"Preconceitos" blogosféricos.

Na passada segunda-feira estive presente num debate, organizado pelo "Clube dos Pensadores", onde se falou sobre o jornalismo e do seu futuro, com a presença dos directores de dois dos mais importantes diários do país. Passe a publicidade, o "Público" e o "Jornal de Notícias".

Após as intervenções dos oradores convidados, e já no período da participação do público, alguém colocou em cima da mesa a questão da blogosfera tendo logo um dos presentes avançado com a questão de se saber se a blogosfera é uma espécie de quinto poder?

Dando uma série de voltas, José Leite Pereira, director do "Jornal de Notícias", avançou que não se devia confundir os blogues com jornalismo e rematou com um "a blogosfera é uma outra coisa qualquer...".

Pediu a palavra uma outra senhora, estudante de jornalismo, que avançou pelo mesmo caminho: "outra coisa qualquer..."

Entretanto, na quarta-feira, enquanto aguardava pela participação do Quintarantino no programa radiofónico do "Clube de Pensadores" (e que quem perdeu pode sempre ouvir procurando na barra lateral direita deste blogue), um ouvinte, que se disse jornalista de um jornal regional, embora estranhamente não tenha dito qual era o título, caminhou pelos mesmo caminhos de "outra coisa qualquer...".

Aliás, este último andou perto, se não mesmo em cima, do "preconceito" contra a blogosfera!

É evidentemente que os blogues não são jornalismo.

Acho que a maioria não quer sequer desempenhar esse papel, querendo antes ser a chancela da opinião de quem os escreve.

Dai já a diferença; enquanto o jornalismo se rege por normas próprias e tem/deve procurar ser necessariamente independente, os blogues são preferencialmente opinativos.

Tenho, contudo, de admitir que existem casos de blogues que descobriram e chegaram mais longe que os jornalistas, em matéria de temas de actualidade e acuidade até. O caso da licenciatura/ou não licenciatura de José Sócrates começou por ressoar na blogosfera, só depois passando para a Imprensa. Mas o que ressoava na blogosfera era, basicamente, o que a Imprensa depois deu!

De qualquer modo, faz-me uma certa confusão, este "olhar de lado" para a blogosfera… porque será?

Medo de concorrência?
Medo da "resposta na hora"?
Medo de sentirem ultrapassados pelos acontecimentos?

Não me parece que se devam sentir ameaçados. Até porque na maioria dos casos são eles que acabam por fornecer a noticia que depois é comentada na blogosfera.

Eu disse comentada? É como quem diz…

Tenho feito umas viagens pela blogosfera, e sendo curioso, ando numa de ver os chamados "blogues de top" ou os ditos de referência.

Aliás, acho que a maioria não quer sequer desempenhar esse papel, querendo antes ser a chancela da opinião de quem os escreve.

Para quem não sabe o que é, "blog de topo" é geralmente de um blogue com centenas de visitas por dia e milhares de páginas vistas. A diferença radica no facto de uma pessoa, quando faz a primeira entrada do dia naquela página, isso é contado como visita, a partir daí, e sempre que voltar conta como ver

Pois durante as minhas visitas deparo que esses blogues têm números enormes e, no entanto, os comentários são poucos.

Falo de números tipo 600 visitas e 1200 paginas vistas para uma ordem de 5 a 6 comentários!

Muitos passam por um blogue… vêem o tamanho do escrito e assustam-se… lêem o titulo… se faltar uma palavra mágica (hoje a mais usada é Sócrates), vão-se logo embora…

Outros fazem a chamada leitura na "diagonal" e também saem sem comentar.

A questão nem é bem o comentar, pois debitar por debitar qualquer um… O interessante é saber se as pessoas realmente lêem o que lá está escrito, se o texto os deixou a pensar e se têm opinião.

Quando decidi reunir-me ao Quintarantino aqui neste espaço foi porque percebi que era isso que ele queria e era o que também eu desejava.

