Cartão azul na Europa e já!

Alguns dos nossos eurodeputados eleitos pelo PS, CDS/PP e CDU contestam o projecto de “cartão azul” que a União Europeia pretende implementar.

O "cartão azul" inspira-se no "cartão verde" estado-unidense, e conferirá em simultâneo um visto de residência e de trabalho tendo como principal objectivo permitir a contratação rápida de profissionais qualificados em países terceiros.

É sabido que a Europa atravessa uma crise demográfica.

A União Europeia (UE) tem uma população de 494 milhões de pessoas, mas o número continua a diminuir e, de acordo com as previsões, em 2050 um terço da população terá mais de 65 anos.
Aliás, de acordo com as previsões, em 2050 cada dois trabalhadores no activo terão de pagar a reforma de uma pessoa.

Ora, segundo dados oficiais, a União Europeia precisa de 20 milhões de trabalhadores qualificados para dar resposta à crise demográfica actual.

Sucede que, d acordo com os dados estatísticos disponíveis, 85% da mão-de-obra não qualificada emigra para a União Europeia e apenas 5% para os EUA.

Por outro lado, 55% da mão-de-obra qualificada emigra para os EUA e apenas 5% para a União Europeia.

Parece fácil e evidente concluir que, nesta corrida, à semelhança de muitas outras, o bloco europeu está claramente a perder para os EUA.

Ora, é contra esta tentativa de perder uma corrida que pode ser vital para o nosso futuro e desenvolvimento que nos surgem Ana Gomes, Ilda Figueiredo e Ribeiro e Castro.

Ana Gomes insurge-se contra o projecto porque o mesmo “não é compatível com um discurso de abertura e tolerância” que marca a Europa e irá permitir que se abram portas àqueles de que os países mais pobres precisam.

Ilda Figueiredo considera, também ela, que esta proposta faz os países pobres a continuarem “condenados ao atraso”. “Uma política de solidariedade não é esta”, referiu a eurodeputada do PCP.
Adiantou até “que a Europa dê o que de melhor tem para ajudar a África a desenvolver-se, sem o espírito neocolonial para lá ir buscar as suas riquezas”.

Por seu turno, Ribeiro e Castro considerou essa proposta uma “tentativa de desnatação da imigração”. “A Europa não pode ter uma política de sugar esses recursos humanos qualificados”, disse.

Falou ainda que avançar com esta medida é como apôr um selo que desqualifique a pessoa humana como para considerá-la superior em relação aos seus concidadãos.

Por mim, por muito louváveis que sejam os argumentos apresentados, penso que só com iniciativas como esta nos será possível conciliar respostas às nossas necessidades de mão-de-obra especializada, de técnicos credenciados no domínio da investigação (veja-se as universidades americanas quantos estudantes asiáticos e indianos lá têm, por exemplo, e onde muitos ficam a trabalhar) com a necessidade de conseguir regular o fluxo de migrantes que demandam estas paragens.

Bem sei que soa a politicamente incorrecto, mas se o modelo social tal como o conhecemos já ameaça soçobrar que condições teremos para oferecer a quem nos procura em condições pouco mais que miseráveis?

Por isso, sou a favor do "Cartão Azul". E vocês?

39 comentarios:

António de Almeida disse...

-Cartão azul, verde ou vermelho, claro que quero a UE a concorrer com os EUA, em busca de massa cinzenta. Deixemo-nos de hipocrisias, no final da II guerra mundial, muitos criminosos de guerra nazis, foram condenados em Nuremberga, por crimes contra a Humanidade. Quantos eram cientistas? Onde estavam todos os que possibilitaram o desenvolvimento tecnológico da Alemanha? A URSS e os EUA, ficaram com eles, aqui nem sequer estamos a falar do mesmo, apenas de procurar que os melhores cérebros possam leccionar nas Univ. europeias, ou contribuir para os seus avanços científicos e tecnológicos. Dentro do território da UE, essa competição até já existe, como todos sabemos, muitos cérebros portugueses estão em Inglaterra. Quanto ao folclore de Ana Gomes ou Ilda Figueiredo, já estou acostumado, até nem misturo o PS, ainda que todos saibam que não costumo ser propriamente meigo ou simpático para com este partido, Ribeiro e Castro é que me surpreende um pouco.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Quint
Primeiro que tudo deixa-me dizer-te que este é o texto que gosto de comentar.Um texto que apresenta opiniões, esclarece e deixa em aberto as perspectivas que cada um pode apresentar.Um texto que informa, acrescenta e não "arranha".E bem escrito como é costume.
Dado o avançado da hora não vou comentar na especialidade mas deixo uma breve nota sobre como entendo estas questões.
Não perfilho culturas etnocêntricas nem penso que o equilíbrio do mundo se faça facilitando a vida aos povos que já a têm mais facilitada.

