Porto de Migrantes

Quase sempre fomos uma nação de emigrantes. A pobreza rural, a falta de oportunidades, a fraca alfabetização, a fuga a cenários bélicos e a um regime autocrático levaram milhares de compatriotas lusos a saltar fronteiras, num gesto endémico de povo que percorre latitudes e mundos. Numa Mátria (pego na expressão de Natália Correia) madrasta o sustento foi muitas vezes vislumbrado nos prazos africanos, nos ouros dos Brasis e nos escombros europeus. Somos ainda uma nação de emigrantes.

A emigração económica continua a sangrar o país profundo e deprimido. O grande Lá Fora seduz e promete obstar à miséria. Porém, por essas Holandas e Inglaterras rutilantes (esta roubei ao Eça, como já lhe roubei tantas coisas), a neo-escravatura (esta acho que inventei eu!) é o que espera o emigrante parcamente alfabetizado que sai do país com uma mão à frente outra atrás, dívidas à banca, enrolado nas cantigas de pseudo-empresas de trabalho temporário. E há também a nova emigração. O escoamento das cabeças pensantes (chamam-lhe a fuga dos cérebros, mas eu não gosto da expressão) e dos profissionais altamente qualificados, altamente especializados que vêem toldadas as suas ambições pela falta gritante de investimentos numa coisa tão simples como o Pensamento. E uma nação que não pensa é uma nação definhante, mesquinha, atrofiada.

Contudo, neste país já não se fala da emigração, fala-se sim da imigração. E nós, que nos achávamos uma nação de emigrantes, passámos a nação de imigrantes, um pouco como a Irlanda, com cujas lições muito teríamos a aprender (o que só por si dá um outro texto). Vemo-los aí, distintos do nosso padrão rácico: compleições negróides e mestiças e cabelos encrespados e grossos a notar a ascendência africana e brasileira, olhos azul de gelo e cabelos finos, lisos e claros vindos de um Leste imenso e vago. Com eles vêm novos sons, novos paladares, novas sonoridades na nossa língua latina. Trazem a heterogeneidade, trazem a esperança reprodutiva, trazem o choque cultural tão necessário ao globalismo. E trazem também a ansiedade social.

É difícil falar disto. É difícil admitir crises xenófobas num país que se orgulha dos seus brandos costumes. É difícil ter posições politicamente incorrectas e dizer que com a imigração chegam as máfias, os surtos criminosos, os esquemas e ilícitos da economia paralela, as clandestinidades. E ainda é mais difícil afirmar que, quando dizíamos que outros países, a braços com vagas imensas de imigrantes, eram frios para os estrangeiros (corto-me às expressões polémicas), tal sucedia porque não era aqui intramuros que isso estava a acontecer. Pois bem, o fenómeno entrou-nos porta dentro.

Atenção que eu não tenho nada contra a imigração. E eu sei o que é ser “estrangeira” num país onde não nasci mas que escolhi e ser estrangeira (sem aspas) no país onde abri os olhos pela primeira vez mas que declinei. Por isso, nada tenho contra os estrangeiros. O que me incomoda, todavia, é a política inepta de sucessivos governos em tratar deste assunto. Com tantos exemplos de países aqui tão perto que tiveram de lidar com a imigração em larga escala antes de nós, como é que não tiramos daí ilações? A imigração é necessária, mas não nestes moldes selvagens. Tudo o que se tem feito é descomprimir um pouco a pressão e, quando há uns largos milhares a mais de imigrantes ilegais, lá se abre uma janela de legalizações extraordinárias e a coisa vai coxeando assim. E, para se dar mostras de tolerância, lá se procedeu à naturalização jus soli de quem agora nasce aqui. Isto é que é tratar da imigração?