Compreendo que nem todos tenham o tempo que eu tenho para ler as coisas com atenção e, mesmo lendo. tenham possibilidades de comentar, mas muitas vezes tenho a certeza que existe muitos bons textos que me escaparam e que só mais tarde os vejo, como tenho a certeza que existem blogues, que estando longe do mediatismo são de grande qualidade.

Pessoalmente tenho a certeza que tudo pode e deve ser comentado, nem que seja para discordar, mas fico com a sensação que muitos se desinteressaram do comentário e se calhar de pensar.

Provavelmente acham que chegamos a um ponto em que comentar esta nossa sociedade significa uma dor de cabeça!

28 comentarios:

Blondewithaphd disse...

Ok, me first now!
E vai em Português (sorry)! O jornalismo factual é apenas um tipo de jornalismo. Há jornalismo opinativo, que é tudo menos neutral e em países como a França já se estuda o fenómeno blog como um tipo novo de jornalismo interventivo socialmente. Quem comenta e quem não comenta, pois isso é com cada leitor, cada visitante dos blogs. O que intressa é o espaço informativo em si, do banal ao intelectual, do registo pessoal, à informação de fundo.
Quanto aos blogs de topo, bom, acho que é tudo uma questão de interpretação. O que é topo afinal?
Gostei! Acho que temos de debater isto mais vezes!

NuNo_R disse...

Boas...
o teu post é bastante pertinente.

E é pena sermos uma "coisa qualquer"... mas somo aquela "coisa" que todos os jornalistas lêm em busca de informação ;)

e tou contigo no que escreveste no último paragrafo.


abr...prof... bfds

O Guardião disse...

Muitos dos nossos jornais cometem um erro bastante comum, que é o de misturar notícias com comentários o que reduz muito a sua credibilidade. Esta é a razão porque muitos jornalistas olham de lado os blogues. O pulsar da sociedade não vem forçosamente plasmado no blogues 'ditos' de referência, até porque os mesmos se limitam a dar a opinião dos seus autores, sempre em número restrito. Na diversidade de leituras é que se pode avaliar as diferentes opiniões e é por isso que, neste aspecto, a blogosfera é mais rica do que o jornalismo em termos de opinião.
Cumps

Lampejo disse...

O bom Tiago é que agora os jornalistas não detêm mais o monopólio da informação.

O que é a blogosfera é o conjunto de blogs que participam do que foi convencionado chamar de “a conversação global”, ou seja o dialogo entre blogueiros e comentaristas, onde os papeis se invertem, onde as informações circula...
“entre tapa debates abraços e risos”

Enfim...os blogs têm sido um espaço que tem garantido uma manifestação democrática da população, mesmo que minoritária, pois antes da Web era pouco provável. As discussões nos comentários são o exemplo perfeito de inteligência coletiva e de desenvolvimento do senso crítico da população.

Por fim, quando uma pessoa toma como tema um assunto pautado pela mídia para escrever no seu blog, vejo esse espaço como aquele que sempre foram tão reivindicado pelos leitores para cartas e opiniões que é tão escasso nos jornais impressos e televisionados .

Hoje já não existe uma fonte única de informação.
E nem aquele que represente melhor a verdade.

Belíssimo texto com sempre você se supera a cada dia!

Parabéns..
Aplausos!!!

(a)braços bom-domingo

mac disse...

Concordo em pleno com a parte final do teu texto...a maior parte das pessoas já desistiu de pensar, optando por comer a palha que lhes põem à frente. Provalvelmente o perigo/ameaça dos blogs para algumas pessoas é essa mesma - à alguns anos atrás, dizia-se que 1 mulher que lia era perigosa (era sinal que pensava), hoje esse perigo vem dos blogs. É do género: escrevo/comento, logo penso, e hoje em dia pensar pela nossa própria cabeça, pode ser visto como 1 ameaça...

adrianeites disse...

Li o teu post horizontalmente e concordo na íntegra!

cp's

Compadre Alentejano disse...