Carol disse...

Eu também!
Como disse o António de Almeida, está mais do que na altura de deixar a hipocrisia e o falso moralismo de lado.
Se queremos uma Europa competitiva e produtiva, não podemos fazer outra coisa que não seja apostar em massa cinzenta!

antonio disse...

Quint este teu texto torna claro algo que eu defendo:

A Europa não precisa de mão de obra qualificada, que fica no desemprego ou tem que emigrar, a europa precisa de mão de obra barata.

Esta mão de obra barata enriquece os Belmiros, Berardos, Jardins Gonçalves e por aí fora...

Enquanto não sairmos do "ciclo do aço" estamos lixados!

Manuel Rocha disse...

Hummm...se o objectivo do texto era o de ser polémico e provocar separações de "águas", percebo-o.

Fora desse contexto diria com toda a frontalidade que é simplesmente demagógico e pouco responsável.

E explico.

O desafio que faz é bem do género do pragmatismo à americana, para quem as questões do desenvolvimento, da ética e da equidade social servem para preencher discursos vazios de conteúdo prático. Para eles, tal como para os europeus, primeiro e sempre o "nós" e quem vier atrás que feche a porta, pois o pressuposto base desta deriva politica continua a ser o de que os fins justificam os meios.

Só assim se percebe que a exaustão de todos os recursos de países terceiros, até de cérebros, seja ainda e sempre uma hipótese admissível num Parlamento Europeu.

Mas é nestas coisas concretas que a esquerda socialite se separa da outra. A hipocrisia tem que ter limites. Perante a apetência pela Europa, ou se abrem as portas ou se fecham. Escolher à porta quem quer entrar como quem escolhe gado numa feira é que não dá.

E depois vem o argumentário invocado. A corrida com os EU ?! Corrida para onde ?! A segurança social ?! Mas qual a diferença entre pagar reformas e subsidios de desemprego ?! Ou alguém está genuinamente à espera que se alterem as tendências da economia e ela regresse a actividades de mão de obra intensiva à moda dos primórdios da revolução industrial ? A crise demográfica ?! Qual crise ?!Mas estamos a falar mesmo do quê, da sobrevivência da raça ariana ?!Senão como é que um discurso com estes pressuposto se encaixa noutros de queixumes recorrentes em relação a problemas de qualidade de vida que derivam objectivamente de sobrecarga populacional sobre recursos limitados ?!

Concluo como o outro: " não sei por onde vou, sei que não vou por aí !"

quin[tarantino] disse...

Manuel Rocha, o amigo lobrigou bem o objectivo que se pretendia. Colocar as pessoas a pensar e abrir espaço ao debate.

Não se trata de salvação de raça ariana nehuma, antes de colocar as coisas num ponto equidistante "perante a apetência pela Europa, ou se abrem as portas ou se fecham"...

Já agora, entre abrir ou fechar portas qual acha que devia ser a postura?

indomável disse...