As minhas questões:
. Será que temos de seguir políticas de portas abertas ou enveredar por políticas de selecção? Os EUA há muito impuseram um sistema de quotas (tudo bem que é falível e permeável, mas mostra a resolução do país em dizer que quer controlar as vagas imigratórias), a Alemanha impõe pré-requisitos e permanência a prazo aos engenheiros que vai buscar à Índia, por exemplo.
. Onde é que está uma política de auxílio à adaptação dos imigrantes à nossa cultura e ao nosso país? A Holanda e a Dinamarca instituíram cursos de língua, cultura e, pasme-se, de sistema social (como é a segurança social, o sistema educativo, etc. desses países) sem cuja frequência não há legalizações.
. Onde andam as fiscalizações efectivas em relação à economia paralela? Aqui é que reside o busílis da competição desleal salarial de que muitos autóctones se queixam, aqui é que está o medo de que os estrangeiros nos tirem postos de trabalho.
. Quando é que se vão pensar políticas consistentes e sérias em relação à imigração? Será que os casos ocorridos nas grandes conglomerações urbanas francesas não servem de alerta? Ah, pois é, esqueci-me que neste país, como não se investe no Pensamento, as vistas são muito curtas e o que pode esperar não se trata hoje, trata-se quando se tratar.

28 comentarios:

António de Almeida disse...

-Primeiro ponto, não sou racista nem xenófobo!
-Segundo ponto, Portugal necessita de emigrantes, seja para realizarem tarefas que os portugueses não queiram fazer, quem sou eu para julgar outros? seja pelo envelhecimento da população lusa, seja por qualquer outra razão.
-Agora vamos ás questões mais polémicas, necessitar de imigrantes, não significa abrir portas a todos quantos queiram demandar terras lusas, não necessitamos de mafiosos, pedintes profissionais nos semáforos das cidades nem de marginais. Todo o comportamento ilícito deve ser punido com expulsão, no mínimo, mas devemos procurar legalizar todos os imigrantes que por cá trabalham, a melhor forma de combater a escravatura e as própria máfias, é a legalização, no entanto, legalizar não significa oferecer nacionalidade, essa deve ser de caracter excepcional, mesmo as segundas gerações só a devem obter após maioridade, por livre opção do interessado, não devemos obrigar a ser português quem preferir outra nacionalidade. As legalizações e autorizações de residência devem obedecer ás reais necessidades do país, para não criar bolsas de miséria. Quanto ao facto de atrairmos imigração pouco qualificada, e exportarmos quadros qualificados, tem a ver com o modelo económico e produtivo português, todo errado, assente num modelo estatizante e de baixos salários, que afecta portugueses e imigrantes indiscriminadamente. Bom post, Blondie!

quin[tarantino] disse...

Não basta dizer que os imigrantes fogem da miséria à procura de uma vida melhor pois mais importante é reflectir sobre as políticas objectivas que provocam tais fluxos migratórios.

A internacionalização da produção, por exemplo. A mundialização do mercado dos produtos agrícolas empurra a grande generalidade dos países em desenvolvimento para uma agricultura de grande escala, orientada para a exportaçã.

Ora, esta cria uma nova força de trabalho, assalariada e com grande mobilidade, eventualmente sazonal e, porventura, precária.

Resultado? Uma fornada de homens e mulheres disponíveis a tentar a sorte noutro local.

A guerra é outro dos contribuidores líquidos para os fluxos migratórios que assolam a Europa. Nós temos escapado, mas os kosovares, os afegãos, os abekazes, os georgianos, os tchetchenos, os bósnios e os iraquianos aí estão a provar o que digo.

Normalmente a dinâmica da imigração não é determinada apenas pela diferença de riqueza entre países ricos e países pobres.

Mais importante é o mercado de trabalho, as suas necessidades e a forma como se pode aproveitar esta mão-de-obra, maximizando-a e minimizando os custos .

Há até quem sustente que o desenvolvimento do conceito da Europa-fortaleza, com o seu agressivo controlo de fronteiras é causado visando criar um mecanismo de precarização da força de trabalho dos imigrantes que chegam.
Disparate absoluto, digo eu.

A Europa tem o direito de restringir o acesso àqueles que não lhe podem trazer vantagens. Laborais ou intelectuais.

