Notas Emprestadas - A aventura da fé

“Desconfio dos que professam a sua fé aos outros, sobretudo quando pretendem convertê-los. A fé não é para ser pregada, mas para ser vivida. Será assim que se propagará por si mesma.
O conhecimento das coisas de Deus não se encontra nos livros. Pertence ao terreno da experiência vivida pessoalmente. Os livros são uma ajuda, às vezes são um obstáculo.”
(Gandhi)


A forma de entender a fé é diferente de pessoa para pessoa, de um liberal para um ateu, de um teocrático para um cristão. Tem a ver com o relevo que é dado por cada um às suas vertentes familiar, afectiva, sociopolítica, cultural, económica, religiosa e moral.

Para um liberal, cada vertente é autónoma e independente, sem que nenhuma delas influencie qualquer outra. Como tal, a religião não influi nas opções de qualquer outra vertente. A fé é do domínio privado e pessoal.

Um ateu exclui radicalmente a vertente religiosa, aceitando todas as outras. Se alguma das vertentes predominar será para fazer sobressair o ateísmo. O fenómeno religioso é encarado como alienação, estruturas de poder ou superstições, que não humanizam e que, por isso, têm de se eliminar.

Para um teocrático, todas as vertentes são influenciadas pela religião. Esta envolve e prevalece sobre todas as outras. Cada vertente não tem sentido em si mesma, nem nenhuma tem poder sobre qualquer outra. Todas são dominadas pela vertente religiosa, dependem exclusivamente dela, podendo mesmo ser humilhadas e desprezadas por ela quando levada ao extremo, tendo como resultado o fundamentalismo.

Num cristão, cada vertente tem a sua autonomia e identidade próprias, mas inter-relacionando-se como partes de um todo – de um só corpo. No centro deste corpo encontramos o Amor. Amor de/a Cristo que dinamiza e dá força a todas as vertentes da vida humana, procurando o equilíbrio entre todas. Conforme a sua vida e circunstâncias pessoais, assim cada pessoa encarnará a fé, sempre com Cristo como referência para a sua vida, que lhe dá sentido, a partir do seu interior e não por qualquer imposição externa. Cristo é o centro, a “pedra angular”, o amor que está no centro de tudo. A fé precisa de todas as vertentes da vida humana para se corrigir e enriquecer, ao mesmo tempo que as influencia. Para um cristão, a fé abarca toda a vida, todas as vertentes. Deus está sempre presente.

Posto isto, podemos verificar que não será muito fácil entender o que seja a fé.

A minha visão pessoal é a de que, a fé ideal passa por uma tão completa adesão a Cristo e ao Deus por Ele apresentado, que nenhuma vertente da vida fique de fora.

Mas sabemos que muitas pessoas não conhecem a mensagem cristã, o que faz com que vivam à margem dela. Também o mundo de hoje não está muito para aí virado. O que faz com que isto da fé seja uma aventura.

Qual o trilho a seguir para embarcar nesta aventura?

Em primeiro lugar, quem se decidir a percorrer o caminho da fé, terá sempre de o fazer de livre vontade. Ninguém pode ser coagido a acreditar.

A fé é uma resposta de quem se deixa conquistar pelo amor de Deus. É adesão pessoal, da inteligência e da vontade, à Revelação de Deus, traduzida em acções e palavras. É também dom sobrenatural de Deus que conquista pelo Espírito Santo. A fé não pode ser ao sabor e maneira de cada um (“eu cá tenho a minha fé”), esta é integrada na fé da Igreja, que a precede, gera, apoia e nutre.

O caminho para ela consta de quatro etapas ordenadas e interligadas: acolher; responder; comunicar; viver e celebrar.

Quero dizer-vos que não é fácil percorrer este caminho. Muitos obstáculos se têm que enfrentar todos os dias – contradições que nos chegam através dos problemas da vida, invectivas de quem ataca, nega, discute a fé…

Mas eu aventuro-me a percorrê-lo! Com altos e baixos, é certo. Afinal, quem é perfeito?! Mas procuro que o AMOR esteja sempre no centro da minha vida, nas minhas atitudes e acções (“a fé sem obras é morta”), de modo a que seja uma fé plena, livre, forte, activa, aquela que me anima, me compromete e me faz seguir uma filosofia de vida.

