Menezes em seis meses põe isto direito... à "gente do costume" tanto se dá, como se deu

Luís Filipe Menezes, a quem alguns já andam a tentar tirar o tapete (lançando, por exemplo, o nome de Rui Rio como o providencial D. Sebastião do PSD e, uma vez isso feito, de Portugal), aposta num radicalismo reformista a que nem Sarkozy aspira.

O outrora médico, hoje cada vez menos presidente do Município de Gaia, aposta que “pode-se mudar Portugal em seis meses” (“Público”, edição 05.01.2008). Nem mais. Assim. Num ápice.

A sua receita passaria por construir um Estado moderno e descentralizado, “reduzindo o seu peso não só na economia mas também no quotidiano dos cidadãos. (…) Não defendo a privatização de tudo, defendo é que haja um equilíbrio entre o sector público e o privado nas áreas sociais”. Dixit.

Ou seja, na Educação e na Saúde, por exemplo, teria de haver o tal equilíbrio. Vá-se é lá saber como se determinaria isso. Noutros sectores, tábua rasa.

Por exemplo, com Menezes os sectores das águas e dos resíduos eram para privatizar. Mas já não disse se as tarifas iam poder ser em roda livre. E isto porque ele sabe o resultado. Devemos ser o único País em que a concorrência resulta sempre em preços mais altos ao consumidor.

Quem estará certamente deliciada com este panorama é, como dizia Vasco Pulido Valente na sua crónica de ontem (“Público”), “a gente do costume”.

“São do PSD, mas muito amigos do PS; ou do PS, mas muito amigos do PSD. O que não quer dizer que sejam o «centrão». O «centrão» é a cozinha dos partidos para a gente pequena: para o funcionalismo, para as câmaras, para os subsídios. Com outra envergadura, este «clube» vive de amizades particulares, de confiança mútua, de exclusividade. Rodam e voltam a rodar. Cá fora tudo muda, eles nunca mudam. Basta ver os nomes de que se fala para o BCP e a Caixa. Não os conhecem?”, escrevia o articulista.

São aqueles a que ainda ontem me referia como os que vivem deliberadamente “para a gestão de interesses mesquinhos e silêncios cúmplices. Optam por não tomar partido, ficando ali na zona cinzenta em que tanto se lhes dá que lá estejam os laranjas ou os rosas, desde que o marfim corra!”

E, ideia tonta do dia, será que não é esta “gente do costume” quem está a construir a nova moral pública, sabendo-se que o Estado, embora tenha técnicos qualificados ao serviço, vai quase sempre aos mesmos gabinetes (e a que o novo Bastonário da Ordem dos Advogados aludiu na sua campanha) buscar as propostas base dos diplomas legais que emana?

Diariamente o jornal oficial publica coisas verdadeiramente indecifráveis com que, segundo Manuel Carvalho (no mesmo jornal), “o Governo quer transformar à força de Lei uma comunidade com manifesto défice de civismo numa turma de escola limpinha e bem comportada. (…) haveremos um dia de andar direitos como um fuso (…)”.

E os cidadãos?

O Nunes da ASAE acha que quem não estiver bem nesta sociedade, pode sempre emigrar.
Eu acho que podemos revolucionar, lutar…

(…) cause the circle of hatred continues unless we react, We gotta take the power back”, diziam os Rage Against the Machine em “Take the power back”.

É o que devemos fazer!

35 comentarios:

ana disse...

Luís Filipe Menezes tem razão no que propõe, mas não penso que o prazo que aponta seja razoável.
O caminho é, o entanto, o de emagrecer ainda mais o Estado e deixar que seja a iniciativa privada a ser a locomotiva do País e da sua Economia.

Educação, Saúde, Ambiente e Transportes são alguns dos sectores em que eu apostaria claramente em privilegiar o privado em detrimento do público.

Não creio que as teses de Vasco Pulido Valente tenham muita credibilidade hoje em dia.

E o escritor de serviço hoje brinda-nos com mais uma perigosa deriva revolucionária que, qualquer dia, ainda lhe vale a alcunha de Zapatista do Norte.

António de Almeida disse...