Quint, eu gosto pouco de demagogia, mas gosto muito de perceber porque é que as coisas acontecem como acontecem.
Então expliquem-me lá duas coisas:
1º - porque é que para a UE só imigra mão de obra sem qualificações e para os EUA não?
2º - e em sequência da primeira, como é que vamos estabelecer fronteiras com filtragem para escolher entre mão de obra qualificada e a outra?
É claro que o discurso da Ana Gomes e da Ilda Figueiredo tem um pouco a ideia dos coitadinhos. Mas eu apresento o seguinte argumento - para se viajar por exemplo, para angola, é obrigatório ser-se convidado por um residente que se responsabilize por nós, ou então temos que apresentar provas de que temos meios de subsistência (com o valor estipulado de 200 dolares por dia)para que nos emitam um visto de turismo. Para além do mais, Angola já comerça a competir com as Universidades europeias e apresenta incentivos aos naturais do pais que tenham estudado no estrangeiro e queiram regressar!
Agora pergunto eu, se queremos competir com os EUA na procura de massa encefálica, então teremos de adoptar politicas de imigração e emigração como as deles. Se temos um espaço de liberdade de circulação - o espaço schengen como o faremos? Portugal tem politicas de cooperação com os paises do mundo lusófono que servem de entrada na UE para muitos nacionais desses estados... Vamos fechar as portas aos povos de que nos servimos no passado? Vamos fazer mais essa concessão pela UE?
Estou com a Ana Gomes, digam o que disserem dela. Estou com ela e com quem afirme a cooperação com o espaço da lusofonia. Em ultima instância somos povos irmãos e não lhes vamos virar as costas. Eu posso defender essa cooperação, perdi a última vaga na universidade estatal para um angolano que veio com o estatuto especial e nem assim me senti revoltada.
Não falamos aqui de um problema de imigração ou mão de obra desqualificada. Falamos aqui de um problema de vazio de ideiais. A UE está a normativizar tudo de tal forma, que quem saia dos parâmetros estabelecidos não detêm a confiança do estado central. Não há margem para a novidade ou para tudo o que seja diferente e daqui a pouco só teremos homenzinhos cinzentos a dizer o que deveremos comer, pensar, dizer e estudar... Para quê impedir a entrada de outras cores? Porque não estabelecer incentivos aos cérebros que queiram para cá vir melhorar os cérebros que cá existem?
Talvez precisemos de legislar menos e inovar mais!

Manuel Rocha disse...

Quint, o amigo anda a aprender umas "trivelas" com o Quaresma...:))

A resposta à sua questão para mim é fechar. E justificarei um destes dias porquê num post, pois não é assunto para caixa de comentários.

Muito sucintamente direi apenas que considero existirem desequilibrios pós coloniais que o neo colonialismo só agrava. Para que as politicas de boas intenções e grandes principios humanitários cheguem ao terreno, é necessários que os equilibrios internos se refaçam, i. é, que a Europa reaprenda a viver sem as colónias e vice versa.

E ilude-se quem chama a isso "voltar as costas". Não o fazer é perpetuar os intermináveis ciclos de dependência.

Compadre Alentejano disse...

Acho muito bem que se crie um cartão azul, ou de outra cor, para livre circulação no mercado de trabalho europeu, ao mesmo tempo, os países ricos devem "adoptar" os países pobres, como? Colocando lá alguns dos seus melhores gestores...
Quanto aos nossos deputados, é normal, pois para serem visíveis têm que ser do contra...
Um abraço
Compadre Alentejano

antonio disse...

Indy, não estejas com a Ana Gomes, que se preocupa com Guantanamo mas ignora os Centros de Instalação Temporária que se espalham nas nossas fronteira europeias, marítimas e aeroportuárias. Nos CIT as pessoas ficam exactamente com os mesmos direitos de cidadania a que estão submetidos os presos de Guantanamo.

A América está disposta a pagar melhores ordenados, na Europa não.

O Manuel tem razão, depois da exploração dos recursos naturais, exploramos a mão de obra qualificada do terceiro mundo, pagando-lhes como se fossem empregados de limpeza. Parte do software em Portugal é desenvolvido por engenheiros indianos que ganham 500€ por mês.

bluegift disse...

Quint,

O Sem Penas tem razão. Aquilo que se pretende é mão de obra barata para enriquecer ainda mais os grandes empresários europeus.

A Europa tende a engrossar a população de desempregados com quadros e operários especializados que ultrapassaram os 35 anos de idade. Porquê? Porque são mais caros e a sua contratação por ordenados mais baixos pode originar crises sindicais. Por outro lado é uma situação que convém aos sistemas de pensões, que conseguem assim diminuir substancialmente as prestações.

Se continuarmos a seguir essa lógica actual da segurança social, um dia destes vamos ter uma população a acotovelar-se numa qualidade de vida mediocre. A menos que comecemos a matar os velhotes...

É urgente repensar o sistema de Pensões. O existente já não serve.

