Um quarto da geração de Abril não vota!

Gustav Radbruch, na sua obra “Rechtsphilosophie”, também aborda a questão da teoria filosófico-jurídica dos partidos políticos, afirmando a dado passo que (…) poderá dizer-se que na vida deles só o interesse partidário é uma realidade e que as suas ideologias não passam dum simples pretexto ou fachada, embora por vezes bela, para encobrir esse interesse.”

No nosso actual quadro partidário existem dois grandes partidos, o PSD e o PS, que têm como asas o PP, pela Direita, e o PCP e o BE pela Esquerda. Recorro ainda à arcaica dicotomia Direita/Esquerda para facilitar as coisas. Nada mais.

Aqueles dois partidos ditos de referência têm-se revezado nos vários patamares de governo; nacional, regional e local. Mas sempre, ou quase, sem que existam, mais que decisores, verdadeiras autoridades morais, com visão de estadista, que consigam implementar uma estratégia consequente. A seu modo, e nos seus tempos, penso que Sá Carneiro, Mário Soares e o primeiro Cavaco Silva aproximaram-se muito desse desiderato faltando, contudo, a qualquer um deles aquele golpe de asa…

As gerações, desprovidas dessas referências e incrédulas ante guerras de campanário, desinteressam-se pela política feita nos e pelos partidos sem, contudo, descurarem a Política.

Uma sondagem ontem tornada publicada dava conta que, entre a faixa etária dos 30/39 anos, 50,6% dos inquiridos não se interessavam por política, 19,2% nunca pôs os pés numa secção de voto, 52,7% nunca assistiu a uma iniciativa política e 77,8% não é, nem nunca foi filiado em qualquer partido político. Sintomático!

Carlos Jalali, docente de Ciência Política na Universidade de Aveiro, aponta a socialização que não foi feita para a participação política, níveis educacionais persistentemente baixos, processos políticos opacos e “complexificados” como algumas das causas para este distanciamento e baixa participação. Este investigador não releva, ao que parece, o egocentrismo de uma geração mas também o podia fazer.

É habitual escutar-se alguém dizer “eu de política não percebo nada…” (embora também se deva assinalar que, logo de seguida, e porque nos está na massa do sangue debitar sobre tudo, dissertar sobre a vida política!), assim como também se vem crescentemente assistindo a um alijar de responsabilidades.

Tudo o que seja maçada, exija trabalho ou reflexão são minudências quando comparadas com a discussão sobre a jornada futebolística do fim-de-semana ou as extensões que o Salão de Beleza Paula & Teresa agora aplica…

Há ainda quem, deliberadamente, viva para a gestão de interesses mesquinhos e silêncios cúmplices. Optam por não tomar partido, ficando ali na zona cinzenta em que tanto se lhes dá que lá estejam os laranjas ou os rosas, desde que o marfim corra!

“Über Parteien in der Luft steht niemand. Zwischen den Kämpfern, Lauft ihr Narren umher, sichere Opfer der Schlact”, escreveu Adolf Glasbrenner.

Que é como quem diz: “Por cima dos partidos, pairando sobre eles no ar, não há ninguém. Apenas entre os contendores circulam os seus bobos que são as grandes vítimas certas da peleja.”

Por mim, não há revolução nem guerra que possa ser vencida sem que a batalha seja levada para dentro dos partidos!

A sondagem citada é da “Eurosondagem” e foi publicada no “Expresso” de ontem.

36 comentarios:

ana disse...

A actividade política tal como é actualmente vivida em Portugal não tem, de facto, características que possam entusiasmar os mais novos. E, vê-se agora, a geração entre os 30 e os 40 também não se motiva muito.
Penso que o egocentrismo aflorado no texto, embora assim ao de leve, também deva ser tido em conta. Há muito quem esteja disponível para reclamar, mas poucos os que se dispõem a lutar pela mudança.
Óbviamente que não é fácil conseguir, dentro dos partidos, e sendo-se neófito galgar as escadas e aceder aos verdadeiros centros de poder onde tudo se decide. E sabendo-se que a maior parte das estruturas locais funciona de forma incipiente e fechadas nos órgãos mais circunscritos, mais difícil se torna o combate.
Mas há que teimar e persistir. E não ter medo de ser-se politicamente incorrecto.

antonio disse...

