Oh José, não vistes por ai 16 000 desempregados ?

Ontem tratou-se AQUI das previsões que todos os anos se fazem e que são a base para o cálculo dos valores dos aumentos salariais do ano seguinte.

O “cineasta da palavra” avançou, diga-se com algum sentido de provocação, que “desde 1998, o erro médio de previsão do valor inscrito no Orçamento do Estado é de 0,63 pontos percentuais. Quer dizer, António Guterres, Durão Barroso, Santana Lopes e José Sócrates não sabem fazer contas e também não arranjam quem as saiba fazer."

Entretanto, os órgãos de Comunicação Social avançaram que este "não sabem fazer contas", não se aplica ao Sr. José Sócrates, primeiro-ministro/"líder espiritual"deste país e adjuntos.

Veja-se:

"O número de desempregados inscritos nos Centros de Emprego em Portugal caiu 13,8 por cento em Dezembro, face a igual mês de 2006, mantendo a trajectória descendente pelo 22º mês consecutivo..."

"No final de Dezembro encontravam-se inscritos nos Centros de Emprego do Continente e Regiões Autónomas 390.280 desempregados, menos 62.371 que no mesmo período do ano passado e menos 6.912 desempregados que no mês de Novembro."

"...número de desempregados diminuiu 1,7 por cento..."

Ora aqui está a prova que sabem de facto fazer contas.

Lido assim sem contexto, muitos dirão que se trata de uma excelente notícia, mas o problema é que é preciso ver onde foram parar os que desapareceram dos centros de (des)emprego.

Íamos quase a sair, a ir para a rua em apurada investigação para responder aos anseios dos nossos mais exigentes comentadores, quando de repente tal se tornou inútil.

Mais uma vez, dando mostras que Sócrates e o seu Governo tudo ouvem, tudo sabem, tudo controlam, Fernando Medina, secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional, veio lesto explicar “cerca de 16.000 desempregados estão fora do número de desempregados registados porque se encontram a receber formação profissional..."

Explicando, os desempregados que integram acções de formação, simplesmente não entram nas estatísticas do Instituto de Emprego e Formação Profissional; mais, os desempregados com acções de formação com mais de 200 horas, saem da categoria de desempregados, continuam a
receber subsídio de desemprego, mas este deixa de ser pago pela Segurança Social e passa a ser pago através de uma Bolsa de Formação pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Ou seja, quem participa em acções de formação é "limpo" temporariamente do sistema e deixa de contar para as estatísticas.

Perante esta "redução" do numero de desempregados inscritos nos Centros de Emprego em Portugal, logo a propaganda entra em acção e trata de gritar aos sete ventos mais estes grande triunfo governamental.

Mais que saber fazer contas, o que se vê é uma enorme capacidade de malabarismos matemáticos, onde a gerência, com um lápis atrás da orelha, vai acrescentando uns zeros e umas virgulas, conforme os números que é necessário apresentar.

32 comentarios:

António de Almeida disse...

-Parece a velha táctica de vender banha da cobra. Os números de trapézio deste governo já não surpreendem, agora só faltaria mesmo a cereja em cima do bolo, contabilizarem os participantes em acções de formação profissional como empregados, isso sim, seria um golpe de génio, e ainda se atingiria a meta dos 150.000! Passou-vos ao lado, a pérola do dia? Mário Lino afirmar:«As SCUT está decidido, eu não costumo decidir e depois dizer que não decidi. Está decidido»

JOY disse...

Este Governo mais parece um circo atendendo á quantidade de Malabaristas,mágicos,contursionistas e os sempre aptecidos palhaços, só que neste circo nós já não nos surpreendemos nem achamos graça aos palhaços.

JOY

bluegift disse...

Tiago, essa trapaça já tem barbas e não é exclusividade portuguesa. São considerados como população activa, sim.
Na Bélgica, por exemplo, ao fim de 2 anos és obrigado a inscrever-te na formação sob risco de perderes o subsídio de desemprego. A partir dos 50 anos, creio, livras-te dessa obrigação. Claro que quem está em formação não consta das estatísticas de desemprego...
Em Portugal tens é casos ridículos de pessoas que são mais especializadas que o formador e são obrigadas a aturá-lo porque não há cursos ao seu nível ou dentro da área profissional. Uma alegria como podes calcular...