Gostei do post., é pertinente e actual.
Como há políticos que dizem não ler jornais, também há jornalistas que dizem não ligar aos blogs, mas todos vão olhando pelo canto do olho.
Quando o António Balbino Caldeira, no blog Portugal Profundo, despoletou o caso da licenciatura de Sócrates, em Fevereiro de 2005,os jornalistas repararam que estava ali uma "caixa" mas tiveram medo que ela rebentasse nas suas mãos. Daí o facto de não falarem logo no caso e, também devido às cunhas dos colegas assessores de imprensa dos membros do governo. Resultado, só falaram quando era impossível ocultar durante mais tempo.
Este é um caso que mostra bem a importância dos blogs.
Quanto à falta de comentários, talvez as pessoas tenham receio de escrever aquilo que pensam.
Para mim, é um problema de cultura.
Um abraço
Compadre Alentejano

Maria P. disse...

A blogosfera não é uma "coisa qualquer", como tudo tem aspectos positivos e negativos, mas tem algo fundamental (ainda!) total liberdade.

Em relação aos comentários, falo por mim, sou de leituras e poucas palavras, embora o factor (falta de) tempo tenha um peso enorme.

Mais um exclente post por aqui!
Obrigada.

Francisco Castelo Branco disse...

A blogosfera hoje ocupa um lugar na sociedade que nao pode ser considerado como "uma coisa qualquer".
Tem de ser encarado como uma coisa séria e bastante atractiva
Do ponto de vista factual e substantivo.

guilherme santos disse...

Mais uma vez excelente.

Um grande texto onde se discute a falta de comentários em geral e a pouca vontade desta sociedade em pensar.

antonio disse...

Tiago, bom texto (mesmo lido na diagonal...).

É claro que os jornalistas não gostam dos blogs, estes também podem formar a opnião pública, o que tem sido até aqui um exclusivo da classe. Faço-me entender?

Daniel J Santos disse...

Mais uma vez o Notas supera-se e chama ao debate outro bom tema.
De facto parece existir por parte de certas elites uma desconfiança sobre a blogosfera, parecem ter medo da "resposta na hora", onde um assunto sai e é logo colocado sobre o microscópio da opinião.
Entretanto pela blogosfera tem se vindo a desenvolver um excelente trabalho e como foi dito no texto, muitas vezes desaproveitado e ignorado por muitos.
Mais uma vez parabéns a este blogue pelo trabalho que tem vindo a fazer.

Rui Caetano disse...

Uma óptima reflexão. A blogosfera constitui mais uma oportunidade para o cidadão apresentar temas ou dar a sua ideia ou opinião acerca das questões da vida.

quintarantino disse...

E falamos de quê quando falamos de jornalismo?

(Re)consultado o "Manual de Jornalista", da autoria de Daniel Ricardo, e com quem aprendi o uso de muitas das ferramentas que viria a usar na curta (uns meros 6 anos) carreira de jornalista, logo recordei que se jornalismo é fazer e transmitir notícias, dar informação, dentro do género podemos ir da entrevista à reportagem. Ou ao "chouriço" que era como o Fernando Santos se referia aios textos extensos que, por norma, eram usados para tapar alguma página da edição para a qual não se arranjava mais nada de jeito.

E também há o dito artigo de opinião. Nada de mais normal.

Não sou é defensor, confesso-o, dum certo estilo que se implantando sobretudo nas nossas televisões.

Desde o piscar de olho final do José Rodrigues dos Santosàs diatribes da Manuela Moura Guedes que, numa verdadeira salada de fruta, noticia, opina e, em cismando, há-de ter algum entrevistado a concordar com ela.

E outra particularidade dos nossos jornalistas resulta do uso do "condicional". Banalizou-se. Em demasia e denota, em muitos casos, falta de trabalho de casa.

Nos blogues passa-se o mesmo. Há de tudo. Quem teve a maçada de me acompanhar desde o início sabe que já aqui ensaiei posições e opiniões que mais tarde figuras de proa abordaram sob o mesmo enfoque.

Costumo dizer que a alguns valem-lhes é a carteira de contactos, enquanto que a outros nem a inteligência das posições e análises que fazem lhes valem. Vejo muito disso por aqui, na blogosfera.