Pois, o problema é que quando os jovens se demitem da política as decisões são tomadas por "velhos" que obviamente distribuem benefícios por agora e encargos para o futuro.

Esta demissão cava o fosso entre os ordenados de topo (velhos) e os indiferenciados, nomeadamente ao nível do primeiro emprego.

Desde os dirigentes sindicais ao do patronato, a média etária ronda os 70 anos e são desempenhados em 90% por reformados. Que sociedade de futuro se pretende construir assim? Onde estão os representantes da força de trabalho jovem e dos empresários jovens?

Onde andam os jovens?

Maria P. disse...

De facto as pessoas andam muito "adormecidas" e pensar/falar/agir para além do assunto banal cada vez é mais complicado.

Concordo com a referência a Sá Carneiro, Mário Soares e Cavaco Silva, embora pense que o primeiro não teve tempo de dar o golpe de asa.

Shark disse...

O triste e indecoroso espectáculo a que assistimos de hoje se dizer assim e amanhã se fazer assado; de no poder se ter uma postura e, uma vez na oposição, se defender precisamente o contrário; de se verem Varas & Lopes na crista da onda enquanto se despacham vozes incómodas para a prateleira são razões mais que suficientes para se querer distância de partidos e da vida partidária.

Manuel Rocha disse...

VExa, D. Tarantino, permite que assine por baixo ?

Eternamente grato !

Atenciosamente,

( o referido em epígrafe ...)

quintarantino disse...

Manuel, ora essa... mas olhe, tire o Excelência e o eternamente grato.

António de Almeida disse...

-Poderemos encontrar razões portuguesas para este alheamento, mas ele existe em todos os países desenvolvidos, porquê? -porque as pessoas ouvem falar em jogos de bastidores, quem se atreve a aproximar-se dum partido, logo constata ser verdade, no entanto também existem exemplos de sinal contrário, por exemplo, nos EUA, mais concretamente no Iowa, Obama conseguiu uma forte mobilização dos democratas, basta comparar com primárias anteriores no mesmo estado, do lado democrata, se vai conseguir manter ou não esta mobilização é outra história, á qual vou fugir, voltando ao post, apenas fui buscar este caso, para como exemplo, dizer que por vezes as pessoas ainda acreditam, o problema é que logo desacreditam, por muitas e variadas razões. A tudo isto podemos somar o crescente consumo duma certa cultura light, ou mesmo pimba, que apenas se interessa por futebol e futilidades, e isso, não é culpa apenas dos media nem dos políticos, mas da sociedade no seu todo, que deixou de ser exigente.

Blondewithaphd disse...

Na was?! Jetzt sprichst Du auch Deutsch?
Let me get this straight: I'm new generation, I'm interested in politics, I like politics, I teach politics (surprise, surprise), I always vote because someone else before me fought so that I could vote. But... yes, my generation couldn't care less about politics, yes, it's always the same folks in the political arena, yes, there's a lot to be done and a long way to go.
Nächste Mal wird mein Post auch auf Deutsch, stimmt?

quintarantino disse...

Dearest, I always knew you were on the group of those who vote and fight... I still got my eye blue from the last punch you gave me to remind me!

Tiago R Cardoso disse...

De facto muitos alegam que não querem saber de politica, aliás dizem-se longe dela, não gostam, mão votam, no entanto quando é para dissertar sobre as coisas estão sempre dispostos, principalmente para dizer mal.

Eu pertenço a geração que falas, admito aqui que tive alturas onde o distanciamento em relação à politica era grande, simplesmente ignorava...

Mas depois cansei-me de estar alheado das coisas, de ver os outros a decidirem por mim, principalmente não participar nem me interessar o caminho por onde levavam o meu país.

Se calhar é isso mesmo, temos falta de referencias, daquelas referencias que chamem as multidões.

No entanto qualquer tipo de movimento terá de ser feito numa renovação dos partidos, porque como está provado, os movimento de cidadãos que têm aparecido rapidamente desaparecem, dou o exemplo de Manuel Alegre.

Mariano Feio disse...