Assuma-se isto com clareza e frontalidade.

Faça-se como os EUA que procurem avidamente a massa crítica das universidades estrangeiras.

Obviamente que o pedreiro e o
varredor fazem falta, e devem ser admitidos mas com conta, peso e medida. Se precisamos de 100, para quê deixar entrar 1000?

Seleccionar e priorizar nacionalidades. Porque não?

Não se esgrima apenas o factor linguístico. Mais importante será, porventura, o da formação.

Daí que eu nada tenha contra os eslavos que aqui se radicaram. Os que conheço, os que vieram e ficaram, são honrados, trabalhadores e nota-se que sabem o que fazem e do que falam.

Sei que serei acusado de politicamente incorrecto, mas não é suposto que fossem todos assim?

Sempre ouvi dizer que “em Roma, sê romano”. Isso decorre da força do Império e da romanização, mas nos dias que correm, respeitando-se as diferenças, tenho para mim que há mínimos.

Por cá ainda não temos disso, mas recordo a polémica em França por causa do “hijab”, o tradicional lenço muçulmano. Penso que é este o nome…

Então eles, islâmicos, em França recusavam que as suas mulheres e filhas tirassem o véu e queriam até que nas escolas andassem com ele alegando diferenças culturais, mas as nossas mulheres quando vão a estados islâmicos são aconselhadas a portarem-se bem? A andarem com lenço?

Por cá é um pouco do mesmo. Pasme-se que até quem cá está ilegal reivindica casa camarária…

Quanto a nós, a nossa triste e apagada existência, pouca mais margem nos deixa que não seja a saída.

A uns, especialmente no Norte, porque lhes faltou o emprego ; a outros, porque tendo apostado na sua formação concluem que aqui não há futuro.

Consequentemente, vão ver o que se arranja lá por fora…
E assim vamos andando…

migvic disse...

A grande verdade é que alguém para ter esta linha de pensamento, tem antes, e obrigatoriamente que se desculpar ao afirmar que não é xenófobo nem racista.

Existe muita confusão, ainda mais se partir de um dirigente do CDS-PP, como foi o caso à uns anos.

Shark disse...

Prefiro que se abram portas àqueles que demandem as nossas fronteiras e de quem precisemos;

Entendo que, uma vez inseridos no tecido social, devem ser tratados de igual modo e com os mesmos direitos que nós. Mas, atenção,com os mesmos deveres. Serve isto para dizer que quando a polícia vai à Cova da Moura prender um traficante, foi prender um traficante. Não é racismo. Deportar mafiosos não é racismo. É aplicar o Direito

Legalizar e dar autorização de residência atendendo ao nosso tecido económico e à situação familiar e profissional do candidato.

lua prateada disse...

Xiiii amiga como é verdade o que aqui dizes mas pouca gente infelizmente já se lembra do que se passou connosco...

Quando lá passas
Minha lua desabroxa
Continua,sê firme!...
Tal uma rocha.

Beijinho prateado com carinho

Feliz fim de semana!

SOL

Rosa disse...

As perguntas que deixa no final são verdades inconvenientes a que ninguém quer responder, pois obrigavam a que se tomassem medidas sendo algumas pouco agradáveis com os tempos de deixa andar que se vivem.

ana disse...

Não podemos querer cá imigrantes para nos fazerem trabalhos que não queremos e depois reclamar.

Ou será que por serem africanos e brasileiros, já podem ser explorados?

E quje eu saiba que anda a roubar carros em "carjacking" não são os de Leste. São portugueses. Lusitanos!

Carol disse...