Bibliografia consultada:
SECRETARIADO NACIONAL DA EDUCAÇÃO CRISTÃ, A alegria de Crer.

Autora : Fá Menor
http://partilhas-em-fa-m.blogspot.com/

32 comentarios:

quintarantino disse...

Desejo saudar a minha amiga. Sempre lhe disse o quão a admirava por exprimir assim tão livre e alegremente a sua Fé. Sem complexos, nem teias.
Daí ao desafio de escrever aqui no NOTAS SOLTAS, IDEIAS TONTAs foi um passo.
Espero que apreciem.

António de Almeida disse...

-Tenho muita dificuldade em comentar questões de fé, porque resultam da natureza individual de cada um, mesmo na religião católica, a que obviamente conheço melhor, ainda que tenha estudado e debatido outras, mas sem grande profundidade, existem diferentes pontos de vista sobre os mais variados temas. Na própria hierarquia, veja-se por exemplo, que D.José Policarpo tem posições diferentes de D.Januário Ferreira ou D.Manuel Maria Martins. Por entender respeitar verdadeiramente todas as religiões, não debato questões de fé, embora ultimamente tenha defendido algumas posições próximas da Igreja Católica, por esta ser sistematicamente atacada por determinada corrente política, que procura atingir tudo o que pensa diferente, das causas fracturantes que defendem. Pregam tolerância, mas são intolerantes para todos os que não abraçam as causas que subscrevem.

NuNo_R disse...

Bom texto, que nos faz reflectir um pouco sobre a nossa "fé pessoal" ou naquilo em que acreditamos como religião.

Se religião no sentido etimológico do "re-ligar" ou de mais uma "fé" a ser seguida pelos demais.

Não querendo me adentrar na matéria pois levaria a um comentário maior que o post ( e não é isso de modo algum a minha intenção!), apenas posso dizer que são assuntos e posts deste tipo que nos fazem crescer e evoluir como seres humanos.
Pois obrigam-nos a abordar temas que normalmente são tabus ou simplesmente desconhecidos por muitos, tal a educação religiosa que tiveram ou o fanatismo com que seguem alguma religião em particular.

Resumindo e falando em mim, sou um cristão pouco praticante que está afstado da I.C.A.R. por tudo o que ela representa e representou nos vários séculos em que obscureceu a mente humana em beneficio próprio. e eu acredito que não foram esses os ensinamentos de Cristo.
Que se não estou enganado ( e sei que não estou) foi: "Ama o teu semelhante e Faz a ele melhor que o que desejas que te façam a ti".
E pelo meu entender, a minha "igreja" falhou redondamente e ainda está a falhar.
Mas no que toca a religião e politica (ja nem falo em futebol eheh); tolero e respeito as preferências de cada um desde que não caia num fanatismo errático.
Cada um com o Deus que desejar para si proprio. Ou com ou Sem...


abr... prof...

bluegift disse...

Assim de repente, acho que as definições estão ora incompletas ora tendenciosas. Depois, não vejo por onde andam os agnósticos; a definição de cristão é demasiado reducionista eu diria mesmo que roça o beatismo (desculpa a franqueza, também é verdade que todos temos direito à vida); o liberalismo está interessado pelos valores materiais e está-se borrifando para a espiritualidade a menos que lhe dê dinheiro. Enfim, não concordo nada com este artigo, e sou cristã! Amanhã logo volto, com menos sono e mais pedidos de esclarecimento ;)

Tiago R. Cardoso disse...

Obrigado FÁ, pela tua participação no NOTAS SOLTAS, diga-se excelente participação.

Concordo inteiramente que o caminho da fé deve ser feito de forma livre, onde ninguém deva ser obrigado acreditar.

Como acontece por cá e não só, desde pequenos é nos ensinado a religião católica, onde crianças de seis anos decoram mandamentos, sem saberem nem entenderem o significado, pelo menos era o que eu sentia, onde me colocavam "leis" e definições sem me explicarem nada.

