Destruição, insultos e porrada em lutas tribais.

Existem ambientes onde o normal seria respirarem-se bons ares, saudáveis, onde todos pudessem respirar; no entanto, são cada vez mais raros.

De quinze em quinze dias ia ver a Oliveirense, clube de Oliveira de Azeméis, onde se via um clima de desporto e confraternização, sendo necessários pouco mais que meia dúzia de agentes da autoridade sem que se ousasse sonhar com barreiras de segurança a dividir adeptos.

Para mim era algo de fantástico, em que eu sentia a essência do Desporto, mesmo quando existiam discussões entre adeptos de clubes rivais tudo terminava com a barriga encostada ao balcão e de volta de um "copo de três".

Entretanto mudam-se os tempos, supostamente evoluiu-se e passou-se à fase seguinte na "evolução" do adepto de um desporto: formaram-se claques.

Evidentemente que, como em tudo, tomam-se caminhos diferentes.

Uns estão lá pelo apoio e amor ao clube, com poucos recursos seguem a sua equipe, cantam, choram, riem… enfim, apreciam o desporto.

Depois temos os outros, os que dão origem a coisas como "um homem de 30 anos, presumível adepto do Vitória de Guimarães, foi esfaqueado por um presumível apoiante do Benfica uma hora antes do jogo de Sábado, no estádio vimaranense (...) Um outro adepto do clube local foi também transportado ao Hospital, com o nariz partido, tendo sido transportado para o Hospital de São João no Porto, onde se encontra internado."

Atenção que este exemplo tem mais a ver com a actualidade noticiosa do que com qualquer ataque meu a uma determinada claque ou clube. Aliás, poderia avançar com mais exemplos, em outros jogos, com outros indivíduos e ainda mais graves.

A notícia afiança ainda que "antes do desafio, e apesar do reforço policial não foram evitadas as escaramuças entre os adeptos de ambos os clubes."

É aqui que eu coloco a diferença.

Para mim um bando de indivíduos crescidos, a cantar pelas ruas insultos a outras pessoas, a destruírem propriedade pública e privada, agredindo tudo o que não tiver as cores deles, organizados em "matilha", é tudo menos adepto, é tudo menos claque, é o regresso ao estado primitivo, é o regresso ao estado básico da evolução onde tudo se fazia por instinto e em grupo, onde o grupo atacava movido por um objectivo comum e o individuo não existia, é o regresso aos instintos básicos dos animais...

Ainda por cima, infiltrados nessas "tribos" temos todas as espécies de animais que enchem a fauna da nossa sociedade, muitos nem sabem o que lá fazem, acreditam que aquilo é um modo de vida, onde se luta (falo literalmente) contra um inimigo, que na realidade não passa de um espelho deles próprios.

Está mais que na altura da lei ser cumprida.

Claques organizadas, licenciadas, com estatutos e membros perfeitamente identificados; está mais que na altura dos clubes as colocarem na linha, quem prevaricar, rua!!! não entra; está mais que na altura de os clubes investirem naquilo que realmente traz de belo um acontecimento desportivo, o transmitir de emoções, o gosto pelo desporto, o sentir que se passou um bom bocado...

O futuro não está em "tribos", onde se vê um estádio de 30.000 pessoas vazio, com uma claque de 300 pessoas, mas sim em estádios cheios, onde famílias inteiras possam ir ver um evento desportivo sem medo de serem agredidas ou de ouvirem o dicionário inteiro do melhor vernáculo da língua portuguesa.

Espero que por cá se possa aprender sem termos de passar pelo que os ingleses passaram, onde a lição lhes foi dada forma mais dura, através da morte de adeptos dentro dos estádios...

17 comentarios:

António de Almeida disse...