Minha querida Blondie, que temática polémica decidiste abordar!
Em relação a este assunto tenho uma opinião muito própria e estou-me a borrifar para aqueles que me consideram ou vão considerar xenófoba e racista.
Os meus pais foram emigrantes durante anos. O meu pai deambulou por vários países, até que decidiu fixar-se na África do Sul. Para aí, chamou a minha m~ãe e o meu irmão. Nasci lá, há já 32 anos. Não fui registada na embaixada portuguesa, pois os meus pais não pensavam voltar. A vida dá muitas voltas e els voltaram, com uma filha estrangeira nos braços. Tinha 2/3 anos quando cheguei a Portugal. Vivi até aos 23 anos com nacionalidade estrangeira, primeiro porque o meu pai achou que eu devia escolher o meu rumo e, depois, porque não me queriam dar nacionalidade portuguesa. Para poder concluir a minha licenciatura e realizar o meu estágio pedagógico, precisava de ser portuguesa. Para isso, o meu pai foi a Lisboa e pagou 200 contos a um funcionário público. Numa semana, deixei de ser estrangeira...
Hoje vejo qualquer um a conseguir a nacionalidade nacional, pessoas que nem dominam a língua, nem se esforçam por conhecer a cultura e o país! Eu era filha de portugueses, irmã de um português, tinha estudado cá. Eu que me orgulho imenso de um país que deu tanto ao mundo, um país de uma beleza imensa tive que pagar para poder ser portuguesa. Isn't it ironic?!
Sou a favor da emigração, mas uma emigração pensada e racionalizada. Porqué é que temos que receber aqui gente que em nada contribui para o bem-estar nacional, que nada produz?! É certo que há pessoas que vêm para trabalhar, que são honradas e honestas (sou amiga de algumas, nomeadamente romenos e brasileiros), mas também recebemos gente que se dedica ao crime, à vagabundice e à exploração do Estado!
Que venham por bem e em número necessário, nunca em número excessivo. O fenómeno de "carjacking" pode ser feito por portugueses (só?), mas todos conhecem histórias de crimes cometidos por emigrantes.
E eu gostava de ver alguns portugueses preocupados e indignados com a exploração que é feita dos seus compatriotas em solo nacional! Porque ela existe e, se alguém quiser, posso dar alguns exemplos.
Agora, fico por aqui. Acho que já me estiquei um bocadinho.

Have a nice weekend my friend!

Carol disse...

Com uma temática tão quente, entusiasmei-me e acabei por cometer umas gralhas. è o que dá não reler o que se escreve...
Emigrantes em vez de imigrantes... Sorry :(

r disse...

respostas às questões:

1)Talvez.
2)De férias no nordeste.
3)Ao longo do Tejo.
4)Outubro de 2011

Manuel Rocha disse...

Uiiiiiii, que assunto complicado...

Finto o tema e deixo uma reflexão complementar.

Embarca-se no tema, sobe-se o rio da História e damos por nós nas margens do Tibre às portas da Roma antiga. É dia de mercado de escravos e os patrícios deambulam apalpando os bicepes dos produtos expostos.Discutem o preço, pagam e carregam o dito, assumindo o encargo de o alimentar 365 dias por ano. Como qualquer activo da cavalariça, escravo não raçoado não labora...

Claro que hoje somos muito mais civilizados, patricios como nunca mas civilizados, portanto em vez de termos escravos pagamos a empregados domésticos, mal, de preferencia, e só os usamos na medida das nossas necessidades, não fazemos neles qualquer empate de capital e portanto são descartáveis, haverá sempre outro disponivel, mas , por favor...alguém que lhes faça uma triagem à entrada, alguém tipo um governo ou coisa assim, porque páginas tantas ter como servente de pedreiro um médico ucraniano mais qualificado que o dono da obra é chato, sei lá... e depois esses africanos todos... se até lhes mandamos roupas usadas e umas saquinhas de farinha fora do prazo, que vêm eles para cá fazer quando a GALP até anda a procurar forma de lhes arranjar trabalho nos campos de girassol ou cana de açúcar com os quais se irá produzir o biocombustivel do nosso contentamento ?!

Mesmo muito complicado este assunto...quase tentado a dizer que é na disponibilidade para tratar pessoalmente das suas proprias merdas que se dividem as àguas da esquerda, mas isso não deve ser politicamente correcto...

Mas lá que o sapiens-sinistra-ocidentalis é um objecto de estudo interessante, lá isso é !!

