

PALAVROSSAVRVS REX

bluegift disse...

Manuel,
Não se trata de um bufo anónimo; é uma pessoa com um lugar de responsabilidade universitária que decidiu lançar um blogue privado onde se diverte a fazer o que lhe passa pela cabeça. Vida privada, portanto.

bluegift disse...

Foi parvo (o blogue é meio parvinho) e provavelmente vaidoso, isso sim ;)

bluegift disse...

Joshua,
Se continuares a escrever, e espero bem que sim, pode ser que um dia venhas a ganhar um Prémio Nobel da Literatura, mas um aprovado com alta distinção numa universidade, duvido muito...

C Valente disse...

Saudações amigas e uma boa noite

quinTarantino disse...

MANUEL ROCHA, meu caro, obrigado pelo elogio. Espero que sem cicuta.

Quanto ao "Dissidências", a piada está mesmo aí. Censurar uma coisa daquelas?
Se ainda fosse aqui o NOTAS SOLTAS ...

C VALENTE , sempre presente, o amigo. Obrigado por isso.

BLUEGIFT e JOSHUA, vocês troquem opiniões, ideias e galhardetes ... é isso que eu aqui quero ... eu ainda amandei com um Brassilach, um Ezra Pound para a mesa mas ninguém pegou na coisa...

Pata Negra disse...

E estava eu deliciado a ler o texto e o Quintarantino ginga para os professores e o Sócrates. Se é professor tem de ter cuidado com aquilo que diz! É ponto assente!
Mas a culpa é do Sócrates, é a sua postura que queria o campo propício ao aparecimento destes delírios daninhos de tentativa de controlar as opiniões!
É sob a sombra deste regimes que florescem os pequenos imitadores dos chefes!
Se não é assim, como explicar o súbito aparecimento de tantos tiques deste calibre?!
O Sócrates é isso mesmo: provinciano, mesquinho, tacanho e filho da
Um abraço com tudo contra Sócrates, nada a favor de Sócrates

quinTarantino disse...

PATA NEGRA, Vossa Majestade bem sabe que é à sombra das árvores maiores, mesmo que sejam eucaliptos, que nascem ervas daninhas...