-Quando era adolescente, ia quinzenalmente assistir aos jogos do meu clube. Hoje apenas admito assistir ao vivo sentado num estádio seguro, por ex. um dos 10 que Portugal construiu para o Euro 2004, e mesmo assim na bancada central, longe da escumalha que se insulta mutuamente, ou por vezes até insulta aqueles que não estão a jogar. Azuis, Verdes ou Vermelhos, por ordem alfabética, é meramente a côr que os distingue, porque todos são escumalha do pior, selvagens que não respeitam nada nem ninguém. Dado o preço dos bilhetes para as bancadas centrais, e pela fraca qualidade futebolistica dos jogos portugueses, vou 2 ou 3 vezes por ano ao futebol, em rigor esta época, que começou em Agosto, ainda nem fui a qualquer jogo, os clubes que continuem a subsidiar os animais a que chamam claques, que eu, e muitos mais, continuamos a não frequentar tal espectáculo. É uma questão de escolha!

antonio disse...

Bem visto Tiago.

No desporto como na vida falta-nos esse encostar a barriga ao balcão, sem atitudes redutoras ou tribalistas. Assim só pelo prazer de sentir o frio da pedra que nos impede de chegar ao copo (pelo menos com certas barrigas).

Zé Povinho disse...

Atitudes exacerbadas e o espírito de multidão em nada contribuem para o desporto propriamente dito. É pena que se continue a assistir a espectáculos lamentáveis envolvendo violência, que são contrários ao espírito desportivo.
Abraço do Zé

indomável disse...

Eh pá! Sou a primeira "menina" a comentar!
Pois então cá vai...
A minha opinião é que no desporto se projectam os sonhos da maioria da população masculina (digo masculina porque é a parte mais visivel, embora hoje se vejam já muitas mulheres em estádios). Esse projectar de sonhos proporciona a violência, na medida em que é o matar ou morrer fora do campo. Ou seja, os adeptos que acompanham as equipas em claques, tÊm mais vontade de vencer que os proprios jogadores, que estão naquilo pelo dinheiro. É fora do campo que se sente o verdadeiro amor à camisola... mas infelizmente, não ao jogo.
A meu ver, passa-se no futebol aquilo que os militares tentam instigar aos soldados - sede de sangue. A agressividade que todos temos manifesta-se em situações de ansiedade, de medo... quando em grupo, essa agressividade é despoletada e os membros sentem-se invenciveis. Um pouco como o condutor fechado no seu carro, sentindo-se um cavaleiro medieval dentro da armadura. somos capazes de tudo!

Como antiga jogadora de rugby e actualmente fervorosa adepta, sinto a agressividade mais latente quando assisto a um jogo e era a agressividade que me salvava quando em campo derrubava as adversárias.

Porém, não sei se conhecem a sensação... depois do esforço fisico, os niveis de agressividade baixavam para niveis aceitáveis e a vontade de bater em alguém sumia-se.

O que se passa é que temos membros de claques que gostavam eles próprios de ter sido jogadores, ou mesmo de jogar. Como sentado numa bancada isso não é possivel e para se ser jogador tem de se trabalhar, estes supostos adeptos, que se munem da agressividade tão hutil em situações de adversidade, para fazer ouvir a sua voz, que noutros locais, noutras horas, deve ser nula.

Como dizia há tempos um jornalista espanhol que se infiltrou em grupos de skins em Espanha, o agressor em grupo, que agride só porque sim, porque se sente mais forte batendo no mais fraco e mesmo assim em grupo, é no fundo um cobarde, um ser fraco, sem noção do escrupulo e que se sente alguém por bater noutro que não se pode defender...

Assim, temos claques cheias de seres cobardes, que talvez tenham medo de se fazer ouvir quando estão sozinhos, mas que continuam a ter a agressividade que nos é tão própria, mas não sabem como lhe dar bom uso...

Antes fossem colocar as barrigas à frente de um balcão frio... embora isso pudesse ter outras contrariedades...

Cátia disse...

Pessoalmente gosto de futebol. Gosto (embora não vá muitas vezes) de ir ao estádio para assistir aquele espectaculo!! Sim, sou mulher, gosto de futebol e quero pensar que é um jogo é espectaculo, como tantos outros (cinema, teatro, concerto, etc.). Mas de facto tudo o que é levado ao exagero não é (nem pode) ser compreensível. Não podemos ter opinião, gostos diferentes que arriscamo-nos a não sair vivos de um estadio, devido à estupidez e irracionalidade?!