Blonde, no meu inglés de praia eu diria que este "subjête es very muite compliquête"...sugiro abordagens complementares, talvez por partes...exemplo: neo-colonialismo e movimentos migratórios; capitalismo neo liberal e o mercado do trabalho... por aí...::))

alf disse...

Pôr o problema é o primeiro passo para a sua solução. Ainda bem que aparecem umas blondes a porem estes problemas.

a causa do problema, minha cara blonde, está claramente identificada por ti: este é um pais onde não se investe no Pensamento.

A Sociedade Humana não evolui por "leis do acaso" nem por "erros de cópia"; evolui à custa de muito pensar.

Ora isto continua a ser um deserto intelectual. Sem "pensar", vigoram as leis toscas do "mais forte", dos interesses individuais, das vistas curtas.

Vamos ao tema:

A imigração portuguesa não tem nada a ver com a imigração dos outros paises. Os outros paises recebem imigrantes para tarefas que os naturais não podem fazer, porque estão ocupados em tarefas mais qualificadas.

Em Portugal, metade da população é não qualificada. Os imigrantes não vêm preencher lugares vagos, mas simplesmente trabalhar mais barato, para satisfação das classes média e alta. Criando desemprego, naturalmente.

Como têm ordenados muito baixos, não têm condições para educar os filhos, que tendem para a marginalidade.

Como metade da população portuguesa tem de alinhar pelos mesmos ordenados para ter emprego, metade dos portugueses não têm condições para criar os filhos, que vão engrossar a desistência escolar e a marginalidade.

Já compararam a relação "ordenado mínimo / PIB per capita" em Portugal e nos outros paises?

Miss Vader disse...

Na minha escola andam uns alunos que são ucranianos (um até chamamos Schevchenko ou Ucra) e um russo. São porreiros. E na minha turma anda um africano. A gente chama-lhe Zé Preto, e ele não se importa. Mas onde moro não há muitos estrangeiros.

Laurentina disse...

Bem, antes de mais vim trazer a cadeira ao Tiago que me pediu e muito bem, porque estas coisas de antes de irmos pró mar a gente tem que se aviar em terra, não é verdade?!e desde já vou avisando que os interessados deverão apressar-se uma vez que as vagas estão a esgotar-se...até ontem a coisa tava calma, mas hoje já se exigem prazos e se fala em derrapagens...por isso é que já se andam a preparar os lavadouros publicos(para bom entendedor...)

E agora vamos ao post da "loura" que eu não sei quem é, acho até que nunca li um texto dela, mas para o caso tb não é relevante, porque amai a temática e a forma de exposição.
Ora eu também estou em seara alheia se vamos por ai, mas não quero cá saber disso para nada, uma vez que os oportunistas,ladrões e salafrários que escavacaram vários países e milhões de pessoas ao mesmo tempo, estão ai impunes e de cabeça levantada sem nada lhes ter acontecido nada, nem acontece..., antes pelo contrario estão de bolsos cheios, de mesa farta,parecem uns perus e ainda têem a lata de dizer que os turras podem aparecer ai e detonar umas quantas pontes...a esse quem lhe desse com um pano encharcado de merdelim nas ventas ainda fazia muitíssimo pouco.
Mas é melhor nem lembrar pecados velhos, porque isto ia dar pano para muito manguito...
Depois de ler todos os comentários, e concordar com varias coisa que ficaram ditas escolhi um em que me revejo totalmente que é o "Shark" ás vezes não concordo muito com ele, mas hoje disse tudo o que eu gostaria de ter dito, mas chegou primeiro.
5 estrelas para ele assino por baixo .

E agora vou deixar aqui um exemplo bem vivo e bem recente para se meditar nos emigrantes e nos imigrantes.