Voltando à pergunta quente. Da mesma forma que não concordo com a entrada livre no espaço europeu, também não posso pactuar com a fuga de crâneos dos países do 3ro mundo, mas ainda menos com o impedimento destes em sairem do país por livre vontade. Há pois que estabelecer um equilíbrio entre todos estes pontos.

À primeira vista e salvo contra-argumentação razoável (e NÃO DEMAGÓGICA!) concordo com o tal passaporte azul.

Mas atenção, primeiro que tudo a Europa precisa urgentemente de reformar o sistema social e laboral. Mais do que abrir as portas aos imigrantes, há que abri-las à população senior com mais de 35 anos.

Mariano Feio disse...

Eheheeh!
Mas que questão complicada! Dificil descalçar esta bota sem declaração de voto e de princípios que cheguem um pouco mais longe que a biqueira da dita bota.Para este género de iniciativa usaria uma palavra bem alentejana que talvez não caia bem. Por isso digo que é o oportunismo no seu melhor.
Caso para perguntar que Europa é esta que se arroga de tanta coisa e depois falha no mais elementar pingo de ética.
Cartão azul ? Não ! Cartão vermelho para os neo-fascistas que dele se lembraram e para os kappos que os apoiarem !

Mariano

bluegift disse...

Os EUA são um país fascinante, pela paisagem, pela modernidade, pela dinâmica, mas, atenção, é uma selva comparada com a bem pacata Europa. Não é modelo que eu pretenda importar.

antonio disse...

Blue, eu também não quero importar os EUA, só quero que me devolvam a "minha europa", não por nenhum neofascismos como diz o Manuel, mas porque tenho saudades, tanto quanto as tenho da minha avó...

quin[tarantino] disse...

Bem, Indomável, confesso que não entendo... limito-me a fazer referência a uma proposta da Comissão e às posições tomadas por eleitos portugueses, e eu (e desculpe se percebi mal) é que sou demagógico?

Quando afirma/pergunta porque não estabelecer incentivos aos cérebros que queiram para cá vir melhorar os cérebros que cá existem, não entende que o dito Cartão Azul pode ser um desses incentivos?

No mais, fronteiras abertas no interior do espaço da União Europeia, para mim não significa que tenham de estar abertas ao exterior.
É o que penso.

J Francisco Saraiva de Sousa disse...

Adorei esta polémica e sinceramente não tenho uma alternativa-posição pensada. Contudo, como sou um europeu lançado no mundo ocidental, prefiro pensar de modo a que essa aventura ocidental recupere orgulhosamente o terreno perdido. :)

indomável disse...

Quint,
realmente não me expliquei bem na argumentação que apresentei (talvez porque hoje estou meio aqui e a meio caminho de um exame...).
Isto está a ser escrito em escape livre, por isso perdoem-me as possiveis incongruências.
Os demagógicos de quem eu falava, ou a que me referia, são aqueles como Ana Gomes, Ilda Figueiredo e o senhor do PP, que demagogicamente lutam contra um cartão azul, não apresentando argumentos ou alternativas.
Estou com a Ana Gomes, porque defende a parceria entre países ricos e pobres. Apesar de, como diz o Antonio, se preocupar pouco com os entretantos, ou seja, os locais onde ficam todos aqueles que não têm entrada imediata e parecem pairar numa espécie de limbo a meio gás, entre o primeiro e o terceiro mundos.
A demagogia está precisamente em não querer mudar as coisas, porque o que existe está mal, mas coitadinhos dos povos que ficarem para trás com uma solução desta natureza, agora apresentada.
Um cartão azul poderá não ser a melhor solução, eu pessoalmente não conheço outra... mas aqueles que demagogicamente defendem a manutenção do statu quo, deveriam pensar activamente sobre o assunto, apresentando alternativas melhores.

quin[tarantino] disse...

Indomável Ou eu é que percebi mal... mas ainda bem que voltaste para retorquir. Gosto disso. Já agora, exame? Seja ele qual for, boa sorte!

Márcio disse...