Pergunto-me sobre a identidade destas pessoas durante a semana... Serão pais de familia?! Trabalharão?! Poderão ser nossos vizinhos, nossos amigos?! São certamente... mas ao fim de semana dá-se a transformaçao....

Que venhas as regras, as leis,as claques organizadas... E que depois venham as familias aos estádios, as crianças e jovens... Mas que venham sem medo...

quintarantino disse...

A tribo do futebol sempre agiu e se comportou de acordo com regras muito próprias.
Dentro e fora de campo.

Seria bom recordar que nos primórdios do jogo, havia partidas que eram verdadeiras batalhas campais dentro de campo. Refiro-me, óbviamente, ao jogo conhecido por futebol, já que antes desse já existiam jogos que normalmente acabavam com banhos de sangue!

Com a evolução dos tempos, o jogo passou a ser para os espectadores uma espécie de válvula de escape das frustrações e inibições do fim-de-semana.

Vai-se ao futebol para insultar o adversário, esquecendo quem assim age que só demonstra a sua tacanhez. A sua dimensão de anão.

As claques, no seu início, visavam funcionar como grupos de adeptos mais ou menos fervorosos que pudessem servir como o tal "mítico" décimo segundo jogador e que pudessem ainda, por arrastamento, servir de dinamizadores do fervor e apoio dos restantes espectadores.

Contudo, por questões várias, e alguma delas nem sequer podem ser assacadas aos adeptos, rapidamente se transformaram em tropas de choque de dirigentes, plataforma de negócios mais ou menos esconssos.

Entre nós, e até de acordo com alguns eméritos pensadores, o mal está personificado numa claque: os "Super Dragões". São, para o mal e para o bem, a claque de eleição para se mostrar o que de mau existe no futebol nacional.

Contudo, o fim-de-semana que passou, mais uma vez (friso bem o mais uma vez) encarregou-se de mostrar que em Alvalade (onde os confrontos foram entre claques do clube da casa e se viram cadeiras a serem queimadas por alegados adeptos sportinguitas) os "viscondes" só o são de nome.

Quanto à questão do crime perpretado em Guimarães (no mínimo de ofensas corporais), noto mais uma vez a selvajaria de um qualquer meliante ir para um jogo de futebol armado.

E insiste-se em não se querer aprender com os erros próprios e alheios.

Finalizo dizendo que os dirigentes têm todos (sem excepção) a sua quota-parte de responsabilidade.

Quando Fernando Madureira vem declarar que os "Super Dragões" vão deixar de cantar um hino que referenciava o Benfica de forma pouco digna (merecendo até a reprovação visível e audível dos restantes sectores do "Dragão"), também frisou e mostrou que Pinto da Costa manda e interfere nos destinos da claque!

Quando Luís Filipe Vieira vem clamar contra o árbitro de Guimarães e nada refere sobre a agressão que um adepto do clube da Luz pratica, está a dar que sinal?

Compadre Alentejano disse...

Deixei de ir ao futebol precisamente por causa das agressões, físicas e verbais. Tomei tal aversão ao futebol que, para mim, não existe, nem sequer pela televisão!...
Há mais vida para além do futebol...
Um abraço
Compadre Alentejano

Dalaila disse...

eu que sempre fui de Guimarãers, não me lembro bem de tempos calmos, lembro-me sim de apenas uns guardas chuvas que voavam, e uns insultos, agora facadas, cadeiras, torpedos, isso é abominável, no passado Vitória - Benfica, mais uma vez foi escandalosa a atitude das claques. E uma equipa que está a ganhar não se percebe que mande cadeiras para o campo... olha sinceramente para todos, mas o que eu vejo é que eles não vêem o futebol, estão sempre de costas, os que apreciam não é assim

NINHO DE CUCO disse...

Tiago
Não vejo futebol nem pela TV, salvo raras excepções como é o caso do Euro ou do Mundial.
Esse soltar da besta escondida dentro do ser humano é algo que repúdio seja em que circunstâncias for.
Fizeste bem em chamar a atenção sobre isso de forma esclarecida.
Um abraço
Lídia Soares

Blondewithaphd disse...