-Também acho que devemos lutar, não com as armas dos partidos políticos, um programa que depois não cumprem, mas precisamente olhando para os programas dos partidos, com os quais nem será assim tão dificeis concordarmos, e fazê-los cumprir, denunciando o seu incumprimento. Como podemos lutar? Exactamente como fazemos nos blogues, nos cafés, no trabalho, falando com outras pessoas, explicando as nossas ideias, manifestando as nossas posições. Escolhendo temas, atirando selectivamente no alvo, seja ele governo ou oposição. Mas vale a pena lutar, de vez em quando obtemos uma vitória, não qualquer um de nós isoladamente, óbvio, mas quando a justeza das nossas posições nos ultrapassam, pena que nessas alturas, apareçam sempre uns políticos "associando-se á luta", para reclamarem para si a vitória.

Erotic Spirit disse...

My dear Quint a complicated thing... to run something - anything. All ideas have plus and minus sides and to find the right mix is the secret, but so many things get in the way... power, greed and envy mostly.
Privatization not all that is cracked up to be and done in 6 months! A disaster for sure. The state cannot clean its hands from providing basic services to the community, it needs to set the basis ... education, health and the enviroment are vital areas and too important to left to suply and demand economics.

I don't much about Portuguese politics but it is about the same every where ... whoever is in power does everything wrong and whoever isn't can do everything right ... but the ideas to do so, well those are still to be uncovered ... I suspect that it is the unelected public official that ends up discovering those.
It comes down to this ... in my humble opinion, eh eh who is the most able to hire and delegate - that should be the person we should elect.

:)

Lampejo disse...

Quin,

Será que há um vislumbre de salvação no reino dos partidos políticos!?

Ou será como tu diz que:
“podemos revolucionar e lutar”.

........


(a)braços :)

Fa menor disse...

Para mim, cada vez a solução passa por emigrar, e deixar isto tudo aos ratos "do costume".

Carol disse...

Emigrar?! Isso queriam eles!!
Vamos mas é seguir o mote dos RAM:" Let's take the power back!".

Tiago R Cardoso disse...

Estou a ver que andamos com um espírito revolucionário.

Também li a entrevista do Sr. Menezes, de facto o homem está com vontade de privatizar tudo, facto que sou totalmente contra. Existem sectores estratégicos e fundamentais que nunca devem sair das mãos do estado.

No entanto tens toda não se pode continuar a fazer politica sempre com as mesmas caras, não se pode continuar a assistir a uma troca constante de cadeiras, onde são sempre os mesmos a trocar.

Quanto ao senhor Nunes da ASAE deve ser o fumo da cigarrilha que lhe anda a fazer mal...

bluegift disse...

O Sr Nunes da ASAE devia ser demitido ASAP, na hora. Não percebo onde é que ele se encaixa na turma de bem comportadinhos.
Acredito que o Rui Rio seja a única alternativa possível ao Sócrates, acho é que ainda precisamos de estabilidade e é muito cedo para recomeçar a troca das cadeiras, cujas consequências nefastas já conhecemos de cor e salteado.
A privatização da Saúde e Escolas será inevitavelmente um dos próximo passos de Sócrates. O Menezes aparece nessa entrevista como quem descobriu a pólvora. Aqui não concordo contigo, Tiago. Os países onde estes sectores funcionam melhor já os privatizaram há muito. O Estado diminui a despesa pública e os cidadãos são mais bem servidos. Tudo depende de como for realizado o controlo dessas semi-privatizações.

Shark disse...

Desde que o Estado cumprisse rigorosamente com os seus pagamentos (o que não acontece) e fiscalizasse convenientemente as concessões que fizesse ou as associações que viesse a estabelecer em sede de domínios como a Saúde e a Educação, poderia ser capaz de ser uma experiência interessante.

Naturalmente que haveria que acautelar convenientemente o acesso de todos a esses serviços independentemente dos seus rendimentos financeiros.

Frontalmente contra qualquer privatização em sectores como os do abastecimento de água em alta (e até em baixa), saneamento e recolha de resíduos sólidos e seu tratamento.

Aliás, Menezes bem prega mas ainda ontem o Jornal de Notícias dava conta que a Cãmara de Gaia não paga a recolha de lixo há um ano. Parece que a dívida é de 11 milhões.

Miss Vader disse...

Tive um furo. Olha já sabes, eu de Rage Against the Machine gosto. Do resto, dah!

bluegift disse...