A época Natalícia na minha familia é passada em plena comunhão familiar e fraterna, juntamo todos os familiares na casa de um (tipo casamento cigano,ehehehehe), sendo que todos os anos roda e levamos connosco sempre alguém que tenha ou esteja a passar dificuldades, para celebrar connosco a quadra e assim não se sentir tão desamparado, pensamos nós...e aquilo dura dura como as pilhas duracel toda a semana.
Este ano depois de convidar um dos nossos aqui da blogosfera para passar a quadra que esteve e está a passar um muito mau bocado e ele ter recusado delicadamente,imediatamente se me apresentou outro que precisava de uma mão .
Também aqui do nosso meio, é o dono do blog "mãos de moçambique"que chegou a Portugal, dentro de um protocolo do Instituto Camões, no dia 12 de Dezembro para fazer um mestrado na UM sobre jornalismo (ele é jornalista em Moçambique)foi então o elito para passar o Natal em minha casa.
Inicialmente mostrou-se um pouco acanhado, é natural, chegando mesmo a confidênciar-me que era estranho ser convidado para o seio de uma familia para confraternizar uma epoca com um significado tão especial, sem ser das relações...depois de estarmos todos mais á vontade ao 2º dia conta-nos ele ... estou na residência da Universidade, cheguei já com bastante atraso, por questões burocraticas, fui colocado pelos serviços sociais num quarto que ja tinha lá uma pessoa, que no 2º dia me disse assim-
" Olha não quero que tomes o que te vou dizer como uma questão racista ou xenófoba, mas quero ficar sozinho no quarto e portanto queria que fosses aos serviços sociais dizer que não gostas do quarto, imediatamente te mudam para outro local.
O pobre do rapaz que não é tonto e perante a situação disse-lhe que estava bem, e deu á sola pensando que o assunto ia ficar por ali, entretanto sem ninguem com quem trocar impressões, porque eu ainda não lhe tinha dado os meus contactos, só nos tinhamos relacionado até ali via inter-blogues, telefonou para o irmão em Moçambique e pediu-lhe uma opinião,que foi no sentido de que deixá-se andar a ver no que dava, mas que não se deixá-se intimidar, e de qualquer forma que não fizesse ondas.
Que fique ja esclarecido que o primeiro ocupante do quarto é branco, filho de emigrantes na França, portanto um jovem de origem portuguesa que entrou no ensino superior portugues porque na frança não o conseguiu fazer e que não conta cá ficar depois de terminado o seu percurso académico.
Ao 3º dia já cansado de ter o "preto" no seu quarto disse-lhe assim "queres boleia para a universidade"?E o bom e ingénuo do Ouri disse que sim, no caminho o luso descendente tratou de o pôr ao corrente, que lhe estava a dar boleia para ele assim ter mais tempo para tratar do assunto que tinham pendente!
Chegados foram os dois aos serviços sociais sendo que o "ld" ficou á porta atirando o africano para frente do touro, só que para mal dos pecados do 1º a resposta que foi dada foi a seguinte...não temos quartos vagos, teremos de te colocar com outra pessoa, mas vem cá depois das festas e logo se vê o que se pode arranjar.
Depois de regressar das festas o Ouri apercebeu-se que o quarto serviu na sua ausencia para o ld viver aqueles dias ali com a sua namorada e também consumir umas ervas.
Aflito telefonou-nos porque já nos tinha como porto de abrigo.
A 1ª coisa que me apeteceu fazer foi participar a situação, só que o ambiente ia ficar tenso, perigoso mesmo, então durante 2 dias andou a dormir no quarto de outro africano , e graças a Deus o ld, lá consegiui que o mudassem de aposentos, sem mais tricas.

Beijão grande para todos e bom fim de semana

bluegift disse...