Hoje estou afastado da igreja, hoje sinto que a fé é algo mais do que aquilo que me é apresentado e definido pela hierarquia católica, para mim é acreditar na essência do bem, acreditar em algo mais do que aquilo que temos neste mundo físico.

Blondewithaphd disse...

A Fé é ecuménica e individual. E como neste 3º Domingo do Tempo Comum pedimos pela aproximação ecuménica das Igrejas Cristãs e não só, não vejo a Fé sob o prisma redutor católico ou mesmo cristão. A Fé é vivida na apreensão individual do livre-arbítrio humano.

Dalaila disse...

a fé esta dentro de cada pessoa, mesmo as mais cientificas muitas vezes têm manifestações de fé, eu tenho fé, acredito na História, a credito que há Homens muito bons que mudaram o mundo, acrdito que há laguma energia que nos move, acredito em mim, acredito que as pessoas são a minha fé também, agora aceito qualqur opnião, aceito qualquer ideia, não me é fácil discutir este assunto com quem não tem fé nenhuma, porque a conversa perde-se sempre, porque quem tem razão?, os pontos de vista estão todos correctos, assim neste caso, que cada um viva com o que quiser acreditar, que faça o bem, e tente ser feliz.

Peter disse...

Venho aqui porque aprecio o blog. O artigo não o comento por ser um assunto do foro íntimo de cada um.

Fa menor disse...

bluegift,
"não concordo nada com este artigo, e sou cristã!"
Quero acreditar que é mesmo sono... que não pertence ao grupo dos cristãos BCF!


Quero pedir desculpa pela minha entrada brusca! Sou pessoa de impulsos... (se calhar nada cristão!) mas quem for perfeito que "atire a primeira pedra!"

Eu previa contestações ao texto, não tinha era pensado muito na hipótese de virem dos chamados cristãos!

É claro que eu com Cristã (praticante), da ICAR, nunca conseguiria escrever um texto de forma totalmente isenta ou imparcial. Teria de ser sempre sob o meu ângulo de visão!
(Não fazeis vós o mesmo?!)

[Gostaria de chamar à atenção para as palavras iniciais, de Gandhi...]


Agradeço especialmente ao Quint e também ao Tiago esta oportunidade.

quintarantino disse...

A raíz de qualquer religião, seja ela qual for, é a compaixão sem limites (Sua Santidade, o Dalai Lama).

Eu que sou agnóstico, penso assim. E que se actuarmos pelos valores elevados da Compaixão certamente poderemos encontrar respostas na constelação de religiões que existem.

Culturalmente a que nos está mais próxima é a cristã e aos portugueses sempre calou fundo o catolicismo.

Mas, como a própria autora, admite, a cada um o seu caminho.

E já Cristo o dizia a Judas: "Ergue os teus olhos e contempla a nuvem e a luz dentro dela e as estrelas que a rodeiam. A estrela que mostra o caminho é a tua estrela" (do Evangelho apócrifo e gnóstico de Judas)

Paulo Sempre disse...

A fé e a expectativa permanentes, quase sempre nos arrastam para fora do quatidiano real. Assim, viver em permanente irrealidade é dar ao sonho o "comando" da vida.
A verdade é que o «Comandante» já não é o que era: há muito que o arco-íris já não torna a realidade romântica. É, realmente, uma pena.
Aquele abraço real.
Paulo

bluegift disse...

fa menor, é aos cristãos que o teu texto mais ofende, lógico, não achas? Aquilo que escreveste é a versão "by the book" da ICAR. Nem uma boa parte dos os padres de hoje em dia o afirmaria de forma tão reducionista.
Não gosto de fundamentalismos de qualquer espécie, cheiram-me a guerra mesmo que proclamem a paz. A ICAR tem a sua função, mas a Cristandade ultrapassa toda e qulquer tentativa de normalização da Fé. Se alguém sente necessidade da religião como uma droga que a ajuda a viver, pois assim seja, sempre é preferível que andar perdido. Escolheste, sabe Deus porquê, a tua forma de catolicismo. Pois assim seja, que sejas feliz na militância da ICAR. Felizmente já não vivemos nos tempos da Inquisição.