Essa do "take de power back" é gira ;)
Se olharmos para os ministros e especialmente as ministras (Silêncio, esta é para ti), do governo de Sarkozy, no misto etário e racial, só poderemos ficar deslumbrados no resultado até agora obtido. Rama Yade, ministra dos negócios estrangeiros e direitos humanos, por exemplo, é uma figura extraordinária e uma forte bofetada a todos os primeiro ministros europeus. Prefiro nem falar nas barbas do nosso "Vasco da Gama" reciclado... Só espero que o Sarkozy não fique demasiado bêbado com o poder e projeção que está a conseguir alcançar.

sniqper ® disse...

Muito sinceramente na única coisa que acredito é reciclar.
Estou farto das mesmas caras, das mesmas conversas, 34 anos de bláblá e estamos como estamos, será que não chega!?
Continuar a viver num Portugal, governado por estas figuras, que até ao Domingo fazem reuniões para analisar a situação do país é uma anedota, mas das piores.
Vamos ver a realidade, essa que andamos adiar faz tempo, mas que nos vai cair em cima sem dó nem piedade.
Que os Deuses nos protegam, se ainda conseguirem, o que sinceramente duvido, tal é a doença social em que vivemos e que todos os dias procuram esconder, com manobras para dispersar atenções... Como por exemplo a cena do cigarrito, giro o que tanto se fala disso, e por outro lado vamos continuando a deixar no esquecimento situações como a saúde e as condições de vida dos portugueses.
Triste Portugal este, onde continuamos a viver num sebastianismo político, onde cada um se apresenta como salvador da nação.

quintarantino disse...

Blue, cara amiga, eu, homem de "gauche", confesso um certo fascínio pelo Sarko, mas temo que o homem se vá espalhar ao comprido!

bluegift disse...

Eu também, para dizer a verdade...

antonio disse...

Quint, estou contigo, alinho na revolução. Marca a hora.

SILÊNCIO CULPADO disse...

QUINT
Poupa-me com as ideias destes grandes senhores que não são piores nem melhores que o actual executivo PS.
Estou como o Sniqper: Cansada de blá blá e de ver tudo cada vez pior. Agora numa revolução que conduza ao início dum novo ciclo com uma valente vassourada nesses fulanos que tomaram conta do poder e se julgam de pedra e cal para fazerem tudo o que querem, já não digo que não.
Um abraço

quintarantino disse...

Pessoal, a revolução não tem hora marcada.
Ainda não está em marcha porque o Comité Revolucionário não chega a acordo quanto à denominação da mesma!

jorge vicente disse...

Acho que o Filipe Menezes tem razão, mas não em relação a Portugal: mas em relação a nós mesmos. Se quisermos, podemos transformarmo-nos em um dia. A confusão é mudarmos todos ao mesmo tempo.

COmo se fará isso?

Um abraço
Jorge Vicente

bluegift disse...

Razão tinha eu em chamar-te Charles Quint ;)
Olha, eu proponho que se chame a "Revolução dos Blogues"!

Cadeirão disse...

Menezes foi sem duvida o grande impulsionador da Gaia actual apesar do enorme sacrifício financeiro da autarquia.
Talvez por esse motivo o imposto que pretende lançar para financiar a Protecção Civil do Concelho não tenha tido qualquer tipo de manifestação negativa.

A obra esta a vista e certamente que os Gaienses a aprovam.

Marie disse...

I understood this : Educação e na Saúde and a few other words :-)

Blondewithaphd disse...

Let us be corrosive here: yeah give us a six month time-span to clean the country!!!! Wouldn't it just be great? 6 months and then a clean, refreshed, envigorated country! That plus pigs flying, snow coming down in June (this is Vanessa Williams!) and me having extra neurons to take this all in! Jesus, Mary, Joseph, when are they going to start talking serious business?
In this I'm with the person or people that said that the blogger community has a stake in these matters!

TIMOR disse...

Eis aqui um artigo a todos os títulos notável, tal o tom sarcástico utilizado. O Portugal de hoje não podia estar melhor caricaturado, para bem de alguns e para mal de muitos mais.
Um abraço

Daniel Braga

SILÊNCIO CULPADO disse...

Bluegift
Não sei o que é que é para mim. Estás e referir-te a quê concretamente? Que eu não acho que as mulheres sejam capazes de ocupar determinados cargos? Claro que eu acho que são e, por isso mesmo, acho que não precisam de boleias nem favores, o que precisam é de igualdade de oportunidades. Bem mas isso é outro sub-tema do meu blogue.Não vou entrar nele agora.
Beijinhos

Espectadora Atenta disse...