C'est assez compliqué ce sujet.
Je peux ajouter qu'aujourd'hui en Europe un travailleur de l'UE n'est plus considéré en tant qu'un immigrant, mais oui un "travailleur en mobilité", car il a pratiquement les mêmes droits des habitants du pays d'insertion. La croissance de la mobilité des travailleurs européens est même un des objectifs principaux de la politique actuelle. Un vrai luxe par rapport à ceux qui ont risqué la vie dans les années 60, quand l’Europe, plus de 10 ans après le début du plan Marshal et du 1er Traité de la communauté européenne, a commencé à avoir besoin de remplacer la migration par l'immigration. Malheureusement (ou pas…) Salazar et les communistes ont trop retardé notre développement et que maintenant on commence à avoir les mêmes problèmes que l'Europe des 6 a vécu : ceux d'une immigration d'intérêt économique et ayant une réalité culturelle très différente.
Je crois que le problème tombe là-dessus. Comment faire pour adoucir ce gap culturel, surtout quand ni les immigrants sont très intéressés dans la culture du nouveau pays ni les nationaux en les accueillir ? Pire que ça, quand ils veulent que sa culture soit prioritaire ? C’est quoi qu'on va faire aux valeurs de la démocratie occidentale, si difficilement acquises par les générations avant nous ? Il faut, sans aucun doute, chercher un équilibre.
C'est vrai aussi que, malgré les bonnes politiques d'intégration et fiscalisation, la discrimination face à ceux qui sont perçus comme différents ou « inférieurs », et le « travail en noire », sont très difficiles à surmonter. En plus, et malheureusement, tout ça va trop bien avec le côté plus sombre de l’économie libérale…
"Éduquer" les immigrants, lui donner une habitation, accès à l’éducation, sécurité sociale, etc. Une bonne sélection à l'entrée et la garantie que l'employeur va assurer les conditions élémentaires de survie, tout ça peut aider beaucoup.
Mais comment s'en occuper, de l'immigration ou de l'intelligence, quand les comptes publics ne sont pas équilibrés ? Si même dans le 12ème pays plus riche du monde (la Belgique), les deux problèmes font souvent la une des journaux ?

bluegift disse...

Pois é Laurentina, de bestas como esse emigrante português está o mundo cheio. E como mudar a mentalidade dessa gente se nem sofrer seguramente da mesma situação o fez mudar? Antes pelo contrário. A espécie humana é muito complicadinha...

Paulo Sempre disse...

"Eu vou ser livre na prática quotidiana de um sonho difícil" (Natália Correia)
Abraço

David disse...

A temática é pertinente e as perguntas são muitas...

Não tenho a pretensão de saber tudo nem de ter as respostas para tudo. ainda assim considero desumana a nossa política de imigração... se é que ela existe. Defendo uma política de quotas, apoiada num controlo apertado de quem entra e sobretudo em que condições é que entra. Não podemos ter uma política de assimilação, isto é, não podemos querer ou impor por decreto que quem entre no nosso país passe a ser português por decreto. Defendo que os imigrantes devem saber o mínimo sobre a nossa cultura, o nosso país assim como nós devíamos saber da deles. Porque receber não é subjugar. Porque receber é tratar cada um como igual nas suas diferenças. Muito mais existiria a dizer sobre este tema mas deixo-me ficar por aqui, tanto mais que os ilustres comentadores anteriores já expressaram muitas das ideias que eu defendo. Não posso deixar passar em claro é o facto de não sabermos como que linhas nos cosemos nesta temática... uma vez mais parece que anda tudo à deriva.

Manuel Rocha disse...

LOl...

Caros amigos comentadores:
Não se estão a aperceber da tremenda deriva "paternalista" dos nossos comentários ?! Que me dizem a esta nossa infinita propensão para regulamentar tudo e o seu contrário e para ensinar ao mundo o que é melhor para eles ?? Já não seria tempo para ensaiarmos todos nós novos discursos ?! Visitem os textos da colonização espanhola da América, sobretudo as oposições de Sepúlveda a Las Casas! Garanto surpresa com a similitude das questões de há 500 anos !!!

SILÊNCIO CULPADO disse...