Fa menor disse...

Ops!...
O artigo tocou-te nalguma ferida? Olha querida, desculpa lá qualquer coisinha!
Não és obrigada a concordar com nada, mas não me obrigues a acreditar que és cristã!

Fa menor disse...

Desculpa Quint, vou calar-me, isto está a descambar...

bluegift disse...

É isso mesmo, fa menor, os fundamentalismos tresandam a Guerra mesmo quando proclamam a Paz!

Celina disse...

Oi! Apenas visitei! Pelos comentários anteriores, nem me atrevo a opinar! É muita filosofia "para a minha camioneta"!
Acho bem que se escrevam artigos assim, acho bem que haja quem não concorde pois todos temos direito a opiniões diferentes.
Parabéns pela coragem e venham mais artigos assim!
Beijos, Celina

Joshua disse...

Da Fé posso dar o meu testemunho pessoal e fugir das balizas conceptuais que dizem tudo definitivamente, mas não nos dizem a nós no processo de as Viver, de optar todos os dias, de amar fraternamente as pessoas concretas.

Para mim, a Fé celebrada, cantada, impregnada na carne é a Católica por livre, plena e estrutural vontade minha e minha natureza.

Mas o meu coração de ADORADOR de CRISTO e sofredor por que o Mundo inteiro se revista d'Ele tem de ser ainda mais católico, bem largo e capaz de abraçar e acolher, mais católico que qualquer catolicismo meramente prescritivo, sobretudo o da marreta punitiva e excluidora seja de quem for.

Por isso mesmo, os que me conhecem na carne, no toque, no olhar e no abraço e na palavra trocada, não podem reconhecer-me, por vezes, no que muitas vezes escrevo por razões que tenho explicado aos pacientes leitores que vou tendo.

Se alguma vez fui profunda e intensamente feliz foi enquanto catequista-animador de Jovens por vinte anos e em imensas celebrações litúrgicas intensas com eles. De algum modo, o Espírito da Mansidão e da Delicadeza Absolutas estava lá, atraindo-nos, galvanizando-nos.

Sei o que são as grandes Bebedeiras de Alegria por causa de Cristo e da Sua Palavra. Conheço as Grandes Loucuras de despojamento e de sacrifício pessoal por causa d'ELe.

A Droga Cativa e Captura. O Álcool seduz e aprisiona. O Sexo arrebata e detém.

Mas só Cristo é o Absolutamente Tudo em Todos perante Quem nenhuma escória subsiste.

PALAVROSSAVRVS REX

Compadre Alentejano disse...

Para mim qualquer religião é boa desde que sem fundamentalismos.
Nasci num meio católico, mas o facto de "ser obrigado a" fez-me afastar de praticante a mero espectador.
Respeito todas, mas não pratico nenhuma.
Sem fundamentalismos, Compadre Alentejano.

antonio disse...

A Fé que não se vive como resposta a uma chamada, é caminhada amadurecida em estado infantil. Não é fé, é deslumbramento. Tão estéril, tão ateia...

Carol disse...

Este é um texto muito difícil de comentar não pela forma como está escrito, mas pelo tema em si.
Sinceramente não consigo compartimentar de uma forma tão clara e evidente os tipos de fé de cada um.
Eu acredito que existe um deus, mas não lhe sei dar nome. Acredito que há algo superior a nós, sinto-me bem em determinados locais santos (independentemente de serem igrejas católicas ou não) e tenho a minha fé. Acredito num deus magnânimo e nunca num Deus castigador.
Respeito a fé de cada um;; respeito ateus e agnósticos. O que não respeito, nem tolero, sinceramente, é que tentem impingi-la aos outros como muitos tentam fazer.

SILÊNCIO CULPADO disse...

Fa Menor
É complicado, para mim, tecer considerações sobre o texto tal como ele se apresenta na medida em que não consigo ver a fé assim compartimentada. Para mim Deus é a minha consciência. Procuro não fazer aos outros o que não gosto que me façam tendo sempre, como orientação, a ideia de que não há doutrina válida que não encontre correspondência nos actos que praticamos.
Um beijinho

Manuel Rocha disse...