NuNo_R disse...

e ainda temos a separação entre desempregados de curta e longa duração...
que é para maquilhar a "coisa"...

é assim que ás vezes aparecem estatisticas muito bonitinhas a dizer que baixou o desemprego.
é claro, saiem de uma estatistica para engrossar a outra...

abr...prof...

Paulo Vilmar disse...

Tiago!
Pelo que vejo, a "criatividade" dos políticos não tem fronteiras! Há mais de dez anos, aqui, a prática é essa. Que faz cursos de reestrutura não é desempregado...
Dados estatísticos de governos, servem para dourar a pílula que obrigatóriamente nos fazem ingerir!
Abraços...

Lampejo disse...

Tiago,

No Brasil: Enquanto o governo persistir nessa política econômica ditada por grupos alienígenas, o país não conseguirá se desenvolver.
E quem o diz é o próprio vice-presidente da república.

Veja a política de juros imposta ao Brasil por grupos financeiros nacionais e internacionais é devastadora! Com essas altas taxa de juros continuará uma mera colônia da matriz; leia-se: do Imperialismo liderado pelos estados unidos. Pela nossa insistência em denunciar essa verdade somos chamados de xenófobos por conhecidos e desconhecidos vendilhões da pátria.

Entenderemos melhor assim, explico: Para sustentar as indecentes taxas de desemprego, só mesmo entendendo como elas são formadas e deformadas.
Primeiro, estão sobrando vagas, faltam trabalhadores qualificados. Isso mesmo, não falta trabalho no país, falta qualificação para as novas demandas da indústria, do comércio, dos serviços e do agronegócio.E isso não é de hoje. Têm mais de uma década que a mídia canta e decanta essa informação, e nada acontece. Aliás, acontece sim: temos 12% de analfabetos absolutos e 60% de analfabetos funcionais, para uma população estimada pelo Popclock do IBGE em 188.402.704 pessoas.Trocando em miúdos, são quase 23 milhões de analfabetos absolutos, ou seja, não conseguem nem ler o próprio nome, e(pasmem!!!) 114 milhões de analfabetos funcionais, ou seja, pessoas que foram alfabetizadas, mas têm dificuldade para entender textos simples e fazer contas básicas...,a falta de profissionais capacitados hoje é porque o governo não se interessa em formar cidadão com curso superior a custo baixo.
As universidades federais estão tomadas pelos filhos daqueles que podem pagar a particular.

Esse é o meu Brasil! E como diz a frase “Que país é esse?”Frase esta questionava poeticamente por Renato Russo em sua famosa canção na década de 80, sem resposta.

Até hoje!


(a)braços e flores :)

antonio disse...

Um erro de 0.63 parece pouco... nem a 1 chega!

Oh! Tiago não estarás a fazer um drama por tão pouco?

E se reduzissemos o ordenado aos senhores que fazem essas previsões em 0.63 pontos percentuais? Eu sei que er pouco, maas ajudava. ;)

Compadre Alentejano disse...

Não é caso único, os governantes manejam a matemática sempre a seu favor, é uma pouca vergonha.
Conheço licenciados a tirarem cursos de formação profissional, tendo dado como habilitações apenas o 12º ano.
Antigamente havia o SNI (Secretariado Nacional de Informação) mas parece-me que o Sô Zé conseguiu um ainda melhor.
Um abraço
Compadre Alentejano

Manuel Rocha disse...

Tiago:

Atenção a um detalhe.

Para que amanhão não o acusem também a si de fazer malabarismos matemáticos com números, falta aqui uma informação essencial que é a seguinte: quantos desemprergados estavam a receber formação no ano anterior ( peridodo de referência) e por isso não foram contabilizados como tal ?

Porque para que a ilacção tenha fundamento, teriamos que somar esses ao total de inscritos de então ( tal como se sugere que se faça nesta amostra ) para depois calcularmos a variação em bases iguais...certo ?

Isto das estatisticas é um campo de minas...muito cuidado !...:))

Tiago R. Cardoso disse...

Manuel,
Teríamos então também de procurar saber mais coisas, quem foi riscado por ter perdido os direitos e continua desempregado, por exemplo, eu conheço muitos.
Uma coisa temos de concordar, tudo serve para se melhorar ou piorar os números conforme lhes dá mais jeito.