Quanto aos comentários, tenho para mim que cada um é livre de os produzir ou não e isto em relação ao que é suposto comentar. Prefiro ter poucas opiniões, mas consistentes do que quinhentos a escreverem "está londo, pá"!

António de Almeida disse...

-Tiago, estou de acordo com o que afirma, mas acho que ficou muito aquém do que poderia ter afirmado. Um blog pode ser parcial, um blogger mais ainda, eu sou-o, e nem serei dos piores em termos de parcialidade, já um jornal tem de manter um padrão editorial, enquanto um jornalista está sujeito a um código deontológico, não pode publicar uma notícia sem respeitar a regra quem/quando/como/onde/porquê, se fôr opinativo, terá de mencioná-lo previamente. Mas deixe-me lançar-lhe umas questões, quando se afirma que os jornalistas olham de lado para os blogues, como explicar a cada vez maior presença deles nos mesmos? por ex. o corta-fitas! Se pretender ler as colunas de opinião de F.Câncio ou João Miranda, para quê comprar o DN? Esperando umas horas, não passa disso mesmo, estão no 5 dias ou no Blasfémias! Mesmo Pacheco Pereira, 24H depois, transcreve no Abrupto! Se os jornalistas olham de lado para os blogues, estes também aumentam a sua notoriedade, e será que a mesma beneficia apenas os próprios, ou também os jornais que lhes pagam? Será legítimo que os jornais olhem de lado para os jornalistas? Estes de lado para os bloggers? Muitos deles os seus leitores mais críticos e atentos? Ou estamos a atravessar um tempo de incertezas, com todos á procura do rumo certo, para enfrentar o futuro? Para reflectir!

7 Pecados Mortais disse...

Tiago, vou comentar só a parte referente aos blogues, pois de jornalismo, já muito se falou e meditou. Um blogue como dizes pode ser de topo ou não. Também é preciso ver que somos ser humanos e somos pecadores. Neste aspecto quero referir o facto que por vezes há quem goste só de visitar um blogue ou outro. Até aqui se dão preferências, tipo: "gosto mais do teu, porque me visitas e tal e deixas opinião, etc"...existe pensamentos para tudo. Contudo não sou da opinião que todos os blogues têm de ser perfeitos. Há quem nasceu para ser médico, jornalista, engenheiro, operador fabril, etc., nem todos são obrigados a saber escrever ou colocar os melhores artigos, cada um é como é e deve-se respeitar. Eu visito vários blogues e deixo sempre a minha opinião, seja o texto que for, não desprezo ninguém, todos merecem o seu lugar ao Sol. Agora sei que muitos têm capacidades para estar nos topos e aí sempre dou os meus parabéns. O blogue para já é livre e daí cada um faz o que quer. Por vezes já noto aqui (blogosfera) uma espécie de preferências e amizades esquesitas em torno dos blogues, tipo uma disputa pelo melhor lugar. Acho isso ridículo. Penso que independentemente da qualidade de cada um, todos merecem respeito e a ser visitados. Acho que se deve visitar espaços e comentar independentemente de esses não nos visitarem. É uma questão de mentalidade e saber estar. é o que penso. Abraços e continua.

Peter disse...

Este comentário não é um comentário, é um contributo:

A esperança ainda

“ ... Entretanto tenho ultimamente frequentado a blogosfera. É uma “zona libertada” inesperada e saudavelmente respirável, onde quem, como eu, chega da sórdida Galáxia Gutemberg, a “popular” como a “de referência”, se reconcilia com a espécie. A blogosfera é o lugar onde hoje melhor se escreve e se pensa em português (ainda por cima com a vantagem de não dar de caras com um editorial de José Manuel Fernandes).
E o facto de a maior parte dos blogues ser, julgo, escrita por gente com menos de 30 anos justifica uma réstia de esperança no futuro. ...”

(Artigo de Manuel António Pina, “A esperança ainda”, publicado na revista VISÃO de 18DEZ03)

Shark disse...

