Evasão

Não, não quero falar deste País de pessoas cinzentas e quezilentas. É à beira-mar plantado mas não encontro as flores nem os amores de Trindade Coelho. Só encontro rostos esvaziados, sedentos, descaracterizados mesmo quando virtualmente procuro. Claro que há excepções mas…. Valha-nos as confusões. Política e mais política aos supetões. Não, não quero continuar aqui dentro a sufocar.

Vou viajar.

Vou até à Noruega. Sempre ouvi dizer que ali sim vale a pena viver. Além dos fiordes, lindos de morrer, e da riqueza e do gás natural, ainda há muito de bom e real. E social também. Imaginem só que a Noruega é um Estado-Providência aquilo que, no nosso País, se está a tornar em indecência.

Os Serviços públicos de saúde são financiados pelos impostos e estão concebidos de modo a darem acesso igualitário a todos os residentes, independentemente do seu estatuto social. Com os seus 220000 empregados, o sector público de saúde é um dos maiores sectores na sociedade norueguesa.

Não dá para crer. Mas isto não é atraso? Não tem que se inverter? Como é que a Noruega, logo a Noruega, consegue ser, entre 177, o primeiro mais desenvolvido (PNUD)? E por três anos consecutivos? Só neste último ano é que ficou em segundo e a Islândia em primeiro?

A alfabetização ronda os 100% e quase todos os membros da população concluíram o ensino secundário. Não existe pobreza extrema na Noruega e o nível de pobreza relativa é baixo em comparação com o de outros países da OCDE. E tudo isto sem matar o Estado Social? Pum, pum como uma animal? Como se faz em Portugal?

A minha alma está em grande confusão! Vejam só:

Todos os cidadãos noruegueses e os indivíduos que trabalham na Noruega são automaticamente abrangidos pelo Regime Nacional de Segurança Social norueguês, um regime governamental de segurança social que garante aos seus aderentes o usufruto de pensões (como velhice, sobrevivência, invalidez), assim como subsídios relacionados com acidentes de trabalho, outros acidentes e doenças, maternidade, nascimento, famílias monoparentais e funerais. Em conjunto com os regimes de segurança social para abonos de família e as prestações em dinheiro destinadas a pais de crianças de tenra idade, o Regime Nacional de Segurança Social é o regime geral de segurança social de maior importância na Noruega.

No final de 1999, cerca de 1,1 milhões de pessoas tinham os pagamentos do regime de segurança social nacional como a sua principal fonte de rendimento, incluindo aproximadamente 900000 pensionistas e idosos. Em 1999, a despesa total do regime de segurança social alcançou os 162 biliões de coroas norueguesas, o que correspondeu a 13,6% do PIB e a aproximadamente 34,3% do orçamento nacional. O Regime Nacional de Segurança Social é financiado pelas contribuições dos trabalhadores por conta de outrem, dos trabalhadores por conta própria e por outros contribuintes, pelas contribuições patronais e por subsídios governamentais.

Mas a minha confusão não acaba aqui. Imaginem só que:

O PIB per capita é elevado e a riqueza encontra-se distribuída de modo relativamente igualitário entre a população. Existe um nível bastante amplo de igualdade entre sexos em todos os escalões sociais. Ao manter a sua orientação de previdência, a Noruega implementou um serviço público de saúde universal financiado pelos impostos e um regime de segurança social, aplicável a todos os cidadãos e residentes, que fornece inúmeros benefícios sociais.

Isto não é demais? E então e a liberalização e privatização dos serviços sociais para a modernização?

E imaginem mais:

O consumo público e privado aumentou enormemente desde 1900 e a riqueza das últimas décadas deve-se principalmente à descoberta e à exploração dos depósitos de petróleo no fundo do mar e de gás natural no Mar do Norte. Sob a pressão acumulada da modernização e da urbanização, os padrões de colonização tradicionais e estáveis do passado foram substituídos por uma tendência para uma maior mobilidade, observando-se que as pessoas mudam de residência e trocam de emprego com maior frequência.

E é aqui que entra a flexibilidade ou flexibilização!....

Ah eu entendo e não me importo. Aqui na Noruega não me importo mas no meu País…. NÃO!!!!