E no Homem, podemos ter Fé ?

C Valente disse...

A fé , cada um tem a que tem , e devemos a respeitar, como os outrs nos devem respeitar.
Já me aconteceu logo ple manhã virem bater á porta, para pregar religião,deixo aviso delicadamente, nunca mais, a proxima será diferente
Saudações amigas

Tchivinguiro: onde nasci. disse...

A fé é caminho que não se vê.

Abraço.

Zé Povinho disse...

A fé não se discute, tem-se ou não se tem. Uns sentem-se mais felizes assim, outros nem tanto, mas é matéria em que nada se pode impor. Abraço do Zé

Fa menor disse...

Meus amigos e comentadores,
Permitam-me tecer algumas considerações.

1. Ao escrever este texto nunca foi minha intenção pregar uma aula de “moral”, ou de ensinar o que é a fé, ou de tentar converter alguém…
Por isso tive o cuidado de começar o texto citando Gandhi.

2. Ao referir-me a diversas formas de “entender” a fé, peguei apenas em quatro modos, entre outros possíveis. Ao focar o “liberal”, o “ateu”, “o teocrático”, e o “cristão”, resumi os seus modos de entender a fé, (visando unicamente o seu entendimento da fé), com base na pesquisa que efectuei.

3. Ao dar ênfase ao modo cristão, fi-lo na convicção de que é esse o ensinamento de Cristo – “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” – ou seja, é a colocação do AMOR no centro de toda a vida, sendo esse ensinamento que procuro viver, buscando para isso o alimento no seio da Igreja à qual pertenço desde o Baptismo e na qual recebi o Crisma já depois de casada e com um filho (e nem sei bem se com outro já a germinar dentro de mim), com a certeza de que o AMOR deveria ser a única coisa a mover o ser humano!

4. Não quis falar de religiões, mas de fé! E se o modo de entender a fé fosse fácil não teria gerado a polémica que gerou nos comentários. Continuo a dizer que não é fácil entender a fé, mas também não será para entender. Tem-se fé como resposta e adesão pessoal a um Deus que se revela, se mostra e chama de diversas maneiras. Um Deus que é dom, que é todo AMOR e ao qual eu só posso responder com AMOR, Acolhendo, Respondendo, Comunicando, Vivendo e Celebrando essa fé!

5. Continuo sem ver onde é que o meu texto ofendeu alguém ou se reveste de fundamentalismo. Continuo a entender um cristão como um seguidor de Cristo (um pouco como um marxista o é de Marx, por exemplo). Ou se é ou se não é! Ou se segue ou não se segue! Continuo na minha de que não se é cristão só porque se recebe o Baptismo e até se vai de vez em quando às celebrações por tradição, por hábito, por obrigação…

6. Se calhar, se não tivessem lido o texto de pé atrás, talvez o tivessem visto com outros olhos. Mas isto sou eu a dizer e não pretendo ser dona da verdade!
Mas digo e repito: O essencial é AMAR!

7. Muito obrigada a todos pela paciência de me lerem. E aos meus amigos virtuais, aí desse lado de lá do meu monitor (meus próximos), digo: AMO-VOS!

Carol disse...

Fá, nunca no meu comentário disse que estava a "pregar" a sua fé. Disse, isso sim, que não suporto quem quer impor a sua religião. Penso que são coisas diferentes.
Quanto ao resto, posso dizer que venho de uma família católica, mas, felizmente, os meus pais tiveram o discernimento de não me incutir nenhuma religião. Daí que não tenha sido, sequer, baptizada. Na sua perspectiva, e bem a meu ver, um dia eu poderia tomar essa opção. Nunca a tomei, mas sou, de qualquer forma, uma mulher de fé.

Fa menor disse...

Pensei que tinha deixado evidente que não pretendi impor ou impingir a minha religião a ninguém. Apenas dei o meu testemunho pessoal. Se me referi concretamente à minha religião, num comentário, foi porque não tenho qualquer pejo em me afirmar Católica Apostólica Romana (apesar de muitos só verem o que ela teve/tem de menos bom, ou de mau, se quiserem, eu vejo nela muito bons exemplos de santidade e de AMOR ao próximo, que não vejo noutro lado, por exemplo na sociedade civil).