João Moreira disse...

Os ministérios limitam-se a interpretar e contabilizar os números obedecendo ao que está escrito na lei e regulamentos.
Eu acredito que é isso que está a ser feito.

bluegift disse...

Manel, a população dificilmente irá saber. São dados confidenciais que raramente saiem a público. A variação dos formandos é imensa, uns encontram emprego, outros fartam-se, enfim. Mas há estatísticas que prevêm a variação. Se assim não fosse como é que algum dia teriamos chegado a Marte? ;)

Carol disse...

Oh, Tiago, lá estás tu a malhar no "Socas"! Sinceramente, homem, isso já é perseguição!
O desgraçado do homem a esforçar-se por tornar-nos um povo mais sapiente e ocupado e tu a criticar?!
Olha, já agora, acrescenta a esses números aquelas pessoas que nunca chegam a ter o direito de receber um subsídio de desemprego...

sniqper ® disse...

Comentando para Reflexão...
Pelas palavras de António M. Caldeira Azevedo, no seu livro ”Portugal, O Outro Povo Eleito”, deixo para vossa reflexão o que realmente este triste Portugal, governado por figuras que não passam de joguetes nas mãos do grande capital, vão cada dia que passa enterrando mais fundo o nosso futuro.

Com a democracia, os dois grandes pilares nacionais – o império e a missão sobrenatural de Portugal – ruíram, tendo sido substituídos pelo nada. Ficámos com a má consciência de termos sido imperialistas, mas eis-nos, colonos modernos e de consciência tranquila, sob o império dos outros. Os impérios não acabaram. Modernizaram-se. Antes, com a nossa História fora da história, depois, na história, mas fora da História. Esta a razão da ressaca em que nos encontramos e que nos pode ser fatal. Vivemos em descrença, ignorância e niilismo nacionais. À ditadura sucedeu ora o regabofe ora a democracia (partidocracia) musculada e à censura e silêncio a liberdade para o palavreado e o palavroso. Só o sebastianismo político continua: não há político que não se apresente como salvador.

E, direi para terminar que não faltando estes sebastiões da treta, ainda temos de aguentar os muitos que gostariam de o serem, é dose.

Márcio disse...

E isso não é bom?! Pelo menos estão a dar-se oportunidades de formação, estão a dar-se novas esperanças e quem sabe a descobrir novos talentos...
É preciso saber agarrar as oportunidades, e acho que já chega de se discutir números e ver-se o que realmente se está a fazer para tentar melhorar o nosso sistema.

Shark disse...

Dar formação é dar a possibilidade de sair do desemprego. Por isso, não concordo.

Manuel Rocha disse...

Tiago e Blue...

Pois vocês estão cheios de razões, mas reparem no seguinte sff: se ( sublinho o se...) no inventário de referência tb existiam 16.000 ou mais desempregados em formação, então este post não tem assunto, porque a taxa de diminuição apresentada para o desemprego só pode pecar é por defeito !...certo ?

E é para estas fragilidades de argumentação que estou a chamar a atenção. Evidentemente concordo que o desemprego é um problema demasiado grave para ser manipulado com números. Daí que, penso eu, devemos ter cuidados redobrados quando os usamos sob pena de cairmos na situação que criticamos !

:))

Dalaila disse...

Ele não vê, porquie a vista sói alcança 100m, e há volta dele todos têm emeprego.... os outros é que não

bluegift disse...

Manel,

1ro parágrafo: e então? é aí que se pretende chegar.

2ndo: quando vais às compras do mês, baseias-te em quê? ;)

A Formação é útil quando vem suprir problemas de falta de competências e não como panaceia para todos os males, ocultando incompetências de gestão. Precisamos também e mais ainda é de emprego!

São disse...

Ao estado de sítio a que este país ( que é o nosso!) chegou!!

Boa tarde!

Daniel J Santos disse...

Refugiarem-se que a lei é assim e que já outros a aplicaram não inocenta quem a usa para manipular números.

Carol disse...

Formação é muito boa quabdo dada por pessoa que sabem mais do que os formandos e têm algo para transmitir. Caso contrário, e como dizem os meus alunos, é "uma ganda seca"! Já para não falar que é um desperdício de recursos humanos e financeiros!