You know what, you can't even imagine how long this post would be if we were in England! But hooliganism is not just an English phenomenon. Unfortunately it is spread around the globe and unfortunately this is almost a case in point when stereotypes come true.
A change of subjects dealt with here.

Carol disse...

Ia jurar que tinha deixado um comentário esta manhã... Era tão cedo que ainda devia estar meia a dormir!

Olha, amigo, como muito bem sabes sou adepta do F.C. do Porto e, admito, sou fervorosa. Gosto do meu clube e gosto de o ver ganhar, apesar de não lucrar em nada com isso. No entanto, não me meto em confusões dessas. O pior que posso fazer é enviar-te uns mails a chatear-te por causa do Benfica! Lol

Agora, do que eu não gosto nada, mas mesmo nada é desses adeptos completamente grunhos (desculpem, mas é o que eles são), que usam o desporto (porque também há claques para além do futebol) para revelar todas as suas frustrações.

As claques, pelo menos em Portugal, não são só um conjunto de adeptos muito fervorosos e, diria mesmo, fundamentalistas no amor pelo clube. Há, ali, muito negócio ilícito e os clubes sabem-no muito bem!

A loucura que leva alguém a esfaquear, a insultar, a agredir e matar em nome de um clube devia ser severamente penalizada, a começar pelos clubes e seus dirigentes.

JOY disse...

Claques para mim são grupos de adeptos que tem como objectivo o apoio da sua equipa do coração com desportivismo e fair play , o que nós vemos actualmente é bandos de marginais que utilizam as equipas e os estádios de futebol para divulgar a sua cultura de violência ,pior ainda devidamente apoiada pelos clubes. Adoro futebol ,durante anos fui presença assidua nos estádios de futebol por esse pais fora onde ia apoiar o meu clube juntamente com amigos de carro ou em excurssões,hoje raramente vou ao futebol,não estou para estar o jogo todo a ver e a ouvir essa orda de vândalos gritar impropérios não só aos adversários ,mas ás vezes aos outros adeptos do mesmo clube.Gostava de ir mais vezes com o meu filho ao futebol ,mas assim não. Sou do Sporting e fiz parte da juventude leonina á cerca de 25 anos ,hoje repugna-me no que aquilo se tornou.Infelizmente nos outros o mal é o mesmo,e as diverssas direcções dos diverssos clubes são também responsáveis por esta situação.

JOY

Peter disse...

Os ingleses resolveram o problema dos "hooligans", talvez fosse altura dos clubes portugueses, pelo menos FCP,SLB e SCP, aprenderem com eles. Subscrevo inteiramente o que escreves.
Há para aí um Ministro dos Desportos, ou qualquer coisa.
Isto não é com ele?
Se não é, é com quem?

Paulo Vilmar disse...

Tiago!
Aqui temos as organizadas que trasformaram os belos domingos de futebol em batalhas campais. Só assisto a jogos do meu Sport Club Internacional quando os outros ties são de outros estados e quem vem ao estádio é quase somente a torcida colorada! Estamos a assistir o futebol sem torcida, estádios com capacidade para 50 ou 60 mil pessoas, com público de 5 ou 6 mil! E mesmo assim, ainda conseguem brigar e até matar. Melhor ver pela TV, infelizmente parece que o fenômeno é mundial.
Abraços!

Tiago R. Cardoso disse...

parece que a plataforma BLOGGER, está no "bom caminho", desapareceram vários comentários, EVIDENTEMENTE não foi da nossa responsabilidade, mas problemas técnicos do Blogger.

Tchivinguiro: onde nasci. disse...

Há situações que nos parecem colocar longe da civilização.

Abraço.

Cati disse...

Espero que o blogger não me eclipse o comentário!

Bem... Concordo plenamente com as tuas palavras e aplaudo de pé. Assino e subscrevo.

Mas quem é que inventou esta porcaria de "claquismo" da treta?!? Porque é que só importamos as más ideias do estrangeiro, como o holliganismo?!?

Eu adorava ir à bola com o meu pai em pequenita... agora acho que não poderei fazer o mesmo com os meus filhos...

Só mais uma coisa triste neste nosso triste país...

Um beijinho!

PS - Já respondi à pergunta! ;)