41 comentarios:

António de Almeida disse...

-Por partes, a flexisegurança é um conceito importado da Dinamarca e não da Noruega. De qualquer forma, também concordo, flexisegurança em Portugal, seria só flexi, a segurança daria muito trabalho a escrever. Pessoalmente não acredito muito no modelo Norueguês, que ultimamente tem apresentado problemas, tal como o Dinamarquês ou Sueco, mais estes 2 últimos, porque a Noruega tem petróleo, e no último ano isso muda tudo. A Islândia é um caso á parte, face á imensidão dos recursos pescatórios, e pouca densidade populacional, mas é um modelo que tem provado, não dúvido apesar de tudo, embora seja um liberal, acredito mais noutros modelos, não é num post que consigo, nem quero, discutir doutrina, a realidade é que os países nórdicos têm liderado todos os rankings em termos de estado social. Algo que outros, como França ou Alemanha, já não conseguem. Mas a realidade, é que Portugal não tem um mau sistema, pior que isso, Portugal não tem sistema nenhum, isto não é estado social, não é liberalismo, isto é o salve-se quem puder dentro de coisa nenhuma.

ALEX disse...

A Noruega é um país fascinante e as condições de vida nada têm a ver com o que temos por cá. Preferem não ter TGV mas terem um país a sério em que a assistência social não falha.
O comentador anterior refere que os países nórdicos também sofrem as suas crises ciclicas normais em economia. No mundo global, e por influências externas, é difícil a qualquer país não ter os seus períodos de readaptação. O que conta é a análise comparativa e aqui os nórdicos continuam a ser dos países mais desenvolvidos. Todos os países da Europa do Norte estão nos 10 primeiros lugares do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) apesar de continuarem a apostar forte no Estado-Providência. A flexisegurança vem da Dinamarca mas também está a ser aplicada na Noruega. O que a autora quer dizer é que com as condições sociais que a Noruega proporciona um trabalhador não fica desamparado com este sistema enquanto em Portugal fica.

C.Coelho disse...

Uma viagem à Noruega, eu já não aspiraria a tanto. Até posso ir para Malta agora neste País é que não.

Laurentina disse...

Eheheheheheheh tu és de mais...quando dei início á leitura pensei ingénuamente , sim que eu ainda consigo ser ingénua ás vezes...boa vamos la mudar o rumo das tretas do dia a dia, vamos la viajar... ups mas afinal, tu querias, querias cá uma Noruega ?!
Pois é o outro também queria uma Finlândia, até importou alguns modelos, só que se esqueceu do mais importante.
Honestidade, riqueza, credibilidade, bases solidas para a implementação dos mesmo sei lá...
É que esses países já dão cartas há muitas decadas no bem estar socio/económico.

Mesmo assim gostei da tua tentativa de evasão...deu para uma pessoa perceber que cada vez vive mais num país carregado de mediocridade


beijão grande

Zé Povinho disse...

A demagogia politiqueira neste cantinho da Ibéria julga que todos os cidadãos são otários e que não topam à légua que os seus discursos, promessas e projectos se baseiam no embuste mesmo quando trazem à ribalta os "exemplos" dos outros países. A flexigurança é um exemplo, entre muitos outros, da fragilidade dos argumentos que nos dão. A ordem dos factores, em economia e na sustentação do bem estar social, não é arbitrária.
O conceito utilizado pela Dinamarca e também aceite de alguma forma na Noruega, só teve pernas para andar porque a rede de apoios sociais foi fortalecida e consolidada primeiro, para que os efeitos negativos que a flexigurança acarreta pudessem ser amortecidos e as políticas inclusivas se pudessem realizar.
Aqui o conceito é um perfeito embuste e a protecção social já não passa de um sistema assistencial ou uma caridadezinha, ao nível da Sopa do Barroso dos tempos de antanho.
Tenham vergonha senhores políticos, porque a política não é a arte de mentir como parece que é a cartilha em que persistem.
Eu estou farto de mentirosos que se acham grandes políticos.
Abraço do Zé

sniqper ® disse...

