Dr. Amado, se você o diz ...

Exmo. Sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros, Dr. Luís Amado:

Permita-me escrever esta missiva para lhe endereçar os parabéns pela excelente entrevista que deu à revista "Visão"; como eu tenho por costume dizer, muito bem!

Foi realmente com enorme satisfação que li e apreciei o facto do Senhor Ministro, para além de ter reproduzido o discurso do Sr. José Sócrates, foi mais longe e conseguiu reproduzir as vírgulas e os pontos finais.

Permita-me aqui, humildemente reproduzir os seus pontos de vista, bater palmas e acrescentar pequenas observações de um simples cortador de aço, que tem a noção quando está perante um estadista

"Quando se pretende reformar, a tensão tem que existir, porque, senão, não há mudança. Esse trabalho tem sido desenvolvido, nem sempre bem, mas com correcções importantes nos últimos meses, que perspectivam um novo ciclo de políticas", afirma.

Humildemente, aqui deixo um reparo: se o trabalho tem sido bem feito (?), então tem sido muito mal explicado. Imagine que alguns, gente de fraca visão, acham que estão a transformar, com este espírito reformador, o mau no pior.

"É preciso que o poder político sinta as dificuldades que as famílias e as pessoas sentem", é outra das afirmações que nos deixa.

Então e não tem sentido?

Basta ver todos os dias os políticos a apertarem o cinto, recusarem reformas milionárias, a recusarem empregos milionários como administradores de empresas, com as quais, enquanto membros do governo negociaram contratos; todos os dias os vemos a fazerem contas à vida para no meio do mês terem ainda dinheiro para pagar os 45 cêntimos que custa uma sandes na Assembleia da Republica, a fazerem um enorme sacrifício para se sentarem nas "sucatas" dos automóveis do Estado, digo eu, que um dia destes passei pelo parque de estacionamento do Câmara Municipal do Porto e tive medo de apanhar tétano ao passar perante tanto ferro velho, mais uma vez povo ingrato.

"A política de Educação foi conduzida, ao longo dos anos, centrada nos interesses dos professores e não dos alunos. Esse é que foi o problema. Olhando para a última década, nós gastámos mais dinheiro, temos mais professores, menos alunos, e os resultados são confrangedores. É, talvez, o problema mais grave do país", é outra das sentenças lapidares que nos deixa.

Muito bem Senhor Ministro, mesmo muito bem, a culpa é sempre dos professores, nunca é do sistema.

Eles é que são os maus, eles é que tem excelentes condições para ensinar, eles é que têm estabilidade no trabalho, eles é que todos os anos sabem que têm emprego e onde vão ensinar e mesmo sabendo tudo continuam a queixar-se. Eles é que estão errados, eles é que não compreendem o que os senhores têm feito.

Excelente o senhor Ministro ter tido a capacidade de reconhecer que existe uma tensão na sociedade relacionada com o sector da Educação, mas que, na sua opinião, é "importante (...) que se mantenha, porque é criativa".

Mais uma vez muito bem, encarar os protestos e providencias cautelares como "tensão criativa", pois só mostra que o Senhor Ministro tem uma noção exacta da realidade.

Permita-me também bater palmas de pé pelo facto do senhor Ministro afirmar que, caso se venham a confirmar as situações de ilegalidade no sobrevoo do território português, sem a autorização e conhecimento de Portugal, irá pedir explicações aos EUA. Como todos sabemos temos um peso tão grande aos olhos dos "américas" que virá o próprio presidente Bush a Portugal dar as necessárias explicações.

Obrigado por ter explicado que, neste momento, com os EUA existem apenas "conversações a um nível técnico", sobre a base das Lajes; presumo que seja para ver que tipo de tapete utilizaram os americanos para limpar os pés ao passarem por lá.

Desculpe ter-me alongado, mas fiquei fascinado e esclarecido pela visão que tem sobre o País; fiquei muito mais descansado, sabendo que realmente estamos em boas mãos.

17 comentarios:

quintarantino disse...

O Dr. Luís Amado fala, nós ouvimos e lemos e pensamos: "E eu é que sou o burro? Eu é que sou o burro? Aaarrhhhh ...".
Eu volto.

António de Almeida disse...

-E o ministro Luis Amado, é um dos mais competentes membros do executivo. Descontando o facto do ministro dos Negócios Estrangeiros, ser dos mais bem vistos em qualquer governo. Faria se a entrevista tivesse sido dada pelo ministro das Obras Públicas...

bluegift disse...

Embirro um pouco com o Amado; aquelas barbas de capitão quinhentista que descobriu o caminho marítimo para Bruxelas não me convencem muito. É muita pose e fraca consistência. Não gostei nada da imagem decorativa que deixou durante a presidência da UE.

bluegift disse...

Gostei muito da Carol no "Clube dos Pensadores", representou muito bem o nosso espaço apesar das perguntas um pouco "bruscas" do locutor.

Carol disse...

Tiago, sinceramente não percebo a razão do teu post. Vá, já não te expliquei que todos devemos utilizar essse discurso para que se torne realidade?! Caramba!

Fora de brincadeiras: esperavas um discurso diferente? O homem está no governo do Sócrates e não me parece que queira sair de lá. Querias o quê?!

Blue, a descrição que fazes do Amado é um espectáculo! Ah, e obrigada pelo elogio.