Antes de mais cumprimentos por este texto que a meu ver põe e muito bem o dedo na ferida.
De seguida uma nota simples. Parece que houve quem ontem tivesse lido o meu comentário ao texto anterior como critica destrutiva de pacóvio. Aceito o pacóvio.Limitação própria de quem não conseguiu ir mais longe nas letras, embota continue a tentar. Mas não aceito a critica destrutiva. Pelo contrário. Julgo que trouxe um contributo que estava a ser escamoteado no texto.
Não me pareceu que este blogue fosse dos que apenas gostam de criticas asépticas. Mas se as minhas passagens por aqui não forem bem vindas, julgo que estamos entre adultos com a estaleca bastante para terem a ombridade de mo dizerem sem rodeios.
Cumprimentos.

Guilherme Santos disse...

Pois, mas os partidos estão esgotados, já não se pode tirar nada deles, o povo está farto, chega !!!
A todos os níveis, principalmente a nível autárquico os movimentos de cidadão estão em alta, muita gente resolve intervir, lá chegará o dia em que os cidadãos farão uma intervenção directa por um bem comum sem intermediários nem sujeitos a ideologias partidárias.

quintarantino disse...

Mariano, as suas críticas são sempre bem recebidas.

Blondewithaphd disse...

Caro Mariano,
Sem debate e confronto de ideias só há marasmo e desinteresse. O progresso faz-se através das ideias divergentes até que se encontrem pontos de equilíbrio. Os seus comentários são, não só bem vindos, como estimulantes!

Mariano Feio disse...

Um sentido obrigado!
É bom saber que fui devidamente entendido por quem mais interessava.

O Guardião disse...

Duvido muito que os actuais partidos se queiram ou deixem regenerar. Para mim estão esgotados à muito e dominados por interesses de clãs que se vão encarregando de formatar as mentalidades dos poucos jovens que se começam a interessar por política e a eles se juntam (aderem).
As mudanças têm de partir de fora do sistema, penso eu.
Cumps

Compadre Alentejano disse...

Será que os movimentos de cidadãos vão absorver os partidos? Ainda há pouco tempe numa roda de amigos discutimos esse tema, e a conclusão foi que um bom movimentos de causas é capaz de aglutinar até, pasme-se, os votos de militantes de partidos.
Mas, logo que terminado o seu tempo de vida deve-se extinguir, pois poderá correr o risco de se transformar em partido.
Não é só 25% da geração de Abril que não vota, é também uma grande percentagem de pessoas que votavam, foram enganadas, e agora já não votam.
Eu próprio, neste momento, posso não saber em quem votar mas, de certeza, sei em quem não votar...

Manuel Rocha disse...

Eu até entendo a relutância que possa existir em saltar de paraquedas para dentro de um partido e tentar lá dentro influenciar o rumo dos acontecimentos. Dizes-se que os partidos estão "tomados" e até aceito que assim possa ser.

Mas, conforme noutras ocasiões já referi neste espaço, não entendo de todo a persistente abstinência em actos de democracia directa que estão ao alcance do mais elementar dever de cidadania.

Falo de coisas tão prosaicas como comparecer nas reuniões de condóminos, de pais, das associações em geral.

Não falo necessáriamente de outros movimentos de cidadãos legitimos mas por natureza circunstanciais, como os Alegre ou Roseta.

Mas as assembleias de freguesia e de câmara, que são de facto espaços de democracia directa, em Portugal apenas contam com a presença dos que lá vão por inerência de função!

Nestas condições, é normal que o exercico do poder se estabeleça numa relação nem sempre muito edificante com os média, pois a verdade é que muitos de nós julgam cumprido o seu dever de cidadania como espectadores assiduos do telejornal das 20.

A descontracção com que a amostra do expresso que o Quint refere fala da sua falta de participação cívica é ilustrativa deste ciclo vicioso que se estabelece entre o queixume permanente e a falta de energia para mudar de sitio uma virgula que seja.

bluegift disse...

Por acaso não concordo com a frase. Acho que o poder dos grandes lobbys económicos, nacionais e internacionais, estão, normalmente, acima dos partidos. Excepto quando há uma revolução, essa sim, eventualmente ideológica e partidária. Agora, que "entre os combatentes circulam aqui e ali os seus bobos, vítimas certas da pancada", estou de acordo. Mas também há muito proveito nessas pretensas "vítimas"...