O que acabei de ler neste texto chama-se informar.
Neste texto podemos ler de uma forma clara e concisa, uma descrição de como se pode governar um país e construir uma sociedade que toca bem de perto a perfeição.
É tão simples quando queremos escrever assim, bem como é este o caminho a seguir pelos blogues que dedicam o seu conteúdo a temas semelhantes. Olhar para as frases que escrevem, reparar no supérfluo, no que pode ser alterado, revisto, ampliado e, especialmente cortado, é essencial e gratificante ver o resultado final, informar sem maldizer.
Parabéns Silêncio, belo texto que nos leva por uma viagem sem nos cansar. Faço votos que algumas das mentes que o vão ler, parem e pensem que alcançar este nível de vida num país é fácil, basta correr de vez com quem não quer governar e trabalhar, em conjunto com uma finalidade, uma sociedade justa e digna onde todos possam viver, simples.

M.M.MENDONÇA disse...

Este texto revela, como atrás foi dito pelo Sniqper, uma preocupação de informar que é relevante e, por isso, vou complementar com mais uns dados sobre a Noruega.
A expansão dos serviços sociais e do regime de segurança social nacional noruegueses estão estreitamente ligados ao processo de industrialização. A indústria trouxe consigo novos perigos para a saúde, uma maior mobilidade e consequentemente um enfraquecimento dos laços familiares. Ao mesmo tempo, forneceu a base económica para a reforma social. O Seguro Norueguês contra Acidentes para os Operários Fabris, datado de 1895, estendeu-se gradualmente, passando a aplicar-se a outras profissões, ao que se seguiu a introdução de prestações de doença, prestações de velhice (1936), subsídio de desemprego (1939), prestações de invalidez (1960) e subsídios para viúvas e mães solteiras (1964). Em 1967, as regalias sociais introduzidas depois da II Guerra Mundial foram amalgamadas no Regime Nacional de Segurança Social. Os pagamentos provenientes do regime são determinados pelo número de pontos de pensão que um indivíduo tenha obtido.
Este é um dado curioso que consta dum folheto turístico que me deram quando lá estive recentemente. Comparar com Portugal é para rir de manhã à noite mas dá para perceber que as patranhas que nos pregam sobre a morte do Estado Socil para que o país se desenvolva não passam disso mesmo de patranhas.

Joshua disse...

Lídia-Silente, tal como o António-Implume já referiu e o Tiago costuma repetir e o Tarantino sublinhar e a Blonde refere de vez em quando, ser português é uma nacionalidade de alto risco.

Vem conhecer o lado Amoroso da minha Acidez, convite que estendo aos demais medrosos!

Beijos Repenicados
PALAVROSSAVRVS REX

indomável disse...

Silêncio, dou eu também os meus parabéns por um texto informativo bem escrito, embora, a meu ver, um pouco utópico.