Não sei muito bem do que aqui se fala hoje... tão pouco ainda ouvi desse tal "Cartão Azul"... desactualizado?! Humm... talvez um pouco.
Mas pelo que me deu a entender... trata-se dos emigrantes que vão trabalhar para o estrangeiro.
Ontem estava a falar com uma pessoa conhecida que viveu durante muitos anos no Canadá e agora voltou de vez para cá... Perguntei senão estava satisfeito. A verdade é que lá ganha-se muito €, mas apenas isso... um emigrante ou tem família ou não consegue ter lá amigos. Tem companheiros e colegas de trabalho e de noitadas... pouco mais. Dá para andar com roupa de altas marcas, dá para andar com altas cilindradas... mas e o resto?! "Pois é, isso só em Portugal", disse-me ele.

walter disse...

Boa tarde Quin[tarantino]
Estou aqui a responder ao seu convite para visitar o Notas Soltas & Ideias Tontas. Demorei a decidir comentar porque sou respeitador na casa dos outros e também não sou fingido. Não viria ter consigo dizer que era bom conversa fiada ou texto chato. E se fosse dizer o que achava, você sabe o que acontecia não é preciso dizer. Hoje estou com um post que está bom e em ambiente de troca de impressões.
Não percebo grande coisa do cartão azul, ou lá o que é, mas se calhar até nem é mau de todo. O problema central não me parece que esteja no cartão que é mais normalizador que inovador. O problema quanto a mim está na hipocrisia de quem defende o cartão e de quem o ataca. Portugal podia agarrar cérebros que estão a trabalhar nos EUA e por essa Europa fora. Portugal não fixa pessoas de valor, filhos desta terra, está a perceber Quin[tarantino]? Isto resolve-se com um cartão azul? Ir buscar os cérebros aos outros?
Nós não sabemos fazer parcerias sem querermos ser dominantes e damos uma bilha de leite a quem nos der uma de azeite. Os EUA sabem-na toda. A Europa é aprendiz de feiticeira ao lado desses aliados mas está a aprender com eles e não está a aprender o melhor.
Bons esclarecimentos e até a uma próxima.

M.M.MENDONÇA disse...

É um prazer comentar este espaço num dia de sol aqui na Casa Mantero.
Vou confessar-lhe que hoje aprendi muito porque se falam em tantos cartões que já não há cabeça que aguente. Este é azul e pretende ser uma espécie de fixador e arregimentador de massa encefálica. Penso que é mais ou menos isto? Mas se a gente não consegue gerir bons cérebros que parimos por cá porque raio é que temos que ir arrebanhar os dos outros? Pertencemos à UE e com isso temos que ir atrás de tudo o que eles dizem. Qualquer dia começo a defender que o melhor é não ser da UE.

Tiago R. Cardoso disse...

A "utopia" seria a capacidade de segurar os nosso valores e investir na formação de outros, aproveitar muitos que acabaram por se perder no meio da "selva", mas isso é como disse uma "utopia", onde seria necessário mudar muita coisa.

Há que ser frontais, vamos ficar a ver navios, agarrados aos nossos valores, supostamente morais, não avançando para apanhar os bons, sejam baratos ou caros, enquanto outros tratam de os contratar ?

Podemos de facto ser todos muito "alinhadinhos" mas temos ficado sempre para trás e a reboque dos americanos.

NINHO DE CUCO disse...

QUINT
Desculpa lá mas não concordo mesmo nada com esse cartão azul.
Segundo o que informas esse cartão azul destina-se a contratação rápida de profissionais qualificados em países terceiros.
Para já não concordo que se vá buscar cérebros a países que precisam deles para se desenvolverem. E será que nós precisamos de massa crítica? Ou será que o que precisamos é de galinha gorda por pouco dinheiro? Então se nós precisamos tanto de quadros, e somos da UE, porque é que abrimos mão deles e os deixamos ir para os EUA? Temos imensos licenciados no desemprego, que cá não prestam mas que nos EUA têm feito autênticos brilharetes. Onde é que estão o António Damásio, a Hanna Damásio e o João Magueijo? Um amigo meu que está gravemente doente foi consultar uma "especialidade" na clínica de Mayo nos EUA e depara-se com um português. Aliás, quem visitar o meu blogue Valores Portugueses, depressa se apercebe que temos muita massa cinzenta subvalorizada e que a oferecemos de mão beijada aos EUA. Posso fazer-me uma lista exaustiva de cientistas de todas as áreas até socias e professores portugueses com carreiras brilhantes nos EUA.
Por algum motivo será que 55% dos qualificados vão para os EUA e só 5% para a Europa e que a Europa recebe 85% de não qualificados e os EUA só 5%Por que será?