Tiago R. Cardoso disse...

quintarantino,
Aguardo desenvolvimentos.

António de Almeida,
Até pode ser muito competente, mas não tinha necessidade de repetir o discurso oficial, mantendo os pontos e as virgulas.

Tiago R. Cardoso disse...

bluegift,
Boa descrição, também fico com a impressão de estar perante um "estadista" daqueles com um ar um tanto superior.

Carol,
Queria que não tivesse avançado com uns lugares comuns, uma repetição do discurso do regime, uma visão que ninguém mais tem, pelo menos ao nível do comum cidadão.

Zé Povinho disse...

Falar e nada dizer é uma arte dos nossos ministros dos Negócio Estrangeiros, mas Luís Amado inovou e passou a debitar, tal qual câmara de eco, frases do chefe.
Abraço do Zé

joshua disse...

Amado é um vaidoso e um poseur! O discurso do entrevistado é um feixe de lugares-comuns autistas. O que há de criativo na tensão colocada pelo estilo de Governação dos últimos três anos é a actual correcção moderadora da Rota no sentido de cativar eleitorado.

Mas o eleitorado já percebeu que o seu voto não vale nada. O que conta e o que vale é a Alta Promiscuidade Sector Privado e Estado e que nos fodamos nós!

Perfeita a tua posta, Tiago!
Sejamos bem-vindos ao maravilhoso mundo novo tão antigo para quem está por baixo!

PALAVROSSAVRVS REX

Tiago R. Cardoso disse...

Zé Povinho,
Diga-se que consegue reproduzir as virgulas e os pontos finais, o discurso do regime é contagioso.

joshua,
excelente analise a tua, é também a visão que tenho do senhor.
Tenho a esperança que o povo não se esqueça em 2009 do que tem sido feito, mas começo a desconfiar.

NuNo_R disse...

Boas...

É pura demagogia o que esta gente diz.
Nem conseguem já dizer outra coisa qualquer...

Parece que até eles precisam de o dizer para poderem acreditar também...

É só brincarem com o Povo.

abr...prof...

Blondewithaphd disse...

Come on!, don't you like discovering you live in wonderland? I do;)

antonio disse...

O menino anda a ficar perigoso... mas ainda não tinha visto, o mais grave problema do país, por esse prisma: professores a mais e alunos a menos.

Parece-me simples de resolver: eliminem-se os professores!

Acendam-se os fornos crematórios.

quintarantino disse...

NEM DE PROPÓSITO (e eu nem gosto do Manuel Alegre, mas aqui fica):

Num texto colocado na sua página na Internet, www.manuelalegre.com, o deputado e vice-presidente da Assembleia da República responde a declarações feitas por Luís Amado em entrevista à revista Visão publicada na edição desta semana.

Manuel Alegre refere que Luís Amado, questionado sobre como avalia «o avanço do sector privado à medida que o Serviço Nacional de Saúde diminui», disse à Visão que «os problemas do Estado social não podem ser dissociados da economia» e que «o Estado social tem de ser reconfigurado à luz desta realidade».

«Estar na Europa não é uma simples formalidade, nem só assinar o Tratado de Lisboa. E ser socialista na Europa implica uma visão política e uma posição ideológica sobre a questão essencial do modelo social europeu. Pretender submetê-lo às regras da economia de mercado é uma cedência ao neoliberalismo» , reage Alegre.

O ex-candidato independente a Presidente da República acrescenta que «a esquerda, sobretudo a que se quer moderna, não pode introduzir nos serviços públicos uma lógica de economia privada, porque isso é subverter e pôr em causa os fundamentos do Estado social».

«Esta é uma questão ideológica, que passa por certos sectores do PS, bastante atrasados em relação ao próprio Partido Democrata americano» , conclui.

Manuel Alegre declara-se de acordo com os economistas que defendem que «as regras dos serviços públicos não podem ser as do sector privado, têm de ser regras pautadas por preocupações de qualidade, tendo em vista o serviço dos cidadãos e o interesse geral».

Na entrevista à Visão, o ministro dos Negócios Estrangeiros e dirigente socialista é confrontado pela Visão com a opinião de Manuel Alegre de que o Governo não está a cumprir papel social do PS.

Luís Amado considera «natural que as medidas difíceis que o Governo tomou tenham levado a algum desencanto na avaliação que muitos socialistas fazem da sua acção», mas alega que «qualquer português de bom senso percebe que o Governo tinha de fazer o que se impunha».

No sábado passado, Manuel Alegre reuniu-se em Lisboa com militantes socialistas que o apoiaram nas eleições presidenciais de 2006 e anunciou a formação de uma corrente de opinião no PS para preencher «o buraco negro» que na sua opinião existe no partido.

«Não há debate suficiente, tudo está muito governamentalizado, tudo começa e acaba no Governo» , criticou, na altura.

Tiago R. Cardoso disse...

NuNo_R,
E repetem-no, repetem-no, reproduzem os dizeres do chefe.

Blondewithaphd,
Somos mesmo uns privilegiados não somos ?

Tiago R. Cardoso disse...

António,
sinceramente já não digo nada, a culpa é sempre dos outros nunca deles.

Tiago R. Cardoso disse...

quintarantino,
também não aprecio o Sr. Alegre, mas neste caso um bom acrescento.