Não gostamos do estado de coisas em Portugal, todos estamos de acordo neste ponto. Mas é por fazermos tantas comparações com outros Estados que nos encontramos no ponto em que estamos.
Passo a explicar: Portugal e os seus cidadãos têm por hábito comparar-se com Espanha, sobretudo, com dimensões geográficas e sociais tão distintas que a comparação não chega sequer a uma aproximação.
É legitimo a todos nós aspirar a um sistema social muito mais justo, mas para isso todos teríamos de contribuir, não vos parece?
Não esqueçamos que temos em Portugal uma grande parte da população reformada que recebe pensões para as quais nunca contribuiu, porque no tempo da outra senhora os patrões não acreditavam nessas coisas. Ora são precisamente esses que vão esgotando os recursos que nós pagamos, por muito miseráveis que sejam essas pensões. Temos ainda aqueles que trabalhavam para o Estado e que recebem as suas reformas, mas não esqueçamos que muitos vieram das ex-colonias e tiveram o seu tempo contado em dobro. Se para o comum trabalhador isso não significa grande coisa, já para os militares isso já não é assim tão irrisório. Assim como aqueles cujas fortunas foram expropriadas no pós 25 de Abril e que tiveram de ser indemnizados pelo nosso Estado.
Podemos igualmente pegar no assunto da imigração, questão que não parece colocar-se em tão vasta escala nesses Países mencionados. Já países como a Inglaterra ou a França, onde existe um grande numero de imigrantes, a protecção social é mais insegura.
Temos em Portugal pessoas a receber subsidios para evitar a miséria, que não contribuem com NADA! Pelo contrário, vão esgotando os recursos que um pequeno grupo vai acumulando, exigindo sempre mais.
Temos uma camada da população que vive à margem, mas que não pode viver na miséria, não é? Então quem paga tudo isso?
E depois, temos os deputados que apesar de trabalharem fora da Assembleia, recebem também o seu salário de deputados e se reformam ao fim de poucos anos. Temos os gestores das grandes empresas e de empresas publicas que recebem, alguns, até 200 vezes mais que um funcionário comum dessa mesma empresa...
Será que podemos fazer uma análise tão linear do nosso sistema?
Portugal, convençam-se disto, é um país de fronteiras geográficas pequenas. A nossa população não é em grande número e as matérias primas do nosso país também não são nada de especial.
O nosso Ego é que é muito grande. Vivemos inchados com qualquer coisinha. Já fomos os descobridores do mundo, enchemos a boca com os nossos jogadores de futebol, com um prémio Nobel (ou melhor, dois, que Egas Moniz também conta!), com a presidência portuguesa da UE e o Tratado de Lisboa e depois vamos subindo, subindo, qual balão rumo às estrelas, esquecendo-nos de voltar ao solo. O problema é quando vamos contra um espinho e rebenta o balão. Lá somos obrigados a cair e olhar para o que temos cá em baixo, ver de frente a nossa realidade.
E a nossa realidade não seria tão má, se quem pode mudar as coisas não lhe virasse as costas! Se pagamos temos direito a reclamar, a dizer de nossa justiça!
Ainda temos o direito que foi negado a tanta gente - o voto!
Ainda temos as nossas vozes!
Silêncio, eu acredito que o português médio é tipo cão que ladra... mas não morde. O nosso governo brinca connosco, ri-se na nossa cara.
Sócrates faz discursos em tom paternalista e quando é obrigado a isso. Quando o ouço e olho para a sua cara, vejo alguém que nutre profundo desprezo por aqueles a quem deveria servir.
O problema da nossa classe política está num profundo desvirtualismo da sua função.
A função da República e da Democracia está na origem desta última palavra - demos = povo; cracia =poder - o poder é do povo, que escolhe livremente aqueles que o vão representar. O governo de os políticos que dele fazem parte estão lá para proteger, salvaguardar, defender, respeitar e responder ao seu povo!
O que vemos hoje é o contrário, o povo vive para servir uma classe política que se serve de todos os recursos a que chegaram por intermédio do voto.
Como diria um amigo meu, o poder desvirtua, dá uma falsa noção de impunidade. O problema é que todos nos cansamos um dia de sermos pisados, de nos sentirmos esmagados dentro da nossa casa. Aí acaba a impunidade e o poder tem de sair à rua!
Eu não saio da minha casa para ir viver para a casa de outros, sujeitar-me às suas regras, quando na minha casa já tantos sofreram na prisão, morreram às mãos de tiranos para eu ter a liberdade de erguer a minha voz, juntar-me a outros na defesa dos meus direitos!
Não acham um desrespeito a todos aqueles que morreram e sofreram para que houvesse um 25 de Abril, se agora os que podem fazer alguma diferença virassem costas e deixassem o país entregue àqueles que nada podem ou querem fazer?

SILÊNCIO CULPADO disse...

INDOMÁVEL
Não estou a fazer comparações. Seria incomparável até porque a realidade de cada País é diferente e a Noruega tem petróleo e Portugal não.
O texto quer informar que um País dos mais desenvolvidos do mundo não matou o Estado-providência como via para o seu desenvolvimento. Aliás a Noruega é um país desenvolvido exactamente porque não matou o Estado social o que lhe permite não ter cidadãos em situação de extrema pobreza. Provavelmente, se tivesse matado o Estado Social, seria um país com crescimento económico mas sem desenvolvimento.
Outro aspecto que importa reter é que quando um país, com estas condições, adopta um modelo de flexisegurança, reforça, em simultâneo, a protecção social. A flexisegurança em Portugal, com os trabalhadores desmunidos e empobrecidos é um agravamento das condições de escravatura que estão a ser proporcionadas.

Carol disse...