Joshua disse...

Eu sou favorável a que se passe cartão a quem tem Valor Acrescentado, queira trabalhar e ter vantagens bem pagas pelo seu valor. O problema é que, com estas políticas espartanas internas, não vislumbro que se aproveite devidamente os nossos valores.

Só vislumbro Cartão em alguns Jogadores de Futebol.

PALAVROSSAVRVS REX

Zé Povinho disse...

Não sou a favor do cartão, azul ou de outr cor qualquer. O problema da Europa, e aliás de grande parte do ocidente, é que investe cada vez menos nos sectores de inovação, inteligência, educação e cultura. Ainda menos investe dentro de portas, fixando essas competências e os sectores produtivos. Deslocaliza-se toda a produção, e com ela vai também o saber e a inovação.
Se queremos receber mais estrangeiros, criemos as condições para a sua fixação e para o desenvolvimento dentro dos nossos países. Quem quer trabalhar é viver em paz deve ser aceite. Excluidos só os criminosos, para esses podem dar um cartão vermelho à vontade, que não me ralo.
Abraço do Zé

Carol disse...

Vejo que se preocupam com os jovens engenheiros indianos que ganham, apenas, 500€. E com os nacionais que são obrigados a ir para fora ou, então, que trabalham em caixas de hipermercados, ninguém se preocupa? É que eu, por acaso, conheço vários, bastante inteligentes e competentes.Pena que poucos se preocupem com estes...
Estou com a Bluegift quando diz que há que dar trabalho a quem tem mais de 35 anos.

NÓMADA disse...

Aonde é que é a manifestação anti-cartão azul?
Estou a lembrar-me da presidente da Câmara de Vila de Rei quando trouxe do Brasil não sei quantas famílias para povoar o munícipe. Um professor universitário, um engenheiro, etc. Os de cá não queriam ir para o paraíso de Vila de Rei, só os brasileiros é que aceitaram. Deu na TV e tudo. Depois percebi porquê. Só recebiam o ordenado mínimo. E já regressaram ao Brasil. Estou como o Joshua: cartões só para jogadores de futebol.

C Valente disse...

Tenho andado com grandes dores de laringite e uma tosse que me deixa incomodado por isso nem vontade tenho tido de ligar o PC , pois nem sei se é gripe, com os medicamentos receitados pelo medico, ainda não fez efeito, por isso não tenho aparecido
As minhas desculpas
Saudações amigas

Blondewithaphd disse...

Passei brevemente e... na mouche! Ora aqui está um dos temas mais polémicos e mais necessários debater na nossa sociedade. Acho que todos sabem a minha posição: abertura com limites e restrições. Chamem-lhe Blue or Green Card, com ou sem as típicas lotteries, mas faz favor pensar seriamente nas políticas de imigração e deixar esta confusão em que todos entram, mas, afinal, não é bem isto que queremos, e toma lá umas legalizações extraordinárias e mais uns vistos duvidosos e as máfias e economias paralelas.
Os americanos diziam: "Wide open and unguarded stand our gates", mas isso nunca aconteceu e se sempre houve país com mais imposições e restrições e proibições (lembram-se que a imigração asiática esteve banida muito tempo?), esse país é a América.
Sim, precisamos de imigrantes, mas sim é preciso controlar os fluxos imigratórios.

Manuel Rocha disse...

E pergunta um ingénuo: e precisamos de imigrantes porque ????....

quin[tarantino] disse...

... vá manuel não faça perguntas para as quais já todos sabemos as respostas ...

sol poente disse...

Carol
Se temos pessoas válidas e qualificadas para dar trabalho....

Francisco Castelo Branco disse...

Cartão seja lá do que for, é mais um sinal de que a Europa está a tomar conta dos Estados-Membros.
Estamos a perder a nossa identidade e a tornar-nos apenas cidadãos europeus......