BLONDE
Este tema dá pano para mangas.É tudo o que diz o Quintarantino, é tudo o que diz o Alf, é tudo o que diz a Carol mas é muito mais do que isso: é a constatação dum mundo injusto em que os 500 mais ricos consomem o equivalente aos 416 milhões dos mais pobres.
É entre estes últimos que se encontram os que emigram, que entram em redes de tráfico, que morrem em perigosas travessias de alto do mar e que,quando chegam vivos a terra, trazem dentro si um poderoso capital de sofrimento e frustrações que, não raras vezes, degenera em violência. Não sou a favor da assimilação. Acho que se deve respeitar a diversidade cultural. O facto dos países mais atrasados não o fazerem não é motivo para que os copiemos.

Tiago R. Cardoso disse...

Esta sociedade têm de compreender e aceitar a diferença, aceitar que a entrada de pessoas em Portugal trás muitas coisas positivas, não pode catalogar ninguém com base em alguns exemplos menos felizes.
Esta sociedade têm de aprender a respeitar diferenças a respeitar outros pensamentos, aprendendo também a aceitar que pode com a vinda de outros ganhar muito, seja por trazerem outras experiências, métodos diferentes e em muitos casos cobrir as carências que temos.

O Guardião disse...

Políticas sérias e consistentes? Desculpem, mas já repararam que estão a falar de Portugal?
Cumps

sniqper ® disse...

Desde já peço as minhas desculpas à autora do texto, li como sempre leio com atenção o que o Notas publica, mas realmente será que ainda vale a pena falar ou direi ainda mais, viver em Portugal, onde se praticam e aprovam cenas destas!!!!
Realmente, sem comentários.

Inspectores da ASAE recebem treino militar
Polícia norte-americana e elementos do SIS dão a formação. Apesar de não serem uma força de segurança, os inspectores da ASAE estão a receber treino militar de ex-agentes dos serviços secretos portugueses e elementos do corpo de polícia norte-americano SWAT.


SIC - http://sic.sapo.pt/online/noticias/pais/20080112-Inspectores+da+ASAE+recebem+treino+militar.htm

Compadre Alentejano disse...

Gostei do texto, parabéns.
Este problema das migrações é muito complexo, e gerador de uma economia paralela (veja-se o caso da Carol e os 200 contos que pagou).
Talvez só se consiga ultrapassar daqui a umas quantos gerações...
Saudações
Compadre Alentejano

Daniel J Santos disse...

Muito bem, a autora tocou aqui num assunto polémico e que divide a sociedade.
Pelo que já li muitos comentadores já analisaram e bem a situação.
Considero que teremos tudo a ganhar em aceitar a participação na nossa sociedade de imigrantes, evidentemente que sejam participativas na sociedade a todos os níveis e de uma forma positiva.

bluegift disse...

Silêncio culpado, já ouviste falar em "paz podre"? Tens aí todo o pretenso respeito dos países "mais avançados" pela diversidade cultural. Há grupos sociais que aceitam e outros não. Sempre foi e será assim, em todas as culturas, ricas ou pobres, pretas, amarelas, encarnadas, verdes! O que quiseres. Duvido que alguma vez mude. É inerente ao Bicho Homem.
Mais que aceitar a diversidade cultural, hoje em dia, o problema que se coloca é o de até que ponto uma cultura entrante colide com a receptora colocando em causa os valores conquistados. Qual deve ser o papel da sociedade de acolhimento nestes casos? Criar micro-países dentro do seu próprio país? E a Lei, não deve ser igual para todos? E os atropelamentos aos direitos humanos, vão-se permitir em nome do respeito pela tradição cultural do imigrante? É muito complicado, garanto-te.

Guilherme Santos disse...

O assunto extremamente complicado de se pegar, a escritora pegou bem nele e fez-lhe uma excelente analise, revejo-me em muitas coisas.

"Quando é que se vão pensar políticas consistentes e sérias em relação à imigração?"
Sinceramente acredito que nunca mesmo, pelo menos enquanto for Portugal.

antonio disse...

Eu proponho um regime de quotas de sucesso. Sucesso na sua integração não só no mercado de trabalho, mas na sociedade, nos sistemas participativos da sociedade, na escola, etc...

O emigrante não pode ser tratado como o cão que abandonamos quando partimos de férias...