Lídia, excelente este teu post! Informação clara, concisa, objectiva... E se reencaminhasses isto para os nossos queridos governantes? Podia ser que percebessem a mensagem... Bem, e daí talvez não... Mas podes sempre juntar umas ilustrações!

Ai, se não fossem países tão frios e sem o nosso sol, acho que embarcava já a seguir... Mas sem sol dá-me para a depressão...

O Raio disse...

E há uma coisa que ninguém referiu, a Noruega teve a coragem de, por duas vezes, mandar a CEE/UE às malvas.
Se a Noruega estivesse na UE as coisas seriam substancialmente piores. Tal como para a Islândia que nunca tentou sequer aderir à UE.

Alvorada disse...

Subscrevo o que refere a comentadora Indomável até ao ponto em que refere a postura dos politicos. Nesse aspecto apenas diria que eles não são extra terrestes. São portugueses como nós, tão oportunistas como nós, tão damagógicos como nós.

Este testo por exemplo é um excelente exemplo de demagogia. Com o devido respeito ao autor devo dizer isto sem metáforas.

Como médica que já esteve no público e agora se limita ao privado, estou completamente à vontade para dizer o seguinte: importem os sistema que quiserem para o serviço nacional de saúde e não mudem a atitude e a postura dos profissionais que nele operam e dos utentes que o usam, que nada mudará!

Não há de resto modelo ou estado social que aguente o oportunismo e o comudismo global que se espalhou como virose imparável na sociedade portuguesa do pós Abril.

Obrigada.

Maria

São disse...

Não acham que tudo se baseia na Educação (sentido lato) que , em Portugal, está em ruínas?
A pessoa educada tem consciência dos seus deveres e assume as suas responsabilidades.
Além disso, o protestantismo valorizou sempre o esforço individual e a relação pessoal com a divindade enquanto o catolicismo ainda hoje elege a obediência como virtude máxima.
Após o 25 de Abril até agora, muita gente confundiu Liberdade com libertinagem e os defeitos que nos caracterizam desde Afonso Herinques vieram todos ao de cima.
Claro que também na classe política, pois emerge de nós...nem de outra maneira poderia ser, não é?
Espero ter conseguido alguma clareza num espaço tão curto como é um comentário.

Mariano Feio disse...

Contráriamente ao que é meu hábito, comento sem ter feito os trabalhos de casa, mas apenas para referir que aprendi numa cadeira de geografia que tive já na vida adulta, que as comparações entre paises tendem a apreender a realidade que interessa à demonstração do teorema de quem compara.
Do ponto de vista da história, das pessoas, dos recursos, como aqui já foi dito, os países são muito diferentes. E os factores que levam a que uma solução seja boa num, não quer dizer que existam no outro.
Na semana passada a jornalista Clara F Alves publicou na Ùnica um texto ao seu estilo que em conclusão remete um problema que deriva da falta de profissionalismo de um médico para um problema do serviço.
Há dias a minha esposa teve de consultar o seu ginecologista no seu consultório particular. Na impossibilidade de ali ser realizado um determinado exame, disse-lhe o médico que comparecesse no dia seguinte de manhã no hospital onde estaria de banco e onde ela passou à frente de toda a gente para terminar a consulta que tinha pago no privado.Com médicos como este e com doentes como a minha mulher, que não se inibe de passar à frente de qualquer fila, com receitas comparticipadas de caixas de 100 comprimidos para um tratamento de 10, qual é o sistema que funciona ? Se o sistema nacional de saúde está a ser desmantelado, está a sé-lo por todos nós. Não me parece correcto sacudir do ombros as culpas que nos pertencem a todos por igual, peço desculpa ( e não votei no Sócrates ).

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá Minha Querida Lídia, lindo o teu texto como sempre!
Que mais dizer sem me repetir!
Muitos beijinhos, Amiga.
Fernandinha.

P.S.

( Quando tiveres um tempinho, passa pelo FOTOS-FERNANDA.)

Ficas a conhecer melhor a minha Ilha, porque é a unica coisa que tenho para te oferecer álem da minha AMIZADE imaculada.

Fernandinha

Joseph disse...