LOL!LOL!
Mas quem é que dá credibilidade ao menezes??? Por favor...
O homem até pode ter vontade para muita coisa, mas 6 meses??? LOL!LOL!
Isto só com uma verdadeira reciclagem é que vai lá!
Abraço,

Joshua disse...

Não é preciso muito: basta corroê-los de Verdade e de Insatisfação e de Denúncia.

Há um País a viver de Migalhas.
Há um País a tomar conta da totalidade quase da Gamela.

Quem gostar de esta Justiça, que continue calado e crédulo. Quem não suporta que nos comam, radicalize. Não radicalizar é pecado grave.

O Guardião disse...

As promessas dos nossos políticos não valem um mísero cêntimo,até porque o que dizem na oposição é pornorma o que nunca fazem quando estão no poder, pelo menos no que verdadeiramente possa ser em proveito da maioria dos cidadãos. Dentro de dias vamos voltar ao assunto do referendo, por isso vão lendo os discursos desses senhores e comparem, se é que acalentam dúvidas.
Eu continuo a votar em branco.

Cumps

NÓMADA disse...

O que é que se espera de Menezes, Sócrates & Cª Ldª?
Que nunca cumpram o que prometem como diz o Guardião.
Nós não temos uma social democracia como os países nórdicos e de socialismo.... deixa cá ver... Ah já sei. Temos 2 milhões de portugueses no limiar da pobreza sendo que 15% destes são trabalhadores. Sim trabalhadores. Escravos que têm que malhar muito e ganhar pouco para que as 500famílias que detêm as grandes fortunas possam ficar ainda um bocadinho mais acrescentadas. Entretanto os senhores do PS e do PSD vão-se revesando nas posições estratégicas de forma que uma mão lave a outra e estejam sempre garantidos.
É altura de dizer basta.

NINHO DE CUCO disse...

Realmente o Estado actual é uma descompensação sucessiva para os mais pobres, para os que vivem do trabalho, para os que estão desempregados, para os que querem ter filhos, para os que estão doentes, para os que querem viver independentes dos pais depois de tirarem um curso universitário.
Realmente foi precisa muita coragem para fazer tudo isto.E PS e PSD são igualmente culpados. Não sei se faltou golpe de asa ou de rins mas o que é certo é que já não acredito em nada que venha desses senhores.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Vivemos a regredir e todos animados como se fossemos no caminho da recuperação. O PS culpa o PSD e o PSD o PS e, enquanto isso, eles vão fazendo os seus joguinhos por baixo da mesa e a defender os seus interesses, ou melhor, os interesses dos seus galifões.
Acordemos, amigos. Está na hora.

Guilherme Santos disse...

Para eu acreditar em partidos políticos seria primeiro preciso reconstruir todos, não uma revolução mas sim uma reformulação.

JOY disse...

Caros amigos ,

O Sniqper Tocou no ponto chave , andamos á 30 anos a ser comandados pelos mesmos incompetentes que já rodaram por dezenas de cargos tiveram um sem numero de hipóteses de fazer de Portugal um pais a andar para a frente e estamos no ponto em que estamos eles orientaram a sua vidinha e nós o povinho a lutar pela sobrevivência a contar trocos para comer a esperar 5 anos por uma consulta de especialidade num hospital a anos luz dos outros paises Europeus ,pior é ver esta mesma gente a aparecer como se como se tivessem descoberto a pólvora .Renovação da classe politica é necessária , unica dúvida por quem ?

JOY

Daniel J Santos disse...

Não acredito na privatização do sector publico, não acredito que se possa fazer alguma coisa de bom para o país sempre com as mesmas caras...

Pata Negra disse...

Sempre que estes tipos falam em endireitar isto eu fico de pé atrás: estão-me a querer...!
Mal por mal, prefiro que isto ande bailando com o andar da conjuntura do que direito e inclinado para de repente murchar e ficar a abanar com o vento!
O penúltimo homem que quis pôr isto direito deixou-nos 40 anos de frio e escuridão. Vivemos agora uma noite semelhante, que seja curta!

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá Querido Amigo Tino, belo Texto, pelo menos eu gostei.
Gratr pela tua presença no FOTOS-FERNANDA.
Muitos beijinhos,
Fernandinha