Também não suporto que me queiram vender aquilo que não quero comprar!

Muito obrigada Carol, acredito, porque quero acreditar, que sejas uma mulher de fé.

joaquim disse...

Trazido pela Fa, amiga querida destes espaços, cheguei aqui!
Educado catolicamente, afastei-me na adolescência de qualquer prática religiosa e da própria fé cristã.
Passados quase 30 anos por razões da minha vida, (que nada têm a ver com sofrimento, doenças, ou “coisas más”), senti em mim uma necessidade de procurar algo que ia para além de mim.
Em monólogos, (julgava eu, só depois compreendi que Ele também falava comigo), foi acontecendo algo que mudou a minha vida e que foi devido ao renascimento da fé em mim.
E isto dito leva-me logo a afirmar o seguinte:
A fé não é apenas um esforço pessoal, é também e sobretudo um dom de Deus.
Refiro-me, logicamente à fé cristã, que é o que aqui foi falado neste texto que subscrevo.
E esta fé levou-me a centrar a minha vida em Jesus Cristo e em tudo querer viver em comunhão com Ele, fortalecendo e deixando fortalecer a minha fé.
Esta fé trouxe também à minha vida um amor à Igreja, que não “confundo” com a história da Igreja, ou com alguns homens da Igreja.
Igreja somos todos aqueles que acreditamos e a Ela nos unimos e a minha fé em Deus e na Igreja, conforme o Credo que rezo, é no Corpo Místico de Cristo, verdadeira Igreja.
Esta Igreja é para mim a Igreja Católica Apostólica Romana.
Sou uma pessoa “normal”, marido, pai, avô e nada fundamentalista!
Aliás acho que em certos casos o termo fundamentalista é aplicado à Igreja na medida em que Ele não faz o que cada um quer.
A fé, a verdadeira fé, dom de Deus, leva-nos a acreditar não só agora mas para sempre, ou seja, a fé leva-nos a viver “já” e “ainda não” a promessa da vida eterna.
Esta é a minha vida de fé e dela dou testemunho, sem a querer impor a ninguém.
Esta é a minha vida de fé que me leva ver as outras e os outros como minhas irmãs e irmãos em Cristo, que considero meus próximos, independentemente daquilo em que acreditam ou não.
Abraço amigo em Cristo

Cátia disse...

Minha querida Fa,

Que bom é ler-te para além das partilhas... E que assunto interessante nos deixaste aqui. Ao contrario do que por aqui vejo, eu gosto de discutir a fé, gosto de ver os outros pontos de vista... Talvez não haja uma verdade absoluta sobre a fé, mas apenas resultados de experiencias e vivencias ao longo dos anos, que nos alteram a forma como vemos e sentimos a (nossa) fé.

Concordo por completo contigo quando dizes que a fé dos Cristãos (independentemente da religião) seja o Amor... Amar a Deus, amar o proximo... E, pelo que percebi, foi esse o principalmente que quiseste passar!! Tenho mais dificuldades de ver a igreja como alimento à fé, por algumas experiencias que tive, mas acredito que tu consigas, assim como outras pessoas, buscar esse alimento na relação com a igreja, afinal é lá que se tem oportunidade de comungar da palavra de Cristo.

Apesar de alguma polémica que por aqui existiiu, agradeço-te o facto de teres referido este assunto. Colocaste assim imensa gente a pensar sobre um assunto que, não reflectimos muitas vezes.

Aos autores do blog, os meus parabens por este espaço e pelo convite à minha/nossa querida Fa.

Beijinho mt grande

quintarantino disse...

Cati obrigado pelas palavras. As portas estão abertas a todos os que queiram enviar textos. Para ti também.

Carol Barcellos disse...

A fé, muitos tentam explicar e definir, assim como o amor. Mas nem precisam, já há uma definição milenar para a fé. A maioria das pessoas que tem a Bíblia em casa, pode consultar o livro de Hebreus, no capítulo 11, e logo no início encontrar a mais perfeita definição. E com direito a exemplos... :0)