A educação é fundamental e a postura dos médicos e de tudo o resto é um resultado dessa educação. O que está em causa não é arranjar veredas para fugir dos caminhos. Estamos a falar dum país que é a Noruega. A autora não diz que tem que ser igual em Portugal mas eu percebo a ideia dela porque se citam a Noruega e outros países quando pretendem vir com a flexisegurança mas aqui oh da guarda quando se citam exemplos que não lhes convém.
Médicos que se estão a encher no privado à custa dum mau serviço de saúde, são exemplos que não faltam.

GIL disse...

Lídia, minha querida
Com mais um jeitinho e estás no partido comunista.
A Noruega tem petróleo e nós não. Nós também temos muitos imbecis que a Noruega não tem.
Mas eu percebo as tuas boas intenções até porque te conheço e sei que és bem intencionada.

quintarantino disse...

Havia, nos mares do sul do pacífico, o curioso... chamemos-lhe "cerimonial" entre dois amigos devotados (devoção essa muitas vezes construída sobre um acontecimento dramático) de trocarem de nome e cada um passar a tratar-se com o nome do outro. Não estamos no sul do pacífico, não há acontecimentos muito marcantes entre nós, mas eu e o quintarantino decidimos trocar de nome, pelo que lhe podem agora chamar de o advogado do senhor diabo. E assim, vai ser, até que o quintarantino se retrate e peça desculpa por andar... digamos, pouco corajosamente, a usar o acima citado pseudónimo, que não lhe pertence, para, com textos muito fraquinhos (e aqui é que está o desplante!) comentar blogs onde nunca antes se deu por ele e outros onde é enfadonhamente habitual. O meu pseudónimo vale o que vale, ou seja nada, o dele vale-lhe a pretensão e a vaidade. Porém, o carácter devia valer um pouco mais, e é por isso que peço a vossa compreensão para com o quintarantino. Aos pequenos não se deve dar apertos de mão nem palmadinhas nas costas, antes deve-se ensiná-los a crescer.

Atenciosamente,

o advogado do senhor diabo

(o legítimo, claro)

quintarantino disse...

Caríssima, penso que o texto está bem escrito, é escorreito e factual.

Não me vou alongar, pois já antes aqui foram apresentadas suficientes razões a favor dos seus argumentos e contra.

Todos válidos e que, agrupados, seriam credores de um novo texto de reflexão.

Não sei se o facto de a Noruega ter petróleo e nós não deve ser assim tao usado como argumento.

É que temos tido exemplos ao longo da nossa história de momentos e ciclos de riqueza que sempre desperdiçamos alegremente.

Quero com isto dizer que tivéssemos nós petróleo e iríamos quase de certeza desperdiçar os proveitos que do mesmo poderíamos retirar.

Acho que a razão está mais do lado daqueles que aqui têm defendido que é na mudança de mentalidade e atitudes que conseguiremos encontrar a alavanca para a mudança.

quintarantino disse...

Exmo Senhor Advogado do Diabo, se é que tem procuração, caso contrário carece de legitimidade, insista e persista.
Não peço desculpa de nada, muito menos do que não fiz.
Se me conhece tão bem como apregoa, apareça. Terei tanto prazer em lhe apertar a mão como em fazer de conta, que é o que irei fazer, que o Senhor (?) não existe

Tiago R Cardoso disse...

Não acredito na importação de modelos para Portugal de realidades diferentes das nossa, acredito sim na construção de um modelo original e adaptado ao nosso país.

O sistema actual não funciona, está desactualizado, viciado e a caminho do desmoronamento, seria a altura de deixar cair o prédio e desenhar outro, novo e moderno, evidentemente que assente nas base de um estado social, mas sem fundamentalismo.

Daniel J Santos disse...

Um bom texto, concordo com muito do que foi escrito e comentado. Evidentemente tirando um alienado que anda por ai.
O grande mal é quando quem manda acha que copiar outros é a solução, então nessa altura o mau vai se transformar no pior.

antonio disse...

Tudo isso sem TGV? Sem estádios de futebol? Valerá mesmo a pena?

Blondewithaphd disse...

Norway, Denmark, Sweden, Finnland, Iceland, Canada, Australia and New Zealand are all very fine, very paradigmatic, very pragmatic but so far from our reality. We already have a country and my wish is that someday we could make this country work. But maybe this is just the naïve or even stupid wish of someone that grew up in-between different nationalities.