Joshua disse...

Desde há anos que Formação é somente um Verbo de Encher, enchendo bolsos parasitas e enchendo a paciência de muitos de nós SOBREFORMADOS, com Excesso de Saber, a Transbordar de Já-Sei: o modo como o Poder Vigente capitaliza os números a seu favor ou não vai do grau de Sem Vergonha, de Grande Lata que existe em cada um.

Neste particular, os líderes do actual PS são de um cinismo cretino dificilmente igualável.

Mas nem com os números mais róseo-manipulados nos arrancam palmas. Estamos para além da fase das Tretas. Não nos venham com Tretas.

PALAVROSSAVSVS REX

SILÊNCIO CULPADO disse...

Tiago
Há todo um conjunto de manipulações que políticos, investidos em governo, têm trabalhado com mestria. As estatísticas do emprego/desemprego têm sido um dos alvos preferenciais pela importância que representam. São os indivíduos que estão em formação e, imagina o cúmulo já nem sei de quê, quando um pessoa desempregada arranja, para não dar em doida, um trabalho de voluntariado, também sai das estatísticas do desemprego. Mas os desempregados são muito mais que isso. No tempo de Bagão Félix saiu uma lei que permitiu às empresas públicas as rescisões, por mútuo acordo, de trabalhadores a partir dos 50 anos. Esses trabalhadores, cumpridos os 30 meses de desemprego passaram à condição de pensionistas.Ou seja, foram despedidos no tempo do Bagão e aliviaram as estatísticas no actual executivo PS. Acresce ainda os trabalhadores que não se inscrevem nos Centros de emprego porque estes são praticamente inoperantes ou porque não têm direito a subsídio.
E temos ainda os que anualmente saem de Portugal em busca do ganha-pão e/ou reconhecimento, noutros países.
Somando tudo isto se a realidade fosse mostrada era bem mais dramática.
Se procurares debaixo do tapete encontras mais uns milhares de desempregados.

quin[tarantino] disse...

As habilidades contabilísticas para mascarar este enorme flagelo sempre foram um recurso muito utilizado.

Não sei se apenas entre nós, mas penso que não.

Não considero particularmente importante que se subtraía aos números do desemprego quem esteja em formação, antes que quem esteja em formação nunca (ou quase nunca) singre dali para um trabalho ou, em muitos casos, queira sequer singrar para lado algum.

Esquemas e circuitos esquisitos que, mesmo assim, não mascaram que por detrás dos números estão pessoas e que há se sinta revoltado, envergonhado, inútil e malquisto nesta sociedade.

rosa disse...

Como pessoa ligada à área da Formação Profissional discordo que se diga que ela é toda inútil ou usada como disfarce de números.
Faz-se muita e boa. Há também a que é fraca. Mas isso em todo lado assim é.

NINHO DE CUCO disse...

É importante não confundir a manipulação estatística para camuflar os números do desemprego, através da formação, com a formação em si.
A formação é indispensável porque os conhecimentos ficam desactualizados à velocidade da luz. Por outro lado, sejam quais forem os curricula académicos, ou escolares, eles têm sempre que ser complementados. O que não parece lógico é que um indivíduo que esteja no desemprego e em formação, portanto sem emprego, não seja considerado desempregado.
É disso que se trata.
Acredito que outros países também dourem a pílula mas nisso o portuga é melhor que os outros. Por algum motivo somos um país dos PIGS: Portugal, Itally, Greece and Spain.

cadeiradopoder disse...

Excelente chamada de atenção, Tiago! Bom fim-de-semana.

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá querido Tiago, passei para deixar-te muitos beijinhos de carinho e amizade e bom fim de semana.
Fernandinha

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá minha querida Lídia, grata pela tua visita e quero dizer-te que estás lindissima com o teu novo visual.
Bom fim de semana!
Beijinhos de carinho e amizade.
Fernandinha

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá meu querido amigo Tarantino, deixo-te muitos beijinhos de carinho e ternura.
Tem um bom fim de semana.
Fernandinha

Francisco Castelo Branco disse...

Eu ouvi o José a dizer que eram 150 mil empregados...........