Subscrevo em todos os sentidos o Peter. A blogosfera é um espaço de liberdade e esperança. Assim todos a soubessem respeitar.

Zé Povinho disse...

A outra coisa qualquer, que não é certamente algo similar à imprensa propriamente dita, é contudo um repositório de opiniões sobre os mais diversos temas, muitos deles desconhecidos da tal imprensa, e que bem podiam inspirar muitos jornalistas para fazerem um jornalismo mais sério, de investigação para começar.
Abraço do Zé

Carol disse...

Olá, Tiago!
Mais uma vez, gostei do teu texto e do tema que decidiste abordar.
Para mim é evidente que as duas áreas a que te referes são distintas, mas penso que se podem complementar. Quantas vezes li textos jornalísticos que me deixaram dúvidas às quais encontrei respostas na blogosfera?
Quanto à questão de fazer ou não comentários, só posso dizer que cada um sabe de si. Eu gosto de comentar, de oerecer um feed-back ao autor do texto. Acho que isso é importante, até para incentivar o bom trabalho ou mostrar aspectos a melhorar. Mas sabes que comentar obriga a pensar e há muito quem não se queira dar ao trabalho.
Depois há aqueles que embirram com alguém, por isto ou por aquilo e que não sabem separar as águas. Eu posso ter opiniões muito diferentes das tuas, mas não é por isso que vou deixar de ler, visitar e comentar. Mas algumas pessoas não têm essa capacidade.

Sniqper ® disse...

Uma coisa qualquer...
Talvez seja isso mesmo a blogosfera, um mundo onde muitos julgam ser o futuro, onde outros julgam que por ela podem alcançar o futuro, mas muito poucos sabem que de facto ela é mesmo Uma coisa qualquer..., pelo simples facto de estar a ser manipulada, usada para fins que bem dissimulados servem os interesses de meia dúzia, que a coberto de jogos de palavras tentam subir a escada que no mundo real não conseguem, simplesmente porque nesse a coragem que aqui espalham em palavras é abafada pelo jogo dos interesses e, quando a escolha é colocada na sua frente ou aceitam ou fala a lei real.
Uma coisa qualquer, é não ter a consciência do que se faz, do que se diz por palavras, do que se divide e marginaliza, isso sim é uma coisa qualquer, mas esses, os que julgam passar despercebidos, estão a caminhar para o lugar certo, o fim.
O mundo é o que queremos que ele seja, o que consentimos que nele viva, por isso só temos aquilo que deixamos que exista, o resto não passa de pura conversa como outra coisa qualquer...

Fragmentos Culturais disse...

Não se preopcupe, Tiago com esses ditos de '...outra coisa qualquer...!

Os blogues já estão instalados nos estudos de jornalismo, nos meios académicos, e usam-se como ferramentas de aprendizagem, isto é, como suporte de lições, resumos, e mais do que isso, artigos de fundo ou trabalhos de investigação.

Professores de todos os níveis de estudos, até professores catedráticos se debruçam nessa estupenda ferramenta, fácil de gerir e que chega com facilidade a um elevado número de pessoas, não sendo obrigatório passar só pelos seus discentes.

A livre circulação do conhecimento está aí para ficar. É só imprescindível respeitar os direitos de autores na web que já funcionam também no nosso país!

Poderia citar-lhe muitos exemplos, internacionais e nacionais... fico-me por um próximo, no tempo e no espaço:

Decorreu em Lisboa em Outubro uma conferência internacional que reuniu a 'nata' do elearning! Nela, mais uma vez foi valorizado o papel dos blogues. E a maior parte utilizou mesmo esta ferramenta para publicar alguns dos seus trabalhos ou curtas reflexões:

http://www.elearninglisboa.com/
index.php?lop=

Quanto às visitas e comentários, já sabemos que só são lidos e comentados os que 'cheiram' a voyeurismo!
Tudo o que tenha um cariz sério, de análise social ou de carácter cultural, ou se escreve pelo prazer... ou fecha-se a porta, isto é, apaga-se o blogue!

Sensibilizada pelo olhar sempre atento em 'fragmentos'!