Ironic and informative! I, on my part, learned a lot.

M.M.MENDONÇA disse...

Dirijo-me à equipa do Notas Soltas, a todos sem excepção, apesar de só conhecer a Silêncio Culpado/Lídia.
Sou aposentado, chamo-me Manuel Mendonça e passo todos os dias aqui pela biblioteca de Sintra e por uns quantos blogues nomeadamente aqueles em que a Lídia intervém. Ela tem muitos amigos e eu sou um deles. Não tenho nada a ver com esse diabo mas noto umas quezílias que não entendo aqui neste espaço.
Até num caso em que a autora se limita a falar da realidade de um país (e isto ajuda a contribuir para a cultura)que não é o nosso sem sequer afirmar que este deve ser o modelo português, aparecem caras que nunca vi por aqui a comentar a chamar ingénua e ainda falam dum diabo que não percebo o que seja.
Muitas vezes venho aqui e não comento (mas leio) os textos porque noto um ambiente pouco propício à coexistência pacífica que deve estar presente.
Há textos que aparecem logo muito comentados e com o rótulo de excelentes de vários autores que nem blogue têm, também eu não tinha mas criei para que o meu IP ficasse registado, e também já me identifiquei. Depois vem alguém a dizer que não presta. Eu já não sou jovem mas sou pão pão queijo queijo e não gosto destes jogos de bastidores. Li no outro dia que quando se tem certa idade nos podemos dar a certos luxos. É o meu caso. Tenho 65 anos.
Falando do texto gostei como gosto de tudo o que a autora escreve e diz mesmo que haja divergências de pensamento sobretudo em questões de pormenor. O que para mim é surpreendente é que este texto, perfeitamente inócuo, levante certas reacções o que dá para perceber os feudos e os interesses instituídos que reajem ao menor sinal de ameaça. Até uma médica que nunca vi por cá, nem por aí, parece que fez a sua estreia para defender a saúde privada.
Tenho muitas histórias, e garanto-vos que sei do que estou a falar, das clínicas privadas e dos seus médicos neste país. Talvez com mais tempo e paciência me dê para comentar no meu blogue.
Um abraço a toda a equipa e desculpem-me ter-me alongado tanto mas senti necessidade de dizer isto e penso que não deverei ser preso por fazê-lo.

Notas Soltas, Ideias Tontas disse...

Gratos pela mensagem que nos dirigiu.

Para nós é o M.M. Mendonça e ponto final.

Quanto às quezílias, se bem reparar temos por hábito acolher as opiniões de tudo e de todos. Sem excepção.

Como dissemos, temos direito à nossa opinião e os demais à deles.
Não se pactuam é com insultos gratuitos, dirigidos à equipa do NOTAS e muito particularmente a pessoas que aqui vêm comentar. É lamentável que assim aconteça. E mais não dizemos.

Venha as vezes que tiver por conveniente e comente quando entender.

ana disse...

Eu ia alongar-me, mas depois de ler a Indomável limito-e a dizer que estou com ela.

MIGUEL RIS BARROSO disse...

bom texto.

A SEIVA

Márcio disse...

Não percebo muito bem esta comparação... mas se é tão bom viver lá, vejamos os números em relação à população (afinal é aqui que se vê a opção de se viver em determinado lugar):

Noruega:
Area_386,000 km²
População_4 525 116
Densidade_14 h./km²
Portugal:
Area_92.391 km²
População_10.650.480
Densidade_114 hab./km²
Dados: Wikipedia

Ehpa, porque será que os números da Noruega são tão bonitos de se ver!?

Sei que existes disse...

Fiquei pasma ao saber de tudo isto! Gostava que Portugal fosse invadido pelas mesmas regras que a Noruega! mas julgo que isso é pedir demais... Hé!Hé!
Beijo grande

NINHO DE CUCO disse...