Espectadora Atenta disse...

caro Quintarantino
Eu concordo com o cartão azul, independentemente do que isso possa até acarretar no futuro. Mas devemso ser ousados e perceber que os Estados Unidos já não são donos do mundo... Talvez a China e a India o sejam e ainda ninguem deu bem por isso... A nossa europa está velha e a precisar urgentemente de uma reforma...

7 Pecados Mortais disse...

Bom texto Quint, era disto que eu estava à espera! (Refiro-me ao Post de: "Eram quatro à mesa"). Tu percebes, se te lembrares do meu comentário. Em relação ao cartão azul, este deixa muito a desejar. Procuram mão de obra barata?! Não obrigado...não que tenha nada contra à oferta de emprego, mas sim, contra a exploração e isso é o que pretendem com esta medida. Enriquecer uns, empobrecendo outros, tornado o fosso demasiado gritante, entre ricos e pobres. Dá ideia que querem formar uma economia potente em poucas marcas, dominando o monopólio comercial, tirando a hipótese de outros se expandirem (monopólios tipo Belmiro de Azevedo e outros). Quanto à imigração, vê-se os casos existentes, em que os nossos "cérebros", imigram não por que é necessário, mas sim pelos Outros (resto da Europa e EUA) que os vêm buscar devido à sua importância. Nós, por cá, desprezamos-os e continuamos a não apostar em "marcas" para o desenvolvimento do País como competidor económico fase ao resto da Europa e EUA. Por isso criar uma escravidão humana, em forma democrática, não...obrigado, faz-me lembrar cada vez mais, em razões diferentes, a intenção do SR. Adolf Hitler, que queria dominar o Mundo, com as suas ideias e políticas assumidas. Não se pode comparar um caso com o outro, mas democraticamente, parece-me que as ideologias não são diferentes. Não se pode, repito, comparar um genocídio a este exemplo, apenas refiro a ideologia, nas intenções que se pretendem.

Paulo Vilmar disse...

Amigo Quintarantino!
O Green Card funciona, nos EUA como um visto que permite trabalhar e morar legalmente. Atualmente países como Brasil, Canadá, China, Rússia, Colômbia, Haiti, Índia, Jamaica, México, Filipinas, Coréia do Sul, Paquistão, El Salvador, República Dominicana e Reino Unido (fora Irlanda do Norte), estão impedidos de participarem dos pedidos deste cartão.
Um estudo, feito por um departamento do ministério de Imigração dos EUA, estimou que existem, 12 milhões de trabalhadores ilegais. Diz, ainda , o Estudo, que os ilegais não roubam empregos dos americanos. Apenas os trabalhadores que não completaram o segundo grau tiveram uma perda de 8% nos seus salários, possivelmente por causa da presença da mão-de-obra estrangeira. Mas, conclui o mesmo estudo, certos pequenos negócios nem existiriam não fosse a oferta de mão-de-obra barata dos ilegais. Mais, todo o serviço de recolhimento, tratamento, depósito e estocamento de lixo, trabalho de infraestrutura na construção, que incluí abertura de valas, colocação de tubos, trabalho direto com os esgotos, serviços de consertos de máquinas, jardinagem, serviços domésticos e insalubres de todos os tipos, são, na esmagadora maioria, realizados por imigrantes ilegais!
Serão estes trabalhadores ilegais? Tenho certeza, que estão perfeitamente monitoriados e inclusos em todos os estudos, apenas permanecem sem o “Green card”, para continuarem sem evoluir e quietos realizarem o trabalho pesado e sujo, sem receber os direitos que teriam se fossem cidadãos de classe “Green”.
Dito isso, volto-me ao Cartão Azul, “Blue card” seria? A velha Europa, de tradição milenar de respeito a direitos humanos e de lutas pela igualdade está em crise? Primeiro, varreram as fronteiras, Portugueses, Franceses, Italianos, Alemães e outros povos escolhidos dos deuses, por decreto, passaram a ser um único e feliz povo. Sem fronteiras entre si, será que deixaram de ter sua própria identidade cultural? Portugueses têm as mesmas tradições e cultura dos italianos? Dos Alemães? Criaram, então os cidadãos de 1ª Classe, embora, alguns dos membros da Comunidade se achem mais de primeira que outros, mas...
Cria-se, agora, copiando os EUA, uma nova divisão, os cidadãos de segunda, mas que por estudarem algum tipo de curso que possa interessar a possíveis projetos desenvolvimentistas, têm o “direito” de morar e trabalhar na EU. Mas, vejam bem, não basta ser oriundo de alguma Universidade, ou tal. Depende do curso, não creio que a novíssima EU esteja a precisar de advogados brasileiros, pedagogos indianos, historiadores angolanos, sociólogos chineses, filósofos colombianos, etc... Mas, tenho certeza, serão bem vindos os programadores de software, peritos em robóticas, engenheiros de alta tecnologia, etc ... de qualquer nacionalidade(isso ainda existe?). Os cidadãos “Blue Card’s” .
De qualquer forma, ainda restará o serviço pesado. Afinal sociedades acabam por gerar lixo, muito lixo(não só cultural). A quem caberá, então, o trabalho de retirá-lo, manuseá-lo, escondê-lo dos olhos civilizados? Tenho certeza, a uma terceira classe de pessoas, os ilegais. Que serão admitidos aos poucos, tolerados e estarão sempre sob forte vigilância. A vigilância do medo, da delação, da exclusão!
A novíssima EU devia olhar, um pouco, seu belíssimo passado. Sua condição de berço da civilização ocidental, suas humanidades e, mesmo, seus erros e buscar soluções de inclusão, de intercâmbio, de parcerias, não de fomentar ódio entre iguais e tornar-se uma sociedade excluidora, totalitária e xenofobista como a dos EUA, que vê em cada “extrangeiro” um potencial inimigo ou um eventual escravo!
Fala-se em perder a corrida para os EUA, não sabia que a EU estava a competir. Mas, perdem em que? Em cultura? Em economia? O dólar não têm nem comparação com o Euro. Em empregos? Na falsidade dos capitais das bolsas de valores? Na produção de automóveis? Na tecnologia de ponta? Não tenho estes indicadores para comparar, mas tenho certeza que a EU não perde para os EUA, ainda, porque continua a manter sua tradição, com alguns focos xenofóbicos, aqui ou ali, de ver o humano, no ser humano.
Não, minha velha e querida Europa, não busque disputar com quem não está à sua altura. Assim como Amália Rodrigues suplicava para que Lisboa não fosse Francesa, rogo, para que a Europa não seja Norteamericana.
Abraços...