Excelente semana!

R@Ser disse...

Cabeça pensante.....pessoa exigente!

Um ótimo texto,parabéns.

Bjinhos

Paula Raposo disse...

Um assunto bem interessante. Essa de 'outra coisa qualquer' achei engraçada...quando não se tem nada a dizer fica-se por aí. Digo eu. Muitas das coisas que vou sabendo, leio-as nos blogs, não na imprensa, ou então, só mais tarde na imprensa. É verdade.

Joshua disse...

Não, a blogosfera não é uma coisa qualquer. Bem pelo contrário. O jornalismo tradicional, o jornalismo que não leva em conta a blogosfera é que corre o risco de ser olhado como uma coisa qualquer.

Se o Poder Político pode pressionar económica e pessoalmente os que presidem ou trabalham nesse domínio, usando telemóveis seguros e outros processos de indetecção sofisticados, não podem exercer pressão sobre blogues como Do Portugal Profundo ou outros emergentes, os quais, em certos momentos mais graves ou agudos, têm um volume visitacional tão apreciável e monstruoso que, por algum de estes dias, deverá ser verdadeiramente levado em linha de conta por todos os Poderes Tradicionais.

Tão ricos e imprevistos e intratáveis como pessoas de carne e osso são os blogues. É o meu. É o vosso.

Quem quiser tapar o sol com a peneira e recusar o carácter fermentício de este fenómeno, errará clamorosamente o alvo e será engolido pelo Pão Novo dele resultante.

Adoro este processo. Adoro estar nele, ó Tiago!

Paulo Vilmar disse...

Tiago!
Novamente perfeito na escolha do tema. Creio, que aí, como aqui, as coisas não diferem muito. Vejamos. A chamada "grande mídia" é um negócio como outro qualquer, vive para dar lucro. Um grande Jornal, por exemplo, não sobrevive da venda de seus exemplares, mas, sim, do número de sua tiragem, pois é esse número que vai determinar o valor das publicidades em seu interior. Quanto maior a tiragem mais caro o valor da publicidade. Isso, naturalmente faz com que o Jornal trate a notícia como um produto. Este produto deve ser palatável, para bem vender, esqueceram, portanto, em algum lugar, da verdade, da notícia crua, sem retoques, das opiniões fortes, posto que todos temos posições. Fazendo isso, o departamento publicitário de um Jornal, tem muito mais valor que seu departamento jornalístico. E, pior, eles desconhecem a forma que funciona a Blogosfera. Se eu publicar em meu Blog, uma tremenda mentira, pode ter certeza que serei desmascarado e ninguém mais visitará um blog marcado pela falta de ética. Isto faz com que as notícias circulem rapidamente e a elas vá se juntando opiniões das mais diversas, uma cumplicidade que muda a ótica da notícia no mundo inteiro. Os grandes Jornais usam a Internet para publicar, no espaço virtual nada mais nada menos que uma cópia do seu espaço físico(jornal). Então, é claro, que os Blogues estão se tornando uma "pequena mídia", em contraponto a "Grande Mídia", com muito mais credibilidade, posto que lida com a notícia no seu nascedouro. Pensemos num acidente nuclear em qualquer lugar. Lá haverá certamente, alguém com um aparelho celular para fotografar e depois postar como tudo aconteceu. Adeus as versões palatáveis segundo interesses de "grandes". Há problemas? Claro que há, existem muitos blogueiros pilantras, mal-intencionados, etc.? Certamente há, mas não conseguem sobreviver de uma forma plena.
Abraços!

Miguel Ângelo disse...

A blogosfera não "é uma outra coisa qualquer", é mais do que isso. Sinto que é um mundo por desvendar, acreditem!Enfim, subscrevo tudo o que aqui foi dito neste post.
Parabéns
Pois, faço parte dessa outra coisa. Ainda bem!?

Manuel Rocha disse...

"os jornais têm de /devem não ser opinativos"...

Tiago, desculpe:

Há quantos anos não compra um jornal ?!

Cumprimentos pelo espaço !

Manuel