No aparente egocentrismo dos jovens parece-me haver um excesso de "bem-estar" social nunca antes observado. O marketing invade mais que nunca as suas vidas e os gastos são assegurados cada vez mais pelos pais, mais os biscates de empregos e outras vantagens económicas nunca vistas.
Mas é um "paraíso" aparente. Se esta política de liberalismo selvagem não for devidamente controlada, não só a maioria dos jovens está condenada ao emprego precário como os seniores serão despedidos para evitar custos elevados às empresas e à... segurança social... Lá se vai a mesada dos paizinhos.
Mais perverso ainda: como todos terão apenas o suficiente para manter um mínimo de qualidade de vida, poucas vozes se levantarão contra este sistema e os jovens continuarão adormecidos. Fantástico, não é?
Por isso, meus caros, muito poucos sairão incólumes ao sistema económico e político que reina actualmente no mundo ocidental. Acho bem que acordem, e depressa.

quintarantino disse...

Manuel, o amigo aponta as assembleias de condomínio, as reuniões de pais nas escolas, a assistência às sessões dos órgãos das autarquias locais como exemplos de falta de exercício de cidadania e eu dou-lhe razão.

Não obstante, pessoa clarividente como é, também sabe que o dito caciquismo de arregimentar gente para poder fruir de mais poder no partido existe; ou como é férreo o controlo que certos dirigentes de instituições particulares de solidariedade social praticam para impedir que surjam alternativas à sua gestão.

E assim vamos vivendo num ciclo vicioso. E como bem diz, muitos preferem ver as notícias a fazer parte delas. Aliás, muitos preferem as operações triumfo e os danças comigo...

Miss Vader disse...

Política? Políticos? Nã...

Manuel Rocha disse...

De acordo, Quint.

Mas o que refere decorre por inerência da própria natureza do sistema democrático. Ou se está com ele ou não. Mas convirá que já não seria nada mau se ao tal "arregimentar" correspondesse de facto uma participação significativa. Porque assim o que se passa é que ao darmos a nossa irrelevância por adquirida estamos a entregar os pontos sem sequer ir a jogo e acabamos a choramingar porque perdemos por falta de comparência, o que é exactamnente o que acontece com quem contesta a legitimidade de um governo que tem uma maioria absoluta que se apoia em menos de metade da metade que foi a votos.

A verdade é que este jogo até tem regras para mudar as regras. Mas vamos lá e sem batota: quem é que sabe assim de repente o teor do artº 1º da Constituição ?

É lixado, não é ?

quintarantino disse...

O artigo 1º da Constituição é o que se reporta ao carácter do Estado português... o problema, Manuel, é que dali para a frente é o próprio Estado que convenientemente aposta nas inconstitucionalidades por omissão.

O arregimentar, meu caro, é bom se correspondesse à tal participação mínima. Mas ir apenas à secção do partido votar, tendo outros pago as quotas por eles, na lista da conveniência é que não. E olhe que ainda há disto por aí e era disso que falava.

Uma das vezes, cheio, e ante a passividade de quem devia providenciar que tal sucedesse, abandonei a mesa... já não dava para ver tamanha "chapelada"!

quintarantino disse...

Já agora, e caso interesse a alguém, aqui fica:

Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária.

O resto da Constituição da República Portuguesa podem sempre consultar em Comissão Nacional de Eleições

Manuel Rocha disse...

Desculpe mas fez batota !

Óbviamente a pergunta não era para si e assim já não vale ...:)))

Mas seja, concedo: agora digam-me como é que nós povo andamos a gerir a nossa vontade popular ? ( só se aceitam pedradas de quem não tiver telhados de vidro...)

Quanto à "chapelada", aposto que fez um escarcéu do caraças e que não desistiu, certo ?

Como se sabe, qualquer combate de boxe tem vários rounds, e das duas trés: ou se atira a toalha, ou se vai ao tapete, ou se perde aos pontos...certo ??

:)))

Daniel J Santos disse...

Eu votei sempre, sempre achei que só com um participação cívica poderia depois poder reclamar alguma coisa.
Não acredito que seja possível as pessoas se ausentarem das votações e do debate, aparecendo depois para criticar. É fácil criticar e "destruir" a politica e os políticos, mas depois quando são chamados realmente a fazer alguma coisa ausentam-se, não se estando para incomodar.

Mariano Feio disse...

Desculpe-me mas tenho que partilhar uma pieguice, pois engoli em seco e segurei uma lágrima quando li o artigo da Constituição que transcreveu. Quem votou a Cosntituinte como eu, compreende bem o que são as memórias desses dias de todas as esperanças. Estamos longe do ideal? É verdade! Mas é preciso ter memória para valorizar o tanto que se fez em tão pouco tempo. Depende de nós todos fazer ainda melhor. Com empenho, trabalho, entrega.