Não percebo o comentário do Márcio.
Se a Noruega tem maior área geográfica, e menor densidade populacional, isso poderá significar que tem que investir mais em infra-estruturas de transportes, ter escolas mais dispersas e com menos alunos, ter uma maior descentralização de centros de saúde. Ou seja equipamentos sociais que resultam muito mais onerosos do que com um valor exponencialmente mais elevado de habitante/km2. Aliás um dos argumentos para fechar escolas e centros de saúde, levantar linhas ferroviárias e outros equipamentos é o de que é muito mais caro mantê-los onde há menos habitantes que nos pólos de grande concentração.
É também na base destes argumentos que os economistas de território defendem que o valor investido para a criação dum posto de trabalho no interior é equivalente ao que seria necessário para criar 5 ou 6 postos de trabalhos nos grandes centros por maior rentabilização das infra-estruturas e dos equipamentos sociais.
Também essa questão de serem realidades diferentes não se coloca. A Blonde cita exemplos de diferentes países onde vale a pena viver e que têm uma protecção social equivalente à da Noruega. Cada país tem as suas especificidades porém temos que decidir, de uma vez por todas, qual o modelo de desenvolvimento que queremos adoptar.
Parece que é o americano. Mas esse está a falir.

NÓMADA disse...

Em meu entender nós devemos olhar para os países que, pese embora as dificuldades de conjuntura e as pressões da envolvente externa, conseguem caminhar à nossa frente em termos de desenvolvimento. O desenvolvimento tem várias ponderações: políticas ambientais, igualdade de oportunidades, combate à pobreza, políticas de saúde, rendimento per capita, graus de instrução, equipamentos culturais, apoio à infância e à maternidade, políticas de emprego etc, etc. O crescimento económico vem associado porque não é possível satisfazer todos aquelas áreas sem que haja riqueza.
Ora bem, Portugal era o 28º. num ranking de 177 países e passou para 29º. no último balanço feito pelas Nações Unidas com todas aquelas ponderações. A Noruega tem petróleo mas nem todos os países que estão à nossa frente o têm. Aliás a BLONDEWITHAPHD citou-os todos. É para aí que devemos olhar.
Temos que mudar de mentalidades e comportamentos? Ah pois temos. E também temos que deixar de passar a bola uns aos outros. Talvez seja o momento de pararmos para reflectir.

Mary disse...

De blogue em blogue cheguei à Noruega. E esta hein?
Bom país, quiseramos nós!..

Compadre Alentejano disse...

Excelente post, parabéns.
Nunca fui à Noruega, mas só de pensar no frio que lá faz, tremo todo. Mas, como o corpo humano se adapta a todos ops rigores, se fosse obrigado, teria que alinhar...
Um abraço
Compadre Alentejano

Joseph disse...

A ideia deste texto é interessante e bem conseguida. Os políticos e os governantes andam sempre a encher a boca com os exemplos dos países nórdicos que é aconselhável que o português comum saiba mais alguma coisa do que se está a falar.
Não devemos ter medo que ponham em xeque o nosso partido ou os nossos interesses porque o que interessa é a gente usar a tola para pensar.
Há comentadores que reajem com preconceitos, frases feitas ou então estão sempre à defesa com receio que toquem nos seus reais tomates.
Que a troca de opiniões sirva para reflectir é o que desejo.

Shark disse...

Gostava que quem aqui anda a digladiar falsas vaidades tivesse mais respeito pela autora.
Em vez de se preocuparem com trocas de mimos, deviam ler o que a Lídia escreveu e limitarem-se a analisar o texto para avançarem para uma discussão sã sobre o assunto e de diferentes ângulos.

walter disse...

Este texto tem por objectivo, penso eu, mostrar que há mais vida para além do modelo que nos pretendem impingir.Há um ataque exacerbado ao Estado Social como se um país para se desenvolver tivesse que dar um chuto no cu de tudo o que é funcionário público, fechar escolas e centros de saúde.
E não são países atrasados muitos dos que não encarneiraram por este modelo.
Pensem, amigos, pensem e não vão atrás de futebóis.

Dalaila disse...

Quando visito uma país desses, até choro, tudo é pensado, planeado, não entrem em soluções magalómanas, pensam no bem do cidadão, isso sim são países onde a política funciona.

NuNo_R disse...

Se pudesse ia para lá viver...

BjS

Pata Negra disse...

Deixa lá silêncio, mas eles lá têm frio!