Laurentina disse...

Olha eu adorei este post.
E devido á forma esclarecedora como esta exposta a questão deu para entender melhor essa questão do tal cartão americano a que eu ainda não tinha la chegado completamente.
Sim senhor sou a favor do cartão azul, vermelho ou amarelo.
Venha.

beijão grande

alf disse...

A função da emigração é baixar o custo da mão-de-obra.

Emigração não qualificada baixa o custo da mão de obra não qualificada. O que é bom para as classes médias e altas e mau para as classes baixas.

Na Dinamarca não aceitam imigrantes, a não ser por asilo politico - desta forma conseguem manter um leque salarial muito apertado, sem desqulificação de nenhuma função laboral. E são só uns 5 milhões, como é que os outros países "precisam" de tantos emigrantes e ele não precisam???

O cartão azul ou verde servirá sobretudo para controlar a degradação dos ordenados das classes médias e altas. São estas que fazem as regras do jogo, não é? Já imaginaram se os médicos ou engenheiros de paises de ordenados mais baixos pudessem entrar por aqui como o fazem os imigrantes para trabalhos não qualificados?

Portanto, o que está em cima da mesa é o jogo de interesses das classes dos paises que recebem imigrantes.

A emigração não é um bem, é um mal - não estou a lembrar-me de nenhum caso em que a emigração trouxesse progresso a um pais. Sem emigração, os paises são forçados a desenvolver-se para resolverem os seus problemas.

Imigração não tem nada a ver com livre circulação. O Imigrante vem de um pais pobre para se sujeitar a um ordenado baixo. Para manter a imigração, tão favorável às classes média e alta, interessa que os paises pobres continuem pobres.

Fomentar a imigração é, pois, basicamente, fomentar a pobreza - nos paises de origem da imigração e no próprio pais, para as classes sociais que vão ter de concorrer com os imigrantes.

C Valente disse...

Que venha o cartão independentemente da cor sou cidadão da Europa
Saudações amigas