Paulo Sempre disse...

Pode mesmo afirmar-se que o barómetro de um verdadeiro Estado de Direito Democrático está na interpretação dos comentários existentes nos espaços virtuais.
Abraço
Paulo

mac disse...

Acho que não tem muito a ver com o egocentrismo, tem mais a ver com o cansaço que se tem do políticos. O poder está sempre dividido pelos mesmos, PS ou PSD, e têm os dois o mesmo tipo de discurso. Mesmo que os outros partidos chegassem ao poder, mais tardou mais cedo teriam o mesmo discurso dos grandes.
"Os politicos são todos iguais", dizem as pessoas sentindo-se desiludidas, e não identificadas com estes. Por isto é que os independentes têm cada vez mais protagonismo...

SILÊNCIO CULPADO disse...

Quintarantino
Revejo-me no teu texto, em tudo o que exprimes e no retrato que fazes da nossa maturidade política.
Fui sempre uma pessoa que se interessou pela política e que participou activamente. Sempre votei, fui militante partidária, e membro de várias organizações. Os jogos de poder, as sacanices, as mentiras, as encenações e tanta coisa que daria para escrever um livro, deixaram-me uma total desilusão pela classe política, pelo poder e pelos governantes. Porém não abdico de votar, esse instrumento democrático de que ainda disponho para fazer intervir a minha vontade.Não sou dos que pensa que o ínfimo peso de um voto justifica que se abdique de votar. Não, eu insisto. E continuo também a intervir, como cidadã consciente dos problemas que temos para resolver,na luta contra as injustiças sociais causas de sofrimento e degradação dos valores humanos.

NINHO DE CUCO disse...

O desencanto, Quintarantino, o desencanto. E o que é que se pode esperar dum povo que já interiorizou que os políticos são mentirosos e que só prometem para ganhar as eleições e no dia a seguir a terem ganho já se esqueceram? Mas não podemos subestimar as pessoas que não votam. Elas estão vivas e sofrem revoltas interiores. Um dia os governantes podem ser surpreendidos com manifestações muito mais violentas que aquelas a que estão habituados.
Aliás, no seu conjunto, concordo com tudo o que aqui dizes.

NÓMADA disse...

Quintarantino
Longe de mim arvorar-me em douta inteligência para marcar o melhor e o pior do que aqui é publicado. No entanto, este teu texto, foi de todos o que escreveste o que mais gostei. Para mim está magnífico.
Todavia, e apesar de todas as desilusões, desencantamentos e desmotivações, os partidos são ainda o garante da nossa democracia.
Exijamos mais deles mas não nos demitamos das nossas responsabilidades enquanto cidadãos.

sol poente disse...

"Por mim, não há revolução nem guerra que possa ser vencida sem que a batalha seja levada para dentro dos partidos!"
E isto diz tudo.

Carol disse...

Tenho 32 anos, mas começei a votar há muito pouco tempo. Não por falta de vontade, mas porque só recentemente consegui adquirir a nacionalidade portuguesa.
Choca-me que as pessoas abdiquem de um direito como é o direito de voto. Mas a verdade é que as pessoas se distanciam cada vez mais de um sistema em que a corrupção e o egocentrismo grassam.

Zé Povinho disse...

Voto há muito tempo em branco exactamente porque os partidos actuais se esgotaram em si mesmos, olhando só para o seu interior e os interesses dos seus maiorais, e absolutamente nada lhes interssa do que se passa no mundo real. Não acredito que haja volta a dar-lhes e que possam ser influenciados por opiniões exteriores, a não ser que influenciadas pelo poder económico que é o único que respeitam.
Se um dia chegarem a umas eleições nacionais e os votos em branco atingirem os 15 ou 20%, aí sim, eles pensarão que o seu poder está verdadeira e democraticamente ameaçado.
Intervenção cívica já vai havendo, mas a desigualdade de meios é imensa e há muito cobarde por aí.
Abraço do Zé

Pata Negra disse...

Quanto menos gente vota, mais eles argumentam com a legitimidade das suas maiorias. Nem que votem só cinco e tenham três votos, diram:
a maioria do povo português apoiou o nosso programa!